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sábado, 17 de janeiro de 2026

O Produtor Rural não é Empresário! Os Limites da Abordagem Empresarial na Agropecuária

E o Papel do Cooperativismo e da Economia Solidária no Desenvolvimento Rural Sustentável


Almir Cezar de Carvalho Baptista Filho


ABSTRACT

This article critiques the push to frame rural producers as entrepreneurs and farms as businesses, arguing that this approach is unsuitable for the realities of small and medium-sized farmers. Using insights from General Administration Theory, Microeconomics, and Political Economy, the article reveals the limitations of applying entrepreneurial principles to agriculture. It also critiques the misinterpretation of the concept of agribusiness in Brazil. As an alternative, the article promotes cooperativism, the solidarity economy, and environmental sustainability as more appropriate models for rural development, prioritizing social justice, collective action, and ecological balance.

Palavras-chave: Empreendedorismo rural, agronegócio, agrobusiness, cooperativismo, economia solidária, sustentabilidade ambiental, crítica econômica, desenvolvimento rural, Teoria Geral da Administração, Microeconomia.


Nas últimas décadas, tem-se observado um esforço crescente para promover o campo brasileiro sob a ótica do empreendedorismo e da gestão empresarial. Esse movimento busca enquadrar o produtor rural como um empresário e o estabelecimento agropecuário como uma empresa, adotando estratégias típicas do setor corporativo. Essa abordagem é muitas vezes vendida como uma forma de modernizar a agricultura, aumentar a competitividade e integrar o Brasil às cadeias globais de valor. No entanto, essa visão ignora a complexidade da realidade rural e impõe uma lógica que não se adequa às condições socioeconômicas e ambientais da maioria dos produtores.

Este artigo propõe uma crítica a essa tese, defendendo que o produtor rural não deve ser equiparado a um empresário ou a um empreendedor. Argumentamos que essa transposição do modelo empresarial para a produção agrícola é falha e prejudicial, especialmente para pequenos e médios agricultores, totalmente incompatível com a estrutura de uma empresa. Para isso, utilizaremos conceitos da Teoria Geral da Administração, da Microeconomia — com ênfase nas teorias do Equilíbrio Geral e do Equilíbrio Parcial — e da Economia Política, a fim de demonstrar os limites dessa estratégia.

Ao longo do texto, também procura-se refutar a adoção indiscriminada do conceito de "agronegócio", que, em grande parte, é uma tradução inadequada do termo norte-americano agrobusiness, o que distorce a compreensão da realidade agrícola brasileira.

Por fim, apresentaremos como alternativa ao modelo empresarial o cooperativismo, a economia popular solidária e as práticas de sustentabilidade ambiental, que se mostram mais adequadas para o desenvolvimento rural no Brasil, respeitando suas particularidades e promovendo justiça social e equilíbrio ecológico.

terça-feira, 10 de setembro de 2024

TRANSVERSALIDADE PARA A CARREIRA ERCE Uma Necessidade para a Eficiência no Serviço Público Federal


Por Almir Cezar Filho

       A carreira de Estrutura dos Cargos Específicos (ERCE), consolidada pelo Artigo 19 da Lei Federal 12.277/2010, desempenha um papel crucial na administração pública federal, razão inclusive para redação dessa lei. No entanto, diferentemente de outras carreiras de gestão, a ERCE ainda não é reconhecida oficialmente como transversal no Serviço Público Federal. Essa situação contrasta com a realidade prática em que os servidores ERCE já operam, destacando a necessidade de oficializar sua transversalidade.
      
Atuação Nacional e Multifuncional e Vocação Finalística dos Servidores ERCE

       Os servidores da carreira ERCE estão presentes em 47 órgãos diferentes, espalhados por todos os 27 estados brasileiros e em todos os ministérios. Essa ampla distribuição geográfica e institucional já indica que a atuação desses profissionais transcende as barreiras de um único órgão ou setor. Na prática, os servidores ERCE exercem suas funções de maneira similar às carreiras transversais, contribuindo para uma gama diversificada de projetos e políticas públicas em múltiplas áreas e temas.

