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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Dica cultural: o MHAERJ-Museu do Ingá, um espaço de cultura, preservação e pesquisa

Visite-o, inclusive para forçar sua recuperação

por Emir Cláudio Zar

Vista da entrada do MHAERJ-Museu do Ingá. (Wikipedia)
Em Niterói há um dos mais importantes centros de história e arte do Rio de Janeiro, um ótimo passeio e pesquisa, a espera de público e de valorização pelos governos.

Os fluminenses, apesar de seu Estado abrigar as mais importantes instituições para preservação histórica e artística do Brasil, como o Museu Nacional, o Histórico Nacional, o Nacional de Belas Artes, etc, todos na cidade do Rio, porém não conhecem, do outro lado da Baía de Guanabara, talvez tão importante quanto estes em acervo e pesquisa, mas muito menos badalado, uma grande instituição, e com importante acervo, especializada a sua própria história e arte: o  Museu de História e Arte do Rio de Janeiro (MHAERJ), ou "Museu do Ingá", como é popularmente chamado. 

Localizado em Niterói, no bairro do Ingá, apesar de ser bem próximo ao Museu de Arte Contemporânea-MAC, internacionalmente conhecida joia do arquiteto Oscar Niemeyer, passa despercebido por turistas e público em geral. Esse desconhecimento é em grande parte pelo descaso das autoridades sobre o museu, subutilizando-o à cultura, lazer e turismo, e ainda coloca em risco a memória histórica, a pesquisa científica e a preservação do patrimônio do povo do Rio de Janeiro.  Mas, muito mais que os governos, o que o  realçará ao seu devido valor, é a presença dos visitantes e a atuação da comunidade local e acadêmica.

domingo, 3 de março de 2013

Brasília, uma cidade cheia de problemas. Mas que não vieram de Lúcio Costa

(atenção: TEXTO EM CONSTANTE RECONSTRUÇÃO)
por Almir Cezar Filho*

Vista área do Plano Piloto de Brasília. Vê-se claramente o "desenho" de um "avião".

Brasília, além de ser a capital federal, é a 4ª cidade mais populosa do Brasil e o 2º maior PIB per capita, embora tenha apenas um pouco mais de 50 anos. Apesar de moderna e planejada em seu nascimento, foi declarada Patrimônio da Humanidade, inclusive, justamente por isso. Contudo, há a Brasília “projetada” e a Brasília “real”. Em muitos aspectos, o projeto não chegou a se materializar: modificou-se o desenho original ou há grandes vazios a preencher.

A visão crítica da cidade exige a sua consideração, porque eles foram pensados no contexto global da cidade, e porque implicaram, em alguns casos, uma cidade melhor do que ela é hoje, mas em geral, numa cidade pior. Na realidade, a Brasília projetada não corresponde ipsis litteris à cidade que se materializou na forma construída. A quase totalidade dos seus problemas urbanos atuais não tem relação com o tombamento ou com o anteprojeto de Lúcio Costa. Mas sim da má gestão governamental, da não obediência às diretrizes do projeto ou até da implantação divergente ao mesmo.


Desde sempre há campanha dos que se veem prejudicados tanto pelo planejamento, como pelo tombamento, em seus lucros em relação à exploração irresponsável da cidade - isso porém, não os impediu de fazê-lo de outras formas, muito mais do que além do perímetro tombado, burlando-o ou mesmo se utilizando à sua conveniência. Porém, para piorar, agora surgem novos perigos além dos que já são vivenciados pela população, que comprometem não apenas o tombamento, mas a própria viabilidade de Brasília enquanto cidade.

