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sábado, 24 de janeiro de 2026

Desenvolvimento Territorial e Valor: uma leitura marxista das desigualdades regionais e do caso fluminense

Como a transferência espacial de valor e a lógica combinada do território moldam o subdesenvolvimento regional e os limites da agricultura no Rio de Janeiro

por Almir Cezar Filho

Resumo

O artigo propõe uma leitura marxista do desenvolvimento territorial a partir da teoria do valor e da dependência.  Defende que as desigualdades regionais no Brasil — e particularmente no estado do Rio de Janeiro — são expressões espaciais da acumulação capitalista desigual, na qual o excedente flui das regiões produtivas para os centros de comando financeiro e político.  A análise combina os aportes de Marx, Preobrazhensky, Kalecki e Celso Furtado, articulando-os em torno da noção de acumulação coerente territorial, segundo a qual o desenvolvimento exige compatibilidade entre ritmos setoriais, escalas espaciais e estruturas sociais. Com base em dados recentes sobre desindustrialização e desagriculturalização fluminense, o texto demonstra como o território foi esvaziado de valor, ao mesmo tempo em que manteve nichos extrativos e uma agricultura familiar fragmentada.  Defende-se que a reindustrialização verde e cooperativa, ancorada na agricultura familiar, no cooperativismo e na agroecologia, constitui caminho possível e necessário para reconstruir a base produtiva e a soberania regional.  Propõe-se, por fim, um modelo preobrazhenskiano de planejamento territorial, em que o excedente do petróleo e das rendas urbanas financia a industrialização difusa, a agroindustrialização artesanal e o turismo de base comunitária — formando uma nova geografia da acumulação social.


Palavras-chave: Desenvolvimento territorial; desigualdade regional; lei do valor; acumulação coerente; reindustrialização; agricultura familiar; cooperativismo; agroecologia; Preobrazhensky; Kalecki; Celso Furtado; Rio de Janeiro; soberania produtiva.

I. Introdução – O espaço como forma e contradição do desenvolvimento

O desenvolvimento territorial é, antes de tudo, uma questão de valor e poder.  Não se trata apenas de distribuir investimentos ou equilibrar indicadores regionais, mas de compreender como o capitalismo produz, concentra e desloca valor no espaço.  O território, longe de ser cenário neutro, é parte ativa da acumulação: ele organiza os fluxos de capital, define as hierarquias produtivas e expressa, em sua geografia, a estrutura de classes e de dependência.  Assim como o tempo estrutura o ciclo econômico, o espaço estrutura a desigualdade — é o seu corpo visível, o mapa das contradições da acumulação.

A economia regional brasileira é marcada por uma geografia de desigualdades historicamente produzidas.  A centralização industrial e financeira no Sudeste, o esvaziamento das periferias e a primarização das economias interioranas não são efeitos naturais, mas resultado de políticas e estruturas de valorização seletiva do capital.

O território é, portanto, o palco onde a lei do valor se espacializa, redistribuindo o excedente de modo desigual: o que é produzido em um ponto é apropriado em outro.  Como observou Preobrazhensky, a acumulação não é apenas setorial, mas também espacial — uma transferência territorial de excedente, que enriquece alguns espaços enquanto empobrece outros.

Na formação econômica do Brasil, essa lógica assumiu a forma de um centro dinâmico e periferias dependentes, estruturadas pela extração de matérias-primas e pela subordinação tecnológica.
A industrialização, em vez de romper essa hierarquia, a reconfigurou internamente: o Sudeste tornou-se o centro industrial e financeiro, e o restante do território, sua zona de abastecimento. Mesmo dentro dos estados, como no caso fluminense, essa divisão interna do trabalho reproduz a assimetria nacional — metrópoles concentradoras de serviços e capital convivendo com interiores agrários fragilizados, dependentes e desarticulados.

As tentativas de políticas regionais e de desconcentração produtiva, embora bem-intencionadas, não alteraram as relações de valor entre os territórios. Investimentos públicos e incentivos fiscais dispersaram a renda, mas não construíram capacidade produtiva endógena.  Em muitos casos, os programas de desenvolvimento regional criaram enclaves industriais e corredores logísticos voltados à exportação, sem internalizar as cadeias de valor.

Assim, o território se tornou apenas o canal de passagem do excedente, e não seu locus de acumulação.  O resultado é uma economia espacialmente desequilibrada: ilhas de modernização cercadas por mares de estagnação.

O caso do estado do Rio de Janeiro ilustra esse paradoxo com nitidez.  Antigo polo industrial e energético, o estado viu sua base produtiva se esvaziar ao longo das últimas décadas, convertendo-se em economia de serviços e royalties. O interior, especialmente as regiões Norte e Noroeste fluminense, vive a contradição de possuir riqueza agrícola e energética sem reter valor — exporta produção e importa desenvolvimento.  Nessa perspectiva, o problema territorial não é apenas distributivo, mas estrutural: o Rio de Janeiro tornou-se um território de passagem do valor, não de sua reprodução.

