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sábado, 10 de janeiro de 2026

Colapso Ambiental, Declínio do Capitalismo e a Necessidade de um Programa de Transição

por Almir Cezar de Carvalho Baptista Filho


Resumo

A crise ambiental contemporânea, marcada pelo iminente apocalipse planetário decorrente do aquecimento global irreversível, não é um mero fenômeno passageiro, mas sim um sintoma do declínio inescapável do capitalismo mundial. Este artigo, fundamentado em uma perspectiva marxista, explora as intrincadas conexões entre a crise ambiental, a luta de classes e a necessidade urgente de transições substantivas nas forças produtivas. A análise abrange desde a inadequação do capitalismo em lidar com emergências até a proposta de um programa de transição, culminando na crucial implantação global da agroecologia e produção orgânica como pilares de um socialismo verdadeiramente sustentável.


Palavras-chaves

Crise ambiental - Aquecimento global - Declínio do capitalismo - Luta de classes - Transição produtiva - Agroecologia - Produção orgânica - Programa de transição - Socialismo - Sustentabilidade


I. Introdução


A contemporaneidade testemunha uma convergência alarmante de eventos, indicando não apenas uma crise ambiental, mas um "apocalipse planetário" em gestação. Esta realidade não é isolada, mas entrelaçada com a queda histórica da taxa de lucros do capitalismo e suas práticas predatórias. Neste contexto, a luta de classes emerge como a centralidade estratégica, conectando questões ecológicas, direitos civis, trabalhistas e além. Este artigo, ancorado no pensamento marxista, navega por camadas complexas, desde a inadequação intrínseca do capitalismo até propostas tangíveis de transição, destacando a indispensabilidade da agroecologia e produção orgânica na construção de uma sociedade pós-capitalista sustentável.


Este artigo adota uma abordagem marxista para analisar a interconexão entre o colapso ambiental, o declínio do capitalismo mundial e a importância da luta de classes como motor de transformação social. Examina-se como a crise ambiental, especialmente o aquecimento global irreversível, está intrinsecamente ligada à busca incessante por lucros máximos no sistema capitalista. O texto destaca a necessidade de superexploração dos recursos naturais e a exploração dos trabalhadores como parte integrante desse modelo econômico.


A centralidade da luta de classes é reafirmada, destacando que as diferentes manifestações dessa luta, incluindo a luta ecológica, são interligadas e representam facetas de um conflito mais amplo. O foco se desloca da visão multitudinária para uma compreensão mais profunda da luta de classes como a força motriz por trás das questões ecológicas, dos direitos civis e trabalhistas.


O artigo argumenta que a questão ambiental não é apenas uma questão de escolha individual no consumo, mas está intrinsecamente relacionada às estruturas de produção, poder e distribuição. Examina as diferentes abordagens da transição produtiva em países desenvolvidos versus em desenvolvimento, especialmente no contexto brasileiro, onde a questão do uso e ocupação dos recursos naturais é central.


Destaca-se a necessidade de repensar a relação dos produtores pobres e dos trabalhadores com as políticas públicas, não dependendo delas como benesses temporárias, mas compreendendo-as como instrumentos transitórios para a construção de um novo modo de produção global. A discussão aborda a importância de um programa de transição que inclua medidas como reforma agrária, controle operário da produção, governança por meio de conselhos populares e a implementação da escala móvel de salários e trabalho.


Por fim, o artigo defende a ruptura com a lógica de preservação do capitalismo ou do “capitalismo verde” e destaca a necessidade de medidas mais profundas, como a aplicação geral e definitiva da agroecologia e produção orgânica, como fundamentais para a transição para uma sociedade socialista pós-capitalista.

quinta-feira, 27 de março de 2025

A Influência das Crises Econômicas nas Transformações Sociais e Políticas: A Dinâmica entre Crise, Reforma e Revolução | A ECONOMIA & A REVOLUÇÃO - Parte 22

Por Almir Cezar Filho

Crises Econômicas: Catalisadores de Reformas e Revoluções

As crises econômicas desempenham um papel fundamental na transformação das sociedades. Elas não apenas expõem as fragilidades dos sistemas econômicos e políticos, mas também funcionam como catalisadores de mudanças profundas, influenciando desde reformas graduais até revoluções abruptas. A forma como uma sociedade responde a uma crise pode determinar seu futuro, seja por meio da adaptação e ajuste das instituições existentes ou pela substituição completa do regime vigente.