O artigo procura destacar em uma perspectiva econômico-urbana - lembrando que, o território é moldado pela ação dos sujeitos socioeconômicos, e que desenvolvem relações econômico-sociais no tempo e no espaço, para além do urbanístico-arquitetônico - dez problemas urbanos principais de Brasília, entre o construído (ou não) e a intenção do urbanista. E ainda, dez novos "perigos" em curso, a partir de novas propostas apresentadas pelos governantes do momento. Tenta-se aqui também apontar possíveis soluções, todas compatíveis com as diretrizes do tombamento, e principalmente com a intenção de Lúcio Costa.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

'Caminho Niemeyer' de Niterói: uma revitalização; não a serviço dos trabalhadores

por Almir Cezar 

Panorâmica do trecho do Caminho Niemeyer do Centro de Niterói - grandes prédios brancos: Teatro Popular de Niterói,
Memorial Roberto Silveira e Fundação Oscar Niemeyer - fundo Cidade do Rio e esquerda campus do Gragoatá da UFF.

O complexo arquitetônico do "Caminho Niemeyer" de Niterói fez 15 anos e, com uma década de atraso, ganha mais uma promessa de conclusão com um novo prefeito. Criado sob a promessa de revitalizar a orla e o Centro de Niterói, o Caminho Niemeyer tem apenas alguns monumentos prontos: Praça JK, Maquinho (Módulo de Ação Comunitária), o Teatro Popular, a Fundação Oscar Niemeyer (FON) e o Memorial Roberto Silveira, os três últimos fechados ao público. O Museu Petrobrás de Cinema ainda está em obras e não há informações de quando ele será finalizado, embora tenha sido inaugurado oficialmente em 2011.

A genialidade de Oscar Niemeyer é inegável, mas, por uma série de questões, o complexo apresenta problemas. Além do fato, do seu projeto ter sido muito modificado com o passar dos anos, não é apenas preciso concluir o projeto, que está parado, como criar um novo modelo de gestão para dar vida aos prédios projetados por Oscar Niemeyer para Niterói, e principalmente, sua articulação com o entorno.

Até o ano passado, o gasto previsto com a construção do projeto superava em 85% (R$ 55 milhões) o investimento inicialmente previsto, de R$ 65 milhões. A época da divulgação do projeto em 1997 foi alegado que seria essencial para a revitalização do Centro, contudo apesar de ser apenas mais um elemento de revitalização dessa região, a requalificação desse bairro não é tão simples. 

Porém, além de se resolver os problemas de gestão, o Caminho Niemeyer finalizado ou não, demanda outras medidas para a verdadeira revitalização do Centro, que beneficie a população moradora e/ou circulante desse bairro, e não que vise lucros milionários para o setor imobiliário ou de construção civil.  Assim, o 'Caminho Niemeyer' de Niterói transformou-se em um modelo de como um processo de "revitalização" está a serviço de tudo, menos atender a população moradora e usuária da área a ser revitalizada.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Novos ângulos nas curvas de Oscar Niemeyer

Caminho Niemeyer no orla, Centro, Niterói. Rio ao fundo
Um pequeno ensaio fotográfico buscando novos ângulos nas obras de Oscar Niemeyer, pouco usuais nos cartões-postais.

Fotos de Niterói e Brasília.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer, especial (II): "Não há curvas unânimes" (Uma resposta as críticas)

Niemeyer um poeta das curvas. Não há curvas unânimes.
por Almir Cezar

Queria agradecer aos companheiros pelos elogios e críticas enviadas a mim sobre o texto "Oscar Niemeyer, especial", mas gostaria de entrar na polêmica enviada por alguns amigos e leitores. Primeiramente, não compartilho de visões tão negativa de Niemeyer que chegaram a mim, embora respeito a caracterização dada. E, embora haja fatores fortes na realidade para ela, porém, não há elementos nenhum para descartar Niemeyer enquanto um gênio e alguém em que a vanguarda socialista e a classe devam celebrar.

