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segunda-feira, 1 de junho de 2020

Trump, Bolsonaro e os novos bonapartistas: o divisionismo permanente e a grandeza no passado idealizado

por Almir Cezar Filho

Casa Branca, sede do governo mais poderoso do planeta Terra, cercada de manifestantes. O presidente dos EUA Donald Trump em um bunker, tweetando freneticamente e ameaçando usar o Exército contra os manifestantes. Nenhum apelo à unidade nacional e à paz. Ao contrário, acusações ao movimento ANTIFA e frases abertamente divisionistas. 

Trump, como no Brasil Jair Bolsonaro, mas a sua maneira, precisa polarizar o tempo todo, pra manter uma base coesa e radicalizada, que lhe sirva como sustentáculo eleitoral e massa de manobra para pressão sobre as instituições da república.

Os bonapartistas do século XIX e XX, clamavam pela unidade nacional. Embora exigindo submissão completa, e "morte" aos inimigos (que não se submetem). Os bonapartistas antigos falam representar, ser porta-voz, das "maiorias silenciosos", mas sempre apelando à unidade nacional. No entanto, já os bonapartistas do século XXI, não querem a unidade; não a precisam. Apenas contam com o medo ou apatia das maiorias. Mas quando não podem contar com o medo das maiorias?

quinta-feira, 7 de maio de 2020

A SERVIDÃO DO CAMINHO: anti-"O caminho da servidão"


Ilusões do Individualismo, Pós-modernidade do Capitalismo e a Ascensão da Nova Direita

por Almir Cezar Filho


Como o antiestatismo, ultraconservadorismo e neoliberalismo e a nova direita pós-moderna estão erodindo a liberdade e aumentando o mal-estar social.


Segue aqui uma compilação de artigos, que podem vir  ser capítulos de um futuro livro ou aulas de um curso, que aborda, em forma de ensaios a emergência de uma Nova Direita no Brasil e no mundo. Distinta da direita tradicional do século XX, esta nova vertente de direita mescla, de forma inédita, o livre mercado e o liberalismo econômico radical com fundamentalismo religioso, moralismo extremado e interferência estatal na vida privada, uns mais, outros menos. Caracteriza-se também por um ativismo judicial punitivo e um anticomunismo ao estilo do velho macarthismo, além de um conspiracionismo quase delirante. Engloba neoliberais, ultraliberais, neoconservadores (NeoCon), neo e pós-fascistas, neofundamentalistas religiosos, e aquilo que por muitos é chamada "Direita Alternativa" (AltRight).

O título aqui (A Servidão do Caminho) faz alusão a Friedrich Hayek, pai do neoliberalismo e laureado com o Prêmio Nobel de Economia em 1974, que em sua obra "O Caminho da Servidão" (1944) argumentava que o coletivismo e o planejamento, em suas diversas formas, levaria inevitavelmente à tirania. Hayek citava como exemplos a Itália Fascista, a Alemanha Nazista e a União Soviética stalinista.

Entretanto, após quatro décadas sob o domínio neoliberal e com o recente fortalecimento de uma direita cada vez mais radical, testemunhamos uma série de transformações preocupantes. Estas incluem o desmantelamento do Estado de Bem-estar Social, a desregulamentação dos mercados, privatizações em massa e a abolição do planejamento público. Ironia das ironias, este "caminho", que teoricamente deveria nos afastar da "servidão", tem, na prática, conduzido paradoxalmente à subjugação dos cidadãos e ao desmantelamento da coesão social em diversas sociedades contemporâneas.

Contrariamente à tese de Hayek, argumentamos aqui que não é o coletivismo que nos leva à servidão, mas sim o anticoletivismo, erodindo as conquistas democráticas e de bem-estar social alcançadas desde as revoluções dos séculos XVIII, XIX e XX. A liberdade prometida pela Nova Direita tem nos subjugado às corporações transnacionais, aos lobbies políticos dos ricos, à manipulação midiática e à mercantilização da vida social. E para complicar, à medida que o neoliberalismo falha na prática, sua ideologia tem se disfarçado sob uma nova forma de conservadorismo, cada vez mais extremado.

