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sexta-feira, 2 de outubro de 2020

CHINA: ECONOMIA E POLÍTICA POR TRÁS DO CONCEITO DE IMPERIALISMO

ECONOMIA MUNDIAL | Nesta quinta-feira 01º/10, às 20 h, mais uma edição inédita e ao vivo do programa ECONOMIA É FÁCIL, pela Web Rádio Censura Livre, com produção e apresentação do economista Almir Cezar Filho e a participação de convidados debatendo importantes temas econômicos. Nesta edição:  A China origem da pandemia de Covid-19, encerrou também precocemente sua primeira onda de contágio, recuperando sua economia antes das demais grandes potências. Após recentes anos de guerra comercial com os EUA, as trocas de acusações entre os dois países subiram de tom, sendo a China acusada de forte apetite ao estilo imperial. Vamos analisar as ações chinesas no tabuleiro da luta política no sistema internacional com sua ascensão econômica.



📺 Acompanhe os vídeos pelos canais do Economia É Fácil no Youtube (https://www.youtube.com/c/economiaefacil) e da Web Rádio Censura Livre no Youtube (https://www.youtube.com/c/censuralivre) e  no Facebook (https://www.facebook.com/programacensuralivre.).

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

CHINA X EUA: crise e disputa pela hegemonia mundial em plena pandemia

O programa ECONOMIA É FÁCIL desta quinta-feira (20/8), às 20h, pela Web Rádio Censura Livre, o economista Almir Cezar Filho e seus convidados conversam ao vivo com os ouvintes sobre CHINA x EUA: CRISE E DISPUTA PELA HEGEMONIA MUNDIAL em plena pandemia, em que a disputa entre os países se ramifica e abrange várias frentes, com reflexos econômicos, tecnológicos, tendo como gatilho a pandemia do novo coronavírus

O programa terá sua live com transmissão simultânea pelos canais do Economia É Fácil no Youtube e da WebRadio Censura Livre no Youtube e no Facebook.



Assista no Youtube em: https://youtu.be/7vtI1HQeswY
🎙Você pode ouvir a emissora no aplicativo RadiosNet (http://l.radios.com.br/r/100204), no App exclusivo da emissora (http://webapp.hoost.com.br/clwebrad/) ou no site: www.clwebradio.com/.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

FMI espera recuperação só em 2021

ECONOMIA É FÁCIL (versão reduzida), com o economista Almir Cezar Filho. Destaque do dia (15/4):
■ 'FMI espera recuperação só em 2021'
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🤗 Seu apoio é muito importante para nós. Desde já agradecemos sua contribuição. Para apoiar, acesse aqui👇🏽
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💻 Você pode ouvir a emissora no aplicativo RadiosNet (http://l.radios.com.br/r/100204), no App exclusivo da emissora (http://webapp.hoost.com.br/clwebrad/ou no site www.clwebradio.com

terça-feira, 7 de maio de 2013

Encontro Anual da Associação Mundial de Economia Política em Florianópolis


Nos dias 25 e 26 de maio acontecerá em Florianópolis o 8o. Encontro Anual da WAPE (Associação Mundial de Economia Política), evento organizado pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal de Santa Catarina (IELA-UFSC).

Haverá no dia 24 uma sessão latino-americana com um debate sobre o tema do endividamento externo. Maria Lucia Fatorelli e Alejando Olmos, as duas figuras mais importantes da auditoria da dívida equatoriana (lamentavelmente desconhecida no Brasil) onde serão tratados dois temas: a) a farsa do desendividamento externo argentino; b) o super endividamento do estado brasileiro. Os dois conferencistas também analisarão as consequências da auditoria da dívida equatoriana.

O outro debate será sobre a vigência do marxismo latino-americano e contará com a participação de Juan Kornblihtt (Argentina), José Martins (UFSC), Niemeyer Almeida (Sociedade Brasileira de Economia Política - SEP) e Nildo Ouriques (UFSC/IELA).

A programação completa vocês podem acessar na página eletrônica do IELA (www.iela.ufsc.br) ou do Encontro WAPE (http://encontrowape.blogspot.com.br/)

segunda-feira, 14 de maio de 2012

UE eleva projeção de crescimento para Alemanha, mas reduz a da França

Almir Cezar

Prossegue a crise nas economias da União Europeia (UE), mesmo nas grandes potências. A UE eleva projeção de crescimento para Alemanha, mas reduz a da França - depois de ter ficado estagnada no primeiro trimestre, a maior economia da Europa deverá crescer 0,7% neste ano. Contudo, também segue a percepção de que a Alemanha, a maior economia, vem sentindo menos os efeitos da crise. Um das hipóteses é esta economia está, de alguma forma, drenando os recursos das demais parceiras, até das poderosas, como a Itália, Grã-Bretanha, e até da França, a 2a. maior economia da UE, e 5a. do mundo. 

