por Almir Cezar Filho[1]
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| John Maynard Keynes (1883 - 1946) |
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Keynesiano! Nas últimas duas décadas, em todo momento de grave crise, empregou-se essa expressão para taxar alguém ou algo em economia que aponta por uma política econômica de intervenção estatal. Bem verdade que, é assim desde fins da década de 1930, demonstrando que todo pensamento econômico subsequente passou a estar sob a influência ou a ser balizado pela
Teoria Geral do Emprego, do Juro e do Dinheiro, de John Maynard Keynes (1883-1946), pai da Macroeconomia.
"-Todos somos keynesianos"[i], assim afirmava até mesmo Milton Friedmann (1912-2006), um dos pais da contra-ataque antiKeynes, também chamado de neoliberalismo. Mas serão os macroeconomistas, embora o citando com frequência e enfatizando essa filiação científica, mesmo keynesianos? Salvacionismo, intervencionismo, política anticíclica, etc., são essencialmente keynesianos?
Não em si. Mas para entender, é preciso relembrar a principal contribuição de Keynes para a Economia [ii] - o “Princípio da Demanda Efetiva” - e distingui-la das reinterpretações dos epígonos. E responder uma outra pergunta, Keynes aceitou ou não os postulados neoclássicos. Keynes aposta numa perspectiva reformista-social e conclui pela regulação estatal para evitar os “males econômicos da sociedade que vivemos”. É possível dizer assim que, os governos e os financistas, com as políticas econômicas, no que defendem e aplicam, em nada ou muito pouco, sejam Keynes de verdade, suas teorias e de seus legítimos continuadores, seja de escola keynesiana de tipo A ou de tipo B.
Na busca da crítica da crítica, primeiramente parte-se do próprio Keynes, para distingui-lo dos macroeconomistas intervencionistas vulgares, e do que havia antes dele hegemonicamente na Teoria Econômica. Antes de criticar-se uma teoria, é preciso desmistificar as falsas acusações que lhe são imputadas. A crítica da crítica, como método, não se edifica em cima de "espantalhos" teóricos de inimigos, nem de corruptelas de epígonos. Karl Marx e F. Engels, ao construírem a Crítica da Economia Política, não partiu dos que eles mesmo chamaram de "economistas vulgares", mas retomada do estudo da assim chamada Economia Política Clássica, indo diretamente aos autores consagradores e fundadores.
Somente assim, entende-se seu limite teórico, e pode-se posteriormente, retomar a crítica necessária a sua superação, especialmente sobre a capacidade de operar a política econômica nos marcos do sistema capitalista, ou o quanto o planejamento pode proteger ou recuperar das crises.
O que pensava afinal J. M. Keynes?
Será para Keynes o Princípio da Demanda Efetiva (PDE) que explica - e não as imperfeições de mercado, a rigidez em preços ou as interferências exógenas perturbadora da “mão invisível” - as flutuações nos três objetos fundamentais da Macroeconomia (o emprego, os juros, a moeda), e por sequência no nível de produção geral. Keynes, na TG, tentou desenvolver uma “Teoria Geral” sobre o funcionamento da economia capitalista.