Neste artigo, exploramos como as crises econômicas moldam a trajetória das nações, examinando seus impactos na estrutura social e política, além das diferentes reações que emergem dessas situações de instabilidade.

Crises Econômicas como Motores de Transformação

Crises econômicas afetam todos os aspectos da sociedade. Desde recessões moderadas até colapsos sistêmicos, esses eventos desestabilizam governos, aumentam o descontentamento popular e criam oportunidades para mudanças estruturais.

1. Características das Crises Econômicas

As crises podem se manifestar de diversas formas, mas compartilham algumas características comuns que determinam seu impacto:

  • Desestabilização Econômica: Ocorre uma queda na produção, aumento do desemprego, inflação ou recessão severa, deteriorando as condições de vida da população.
  • Descontentamento Social: A piora nas condições econômicas pode gerar insatisfação popular, alimentando protestos e questionamentos sobre a legitimidade das instituições.

Esses elementos criam um ambiente propício para transformações, seja pela via da reforma ou da revolução.

2. Exemplos de Crises como Catalisadores de Mudanças

A Crise Financeira Global de 2008

A crise financeira de 2008 expôs as falhas do sistema financeiro global, levando a um aumento da desigualdade e do descontentamento social. As consequências variaram:

  • Em países como os EUA, surgiram movimentos como o Occupy Wall Street, pressionando por reformas no setor financeiro.
  • Na Europa, a crise impulsionou o crescimento de partidos populistas de direita e esquerda, desafiando o establishment político tradicional.

quinta-feira, 20 de março de 2025

A Revolução e Seus Efeitos Duradouros: Transformações Institucionais e Impacto na Mentalidade Social | A ECONOMIA & A REVOLUÇÃO - Parte 21

Por Almir Cezar Filho

A revolução é um fenômeno de transformação profunda que não apenas altera a estrutura econômica e política de uma sociedade, mas também provoca mudanças duradouras nas instituições e na mentalidade coletiva. O impacto revolucionário transcende os momentos de ruptura, influenciando a forma como sociedades percebem sua própria realidade e moldam seu futuro. Mesmo quando derrotada, uma revolução pode deixar marcas indeléveis, modificando sistemas políticos, estruturas econômicas e valores sociais.

Este capítulo analisa as consequências das revoluções sob duas perspectivas fundamentais: as transformações institucionais e as mudanças na mentalidade social. Por meio de exemplos históricos, demonstraremos como esses processos se desenrolam e como seus efeitos persistem ao longo do tempo, redefinindo sociedades inteiras.

1. Transformações Institucionais: A Reconfiguração do Poder
Uma das primeiras consequências de uma revolução é a reconfiguração das instituições políticas e sociais. Esse processo pode ocorrer por meio da substituição de regimes, da criação de novas estruturas ou da reformulação de leis e políticas públicas.

1.1. Reconfiguração das Estruturas de Poder
Revoluções frequentemente resultam na ascensão de novos governos e na redefinição das relações de autoridade e governança. Em alguns casos, a revolução substitui completamente o regime anterior, como ocorreu na Revolução Francesa, que aboliu a monarquia absolutista e instaurou a República. Em outros, pode levar a mudanças graduais, mas estruturais, como aconteceu após a Revolução Gloriosa na Inglaterra, que consolidou a monarquia constitucional e limitou os poderes do rei.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Mudanças Sociais Graduais e Aceleração das Revoluções: Evolução, Reformas e Crises Econômicas | A ECONOMIA & A REVOLUÇÃO Parte 20

Por Almir Cezar de Carvalho Baptista Filho

No campo da análise econômica e social, compreender as dinâmicas entre mudanças graduais e revoluções é fundamental para entender como as sociedades se transformam. As mudanças sociais podem ocorrer de maneira gradual e acumulativa, enquanto as revoluções representam saltos abruptos que precipitam ajustes profundos e muitas vezes explosivos. Nesta seção, exploraremos as relações entre mudanças sociais graduais, reformas e revoluções, além de examinar como crises econômicas podem desencadear transformações significativas.