Isso é o exemplo de que no desenvolvimento capitalista um dos mecanismos compensadores, é transferir as perdas, e/ou aumentar ganhos sobre as economias semiperiféricas do respectivo capital monopólico-imperialista, mesmo no interior do grupo de países que constituí o núcleo orgânico do sistema. Se o grande capital alemão faz isso até com a França, isso explica seu impacto prejudicial nas economias como a Grécia, Espanha e Portugal - e nos trabalhadores alemães, à medida que, nos últimos dez anos, a taxa de lucro e dividendos financeiros das empresas alemães cresceram 50%, enquanto a massa de salários caiu quase 10%. É a dependência e a superexploração do trabalho se desmascarando na crise, e provando que o "projeto europeu" não é de união e liberdade entre esses povos, mas de livre espaço ao grande capital. 

UE eleva projeção de crescimento para Alemanha, mas reduz a da França

Depois de ter ficado estagnada no primeiro trimestre, a maior economia da Europa deverá crescer 0,7% neste ano

Valor Online |
A Comissão Europeia revisou projeções de crescimento e resultados fiscais dos países que integram o bloco, no chamado relatório de primavera, divulgado nesta sexta-feira.

O organismo prevê que o crescimento econômico da Alemanha vai ganhar impulso e se acelerar neste ano e no próximo, a menos que os preços do petróleo prejudiquem a renda das famílias e impulsionem a inflação ou que a crise da dívida na zona do euro se aprofunde.

Depois de ter ficado estagnada no primeiro trimestre, a maior economia da Europa deverá expandir-se 0,7% neste ano, projeta a comissão, graças ao consumo doméstico robusto puxado pelos aumentos salariais.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A rede do poder corporativo mundial


Ladislau Dowbor[1] - 12 de novembro de 2011

“There is a big difference between suspecting the existence of a fact
and in empirically demonstrating it”[2]
Todos temos acompanhado, décadas a fio, as notícias sobre grandes empresas comprando-se umas as outras, formando grupos cada vez maiores, em princípio para se tornarem mais competitivas no ambiente cada vez mais agressivo do mercado. Mas o processo, naturalmente, tem limites. Em geral, nas principais cadeias produtivas, a corrida termina quando sobram poucas empresas, que em vez de guerrear, descobrem que é mais conveniente se articularem e trabalharem juntas, para o bem delas e dos seus acionistas. Não necessariamente, como é óbvio, para o bem da sociedade.
Controlar de forma organizada uma cadeia produtiva gera naturalmente um grande poder econômico, político e cultural. Econômico através do imenso fluxo de recursos – maior do que o PIB de numerosos países – político através da apropriação de grande parte dos aparelhos de Estado, e cultural pelo fato da mídia de massa mundial criar, através de pesadíssimas campanhas publicitárias – financiadas pelas empresas, que incluem os custos nos preços de venda – uma cultura de consumo e dinâmicas comportamentais que lhes interessa, e que gera boa parte do desastre planetário que enfrentamos.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O segundo fôlego do movimento mundial de justiça social, I. Warllestein


Temos de pensar numa luta mundial como uma corrida de fundo, na qual os corredores têm de usar a sua energia com sabedoria.


12 Dezembro, 2011 - 01:26 | Por Immanuel Wallerstein

Temos de pensar numa luta mundial como uma corrida de fundo, na qual os corredores têm de usar a sua energia com sabedoria.

Durante os protestos da praça Tahrir em novembro de 2011, Mohamed Ali, 20 anos, respondeu da seguinte forma a um jornalista que lhe perguntava por que estava ali: “Queremos justiça social. Nada mais. É o mínimo que merecemos.”



A primeira vaga de movimentos assumiu formas múltiplas em todo o mundo – a chamada Primavera Árabe, os movimentos Ocupar que começaram nos Estados Unidos e se espalharam a um grande número de países, Oxi na Grécia e os Indignados em Espanha, os protestos estudantis no Chile e muitos outros.

