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terça-feira, 12 de maio de 2015

Promessa de Levy que ajuste traria volta do crescimento se revela ilusão

Dados de inflação, emprego, confiança da indústria e déficit público mostram deterioração do cenário econômico provocada pelo pacote de medidas de ajuste, que prometia evitá-la

por Almir Cezar

Revelou-se ilusão a previsão do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de que a união de uma política de ajuste fiscal com a nova escalada da taxa básica de juros (Selic), agora para 13,25% ao ano, ajudaria na retomada dos investimentos, por restabelecer a confiança do empresariado, não se sustenta. Os dados de inflação (medida e a esperada pelo mercado), nível de emprego, déficit público dos estados e, especialmente, confiança da indústria mostram deterioração do cenário econômico provocada pelo pacote de medidas de ajuste, que prometia evitá-la.

O cenário contracionista, no conjunto das políticas macroeconômicas fiscal, cambial, monetária e creditícia faz com que a confiança do empresário se reduza, diante da expectativa de nova queda no Produto Interno Bruto (PIB) e na demanda, ao contrário do prometido. Mercado estima inflação em 8,26% e Selic em 13,5% no final do ano. Já os Estados têm déficit recorde para março. O resultado é que a confiança da indústria volta a cair e atinge o menor nível dos últimos nove anos e ainda mais grave para o trabalhador, à medida que o arrocho fiscal coloca 1,5 milhão na rua no primeiro trimestre, aumento do desemprego em 23%, passando para 7,9% da população economicamente ativa.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Os perdulários gregos?

Mão trocada

Marcos oliveira e Sérgio Souto - Fatos&Comentários - Monitor Mercantil, 04/11/2011

A imagem pintada sobre a dívida grega, que teria aumentado porque os perdulários gregos viveram na mordomia e não se preocuparam com ganhos econômicos, pois contavam com dinheiro fácil da União Européia, não resiste a um mínimo esforço de se olhar números do país. 

O déficit comercial passou de 4% do PIB, entre 1975 e 1980, para 11%, na década 2000/2010, com o acesso do país à Zona Euro. A balança agrícola saiu de um excedente de 9 mil milhões de dracmas, em 1980, para um déficit de 3 bilhões de euros, em 2010, transformando o país num importador de produtos alimentares.

A deterioração do déficit comercial foi acompanhada pela balança de transações correntes: um superávit de 1,5%, entre 1975 e 1980, transformou-se num déficit 0,9%, em 1980/1990, até alcançar 3% do PIB, em 1990/2000. Após o acesso do país à Zona do Euro, o déficit da balança de transações correntes explodiu para 13% do PIB.

domingo, 26 de junho de 2011

Crise se espalha em uma Europa refém do "mercado"

Crise se espalha em uma Europa refém do "mercado", depois da Irlanda, Grécia e Portugal, a Itália e Bélgica são os próximos na mira dos especuladores. As agências de classificação de risco além de rebaixar também os títulos da Grã-Bretanha e EUA, já veem amplos sinais de deteriorização da situação fiscal. A crise mundial cada vez mais ameaça os Estados centrais do Capitalismo.

Itália na mira dos especuladores
Monitor Mercantil, 24/06/2011

A Itália esteve sob fogo cerrado da especulação nesta sexta-feira. As negociações na Bolsa italiana com ações de bancos, como o UniCredit e o Intesa Sanpaolo, foram temporariamente suspensas, depois de uma queda de mais de 5%.

O motivo citado foi a decisão da agência de classificação Moody"s colocar, na quinta-feira, em revisão para possível rebaixamento o rating de dívida de longo prazo e de depósito de 16 bancos italianos. A agência norte-americana - que, como suas co-irmãs, recebeu severas críticas por falhar na crise de 2008 - também ameaça reduzir a classificação de longo prazo de duas instituições financeiras relacionadas ao governo.

A Moody"s alterou de estável para negativa a perspectiva para a dívida de longo prazo e dos ratings de depósito de outros 13 bancos italianos. A alegação é a possível redução do rating soberano da Itália, colocado em revisão em 17 de junho.

"Diante do difícil cenário econômico atual, a probabilidade de os governos europeus, incluindo o italiano, de dar suporte aos bancos domésticos é menor agora do que anteriormente", disse o analista da Moody"s, Henry MacNevin, a agências de notícias internacionais.

Itália, e também a Bélgica, encontram-se na mira dos especuladores após o presidente da Zona do Euro, Jean-Claude Juncker, ter dito à imprensa européia que "a falência da Grécia poderia ser disseminada a Portugal e Irlanda, mas, também, a Itália e Bélgica, por causa das elevadas dívidas públicas de ambos e, aliás, antes da Espanha".

Há um mês, uma outra agência internacional de rating - a Standard & Poor"s - havia anunciado que estava estudando a reavaliação para baixo da nota italiana. Após a retomada da negociação na Bolsa italiana, as ações do UniCredit fecharam a sexta-feira em queda de 5,3% e as do Intesa cederam 5%.

As principais bolsas européias fecharam em território negativo, conduzidas pelas ações do setor bancário que ficaram sob pressão após a suspensão temporária das negociações dos papéis de duas instituições de crédito italianas.

Rating do Piigs
Marcos Oliveira e Sergio Souto, 22/06/2011


Acrescente-se ao longo prontuário das agências de classificação de risco que, com a crise da dívida levando à deterioração das dívidas dos países do Piigs (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, na sigla em inglês), a Moody"s continua a considerar a Itália grau de investimento pleno. A Moody"s é uma das integrantes das três irmãs que formam o cartel de avaliação de rating, o mesmo que, às vésperas do estouro da crise de 2008, distribuía a nota máxima, AAA, a empresas que poucos dias depois só não foram à breca porque foram salvas por dinheiro do contribuinte.

China abre o olho
Diferentemente da leniência demonstrado pelo cartel em relação ao rating dos integrantes do G7, a agência congênere chinesa Dagong Global Credit Rating Co Ltd rebaixou, no fim do mês passado, a classificação dos títulos emitidos pelo Reino Unido, de AA- para o de A+, com perspectiva negativa. A Dagong justificou a decisão, apontando a deterioração da capacidade de o país manter o pagamento da sua dívida pública: "O rebaixamento reflete a situação real da capacidade deteriorada de rolagem do Reino Unido e a dificuldade na melhoria do perfil da divida externa a longo prazo", afirma a agência chinesa.

Deterioração
Segundo a Dagong, ano passado, o déficit público do Reino Unido atingiu 9,8 % do PIB do país e a relação dívida/PIB avançou a 78,7%. A exemplo de outros países europeus, a principal causa da disparada do déficit deve-se aos bilhões de libras gastos para salvar o setor financeiro britânico. Em novembro, a agência já rebaixara, de AA para A+, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, também com tendência negativa, apontando como causa a deterioração da capacidade de rolagem da dívida e "o drástico declínio da intenção de adimplir por parte do governo norte-americano".

"A visão realista da Dagong Global sobre a real situação macroeconômica dos EUA e do Reino Unido reflete uma percepção acadêmica hoje reconhecida internacionalmente e onerará o refinanciamento da dívida externa destes países", prevê o advogado Durval de Noronha Goyos Jr., árbitro do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) e professor de direito do comércio internacional.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Espanha prepara-se para salvar mais bancos: 'neoliberalismo para os pobres, keynesianismo para os ricos'

A Espanha sofreu o impacto do pedido de empréstimo internacional feito por Portugal, e prepara 'Proer' para salvar 13 bancos (BC deve bancar custos de pelo menos 9 instituições). A quebra afetaria Inglaterra. O governo para conter o déficit orçamentária, aumentado pelo socorro aos bancos optou por ampliar o corte de gastos públicos, que além de prejudicar os servidores públicos e os usuários, fez o desemprego disparar para cerca de 20% (com forte impacto na arrecadação de impostos, ampliando ainda mais o déficit). Além disso, os esforços do governo para recapitalizar os bancos prejudicados pela crise imobiliária ainda estão incompletos, que levará a novo socorro, com ampliação do gasto público e aumento do déficit orçamentário. A Europa aplica política de "austeridade fiscal" e "frugalidade no setor público", onde os trabalhadores e mais pobres pagam para evitar a quebras dos bancos e grandes empresas. A Europa desde o início da crise mundial de 2008 aplica o "keynesianismo para os ricos e neoliberalismo para os pobres".