As mudanças sociais graduais são processos lentos e acumulativos que moldam as estruturas econômicas e sociais ao longo do tempo. Essas mudanças geralmente ocorrem de forma incremental e muitas vezes são menos visíveis até que alcancem um ponto crítico.

As mudanças graduais acumulam-se ao longo do tempo, com ajustes contínuos em resposta a novos desafios e oportunidades. Esses ajustes podem envolver reformas políticas, mudanças culturais e transformações econômicas.

Ao contrário das revoluções, as mudanças graduais tendem a causar menos disrupção imediata e permitem uma adaptação mais suave às novas condições. Elas podem ser o resultado de reformas incrementais ou da evolução de práticas sociais e econômicas.

Mudanças nas políticas sociais, como o aumento das proteções trabalhistas ou a expansão dos serviços públicos, muitas vezes ocorrem de forma gradual, refletindo mudanças nas demandas sociais e econômicas.

domingo, 1 de setembro de 2024

Determinações Extraeconômicas e Primazia da Política na Direção dos Processos de Desenvolvimento | A ECONOMIA & A REVOLUÇÃO Parte 15

Por Almir Cezar Filho

A teoria marxista do desenvolvimento econômico enfatiza a interação entre a estrutura econômica e a esfera política, destacando a influência das determinações extraeconômicas e o papel da política na direção dos processos de desenvolvimento. Nesta seção, exploraremos como as determinações extraeconômicas, especialmente as políticas e as relações interestatais, moldam o desenvolvimento econômico e as limitações impostas pela estrutura econômica. Analisaremos a primazia da política e como a política pode influenciar a direção do desenvolvimento, bem como as implicações dessa primazia para a dinâmica econômica.

As determinações extraeconômicas referem-se aos fatores que, embora não sejam estritamente econômicos, têm um impacto significativo sobre a dinâmica econômica. Esses fatores incluem a política, a luta de classes, as relações internacionais e as influências ideológicas.

Determinações extraeconômicas são fatores que influenciam a estrutura econômica e a dinâmica de desenvolvimento, mas não são diretamente relacionados ao processo de produção e troca de mercadorias. Esses fatores podem incluir políticas governamentais, estratégias internacionais e condições ideológicas.

Essas determinações podem influenciar a configuração da estrutura econômica, a forma como as políticas econômicas são formuladas e a capacidade de adaptação das economias às condições globais.

domingo, 25 de agosto de 2024

A Revolução Social e a Dinâmica das Mudanças Gradativas e Aceleradas - A Economia & a Revolução: Parte 12

por Almir Cezar Filho

A revolução social e as mudanças econômicas são fenômenos profundamente interligados, refletindo as contradições e tensões inerentes ao capitalismo. A dinâmica entre mudanças graduativas e revoluções sociais oferece uma visão crucial sobre como as transformações ocorrem e se manifestam ao longo do tempo. Nesta seção, exploraremos como as mudanças sociais graduais e acumulativas interagem com as revoluções sociais, examinando as características dessas mudanças e o impacto das crises econômicas e revoluções na transformação das sociedades.

Mudanças Sociais Gradativas e Acumulativas

As mudanças sociais graduais referem-se às transformações que ocorrem de maneira lenta e progressiva ao longo do tempo. Essas mudanças frequentemente resultam de processos acumulativos e podem afetar as estruturas econômicas, políticas e sociais de uma sociedade.

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

ECONOMIA É FÁCIL | África Ocidental em ebulição: Levantes Militares ou Revoluções Anticoloniais?


📻 Nesta segunda-feira 18/09 a partir das 18h mais uma edição ao vivo e inédita do programa Economia É Fácil na Web Rádio Censura Livre, tratando dos temas de economia e conjuntura mais importante dos últimos dias com linguagem fácil e na perspectiva dos trabalhadores. 

🎙️Apresentação do economista Almir Cezar Filho

🎤 Convidado: Hertz Dias, professor de História

📰 Uma produção da Agência de Notícias Alternativas-ANOTA para a Rádio Censura Livre.


🗣️Na mais recente edição do nosso programa de economia e conjuntura, convidamos o renomado acadêmico Hertz Dias para uma profunda análise dos eventos que têm abalado a África Ocidental nos últimos três anos. Estamos testemunhando levantes militares ou movimentos de revolução anticolonial?