Além disso, este panorama se desdobra em um contexto mundial, civilizatório, cada vez mais alarmante, marcado pelo agravamento do aquecimento global, que se aproxima de um ponto de irreversibilidade, e uma polarização extrema na opinião pública, fraturando sociedades ao ponto de quase ruptura e conflitos civis. Este cenário exige de nós uma compreensão profunda do fenômeno da Nova Direita, não só como uma questão política ou ideológica, mas como um desafio existencial que ameaça a estabilidade e a sustentabilidade de nossas sociedades. É essencial reconhecer a urgência de enfrentar e superar essas forças divisivas, para salvaguardar nosso futuro coletivo e garantir um planeta habitável para as gerações vindouras.

Este trabalho busca contextualizar a Nova Direita como a expressão da consciência social das elites econômicas atuais, rivalizando-se à Esquerda pós-moderna, em muitos sentidos seu complemento do que seu contraponto. A Nova Direita não representa uma alternativa à sociedade moderna, mas sim seu crepúsculo, simbolizando a decadência do modo de vida burguês, o declínio dos Estados-Nacionais e a senilidade do sistema capitalista. Sua utopia é, na melhor das hipóteses, uma utopia reacionária e, na pior, a defesa de uma verdadeira distopia. 

Assim, este estudo convida ao diálogo crítico e à reflexão profunda sobre o caminho que estamos trilhando como sociedade, desafiando-nos a repensar e redefinir nossas prioridades coletivas em busca de um mundo mais justo para todos. Diante deste cenário, torna-se imperativo compreender as nuances e as contradições deste movimento, não apenas para analisar o presente, mas também para moldar um futuro mais equitativo e sustentável.

Segue os artigos/ensaios:

  1. A Servidão do Caminho: Como os neoliberais e os ultraliberais estão destruindo as liberdades com sua cruzada antiestatista
  2. A Direita Pós-Moderna como Direita na senilidade do Capitalismo
  3. Disputa de consciência e a batalha de hegemonia pela nova Direita Pós-Moderna
  4. A utopia reacionária do livre mercado
  5.  O perigo do novo libertarianismo econômico
  6.  Liberdade e Capitalismo
  7.  O Liberalismo da Direita Pós-Moderna não é Liberalismo. O Liberalismo e a questão social
  8. Liberalismo e Conservadorismo na Direita Pós-Moderna 
  9. A Pós-Modernidade de direita, o novo ultralibertarianismo econômico e a Escola Austríaca
  10.  Escola Austríaca é pseudociência
  11. Antipositivismo, Metafísica e "Mercado" na Direita Pós-Moderna
  12. Mais sobre Antipositivismo, Metafísica e Mercado na Direita Pós-Moderna
  13. O Olavismo Cultural e a Pós-modernidade de direita na Economia
  14. Olavismo Cultural e o discurso raivoso de direita na classe média
  15. A Meritocracia e a Pós-Modernidade de Direita ou a “Mediocracia” raivosa
  16. MBL após impeachment apoia a reacionária 'Lei da Mordaça' a professores
  17. Liberalismo e fundamentalismo religioso na Pós-Modernidade
  18. Fascismo e Direita Pós-Moderna. Ou sobre a nova ditadura da toga e do púlpito
  19. O Fascismo é um movimento de massas? Porque é possível e desejável apoiar uma greve de policiais
  20. Neofundamentalismo religioso e o neofascismo são pós-moderno
  21. A luta de classes na Direita Pós-Moderna: conceito e realidade
  22. Preconceito, identidade e polarização extrema na Direita Pós-moderna
  23. Pós-verdade, Direita x Esquerda: o escândalo da carne fraudada
  24. O novo monarquismo no Brasil não é apenas neoliberal, é pós-moderno
  25. Empreendedorismo, Liberdade econômica e Socialismo. Uma resposta à 'nova direita'
  26. Educação, cultura e mídia na Direita Pós-Moderna
  27. Liberalismo e Modernidade: as revoluções intelectuais e políticas do séc. 18. Compondo uma bibliográfica alternativa
  28. Violência, repressão e direitos humanos na Direita Pós-Moderna
  29. Ultradireita: é a economia, estúpido!
  30. Direita batendo cabeça. Mas não há uma onda conservadora?
  31. Não há onda conservadora'. População rejeita em consulta armamento da sua guarda
  32. Mais uma vez Terra Plana: conspiracionismo e direita pós-moderna
  33. A Pós-modernidade e os saberes
  34. Esquerda, classe média e pós-modernismo de Direita
  35. Eleição da extrema direita não é onda reacionária da população
  36.  ''Onda conservadora'' ou emergência de uma nova Direita?
  37. A Nova Direita e os desafios à Esquerda

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Von Mises e sua Praxeologia: Religião, Aristocracia, Racismo e Contradições

por André Guimarães Augusto, na Revista da SEP, 2016 - O artigo abaixo foi publicado originalmente com o título de “O Neoliberalismo Religioso e Aristocrático de Von Mises” na Revista da Sociedade Brasileira de Economia Política e uma parte dele foi reproduzida com o título “Limites da “teoria” da ação humana (Praxeologia) de Ludwig Von Mises” no blog Crítica Ontológica.