Apesar de que a ortodoxia econômica sofrer forte abalo após a derrocada do Lehman Brothers, em setembro de 2008, que trouxe o sistema financeiro internacional na "tensão". A primeira reação instintiva dos grandes Estados ocidentais confirmou o aforismo de Richard Nixon, de acordo com o qual, "em condições de crise, somos todos keynesianos". intervenções do Estado na economia em grande escala para salvação dos ameaçados colossos monetários-creditícios e a tonificação do crescimento.
Este invertido "keynesianismo para os ricos", rapidamente, cedeu seu lugar a um fortalecido "neoliberalismo para os pobres", em nome do saneamento fiscal. Contudo os vencedores do primeiro ato desta unilateral guerra social começam a sofrer as dolorosas consequências de seu sucesso. Em nível econômico, a operação foi coroada de pleno êxito, mas o paciente faleceu. A sangrenta frugalidade imposta aos países periféricos da Zona do Euro (PIIGS: Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, por enquanto), em nome do esforço para evitar a falência, na realidade, trouxe a falência mais perto ainda.

Hoje, as correlações sociais e políticas são muito diferentes dos "Anos Gloriosos" (as décadas do pós Segunda Guerra, de forte recuperação econômica e prosperidade social), assim como é a realidade objetiva da economia mundial, na época das empresas multinacionais e da Internet, que torna muito mais difícil as reformas sociais, não só a social-democracia e o "Estado de Bem-estar social", mas, também, o próprio keynesianismo em apenas um só país. E aqui está o paradoxo: quanto mais popular torna-se Keynes em simpósios teóricos e colunas de jornais, tanto mais irrefreável avança o thatcherismo sobre a verdadeira vida política.

A explicação é simples: as tradicionais 'sensibilidades' das elites das nações européias têm sido menos decisórias porque tendem a desaparecer sob o predomínio mundial do neoliberalismo. A economia européia tem adquirido caráter financeiro. O capitalismo europeu foi neoliberalizado.

Depois de Portugal, a vez da Espanha
Monitor Mercantil, 08/04/2011

COM IDA DO PRIMEIRO AO FMI, BCE AFIRMA QUE SITUAÇÃO ESPANHOLA É "FRÁGIL"

Embora ainda não tenha sofrido o impacto do pedido de empréstimo internacional feito por Portugal, a Espanha continua em situação frágil, segundo José Manuel González-Páramo, membro do conselho executivo do Banco Central Europeu (BCE).

"Todos reconhecem que a situação permanece frágil", afirmou nesta sexta-feira González-Páramo durante conferência em Berlim.

Maior membro da Zona do Euro na lista dos próximos a enfrentarem insolvência de pagamentos, a Espanha, caso quebre, arrastaria outros países, como a Inglaterra, cujos bancos estão fortemente expostos aos papéis da dívida espanhola.

O grande déficit orçamentário do país deriva, principalmente, das consequências do estouro da bolha do setor imobiliário da Espanha e dos gastos gigantescos para evitar a quebra do setor financeiro.

Apesar disso, o governo optou por ampliar o corte de gastos públicos, fazendo o desemprego disparar para cerca de 20%. Além disso, os esforços do governo para recapitalizar os bancos prejudicados pela crise imobiliária ainda estão incompletos.

O BCE, no entanto, prefere exigir mais arrocho. "O governo espanhol precisa executar suas promessas de reformar o mercado de trabalho, controlar os gastos em nível regional e reformular o sistema bancário o mais rapidamente possível", disse González-Páramo, referindo-se ao desejos dos setores mais conservadores de aproveitar a crise para reduzir os direitos trabalhistas, já fortemente atingidos por propostas do cada vez mais impopular governo Zapatero.

No mesmo evento, Gertrude Tumpel-Gugerell, também do conselho executivo do BCE, disse que os efeitos da disseminação da crise de dívida da Zona do Euro deve ser avaliada "país por país".


Espanha prepara Proer para salvar 13 bancos
Monitor Mercantil, 14/04/2011


Madri (Espanha) - O Banco Central da Espanha aprovou os planos de recapitalização de 13 instituições financeiras locais para tentar impedir a quebra dessas instituições. A Espanha é a bola da vez da crise que varre a União Européia (UE) e, em caso de quebra do seu sistema financeiro, os estilhaços atingiriam fortemente a Inglaterra, cujas instituições têm forte exposição ao mercado espanhol.

O Banco da Espanha - o banco central do país - estima que os bancos do país precisarão levantar cerca de 15 bilhões de euros no total para atender às novas exigências de capital.

O Proer espanhol, no entanto, deve ser pago pelos contribuintes do país. Em comunicado, o Banco da Espanha informou que nove dos 13 bancos podem exigir ajuda estatal do Fundo de Reestruturação Ordenada dos Bancos (FROB).

De acordo com o banco central espanhol, quatro bancos de poupança não listados em bolsa tentarão vender ações para investidores privados por meio de ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês) ou pela venda de grandes participações acionárias.

Sob pressão para garantir que os bancos do país continuem a pagar os bônus dos credores externos, principalmente, de instituições financeiras da Inglaterra, o impopular governo espanhol estabeleceu novas exigências de capital mínimas em fevereiro.

O governo afirmou que o Frob comprará participações acionárias nas instituições que não forem capazes de levantar capital novo de fontes privadas.

domingo, 14 de novembro de 2010

Crise nos PIIGS se agrava, governos exigem medidas extremas

Crise na Europa prossegue, obrigando aos países chamados PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha)a tomarem medidas extremas contra seus trabalhadores, em nome da suposta necessidade de austeridade fiscal, devido ao alto nível de endividamento público e déficit público crônico. Após a Grécia, parece que a 'bola da vez' é a Irlanda, que precisará de empréstimo externo para fechar as contas públicas para ter recursos para pagar os banqueiros. Esta situação parece ser seguida de perto por Portugal, que já ameaça abandonar o euro, a moeda única da UE.

Vale lembrar que, essa situação fiscal dos países europeus foi provocado não por excesso de gasto estatal para serviços públicos mas para socorrer bancos e o sistema financeiro durante a parte mais grave da crise econômica mundial ainda em curso iniciada em 2008. Agora os banqueiros fortalecidos exigem 'enquadrar' os governos nacionais. Enquanto a crise fiscal se agrava, os governos exigem medidas extremas contra os trabalhadores. Como sempre acontece no capitalismo, quem paga a conta da farra dos banqueiros e políticos é o povo trabalhador.

Irlanda mais perto da moratória
Monitor Mercantil, 12/11/2010

LONDRES - A Irlanda vai precisar de 23,5 bilhões de euros (US$ 32,1 bilhões) em 2011, para conseguir fechar suas contas externas. O valor supera em 1 bilhão os 20,5 bilhões de euros previstos para este ano. A informação é da Agência de Gerenciamento do Tesouro Nacional (NTMA, na sigla em inglês).

