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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Com aprofundamento da crise na Europa, aumenta o déficit das contas externas brasileiras

Almir Cezar
As contas externas brasileiras, segundo dados do Banco Central, tiveram saldo negativo em setembro de 2012, seguindo a tendência de cada vez mais com valores maiores ao longo do ano, muito provavelmente em decorrência do agravamento da crise na Europa, embora sendo por hora compensadas pelo crescimento do IED (investimento estrangeiro direto). Em uma óbvia consequência da capitalismo dependente brasileiro.

O déficit em transações correntes, saldo negativo das compras e vendas de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior, chegou a US$ 2,596 bilhões, em setembro (16% maior do que o mesmo mês do ano passado), e acumulou US$ 34,123 bilhões nos nove meses do anos. A conta de rendas (remessas de lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários) apresentou resultado negativo de US$ 1,823 bilhão, no mês passado, e de US$ 22,506 bilhões, de janeiro a setembro deste ano, correspondendo a mais de 65% do déficit em transações correntes. Ao se acompanhar atentamente o fluxo de capitais do país nos últimos meses observa-se que, com o aprofundamento da crise na Europa, a maior pressão sobre remessas de lucros e dividendos do Brasil tem origem em filiais de empresas daquele continente (em particular, as espanholas).

Até o momento, o déficit é compensado pelo fluxo de IED (investimento estrangeiro direto), mais do que suficiente para cobrir o saldo negativo em transações correntes, que em setembro, esses investimentos ficaram em US$ 4,393 bilhões. Provavelmente, o grande fluxo de IED vem à aquisição de empresas brasileiras por transnacionais e à implantação de novas filiais, atraídas pelas taxa de retorno (lucro) maiores que o Brasil proporciona no momento. Porém, em um futuro, estas remeterão lucros, dividendos e royalties  - vale lembrar que, só em 2011, apenas as montadoras de automóveis remeteram US$5,6 bilhões -, contribuindo tanto para futuros déficits, como para mais desnacionalização da economia, isto é, mais dependência. Em suma, ganhos aos empresários brasileiros e europeus, prejuízos aos trabalhadores.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Saída de dólares do Brasil supera entrada


Saída de dólares do Brasil supera entrada em US$ 1,069 bi até a última terça
Agência Brasil, 23/08/2012 

O saldo da entrada e saída de dólares, fluxo cambial, neste mês até o dia 21, ficou negativo em US$ 1,069 bilhão, segundo informou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel.

O fluxo financeiro (investimentos em títulos, ações, remessas de lucros e dividendos ao exterior, entre outras operações) ficou negativo em US$ 138 milhões. O segmento comercial (operações relacionadas a exportações e importações) registrou saldo também negativo, de US$ 931 milhões.



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Apesar de superávit comercial e pacote de estímulos à indústria, o controle de capitais torna-se necessidade.

Almir Cezar
O fluxo cambial do Brasil segue crescentemente negativo, apesar de superávit comercial, cuja balança começa 2º semestre no azul, cujo saldo no início de julho soma US$ 2,8 bilhões, após o pior 1º semestre em 10 anos. O segmento de bens intermediários, que fabrica insumos para a produção de outros bens foi o único no vermelho no período (0,9%), na quarta queda consecutiva no segmento, justamente onde os importados mais avançam, foi o destaque negativo da indústria brasileira de maio para junho, reforçando a estagnação da atividade industrial no mês. Apesar de superávit comercial e pacote de estímulos à indústria, a economia, em especial a indústria, segue com crescimento pífio, com um saldo negativo no fluxo de moeda estrangeira. Esse cenário impõe que o controle de capitais torne-se uma necessidade iminente.

Essa situação comprova que o programa do governo de incentivo à indústria nacional, de isenções da folha de pagamento e de cortes no IPI, que totalizam renúncias fiscais de quase R$ 200 bilhões, tem impacto limitado e é insuficiente para aumentar a competitividade do país. Os estoques internacional no setor intermediário em alta devido a crise mundial jogam o preço lá em baixo ampliando a baixa competitividade do segmento nacional.

Portanto, a própria indústria nacional, apesar dos recentes socorros do governo federal, é o responsável pelo tombo em sua atividade, e pelo avanço das importações. E consequentemente também, do recente saldo negativo de dólares, pois a indústria nacional compra insumos e peças fabricados fora, e ainda remete lucros para as matrizes, mesmo que este no momento esteja declinante. Assim, cada vez mais, torna-se inócua políticas de incentivos às exportações - um desperdício do dinheiro público.

Por sua vez, torna-se necessário o controle de capitais diante da fuga de dólares, a fim de evitar uma eventual crise cambial, provável se a economia brasileira seguir esta tendência. Inclusive se a atividade industrial se recuperar a situação pode piorar, com mais importações nos insumos e remessas de lucros. 
Seguindo o padrão da economia brasileira toda expansão da atividade industrial interna amplia também as importações de produtos industriais.


Assim, a política de desenvolvimento industrial não pode ser destinar recursos públicos aos empresários (que simplesmente utilizam como meio de recuperar a queda em sua margem de lucro) com seu consequente aperto orçamentário aos serviços públicos e funcionalismo (vide o grande contingenciamento e a forte resistência de Dilma em não conceder reajustes salariais), sob severo risco macroeconômico ao país.

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sábado, 14 de julho de 2012

Depois da queda dos juros, agora é preciso controle de capitais, se não é crise nas contas externas


Déficits das contas externas e desvalorização do real são sinais de fuga de capital



Almir Cezar
Numa sinalização do que pode representar o agravamento da crise européia, as saídas de dólares no Brasil superaram as entradas em maio segundo o Banco Central (BC). A conta de transações correntes, que registra as compras e vendas de mercadorias e serviços, registrou déficit na conta financeira em abril e é o maior resultado para esse mês. Com isso, o saldo cambial do período ficou negativo, que de certa maneira se configura uma possível fuga de capitais, resultando inclusive na recente alta da cotação do dólar. Nesse quadro, o governo vai ter de se preparar para, antes que as reservas virem pó, controlar o movimento de capitais. Assim, o Governo Dilma terá que se enfrentar com outro tabu da ortodoxia macroeconômica brasileira, o controle de capitais, sob o risco de fazê-lo obrigado após um colapso cambial.