A tese defendida no artigo é de que o neoliberalismo de von Mises fundamenta-se em uma filosofia de inspiração religiosa e aristocrática. Defende-se que a teoria de von Mises contém um comprometimento com uma ontologia de dois mundos, inspirada pela filosofia de Tomás de Aquino. Tal ontologia de natureza religiosa ganha caráter secular com o argumento aristocrático, presente em sua teoria da história, sua visão da democracia e do funcionamento dos mercados. Conclui-se que o neoliberalismo de von Mises baseia-se em argumentos da reação feudal à ascensão do capitalismo, com o fim de preservar e justificar este último mises-religioso-aristocrata


Introdução
1. Praxeologia e comprometimentos ontológicos
2. Ontologia finalista e de dois mundos
3. A teoria da história de von Mises
4. Crítica ao materialismo e ontologia religiosa
5. O argumento aristocrático
6. Considerações finais: o neoliberalismo como reação

O neoliberalismo muitas vezes é identificado com o conjunto de políticas estabelecidas a partir dos anos 1980 nos governos Reagan e Thatcher e difundidas nas décadas seguintes. Outras vezes, o neoliberalismo, como corrente de pensamento, é identificado como tendo origem na fundação da Sociedade de Mont Pèlerin, em 1947. Reunindo nomes como Hayek, von Mises, Karl Popper e Milton Friedman, a Sociedade de Mont Pèlerin era o think tank do qual sairiam os princípios que fundamentariam as políticas econômicas nos anos 1980.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

A Pós-modernidade e os saberes

A disputa pelas narrativas, o negacionismo nas ciências e a suposta luta anti-ideologização empreendida pelos conservadores

por Almir Cezar Filho

Ao longo do século XX a humanidade foi submetida a uma espécie de desdobramento paroxístico do e de sua terrível dialética: ao invés do prometido triunfo de uma vida civilizada, racional e livre das peias da incivilização, o processo civilizatório se mostrou violento, genocida, amigo da guerra e da destruição.

Nunca um número tão grande de seres humanos foi executado em guerras ou por meios tão terríveis e vis como os campos de concentração e de extermínio, como ocorreu no século XX.

A razão ocidental, esse constructo, que era constantemente redesenhado e cujas origens também foram projetadas, desde o Renascimento, na Grécia antiga, foi derretida sob o calor dessas catástrofes. O abalo levou a uma disseminação dos saberes.

Trata-se do conhecido “fim das grandes narrativas”, não só no sentido benjaminiano, da morte do narrador, mas também da morte dos grandes discursos que procuravam dar sentido (um sentido nomológico) à humanidade e à sua história e devir.

Ao invés da fé cega na Razão e na sua capacidade de revelar a verdade, surge cada vez mais ao longo da Modernidade um outro modo de pensar e de agir que desconfia dos arquivos, da memória, dos conhecimentos formais e sistematizados e da bibliografia.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Eleição da extrema direita não é onda reacionária da população

Polarização política e Contraofensiva conservadora

A despeito da vitória eleitoral da extrema direita, a opinião pública não concorda com suas pautas reacionárias. A pesquisa confirma quando dizíamos que a vitória era produto da polarização política, da ruptura das massas com o PT e cansaço com a corrupção e falta de integridade da classe política, e não de uma "onda" conservadora e/reacionária.