As necessidades de financiamento vão totalizar 20,7 bilhões de euros em 2012; 18,9 bilhões de euros em 2013; e 18,6 bilhões de euros em 2014. Com isso, o país fica mais perto da moratória.

A Irlanda suspendeu os leilões de bônus do governo até o fim do ano, em meio aos receios dos investidores sobre a capacidade do governo de aplicar uma política de desmonte do estado para continuar pagando a dívida do país.

Além disso, os especuladores aproveitarem para puar para cima os yields (retorno ao investidor) dos bônus irlandeses e a diferença entre o yield dos bônus irlandeses e o dos bunds alemães. Com isso, encarecem ainda mais a rolagem da dívida, dificultando a capacidade de o país a continuar a honrá-la.

Os investidores apostam que a Irlanda terá de recorrer a um empréstimo externo para pagá-los, apesar de o governo afirmar que sua política de colossais apertos fiscais para os próximos quatro anos liberaria dinheiro destino à produção e à população para pagar dívidas com os mesmos especuladores que levaram à quebra do sistema financeiro do país.


Portugal pode deixar o euro, diz ministro
Jornal do Brasil,13/11/2010

Por não conseguir realizar uma coalizão governista para enfrentar a crise financeira que assola Portugal, o governo local pode abandonar o uso do euro.

O ministro das Relações Exteriores de Portugal, Luís Amado disse em entrevista ao semanário Expresso que "O país precisa de uma grande coalizão que nos permita superar a situação atual'.

Recentemente o país ibérico vem perdendo a confiança dos investidores, que estão preocupados a situação orçamentária dos prêmios de risco de Portugal, já que estes chegaram aos patamares mais elevados desde que o país adotou o euro como moeda.

"Essa é uma situação (sair do euro) que poderíamos ser inevitavelmente obrigados pelo mercado a considerar", afirmou o chanceler.

Portugal sofre com problemas políticos já que a posição social-democrata tem objetivo de apoiar o plano de austeridade no orçamento do ano que vem no parlamento português, mas o atual governo (socialista) não tem maioria da casa para suportar os interesses políticos.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Em greve geral, franceses iniciam a resistência a ataques a previdência

Devido a crise fiscal, provocada pelo socorro aos banqueiros em 2008/2009, governos da UE passam a atacar os direitos dos trabalhadores, obviamente que se organizam a resistência.

França: trabalhadores fazem greve contra reforma na previdência

Uma grande greve contra o plano do governo francês de aumentar a idade para as aposentadorias atrapalhou o sistema de transportes e levou ao fechamento de escolas, nesta quinta-feira. Os sindicatos pretendem levar milhões de pessoas às ruas da França para protestar. Foram afetados os trens em cidades por todo o país europeu, informaram autoridades de transporte, referindo-se a uma das duas principais rotas ferroviárias para passageiros da França, que opera em Paris e fora da capital. Três em cada quatro trens do metrô de Paris estavam operando. A autoridade aeroportuária DGAC afirmou que 15% dos vôos haviam sido cancelados, no período entre 7h e 14h (hora local, 2h e 9h de Brasília), nos aeroportos Charles DeGaulle e o de Orly.

O Ministério da Educação informou que 32% dos professores de escolas de ensino fundamental cruzaram os braços. No ensino médio, a paralisação afetou 10% dos professores. O sindicato dos professores SNUipp-FSU afirmou que mais de 50% dos docentes estavam parados e várias escolas não funcionavam. O governo apresentou na semana passada uma proposta para aumentar a idade de aposentadoria de 60 para 62 anos, a partir de 2018, elevando o tempo de trabalho necessário para se conseguir a aposentadoria.

A medida é parte dos esforços do governo para cortar seu déficit orçamentário. Para os sindicatos, essa mudança é um ônus injusto para os trabalhadores. Líderes de alguns dos seis sindicatos que convocaram conjuntamente a greve afirmaram que estavam planejando grandes manifestações nas ruas, ao longo do dia.

- A esperança é conseguir mais de 1 milhão de manifestantes. Eu acho que esse número será superado, com certeza - previu François Chereque, líder do sindicato CFDT.

Segundo ele, "talvez 2 milhões" de pessoas podem participar.

- Nós temos mais de 200 manifestações por toda a França e estamos ouvindo das bases que há um comparecimento excepcional. Os empregados estão percebendo que essa reforma é injusta - afirmou, em entrevista à rádio RTL.

Também foi convocada uma paralisação no serviço de correio, em empresas fornecedoras de gás e eletricidade e em várias companhias privadas. Os funcionários gráficos aderiram ao movimento, levando jornais diários como o Le Monde e o Libération a desistirem de suas edições de sexta-feira. Emissoras como a France Info, geralmente integralmente dedicada ao jornalismo, tocavam músicas para preencher os buracos gerados pelos funcionários parados. Grandes protestos já forçaram o governo francês a recuar em reformas sociais no passado.

Desta vez, o ministro do Trabalho, Eric Woerth, afirmou que o governo não cederá no aumento da idade para a aposentadoria. A mudança busca ajudar o país a alcançar a meta de ter um déficit de 3% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em 2013. Também é um aspecto central da agenda do presidente Nicolas Sarkozy, que se prepara para tentar a reeleição em 2012. A lei sobre a reforma deve ser analisada pelo gabinete de governo no mês que vem e então seguir para o voto do Legislativo, em setembro.

Fonte: Agência Estado

sábado, 8 de maio de 2010

Se economistas dependessem do INSS, o mundo seria melhor

Se economistas dependessem do INSS, o mundo seria melhor

Blog do Sakamoto, 05/05/2010

Tempos atrás escrevi um texto dizendo que o planeta seria um lugar melhor se comentaristas de economia vivessem de salário mínimo. Pois quando chegamos na época do ano em que se discute o tamanho do aumento do mínimo, alguns deles quase têm um ataque cardíaco. Vendo os lamúrios públicos de economistas sobre a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do reajuste de 7,71% para os aposentados que ganham mais de um salário mínimo, verifica-se que o padrão de sofrimento é o mesmo.

(É claro que a maioria dos deputados federais que aprovou o aumento maior do que o proposto pelo governo federal não fez isso por pensar na qualidade de vida de ninguém, mas sim por este ser um ano eleitoral, quando precisam de votos do povo para se elegerem.)

Deu para perceber o suadouro de muitos economistas em entrevistas na TV, implorando para que o governo e os congressistas fossem “racionais”, não “torrando” dinheiro para não aumentar o “rombo” nas contas públicas por conta da Previdência.

Nesta quarta, ouvi um deles dizer que os aposentados “têm que entender” que o país, apesar de estar crescendo, não está sólido o suficiente para garantir um “benefício” dessas proporções. Pelo terno bem cortado do entrevistado em questão, pergunto-me o que ele faria se tivesse que viver com um salário insuficiente para comprar os remédios da esposa doente, ajudar nas contas dos filhos desempregados, acertar o caro aluguel do pequeno apartamento no final do mês e, ainda por cima, ter um mínimo de dignidade. Demagogia minha? Imagine. É simplesmente pimenta nos olhos dos outros virando refresco.

É claro que se as empresas não sonegassem impostos previdenciários ou, na melhor das hipóteses, não empurrassem seus débitos com o INSS com a barriga, haveria mais recursos para cobrir o “rombo” nas contas públicas. Coloco sempre essa palavra entre aspas porque ela tem que ser entendida de outra forma. Previdência não é para dar lucro ou mesmo empatar, não é banco, apesar do desejo de muitos. Deve cumprir uma função social e ser um instrumento para garantia da qualidade de vida. O mais triste é que o receituário econômico tacanho, que mantém a maior parte dos recursos do Estado aplicados para o bem-estar de poucos, foi adotado por todos os governos brasileiros com um sorriso no rosto. Quem depende do Estado que se vire, pois está na contramão da história.