Partindo dessa leitura marxista do espaço, este artigo busca repensar o desenvolvimento territorial como processo de acumulação coerente em escala regional, no qual a produção, o investimento e a reprodução social se enraízam no território e se retroalimentam.

Defende-se que o combate às desigualdades regionais não pode se limitar a políticas compensatórias, mas deve se orientar por um planejamento territorial integrado, baseado na valorização produtiva local, na agroecologia e na rearticulação entre campo e cidade.  Trata-se, em última instância, de repor a categoria de valor territorial no centro da análise econômica — compreender o território como forma da luta de classes e da redistribuição do excedente, e o desenvolvimento como construção coletiva de autonomia espacial e social.

terça-feira, 22 de abril de 2025

Estratégia de comercialização para pescadores artesanais - 2ª parte

Estratégia de comercialização para pescadores artesanais, agricultores familiares e empreendedores da economia solidária

"Estratégia de comercialização" - 2ª parte de uma vídeo-aula ministrada para um projeto de Capacitação e Qualificação Profissional de Comunidades Pesqueiras em Turismo de Base Comunitária e Cidadania na Baía de Guanabara.

Nesta parte apresentamos a comercialização em si do pescadores, as várias modalidades, em destaque aquelas que se relacionam com o turismo local, mas não só, superando os atravessadores.


Clique aqui: https://youtu.be/aUYkWaN8M8U?si=_OYSpvYyxwXncf2W


Estratégia de comercialização para pescadores artesanais, agricultores familiares e empreendedores da economia solidária

"Estratégia de comercialização" - 1ª parte de uma vídeo-aula ministrada para um projeto de Capacitação e Qualificação Profissional de Comunidades Pesqueiras em Turismo de Base Comunitária e Cidadania na Baía de Guanabara.

Nesta parte conheça o tamanho da oportunidade econômica da pesca artesanal, da aquicultura familiar e do turismo de base comunitária de povo tradicionais ligadas à pesca.

 

Assista em: https://youtu.be/-TKMZSiMFZo?si=iPa1exvD2xkoyaoV

quarta-feira, 26 de março de 2025

Um Palácio Nunca Construído e um Vazio Urbano Ainda Presente: Niterói e o Palácio da Secretaria-Geral do Governo do Estado nunca construído

Por Almir Cezar Filho

Palácio da Secretaria Geral do Estado do Rio de Janeiro (Arte digital a partir do fac-símile restaurado da planta-frontal do projeto)

I. O vazio monumental no coração da cidade

Vista panorâmica do conjunto da Praça da República de Niterói. Circulado o
terreno vazio a mais de 100 anos.
No coração histórico de Niterói, um terreno vazio atravessa gerações como cicatriz aberta. Murado, transformado em estacionamento privado, ele marca a ausência de um edifício que deveria ter completado o centro cívico mais ambicioso da antiga capital do Estado do Rio de Janeiro: o Palácio da Secretaria-Geral do Governo do Estado. 

Projetado em 1911 por Heitor de Mello, em estilo eclético com traços neoclássicos, o edifício seria o símbolo do Poder Executivo fluminense, lado a lado ao já erguido Palácio da Justiça, à Assembleia Legislativa e à antiga Chefatura de Polícia.

O não cumprimento dessa etapa não é só uma falha arquitetônica ou administrativa: é um trauma urbanístico. O que era para ser um conjunto harmônico de prédios públicos de inspiração europeia — nos moldes dos centros cívicos de Washington, Viena ou Paris — tornou-se um monumento à incompletude, à descontinuidade política e à falta de visão urbanística que assola o planejamento das cidades brasileiras. Niterói, infelizmente, é um exemplo emblemático desse ciclo de promessas quebradas.

II. Projetos pela metade, urbanismo pela exceção

Projeto original de Heitor de Mello - Planta do arquivo do CREA-RJ

A não construção do Palácio da Secretaria-Geral insere-se numa lógica persistente: a dos projetos urbanos pela metade. Iniciado com entusiasmo pela gestão republicana do início do século XX, o Centro Cívico da Praça da República previa uma praça monumental ladeada por edifícios públicos de função e simbolismo. Ainda na década de 1910, foram erguidos os prédios da Escola Normal, Assembleia Legislativa, Chefatura de Polícia e Palácio da Justiça. Mas a crise econômica pós-Primeira Guerra Mundial, as mudanças de governos e as disputas políticas adiaram indefinidamente a construção do palácio do Executivo e da praça ajardinada em seu centro.