Foram um sucesso fantástico. O grau de êxito pode ser medido por um extraordinário artigo escrito por Lawrence Summers no´Financial Times em 21 de novembro, sob o título “A desigualdade já não pode ser evitada pelas ideias habituais”. Não é um tema em que Summers se tenha antes destacado.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Livro "Globalização, dependência e neoliberalismo na América Latina"

CONVITE:


 LANÇAMENTO DO LIVRO


 "GLOBALIZAÇÃO, DEPENDÊNCIA E NEOLIBERALISMO NA AMERICA LATINA", 


DO PROFESSOR CARLOS EDUARDO MARTINS


 23 NOVEMBRO 18:30 


SALÃO NOBRE DO IFCS-UFRJ 


Centro, Cidade do Rio de Janeiro

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A rede que controla a economia mundial

Artigo imperdível - inovação tecnológica coloca o financismo no microscópio. "Além das ideologias" demonstra como 147 instituições financeiras dominam o capitalismo global e provavelmente agem em conluio para manutenção do status quo.


Visão crítica: Revelada a rede capitalista que domina o mundo
Da New Scientist - 22/10/2011
Visão crítica: Revelada a rede capitalista que domina o mundo
Este gráfico mostra as interconexões entre o grupo de 1.318 empresas transnacionais que formam o núcleo da economia mundial. O tamanho de cada ponto representa o tamanho da receita de cada uma.[Imagem: Vitali et al.]

Além das ideologias
Conforme os protestos contra o capitalismo se espalham pelo mundo, os manifestantes vão ganhando novos argumentos.
Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global.
A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça.
Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global.
"A realidade é complexa demais, nós temos que ir além dos dogmas, sejam eles das teorias da conspiração ou do livre mercado," afirmou James Glattfelder, um dos autores do trabalho. "Nossa análise é baseada na realidade."

domingo, 11 de setembro de 2011

(10 anos do 11 de Setembro) Paralelo entre 2001 e 2011

Hoje a toda a grande mídia será pauta por um tema: os 10 anos do 11 de Setembro. Estes serão lembrados por um EUA em situação econômica semelhante ou pior do que quando aconteceu: recessão, crescimento econômico e nível de emprego baixíssimo e um presidente fraco.

Em 2001, o presidente era o recém-empossado porém impopular George W. Bush, que após o mega-atentato terrorista se transformou em uma "super-herói". O país passava uma recessão grande, não tão grande como de agora, em seguida dos "esplendorosos anos 90", deflagrados após o estouro da bolha da nova economia e das empresas .com. Bush tinha sido eleito em cima de fortíssimas suspeitas de fraude eleitoral, de um nível que não se vê nem mesmo em "republiqueta de bananas".

Em 2011, o presidente é o impopular Barack Obama, que após o estouro da bolha imobiliária de 2008, que deflagrou a mais forte recessão desde a Depressão da década 1920, foi eleito com uma forte promessa e expectativa de grandes mudanças econômicas, políticas e sociais nos EUA. Era visto como um messias, um super-herói. Porém, as promessas não foram atendidas. E como numa "republiqueta de bananas" há uma seríssima crise do regime político, com impasses entre os poderes e os partidos políticos sobre o controle do Estado. E também como numa "republiqueta" esteve as margens da suspensão do pagamento da dívida pública e o rating do títulos rebaixadas. Fora o desemprego enorme.

domingo, 28 de agosto de 2011

Vinte anos para mudar o mundo

Artigo do sociólogo Immanuel Wallerstein, um dos grandes expoentes da Ciências Sociais contemporânea e um dos pais da teoria do Sistema-Mundo. O autor associa a crise econômica mundial atual, cujo centro é a economia dos EUA, ao declínio deste enquanto centro hegemônico do sistema capitalista mundial.

Vinte anos para mudar o mundo
 por Immanuel Wallerstein
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/VINTE+ANOS+PARA+MUDAR+O+MUNDO_1595.shtml

Há uma década, quando eu e alguns outros falamos do declínio dos Estados Unidos no sistema-mundo, fomos recebidos no máximo com sorrisos de pena por nossa ingenuidade. Os EUA não eram o superpoder, envolvidos em cada canto remoto do planeta, capazes de obter o que queriam em quase todas as ocasiões? Essa era uma visão difundida em todo o cenário político.

Hoje, a visão de que os EUA declinaram, e declinaram seriamente, é uma banalidade. Todos dizem isso, com exceção de alguns políticos norte-americanos que temem ser culpados pela decadência, se a debaterem. O fato é que hoje quase todos acreditam na realidade desse declínio.