Junte-se a nós enquanto exploramos as complexidades por trás dos golpes de estado na região, examinando se o imperialismo russo e chinês estão desempenhando um papel na ascensão das novas ditaduras militares em detrimento dos governos democráticos.

Além disso, vamos mergulhar no caso específico de Burkina Faso e compará-lo com o legado inspirador de Thomas Sankara. Como esses eventos se comparam com o passado histórico da região?

Não perca esta entrevista esclarecedora e provocativa que lança luz sobre questões cruciais que afetam não apenas a África Ocidental, mas também o cenário geopolítico global.

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sábado, 23 de maio de 2020

Crise capitalista e a controvérsia sobre crise, no Marxismo

por Almir Cezar Filho

Marx nunca perdeu de vista o problema das crises desde seus primeiros trabalhos significativos, falava que as crises por sua repetição periódica põem a prova à vida de toda a sociedade burguesa, cada vez mais ameaçadoramente, e apesar de sua superação, reaparece a todo momento, em cenários cada vez mais versáteis e maior intensidade de ação (cf. MARX & ENGELS, Manifesto Comunista). 

Karl Marx via o capitalismo, como um sistema historicamente datado, isto é, que tinha um começo, um início, e obviamente que, haveria um fim, profetizando que terminaria através uma crise ou de crises do próprio sistema. Findado, ou findando-se, construir-se-ia pelas mãos do proletariado a sociedade socialista a partir de necessários elementos que se apareceriam durante o desenvolvimento do modo de produção capitalista.

Em agudas contradições, crises, convulsões, se evidência a crescente inadequação do desenvolvimento produtivo da sociedade às relações de produção em vigor. A violenta aniquilação do capital (nas crises), não por circunstâncias alheias a ele, mas como condição de sua autoconservação, é a forma mais contundente de aviso para que ele desapareça e dê lugar a um estágio superior de produção social (...) Estas contradições têm como resultado cataclismos, crises, nos quais, a suspensão momentânea de trabalho e a destruição de grande parte do capital, o fazem voltar violentamente ao ponto no qual é incapaz de empregar plenamente os seus poderes produtivos sem cometer suicídio. No entanto, estas regulares e recorrentes catástrofes têm como resultado a sua repetição em uma escala maior e, por último, à derrubada violenta do Capital. (Marx, Gründrisse)
Tornando-se recorrente essa discussão em seus trabalhos, entretanto o problema das crises não se encontra em nenhum dos escritos de Marx a um exame completo ou sistemático.

Os seguidores de Marx num período de franca consolidação do marxismo e de sua hegemonia no movimento operário, especialmente com a II Internacional, entre os anos de 1880 até o início da Primeira Guerra Mundial, sendo conhecidos como “socialdemocratas”, foram além, colocando-a em torno da chamada “teoria do colapso”, que afirmavam que o fim do capitalismo se daria por uma derrocada, sob forma de um inevitável colapso econômico geral, o que seria sucedido pelo socialismo, isto é, abrir-se-ia espaço para sua implantação.

Esta concepção era resultado obtida pela interpretação acertadamente marx-engelsina que “limite do capital é o próprio capital”, quer dizer, as restrições e crises do capitalismo são determinadas pelo próprio desenvolvimento do processo de acumulação do capital. Entretanto, esqueciam-se do necessário papel revolucionário do proletário e subestimavam a capacidade de sobrevivência do capital, um claro resultado de uma interpretação dogmática da teoria de Marx.

sábado, 16 de maio de 2020

As perspectivas da Nova Política Econômica, por Evgene Preobrazhensky

Tradução para o português (brasileiro) do original “Perspektivy Novoi Ekonomicheskoi Politiki”, publicado no periódico Krasnaia nov’3 (Setembro-Outubro 1921).

Evgene Preobrazhensky
No prefácio à primeira edição de O Capital, Marx escreve estas frases habitualmente citadas: “Uma nação pode e deve aprender com a história de outra nação. Incluindo quando uma sociedade chegou a descobrir o caminho da lei natural que preside seu movimento (...), não pode nem superar de um salto nem abolir por decreto as fases de seu desenvolvimento natural; mas pode abreviar o período da gestação e suavizar os males de sua gestação”. Anteriormente disse Marx no mesmo prefácio; “O país mais desenvolvido industrialmente não faz mais que mostrar aos que lhe seguem na escala industrial a imagem de seu próprio futuro”.