O terreno permaneceu vazio por décadas, enquanto a cidade mudava ao seu redor. Tentativas de "revitalização" urbana — como o Aterro da Praia Grande, o Caminho Niemeyer e, mais recentemente, o programa “Niterói 450” — seguiram a mesma sina: obras inacabadas, mudanças de rumo e zonas centrais transformadas em áreas degradadas ou subutilizadas. Terrenos viram estacionamentos, quadras viram depósitos improvisados, espaços públicos tornam-se privados pela inércia do Estado. Esse padrão parece estrutural, repetindo-se em outras cidades, como no Porto Maravilha, no Rio de Janeiro.

III. O que poderia ter sido: palácio, museu, centro cultural

Representação artística do palácio se tivesse sido
construído

Caso tivesse sido erguido, o Palácio da Secretaria-Geral teria hoje múltiplas possibilidades de uso. Como sede administrativa, reforçaria a presença do Estado no Centro de Niterói, descentralizando a burocracia da capital fluminense. Como museu da República ou centro de interpretação da memória urbana, poderia reunir e valorizar a história político-arquitetônica da cidade. E como centro cultural, ampliaria o circuito Niemeyer de equipamentos simbólicos, ajudando a consolidar Niterói como polo de turismo histórico e artístico.

Isso tudo "e se" ele - tivesse sido construído e - ainda existisse. Contudo, não se pode limitar a isso. 

A ideia do "ex novo"

Na Europa atualmente, projetos arquitetônicos apagados pela história vêm sendo recuperados como forma de reconciliação simbólica e urbanística. Em Berlim, o antigo Palácio Real dos Hohenzollern, demolido no período comunista, foi reconstruído sob a forma do moderno Humboldt Forum. Em Varsóvia, diversos prédios históricos foram reerguidos no pós-guerra com base em registros iconográficos e documentação histórica. Essas experiências mostram que reerguer o que não foi construído pode ser um gesto de recuperação cívica, não um saudosismo anacrônico.

Vista área do conjunto da Praça da República de Niterói

 

IV. Urbanismo como política, memória como estratégia

Mais do que nostalgia arquitetônica, discutir o "palácio nunca construído" é tratar da memória urbana como projeto político. O vazio deixado pela sua ausência é também a ausência de uma ideia de cidade. Em lugar do centro cívico planejado, temos um amontoado de funções desarticuladas: tribunais cedidos, escola sob pressão, estacionamentos informais, ausência de um marco simbólico da administração estadual.

A reconstrução — ou mesmo a construção ex novo — do Palácio da Secretaria-Geral do Estado poderia ser um projeto piloto de ressignificação do Centro de Niterói. Respeitando o estilo eclético original, atualizado às demandas contemporâneas de sustentabilidade, acessibilidade e multifuncionalidade, o novo edifício poderia reintegrar o Centro ao imaginário da cidadania fluminense. E dar novo fôlego a uma cidade que sempre oscilou entre o vanguardismo cultural e o abandono de seus próprios projetos.

V. O passado como semente do futuro

A história do Palácio não construído revela o quanto o Brasil, e Niterói em particular, são marcados por rupturas de continuidade, descompromissos institucionais e políticas urbanas voltadas mais para o capital fundiário do que para a cidadania. Mas esse passado também é um convite à retomada de projetos com profundidade histórica e ambição cívica.

Construir (ou reconstruir) o Palácio da Secretaria-Geral do Estado pode parecer um gesto simbólico. E é. Mas símbolos importam. Especialmente quando ajudam a articular espaço, memória e função pública. O vazio urbano da Praça da República não precisa ser permanente. Ele pode, sim, ser preenchido com dignidade, história e sentido republicano.


Representação artística de como seria atualmente o conjunto se o Palácio tivesse sido construído.


BIBLIOGRAFIA

sábado, 9 de março de 2024

Os preparativos ao "8 de Março" e a corrida eleitoral municipal 2024 que já começou, entrevista com Dayse Oliveira

 🔍O cenário da corrida municipal deste ano (2024) e a preparação dos movimentos sociais para as atividades do Dia Internacional da Mulher em 8 de março. Dayse Oliveira é pré-candidata à prefeitura municipal de São Gonçalo (RJ).
🎙️ Uma conversa reveladora com a professora Dayse Oliveira. Dayse, mulher negra, mestre em estudos raciais, sindicalista e militante do Movimento Mulheres em Luta (MML), traz uma perspectiva única sobre o Dia da Igualdade Salarial (25/02) e as preparações para o "8 de Março - Dia Internacional das Mulheres".


https://youtu.be/jlc5Kb9rIeU
Junte-se a Almir Cezar Filho, economista e apresentador do "Economia É Fácil", em mais um vídeo do Economia É Fácil, o seu canal de economia e conjuntura com linguagem fácil e na perspectiva dos trabalhadores.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Ano Começa Quente: Desvendando os Calores Políticos no RJ, Brasil e Mundo!"