Os números mostram tendência de redução dessas remessas. A conta de transações correntes, que registra as compras e vendas de mercadorias e serviços, registrou déficit de US$ 5,403 bilhões, em abril, informou o Banco Central. É o maior resultado para o mês já registrado pelo BC. O valor ficou um pouco acima do esperado pelo Banco Central, que era US$ 5,2 bilhões. O déficit também foi maior do que o registrado em abril de 2011 (US$ 3,598 bilhões).

sábado, 7 de julho de 2012

Depois da queda dos juros, agora é preciso controle de capitais, se não é crise nas contas externas

Déficits e desvalorização do real no mês de maio são sinais de fuga de capital

Almir Cezar

Numa sinalização do que pode representar o agravamento da crise européia, as saídas de dólares no Brasil superaram as entradas em maio segundo o Banco Central (BC). A conta de transações correntes, que registra as compras e vendas de mercadorias e serviços, registrou déficit na conta financeira em abril e é o maior resultado para esse mês. Com isso, o saldo cambial do período ficou negativo, que de certa maneira se configura uma possível fuga de capitais, resultando na recente alta da cotação do dólar. Nesse quadro, o governo vai ter de se preparar para, antes que as reservas virem pó, controlar o movimento de capitais. Assim, o Governo Dilma terá que enfrentar com outro tabu da ortodoxia macroeconômica brasileira, o controle de capitais, sob o risco de fazê-lo obrigado após um colapso cambial.

Os números mostram tendência de redução dessas remessas. A conta de transações correntes, que registra as compras e vendas de mercadorias e serviços, registrou déficit de US$ 5,403 bilhões, em abril, informou hoje o Banco Central. É o maior resultado para o mês já registrado pelo BC. O valor ficou um pouco acima do esperado pelo Banco Central, que era US$ 5,2 bilhões. O déficit também foi maior do que o registrado em abril de 2011 (US$ 3,598 bilhões).

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Fluxo cambial ficou negativo pela primeira vez. Fuga de capitais chega a mais de US$ 6 bi

Segundo informou o Banco Central (BC), maio foi o primeiro mês este ano que o saldo fluxo cambial (saldo da entrada e saída de dólares do país) ficou negativo em US$ 2,7 bilhões. Apesar da melhora das exportações que ajudou a reduzir déficit, maio registrou um forte fuga de capitais pelo segmento financeiro (investimentos em títulos, ações, remessas de lucros e dividendos ao exterior, entre outras operações)  de US$ 6,3 bi. Se o Brasil não impor urgentemente o controle de capitais sofrerá as consequências.

O saldo da entrada e saída de dólares do país, conhecido como fluxo cambial, ficou negativo em US$ 2,691 bilhões, em maio, segundo informou o BC. Foi o primeiro mês este ano que o saldo ficou negativo. Em abril, o resultado ficara positivo em US$ 6,588 bilhões. No primeiro dia de junho, o saldo também ficou positivo, em US$ 324 milhões.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Argentina impõe restrições à compra do dólar para evitar evasão de divisas


Agora, o argentino que quiser adquirir moeda estrangeira para viajar terá que pedir autorização à Receita Federal do país. Medida prevê risco de prisão para quem infringir.

Argentina impõe restrições à compra do dólar para evitar evasão de divisas
Agência Brasil | 29/05/2012

O governo argentino reforçou na segunda-feira os mecanismos de controle de câmbio, que vinha implementando desde novembro do ano passado, para evitar a fuga de divisas estrangeiras no país.

A partir desta terça-feira, o argentino que quiser comprar dólares, euros, reais ou qualquer outra moeda, para viajar ao exterior, terá que pedir autorização à Receita Federal da Argentina, conhecida como Afip.

Para isso, ele deverá informar o destino, a data da viagem e o motivo. Caso contrário, a única opção será comprar divisas no mercado paralelo – o chamado “dólar blue” – pagando 32% a mais e correndo o risco de ir preso.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Depois da queda dos juros, agora é preciso controle de capitais. Se não é crise nas contas externas

Apesar da remessas de lucros e dividendos ao exterior ter caído 43,9% de janeiro a abril, com os juros reais brasileiros, pelo menos na sua taxa básica, marchando para níveis menos atrativos para os especuladores e a crise mundial caminhando para novo patamar, a ser deflagrado pelo efeito dominó que se seguirá à moratória grega, a fuga de capitais daqui vai se acirrar, portanto o governo terá que questionar outro tabu da ortodoxia macroeconômica brasileria: o controle de capitais.

O déficit nas contas externas é o maior já registrado pelo BC para meses de abril. A conta de transações correntes, que registra as compras e vendas de mercadorias e serviços, registrou déficit de US$ 5,403 bilhões, em abril, informou hoje o Banco Central. É o maior resultado para o mês já registrado pelo BC.Déficit na conta financeira chega a US$ 5 bi. Reservas dão cobertura para investidor. Numa sinalização do que pode representar o agravamento da crise européia, as saídas de dólares superaram as entradas, em maio até dia 18, segundo o Banco Central (BC). Com isso, o saldo negativo do período atingiu US$ 1,511 bilhão, que de certa maneira se configura como uma possível fuga de capitais, impactando inclusive com a recente alta do dólar.
 
A deterioração da crise mundial, com sua consequente fuga de capitais, ocorre num momento em que o próprio Banco Central (BC) já projeta um rombo de US$ 70 bilhões nas contas externas nacionais, com previsão de serem cobertos por capitais especulativos, em processo de acelerado processo de volta para suas matrizes, tanto por movimentos defensivos, quanto, centralmente, para cobrir rombos de investidores e empresas em seus países de origem. Nesse quadro, o governo vai ter de se preparar para, antes que as reservas virem pó, controlar o movimento de capitais, centralmente especulativos, sob risco de ver-se diante de uma crise cambial de imprevisíveis consequências políticas, econômicas e sociais.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A rede do poder corporativo mundial