O que há sim é uma intensa polarização política do país. Em que a população, tradicionalmente despolitizada e apática, passou a se engajar, ao menos na tomada de opinião, sobre temas políticas e candentes da realidade. Uma parte vai às teses da Esquerda. Enquanto outra às teses da Direita.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

"A Servidão do Caminho": Como os neoliberais e os ultraliberais estão destruindo as liberdades com sua cruzada antiestatista

por Almir Cezar Filho

Em O Caminho da Servidão, F. Hayek denunciava que o socialismo/comunismo, e mesmo o intervencionismo econômico, Estado de Bem-estar Social e o planejamento público estariam conduzindo a uma “servidão”. Na verdade, a miragem em torno a ideias como mercados perfeitos, o anticomunismo e o antiestatismo seriam sim um "caminho" - não que impede o destino do fim da democracia e da liberdade econômica - mas que serviciariam os cidadãos e indivíduos ao poder do dinheiro e de um Estado autoritário que o protege. Uma servidão pós-moderna, que erode justamente o que pretende proteger: as liberdades.

Circundado de figuras como Milton Friedman ("Capitalismo e Liberdade"), Von Mises, entre outros, Hayek prega que o caminho exercido pelo intervencionismo econômico, estatismo, regulações estatais, assistência social pública, planejamento levariam como destino à servidão, isto é, ditadura, colapso das liberdades individuais. Temos como resultado a pobreza, degradação da malha social, temos o marcathismo, temos a anarquia econômica, com crises financeiras recorrentes, desindustrialização e inflação dos commodities, temos o monopólio das corporações empresariais transnacionais, temos a crise política, o colapso dos partidos. O destino que resultado do caminho alternativo. Contudo, é justamente ao contrário, o combate a essas diretivas e sua negação que roubam a democracia e as liberdades

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Esquerda, classe média e pós-modernismo de Direita

O reformismo de classe média explica o equivocado pânico com uma "onda conservadora" que é apenas uma polarização política geral do Brasil.

Ensaios sobre a Direita e a Pós-Modernidade

por Almir Cezar Filho

Existe um conexão estreita no seio do movimento socialista internacional entre pequena-burguesia o reformismo social, o revisionismo na teoria marxista e a apologia ao capitalismo. Por sua vez, há uma conexão dessa mesma classe, seu socialrreformismo pró-capitalismo com seu estado de pânico com a ascensão de uma ultradireita de aspiração pós-moderna - compreendida por esta classe equivocadamente com uma erupção de uma espécie de "onda conservadora". O que na 0verdade é uma intensa polarização política do país em que a classe média, e especialmente suas lideranças, não estavam preparada.

Nessa polarização - em que a população brasileira (tradicionalmente despolitizada e apática), passou a se engajar, ao menos na tomada de opinião, sobre temas políticas e candentes da realidade, uma parte vai às teses da Esquerda, enquanto outra às teses da Direita. Em muitos casos, esses vão à Direita até em reação à crise geral e ao caos que esse traz consigo, como também, inclusive, em reação ao deslocamento da outra parcela que foi à Esquerda.

Por sua vez, os setores organizados da direita estão com forte campanha política, constituindo assim uma Contraofensiva Conservadora, em base a erupção de um movimento social pós-moderno de direita. Inclusive a fim de preservar o controle de certos valores sobre o conjunto da sociedade, como dar continuidade o status quo política, cultural e econômico de séculos no país, e que ao seu ver, está ameaçado diante novas circunstâncias sociais que vive nossa sociedade.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Mais uma vez Terra Plana: conspiracionismo e direita pós-moderna

Ensaios sobre a Direita Pós-Moderna

Por Almir Cezar Filho

Causou comoção ou surpresa a notícia que uma pessoa na Califórnia (EUA) se lançará em um foguete, construído em casa, até o espaço sideral para tentar provar que a Terra não é uma esfera, nem mesmo um planeta, o assim chamada Terra-Plana. Além do mais, essa pessoa é candidata a governador daquele estado.

Apesar de mais de 2.500 anos de conhecimento no Ocidente sobre a esfericidade da Terra e o cara se esforça pra provar o contrário. Tem um monte de coisa a se comprovar, refutar ou a ser descoberta ou inventada e o cara gasta tempo e energia nisso. Doenças a ser curadas, etc. Acabamos surpreendidos com gente se esforçando pra provar algo tão absurdo. Não diferente agem tão qual a hipótese conspiracionista sobre outros temas, que vão desde a Escola Sem Partido, Ideologia de Gênero, Fórum de São Paulo, George Soros, Marxismo Cultural, passando até conspirações mais "ousadas" ou delirantes como Iluminati, Franco-Maçonaria, o assassinato de Kennedy,  Nova Ordem Mundial, Reptilianos, etc.