 🎙️ Bem-vindos à edição especial do 'Economia é Fácil' na Rádio Censura Livre! 🎙️
TEMA: "Economia é Fácil - Janeiro em Chamas: Análises Explosivas com Cyro Garcia! 🔍🌐"
Este mês, as temperaturas estão altas, e a conjuntura política não fica para trás. Junte-se a nós para uma análise profunda e crítica dos eventos mais impactantes do Brasil, do mundo e do nosso querido Estado do Rio de Janeiro.
**Neste programa:**
- 🇺🇸 Eleições nos EUA e a crise na fronteira sul.
- 🔥 Conflito Israel-Hamas: Genocídio e interesses globais.
- 🕵️ Escândalo da 'ABIN Paralela' e suas implicações eleitorais.
- 🌡️ Janeiro quente no Rio de Janeiro: Corrupção, segurança pública e mudanças climáticas.
**Convidado Especial:**
🌟 Professor Cyro Garcia - professor de Direito, Historiador, dirigente de Esquerda e histórico líder sindical.
Prepare-se para uma edição explosiva, repleta de insights, debates e análises críticas sobre a conjuntura atual. Não perca! 🔥🌎
🕘 05/02/2024, 18h
📍 Onde assistir: nos canais web do Economia É Fáci, Agência ANOTA e Rádio Censura Livre



quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

PROJETO PRAIA GRANDE, NITERÓI. Meio século de revitalização desolada - Uma breve história

Por Almir Cezar de Carvalho Baptista Filho

Em julho de 2022, completou-se meio século do ambicioso "Projeto Praia Grande". Ao circular pelo Centro de Niterói, na Região Metropolitana do RJ, é possível conhecer essa história controversa: um projeto de revitalização urbana que prometia preparar a cidade para o "ano 2000", celebrar com pompa o seu IV Centenário e transformá-la em uma metrópole e polo turístico.

No entanto, o que aconteceu? Um vazio urbano persistente, uma dívida incalculável, o desaparecimento da orla histórica, muitas promessas não cumpridas e o eterno ciclo de revitalizações para recuperar a anterior. 



Essa história deveria ser de grande importância agora, pois a cidade acaba de completar 450 anos desde sua fundação, e seu prefeito, o ambientalista Axel Grael (PDT), iniciou há poucos meses a implementação de um novo plano de revitalização para o Centro da Cidade, concentrado na Avenida Visconde do Rio Branco e no entorno, incluindo as quadras vazias entre essa via e o mar. Justamente as áreas resultantes da construção do fracassado aterro do outrora Projeto.
O "sonhado" Parque da Praia Grande - assim como seu homólogo, o Parque do Flamengo, na cidade do Rio - uniria uma ligação viária de alta velocidade, parque florestal, praças, equipamentos culturais e esportivos, com um projeto paisagístico e de jardinagem. Um megaempreendimento público que se estenderia pela orla da cidade, na homônima Praia Grande (hoje desaparecida justamente pelo aterro), desde a Ponta da Armação até o bairro de São Domingos.
Atualmente, ao caminhar à direita da estátua de Arariboia (à esquerda da saída da barca) e seguir além do Terminal Rodoviário João Goulart e do shopping Bay Market, é possível observar uma dúzia de quadras vazias de um lado da avenida, avançando em direção ao mar e separando o Caminho Niemeyer do restante da cidade.
Essa zona aterrada, inútil e deserta, abandonada, abriga quadras inteiras de terreno baldio, com matagais e alguns trechos funcionando como estacionamento privado improvisado. À beira-mar, o Teatro Popular de Niterói e os outros prédios do chamado "Caminho Niemeyer", mais à direita, proporcionam algum alívio ao local, porém, difícil de alcançar a pé. Rumando no sentido oposto, o deserto e a falta de sombra avançam até a Ponta D’Areia, assustando aqueles que preferem não caminhar por ali.
Se esse cenário existe em vez do Parque Praia Grande, é porque durante o aterramento, no auge da Ditadura Militar, houve a suspensão da conclusão - tão ou mais antidemocrática do que a decisão de sua construção - resultando na destruição da paisagem natural e histórica da cidade e no surgimento dessa região aterrada negligenciada e desolada no coração do centro da cidade. Tentativas passadas de recuperação da área foram limitadas e esquecidas, resultando em empreendimentos inadequados e posteriormente demolidos, como a Vila Olímpica e os Terminais Norte e Sul.
Além disso, devido às décadas de esvaziamento econômico da cidade, as áreas de aterro da Praia Grande, cuja construção coincidiu com o início desse ciclo, permaneceram desocupadas ou subocupadas em suas partes privadas por anos. Atualmente, servem meramente como estacionamentos improvisados, formando um grande espaço de vazio urbano, contrastando com as grandes expectativas de construção de teatros, parques e museus que ficaram apenas na promessa e que o Caminho Niemeyer supostamente deveria reparar parcialmente.
Lembrando que o Caminho Niemeyer consiste em um conjunto de prédios projetados pelo arquiteto para abrigar espaços culturais e construídos pela prefeitura na década de 2000. No entanto, além dos altos custos de construção e da subsequente operação do complexo, o Caminho Niemeyer pouco contribuiu para integrar-se ao restante do Centro da cidade, parte dele deteriorado e outra parte repleta de vazios ou de áreas decadentes.
A nova revitalização parte de uma premissa equivocada, desta vez em torno do Caminho Niemeyer, que foi construído justamente para revitalizar a área. Este complexo cultural parece priorizar, em termos de mobilidade e acessibilidade, mais a conexão turística com o terminal de barcas e a cidade do Rio de Janeiro do que com as ruas e calçadas do restante do centro.
Assim, a história do desenvolvimento urbano de Niterói, como a de muitas outras cidades brasileiras, evidencia um ciclo repetitivo de revitalizações urbanas fracassadas, frequentemente abandonadas ou desviadas de seus objetivos originais. Em suma, o planejamento urbano e público em geral se manifesta na forma de revitalizações que nem mesmo se completam e precisam passar por novos projetos de revitalização.
A metáfora do "tecido de Penélope", cujo mito grego destaca esse padrão de mudanças constantes no espaço urbano, onde intervenções são iniciadas, suspensas e revisadas antes mesmo da conclusão, destaca ainda que, além da deficiência do planejamento e da própria execução, a priorização desses projetos para o embelezamento e a acumulação de capital, em detrimento dos objetivos arquitetônicos anunciados e, principalmente, da inclusão social.

