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terça-feira, 20 de abril de 2021

#podcast ECONOMIA É FÁCIL | Dica do livro "Emprego, juros e câmbio - finanças globais e desemprego", de João Sicsú | RESENHA NÃO É RESUMO


Nesta edição do quadro RESENHA NÃO É RESUMO demos a dica do livro "Emprego, juros e câmbio - finanças globais e desemprego", do economista João Sicsú. A resenha completava o tema principal da edição programa: a proposta do governo Jair Bolsonaro de instituir uma "carteira verde e amarela", que seria um programa governamental de geração privado de emprego por meio de redução de direitos trabalhistas (contrapondo-se com a carteira de trabalho "azul"). Uma nova reforma trabalhista.  O tema central do livro de Sicsú é a análise macroeconômica da geração de empregos. Para tanto, de forma bastante didática, trata da importância da taxa de juros, da taxa de câmbio e da necessidade de ação pública para explicar o crescimento econômico e a geração de postos de trabalho. O autor utiliza como instrumental básico a teoria de John Maynard Keynes.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

O Princípio da Demanda Efetiva e a instabilidade do Capitalismo: “Eles usam ou não usam lorde Keynes?”

por Almir Cezar Filho[1]

John Maynard Keynes (1883 - 1946)
- Keynesiano! Nas últimas duas décadas, em todo momento de grave crise, empregou-se essa expressão para taxar alguém ou algo em economia que aponta por uma política econômica de intervenção estatal. Bem verdade que, é assim desde fins da década de 1930, demonstrando que todo pensamento econômico subsequente passou a estar sob a influência ou a ser balizado pela Teoria Geral do Emprego, do Juro e do Dinheiro, de John Maynard Keynes (1883-1946), pai da Macroeconomia. 

"-Todos somos keynesianos"[i], assim afirmava até mesmo Milton Friedmann (1912-2006), um dos pais da contra-ataque antiKeynes, também chamado de neoliberalismo. Mas serão os macroeconomistas, embora o citando com frequência e enfatizando essa filiação científica, mesmo keynesianos? Salvacionismo, intervencionismo, política anticíclica, etc., são essencialmente keynesianos?

Não em si. Mas para entender, é preciso relembrar a principal contribuição de Keynes para a Economia [ii] - o “Princípio da Demanda Efetiva” - e distingui-la das reinterpretações dos epígonos. E responder uma outra pergunta, Keynes aceitou ou não os postulados neoclássicos. Keynes aposta numa perspectiva reformista-social e conclui pela regulação estatal para evitar os “males econômicos da sociedade que vivemos”. É possível dizer assim que, os governos e os financistas, com as políticas econômicas, no que defendem e aplicam, em nada ou muito pouco, sejam Keynes de verdade, suas teorias e de seus legítimos continuadores, seja de escola keynesiana de tipo A ou de tipo B.  

Na busca da crítica da crítica, primeiramente parte-se do próprio Keynes, para distingui-lo dos macroeconomistas intervencionistas vulgares, e do que havia antes dele hegemonicamente na Teoria Econômica. Antes de criticar-se uma teoria, é preciso desmistificar as falsas acusações que lhe são imputadas. A crítica da crítica, como método, não se edifica em cima de "espantalhos" teóricos de inimigos, nem de corruptelas de epígonos. Karl Marx e F. Engels, ao construírem a Crítica da Economia Política, não partiu dos que eles mesmo chamaram de "economistas vulgares", mas retomada do estudo da assim chamada Economia Política Clássica, indo diretamente aos autores consagradores e fundadores.

Somente assim, entende-se seu limite teórico, e pode-se posteriormente, retomar a crítica necessária a sua superação, especialmente sobre a capacidade de operar a política econômica nos marcos do sistema capitalista, ou o quanto o planejamento pode proteger ou recuperar das crises.

O que pensava afinal J. M. Keynes?

Será para Keynes o Princípio da Demanda Efetiva (PDE) que explica - e não as imperfeições de mercado, a rigidez em preços ou as interferências exógenas perturbadora da “mão invisível” - as flutuações nos três objetos fundamentais da Macroeconomia (o emprego, os juros, a moeda), e por sequência no nível de produção geral. Keynes, na TG, tentou desenvolver uma “Teoria Geral” sobre o funcionamento da economia capitalista.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Marxismo, crise capitalista e princípio da demanda efetiva

É possível, ainda no marcos do capitalismo, haver espaço para correções e diminuir ou encerrar uma crise? E como isso é impossível de ser utilizado recorrente e permanentemente?

por Almir Cezar Filho

A Capitalismo volta e meia apresenta-se em crise. O impacto da pandemia de covid-19 provocada pelo novo coronavírus apenas acelerou e intensificou uma queda iminente, e não causou a recessão. O que chama a atenção que as causas e os receituários para presente crise são as mesmas da de cem e 90 anos atrás.