O que, entretanto, é muito menos discutido é quais foram, e quais serão as consequências mundiais desse fato. O declínio tem raízes econômicas, é claro. Mas a perda do quase-monopólio de poder geopolítico, que os EUA já exerceram, tem consequências políticas importantes em todo o mundo.

Vamos começar com uma história contada na seção de negócios do The New York Times em 7 de agosto. Um administrador de fortunas em Atlanta “apertou o botão de pânico” em nome de dois clientes ricos que o encarregaram de vender todas as ações e investir o dinheiro em algum fundo mútuo de alguma maneira isolado da crise. O administrador contou que, em 22 anos de trabalho, nunca tinha ouvido um pedido desses. “Isso não tem precedentes”. Os jornais chamaram a decisão de o equivalente de Wall Street ao “botão nuclear”. Foi algo inteiramente contra o conselho tradicional santificado, de “evitar o pânico” diante das turbulências do mercado.

A Standard & Poor`s reduziu o rating de crédito de dos EUA de AAA para AA+, outro fato “inédito”. Mas isso é uma ação relativamente leve. A agência equivalente na China, Dagong, já reduziu a credibilidade dos EUA para A+ em novembro, e agora para A-. O economista peruano Oscar Ugarteche declarou que os EUA tornaram-se uma “república de bananas”. Ele diz que o país “escolheu a política da avestruz, como modo de não perder as esperanças [de melhora]”. Em Lima, nessa última semana, o encontro dos ministros de Finanças dos países sul-americanos discutiu medidas urgentes para isolar a região dos efeitos do declínio econômico dos EUA.

O problema que todos enfrentam é que é muito difícil isolar-se dos efeitos do declínio dos EUA. Apesar da severidade de seu declínio político e econômico, os EUA continuam um gigante no cenário mundial, e qualquer coisa que acontecer lá ainda provoca grandes ondas no resto do mundo.

É claro que o maior impacto do declínio é, e vai continuar sendo sentido, nos próprios EUA. Políticos e jornalistas estão falando abertamente da “disfuncionalidade” da situação política no país. Mas o que mais essa situação pode ser, além de disfuncional? O fato mais elementar é que os cidadãos dos EEUA estão chocados pelo simples fato do declínio. Não é apenas que os estejam sofrendo materialmente com esse declínio, temam sofrer ainda mais, com o tempo. Eles acreditaram que os EUA eram a “nação escolhida”, designada por Deus ou pela história para ser um modelo para o mundo. E ainda ouvem o presidente Obama assegurar que seu país será sempre um “triplo A”.

O problema para Obama e para todos os políticos é que muito poucas pessoas ainda acreditam nisso. O choque para o orgulho e a auto-imagem nacional é formidável e além de tudo repentino. O país está lidando muito mal com ele. A população busca bodes espiatórios e esbraveja, de modo selvagem e pouco inteligente, contra os suspeitos de sempre. A última esperança parece ser a de descobrir que alguém é culpado e ver, como remédio, mudanças no comando.

Em geral, as autoridades federais são vistas como as mais fáceis de culpar – o presidente, o Congresso, os dois grandes partidos. Há uma tendência forte em direção a cortes no envolvimento militar fora dos EUA. Culpar o “povo de Washington” por tudo produz volatilidade política e disputas locais ainda mais violentas. Os EUA tornaram-se, eu diria, uma das entidades menos estáveis no sistema-mundo.

Isso torna EUA um país não apenas de disputas políticas são disfuncionais, mas, além disso, pouco hábil para exercer poder real na cena internacional. Há uma grande queda na confiança nos EUA e seu presidente, entre grandes aliados no exterior e entre a própria base política interna do presidente. Os jornais estão cheios de análises sobre os erros políticos de Barack Obama. Quem pode argumentar contra isso? Eu poderia listar facilmente dezenas de decisões de Obama que, segundo meu ponto de vista, foram erradas, covardes e algumas vezes inteiramente imorais. Mas eu me pergunto se teria feito muita diferença, caso ele tivesse ele agido como sua base desejaria. O declínio dos EUA não é uma consequência de decisões medíocres de seu presidente, mas de realidades estruturais no sistema-mundo. Obama pode ser o indivíduo mais poderoso no mundo, mas nenhum preesidente dos EUA é ou poderia ser hoje tão poderoso como os de antes.