Tais idéias estapafúrdias se baseiam ou no conhecimento pré-filosófico e mesmo não apenas idealista, mas antematerialista, geralmente de matriz religiosa, particularmente àquelas de livros sagrados e anteriores a Idade de Ferro, e portanto com uma cosmovisão diametralmente diferente da desenvolvida pela Ciência ou mesmo da Modernidade.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

'Não há onda conservadora'. População rejeita em consulta armamento da sua guarda

Amplo NÃO à proposta repressiva mostra que há na verdade polarização política e
 uma contraofensiva da ultradireita que pode ser derrotada

(Ensaios sobre Direita Pós-Moderna)

por Almir Cezar Filho

A maioria da população de Niterói, cidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, rejeitou em votação organizada pela própria Prefeitura o armamento da sua guarda municipal (ver AQUI a notícia). O NÃO da maioria dos votantes expressa a discordância com teses repressivas, mesmo na criminalidade urbana, como apregoam a ultradireita e conservadores. Demonstra que não há a tal onda conservadora em curso, como propagandeiam a grande parcela da assustada esquerda brasileira. Há sim uma contraofensiva dessa direita avivada. A Esquerda precisa disputar a hegemonia das consciências da população.

A votação

Moradores de Niterói votaram “não” para o uso de armas de fogo pela Guarda Municipal, no domingo 29/10, durante uma consulta pública. De acordo com a prefeitura, 13.478 pessoas foram contra a medida (70,9%) e 5.478 a favor (29,1%). Enquanto isso, 25 eleitores votaram nulo e oito optaram pelo branco.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Ultra-direita: é a economia, estúpido!

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita

por Almir Cezar Filho

Na década de 1990 surgiu uma expressão agressiva entre a centro-esquerda estadunidense pra reorientar sua militância em como lidar tanto com o eleitor como combater as proposições da direita, especialmente neoliberal, cuja chave estaria na situação (e agenda) econômica. Agora, novamente é preciso voltar ao combate pela mesma perspectiva, com os devidos contextos e proporções.

1) ao contrário dos bolsominions da internet, os grupos organizados ultradireitistas não são espontâneos. Não há entre eles militantes e ativistas abnegados e altruístas. São profissionais ou arregimentados.

2) Por sua vez, é preciso rastrear seus financiadores e organizadores no empresariado - vincular os interesses e conveniências concretos deles com a pauta e ação desses grupos. Escrachá-los publicamente.

domingo, 15 de outubro de 2017

Violência, repressão e direitos humanos na Direita Pós-Moderna

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita nº  26

por Almir Cezar Filho

Um dos temas que balizam a Direita Pós-Moderna é atração pelo tema da violência e repressão, juntamente com vigiar e julgar. A caminhada para o extrema do espectro político por parte da Direita e da Centro-Direita convencional moderna fortalece a erupção da Direita Pós-Moderna, que se constituí à medida que todo conservadorismo que hoje assistimos vir à baila é apenas um suspiro, um murmúrio, um urro, por sobrevivência de privilégios, em pleno um mundo em permanente mudança.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Neofundamentalismo religioso e o neofascismo são pós-moderno

Extremismo e poder estão a serviço dos lucros

Ensaios sobre a Direita e a Pós-Modernidade

por Almir Cezar Filho

Duas notícias recentes trouxeram choque em setores mais esclarecidos da opinião pública. O ato do MBL contra a exposição de arte Queermuseu que levou aos patrocinadores a cancelá-lo. E atos de terror de traficantes a moradores praticantes de religiões afro-brasileiras nas comunidades que suas quadrilhas controlam.

Como pode lideranças de uma minoria religiosa (pastores evangélicos) se aliar com a escória da sociedade (os narcotraficantes) pra perseguir uma outra minoria religiosa (os umbandistas e os candomblecistas)? Como pode uma escória se achar "ungida" e taxar de satânica fiéis e sacerdotes de outras religiões minoritárias e persegui-los impunemente com extrema violência? Cadê os líderes evangélicos repudiando essas ações? É isso mesmo?