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

MILÍCIAS NO RIO DE JANEIRO: raízes sociais, impactos econômicos e soluções definitivas


🗣️Nesta live exclusiva, vamos aprofundar o complexo problema das milícias no Rio de Janeiro e explorar seu impacto econômico e social. Nosso analista de conjuntura, Cyro Garcia, historiador e professor de Direito, responderá a perguntas cruciais, incluindo a evolução dessas organizações ao longo do tempo, seu papel na vida das comunidades e as consequências sociais que surgem a partir disso. Discutiremos também a aliança suspeita entre o Comando Vermelho e as milícias, e como isso afeta a segurança na cidade. Além disso, examinaremos a intervenção das Forças Armadas e alternativas para lidar com essa questão de maneira mais eficaz.
Não perca esta oportunidade de entender as raízes das milícias no Rio de Janeiro e seu impacto abrangente. Junte-se à conversa e faça suas perguntas ao nosso especialista.
🔴Nesta segunda-feira 06/11 a partir das 18h mais uma edição ao vivo e inédita do programa Economia É Fácil na Web Rádio Censura Livre, tratando dos temas de economia e conjuntura mais importante dos últimos dias com linguagem fácil e na perspectiva dos trabalhadores. 
🎙️Apresentação do economista Almir Cezar Filho
🎙️ Convidado: Cyro Garcia, historiador e professor de Direito
📰 Com conteúdo da Agência de Notícias Alternativas-ANOTA
📻Uma produção da Rádio Censura Livre e transmissão emissoras parceiras

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Segurança à Beira do Abismo: Um Flagelo que Cruza Partidos e Governos | podcast ECONOMIA É FÁCIL


📻 Nesta segunda-feira 04/09 a partir das 18h mais uma edição ao vivo e inédita do programa Economia É Fácil na Web Rádio Censura Livre, tratando dos temas de economia e conjuntura mais importante dos últimos dias com linguagem fácil e na perspectiva dos trabalhadores.
💣Neste episódio do "Economia É Fácil", abordamos a crescente onda de violência na Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro nas últimas semanas. Nossa discussão se aprofunda nas causas e consequências desse cenário, abrangendo a influência de facções criminosas e a truculência policial. Também questionamos a falta de abordagens progressistas para resolver esse problema e destacamos a urgência de uma política nacional de segurança pública. Junte-se a nós para uma análise crítica dessa crise de segurança, sua relação com o movimento negro e os desafios que o Brasil enfrenta na busca por soluções eficazes.
🎙️Apresentação do economista Almir Cezar Filho
🎤 Convidado: Cyro Garcia, historiador e professor de Direito
📰 Uma produção da Agência de Notícias Alternativas-ANOTA para a Rádio Censura Livre.

sábado, 17 de junho de 2023

Tem ou não tem dinheiro para o piso da Educação? Arcabouço Fiscal e Regime de Recuperação Fiscal