Desgraçadamente temos, tanto no continente europeu como no continente americano, países sem dúvida muito mais desenvolvida industrialmente que Rússia, mas nenhum deles se encontra em condições de mostrar à Rússia dos sovietes, industrialmente atrasada, “a imagem de seu próprio futuro”.

Este giro inesperado da história – a realidade da vitória e do estabelecimento da ditadura do proletariado precisamente em um dos países mais atrasados de Europa, Rússia, porém que nos países mais avançados economicamente subsiste relações da produção capitalistas – este giro converteu a situação em Europa (no sentido da aprendizagem que podem obter os países atrasados da história dos países mais avançados) em uma situação infinitamente mais complexa que o era quando Marx escreveu as frases citadas.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Sobre a condenação ao Comunismo (e ao Marxismo)

Ou porque não pode ser condenado pelos horrores do stalinismo

Por Almir Cezar Filho


Não confunda os horrores do regime stalinista com o Comunismo ou mesmo com a revolução socialista. Porque, se fosse assim, também teríamos que condenar a Revolução Inglesa por ter dado origem a Ditadura de Cromwell ou a Revolução Francesa pela Ditadura de Bonaparte.


A afirmação "ninguém que viveu sob o comunismo o quer de volta" não é verdadeira. Basta ver as pesquisas de opinião junto à população desses países. Isso apesar dos crimes das ditaduras stalinistas.

E repito, não se deve rejeitar o sucesso e as conquistas das revoluções socialistas do século XX a partir do fato que os regimes evoluíram pras sinistras ditaduras stalinistas.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Por que os países socialistas do século XX viraram tiranias? Ou o porquê do Socialismo não necessariamente se transforma num sistema totalitário

Sobre a degeneração autoritária e a restauração do capitalismo na Rússia, China e Cuba

Por Almir Cezar Filho

Nos últimos anos ressurgiu toda uma enxurrada de acusações anticomunistas vinculando o Socialismo com o totalitarismo, automaticamente. Na verdade, sem perder tempo mascarando o autoritarismo que de existiu nas experiências socialistas do século XX, existem boas explicações marxistas, para explicar porque esses casos em específico enredaram para o totalitarismo. E se o totalitarismo não é a regra, mas a exceção, como evitar a degeneração. 

Mas, primeiro, vamos a origem da questão que inspira esse artigo. Um jovem socialista meu amigo me enviou essa pergunta: -Oi, Almir. Como vai?  Eu estava debatendo com um colega no Face mas não consegui responder a uma questão. Ele disse que toda vez que se tentou construir o socialismo sempre acabou caindo num sistema totalitário. Já disse pra ele que no capitalismo nós já vivemos uma "ditadura" do capital. Mas não soube responder a questão da derrocada do socialismo na Coreia do Norte, China, Cuba. Como se o socialismo necessariamente se transformasse num sistema totalitário.

Existe três linhas de raciocínio para explicar porque esses casos de socialismo em específico enredaram para o totalitarismo: (1) essas revoluções aconteceram em países atrasados, (2) não houve a revolução mundial, (3) revoluções pioneiras sempre estão abertas ao bonapartismo e à restauração.  Ao final veremos os três fatores atuam para evitar o fenômeno da degeneração/restauração. Vamos a resposta detalhada: 

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

"Revolução Russa, é a economia, estúpido!' Vamos ao programa econômico

(100 Anos da Revolução Russa)

por Almir Cezar Filho

Nesses dias que se completam o Centenário da Revolução Russa de "Outubro" ou Vermelha  chamo atenção a uma questão fundamental: o programa econômico. A tomado do poder pelos Sovietes e a criação do governo dos Comissários do Povo tinha em si e para si o receituário para grande crise econômica e política que passava a Rússia pós-czarista.

O programa econômico revolucionário compõe com duas outras - a alternativa de poder/organismo alternativo de governo e um grupo dirigente estratégico -  determinação necessária e suficiente para gerar uma situação revolucionária vitoriosa. 

Por sua vez, o Programa organiza três desafios: ela detalha as consignas, os pleitos: "Todo poder aos sovietes" e "Paz, pão e terra", eram os lemas durante a Revolução Russa e sintetizavam as reivindicações das massas e as tarefas. 