É de senso comum, mesmo entre os mais intelectualizados, que este fundamentalismo religioso, ou mesmo o neofascismo corrente na atualidade, brotariam e seriam manifestações reacionárias, pré-modernistas, antemodernistas. Contudo, ao contrário disso, ambos partem justamente de aspirações e manifestações pós-modernistas. Violando as regras que se justamente ditariam as manifestações em parâmetros modernos. A diferença entre o fundamentalismo clássico e esses neofundamentalistas se explica na mentalidade universal que se instalou na atual etapa senil do sociedade de tipo burguesa, no Capitalismo, na Pós-modernidade.

Vamos lá: no Brasil parece ser um fato corrente que a intolerância religiosa ativa parece ser a prática corrente de boa parte das lideranças protestantes evangélicas (pentecostais e neopentecostais) e seus seguidores fanatizados. Difere do retrospecto histórico, que a intolerância brota em geral de um religião majoritária (os evangélicos são apenas 20%), e logo assim, no Brasil, teria partir do Catolicismo romano, que ainda é maior religião no país, coisa que centralmente não ocorre.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A Nova Direita e os desafios à Esquerda

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita nº 27

por Almir Cezar Filho

Uma boa parte da vanguarda de esquerda e das organizações desse espectro político estão "espantados" com a erupção de uma nova direita avivada e não convencional, e ainda mais extrema. Negligenciaram simplesmente que a Pós-Modernidade não ataca apenas nas suas próprias fileiras. Como também os anos de direitização, neoliberalização e capitulação a lógica da sociedade burguesa em seu próprio lado da trincheira política não produziria um fenômeno no lado oposto.

Essa nova direita tem os mesmo pilares, e é fermentada pelas mesmas bases, do que muitos intelectuais atuais chamam de Pós-Modernidade. Se comportam correspondente, senão equivalentemente ou mesmo iguais a Esquerda Pós-Moderna - pelo menos naquilo que é criticada a respeito dela. Essa sociedade emerge, ou melhor, esse zeitgeist geral da sociedade atual , isto é, esse conjunto de valores gerais da sociedade, conforma-se no crepúsculo, na senilidade da ordem burguesa. Portanto, do ápice decadente do Capitalismo como sistema social.

Essa Direita é sim Nova, pois não se vinculada a Clássica e Neoclássica, e é Pós-Moderna, pois não se vincula aos valores da Modernidade. Por isso mesmo, essa Nova Direita, por um lado, rejeita a Direita clássica e lhe disputa o espaço político e intelectual, em muitos casos de maneira agressiva. E, por outro, age tão ou mais agressivo com as Esquerdas, identificando nelas um dos principais fatores da decadência da sociedade ocidental contemporânea.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Liberalismo e Modernidade: as revoluções intelectuais e políticas do séc. 18. Compondo uma bibliográfica alternativa

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita nº 26

por Almir Cezar Filho

Uma velha dica de roteirismo: se há problema no terceiro ato, volte ao primeiro ato.

Nos últimos 18 meses, em meio a muitas e muitas outras leituras, encarei o desafio de montar e ler um catálogo alternativo e crítico sobre a edificação do pensamento e da ordem social Moderna baseada no Liberalismo. Explorando as revoluções intelectuais e políticas do séc. 18 em base a um bibliografia alternativa.

O desafio surgiu, à medida que, eu ficara instigado com o destaque que ganhara na conjuntura uma nova direita, avivada, com pautas distintas daquela consagrada no século XX e com um forte viés liberista, mercadista, ultralibertariano, que colocam o neoliberalismo no "chinelo". Mas que contêm fortes críticas às liberdades individuais não econômicas e uma repúdio aos Direitos Humanos.

Sem a necessidade de reler as obras consagradas das escolas Austríaca, de Chicago/Monetarista, da Oferta e de Escolhas Racionais  - que as tinha lido, quando mesmo já as tinha em meu acervo pessoal. O objetivo não era analisar essa matriz em que essa Nova Direita se referência (se no todo, senão em parte, como seus próprios expoentes esbravejam), mas fazer uma correspondência crítica com o pensamento e Ordem liberal, especialmente com o momento em que ela era revolucionária - a segunda metade do século XVII, o XVIII e as primeiras décadas do século XIX.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Educação, cultura e mídia na Direita Pós-Moderna

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita nº 25
por Almir Cezar Filho

Há uma guerra cultural. Que se estende a Ciência, a Educação, as Atividades Artísticas-culturais e a Mídia. É assim que a Pós-Modernidade de Direita vê o mundo. Uma guerra contra o Marxismo Cultural que semearia a Pós-modernidade em si, que segundo eles seriam uma campanha contra a sociedade ocidental, de livre mercado, etc. Portanto, é preciso combater o Marxismo Cultural em todas essas fileiras que contemporaneidade são apenas manifestações dessa conspiração.