Estamos entrando numa era de turbulências agudas, constantes e rápidas – nas taxas de câmbio, nas taxas de emprego, nas alianças geopolíticas, nas definições ideológicas da situação. A extensão e rapidez destas flutuações torna impossível fazer previsões de curto prazo. E sem alguma estabilidade razoável nas previsões de curto prazo (três anos, digamos), a economia-mundo estanca. Todos os países terão de ser mais protecionistas e voltados para dentro. Os padrões de vida vão cair. Não é um quadro agradável. E embora haja aspectos positivos para muitos, no declínio norte-americano, nada garante que, com os sacolejos do barco mundial, outros países possam tirar da nova situação o proveito que esperam.

É hora para análises muito mais sóbrias e de longo prazo, julgamentos morais muito mais claros sobre o que estas análises revelam, e ação política muito mais efetiva no esforço de criar, nos próximos 20 ou 30 anos, um sistema-mundo melhor do que aquele em que estamos hoje enrascados.

quarta-feira, 23 de março de 2011

'A Líbia e a esquerda', por Immanuel Wallerstein

A Líbia e a esquerda*


Por Immanuel Wallerstein

Exite tanta hipocrisia e tanta análise confusa sobre o que está acontecendo na Líbia que é difícil saber por onde começar. O aspecto mais negligenciado da situação é a grande divisão da esquerda mundial. Muitos Estados governados pela esquerda na América Latina, principalmente a Venezuela, apoiam decididamente o Coronel Gaddafi. Mas movimentos e personalidades da esquerda no Oriente Médio, Ásia, África, Europa e América do Norte, definitivamente não concordam.
A análise de Hugo Chávez parece focada principalmente – ou apenas – no fato de que os Estados Unidos e a Europa Ocidental têm ameaçado e condenado o regime de Gaddafi. Gaddafi, Chávez, e alguns outros insistem em que o mundo ocidental quer invadir a Líbia e “roubar” seu petróleo. Toda esta análise esquece completamente os fatos, e repercute mal no julgamento de Chávez e em sua reputação junto ao resto da esquerda mundial.
Primeiro, desde a última década e até há algumas semanas, Gaddafi tinha ótima imagem na mídia ocidental. Ele tentava provar, a cada dia, que não apoiava o “terrorismo” e que queria estar completamente integrado ao mainstream geopolítico e econômico. A Líbia e o mundo ocidental estavam firmando um acordo lucrativo após o outro. É difícil para mim ver Gaddafi como um herói do movimento anti-imperialista mundial, pelo menos na última década.
O segundo ponto esquecido pela análise de Hugo Chávez é que não haverá um envolvimento militar significativo do Ocidente na Líbia. As declarações oficiais são blablablá para impressionar a opinião pública doméstica. Não haverá uma resolução do Conselho de Segurança1, pois a Rússia e a China não irão concordar. Não haverá uma decisão do NATO, porque a Alemanha e alguns outros países não aceitarão. Até mesmo a posição anti-Gaddafi de Sarkozy encontra resistência na França.
E, além disso tudo, a oposição nos Estados Unidos à ação militar vem tanto do público quanto, mais importante, dos militares. O secretário da Defesa, Robert Gates, e o presidente do Estado-Maior Conjunto, almirante Mullen, são publicamente contrários à instituição de uma zona anti-aérea. De fato, Gates foi além. Em 25 de fevereiro, ele dirigiu-se a cadetes à Academia Militar de West Point, dizendo-lhes: “na minha opinião, seria preciso examinar a sanidade de qualquer futuro secretário de Defesa que aconselhe o presidente a enviar de novo uma grande parte do exército americano para a Ásia, o Oriente Médio ou a África.”
Para ressaltar essa visão dos militares, o general aposentado Wesley Clark, antigo comandante das forças da NATO, escreveu um artigo para o Washington Post em 11 de março, com a manchete, “Líbia não cumpre os requisitos para ação militar dos EUA.”. Então, apesar do apelo dos falcões para um envolvimento norte-americano, o presidente Obama irá resistir.
O problema, portanto, não gira em torno uma eventual intervenção militar do Ocidente. São, sim, os esforços de Gaddafi para suprimir toda a oposição, na forma mais brutal de repressão usada contra a segunda revolta árabe. A Líbia está agitada com o êxito das insurreições na Tunísia e Egito. E se houver qualquer conspiração, é entre Gaddafi e o Ocidente – para diminuir, ou quase anular, o vendaval popular. À medida em que Gaddafi obtém sucesso, ele sugere a todos os outros déspotas ameaçados da região que a repressão violenta é um caminho melhor que as concessões.
É isso que a esquerda do resto do mundo vê, ao contrário de alguns governos da América Latina. Como aponta Samir Amin em sua análise da revolta egípcia, existiam quatro grupos distintos entre os manifestantes – os jovens, a esquerda radical, os democratas da classe média e os muçulmanos. A esquerda radical é composta por partidos de esquerda reprimidos e movimentos sindicais revitalizados. Não há dúvida de que a esquerda radical líbia é muito menor; e que o exército nacional é muito mais fraco (devido à política cautelosa de Gaddafi). Lá, o resultado do processo é, portanto, muito incerto.
Os líderes da Liga Árabe podem condenar Gaddafi publicamente. Mas muitos, e até mesmo a maior parte, deve aplaudi-lo em privado – e copiá-lo. Esta constatação pode ser útil para esclarecer a esquerda mundial.
Helena Sheeham, uma ativista irlandesa marxista, muito conhecida na África por seu trabalho solidário com muitos movimentos radicais, foi convidada pelo regime de Gaddafi para palestrar na universidade líbia. Ela chegou assim que o tumulto eclodiu. As conferências na universidade foram canceladas. Ela foi simplesmente deixada por seus anfitriões, e teve que descobrir sozinha como sair do país. Escreveu um diário no qual, em seu último dia no país, 8 de março, ela registra: “qualquer ambivalência sobre aquele regime se acabou. É brutal, corrupto, enganoso, ilusório”.
Também podemos observar a declaração da maior federação sindical da África do Sul e voz da esquerda, a Cosatu. Após louvar as realizações sociais do regime líbio, a Cosatu afirma: ”não aceitamos de modo algum, porém, que essas realizações sirvam como pretexto para a selvageria contra aqueles que protestam contra a ditadura opressiva do coronel Gaddafi e reafirmamos nosso apoio à democracia e aos direitos humanos na Líbia e em todo o continente.”
Vamos manter o foco. Hoje, a luta fundamental, no mundo inteiro é a segunda revolta árabe. Já será difícil o bastante obter um resultado radical nessa luta. Gaddafi é um grande obstáculo para a esquerda árabe, e também do resto do mundo. Talvez devêssemos nos lembrar da máxima de Simone de Beauvoir: “querer libertar-se significa querer também a liberdade dos outros”.
 –
* Tradução: Daniela Frabasile 
O texto de Wallerstein foi publicado em 15 de março, quando a posição dos Estados Unidos, então contrária a uma intervenção na Líbia, prevalecia, como é de praxe, no Conselho de Segurança da ONU. Naquele momento, contudo, já estava em curso uma mudança, liderada pela secretária de Estado Hillary Clinton e parcialmente descrita em reportagem do New York Times.