No texto nunca tentei fazer uma elegia de Niemeyer, muito menos repetir a cantilena que a imprensa burguesa fez agora em sua morte. Quis mostrar os motivos, apesar de suas contradições, para que, como já disse, a vanguarda socialista e a classe, pudessem celebrá-lo, que não residia em uma "genialidade" individual, mas, sucessivamente, na capacidade dele de agregar pessoais especiais, em trabalhar coletivamente, em tratar o belo para as massas e em captar as aspirações estéticas e capacidade construtiva surgida no Brasil no século XX. E, é claro, nunca abandonar o ideal da justiça social, apesar do avançar da sua própria idade. Coisas que os textos que rapidamente li na mídia burguesa simplesmente negligenciavam, preferindo endeusá-lo de maneira oportunisticamente asséptica quanto a isso.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer, especial: A ousadia de usar a obra para construir a utopia

 
Niemeyer, gênio de Brasília e do MAC saí de cena
por ALMIR CEZAR, de Brasília (DF)

A notícia do dia (06/12) é o falecimento de Oscar Niemeyer. Sem dúvida nenhuma, um dos maiores gênios da arquitetura de todos os tempos. Um ser humano admirável, embora não desprovido de contradições, polêmicas e controvérsias, que não o faz menos genial. Apesar, da postura cretina de um colunista da Revista Veja, vinda justamente, porque Niemeyer incomodava. Mas, o mais importante, é saber que ele foi fundamental, e que não trabalhou sozinho, e pelo contrário, foi fundamental para nosso mundo porque reconheceu e atraiu pessoas especiais, e o fez justamente porque era especial. Era um sonhador que se pôs a por em prática seus sonhos. Coisas que, pelo contrário, fazem justamente que devamos celebrá-lo.

Incomodava. Era um idoso centenário que não abandonara as "utopias" do século XX, a defesa da luta por justiça social, o comunismo, a modernidade - um ultraje para os conservadores e reacionários. Em um mundo que não tolera a rebeldia, quanto muito a restringe apenas a juventude, soube expor que a vida era para ser celebrada, mesmo no fim e na velhice avançada, e que também se deveria viver para combater o que não era bom haver na vida. Incomodou também por ter militado partidariamente, coisa que nunca escondeu, em um mundo que exige, por um lado, que os artistas sejam "neutros", porém, por outro, que sucumbam aos apelos e ditames do mercado.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Dilma e Agnelo são cúmplices da limpeza étnica no Cerrado


Dilma e Agnelo são cúmplices da limpeza étnica no Cerrado
Para entender a luta pelo Santuário dos Pajés, assistam:
Sagrada Terra Especulada - http://www.sagradaterraespeculada.blogspot.com/ (filme premiado no Festival de Cinema de Brasília)
Depois de sugar suas veias, eliminam-se os índios
Já se passaram quase quinhentos e vinte anos após o desembarque do explorador Colombo no continente americano e até hoje não fomos capazes de pensar, enquanto um só povo, uma solução para a coexistência pacífica, respeitosa e cordial com aqueles que habitavam esta terra muito antes da conquista. Já sabemos que o holocausto cometido contra os povos originários deste continente e o saque às suas riquezas naturais foram as grandes alavancas do desenvolvimento dos países do norte, tendo sua revolução industrial financiada pela prata de Potosí, o ouro de Vila Rica e Veracruz. Além disso, o petróleo de Maracaibo, o gás natural e a coca andina, o cobre chileno, o pau-brasil, o charque, a cana, o café, a borracha e inúmeros outros frutos de nosso continente, seguem sendo alvo do grande capital, em sua busca para manter a insustentável máquina de devastação e exploração capitalista que, ou devora a si própria, ou destrói todo o mundo com ela.
Neste sentido, a luta pela preservação da Terra Indígena Santuário dos Pajés assume um caráter ainda mais importante, pois, no coração de Brasília, no centro de nosso continente, um santuário indígena de 50 anos inserido no bioma mais agredido do planeta luta para sobreviver contra os tratores da especulação imobiliária e da corrupção institucional, que não possuem nenhum compromisso com a sustentabilidade de nosso planeta ou com a própria população que desavergonhadamente exploram e escravizam, criminalizando todos aqueles que não compactuam com seu projeto parasita de consumo desenfreado e destruição planetária.
Em plena capital federal, com o apoio de sucessivos governos notoriamente corruptos, as construtoras se aproximaram cada vez mais da Terra Indígena, destruindo o cerrado nativo, impermeabilizando o solo em zonas de recarga hídrica, destruindo nascentes, derrubando árvores ameaçadas, matando animais e ameaçando todos que se colocaram em seu caminho. A cada quilômetro que avançam, os especuladores iniciam prédios superfaturados, com o metro quadrado mais caro do país e nomeando o projeto de “primeiro bairro ecológico do Brasil”.