Paulatinamente no século XX várias das certezas a respeito do mundo para o indivíduo médio foram sendo demolidos com base a universalização do ensino e com a divulgação científica, como a própria produção científica do período. Surge como contraponto uma busca não apenas por reação, de retorno a uma visão mais simples do mundo, mais cheio de verdades, repleta de senso comum e de ideias tradicionais. Ao mesmo tempo, de busca por contestação da ordem vigente, de disseminação daquilo que era tratado como marginal, não hegemônico, antimoderno. Surge assim, o pensamento Pós-Moderno e a Pós-Modernidade. Tanto à Esquerda, como à Direita no espectro político e intelectual.

Combina-se a isso tudo a característica que temos no Brasil uma direita tão pouco erudita e refinada. Em suma, tosca. Não por ser minoritária, ou mesma refratária à Academia, mas por ser Direita, logo vinculada convencionalmente à Tradição ou refratária às transformações sociais rápidas e/ou radicais. Como o Brasil a população é ignorante, suas tradições são portanto por si mesmas pouco refinadas. E como a elite dominante foi constituída ainda no tempo colonial e da escravidão, sente-se premida a repelir qualquer hipótese de transformação que leve a perda de seu status e bases de seus privilégios e dominação.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Empreendedorismo, Liberdade econômica e Socialismo. Uma resposta à 'nova direita'

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita nº 24

por Almir Cezar Filho*
"Sentir muito pelos outros e pouco por si; conter o egoísmo e exercitar os afetos benevolentes constituem a perfeição da natureza humana." (Adam Smith, sobre a "natureza egoísta" humana) 
Nos últimos tempos começou a ascender o discurso sobre e em defesa da "liberdade econômica". Em muitos casos inclusive, uma nova direita avivada que abraçou também o "empreendedorismo", e os combinou com uma luta encarniçada em defesa da sociedade capitalista. Porém, o Socialismo tem muito mais a dizer sobre empreendedorismo e liberdade econômica e com propriedade, que o neoliberalismo e essa nova direita.

Ouve-se atualmente, por um lado, toda uma catilinária contra a intervenção estatal e mesmo com Estado - com seus impostos, regulamentação técnicas, exigências de alvarás e licenciamentos, inspeções e fiscalização e legislação trabalhista. Por outro lado, a apologia ao empresário - com geração de empregos, salários, renda, produtos, inovação. Que eleva o empresário, o empreendedor, à condição messiânica. Os sindicatos também são demonizados, com sua luta contra os empresários, suas exigências de regulamentação e custos trabalhistas, defesa de privilégios a segmentos de trabalhadores, em detrimento da geração de empregos.

Curiosamente, uma campanha ideológica abraçada, e mesmo de maneira entusiasta, pelos conservadores, não apenas pelos liberais - inclusive em um patamar avivado que nem os liberais convencionais fariam. Essa movimentação acompanha à ascensão no Brasil de nova direita avivada e de tipo novo, mais de acordo com a Pós-Modernidade do que com a tradição liberal clássica e neoclássica, com uma combinação de liberalismo apenas no plano econômico, mas com conservadorismo, e mesmo reacionarismo, nos planos político e moral e comportamental.

Essa campanha não se restringe a classe média, e alcança até os setores populares, com sua devida proporção. E se entrelaça com o conservadorismo do brasileiro em geral, com uma herança do escravismo colonial, com o patriarcado, o patrimonialismo, o racismo, o machismo, etc. Mas se combina com a pós-modernidade, com sua cultura de massa, relacionamentos líquidos, subjetivismo e identidadismo. Na classe média se deriva ao fato de ser uma classe proprietária, ao menos de bens de consumo duráveis e de imoveis, e co-gestora dos grandes meios de produção, portanto, baluarte em algum grau do sistema capitalista.

sexta-feira, 31 de março de 2017

A reforma trabalhista brasileira, além de injusta, é antiliberal, diria Adam Smith se estivesse vivo

O verdadeiro Liberalismo econômico não defenderia raivosamente a reforma trabalhista, ao contrário do que fazem os economistas neoliberais e essa nova direita pós-moderna libertariana. A desregulamentação total das relações de trabalho nega os princípios fundamentais do Liberalismo e da Modernidade. O que Adam Smith, o maior economista liberal de todos os tempos e pai da Economia, teria a dizer sobre a reforma trabalhista em curso? Vamos buscar a resposta no livro de economia mais importante da história, A Riqueza das Nações*.