Nesta segunda-feira 19/06, 18h, o programa Economia É Fácil em mais uma edição semanal - o seu espaço de economia, na sua linguagem e o que realmente importa na vida dos trabalhadores.
📻 Produção da Web Rádio Censura Livre. 
🎙️ Apresentação do economista Almir Cezar Filho.
🎤 Convidado: PAULO LINDESAY, da Auditoria Cidadã da Dívida.
🎤Participação especial: DANIELLE BORNIA, diretora do Sindicato Estadual de Profissionais de Educação (SEPE)
🗣️ Debatendo: Os profissionais de Educação da rede estadual do Rio de Janeiro estão em greve desde meados de maio. Um dois principais itens de pauta o pagamento do piso salarial do magistério, reivindicação que o governador Cláudio Castro (PL) se nega atender. Debateremos tanto como o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) do RJ quanto o novo arcabouço fiscal da União do governo Lula podem limitar recursos e restringir aumentos salariais, comprometendo o pagamento do piso nacional.


quinta-feira, 18 de maio de 2023

Privatizações: concessões 'descarrilam' no Rio. Falência do modelo?

Nesta segunda-feira 22/05, live às 18h, o programa Economia É Fácil - o seu espaço de economia, na sua linguagem e o que realmente importa na vida dos trabalhadores. 

📻 Produção da Web Rádio Censura Livre. 🎙️ Com o economista Almir Cezar Filho.

🎤 Convidado: CELSO BORBA, da  Federação Nacional dos Metroferroviários (Fenametro) 

🗣️ Debatendo nesta edição: 💬 Uma série de pedidos de devolução da concessão por parte das empresas privadas no Rio de Janeiro, desde as Barcas (transporte aquaviário), Supervia (trens urbanos), Rio Galeão (aeroporto), tal como o encampamento do sistema de BRT pela Prefeitura e a falência de inúmeras empresas de ônibus, somada a recuperação judicial da Light (fornecimento de energia elétrica), após décadas de maus serviços, tarifas mais caras do Brasil, recebimento de subsídios, baixos investimentos e farta distribuição de lucros aos acionistas, colocando em xeque o modelo de privatização de serviços públicos, deixando na incerteza milhões de usuários fluminenses e enquanto o governo estadual não sabe o que fazer. Na Europa, o Reino Unido, baluarte da privatização assume o controle do serviço feroviário, atormentado por atrasos e cancelamentos. Na contramão, São Paulo e Belo Horizonte, os governos federal e estaduais insistem entregar as linhas de metrô e trem, mesmo com graves acidentes e falhas desde do inicio da concessão pelo operador privado.


📺Acompanhe a live nas plataformas de vídeo e nas redes sociais. 

https://www.youtube.com/live/sNY0M8M7kKw

🎧Ouça em versão podcast nos principais agregadores.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

#podcast ECONOMIA É FÁCIL | Recuperação econômica: "o Rio de Janeiro tem jeito?"



Nesta quinta-feira 04/11, às 19h30, mais um episódio inédito e ao vivo do programa Economia É Fácil, o economista Almir Cezar Filho e seus convidados, aqui nas plataformas da Web Rádio Censura Livre, debatendo os temas econômicos mais importantes do momento, em linguagem fácil e na ótica dos trabalhadores.  
🗣️Tema da semana: Recuperação econômica: o Rio de Janeiro tem jeito?
🎙️Convidado: Jadson Alves, doutorando em Economia/UFRJ
📰E mais: o quadro INFORME ECONÔMICO, com a análise das notícias econômicas em destaque dos últimos dias.

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

ECONOMIA É FÁCIL | Recuperação econômica: o Rio de Janeiro tem jeito?

Nesta quinta-feira 04/11, às 19h30, mais um episódio inédito e ao vivo do programa Economia É Fácil, o economista Almir Cezar Filho e seus convidados, aqui nas plataformas da Web Rádio Censura Livre, debatendo os temas econômicos mais importantes do momento, em linguagem fácil e na ótica dos trabalhadores.  
🗣️Tema da semana: Recuperação econômica: o Rio de Janeiro tem jeito?
🎙️Convidado: Jadson Alves, doutorando em Economia/UFRJ
ℹ️ E mais: o quadro INFORME ECONÔMICO, com a análise das notícias econômicas em destaque dos últimos dias.