Enche-se a boca para falar dos bilhões a serem gastos a mais, uma preocupação frente à queda de arrecadação no pós-crise. Finge-se ignorar que isso vai impulsionar o consumo de milhões de famílias, rodar a economia e, sobretudo, tornar a vida de uma parcela da população menos sofrida. Mas quando os bilhões são aqueles destinados ao perdão de dívidas de grandes produtores agrícolas ou na rolagem de dívidas industriais, reina o silêncio. Ou pior, o apoio deslavado.

Como já disse aqui anteriormente, há estudos que apontam que o PIB brasileiro comportaria um aumento até maior tanto do mínimo quanto da Previdência, desde que houvesse uma distribuição real de renda, de direitos e de justiça. Ou seja, redução da desigualdade. Alguns perderiam para muitos ganharem. Da taxação de heranças seguindo um modelo americano ou europeu, passando pela cobrança de altos impostos sobre grandes fortunas, pelo aumento no imposto de renda de quem ganha bastante, até a reforma para um Estado que garanta “Justiça fiscal”, considerando que, proporcionalmente, os muito ricos não pagam o devido imposto no Brasil, há muito o que se poderia fazer. Poderia, porque colocar isso em prática está no campo da ficção científica.

Muita gente que ajudou o bolo a crescer não recebeu nem a cereja, quanto mais uma fatia decente. A verdade é que muitos deles continuarão sendo homens-placa nos centros das grandes cidades ou empregadas domésticas, mascarando aquela dor insuportável nas costas contraída ao longo de décadas passando roupa para terceiros. Na hora em que deveriam estar aproveitando um pouco mais a vida.

Contentam-se em saber, pela TV, que médicos de alguma universidade nos Estados Unidos descobriram que faz bem para a saúde trabalhar na terceira idade.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

plano de salvamento: Começa o calvário da Grécia

Artigo do economista Luiz Gonzaga Belluzo criticando o programa de socorro à Grécia, que ao invés de socorro, parece ser o início de um "calvário".

Na Grécia, os suspeitos de sempre

Valor Econômico - 04/05/2010

Prendam os suspeitos de sempre

Luiz Gonzaga Belluzzo

O pacote de 120 bilhões de euros apresentado como a “salvação da Grécia” é apenas o início de seu calvário. As condições do ajustamento impostas ao país mediterrâneo são quase as mesmas já conhecidas dos periféricos abalroados por desastres financeiros e cambiais. A diferença, não desprezível, está na impossibilidade de desvalorização cambial, circunstância que certamente lançará o país num doloroso processo de deflação de salários e preços, queda do PIB, desemprego e revolta social.

Os gregos podem figurar seu destino ao observar as agruras da desditosa Letônia. Enredados num regime de taxa fixa com o euro, os letões foram abençoados por um turbilhão de crédito externo que, nos “bons tempos”, alimentou uma eufórica valorização de ativos (surpresa!, sobretudo imobiliária). O país acabou no Irajá da deflação: três anos de queda do PIB (-17,5% em 2009), contração da capacidade produtiva, desemprego de 25% da PEA, com fuga da mão de obra qualificada. As previsões para 2010 apostam em mais do mesmo.

Ainda assim, os porta-vozes do mundo financeiro celebram a experiência “bem sucedida” da Letônia e recomendam os métodos da “desvalorização interna” para a Grécia. A revista The Economist comemorou: “a despeito de uma queda do PIB de 17,5%, a Letônia conseguiu aquilo que parecia impossível: uma desvalorização interna. Isso significa recuperar competitividade, não mediante uma desvalorização da moeda, mas através de duros cortes de salários e do gasto público.” Yarkin Cabeci do JPMorgan escreveu no New York Times: “Os investidores internacionais estão agora confiantes na Letônia e apresentam o país como um exemplo para outros que precisam ‘entregar a mercadoria’ na política fiscal”. Salvos da bancarrota, os senhores do universo exigem que se cumpra a sentença prolatada pelo Captain Renault, o inspetor de polícia de Casablanca, personagem de Claude Rains no filme protagonizado por Humphey Bogard e Ingrid Bergman: “Prendam os suspeitos de sempre”.

(clique aqui para ler a íntegra)

Comentário: Os "suspeitos" nós sabemos é o gasto público e os salários. A prisão é cortes em ambos.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Prioridade para corte de gastos trava crescimento e empurra Europa para o caos

Fanatismo fiscal acelera crise

Monitor Mercantil, 30/04/2010

O desemprego na Espanha chegou ao número recorde de 4,612 milhões de trabalhadores no primeiro trimestre do ano, o que corresponde a 20% da população economicamente ativa (PEA). Os dados refletem aumento de 1,2 ponto percentual na taxa de desemprego em relação ao trimestre anterior.

No fim de março, o número de ocupados era de 18,394 milhões de pessoas, o menor patamar desde o quarto trimestre de 2004.

No entanto, mesmo com o desemprego em disparada, o governo espanhol aprovou um plano de "racionalização do setor público", que consiste na privatização de 29 empresas públicas (de um total de 106) e na supressão de 32 altos cargos ministeriais

"A Europa vai entrar na insanidade nesta crise. Os programas de restrição monetária e fiscal acabarão levando o continente à explosão social", alerta o economista José Carlos de Assis, para quem a solução do drama europeu está acima da institucionalidade vigente no Velho Mundo.

"A onda começará pelos países endividados, mas depois se espalhará. Viveremos um período que vai lembrar a era das revoluções, no século XIX", disse o economista, integrante do Conselho Editorial do MM, para quem a Europa construiu um "esquema de governança baseado em princípios neoliberais e não têm como escapar disso".

Já Reinaldo Gonçalves, professor de Economia Internacional da UFRJ, destaca os países "bola da vez", depois de Grécia e Espanha: o Chipre, com déficit em transações correntes superior a 11% do PIB; Portugal, com 9%, e Irlanda, que terminará 2010 com déficit público nominal superior a 12% do PIB, segundo projeções do FMI. "Grécia e Irlanda, respectivamente, devem encerrar este ano com desemprego de 12% e 13,5%", conclui Gonçalves.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Dois pesos e duas medidas no Orçamento 2010 Como é perversa a lógica expressa no OGU

Olhando minuciosamente o OGU 2010 (Orçamento Geral da União) e pode-se verificar in loco algumas discrepâncias bem bizarras. Há dois pesos e duas medidas no OGU. Para citar a principal, ou melhor, que chama mais a atenção, pois é mais nítida a disparidade.

O Orçamento é algo importante, visto que os recursos são limitados, enquanto que as necessidades não, sendo portanto preciso estabelecer um escala de prioridade, refletida no percentual de valores que vai para cada item. Logo, o OGU como qualquer orçamento reflete a prioridade que o Governo estabelece para si e para o Estado. Infelizmente é perversa a lógica expressa no OGU 2010.

Para ajudar, vejam esse infográfico que encontrei que mostra as receitas e despesas no OGU 2010 pelo link http://economia.ig.com.br/mercados/orcamento/n1237562028734.htm ou veja página 5 do DOU (diário oficial da união) de 27 de janeiro com a sanção presidencial do LOU (lei do orçamento da união) com a respectiva OGU 2010 (orçamento geral da união).