domingo, 10 de abril de 2011

Brasília: as escalas de Lúcio Costa

Brasília, cuja criação arquitetônica dos monumentos centrais foi designada a Oscar Niemeyer,  é um cidade pensada, sendo seu pai o arquiteto e urbanista Lúcio Costa, pioneiro da arquitetura modernista no Brasil, já conhecido mundialmente, mas imortalizado justamente pelo projeto do Plano Piloto de Brasília, vencedor do concurso, em 1957, para o projeto urbanístico da Nova Capital. Teve sua forma inspirada pelo sinal da Cruz, mas cujo formato da área é popularmente comparado ao de um avião, entretanto o autor sempre defendeu a tese de que a capital federal deveria ser comparada a uma borboleta.


O projeto consistiu em um cidade traçada em dois eixos viários, 4 sentidos e em 4 escalas urbanas. Os eixos viários são basicamente o Eixo Rodoviário (ou "Eixão") no sentido norte-sul, e Eixo Monumental no sentido leste-oeste. O Eixo Rodoviário é formado pelas asas Sul e Norte e pela parte central, onde as asas se encontram sob a Rodoviária do Plano Piloto. As asas são áreas compostas basicamente pelas superquadras residenciais, quadras comerciais e entrequadras de lazer e diversão (onde há também escolas e igrejas). O Eixo Monumental é composto pela Esplanada dos Ministérios e pela Praça dos Três Poderes, a leste; a rodoviária, os setores de autarquias, setores comerciais, setores de diversão e setores hoteleiros em posição cêntrica; a torre de televisão, o Setor Esportivo (hoje denominado Complexo Poliesportivo Ayrton Senna, onde estão o Ginásio Nilson Nelson, o Estádio Mané Garrincha e o Autódromo Nelson Piquet) e a Praça do Buriti, a oeste. O projeto urbanístico de Brasília é constituído de 4 escalas (Monumental, Bucólica, Gregária e Residencial) do Plano Piloto descritas explicitamente pelo arquiteto.

domingo, 11 de abril de 2010

Mídia reconhece que Niterói ficou exposta a tragédia devido a sua Prefeitura

De política de obras faraônicas e criação de secretarias cabide de empregos

por Almir Cezar

Niterói, ex-capital do antigo estado do RJ e conhecida nacionalmente como "terceira melhor cidade em  qualidade de vida", ficou exposta a tragédia pela própria irresponsabilidade dos governantes municipais. O caso do deslizamento no Morro do Bumba e caos após a tempestades da semana passada não é um episódio isolado de negligência mas a ponta de iceberg da verdadeira tragédia de Niterói: há na Prefeitura uma verdadeira perversão nas prioridades orçamentárias.O que era sentido pela população do município já a algum tempo - principalmente pela parcela trabalhadora e mais pobre, e denunciado pelos movimentos sociais -, somente agora após a tragédia das chuvas ficou visível para a grande mídia. Faltam recursos para saúde, defesa civil e urbanização de bairros populares, mas sobram gastos com secretarias inúteis e obras de embelezamento e turismo.

A cidade ficou vulnerável a tragédia à medida que as sucessivas gestões do mesmo grupo político à frente da Prefeitura a transformaram em um "paquidérmico" cabide de emprego (para empregar caciques políticos locais e seus apadrinhados em mais de meia centena de secretarias ineficiente e sem necessidade objetiva, enquanto os servidores efetivos amargam baixos salários a anos). A Prefeitura de Niterói ainda espalharam pelos bairros ricos várias "faraônicas" obras de equipamentos culturais voltados ao turismo (o chamado "Caminho Niemeyer").