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sábado, 6 de dezembro de 2025

Sobre a Política Econômica no Governo Federal: A criação de um “sistema estruturante” e o papel central dos servidores economistas

por Almir Cezar Filho*

Resumo:

Este artigo (escrito em 2022)** analisa a dispersão da política econômica na Administração Pública da União e propõe a criação de um Sistema Federal de Política Econômica. Destaca a falta de uma estrutura específica para essa área, enfatizando a necessidade de reestruturação. O texto destaca a presença de setores e instrumentos de política econômica em diversos ministérios, propondo a coordenação para melhor desenvolvê-los. Aponta a viabilidade da reforma, dada a existência das atribuições e da presença atual de servidores no quadro de pessoal do Poder Executivo com perfil profissional especializado para composição desse sistema. Por fim, destaca a importância desse sistema estruturante para facilitar a cooperação governamental, participação social, avaliação contínua e transparência.


Palavras-chaves: Política Econômica,  Administração Pública Federal, Sistema Federal de Política Econômica, Economistas, Descentralização, Coordenação setorial


Este artigo analisa a política econômica na Administração Pública Federal**, destacando sua dispersão por várias pastas governamentais e propondo uma estrutura coordenativa com pessoal especializado em cada órgão e articulado entre si. O texto apresenta o conceito e a importância da política econômica, examina o marco jurídico atual e identifica a falta de um sistema estruturante específico para essa área. Embora haja uma estruturação geral na Administração Pública Federal, não existe uma organização específica para a política econômica. 

O objetivo é analisar como está instituído na Administração Público Federal a política econômica, não se limitando às pastas da assim chamada “Equipe Econômica do Governo”** (Ministério da Fazenda, do Planejamento, da Gestão, da Indústria e Comércio, entre outros), mas ao contrário disso, dispersa por todo o Poder Executivo, buscando dar um novo formato, que preserve a sua descentralização e segmentação setorial, mas busque uma estrutura comum coordenativa e com pessoal especializado para melhor desenvolvê-la em cada órgão.

A ideia que o permeia é preparar subsídios para repensar e de fato constituir o Sistema Federal de Política Econômica, motivada pela necessidade de reformá-lo em profundidade, o que se pretende mostrar evidente. Mas, principalmente, pela viabilidade tecnopolítica de empreender tal reforma, pois os recursos críticos requeridos para levá-la à frente estão quase todos sob o controle do Poder Executivo Federal.

Os instrumentos de política econômica criados pela Constituição Federal de 1988 (CF/1988) têm sofrido diversas interpretações e experimentado variadas tentativas de aplicação prática sem, no entanto, se afirmarem de maneira mais duradoura e sem conquistarem adesões políticas e intelectuais que os legitimem e os transformem em efetivos mecanismos de condução dos processos de governo.

À primeira vista, a política econômica é atribuição nata do atual Ministério da Economia** (Ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Gestão, e até mesmo com o de Indústria e Comércio, e outros casos até Agricultura, Infraestrutura, etc.), mas, se é verdade que a política macroeconômica e de desenvolvimento econômico estão concentradas no Ministério da “Economia”, e de maneira auxiliada pelo Banco Central (política monetária), cada outro ministério possui seu próprio setor, secretaria, assessoria de conjuntura econômica, e/ou próprios instrumentos de realização de política econômica setorial. 

Seja de pastas explicitamente ligadas à produção nacional, tal como o Ministério da Agricultura, ou das Minas e Energia, passando pelos Transportes, ou do Desenvolvimento Regional e das Cidades. Mas até mesmo, o da Cultura (política de fomento e regulação) do mercado cultural, passando pelo das Comunicações e pela da Ciência, Tecnologia & Inovação, chegando até o do Turismo. Muitos desses Ministérios contêm secretarias inteiras de Política “X”, referindo-se a propriamente dita política econômica setorial de sua própria Pasta.

O artigo aborda diferentes aspectos relacionados à política econômica na Administração Pública Federal. Inicialmente, são apresentados conceitos e finalidades da política econômica, tanto como política pública quanto na teoria econômica, destacando sua dispersão por várias pastas de governo. Em seguida, é analisado o marco jurídico atual da política econômica, seguido pela identificação de sistemas estruturantes existentes na Administração Pública, que visam melhorar as atividades administrativas, mas que não abrangem adequadamente a política econômica. 