Ladislau Dowbor[1] - 12 de novembro de 2011

“There is a big difference between suspecting the existence of a fact
and in empirically demonstrating it”[2]
Todos temos acompanhado, décadas a fio, as notícias sobre grandes empresas comprando-se umas as outras, formando grupos cada vez maiores, em princípio para se tornarem mais competitivas no ambiente cada vez mais agressivo do mercado. Mas o processo, naturalmente, tem limites. Em geral, nas principais cadeias produtivas, a corrida termina quando sobram poucas empresas, que em vez de guerrear, descobrem que é mais conveniente se articularem e trabalharem juntas, para o bem delas e dos seus acionistas. Não necessariamente, como é óbvio, para o bem da sociedade.
Controlar de forma organizada uma cadeia produtiva gera naturalmente um grande poder econômico, político e cultural. Econômico através do imenso fluxo de recursos – maior do que o PIB de numerosos países – político através da apropriação de grande parte dos aparelhos de Estado, e cultural pelo fato da mídia de massa mundial criar, através de pesadíssimas campanhas publicitárias – financiadas pelas empresas, que incluem os custos nos preços de venda – uma cultura de consumo e dinâmicas comportamentais que lhes interessa, e que gera boa parte do desastre planetário que enfrentamos.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Avanço de IED pode embutir aplicações em juros

Para Messenberg, do Ipea, quadro de avanço de IED (investimento estrangeiro direto) para US$ 75 bi em 1 ano pode embutir aplicações em juros pode refletir a entrada de capital especulativo 'travestido' de IED.

 "Investejuros" cresceu 177%. 
Avanço de IED para US$ 75 bi em 1 ano pode embutir aplicações em juros 
Monitor Mercantil, 21/10/2011

O ingresso de investimento estrangeiro direto (IED) nos 12 meses encerrados em agosto chegou a US$ 75,4 bilhões. Isso representa crescimento de 176,6% em relação ao mesmo período de 2010.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Remessas causam rombo externo recorde

Remessas de lucros e dividendos pressionam contas externas, reconhece BC. Até agosto multis tiraram US$26 bi do Brasil e devem levar mais 12. É o pior resultado da série histórica desde 1947.

Remessas causam rombo externo recorde
Monitor Mercantil, 23/09/2011

ATÉ AGOSTO, MULTIS TIRARAM US$ 26 BI DO PAÍS E DEVEM LEVAR MAIS US$ 12 BI


O déficit das transações (comércio e serviços) do Brasil com o exterior chegou a US$ 4,862 bilhões, em agosto. É o pior resultado para o período desde o início da série histórica do Banco Central (BC), em 1947. No mesmo mês de 2010, o déficit ficara em US$ 2,975 bilhões. Para este ano, a previsão do BC era de US$ 3,2 bilhões.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, o crescimento do rombo deveu-se ao aumento das remessas de lucros e dividendos de empresas no Brasil para o exterior.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Déficit externo recorde, apesar de aumento na dívida externa

Captação de bancos pegam dinheiro barato para ganhar com juros e especular com câmbio e elevam a dívida externa. Acresce-se a isso, a entrada de investimento direto externo (IED) que somou US$ 6,8 bilhões mês passado. Contudo, apesar dessas entradas, o Brasil teve um déficit recorde em março de US$5,6 bilhões - remessa de lucros e "bolsa Miami" causam rombo recorde. Para piorar, essas entradas causam mais déficits dificultando ainda mais a situação.

Captação de bancos eleva dívida externa
Monitor Mercantil,26/04/2011


Instituições pegam dinheiro barato para ganhar com juros e especular com câmbio

Apesar da propaganda oficial e do mercado financeiro sobre o fim da dívida externa do país, em março o débito brasileiro com o exterior atingiu US$ 279,226 bilhões. Isso representa mais US$ 22,422 bilhões em relação a dezembro, conforme anunciou o chefe adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, que divulgou o Relatório do Setor Externo referente a março.

Maciel informou que a dívida externa de longo prazo cresceu US$ 9,5 bilhões no trimestre, para US$ 209 bilhões. Já o estoque da dívida de curto prazo (vencimento ao longo dos próximos 12 meses) teve aumento mais pronunciado. de US$ 12,9 bilhões no período, totalizando US$ 70,2 bilhões.

Segundo Maciel, a expansão na dívida de curto prazo deveu-se ao ingresso líquido de US$ 7,7 bilhões em empréstimos a bancos e a emissões líquidas de US$ 2,6 bilhões em papéis do setor bancário, além de US$ 2,6 bilhões de empréstimos a outros setores.

No caso da dívida de médio e longo prazos houve o ingresso líquido de US$ 4,9 bilhões em bônus e notas e de US$ 3,6 bilhões em empréstimos ao setor bancário, mais US$ 2,4 bilhões de empréstimos a outros setores. O destaque no período, acrescentou Maciel, foi a redução de US$ 2,2 bilhões no endividamento externo de longo prazo do governo federal.

O relatório do BC menciona, ainda, que as reservas externas do país continuam a crescer: US$ 317,1 bilhões em março, mais US$ 9,6 bilhões sobre fevereiro, em decorrência, principalmente, das compras do BC no mercado à vista de câmbio, que somaram US$ 8,8 bilhões.

Houve também receitas de US$ 629 milhões com a remuneração das reservas e US$ 175 milhões com a valorização do real e outras operações externas. Mas, de acordo com o último número do BC, relativo ao dia 20 deste mês, as reservas internacionais cresceram mais US$ 8,588 bilhões este mês, alcançando US$ 325,734 bilhões.

PAÍS TEM DÉFICIT RECORDE EM MARÇO: US% 5,6 BI
Monitor Mercantil, 26/04/2011


Remessa e "Bolsa Miami" causam rombo recorde

BRASÍLIA - As balança de transações correntes (bens e serviços) amargou déficit de US$ 5,67 bilhões, em março. O resultado é o pior já registrado para março desde 1947, quando começou a série histórica do Banco Central (BC).

O rombo recorde foi provocado pela disparada na remessa de lucros e pelo aumento das despesas de turistas brasileiros, beneficiados pelo Bolsa Miami, que subsidia as viagens ao exterior, ao manter o real sobrevalorizado em relação ao dólar. Com isso, no primeiro trimestre, o déficit saltou para US$ 14,63 bilhões.

Em março, as filiais de empresas internacionais repassaram para suas matrizes US$ 3,7 bilhões, mais 83% em relação ao enviado no mesmo período de 2010. No trimestre, as remessas somaram U$ 8,4 bilhões, contra US$ 4,5 bilhões no primeiro trimestre de 2010.