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(09:01) INFORME ECONÔMICO
(09:12) NOTÍCIA 1 | Produção industrial caiu 0,4% em setembro. Segundo IBGE, na comparação com setembro de 2020, setor recuou 3,9%; para CNI, faturamento caiu 1,5%.
(17:25) NOTÍCIA 2 | Governo Bolsonaro gera menos empregos que o divulgado. Ministério revisa dados do Caged e geração de empregos cai pela metade
(29:24) EXTRA, EXTRA! | Governo aprova em 1º turno na Câmara PEC de calote em precatórios. Objetivo é recursos para turbinar eleitoralmente o Bolsa Família. Bancos se beneficiaram. Parlamentares terão mais verbas.
(48:32) TEMA DA SEMANA: Recuperação econômica: o Rio de Janeiro tem jeito?
(56:20) PERGUNTA 1 | A desindustrialização, da cidade do Rio e da região metropolitana afetou cronicamente a economia fluminense? O peso do petróleo: se seria uma dádiva ou uma praga, para economia do estado? O Turismo e o setor de Entretenimento & Cultura são (seriam) uma possível salvação?
(1:06:48) PERGUNTA 2 | O peso de ter sido ex-capital nacional e a baixa integral com o restante do estado: a solução é o Rio voltar a ser capital federal ou realizar uma desfusão (volta da GB)?
(1:21:43) Comentários dos ouvintes | E o Turismo? E os motivos da transferência da capital para Brasília?
(1:23:32) PERGUNTA 4 | Recuperação Econômica e o "Regime de Recuperação Fiscal": É possível salvar o RJ com mais ajuste fiscal?
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📺 Assista a íntegra da live no YouTube (https://youtu.be/JxEbOS5I-7M) e no Facebook (https://www.facebook.com/149688861907827/posts/1684453958431302/).
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terça-feira, 14 de setembro de 2021

INFORME ECONÔMICO | Inflação oficial dispara em agosto. Renda do brasileiro caiu 10% desde 2019. Governo do RJ apresenta projeto de recuperação fiscal

Mais um episódio do quadro INFORME ECONÔMICO, do programa Economia É Fácil, na Web Rádio Censura Livre, com o economista Almir Cezar Filho e seus convidados,, com os destaques do noticiário econômico dos últimos dias, analisados com linguagem fácil e na ótica dos trabalhadores e trabalhadoras.
Notícia 1) Com a alta de 0,87% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto,
Notícia 2) A renda individual média do brasileiro incluindo informais, desempregados e inativos se encontra hoje -9,4% abaixo do nível do final de 2019.
Notícia 3) O governo do Rio entrega hoje (09/09) o plano de recuperação fiscal à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Com participação: Paulo Barela, da secretaria executiva da CSP-Conlutas., e do economista João Paulo Carvalho, dirigente sindical de servidores públicos federais.


📺 Assista a íntegra da live no Facebook e no YouTube: https://youtu.be/sioReRCrL0E
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quarta-feira, 21 de abril de 2021

ECONOMIA É FÁCIL 22/04 | CADÊ O DINHEIRO PARA A PANDEMIA? O RJ sob o julgo do Regime de Recuperação Fiscal (RRF)

Nesta quinta-feira, 22/04 às 20h, mais uma edição inédita e ao vivo do programa ECONOMIA É FÁCIL, pela Web Rádio CENSURA LIVRE, com o economista Almir Cezar Filho e convidados, apresentando os temas econômicos mais importantes do momento na ótica dos trabalhadores. 
No tema da semana: em pleno agravamento da pandemia de covid e que ainda mais é exigido dos governadores e prefeitos gastos na saúde e no auxílio econômico, o governo federal edita decreto renovando o Regime de Recuperação Fiscal (RRF). O Rio de Janeiro é o estado mais pressionado, pois metade do seu orçamento seria destinado ao pagamento de juros de amortização das dívidas, e ainda deve implantar as reformas  e construir um novo plano de cortes nas finanças. Essa medida inviabiliza ou não a prestação de boas políticas públicas? Participação especial: Paulo Lindsey, da Auditoria Cidadã da Dívida/RJ.

E MAIS: o quadro INFORME ECONÔMICO, com as principais notícias econômicas dos últimos dias explicadas ao vivo.

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Podcast ECONOMIA É FÁCIL | Carnaval cancelado, prejuízo na cultura. O que vem sendo feito?

Nesta edição: Com o agravamento da pandemia de covid, as autoridades e entidades culturais decidiram pelo cancelamento do canarval 2021. O que se pode fazer para ajudar aos trabalhadores da cultura? O que já vem sendo feito pelo Poder Público? Com a presença da Secretária de estadual de Cultura do Rio de Janeiro Danielle Ribeiro Barros e da jornalista Dayse Alvarenga.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

"Está na agricultura e na economia solidária a chave à recuperação econômica do Rio de Janeiro", afirma economista

Na segunda-feira 14/12 começou 1ª Semana Estadual de Economia Solidária do Rio de Janeiro, promovido pela Coordenação de Economia Solidária (CEES) da Secretaria de Estado de Trabalho e Renda do Rio de Janeiro (SETRAB/RJ. Na sua primeira mesa-redonda "A importância da economia solidária para o desenvolvimento econômico e social do Estado do Rio de Janeiro", o economista Almir Cezar Filho, mestre em Economia e servidor do Ministério da Agricultura, explicou a conexão da agricultura familiar com a economia solidária e como ambas são fundamentais para um novo padrão de desenvolvimento econômico e social, menos desigual e instável, apontando inclusive o potencial caso haja mais auto-organização e investimentos públicos. Também participaram da mesa-redonda a coordenadora da SETRAB/RJ Angélica Hullen e o pesquisador do IPEA Sandro Silva, com a mediação da ativista do Fórum de Economia Solidária (FES) Sonia Latge. 