Enquanto no OGU há mais de 33% reservado para "refinanciamento da dívida pública mobiliária" (pagamento de juros), isto é, um terço do Orçamento, e ainda mais 16,36% para "encargos financeiros", totalizando assim quase 50% do Orçamento com repasse aos banqueiros. Contudo, nesse mesmo Orçamento, pasmem, menos de 1% estão reservados para o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Na verdade, menos da metade disso, um quarto de 1, 0,25% do OGU. Isso apesar, de ser dito publicamente que as políticas de desenvolvimento agrário serem tão importante para o combate as desigualdades sociais e conflito agrário. O mesmo acontece com defesa civil e prevenção de catastrofe, onde as verbas totais do Ministério da Integração Nacional, que gere esses recursos, são de apenas 0,36% do OGU.

A participação de ambas no OGU é tão pequena entre os ministérios, só perdendo para o ministérios sem estatais, como Min. das Telecomunicações ou do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. O MDA e o Min. da Integração Nacional estão lado a lado de ministérios como Turismo. O MDA perde para a Presidência da República (0,40%), para a Câmara dos Deputados e o Senado, e pior, para Reserva de Contingência (0,28%), aquele recurso previsto como uma poupança no caso de se tiver um gasto não planejado no Orçamento ou se as receitas forem menores do que previsto. Em suma, o MDA tem o peso menor do que a “Reserva de Contingência”.

E todos os gastos da União são menos importantes do que o pagamento aos banqueiros.

As despesas no OGU estão previstas em 1,76 trilhões de reais. E a metade das despesas é com pagamento aos banqueiros, tanto sob refinanciamento como sob pagamento de encargos financeiros. Na parcela restante, inclui "Previdência" (maior item, com 14,63%), "Transferências aos estados e municípios" (segundo maior item, com 8,85%) e os órgãos dos poderes judiciários e legislativo e o ministério público além dos órgãos do Poder Executivo.

A incongruência segue nos gastos dentro do próprio Executivo. O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), que não é um ministério fim, e sim meio, portanto só atua no "carimbaço", com raras exceções (SPU e IBGE), tem um orçamento (1,05%) que é 4x maior que o do MDA.

Gostaria de responder a algumas pessoas, quanto ao assunto de "pegou pagou", isto é, sobre a participação colossal de pagamento de dívida pública, visto que, os mecanismos de endividamento público não necessariamente são aqueles similares ao do consumidor comum. E nisso reside a tragédia.

Quanto a dívida pública, é bom lembrar, que na Constituição Federal de 1988 obrigava a uma auditoria na dívida pública. Vale também lembrar, primeiro, que rola no momento no Congresso Nacional uma CPI da Dívida. E segundo, os mecanismos de geração de dívida e os meios de pagamentos no setor público não são os mesmos na iniciativa privada. Explico em 10 passos.

1) o Governo embora seja o maior devedor do país, é o maior credor, inclusive dos bancos, pelo mecanismo de open market e taxa Selic

2) o item "encargos financeiros" no OGU é realmente o repasse orçamentário aos detentores de títulos da dívida pública com juros. Representa 16,36% dos 1,7 trilhões de reais em despesa.

3) o item "refinanciamento da dívida pública mobiliária" no OGU é o gasto com refinanciamento, isto é, com o reescalonamento, resgate e substituição de títulos da dívida. E sim, representa 33,07% da OGU, e em verdade, acaba parte desse gasto não é de fato dispendido, pois se constituí de troca de títulos. Mas poderão ver que no mínimo 22% porcento desse item é efetivamente consumido.

4) os mecanismos de geração de dívida pelo Estado não se resume ao "despesa maior que a receita". As reservas internacionais, o resgate de título dívida externa, reescalonamento da dívida externa privada, a emissão monetária, uma elevação da taxa Selic para combater a inflação, etc, tudo isso gera endividamento. E como podem ver a dívida pode ser criada não apenas pelo desequilíbrio fiscal, mas por políticas monetárias e cambiais.

5) o grosso da dívida interna é constituída por dívida externa resgata, incluída dos estados e aquela tomada pela iniciativa privada. Basta ver a renegociação da dívida externa brasileira no início dos anos 90 que antecedeu o Plano Real.

6) outra parte é constituída por juros pós-fixados, aqueles que o credor define a taxa de juros no ato do pagamento.

7) a dívida pública é carregada pelo patamar da taxa Selic. Taxa maiores significaram uma aceleração do endividamento. Curiosamente, o governo empresta a x na Selic e pega empresta a xxxxxx com os títulos mobiliários. Por outro lado, não paga os precatórios das velhinhas.

8) o grosso da dívida interna é constituída por trambolhos e coisas estranhas - é necessário uma auditoria. Incluí dívida do Império e República Velha. Provavelmente já pagos, nas idas e vindas, nas renegociações e refinanciamentos. Por outro lado, há devedores privados de impostos, contribuições sociais e trabalhistas e massa falida de empresas que nunca foram pagas.

9) se o Brasil fosse uma família ou uma empresas que tomou empréstimo e está com uma dívida enorme, poderia recorrer a moratória ("devo não nego, pago quando puder") indo parar no SPC, ao Procon ou a reescalonamento judicial. Como não é...fica a espera de uma auditoria.

10) A lógica perversa de que se o Brasil não pega empréstimo quebra não é verdadeira, isto, a dívida é gerada para cobrir déficit. Na verdade, o Brasil pega empréstimo porque paga empréstimo, isto é, gera déficit pois paga a dívida.

Enquanto isso 50% do OGU é para pagar os banqueiros, enquanto 0,25% para as políticas fundiárias e agricultura familiar.

Essa lógica é tão firme que agora em março o Governo emitiu o decreto de contingenciamento, pois as previsões de receitas no OGU estariam maiores do que a Receita Federal prevê para 2010, portanto haveria um déficit não previsto.

Contudo, paralelamente a própria Receita Federal anunciou que fevereiro, pelo segundo mês consecutivo, arrecadação recorde, o que indica nessa dinâmica que até o fim do ano haverá uma arrecadação superior a própria previsão da OGU.

Paralelamente também a esses dois anúncios, o BC decidiu pela manutenção da taxa Selic no momento, o que não significa que mais para frente não o aumentará. Os banqueiros seguirão acossando, exigindo aumentos nos juros sob a alegação da "ameaça da inflação". isso tenderá aumentar nos próximos meses à medida que a economia for se aquecendo, como prevê várias análises. Aí os economistas pró-bancos proclamarão que a economia corre risco de superaquecimento. E a esse favor, Meirelles mais a frente deve sair do BC para se candidatar a deputado federal ou a vice-presidente, abrindo espaço para que dentro do Copom resolva aplicar uma elevação na Selic.

O próprio Ministério do Planejamento já se move nesse sentido, com esse corte no Orçamento 2010, para aumentar o dinheiro reservado para o superávit primário. Recursos que deveriam ir para Saúde, Educação, reajuste dos servidores, etc, serão - sob a justificativa descabida de queda na arrecadação de impostos - na verdade, reservados para o pagamento de juros maiores na dívida pública, na decorrência de elevação da Selic.

Mão invisível não existe. Mas perversidade sistêmica há.

Perversidade ligada à uma estrutura estatal, política e orçamentária que contribuí para desigualdades sociais vexatórias em nosso país. E sim, o governo atual conscientemente reproduz esse sistema. É o mesmo que diz que as políticas do MDA são importantes mas nos dá apenas 0,25% do OGU.

Não concordo com aqueles que afirmam ser importante pagamento da dívida pública como uma questão moral. Não concordo com aqueles que afirmam que foi errado a recusa unilateral do Equador em reconhecer parte de sua dívida após uma ampla auditoria.

Primeiramente, não acho que o Equador, um estado soberano, seja menos importante que uma multinacional ou banco estrangeiro, muito pelo contrário. E acho sim, que é um exemplo a ser seguido, uma auditoria da sua dívida pública. Vale lembrar, que a última vez na nossa história nacional que houve algo parecido como uma auditoria da dívida pública, foi sob o governo Vargas, e essa acabou caindo pela metade.