Para piorar, o aumento do rombo externo continua a ser financiado pelos juros elevados, que atraem capital especulativo, registrado na conta financeira, (portfólio e investimento externo direto). Esta conta teve resultado positivo em US$ 15,02 bilhões em março e em US$ 42,6 bilhões no primeiro trimestre.

Já o investimento direto externo (IED) somou US$ 6,8 bilhões mês passado.

Com isso, o balanço de pagamentos (registro de todas as transações do Brasil com o exterior) foi superavitário em US$ 9,53 bilhões em março.

No primeiro trimestre, o IED somou. US$ 17,5 bilhões. Com isso, o balanço de pagamento teve saldo positivo de US$ 27,64 bilhões

"As contas externas do país, tanto em março, quanto no primeiro trimestre, vieram em linha com aquilo que a gente estava esperando. Ou seja, uma ampliação do déficit em transações correntes, que, em última instância, reflete o crescimento da economia brasileira", afirmou Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Nova alta do IOF não vai conter real

Mantega põe IOF a 6% na terceira tentativa contra tsunami cambial, contudo ao invés de controlar capital, governo insiste em remédio a conta-gotas. O remédio seria controle total de entrada de capitais, restrições ao envio de lucros, dividendos e rendimentos para o exterior, reduzir drasticamente a taxa de juros e taxar fortemente os rendimentos financeiros. Porém, os grandes grupo financeiros dominam o Governo Dilma e o seu Banco Central.

Nova alta do IOF não vai conter real
Monitor Mercantil, 06/04/2011

EM VEZ DE CONTROLAR CAPITAL, GOVERNO INSISTE EM REMÉDIO A CONTA-GOTAS

Pessoas jurídicas que tomarem empréstimo no exterior por menos de dois anos pagarão Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6%. A mudança foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. É a terceira tentativa do governo para conter o derretimento da cotação do dólar em uma semana. Até aqui, as medidas não têm surtido efeito.

Para o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira, a estratégia mais correta para enfrentar a sobrevalorização da moeda é administrar (não fixar) o câmbio via controle sobre o fluxo capitais pela entrada.

"Sou totalmente contra o controle pela saída. Não tenho medo de fuga, mas da entrada de capitais", disse, defendendo que o país evite déficits em conta corrente, que, segundo o economista, geram sobrevalorização cambial e expõem o país ao risco de crises cambiais.

"Não tenho medo da fuga porque não quero me endividar. Em países como a China, que têm dívida externa líquida muito pequena ou até crédito em conta corrente, não há nenhum problema de fuga de capitais", destaca.

Bresser pondera que hoje existe abundância de capitais. "É sinônimo de excesso de liquidez. Eles querem empurrar esse dinheiro para nós".

Mantega disse que a medida também afetará a oferta de crédito e punirá quem pega dinheiro emprestado no exterior para especular no país. Em outubro, o governo aumentara de 2% para 6% o IOF sobre a entrada de moeda estrangeira em aplicações em renda fixa. A medida foi insuficiente para conter o ingresso de dólares, que superou a saída em US$ 12,6 bilhões em março. Apenas no primeiro trimestre, a entrada líquida foi recorde: US$ 35,5 bilhões.

Semana passada, o governo anunciou mais duas medidas, aumento em seis pontos percentuais do IOF sobre compras no exterior em cartão de crédito e cobrança do imposto sobre empréstimos diretos e captações de recursos no mercado internacional.

domingo, 9 de janeiro de 2011

BC anuncia medidas no câmbio, mas podem não valer de nada

O Banco Central anunciou dia 06 medida para segurar a queda do dólar tirando US$ 7 bilhões que bancos usam para apostar na valorização do real. Nas últimas duas semanas, o dólar está abaixo de R$ 1,70, nível em que se manteve ao longo de quase todo o ano passado. As instituições financeiras terão que recolher ao Banco Central 60% sobre o valor da posição de câmbio vendida que exceder US$ 3 bilhões ou o montante equivalente ao patrimônio de referência do banco. A medida tem o objetivo de ajudar a conter a queda do dólar. Esse depósito compulsório, recursos que os bancos são obrigados a depositar no BC, será recolhido em espécie e não será remunerado. A princípio, vai gerar alguma demanda por dólar, o que tende a fazer com que a cotação suba.

Porém, o câmbio sofre influências do mercado externo, e o melhor não arriscar palpites quanto aos efeitos das medidas do BC sobre a cotação do dólar no Brasil. Por outro lado, não há garantias que o excesso de dinheiro que circula atualmente pelo globo, e que tem desembocado nas economias emergentes como o Brasil, continuará assim indefinidamente. Por isso mesmo, o BC está preocupado com setores da burguesia nacional que têm assumido compromissos em moedas internacionais. Contudo, segundo o próprio BC a decisão de onerar a entrada de recursos estrangeiros no país para conter a queda do dólar não deverá afetar os investimentos, não é uma mudança na política econômica e as instituições ainda terão 90 dias para se adequar à nova regra (a medida começa a ser aplicada em 4 de abril).

Mas se o BC elevar a taxa básica de juros (Selic), nada vai adiantar, pois permanecerá a enxurrada de dólares para o Brasil. Dessa maneira, em breve, o governo provavelmente pode ser obrigado a lançar para conter a alta do câmbio, medidas para alterar a dinâmica de valorização do câmbio, como elevar o IOF (imposto sobre operações financeiras) para investimentos de estrangeiros em renda fixa e variável e adotar outros depósitos compulsórios para conter as posições vendidas de dólares de bancos. Não deve ser descartada vir a ser obrigado a adotar o controle de capitais, como através da quarentena do ingresso de capitais.

BC reduz arsenal para especular
Monitor Mercantil, 06/01/11
Medidas tiram US$ 7 bilhões que bancos usam para apostar na valorização do real

O Governo Dilma Rousseff anunciou sua primeira medida para segurar a queda do dólar, criando regras que tornam menos atraentes as apostas de instituições financeiras de que o real vai continuar a valorizar.

Nos últimos meses, bancos reforçaram essa estratégia e as chamadas "posições vendidas" - que apostam na alta do real - já somam US$ 16,8 bilhões, novo recorde.