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

O fim da URSS não é o fim da marcha ao Socialismo. Nem eventualmente na própria Rússia

(100 Anos da Revolução Russa)

Por Almir Cezar Filho


 A História não é linear e não se encerra tão simplesmente. Segue em ziguezague. Como outras revoluções no passado, como a Francesa ou a Inglesa nos mostraram. A Revolução Vermelha Russa não se encerrou em 1989/1991. E com certeza veremos outros desdobramentos no futuro, também na própria Rússia.

Para os intelectuais da burguesia e mesmo para muitos epígonos do marxismo a Queda do Muro de Berlim, a restauração ao Capitalismo e a dissolução da URSS foi a prova definitiva que o Socialismo sob a Ditadura do Proletariado está fadada à lata de lixo da História. Mas a experiência das revoluções burguesas que implementaram o modo de vida Capitalista mostram o contrário.

Muito se compara a Revolução Russa com a Francesa. Mas o crepúsculo stalinista e a restauração em muito se assemelha a outra revolução, a Inglesa. Aquela de 1630 a 1640. Que antes da consolidação do regime burguês, com divisão de poderes, sufrágio periódico, constituição e liberdades econômicas passou por inúmeras reviravoltas.

domingo, 20 de agosto de 2017

A Economia e a Revolução: uma dialética explosiva

Posso chamar o conjunto que eu pesquiso de "A Economia e a Revolução". Se chama assim pelo simples fato que analisa a complementariedade entre esses dois aspectos da vida social humana. Ou melhor dizendo, tenta dar início a esse desafio. Falaremos de uma dialética explosiva. Que apesar de "dialética", não é de dois, mas de três: Economia, economia e revolução. Revolução essa tanto econômica e social, como revolução científica.

A Economia, enquanto esfera social, como dimensão social, similar a Política, a Moral, a Cultura, passa constantemente por “revoluções”, súbitas transformações, desenvolvimentos em saltos. Mas também é impactado pela revolução social geral. Pelas revoluções políticas, revoluções nos costumes, na tecnologia. Como ainda pelas revoluções na ciência. Na própria disciplina científica pertinente à economia: a Ciência Econômica, também chamada Economia (o “e” maiúsculo).

Quer dizer, a economia é influenciada pela Economia. Mas, não é apenas isso. Aí vamos ao eixo invertido.

A Economia é influenciada pela economia. A cada transformação na sociedade, nas formas de produzir, trocar, distribuir e consumir, a ciência da economia, a Economia, reage com novas formulações, novas teorias, que amparam (ou não) o desenvolvimento econômico.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Liberalismo e Modernidade: as revoluções intelectuais e políticas do séc. 18. Compondo uma bibliográfica alternativa

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita nº 26

por Almir Cezar Filho

Uma velha dica de roteirismo: se há problema no terceiro ato, volte ao primeiro ato.

Nos últimos 18 meses, em meio a muitas e muitas outras leituras, encarei o desafio de montar e ler um catálogo alternativo e crítico sobre a edificação do pensamento e da ordem social Moderna baseada no Liberalismo. Explorando as revoluções intelectuais e políticas do séc. 18 em base a um bibliografia alternativa.

O desafio surgiu, à medida que, eu ficara instigado com o destaque que ganhara na conjuntura uma nova direita, avivada, com pautas distintas daquela consagrada no século XX e com um forte viés liberista, mercadista, ultralibertariano, que colocam o neoliberalismo no "chinelo". Mas que contêm fortes críticas às liberdades individuais não econômicas e uma repúdio aos Direitos Humanos.

Sem a necessidade de reler as obras consagradas das escolas Austríaca, de Chicago/Monetarista, da Oferta e de Escolhas Racionais  - que as tinha lido, quando mesmo já as tinha em meu acervo pessoal. O objetivo não era analisar essa matriz em que essa Nova Direita se referência (se no todo, senão em parte, como seus próprios expoentes esbravejam), mas fazer uma correspondência crítica com o pensamento e Ordem liberal, especialmente com o momento em que ela era revolucionária - a segunda metade do século XVII, o XVIII e as primeiras décadas do século XIX.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Marxismo e Pós-Modernidade. A 4ª Internacional é uma necessidade histórica dos tempos atuais

Não é preciso renegar a Quarta para revolucionar o Capitalismo em sua 4ª Etapa 

por Almir Cezar Filho

Para o Marxismo, o Capitalismo, além de antinatural e limitador do potencial humano, não morre por morte morrida, mas matada. Não há "colapso", muito menos pela superação passiva, ou pelo progresso natural ou pela reforma social.