Para assistir esse vídeo: https://youtu.be/Z_vI1BKfbO4


terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Agricultura familiar urbana: limites da política pública e das representações sociais

Por Almir Cezar Filho

Meu artigo com a professora Annelise Fernandez da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) acaba de ser publicado na revista científica internacional "Cidades, Comunidades e Territórios", com o título Agricultura familiar urbana: limites da política pública e das representações sociais.

O artigo descreve os entraves para a aplicação da política pública da agricultura familiar em meio urbano no Brasil. Mostramos que uma série de representações associadas ao rural-agrícola tem moldado os critérios de classificação dos técnicos de assistência técnica rural (ATER), do mesmo modo que define na prática os limites de aplicação desta política em meio urbano. 

A mobilização de movimentos sociais ligados à agricultura urbana, especificamente no município do Rio de Janeiro, resultou na construção de uma arena pública que denunciou a falta de acesso de agricultores familiares cariocas às políticas agrárias. Como resultado deste esforço recíproco entre debate e ação, os critérios de classificação da agrariedade em meio urbano foram explicitados e o reconhecimento da agricultura familiar urbana foi dado como um problema público e, junto à possibilidade de interseção entre as políticas de agricultura familiar e agricultura urbana, o tema ganhou projeção nacional.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

RJ: elevar o PIB e o emprego por meio da Agricultura Familiar

Por Almir Cezar Filho*, titular do programa Economia é Fácil**.
Uma paisagem rural no interior do RJ. Área no quilombo Alto
da Serra, em Rio Claro. (Foto: Almir Cezar Filho)

O Rio de Janeiro passa por uma grande crise econômica, um quadro de muitas décadas, mas que intercaladamente ora melhora, ora piora. E nesse momento se agravou. Uma possível alternativa a superar esse quadro é elevar o PIB agropecuário e gerar emprego por meio da Agricultura Familiar, investindo nela nos próximos 10 anos.

No Estado do Rio de Janeiro existem pelo menos 44.000 estabelecimentos agropecuários de tipo familiar e um PIB estadual agropecuário de algo em torno um pouco mais de R$ 6 bilhões, num PIB estadual total de $700 bi. Meros 1%. Apesar disso, maior do que 10 outros estados eminentemente rurais/agrícolas. E sua população rural, apesar de menor que 5% do total, é igual ou maior que a população inteira de estados como Roraima, Amapá e Acre.

Não se propõe que o RJ, hoje o estado brasileiro proporcionalmente menos agropecuário e de menor população rural, se ruralize e agropecuarize. Mas que aproveite o potencial regional e supere a uma certa pós-industrialização precoce e uma dependência do indústria extrativa de petróleo e gás. Pelo contrário, podíamos aproveitar justamente o tamanho do mercado consumidor, do parque industrial (especialmente o metal-mecânico, químico e de alimentos) e e da aglomeração de centros de pesquisa e ensino para dar um salto na agricultura, particularmente a familiar, seja ela inclusive urbana, agroecológica e orgânica, muito mais vocacionada ao perfil territorial regional (espremida entre os morros e o mar).

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Chuvas | Agricultura urbana diminuiria a impermeabilização do solo e as ilhas de calor, reduzindo inundações e deslizamentos

Por Almir Cezar Filho*, da Redação da Agência ANOTA**

Em cima: Avenida Roberto Silveira, principal artéria viária
 de Niterói  inundada em um dia de chuva.
Embaixo: uma horta em um bairro tipicamente urbano.
Inundações, enchentes, deslizamentos de encostas e morros, bolsões de água nas vias, desmoronamentos de casa. Evidente que as obras de combate as inundações e deslizamentos são importantes. E o Poder Público foi negligente. Mas pouco se vincula essa situação à dinâmica do uso e ocupação do solo urbano na cidade. A agricultura urbana ajudaria a diminuir a impermeabilização do solo e geração das "ilhas de calor", reduzindo inundações e deslizamentos.

A cidade de Niterói (RJ) vem sofrendo nos últimos anos recorrentemente com a tragédia das grandes chuvas. A intensiva verticalização imobiliária dos bairros de Santa Rosa e Jardim Icaraí acabou com a drenagem do solo da cidade, nas áreas circundantes do maciço da Boa Vista. E os desmatamentos na região de Pendotiba, também pela especulação imobiliária em condomínios horizontais, geraram um imenso bolsão de calor sobre a atmosfera da cidade que amplia a potência das chuvas.

Com o desmatamento e a impermeabilização do solo nas áreas planas, acrescido com a expansão da ocupação dos morros e encostas, sem as respectivas obras de contenção, está armada a tragédia dos deslizamentos, além das inundações.