Para isso, os bancos pegam empréstimos em dólar no exterior, com juros muito mais baixos, ganhando duplamente: com a diferença entre os juros externo e interno e com a valorização da moeda no decorrer do tempo.

Para desestimular esse movimento, o Banco Central (BC) determinou que os bancos que tiverem posições "vendidas" em dólar acima de US$ 3 bilhões ou superiores ao patrimônio de referência (PR) da instituição terão de recolher depósito compulsório de 60% sobre o excedente. De acordo com o BC, a medida vai reduzir as posições vendidas em quase US$ 7 bilhões.

A intenção é conter o derretimento do dólar. Segundo o BC, os bancos saíram de uma posição "comprada", de US$ 2,9 bilhões, no fim de 2009, para uma posição "vendida" de US$ 16,8 bilhões, em 2010. A medida entra em vigor em 4 de abril e o objetivo é reduzir esse montante para US$ 10 bilhões.

Para o economista Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor da Dívida Pública do BC, a decisão não indica mudança de política econômica. "É uma medida pontual e temporária - três meses. O BC aproveitou o excesso de posição vendida", disse, admitindo, porém, que a resolução terá impacto no mercado futuro de juros e câmbio.

Para Freitas, contudo, há outras variáveis: "Se o BC elevar a taxa básica de juros (Selic), nada vai adiantar, pois permanecerá a enxurrada de dólares para o Brasil".

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Ajuste fiscal: Cortes de 4 bi. Nada nos juros

O ajuste fiscal do Governo Dilma começou com R$4 bilhões em cortes no Orçamento 2011. Mas nenhuma medida é anunciada contra os juros altos ou câmbio apreciado, provocado pela entrada feroz de dólar externos para investimentos, estimulados pela maior taxa real de juros do mundo.

Por outro lado, também nada é anunciado para conter a alta nas remessas de lucro e dividendos, aproveitando da forte expansão da economia nacional, mantém os lucros em altas, permitindo que se cresça em ritmo exponencial às remessas, fragilizando o balanço de pagamentos. O governo deveria elevar a tributação do Imposto de Renda sobre operações de remessa para coibir abusos das empresas estrangeiras. Por sua vez, o controle de capitais é um instrumento que deve continuar a ser usado para pôr fim à entrada desenfreada do capital especulativo.

Governo pode bloquear R$ 40 bi do Orçamento
VALDO CRUZ e SHEILA D'AMORIM - Folha de São Paulo, 05/01/2011

DE BRASÍLIA - O bloqueio de recursos do Orçamento da União este ano poderá chegar a R$ 40 bilhões. Avaliação da equipe econômica indica que o corte nos gastos terá de superar o montante de 2010, quando foi de R$ 30 bilhões.

A palavra final caberá à presidente Dilma, mas ela já autorizou um "corte efetivo" de despesas. Isso significa que o valor a ser anunciado ficará retido até o final de 2011, diferentemente de anos anteriores, quando parte das verbas acabou liberada.

O freio nas despesas públicas é a aposta do governo para convencer o mercado financeiro da disposição de controlar as contas públicas depois de um ano pautado por elevação dos gastos.

Inicialmente, o Ministério da Fazenda avaliou que um corte semelhante ao de 2010 seria suficiente, mas os últimos cálculos indicaram que R$ 30 bilhões são "pouco".

Segundo a Folha apurou, o montante do corte pode chegar aos R$ 40 bilhões principalmente por conta das receitas extras criadas pelo Congresso na aprovação do Orçamento, que ficaram na casa de R$ 23 bilhões.

O ajuste fiscal em estudo pela equipe de Dilma é o principal instrumento para atacar os dois principais desafios econômicos impostos ao novo governo: a valorização excessiva do real e a elevação da inflação.

O corte representaria mais de 60% de todo investimento previsto no Orçamento da União e pode garantir o cumprimento da meta de superavit primário de 3,1% do PIB (Produto Interno Bruto).

Na sua primeira entrevista como ministro do governo Dilma Rousseff, Guido Mantega (Fazenda) não quis se comprometer com valores, mas enfatizou que o bloqueio ajudará na questão cambial.

"Garanto que haverá ação fiscal forte em 2011 e isso também ajudará o câmbio no médio prazo", afirmou.

Segundo ele, "a demanda estatal menor vai abrir espaço para que futuramente os juros possam cair".

Além disso, o gastos públicos em excesso estimulam o consumo num momento delicado para inflação. Em 2010, a economia irá crescer em torno de 7%, o que cria um ambiente favorável a novos reajustes de preços. Este ano, o governo trabalha com um crescimento de 4,5%.

Mantega não anuncia medidas para câmbio, mas fala em cortes de gastos
Téo Takar | Valor | 04/01/2011

SÃO PAULO – Ao contrário do que esperava o mercado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não anunciou novas medidas para o câmbio nesta terça-feira. “Não vou anunciar nenhuma medida cambial hoje. Mas estamos preparados para adotar medidas adicionais se necessário”, afirmou em entrevista coletiva.

O encontro foi convocado para Mantega anunciar que o governo está estudando cortes nos gastos orçamentários.

“Estamos promovendo um estudo minucioso em cada ministério. O corte não será linear”, afirmou.

“Não temos definições ainda. Isso vai demorar um pouco. Não queremos prejudicar as ações de cada ministério”, acrescentou o ministro.

Segundo o ministro, “haverá uma posição forte do governo na redução de gastos, o que terá efeito a médio prazo no câmbio”.

Ele também frisou que os cortes colaborarão para a redução dos juros pelo Banco Central.

“O governo está atento à questão do câmbio. Não permitiremos que o dólar derreta”, ressaltou.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Selic alta traz de volta a 'velha senhora', a crise cambial

Juros altos, dólar em baixa: Brasil às vesperas de uma possível crise cambial

Limiar&Transformação, 21/10/2010

Copom mantém a Selic em 10,75% a.a., a maior taxa básica do mundo, sem necessidade

A manutenção pelo Copom do Banco Central da Selic (taxa básica de juros) em 10,75% a.a.(ao ano) traz a ameaça da volta da vulnerabilidade externa, expressa no crescente déficit em transações correntes. Com juros altos e câmbio sobrevalorizado, as chances de inversão desse quadro diminui muito.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira, manter pela segunda vez seguida a taxa básica de juros (Selic) em 10,75% ao ano. O índice vigora desde 21 de julho, data da penúltima reunião do colegiado. Em curto comunicado, o BC afirmou apenas que tomou a decisão "avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação".