       Os servidores ERCE são uma carreira finalística, vocacionada para atuar nas políticas públicas de desenvolvimento econômico e investimento público. Seu conhecimento técnico especializado e sua alta formação os tornam peças fundamentais para a formulação e execução de políticas que visam o crescimento e a sustentabilidade econômica do país.

terça-feira, 27 de abril de 2021

#podcast ECONOMIA É FÁCIL | "Desmascarando a Administração", de Matthew Stewart. Sobre mitificação da gestão privada | RESENHA NÃO É RESUMO


No quadro RESENHA NÃO É RESUMO, do programa ECONOMIA É FÁCIL, o economista Almir Cezar Filho, indica aos ouvintes o livro DESMASCARANDO A ADMINISTRAÇAO: AS VERDADES E AS MENTIRAS QUE OS GURUS CONTAM E AS CONSEQUENCIAS PARA O SEU NEGOCIO, do consultor empresarial Matthew Stewart. 

A edição programa tinha como tema central que o governo Jair Bolsonaro e sua equipe econômica encabeçada pelo ministro da Economia Paulo Guedes sempre responsabilizam pela fragilidade dos investimentos e geração de empregos no "inchaço" da máquina pública, na ineficiência da gestão pública e nos privilégios dos servidores públicos de carreira. Sua solução seria a adoção de princípios defendidos pelo neoliberalismo, como privatizações, adoção de métodos da iniciativa privada e reforma administrativa.

Com sua crítica destruidora da “filosofia de gerenciamento”, desde Taylor a Tom Peters, neste livro instigante, Stewart faz relatos engraçados a respeito do tempo que passou em uma empresa de consultoria de gestão, desmitificando o que os gurus da administração costumam recomendar e criticar, demonstrando o quanto a gestão privada é frequentemente ineficiente, ineficaz e pouco efetiva em suas metas e objetivos.

segunda-feira, 19 de abril de 2021

RESENHA | "Desmascarando a Administração", de Matthew Stewart. Sobre mitificação da gestão privada

No quadro RESENHA NÃO É RESUMO, do programa ECONOMIA É FÁCIL, o economista Almir Cezar Filho, indica aos ouvintes o livro DESMASCARANDO A ADMINISTRAÇAO: AS VERDADES E AS MENTIRAS QUE OS GURUS CONTAM E AS CONSEQUENCIAS PARA O SEU NEGOCIO, do consultor empresarial Matthew Stewart. 

A edição programa tinha como tema central que o governo Jair Bolsonaro e sua equipe econômica encabeçada pelo ministro da Economia Paulo Guedes sempre responsabilizam pela fragilidade dos investimentos e geração de empregos no "inchaço" da máquina pública, na ineficiência da gestão pública e nos privilégios dos servidores públicos de carreira. Sua solução seria a adoção de princípios defendidos pelo neoliberalismo, como privatizações, adoção de métodos da iniciativa privada e reforma administrativa.

Contradizendo essa ideologia, com sua crítica destruidora da “filosofia de gerenciamento”, desde Taylor a Tom Peters, o livro de Stewart faz relatos engraçados a respeito do tempo que passou em uma empresa de consultoria de gestão, desmitificando o que os gurus da administração costumam recomendar e criticar, demonstrando o quanto a gestão privada é frequentemente ineficiente, ineficaz e pouco efetiva em suas metas e objetivos.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Novos locais de lazer e turismo para Niterói

por Almir Cezar Filho

Locais potencialmente turísticos ou subutilizados em Niterói.

Aproveitando o fato recente de que a Duna Grande, em Itaipu, ter virado atração turística a partir de uma autorização do INEA, com a sinalização desse órgão ambiental, damos assim dicas aqui de 7 outros lugares que atualmente estão subutilizadas e/ou poderiam ter um grande potencial turístico, ou de lazer e cultura, com a devida preparação e organização de infraestrutura para aproveitar esse potencial.

1- Calçadão da Praia Vermelha

Na zona Sul de Niterói, no bairro da Boa Viagem, existe uma praia que se chama Praia Vermelha. Apesar de seu homônimo da Cidade do Rio de Janeiro que inclusive dá nome a um bairro, em nada se assemelha.  A de Niterói possui um calçadão com uma das mais belas vistas cidade vizinha, com quiosque e vizinhança com o histórico Forte Gragoatá, dois campi da Universidade Federal Fluminense (UFF), inclusive margeando um, e com a Ilha da Boa Viagem e o MAC.


