sábado, 3 de janeiro de 2026

Ascensão dos BRICS e o capitalismo contemporâneo: uma perspectiva marxista

Imperialismo, Desenvolvimento desigual, Capitalismo trilateral, Rivalidade geopolítica


por Almir Cezar de Carvalho Baptista Filho


Resumo

Este artigo examina o fenômeno dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) à luz da teoria marxista do imperialismo. O objetivo é investigar a ascensão dos BRICS como atores geoeconômicos e políticos no cenário mundial e analisar seu papel no sistema capitalista atual. Por meio de uma perspectiva marxista, especificamente, trotskista, serão exploradas questões como o desenvolvimento desigual e combinado, a dependência econômica, a rivalidade entre as potências imperialistas e o impacto dos BRICS nas relações internacionais. Além disso, serão examinadas as diferenças entre os BRICS e outras formações econômicas de crescimento acelerado, como os “países emergentes” (ou de industrialização recente-NBD) e os assim chamados "tigres asiáticos". Por fim, o artigo buscará discutir se os BRICS têm o potencial de se tornarem potências imperialistas e quais seriam as implicações para e no sistema global.

Palavras-chaves

BRICS, Imperialismo, Desenvolvimento desigual, Capitalismo trilateral, Rivalidade geopolítica.


I. Introdução

1. Apresentação dos BRICS e sua ascensão no cenário global.

Os BRICS, sigla que representa os países Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, são considerados um grupo de economias emergentes que ganharam destaque nas últimas décadas. O termo, na verdade um acrônimo, originalmente BRICs, sem a letra “S” de South Africa, foi cunhado em 2001 pelo economista Jim O'Neill (2012), do banco Goldman Sachs, para se referir a esses países que apresentavam perspectivas de crescimento econômico promissoras.

Essas nações possuem características comuns que as distinguem de outras economias em desenvolvimento. São países de grande extensão territorial, população significativa, abundância de recursos naturais e um papel relevante em suas respectivas regiões. Além disso, possuem economias diversificadas e com alto potencial de crescimento.

A ascensão dos BRICS como atores econômicos e políticos no cenário mundial tem sido notável. Eles têm experimentado taxas de crescimento econômico acelerado, impulsionados por investimentos em infraestrutura, industrialização, avanços tecnológicos e aumento do comércio internacional. Essa expansão econômica tem resultado em um aumento significativo do poder político e influência desses países no sistema internacional.

Os BRICS têm buscado maior cooperação e coordenação em questões econômicas e políticas, criando mecanismos de diálogo e cooperação, como a Cúpula BRICS e o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD). Essas iniciativas visam fortalecer a presença dos BRICS no cenário global, ampliar seu papel nas instituições financeiras internacionais e promover o desenvolvimento econômico conjunto.

No entanto, é importante ressaltar que a ascensão dos BRICS também tem sido acompanhada de desafios e contradições. Enquanto esses países buscam um maior protagonismo global, enfrentam questões relacionadas ao desenvolvimento desigual, desequilíbrios internos, desafios sociais e ambientais, além de rivalidades geopolíticas entre si e com outras potências.

No contexto da teoria marxista do imperialismo, o fenômeno dos BRICS oferece uma oportunidade interessante para analisar as contradições e dinâmicas do sistema capitalista atual. Através de uma perspectiva leninista e trotskista, podemos explorar as relações de poder, a dependência econômica, as assimetrias de desenvolvimento e o potencial de transformação dos BRICS em potências imperialistas.

2. A perspectiva marxista e sua relevância para a análise dos BRICS.


A perspectiva marxista é fundamental para a análise dos BRICS à luz do imperialismo. O marxismo, desenvolvido por Karl Marx e Friedrich Engels, oferece um quadro teórico e analítico para compreender as relações sociais, econômicas e políticas dentro do sistema capitalista.

No contexto da teoria marxista do imperialismo, os BRICS podem ser examinados como parte do sistema global capitalista, onde as contradições e dinâmicas de poder são fundamentais para entender a distribuição desigual de recursos, riqueza e influência entre os países.

A teoria marxista do imperialismo, em particular as contribuições de Lenin e Trotsky, oferece insights valiosos para analisar o fenômeno dos BRICS. Lenin argumentou que o imperialismo é uma fase específica do capitalismo, caracterizada pela concentração de capital, pela exportação de capital para outros países, pelo domínio econômico e político das potências capitalistas avançadas sobre regiões dependentes, e pela busca de esferas de influência.

No caso dos BRICS, a análise leninista pode ajudar a examinar a relação entre esses países emergentes e as potências capitalistas dominantes. Seria importante investigar se os BRICS estão se tornando dependentes das potências imperialistas existentes ou se estão desafiando o status quo imperialista, estabelecendo suas próprias esferas de influência e buscando uma posição de poder no sistema global.

Além disso, a perspectiva trotskista pode ser relevante ao examinar o desenvolvimento desigual e combinado dos BRICS. A teoria do desenvolvimento desigual e combinado argumenta que o capitalismo, em sua expansão global, incorpora diferentes estágios de desenvolvimento econômico e social em diferentes países, resultando em assimetrias e contradições dentro do sistema.

Ao aplicar essa perspectiva aos BRICS, é possível analisar como esses países combinam elementos de desenvolvimento capitalista avançado com características de economias emergentes e em desenvolvimento. Isso pode levar a uma compreensão mais aprofundada das contradições internas, desigualdades sociais e impactos regionais dos BRICS.

Em resumo, a perspectiva marxista, com suas análises sobre imperialismo, desenvolvimento desigual e combinado, e relações de poder dentro do sistema capitalista, é altamente relevante para a análise dos BRICS. Ela nos permite examinar criticamente a ascensão desses países e seu papel no sistema global, bem como investigar suas contradições internas, dependências econômicas e potencial para se tornarem potências imperialistas.