Isso significa que, para o brasileiro os juros bancários, seja para financiamento, empréstimo ou cheque especial, devem se manter no mesmo patamar, de 6,74% ao mês, o menor valor em 15 anos. Contudo, é a maior taxa real de juros do mundo. E que a atividade econômica ficou estável em agosto em relação ao mês anterior. Isso significa que a geração de riquezas continuou no mesmo ritmo entre um mês e outro, como mostrou nesta quarta-feira (20) um indicador do Banco Central. Desde janeiro, a economia acumula crescimento de 9,11% em relação ao mesmo período do ano passado.

Atualmente, a inflação está em 4,70%, dentro da meta do governo, que é de 4,5% para 2010, com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo – ou seja, pode chegar a 6,5% ou atingir 2,5%. Portanto, sem necessidade, e gerando em consequência estagnação (no mês passado, foram gerados 246.875 postos formais, número menor que agosto (299 mil) e também inferior ao registrado no mesmo mês de 2009 (252 mil), segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)), maior endividamento das famílias (em setembro, cresceu pelo 5º mês seguido o número de quem não pagou dívidas) e, pior, a ameaça de crise cambial.

juros altos ameaçam trazer a ‘velha senhora’ de volta

O resultado é que o Copom joga contra o real ao manter a taxa de juros básica no alto. A Selic deveria ter caido de modo a desestimular investimentos externos em aplicações financeiras e reduzir a valorização do real em relação ao dólar.

Novamente, o Copom peca pelo "conservadorismo" (traduzindo, sob a justificativa de precaução,defende os interesses dos banqueiros e rentistas em detrimento dos demais setores da sociedade), ao não retomar o processo de queda nos juros em um ambiente mundial de taxas de juros reduzidas. A manutenção dos juros básicos da economia em nível elevado pode levar a graves problemas para o futuro próximo, propiciando aumento das importações e redução da geração de empregos no país.

Assim, a economia brasileira fica sujeita a ameaça da volta da "velha senhora", como é conhecida a crise cambial pelos economistas, com as importações crescendo 46% nos primeiros nove meses do ano, propiciado pelo valor baixo do dólar.

Por sua vez, a questão do dólar baixo no Brasil não é a guerra cambial, como alega o ministro da Fazenda Guido Mantega, mas a taxa de juros, que ajuda a depreciar o dólar.

Para conter a queda do dólar no país, gerada pela forte entrada da moeda no país, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), na última segunda-feira (18). O governo, que havia elevado de 2% para 4% o imposto há duas semanas, voltou a adotar nova alíquota, desta vez de 6%, como forma de reduzir a pressão sobre a taxa de câmbio. O governo também aumentou de 0,38% para 6% a alíquota do IOF cobrado sobre a margem de garantia dos investimentos estrangeiros no mercado futuro. O BC também tem atuado com as compras de dólares no mercado à vista. Neste mês, até o dia 15, essas compras elevaram as reservas internacionais em US$ 4,242 bilhões. Contudo com isso, apesar fizeram "cosquinha" nas cotações, o dólar segue em baixa.

Os desequilíbrios entre as moedas de diversos países, batizados de “guerra cambial” pelo ministro Guido Mantega, foram inclusive o tema central da última reunião do FMI na capital americana. Muitos países são acusados de desvalorizar a moeda para tornar as exportações mais baratas e competitivas no mercado internacional, prejudicando as economias com moedas mais valorizadas. Um dos principais alvos das críticas é a China, acusada principalmente pelos EUA de manter sua moeda, o yuan, artificialmente desvalorizada. O Brasil, porém, tem concentrado as críticas nos EUA, acusado pelo governo brasileiro de provocar desequilíbrios ao aumentar a emissão de dólares, o que torna a moeda norte-americana mais barata. O desequilíbrio mais importante é a expansão monetária norte-americana, usada para combater o baixo crescimento e o desemprego ainda elevado nos EUA. Que leva por sua vez, que muitos países rebaixem o valor de suas moedas.

O Banco Central (BC) deveria retomar imediatamente o ciclo de cortes da Selic, de forma a atingir o objetivo mais preocupante do governo e da economia brasileira neste momento: a valorização do real ante o dólar, e não que a taxa de inflação convirja para a meta. E a Fazenda deveria aplicar controle de capitais.

ALERTA: MANUTENÇÃO DO MODELO LEVARÁ O PAÍS A CRISE CAMBIAL

O que é a Selic?

A Selic é chamada de taxa básica porque é usada como referência pelos bancos para estabelecer os juros cobrados nos empréstimos entre bancos e nas aplicações em títulos públicos federais. A taxa funciona ainda como um piso para a formação dos demais juros cobrados no mercado para financiamentos e empréstimos - que são influenciados também por outros fatores, como o risco de que quem pegou o dinheiro emprestado não pague a dívida e a margem de lucro dos bancos.

É a partir da Selic que as instituições financeiras definem também quanto vão pagar de juros nas aplicações dos seus clientes. Ou seja, a taxa básica é o que os bancos pagam para pegar dinheiro no mercado e repassá-lo para empresas ou consumidores em forma de empréstimos ou financiamentos, a um custo muito mais alto. Por isso os juros que os bancos cobram dos clientes é superior à Selic.

Contudo, a Selic também é a taxa minima paga pelo governo nas aplicações que os bancos fazem em títulos públicos federais. Então quanto maior a Selic maior a remuneração aos bancos nos títulos públicos, isto é, maior o pagamento pela dívida pública, e portanto, a transferência dos recursos públicos para os bolsos dos rentistas e banqueiros.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

4% de IOF sobre gringos não serve para controlar queda do dólar

Elevação do 4% de IOF sobre aplicações externas não serve para controlar queda do dólar frente ao real. É preciso aplicar controle de capital, diminuir o arrocho fiscal e deixar de ser campeão em juros.