Sua história talvez explique: Na primeira metade da década de 1970, foi construído o Aterro da Praia Grande, como ficou conhecido a área aterrada e o aterramento na parcela litoral de Niterói dentro da Baía de Guanabara. O Aterro era uma solução consorciada público privada, para criar um território na forma de uma planície que iria do Morro da Armação até o Morro de Gragoatá, marcos geográficos que limitavam a enseada da Praia Grande, principal litoral do Centro, e a Praia Vermelha, litoral dos bairros de Gragoatá e Boa Viagem.

Em 1977, duas grandes áreas da parte sul do Aterro da Praia Grande foram desapropriadas pelo Governo Federal para a construção do Campus da Universidade Federal Fluminense, onde até então as suas várias faculdades estavam dispersas pela cidade - constituindo assim os atuais Campus do Gragoatá e Campus da Praia Vermelha, cujos prédios foram construídos no final da década de 1980 e início de 1990. Ao final da década de 2000 novos prédios dessa universidade foram erguidos nesses dois campi, completando a sua transferência.

2- Forte Gragoatá



3- Orla do campus da UFF do Gragoatá


4- Morro da Boa Vista




5- Praia do Barreto

Foto 5 - Praia do Barreto nos anos 1950.

Esta praia, praticamente a única da Região Norte, era uma importante área de lazer para os moradores. Até a década de 50/60 o bairro tinha estação de barcas, bem como atividade pesqueira, restando hoje pequena colônia de pescadores, a Z-6, que sobrevive basicamente da pesca na Baía de Guanabara. A construção, tanto desta avenida quanto da rodovia Niterói-Manilha, reduziu drasticamente as dimensões da praia do Barreto, descaracterizada e poluída, principalmente por estar localizada na Baía de Guanabara. 


6- Calçadão e Réveillon no Caminho Niemeyer

Foto 6
O Caminho Niemeyer poderia


7- Teatro Leopoldo Fróes no Centro



Referência

Foto 1: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1601062&page=11
Foto 4: http://wikimapia.org/21398848/pt/Morro-da-Boa-Vista
Foto 5: http://www.labhoi.uff.br/foto-da-praia-da-luz-no-bairro-do-barreto
Foto 6: http://www.turistaprofissional.com/2015/11/18/caminho-niemeyer-em-niteroi/

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Avaliação dos aspectos econômicos das compras governamentais

por Almir Cezar Filho

Num país que não tem dinheiro para investir em infraestrutura, se deparar com este “cemitério” de obras inacabadas é um desperdício e uma inversão muito grande de prioridades. As compras públicas consistem na contratação para fornecimento de um bem ou serviço continuado ou não para e por um ente da Administração Pública. Embora em alguns casos a paralisação se deva a restrições orçamentárias imprevisíveis, a maior causa do problema é a falta de profissionalismo dos gestores públicos, mas há também problemas na definição de critérios técnicos na decisão da contratação do bem ou serviço, da utilidade e conveniência à organização e se há sustentabilidade financeira para fazê-la, inclusive alternativamente a outras opções de compra.

No presente artigo apresenta-se uma proposta de metodologia para análise dos aspectos econômicos das compras públicas, mais precisamente, sob o prisma da Gestão por Resultados, implicando na necessidade de elaborar relatórios e estudos preliminares a dita ação ainda no momento do planejamento, mais do que a demonstração da viabilidade, para estimar a conveniência das licitações e contratações de bens ou serviços. A avaliação dos aspectos econômicos implicam três dimensões: (a) o impacto econômico-social, (b) a viabilidade econômico-financeira e (c) o desempenho econômico.

A) O Impacto Econômico-Social tem como objetivo ajudar o gestor a avaliar o plano de investimento a ser realizado, por meio de verificações empíricas, estudos de caso e uso de modelos estatísticos, analisar os beneficiários do projeto, com o fim de verificar a geração de implicações positivos nos resultados, além de mensurar os impactos socioeconômicos.