Triunfo do pensamento marxista, a  Revolução Russa de 1917, ainda no seu berço se viu com duplo problema de crise econômica e pandemia (Gripe Espanhola, em 1918/19), mas com isso, legou um salto na Teoria Econômica, absorvido até mesmo pela escolas mainstream da Economia, nem que seja em conta-gotas e parcialmente. O ineditismo e o preconceito antimarxista e antissocialista fizeram com que fossem rejeitados, boicotados ou negligenciados. Porém, inúmeros desses mesmos avanços teóricos  por conexão direta ou não, nasceram de "novo" na Europa Ocidental e América do Norte, na década seguinte (1930s), e permitiram a burguesia e a burocracia estatal tentar mitigar e pôr fim a crise que o mundo novamente havia mergulhado após o Crash de 1929 e a Grande Depressão. Mas apenas reeditando o que de maneira vanguardista havia surgido originalmente na URSS.

Uma das polêmica é a validade do princípio da demanda efetiva e a sua conexão com a crise capitalista. E com ela, a capacidade do Estado, especialmente o Estado burguês, de encerrar uma crise capitalista, por meio do gasto público, do volume de crédito e do comando estatal parcial ou amplo sobre os investimentos e produção, ao menos temporariamente, pelo potencial dado pela identificação científica das causas, efeitos, manifestações e conexões promotoras da crise. 

O Marxismo encara o princípio da demanda efetiva, porém, não há unanimidade entre os autores marxistas quanto à teoria do princípio da demanda efetiva. Uma das críticas internas no Marxismo é que os autores que trabalham com o princípio da demanda efetiva acabam por ter problemas na identificação da causa das crises do capitalismo, apresentando explicações em termos de subconsumo (nível de consumo agregado abaixo do nível de realização do produto) ou de subinvestimento (nível de investimento abaixo do nível de realização do produto). 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Sobre a abordagem kaleckiana da crise atual do Brasil ou 'greve de investimentos'

por Almir Cezar

Plantas industriais paradas. Montadora em Taubaté/SP (Foto: EBC)
Como os leitores regulares aqui do blog sabem, é evidente que não concordaria com um argumento desse, mas o argumento de que a atual crise econômica que o Brasil mergulhou a partir de 2015 seria em decorrência de 'greve de investimentos' parte da teoria de Michael Kalecki, um dos maiores economistas marxistas do século XX, em que concordo apenas em parte com suas teorias, e no fundo é bem interessante. Vamos lá:

Vários economistas brasileiros não-neoliberais  (leia AQUI) vêm se utilizando de um insight de Kalecki do artigo de 1944, Os Aspectos Políticos do Pleno Emprego, sobre o pós-guerra e a possibilidade de replicação do New Deal para outros países ou recorrentemente no tempo inclusive para o próprio EUA. Para Kalecki, os capitalistas, em algum momento, ficariam contrários às políticas de crescimento econômico dos governos reformistas (Estado de Bem-estar social ou Nacional-desenvolvimentismo), mesmo que resultarem em prevenção às crises cíclicas do sistema (ou ao menos tentarem) e/ou lhes garantirem manutenção das taxas de lucros.

Apesar das políticas econômicas "anticíclicas" de fortalecimento do consumo, de fortalecimento de investimento público ou de investimento privado programado pelo Estado servirem como contrapressão à tendência de queda da taxa de lucro, também podem surgir resistências no meu do seio da burguesia.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Novo estudo aponta erros em 'base científica' das políticas de austeridade

NOVO ESTUDO APONTA ERROS EM 'BASE CIENTÍFICA' DAS POLÍTICAS DE AUSTERIDADE

Fonte: CARTA MAIOR

O influente estudo de Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart sobre a relação negativa entre dívida pública e crescimento, publicado originalmente em 2010 na American Economic Review e com a versão preliminar no NBER, acaba de ser desbancado por economistas da Universidade de Massachusetts em Amherst.

O estudo de Rogoff e Reinhart foi base para o também livro best seller “This Time Is Different: Eight Centuries of Financial Folly”. O argumento dos autores é o de que há uma relação perniciosa entre alta dívida pública e crescimento do PIB, o que foi imediatamente encampado por políticos conservadores como justificativa científica para os programas de austeridade fiscal.

Mas outro recente estudo de Thomas Herndon, Michael Ash e Robert Pollin acaba de invalidar os achados estatísticos de Rogoff e Reinhart ao mostrarem que estes cometerem “erros” básicos de metodologia, além de “erros” ao utilizarem funções no Excel. Pior ainda, o “erro” de Rogoff e Reinhart no Excel alterou por completo a principal conclusão do estudo de que países com relação dívida pública sobre PIB acima dos 90% sofrem, em média, crescimento negativo.