Quatro por cento é pouco mesmo
No primeiro dia após alta do IOF para só 4%, dólar tem maior queda em 2 anos

Monitor Mercantil online, 05/10/2010

Fatores externos como o corte, para zero, do juro no Japão e a expectativa de mais estímulos nos Estados Unidos (ao contrário do Brasil, campeão de juros e arrocho fiscal) ajudaram a derrubar o dólar. Com isso, confirmou-se, ao menos nesta terça-feira, a advertência feita por analistas ouvidos pelo MM na véspera, de ter sido inócua a elevação da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% para apenas 4%.
A moeda norte-americana caiu 1%, para R$ 1,675, no menor patamar desde 2 de setembro de 2008, antes da quebra do banco Lehman Brothers.
Além disso, declarações como a do vice-presidente da Moody"s, Mauro Leos, para quem o Brasil não enfrenta risco soberano "em função da solidez das contas externas", devem atrair ainda mais dólares para o Brasil.
Tanto o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, quanto o economista Leonardo de Carvalho, do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea), avaliam que seria positivo o país flexibilizar o arrocho fiscal via aumento do investimento público.
"Seria bom gastar mais, investindo em infra-estrutura. O aumento do IOF se tornou apenas aumento de arrecadação. A inflação das commodities é importada e, contra ela, aumentar juros é tão inócuo quanto essa elevação do IOF", disse Castro.
Já Carvalho avaliou que, "se é para aumentar o gasto", que seja no investimento. "O governo ainda investe pouco", resumiu.
Economistas argentinos também consideram muito difícil o governo brasileiro conseguir interromper a trajetória de valorização do real só com a elevação da alíquota do IOF. "A equipe econômica do Brasil não pode ignorar que esse imposto é irrelevante para brecar a entrada de capitais e a conseqüente apreciação do real", opinou José Luis Espert, da consultoria local Espert & Associados.
Para o ex-presidente do Banco Hipotecário Miguel Kiguel, elevar o IOF "funciona no curto prazo porque os mercados sempre encontram meios para contorná-la".

Só dobrar IOF não detém real valorizado
Governo eleva para 4% o imposto sobre aplicações de "gringos" em títulos públicos
Monitor Mercantil, 04/10/2010

O governo anunciou o aumento da taxação dos investimentos estrangeiros em renda fixa no Brasil, que passarão a pagar 4% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a medida tem como objetivo coibir especuladores, que se aproveitam da diferença de juros e da valorização do real.
Para o economista José Luiz Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB), é inócua a elevação do IOF em apenas dois pontos percentuais.
"Como agravante, poderá dar argumento aos que são contrários ao controle sobre capitais especulativos. O risco da medida paliativa é desmoralizar o instrumento", pondera Oreiro.
Lembrando que a crise não acabou, ele cobra medidas mais duras para conter os que estão fugindo do dólar em queda e da recessão na Europa. "O Brasil está entrando de bobo na guerra das moedas - na definição do próprio ministro Mantega. A economia norte-americana continua patinando, inclusive com probabilidade de cair novamente em recessão".
Isso, segundo Oreiro, obriga o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) a manter frouxa por longo período a política monetária, "o que por si só já explica a queda do dólar".
E lembra que o Brasil cresce com juros de curto prazo alto, o que torna o pais extremamente atrativo para uma série de investimentos especulativos, atrás do diferencial de juros e na bolsa.
"A China tem resistido a isso. Alguns países desenvolvidos, como a Suíça, vêm adotando política de compra de reservas internacionais, expandindo a base monetária. Com isso, seguram a moeda local em patamar competitivo. Por isso a desvalorização do dólar não aumenta a competitividade dos EUA", explicou, descartando qualquer possibilidade de coordenação de políticas cambiais entre os países, via G20.

domingo, 8 de agosto de 2010

Juros altos forçam captação externa mas ampliarão remessas ao exterior

A taxa de juros básica, fixada cronicamente alta pelo Banco Central, força as grandes empresas brasileira recorrerem a captações externas para se financiarem. A consequência é a ampliação das remessas ao exterior devido a desnacionalização, e logo o envio de lucros, ou aumento da dívida externa privada, e logo o pagamento de juros dos empréstimos internacionais.

Curiosamente, um dos principais fatores que condiciona o BC a sempre fixar a Selic muito alta, não é o combate a inflação, mas é a busca por arbitragem, isto é, que a taxa de juros interna seja maior que a internacional, que pela diferença, atraí especuladores e logo capitais, para que o fluxo nas contas externas seja sempre positivo (mais dólar entrando do que saindo). Porém, é justamente essa política que gera dificuldades nas contas externas, à medida por um lado que o câmbio valorizado prejudica as exportações e favorece as importações, pressionando a balança comercial, e por outro, estimula a remessa externa de lucros das multinacionais, pois o lucro doméstico em moeda nacional fica maior em dólar, pressionando a balança de serviços.

Em suma, apesar do desenvolvimento econômico do último período, o Brasil ainda está em um círculo macroeconômico vicioso, típico das economias dependentes. Para piorar, força a desnacionalização do capital das grandes empresas brasileiras (76% do PIB está sob controle de capitais estrangeiros), condicionando a perda da autonomia dinâmica da economia, reforçando ainda mais a dependência do Brasil dentro do sistema mundial capitalista ao capital externo.


Contratando a alta do rombo externo
Monitor Mercantil, 02/08/2010

Com juro "à la BC", aumento da captação de empresas ampliará remessas ao exterior

Diante de um país que pratica os maiores juros reais do mundo, num momento de taxas negativas, a demanda internacional por bônus das companhias brasileiras supera todas expectativas. A Gol, por exemplo, teve procura quatro vezes superior aos US$ 300 milhões oferecidos aos investidores.

Já os títulos do BMG, com valor de face de US$ 250 milhões, captaram US$ 1,5 bilhão para a companhia. O banco Panamericano registrou demanda 6,5 vezes superior à sua emissão.

O economista Marcos Coimbra, conselheiro do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (Cebres), alerta para os riscos do aumento dessa procura. E lembra que, segundo o economista Adriano Benayon, 76% do produto interno bruto (PIB) brasileiro já estão sob controle de não-residentes.

"É motivo de preocupação. Hoje há cerca de US$ 3 trilhões circulando na economia e moeda é algo que perde valor. Os investidores estão trocando esse papel podre por ativos", destacou Coimbra.

De acordo com o conselheiro do Cebres, na América do Sul os investidores buscam segurança, liquidez e rentabilidade em economias fortes, em nível regional, como Chile e o próprio Brasil.