segunda-feira, 14 de março de 2011

China supera EUA como maior potência industrial

Mais uma transformação no sistema econômico mundial capitalita, enfim a China superou os EUA como maior potência industrial. Consolidando uma tendência aqui já expressa.

China supera EUA como maior potência industrial
AFP, 14/03/2011


WASHINGTON, 14 março 2011 (AFP) - A China destronou os Estados Unidos em 2010 e se tornou a maior potência manufatureira do mundo, segundo um estudo do centro de pesquisas econômicas IHS Global Insight.

A produção industrial da China representou 19,8% da produção manufatureira mundial em 2010, enquanto a parcela dos Estados Unidos representou 19,4%, segundo o IHS.

De acordo com o estudo, o valor agregado da produção industrial chinesa alcançou US$ 1,995 trilhão (correntes) em 2010, contra US$ 1,952 trilhã opara os Estados Unidos.

"A produção manufatureira americana registrou uma forte recuperação em 2010, com um crescimento de 12,6% em valor agregado", destaca o IHS, mas o crescimento maior na China e a valorização do yuan em comparação ao dólar permitiram à República Popular da China superar os Estados Unidos.

O estudo destaca, no entanto, que a produtividade continua sendo bem superior nos Estados Unidos: "com 11,5 milhões de trabalhadores, o setor industrial americano produz quase o mesmo valor registrado pelo setor industrial chinês com 100 milhões de trabalhadores".