Em segundo lugar: Sim, a parcela do OGU de "encargos financeiros", que corresponde a mais de 16% do OGU, é constituída de recursos pagos a detentores de títulos mobiliários e outros pagamentos financeiros. Tudo bem, que não é 50%, mas que já é por si só assustador, pois é, a exceção do item "refinanciamento da dívida", o maior item, maior que os gastos com Previdência Social (14,63%) e com as ações do MDS (2,2%), responsável por ações como o bolsa-família e outras de combate a fome. Então encargos financeiros é o verdadeiro bolsa-família, o "bolsa família rica".

Os outros 33% restante dos 50% dos recursos da OGU que vão aos banqueiros, são recursos captados junto a eles e a eles. Mas voltam a eles devidamente remunerados pelo item “encargos financeiros” ou pelo item “refinanciamento” do ano seguinte.

E embora, tenham razão aqueles que as despesas de "refinanciamento da dívida" se constituam de recursos que "entram e saem", visto que, no mesmo OGU, na parte de receitas o mesmo item aparece. Contudo, quando se abre essa rubrica e entra na análise mais financeira e menos orçamentária, parte da parcela refinanciamento, algo em torno de 22% desses 36%, acabam sendo de transferências de renda direta aos detentores de títulos mobiliários, além daqueles 16% do OGU que mencionei anteriormente.

E para piorar, acabam carregando no estoque da dívida, tendo em vista, que refinanciamento consiste nisso mesmo, refinanciamento, isto é, rolagem, alongamento da dívida. E tal como na dívida de um consumidor comum, quando se pede ao banco para alongar a dívida, pedindo para adiar ou aumentar o número de parcelas, ou se pega mais emprestado para pagar outra dívida, resulta obviamente no aumento da dívida, no estoque. E é nisso que estou falando, não apenas em fluxo de dívida, mas em estoque.

E para piorar ainda mais, uma longa série de operações públicas corriqueiras no Brasil, realizadas tanto pelo Banco Central e Tesouro Nacional, especialmente monetárias e cambiais, são automaticamente geradoras de títulos, todos devidamente remunerados por juros, e, portanto geradores de dívida, tais como, as operações de open market monetário (troca de moedas por títulos), de formação de reservas cambiais (troca de dólares por títulos), etc.

Em suma, a realidade é essa. É necessário lutar para reverter tão estado de coisas.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Gregos fazem nova greve contra pacote de austeridade

Prossegue a resistência dos trabalhadores e juventude grega contra o pacotaço de austeridade aplicado pelo governo local.

Gregos fazem nova greve contra pacote de austeridade

11/03 - 10:03 - Reuters

Por Renee Maltezou e Ingrid Melander ATENAS (Reuters) - Trabalhadores gregos dos setores público e privado entraram em greve nesta quinta-feira, afetando aeroportos, escolas e transportes públicos, na segunda paralisação nacional em duas semanas em protesto contra os planos de austeridade do governo. 
 
Nas ruas de Atenas, alto falantes ecoavam slogans que exigiam que os ricos paguem pela grave crise fiscal do país, enquanto milhares de pessoas participavam de uma passeata contra os cortes no salário do funcionalismo público, aumento de impostos, congelamento das pensões e elevação na idade da aposentadoria.

"Nenhum sacrifício para os ricos!", reclamavam os manifestantes, batendo tambores e segurando cartazes com dizeres como "Aonde foi o dinheiro?".

Sob pressão dos seus parceiros da União Europeia e dos mercados, o governo grego apresentou na semana passada um pacote de austeridade que, entre corte de gastos e aumento de impostos, resultará em 4,8 bilhões de euros (6,5 bilhões de dólares) para os cofres públicos.

Mas a greve geral de 24 horas pode inviabilizar o plano.

Embora a maioria dos gregos concorde que as medidas são necessárias, há muitas queixas de que o pacote prejudica os setores errados, num país assolado pela corrupção e a evasão fiscal.

"As medidas são injustas... não podemos fazê-las, temos filhos, famílias. Precisamos encontrar o dinheiro para apoiá-las. Bancos e ricos devem pagar pela crise", disse Odysseas Panagopoulos, de 60 anos, que trabalha no setor de saúde.

O pacote de austeridade, destinado a tranquilizar os mercados de que a Grécia tem como suportar sua dívida pública de 300 bilhões de euros, acontece apenas cinco meses depois da vitória dos socialistas em uma eleição na qual prometiam mais ajuda aos pobres, após a primeira recessão em 16 anos no país.

O nível de participação na greve e nos protestos será acompanhado atentamente fora da Grécia. Políticos da UE, agências de "rating" e mercados financeiros saudaram as últimas medidas, mas ainda esperam para ver sua implementação rápida e sem sobressaltos.

"Este governo nos enganou", disse a Zaharoula Toulia, 57 anos, que vive com uma pensão de 800 euros por mês e votou nos socialistas em outubro. "Eles diziam que havia dinheiro. Cadê?"

Sindicatos de categorias como taxistas e garis ampliaram seus protestos nas últimas semanas. A greve de quinta-feira foi convocada pela principal central sindical do setor privado, a GSEE, e por sua homóloga do funcionalismo público, a Adedy, que juntas representam metade dos 5 milhões de trabalhadores do país. A Adedy prepara novas ações em abril e maio.

(Reportagem adicional de Deborah Kyvrikosaios)

terça-feira, 17 de março de 2009

A emergência da elevação do gasto público contra crise

Até Bush elevou mais os gastos que Lula

Jornal Monitor Mercantil, 16/03/2009 - 21:03
http://www.monitormercantil.com.br/mostranoticia.php?id=58901

Segundo o economista Reinaldo Gonçalves, da UFRJ, para enfrentar a crise, o governo Bush, no apagar das luzes, elevou em 40 vezes mais o gasto público em relação ao produto interno bruto (PIB) do que o governo Lula, a despeito da retórica deste a favor do aumento da participação do Estado na economia.

"Bush aumentou em 20% o gasto, enquanto o consumo do governo brasileiro no último trimestre de 2008 subiu apenas 0,5%", compara o economista, que não diferencia gasto público corrente de investimento público: "Ambos têm impacto na demanda agregada", salienta.

Para Gonçalves, Lula "perde tempo" ao pedir que o colega norte-americano, Barak Obama, regularize o crédito e abdique do protecionismo: "Todo mundo está atrás de crédito. O Brasil precisa de crédito para funcionar (mal). Se Lula fizesse curso de introdução à economia não diria nada. Está muito mal assessorado", critica, acrescentando que retomar a Rodada de Doha, como defende o presidente brasileiro, é impossível: "Os EUA precisam se proteger para colocar economia de volta nos trilhos", frisa.

Para o economista, a conduta do governo em relação à crise é "lamentável" Daí, achar difícil que a economia se recupere até o segundo trimestre: "No primeiro trimestre, as coisas já não vão bem. Nada sugere desempenho melhor. O que existe é uma fortíssima desaceleração."

E destaca que, se confirmadas as previsões para o PIB em 2009, de 1% a 1,5%, os empregos gerados serão insuficientes até para absorver os jovens que ingressarão no mercado de trabalho.

Para o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-RJ), Paulo Passarinho, o segundo semestre dependerá dos juros e do gasto público: "Temos déficit nominal de 1,5% do PIB e baixar juros compensaria, com sobras, a perda de arrecadação prevista, de R$ 25 bilhões."


***

Comentário:

A intervenção de verdade do governo Lula sobre a crise teria que ser demitindo Henrique Meirelles e equipe do Banco Central e por fim ao superávit primário de 3,8%.