A história é a seguinte. Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, professores de Harvard, queriam avaliar a relação entre crescimento do PIB e dívida pública. Mas como ambos pesquisadores tem um viés ideológico evidentemente conservador, lhes interessava encontrar uma correlação negativa entre a razão dívida pública sobre PIB e a taxa de crescimento médio do PIB. E este foi o resultado que eles de fato encontraram ao analisarem vários países em várias décadas.

domingo, 14 de agosto de 2011

Keynes e a Crise

Por Jaldes Menezes

A semana começou com uma segunda-feira de pânico nos mercados internacionais das bolsas de valores, que deve perdurar nos próximos dias, enquanto na Inglaterra massas enfurecidas ateavam fogo em automóveis e prédio com uma fúria e ódio haitianos. A revolução está distante de bater à porta, mas perigosas revoltas espasmódicas se avolumam, mimetizando os levantes luditas (operários que destruíam as máquinas no período da revolução indústria) do século XIX, ou mesmo os saques pré-capitalistas da seca no sertão nordestino. Configura-se uma nova paisagem urbana nos países da Europa: no passado recente já tivemos explosões em Los Angeles e Paris, mas agora parece se criar uma onda.

Onde estão as instituições do Estado de Bem-Estar, na Europa e mesmo nos Estados Unidos, que já não fornecem o colchão indispensável ao controle da questão social? Quando mencionamos crise econômica e welfare state, logo a memória puxa o nome mágico e o emblema de Lord John Maynard Keynes, o genial economista britânico que sistematizou as políticas anticíclicas de contenção da crise, com base em políticas de gasto público, bem como ajudou na formulação de políticas sociais inclusivas da antiga classe operária fabril, soldando o que depois foi chamado nas ciências sociais de “acordo fordista”. Idílicos os tempos do projeto do capitalismo democrático (Keynes morrera em 1946, mas deixara o emblema): cessados os conflitos da segunda guerra mundial, a economia voltou a crescer em ritmo voador, auxiliado, no plano ideológico, pela formidável expansão da doutrina keynesiana em todos os recantos (inclusive no Brasil). De repente, expressões como multiplicador, demanda pública e aproveitamento da capacidade ociosa das empresas passaram a compor o discurso dos estadistas.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A inflação do dólar e o mercado mundial

A inflação do dólar e o mercado mundial Versão para impressão Enviar por E-mail

280711_inflacao Esquerda Marxista - [Luiz Bicalho] A crise nos EUA continua e o dólar perde valor no mercado mundial. Aonde vai isso?

Existe uma teoria burguesa, falsa, de que o valor da moeda é o valor fiduciário, valor que dependeria da “confiança” que o mercado tem nesta moeda. A crise de 2008 mostrou a falsidade desta teoria.

Marx explicou que o dinheiro, a moeda, é simplesmente uma mercadoria que passa a ocupar um lugar diferente no mercado, ou seja, é uma mercadoria que pode ser trocada por qualquer outra: em outras palavras, é a mercadoria que serve de referencia, de equivalente geral em face de todas as outras mercadorias.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A crise é originária da esfera financeira? (2)

Almir Cezar

Tenho um amigo kaleckiano* que diz que a origem de todas as crises no capitalismo surgem na esfera financeira e depois contaminam a esfera produtiva. Não concordo com ele: acho que a esfera financeira é apenas onde as crise primeiro sinaliza sua aparição.

Acredito que as crise surjam na produção, na queda da taxa de lucro, ou no que Kalecki diria "na queda da margem de lucro". Queda esta proporcionado, consequência, da superprodução relativa, proporcionada pelo sub-investimento dos capitalistas (investimento menor do que o necessário para manter a demanda efetiva no patamar que garanta as taxas de lucros no nível previsto pelo capitalista).

Nos últimos anos a economia estadunidense teve seu crescimento sustendo pela demanda efetiva aquecida pelo recorrente e alto déficit público (que no longo prazo não se sustentam) e no consumo privado em alta pelo crédito fácil. Não havia aumento da produtividade do trabalho (que é menor que por exemplo do que a da Europa), crescimento do salário real, das margens de lucro e do crescimento dos gastos com infra-estrutura e departamento I (setor produtor de bens de capital).

Os ciclos econômicos e financeiros são naturais no capitalismo. Contudo são evitáveis, se o capitalismo for superado enquanto sistema, ou se houver interferência estatal. Entretanto a burguesia não suporta por muito tempo a interferência permanente do Estado sobre a economia.

Se a causa da crise é na compressão da margem de lucro, logo a origem da crise está na esfera produtiva. Que se alastra em seguida rapidamente para a esfera financeira, de onde soa o "gongo" da crise aos capitalistas. O que a partir daí reatroalimenta por sua vez a crise na produção, com o escasseamento do crédito e financiamento, aumento da incerteza e medidas imprudentes ou nefasta dos capitalistas na tentativa de se antecipar a possíveis prejuízos.

(*) kaleckiano - seguidor de Michael Kalecki, economista marxista polonês que junto com Keynes foi o fundador da moderna Macroeconomia ao proceder a análise dos ciclos econômicos a partir dos agregados econômicos