O texto também menciona a existência de carreiras segmentadas para cada sistema estruturante, mas a ausência de equivalente para a política econômica. A partir disso, é apontado que os servidores do cargo de “economista” possuem as habilidades necessárias para compor um sistema estruturante dedicado à política econômica. 

Por fim, nas considerações finais, destaca-se que um sistema estruturante para a política econômica pode facilitar a cooperação governamental, a participação social, a avaliação contínua e corretiva, bem como a transparência.

sábado, 22 de novembro de 2025

Dossiê | Tetralogia de ensaios sobre "Acumulação Coerente"

Ensaios sobre Desenvolvimento, Planejamento e Soberania Social

Por Almir Cezar Filho | Série Limiar e Transformação Econômica

Juntas, quatro dimensões - explicáveis abaixo - compõem o que podemos chamar de "Teorema da Acumulação Coerente", isto é, um sistema econômico é sustentável quando o excedente é gerado de forma produtiva, distribuído de modo planificado e reaplicado socialmente.

Apresentação
A  presente tetralogia de ensaios reúne quatro textos teóricos e críticos que, em conjunto, formulam uma teoria marxista contemporânea do desenvolvimento, articulando macroeconomia, estrutura produtiva, política industrial e transformação social. Inspirada em Evguêni Preobrazhensky, Michał Kalecki, Celso Furtado e Theotonio dos Santos, esta obra desenvolve o conceito de acumulação coerente — uma síntese entre racionalidade planificada, proporcionalidade intersetorial e redistribuição solidária.

Ao longo dos textos, o autor reconstrói, sob novas condições históricas, a tradição do planejamento e da economia política do desenvolvimento no Brasil e na América Latina. Mais que uma teoria da produção ou da política econômica, trata-se de uma teoria da coerência social do desenvolvimento — um esforço de reintegração entre economia, política e ética, num tempo em que a acumulação capitalista global se mostra desordenada, excludente e insustentável.

A Tetralogia propõe, assim, um paradigma alternativo de modernização, no qual o Estado, o trabalho e a comunidade se tornam sujeitos conscientes da acumulação, transformando o excedente em bem comum e o crescimento em soberania.

sábado, 15 de novembro de 2025

Economia Solidária e a Nova Racionalidade do Desenvolvimento: a autogestão como forma social da coerência econômica

Como a organização solidária do trabalho pode transformar o excedente produtivo em soberania social e reconstrução nacional**

Por Almir Cezar Filho*

Resumo
A Economia Solidária é apresentada como dimensão social e territorial da teoria da acumulação coerente, integrando os conceitos de Preobrazhensky, Kalecki e Furtado em uma perspectiva marxista-estrutural contemporânea. Mais que uma política pública ou alternativa de renda, ela constitui um novo paradigma de racionalidade econômica, baseado na autogestão, na propriedade coletiva e na reintegração entre trabalho e comunidade. O artigo analisa suas formas organizacionais, seus instrumentos financeiros (bancos comunitários, moedas sociais, microcrédito orientado), e sua integração com o planejamento estatal e territorial. Defende que a Economia Solidária é o elo que liga a coerência macroeconômica e a redistribuição social, completando o ciclo iniciado nos artigos anteriores sobre crescimento garantido, doença egípcia e acumulação primitiva nacional. Como síntese teórica e prática, propõe que o desenvolvimento brasileiro do século XXI depende da capacidade de transformar solidariedade em estrutura produtiva e excedente em emancipação.

Palavras-chave
Economia solidária; autogestão; desenvolvimento; planejamento econômico; acumulação coerente; Preobrazhensky; Kalecki; Celso Furtado; cooperativismo; economia popular; soberania produtiva; Estado solidário.

I. Introdução – O retorno do trabalho como sujeito do desenvolvimento

A Economia Solidária surge, nas últimas décadas, como uma das expressões mais avançadas da crítica prática ao capitalismo contemporâneo. Ela não é mero programa compensatório de geração de renda nem política pública de combate à pobreza, mas a reemergência da auto-organização dos produtores — trabalhadores que retomam, de forma coletiva e consciente, o controle sobre os meios, os fins e os frutos do seu próprio trabalho. Trata-se de uma racionalidade econômica alternativa, enraizada em valores de cooperação, sustentabilidade e justiça social, que se contrapõe frontalmente à lógica do lucro e da acumulação privada do capital.