Com as mudanças teríamos além de mais recursos disponíveis também teríamos uma taxa de juros decente (que inclusive permitíria uma economia de recursos públicos, à medida que diminuí a dívida pública)que poderiam ser canalizados para o PAC e outros projetos de obras públicas, para desoneração fiscal dos setores atingidos com a crise, para empréstimos e crédito pelo BNDES e bancos oficiais e para o seguro-desemprego e bolsa-família.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Com a crise: a queda de dois mitos

Com a crise econômica houve a queda de dois mitos do capitalismo contemporâneo, dentro da série de mitos que vêm caindo - vivemos em um momento iconoclasta.

Todos devem se lembrar de Donald Trump, aquele mesmo, magnata com penteado engraçado, que é o astro do programa de televisão dos EUA de estilo "reality show", equivalente ao brasileiro, O Aprendiz e O Sócio. Nesse programa, enquanto ele selecionava novos executivos para suas empresas, e doutrinava o público no neoliberalismo. Trump era o símbolo de sucesso almejado pelas pessoas. Contudo, com a crise, Trump foi obrigado, e pela terceira vez, a pedir concordata.

Outro mito, era do ajuste fiscal pelos Estados Nacionais. Os países centrais, a começar pela Europa estão diante do dilema, de manter esse "pilar" do neoliberalismo, ou ampliar o gasto público, tanto para resgatar bancos e grandes empresas como para proteção social, previdência, seguro-desemprego e programas de renda-mínima , ie, minimizar os efeitos da crise. Com isso, estão violando aquilo que pregaram na década de 1990 e 2000, que imporam essa mesma visão também aos países periféricos.




Trump: US$ 1,74 bilhão em dívidas
Monitor Mercantil online, 17/02/2009 - 15:02

A Trump Entertainment Resorts Inc. - do investidor Donald Trump (foto), que detém 28%de participação da empresa - entrou com pedido de proteção contra credores no Tribunal de Falências de Nova Jérsei. É a terceira vez que a empresa de cassinos recorre ao Capítulo 11 da Lei de Falências dos EUA.

- Estamos focados no objetivo de reestruturar a empresa a fim de reduzir o endividamento e fortalecer nosso balanço durante um período de economia difícil 0 alegou Mark Juliano, executivo-chefe da empresa. Para ele, o pedido de proteção contra credores não terá impacto nas operações diárias da empresa e não deve afetar nem a filosofia nem a estrutura operacional.

De acordo com o documento arquivado no tribunal de falência, a Trump Entertainment Resorts possui US$ 1,74 bilhão em dívidas e US$ 2,06 bilhões em ativos.

***

Adeus, ajuste fiscal!
Monitor Mercantil online, 17/02/2009 - 21:02
http://www.monitormercantil.com.br/mostranoticia.php?id=57826

Crise obriga a Europa a abandonar seus dogmas. Já Brasil corta R$ 37 bilhões

A Europa, que há muito já não cumpria, começa a rasgar, na prática, o Acordo de Maastricht, que criou o euro e limita a 3% do produto interno bruto (PIB) o déficit nominal dos países que compõem a União Européia (UE).

De acordo com o ministro do Orçamento da França, Eric Woerth, o déficit público no país vai superar os 4,4% do PIB, em 2009, e o da Seguridade Social ficará próximo de 15 bilhões de euros.

Woerth afirmou que "uma nova série de anúncios", para "ajudar as populações atingidas de forma mais dura pela crise", especialmente "em favor dos jovens", serão conhecidas amanhã (quinta-feira), após a reunião com o presidente da França, Nicolas Sarkozy,

Enquanto isso, o Brasil ainda resiste a baixar juros e ainda determinou o bloqueio de R$ 37,2 bilhões dos gastos livres do Executivo previstos no Orçamento da União. Deixarão de ser executados R$ 22,6 bilhões em custeio e R$ 14,6 bilhões em investimentos.

"O déficit francês, apesar de ser superior ao teto previsto no acordo, não é um déficit grande, em particular em momentos de crise econômica, quando os déficit naturalmente aumentam. EUA e Japão possuem déficits muito maiores, e não geram qualquer problema", comenta o economista Gustavo Santos, da Associação de Funcionários do BNDES (AfBNDES).

Ele classifica como "muito salutar" o aumento da proteção social, especialmente para jovens, nos momentos de crise: "O desemprego é um grande mal social, especialmente nas camadas mais jovens. A França não deve ser tímida nas políticas fiscais e sociais de proteção social e recuperação econômica, mesmo porque o déficit dela não é nada preocupante", ratificou.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Neoliberais caras-de-pau dizem que AL não deve adotar medidas anti-cíclicas

por Almir Cezar Filho

Àqueles que não entendem o porquê a posição do Banco Central brasileiro devem ler essas duas matérias abaixo que li na internet. Há uma lógica de pensamento neoliberal e isso vem de fora.

Enquanto nos países centrais os Bancos Centrais e Tesouros estão operando políticas anti-cíclicas (reversão do ciclo econômico) - como forte ampliação do gasto público e redução de impostos e drástico corte nas taxas de juros - os economistas conservadores (que ainda têm cara-de-pau de sair da toca depois do recente debacle do sistema financeiro) estão propagandeando que o Brasil e os países latino-americanos devem tomar cuidado com políticas anti-cíclicas, que ela seriam de antes da pecularidades dessa região na verdade pró-cíclicas, que elas afetariam o esforço de estabilização macroeconômica iniciado nos anos 1990. O ideal seria o Brasil pegar empréstimo junto ao FMI e não usar usar o receituário anti-crise, aguardar sentado a contaminação, continuar com o posicionamento neoliberal das políticas e rejeitar as políticas anti-cíclicas.

Ao meu ver na verdade esses ideologos cara-de-pau estão defendendo as posições dos grandes bancos e especuladores na América Latina que contraíram títulos públicos e posições em câmbio, e precisam que elas estejam protegidos, à medida que podem ser afetados colateralmente as medidas das políticas anti-cíclicas. Como infelizmente as autoridades macroeconômicas da AL se formaram ou estão organicamente ligadas as organismos acadêmicas ou instituições financeiras seguiram sem dó o velho receituário, negando a nova realidade, e procurando justificativas como as duas apresentadas abaixo para manter suas orientações econômicas, orientações que agridem o povo e empurraram a economias nacionais para uma recessão maior da que seria inevitável - tudo na defesa do interesses de um pequeno, mas cobiçoso, grupo.


Para 'Economist', FMI pode ajudar o Brasil em meio à crise
http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200812120948_BBB_77692284

Um artigo na mais recente edição da revista britânica The Economist sugere que recorrer ao FMI, ao Banco Mundial ou ao Banco Interamericano de Desenvolvimento pode ser uma boa idéia para ajudar países latino-americanos - entre eles o Brasil - em meio à crise financeira internacional.

De acordo com o texto, intitulado "Preparing for a Tougher Times" (Preparando-se para Tempos Mais Difíceis, em tradução livre), apesar de acreditarem no início da crise que poderiam escapar do pior, a realidade mostrou ser diferente, e os governos da região agora já enfrentam a perspectiva de uma contração econômica.
Mas a Economist diz que a capacidade dos governos de países latino-americanos de injetar recursos na economia a fim de preservar as conquistas dos últimos anos, como a redução da pobreza, é limitada e varia de caso a caso.

Segundo o artigo, o Brasil não é um dos países que está numa das situações mais confortáveis na região.

"Os governos vão enfrentar a restrição representada pela queda da renda dos impostos", diz o texto. "O Brasil está comprometido com um superávit fiscal primário de 3,8% do PIB, com o objetivo de continuar a reduzir o peso de sua dívida. Se diminuir essa meta, isso poderia comprometer a habilidade de o Banco Central reduzir a taxa de juros."