Por sua vez, uma sociedade que supera positivamente o Capitalismo é socialista, embora as experiências de economias pós-capitalistas do século XX (URSS, Alemanha Oriental, Cuba, etc) não tenham se completando, e ao contrário se degeneraram no tempo, rumando à beira do colapso. E mais do que o encerramento da economia estatizada e planificada, no fundo uma reversão ao capitalismo. Não a provando que o inviabilidade do Socialismo, apenas de que não deveria ter seguido ou deixado de seguir certos aspectos.

Por outro lado, considero o Marxismo uma ferramenta da luta anticapitalista, socialista. Uma teoria social, um método analítico e um programa político. Não considero o Marxismo em si dogmático, embora haja vários marxistas e organizações políticas que o sejam. É possível um Marxismo aberto a crítica e a contribuições de outras teorias, sem necessariamente cair em um desvio eclético.

Quando o Marxismo foi sendo desenvolvido originariamente por Marx e Engels na metade do século XIX partindo da evidência que a apesar do Capitalismo revolucionar o mundo destruindo os regimes anteriores e a si mesmo permanentemente, e portanto as revoluções sociais são inevitáveis, e na direção e tendência potencial ao Socialismo (mesmo que não efetivamente), e levadas a cabo sob ação ou participação do proletariado, era preciso uma "ciência da revolução".

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O abandono da reforma agrária pela socialdemocracia

por Almir Cezar Filho

Há atualmente um evidente colapso do modelo de reforma agrária brasileira. Número em queda de novos projetos de assentamentos e assentados, um discurso governamental de "requalificar" as ações da reforma agrária. Esse modelo de reforma agrária se assentava no caráter contraditório a própria essência de uma reforma social, ao tornar-se uma política pública permanente, ou pelo menos, continuada. Porém, contraditoriamente nos últimos anos culmina em seu próprio abandono pela socialdemocracia a frente do poder do Estado.

Esse modelo foi iniciado por Juscelino Kubitschek e desenvolvido pela ditadura militar e ajustada pelo pacto social dos anos da "Nova República". Baseado na colonização, ajustada com a desapropriação de terras privadas.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Preobrazhenski, um economista trotskista. Seus aportes e contribuições ao trotskismo para o Brasil de hoje

por Almir Cezar Filho [1]

Introdução

Este texto não consiste em discorrerei uma biografia do economista e revolucionário Eugeni Preobrazhenski. Nem sua participação na Revolução Russa, ou outros importantes aspectos, como sua contribuição teórica ao marxismo, ou seu papel na gestão da economia soviética durante a década de 1920 (a primeira experiência socialista da História), ou sua participação no partido bolchevique. Nem mesmo sua participação ao lado de Trótski em evitar a burocratização pelo stalinismo do partido, do sovietes, do Estado e das empresas.

Cabe exclusivamente em um breve artigo reabilita aos olhos dos trotskistas contemporâneos, especialmente aos morenistas (até porque revolucionário trotskista Nahuel Moreno o utilizou para atualizar o trotskismo nos anos 1980 [i]), esse brilhante intelectual marxista, dirigente partidário e administrador socialista, e, por sua vez, apontar os necessários aportes que seu pensamento permite para encararmos a luta socialista no século XXI.

Um dos problemas brasileiros atuais que vem dando "dor de cabeça" é recorrência da inflação alta e pressão desta nos ciclos de crescimento econômico: o Teorema de Preobrazhenski. O Teorema de Prebrazhenski não é uma criação de Preobrazhenski, mas uma interpretação dada por Joseph Stiglitz (prêmio Nobel de Economia e ex-economista-chefe do Banco Mundial) ao estudar os problemas macroeconômicos das economias em desenvolvimento (em transição de agroexportadores para industrializados), em que é endêmico recorrentes crises no câmbio e no balanço de pagamentos e uma crônica inflação alta, que se intensificam quanto mais cresce a economia, gerando um fortíssimo dilema.