Em entrevista, Theotonio dos Santos avalia os processos de integração na América Latina, fala sobre a relação com a China e alerta para a ameaça da Aliança do Pacífico
Agencia Latinoamericana de Información - ALAI (17/06/2013)
Osvaldo León,
No ato de abertura do VIII Fórum da Associação Mundial de Economia Política, no final de maio deste ano, o cientista social brasileiro Theotonio dos Santos foi homenageado com o Prêmio Economista Marxista 2013, que esta entidade outorga desde o ano de 2011, como reconhecimento de sua extensa produção intelectual, que tem como um dos eixos a “Teoria da Dependência”, tendo em vista que participou na sustentação inicial dela.
Formado em economia, sociologia e ciência política, este professor emérito, da Universidade Federal Fluminense e coordenador da Cátedra e Rede UNESCO-ONU de Economia Global e Desenvolvimento Sustentável (Reggen), participou da Conferência da União de Nações Sul-Americanas sobre “Recursos Naturais para um Desenvolvimento Integral da Região”, realizada entre 27 e 30 de maio, que ocorreu em Caracas, Venezuela, onde aconteceu a entrevista que se segue.
A entrevista é de Osvaldo León, publicada pela Agencia Latinoamericana de Información e traduzida pelo Cepat.
(Osvaldo León) Nos últimos dias do mês de março, você esteve na China, atendendo aos convites da Academia Chinesa de Ciências Sociais, e na de Xangai. O que você pode nos dizer sobre as expectativas desse país em relação à América Latina?
(Theotonio dos Santos) A China tem um interesse muito grande pela América Latina porque é uma fonte de matérias-primas, o que para ela é fundamental. Nos anos 1990, também buscaram estabelecer acordos de cooperação tecnológica, especialmente com o Brasil. Entre 1994 e 1995, finalmente se concretizou um na questão espacial, mas o Brasil não cumpriu grande parte do acordo. A China neste campo conseguiu um desenvolvimento colossal, enquanto que o Brasil não conseguiu enviar nenhum foguete ao espaço. Então, esta cooperação não avançou muito. Agora, eles pensam muito na América Latina para chegarem a acordos regionais e já propuseram uma reunião regional...