"Nos últimos anos, o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o FMI tiveram pouco trabalho na América Latina porque os governos podiam levantar dinheiro nos mercado de capital. Isso mudou."

"Seria trágico se eventos externos levassem a América Latina a jogar fora a estabilidade econômica que trabalhou tão duro para conseguir", conclui a Economist.

***

Revista: corte de juros pode não servir para emergentes
http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200812120951_BBB_77692300&idtel=

Em sua edição mais recente, a revista britânica The Economist afirma que medidas anticíclicas, como cortes de juros e aumento de gastos do governo, podem não ser as melhores políticas a serem adotadas por economias emergentes para frear os efeitos da crise.
No artigo intitulado "Can emerging economies now afford counter-cyclical policies?" (Podem as economias emergentes adotar políticas anticíclicas, em tradução livre), a publicação afirma que as medidas anticíclicas - ações normalmente adotadas por governos para minimizar efeitos de "ciclos econômicos", nesse caso com a crise global financeira - podem ser enganosas para os emergentes.
"Diferente dos Estados Unidos, onde a taxa de juros pode cair e o déficit orçamentário aumentar sem maiores calamidades, os mercados emergentes sempre tiveram que se preocupar com a perda de confiança dos investidores e o colapso de suas moedas".
Ainda comparando as economias emergentes com os EUA, a revista afirma que quando o Federal Reserve (o banco central americano) planeja as taxas de juros, se preocupa com a inflação e o crescimento, e não com a estabilidade do dólar.
"Já os políticos de economias emergentes não podem se dar a esse luxo. Nesses países, que são suscetíveis a inflação alta, a estabilidade monetária ajuda a manter os preços e os débitos com o exterior".
Por essa razão, afirma a revista, as economias emergentes devem normalmente aumentar as taxas de juros sob uma ameaça de uma desaceleração, em um esforço para defender suas moedas.
"Essa política monetária pró-cíclica ameaça a economia, infligindo perdas a bancos e para seus clientes, mas pode ser o menor dos males. Países ricos podem suportar uma ameaça a suas moedas com uma negligência benigna, já as economias emergentes não".
A revista ainda afirma que economias emergentes "prudentes" conseguiram aproveitar o tempo em que suas moedas tinham maior aceitação para ter vantagens agora. A publicação cita o Brasil como exemplo, que diminuiu sua dívida em moeda estrangeira e que, com a desvalorização do real, viu a carga de seus débitos diminuir.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Que os ricos paguem pela Crise!

Diante da queda das bolsas e da falência de empresas, todos os analistas concordam que esta é a maior crise desde o crack da bolsa, em 1929. Iremos a uma depressão, como a que se viu nos anos seguintes?
A única resposta certa é de quem a culpa: dos ricos. Que nos últimos anos se enriqueceram as nossas custas e agora querem que paguemos pelos custos da "festa".
Querem dinheiro público, querem redução de salários e direitos sociais, fecham fábricas e demitem.
Nossa resposta deve ser: - Que os ricos paguem pela crise!
No Brasil se mantendo a atual política, a crise vai pegar em cheio os trabalhadores. Precisamos, desde já, impor um programa para impedir que, mais uma vez, a grande maioria da população arque com os efeitos de uma crise econômica.
É necessário estatizar o sistema financeiro e colocá-lo a serviço da população. Ou seja, impedir a fuga de capitais especulativos e as remessas de lucros ao exterior, que representam um verdadeiro roubo das riquezas produzidas pelos trabalhadores no país. É preciso uma reforma agrária radical que entregue as terras aos camponeses e exproprie as grandes empresas do agronegócio.
Da mesma forma, é preciso parar já de pagar a dívida pública, investindo em saúde, educação etc. O não-pagamento dessa dívida pode financiar um plano de obras públicas que enfrente o déficit habitacional, com a construção de casas populares, e acabe com o desemprego.
Para combater a inflação, é necessário aumentar os salários, congelar os preços e impor um gatilho salarial, ou seja, o aumento automático dos salários de acordo com a inflação.

comunidade do orkut "Que os ricos paguem pela crise: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=77142213

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A crise é originária da esfera financeira? (2)

Almir Cezar

Tenho um amigo kaleckiano* que diz que a origem de todas as crises no capitalismo surgem na esfera financeira e depois contaminam a esfera produtiva. Não concordo com ele: acho que a esfera financeira é apenas onde as crise primeiro sinaliza sua aparição.

Acredito que as crise surjam na produção, na queda da taxa de lucro, ou no que Kalecki diria "na queda da margem de lucro". Queda esta proporcionado, consequência, da superprodução relativa, proporcionada pelo sub-investimento dos capitalistas (investimento menor do que o necessário para manter a demanda efetiva no patamar que garanta as taxas de lucros no nível previsto pelo capitalista).

Nos últimos anos a economia estadunidense teve seu crescimento sustendo pela demanda efetiva aquecida pelo recorrente e alto déficit público (que no longo prazo não se sustentam) e no consumo privado em alta pelo crédito fácil. Não havia aumento da produtividade do trabalho (que é menor que por exemplo do que a da Europa), crescimento do salário real, das margens de lucro e do crescimento dos gastos com infra-estrutura e departamento I (setor produtor de bens de capital).

Os ciclos econômicos e financeiros são naturais no capitalismo. Contudo são evitáveis, se o capitalismo for superado enquanto sistema, ou se houver interferência estatal. Entretanto a burguesia não suporta por muito tempo a interferência permanente do Estado sobre a economia.

Se a causa da crise é na compressão da margem de lucro, logo a origem da crise está na esfera produtiva. Que se alastra em seguida rapidamente para a esfera financeira, de onde soa o "gongo" da crise aos capitalistas. O que a partir daí reatroalimenta por sua vez a crise na produção, com o escasseamento do crédito e financiamento, aumento da incerteza e medidas imprudentes ou nefasta dos capitalistas na tentativa de se antecipar a possíveis prejuízos.

(*) kaleckiano - seguidor de Michael Kalecki, economista marxista polonês que junto com Keynes foi o fundador da moderna Macroeconomia ao proceder a análise dos ciclos econômicos a partir dos agregados econômicos

A crise é originaria da esfera financeira? (1)

por Almir Cezar Filho

Tenho um amigo kaleckiano que diz que a origem de todas as crises no capitalismo surgem na esfera financeira e depois, e só depois contaminam a esfera produtiva.Não concordo com ele.

Acho que a esfera financeira é apenas onde a crise primeiro sinaliza sua aparição.

Acretido que as crises surjam na esfera da produção, na queda da taxa de lucro, ou no que Kalecki diria "na queda da margem de lucro", como consequência da superprodução relativa, proporcionada pelo sub-investimento dos capitalistas.

Nos últimos anos a economia estadunidense teve seu crescimento sustendo pela demanda efetiva aquecida pelos recorrentes e altos déficits públicos (que no longo prazo não se sustentam) e no consumo privado em alta pelo crédito fácil. Não havia aumento da produtividade do trabalho (que é menor que da Europa), crescimento salario real e das margens de lucro e do crescimento dos gastos com infra-estrutura e departamento I.

E aí o que vocês acham?

Qual remédio a crise dos EUA?

A solução seria abaixar o já negativa taxa de juros reais?

Reduzir os impostos? E/ou produzir déficit público no já gigante déficit público da Era Bush Jr.?

Exportar mais? Como se esse país possui o maior deficit comercial do mundo? E se restringir as importações levaria o resto do mundo pra uma grave recessão?

Afinal, qual a alternativa, o remédio pra crise nos EUA?

Em suma, os EUA estão em uma "sinuca de bico", não há pra onde correr.