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O século XXI parecido com o XII

"O século XXI está cada vez mais parecido com século XII", para o consultor de política externa de Barack Obama parece que sim. Há um visão de crepúsculo da atual sociedade burguesa ocidental, que é importante ser levado em consideração nas análises sobre a conjuntura mundial e estrutura do mundo contemporâneo, que já foi percebida até pelos intelectuais a serviço do poder central do imperialismo.

Idade Média
Marcos Oliveira e Sergio Souto, 29/12/2010

O século XXI vai se parecer cada vez mais com o século XII, argumenta, no Financial Times, Parag Khanna, diretor de uma think tank baseada em Washington. "Imagine um mundo com uma forte China reconfigurando a Ásia; uma Índia confiantemente estendendo o seu alcance da África à Indonésia; o Islã estendendo a sua influência; uma Europa plena de crises de legitimidade; cidades-estado soberanas acumulando riqueza e impulsionando a inovação; e forças militares mercenárias privadas, radicais religiosos e instituições humanitárias seguindo as suas próprias regras à medida em que competem por corações, mentes e fundos. Isto parece familiar hoje em dia. Mas era mais ou menos assim há pouco menos de um milênio atrás, no auge da Idade Média", diz o norte-americano, de origem indiana, consultor de política externa de Barack Obama.

domingo, 11 de julho de 2010

A ascensão dos BRICs e o aprofundamento da superexploração do trabalho

por Almir Cezar Filho

A superexploração do trabalho amplamente disseminada na China e visível o caso das recentes greves e ondas de suicídios de operários, embora traço típico de dependência de países periféricos dentro do sistema mundial imperialista, não impede sua transformação desse países em país semiperiférico ou mesmo central, fenômenos que estamos vivenciando agora com os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China).

O grande de capital internacional precisou simultaneamente de um rearranjo no sistema mundial imperialista de Estados, ao tempo que buscou globalmente por zonas de "baixo salário" e menor composição orgânica de capital. Mesmo que para isso, precise ceder poder para esses Estados e burguesias nacionais e industrializar/desenvolver essas economias, na tentativa de compensar a lei da queda da taxa de lucros.

O inverso com relação a superexploração do trabalho também acontece: países centrais podem desenvolver amplos traços de superexploração (e o estão fazendo). Basta ver os exemplos, a onda de suicídios na FranceTelecom e as várias medidas governamentais européias de cortes salariais e direitos sociais e previdenciários, principalmente na Grécia. Isto é ocasionado à medida que, a crise estrutural capitalista vai forçando o grande capital e seus governos a adotar esse regime de acumulação para compensar a ação da lei da queda tendencial da taxa de lucros, evidenciada na crise mundial.

Essa situação pode explicar porque os países dos BRICs e vários emergentes tiveram menor impacto da crise mundial de 2008, ou pelo menos atraso em sua chegada, se comparado os países centrais (EUA, Canadá, UE e Japão). Também explica que o ciclo econômico favorável na maioria dos BRICs e as recentes melhorias na vida dos trabalhadores nesses países, caso principalmente da economia brasileira, vieram apenas da ampliação na exploração do trabalho e redução da participação da massa salarial na distribuição da riqueza.

Finalmente, é bom lembrar, desenvolvimento econômico nacional não é sinônimo de bem-estar social, são duas categorias totalmente distintas, embora sempre vinculadas. Por sua vez, vários dos países centrais no passado foram países periféricos e sua industrialização se fez a partir dos capitais externos de países centrais sedentos de lucros extraordinários (vide o caso da Alemanha ou EUA com os capitais ingleses). O capital não tem pátria, muito menos patriotismo, pode fazer em seus países o que faz nas colônias e semi-colônias, e também, traz cíclico e simultaneamente progresso e miséria, em uma permanente e sinistra ciranda.

Caberá o outro lado da moeda do sistema, o contraponto ao capital, o trabalho, romper com esse jogo doentio. E as sociedades dos BRICs se tornaram arenas centrais desse jogo, com status semelhante a Europa e EUA, e são onde possivelmente haverão as partidas mais decisivas dos próximos anos, talvez mais importantes que esses, para construção da nova sociedade pós-capitalista.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O sistema circulatório da crise mundial - texto para reflexão

de Rodrigo Souza


Apresento uma análise a respeito da aguda crise econômico-financeira pela qual nossos Sistema Mundial Moderno atravessa neste momento - não passou, e que atingiu o Brasil de vez no último trimestre de 2008. Estive a observar as diferentes reações analíticas dos intelectuais estereoscopicamente, podendo ver alguns estereótipos.