"A contrapartida é a transferência do centro de decisão do Brasil para o resto do mundo. Significa que estamos perdendo poder sobre a nossa economia", disse o economista, acrescentando que os investimentos vão gerar remessas de lucro e dividendos, agravando o déficit em conta corrente, que este ano promete superar a barreira dos US$ 50 bilhões e, segundo projeções, poderá atingir US$ 80 bilhões em 2011.

Entre as companhias que lançaram títulos no exterior e obtiveram demanda acima do previsto estão incluídas Braskem, BMF&FBovespa, Banco Mercantil do Brasil e Banco BMG.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Contas externas brasileiras perto do limite

Um dos traços típicos da dependência volta a se manifestar na economia brasileira: a instabilidade das contas externas. À medida que a crise econômica mundial iniciada 2008 forçou as empresas transnacionais a aumentar e acelerar a remessa de lucros para compensar os prejuízos nas matrizes e importantes filiais européias e cortar investimentos diretos (IED) devido a queda nas exportações. O nível de IED havia mantido as contas equilibradas, mas parece ter situação agravada agora nos últimos dois meses, agravado pelo câmbio elevado, que reforça a piora nas contas externas, pelo aumento das importações.

Contas externas perto do limite

  do Estadão.com
 
Déficit nas contas externas é de US$ 24 bi

Rombo no primeiro semestre já é praticamente igual ao do ano todo de 2009; Banco Central espera compensá-lo com entrada de investimentos

Fernando Nakagawa, Fabio Graner 
BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

A crescente remessa de lucros feita por multinacionais e a compra de produtos e serviços internacionais aceleraram a saída de dólares do Brasil em junho por meio da conta corrente do País, que registra todas as operações de comércio exterior, serviços e rendas do Brasil com o exterior.

O saldo negativo do primeiro semestre, de US$ 23,76 bilhões, é comparável ao déficit de todo o ano de 2009, que somou US$ 24,302 bilhões, e equivale a 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB). No mês passado, pelos dados divulgados ontem pelo Banco Central, o saldo da entrada e saída de recursos nessa conta ficou negativo em US$ 5,18 bilhões, o pior junho da série iniciada em 1947.

Tentando não mostrar preocupação com a deterioração, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, sustenta que o rombo será financiado com dólares que entram no País para investimento produtivo e no mercado financeiro. No semestre, de fato, a conta fechou. Em junho, porém, a soma do Investimento Estrangeiro Direto (IED) - voltado à produção - e das aplicações financeiras (ações e renda fixa) cobriu apenas 71% do déficit. Por isso, Altamir fez uma inflexão no discurso e admitiu o uso de uma terceira fonte para fechar a conta: o aumento da dívida externa.

A incerteza econômica nos países desenvolvidos foi decisiva na nova piora das contas externas. No mês passado, empresas estrangeiras instaladas no Brasil remeteram US$ 4,15 bilhões às sedes como lucros e dividendos, o maior valor para junho da história. O resultado do mês equivale a um terço das transferências do semestre, que somaram US$ 14,96 bilhões e foram concentrados em três setores: automotivo, químico e eletricidade e gás.

"As filiais mandam dólares para cobrir prejuízos das sedes ou até para se precaver de uma situação que ainda pode piorar", disse a professora de economia da Unicamp Daniela Prates.

Em outra frente, os dólares têm saído em ritmo cada vez mais rápido para pagar serviços relacionados ao nível de atividade econômica acelerado. A despesa total com a contratação de aluguel de equipamentos, informática e transportes cresceu 42% em junho ante igual mês de 2009 e saltou 71% no semestre. Em seis meses, o Brasil usou US$ 13,86 bilhões para pagar essas contas. Em tendência semelhante, a importação de mercadorias cresceu 45,1% no semestre.

Para o professor de economia da PUC-SP Antônio Corrêa de Lacerda, o câmbio valorizado é importante para explicar a piora da conta corrente, mais até do que o nível de atividade elevado. "Hoje, há um processo de substituição da produção nacional por importados."

A fragilidade das contas externas em junho foi acentuada porque a principal fonte de ingresso de dólares, o IED, secou. No mês passado entraram por essa conta US$ 708 milhões, metade do que entrou em junho de 2009.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

BC ao aumentar Selic além de mentir sobre superaquecimento eleva a dívida pública em 3 PACs

BC prefere capital de "motel" a crescimento

Munhoz: ‘BC mente ao dizer que Selic sobe para conter superaquecimento’

MUNHOZ: ÚLTIMOS AUMENTOS DA SELIC ELEVARAM DÍVIDA PÚBLICA EM 3 PACs


Os juros cada vez mais altos e o risco zero fizeram, de janeiro a maio, a participação dos estrangeiros na dívida pública federal subir três vezes mais que o estoque de títulos.

Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) a dívida cresceu 8,9%, enquanto a participação dos estrangeiros no estoque de papéis públicos subiu 24%, representando agora 8,1% do total da dívida.

Para o economista Dércio Garcia Munhoz, ex-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), ao elevar juros sem uma real ameaça inflacionária o Banco Central (BC) revela que pretende compensar o capital especulativo com a rentabilidade dos títulos públicos, já que a bolsa não conseguiu evitar que em junho e na primeira quinzena de julho o fluxo de dólares ficasse negativo.

"A maior parte desse capital que entra como portfólio vai para a bolsa. O BC mente ao dizer que a taxa básica (Selic) em alta é para evitar superaquecimento da economia. O que estamos vendo é apenas uma volta aos níveis anteriores a 2008, inclusive nos preços. O BC desconheceu tudo isso porque, com a bolsa balançando, perdeu atratividade do capital especulativo", disse, lembrando que essa política tem "um custo brutal" para o país.

"Somando os três últimos aumentos da Selic, aumentamos a dívida pública em R$ 40 bilhões, em termos anuais. Isto equivale a três vezes o que é efetivamente executado em investimento da União no PAC", compara o economista.

Segundo Munhoz, o Orçamento da União destina pouco mais de R$ 20 bilhões para o PAC, mas o efetivamente liberado gira em torno de 60% do previsto. "Já o pagamento de juros tem 100% de execução", resume o ex-presidente do Cofecon.

Monitor Mercantil online, 23/07/2010