1) Primeira dica de Smith para entendermos as reformas em curso: sobre a disputa entre patrões e trabalhadores.

"Os trabalhadores desejam ganhar o máximo possível, os patrões pagar o mínimo possível. Os primeiros procuram associar-se entre si para levantar os salários do trabalho, os patrões fazem o mesmo para baixá-los."

2) E quem costuma vencer essa disputa? Smith responde:

"Não é difícil prever qual das duas partes, normalmente, leva vantagem na disputa e no poder de forçar a outra a concordar com as suas próprias cláusulas. Os patrões, por serem menos numerosos, podem associar-se com maior facilidade; além disso, a lei autoriza ou pelo menos não os proíbe, ao passo que para os trabalhadores ela proíbe. Não há leis do Parlamento que proíbam os patrões de combinar uma redução dos salários; muitas são, porém, as leis do Parlamento que proíbem associações para aumentar os salários"

sexta-feira, 24 de março de 2017

O novo monarquismo no Brasil não é apenas neoliberal, é pós-moderno

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita nº 23

por Almir Cezar Filho

Alguns pessoas já devem ter percebido um recente interesse pela volta da monarquia no Brasil. O monarquismo neoliberal que está em moda entre a nova direita pós-Junho de 2013 cuja visibilidade se fez presente durante as manifestações pelo impeachment de Dilma, pode até chocar, mas há uma causa muito simples.

A direita pós-moderna condena todos os valores da Modernidade. Assim, buscam na Tradição, combinando-a com o livre-mercado, ou melhor, com a defesa do reino pleno da propriedade privada e dos negócios assegurados. 

Mas qual é a Tradição erudita no Brasil? E o desencanto com o regime político, materializado na república -  instalada aqui após o golpe cívico-militar republicano 1889? Só lhe resta na tradição o que há de mais reacionário possível, a monarquia dos Bragança, base de legitimação do escravagismo tardio do Brasil do século XIX.

Porém, pedem não uma monarquia europeia, dos regimes sociais socialdemocratas e de welfare state. Mas a volta do liberalismo tosco pré jacobinismo republicano, florianismo, ou mesmo anterior à Revolução de 1930, sem empresas estatais, educação pública, CLT, etc., identificado com o período antes da República e a suposição de que não haveria corrupção dos governantes, especialmente da mais alta autoridade do regime, os imperadores.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Pós-verdade, Direita x Esquerda e o escândalo da carne fraudada

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita nº 22

por Almir Cezar Filho

"Pós-verdade": ajuste a narrativa para diante de fatos novos - que perante um julgamento sensato refutaria em definitivo tua posição - passam agora a servir ao contrário de argumento que supostamente o comprove. Essa foi a palavra do ano de 2016 e parece que classifica bem certo comportamento na Pós-Modernidade.

Foi assim, que se comportou à esquerda, à direita, uma boa parcela das pessoas diante do chocante notícia do escândalo da carne fraudada por parte de fornecedores dos dois gigantes do setor de carnes processadas, a JBS/Friboi e a BRF, revelada pela operação conjunta da Polícia Federal (PF), e Ministério Público Federal (MPF) denominada "Carne Fraca".

Pela Direita

Digo isso porque foi muito vergonha-alheia ler um post do tal Movimento Brasil Livre (MBL), em típico discurso de pós-verdade, que está culpando o "Estado-malvadão" pelo escândalos das carnes podres... Segundo eles, tudo ocorreu porque as empresas são obrigadas a ser fiscalizadas e logo seriam pressionadas à corrupção. E também, por houver a fiscalização obrigatória (logo, custosa e burocrática) impede que empresas honestas operem no mercado.

Para um liberista e mercadista nunca é culpa das empresas e dos empresários, sempre do Estado-malvadão. Livre-mercado é um Deus pra essa gente... Curioso que o liberalismo clássico e neoclássico, não esses talibãs pós-modernos que se dizem libertarianos sempre argumentou que o Estado era o gendarme da propriedade privada. O Estado somente existia para a proteção da propriedade privada.