De fato, é lamentável como retóricas frágeis e sem autocrítica lógica são o que predominam e proliferam. Com grossas verborragias preenchendo as lacunas e dando volume.

E ainda, existem nitidamente dois perfis caricatos antagônicos, à esquerda e à direita.

Existem aqueles que não disfarçam a comemoração: Marx volta às prateleiras, estaria voltando “à moda”, o capitalismo está ruindo, etc. É como se há muito estivessem torcendo para uma débâcle assim para novamente
poderem adentrar o debate público com algo relevante a falar. Contudo, não encontramos um aporte consistente sobre o quê de fato se pode dizer pelo instrumental marxista sobre o que estamos vivendo. Nem mesmo se pode estabelecer um nexo entre os constructos marxistas e o caráter da crise financeira, a não ser algumas imprecações e jogos conotativos e de constrangimentos semânticos. Não enxergamos nada que remeta ao volume sobre “Circulação” de O Capital, a não ser uma procedente menção ao que muitos marxistas se referiam no despontar da década de 70 como “capital fictício”, e que era ingenuamente satirizado pelos economistas neoclássicos. E o pior: não conseguem apontam minimamente qualquer indício de “superação do capitalismo” para um modo de produção superior, se é que o que está em jogo é a fidelidade à ortodoxia de Marx...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O Mundo e as regiões: há margem de manobra?

Almir Cezar Filho

Venho trabalhando na investigação sobre a dinâmica e os determinantes no desenvolvimento do capitalismo mundial. O professor da UFF Theotônio dos Santos foi um dos fundadores da teoria da dependência e hoje é um dos expoentes da teoria do sistema mundo. Para pensadores como ele, o desenvolvimento deve ser visto pelo ponto de vista mundial e não das partes nacionais. As regiões dos países também são tratados como um nível, um plano, do sistema econômico mundial. Os territórios são objetos e sujeitos do processo global, mais ou menos isso. O todo determina as partes. Mas as partes possuem um espaço de manobra e capacidade parcial de influência no todo.

Mas, não tão organizado assim. Digo essa parte: o todo organiza as partes. Embora pareça tão bem esquematizado, quase um determinismo. Só dá para ter um bom entendimento sobre as partes conhecendo o todo. Aí passamos ao entendimento de quanto às partes podem ter determinação sobre o todo. Não se pode dizer “as partes compõem o todo”, porque seria que o todo é a soma das partes, e não é.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O Equilíbrio Capitalista - questões metodológicas para analisar a crise mundial

por Almir Cezar Filho

Nos períodos de crise não é fácil explicar as crises utilizando o instrumental teórico tradicional da Economia. Venho estudando a algum tempo o autor marxista Leon Trotsky. Ele é muito usado para explicar tanto pela sociologia e pela historiografia os fenômenos revolucionários e políticos, mas esse autor analisou em seu tempo, em vários textos, fenômenos e conjunturas econômicas - a dinâmica e o equilíbrio do sistema capitalista.

Há um texto clássico, “A Situação Mundial”, escrito em 1922, que foi escrito como informe político num congresso partidário, onde analisava a economia mundial após a Primeira Guerra Mundial, a vaga revolucionária posterior e o começo de recuperação européia. O centro do texto é o conceito de "equilíbrio capitalista". É a partir desse conceito ele explica o funcionamento do sistema capitalista e as possibilidades da economia européia voltar a crise que havia passado entre 1918 e 1921.

O equilíbrio capitalista na verdade é uma “dinâmica”, à medida que passa permanentemente por rupturas e construção. Quando se fala em equilíbrio se fala em regularidade na dinâmica, mas há momento de irregularidades (desequilíbrios) e períodos de instabilidade.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Quais os rumos da Crise Mundial. Estamos em um novo 29?

por Almir Cezar Filho

Uma nova crise especulativa mundial iniciou-se no fim de fevereiro de 2007. Quais suas causas? Será que ela antecederá uma recessão mundial? Qual o peso da economia chinesa nesses processos?

A discussão é se estamos em uma crise mundial à vista, a partir da deflagração das crises das bolsas de fevereiro de 2007, que nos últimos meses deu uma engrossada, e a oportunidade ou não que se abre para a luta socialista. O mundo enfrenta simultaneamente uma crise financeira global, uma crise energética global, uma crise alimentar global e as negociações de comércio internacional mais uma vez fracassaram. Com uma grande recessão e crise financeira no centro do Capitalismo.