Num cenário de crise estrutural da globalização neoliberal, desindustrialização prolongada e precarização do trabalho, a Economia Solidária reaparece como projeto de reconstrução produtiva e social a partir de baixo. Enquanto o capitalismo convencional concentra renda e mercantiliza a vida, a economia solidária descentraliza a produção, redistribui o excedente e restabelece os laços entre economia e comunidade. Ela opera onde o mercado fracassa e o Estado se ausenta — mas vai além da mera substituição: propõe uma nova forma de planejamento democrático da produção e do consumo, em que a finalidade é a reprodução ampliada da vida, não do capital.

Essa perspectiva dialoga com as formulações de Preobrazhensky, que, ao teorizar a acumulação socialista primitiva, identificou o papel histórico das formas não capitalistas na transição ao desenvolvimento planificado. Também se aproxima de Kalecki, para quem a dinâmica macroeconômica só é sustentável quando a distribuição funcional da renda sustenta o investimento produtivo e o pleno emprego. E, ainda, de Celso Furtado, que via na articulação entre estrutura produtiva, cultura e solidariedade social o núcleo do verdadeiro desenvolvimento. A Economia Solidária, nesse sentido, é a tradução microeconômica e territorial dessa coerência macroestrutural — uma forma de desenvolvimento endógeno, inclusivo e socialmente racional.

Diferente de programas assistenciais ou políticas de subsistência, a Economia Solidária se ancora na autonomia dos trabalhadores e no enraizamento comunitário da produção. Suas experiências — cooperativas, empresas recuperadas, redes de produtores, bancos comunitários, moedas sociais e tecnologias sociais — compõem um mosaico de resistência e inovação que desafia a hegemonia da empresa capitalista tradicional. Cada experiência local, por pequena que pareça, representa um ato de reconstrução da economia nacional a partir de suas bases sociais, culturais e ecológicas.

Por fim, a Economia Solidária ocupa um lugar estratégico na nova teoria do desenvolvimento que propomos ao longo desta série. Se o primeiro artigo tratou da coerência macroeconômica entre crescimento e estabilidade, e o segundo diagnosticou a “doença egípcia” como estagnação estrutural das economias dependentes, e o terceiro resgatou a acumulação primitiva nacional como fundamento da reindustrialização soberana, agora a Economia Solidária fecha o ciclo ao apresentar o sujeito social desse processo: o trabalho coletivo, consciente e autogestionário. É nele que o desenvolvimento se reconcilia com o humano — onde a economia volta a servir à sociedade, e não o contrário.

sábado, 1 de novembro de 2025

Do Boom do Agro à Nova Industrialização: o Agronegócio como Fonte de Acumulação Primitiva Nacional

Como o setor agroexportador pode financiar a reindustrialização, ampliar a complexidade produtiva e consolidar a soberania econômica do Brasil*

Por Almir Cezar Filho**

Resumo
O artigo propõe o conceito de acumulação primitiva nacional, inspirado em Evguêni Preobrazhensky e adaptado à realidade do capitalismo periférico contemporâneo. A partir da análise do boom do agronegócio brasileiro, o texto demonstra que o setor agroexportador, quando articulado a uma política de planejamento e investimento público, pode atuar como fonte de financiamento produtivo e tecnológico da reindustrialização. Diferente da “doença holandesa” e da “doença egípcia”, em que o campo atua como fator de regressão estrutural, a acumulação primitiva nacional propõe a transferência consciente e planejada do excedente agrário para os setores industriais, científicos e de infraestrutura.
Com base nas formulações de Preobrazhensky, Kalecki e Furtado, o artigo articula os conceitos de coerência estrutural, crescimento garantido e soberania produtiva, defendendo a criação de um novo pacto desenvolvimentista entre Estado, agronegócio, indústria e ciência. A tese central é que o Brasil dispõe hoje dos meios materiais para um novo ciclo de industrialização verde e digital — faltando-lhe apenas a consciência da necessidade, isto é, o planejamento econômico como instrumento de transformação nacional.

Palavras-chave
Acumulação primitiva nacional; agronegócio; reindustrialização; desenvolvimento econômico; coerência estrutural; crescimento garantido; Preobrazhensky; Kalecki; Celso Furtado; soberania produtiva; Brasil.


I. Introdução – O Paradoxo do Sucesso Agrário

O Brasil vive um paradoxo estrutural. Enquanto o agronegócio alcança níveis inéditos de produtividade, rentabilidade e inserção internacional, o país como um todo experimenta uma prolongada estagnação industrial e tecnológica. A agricultura, responsável por metade das exportações e por saldos comerciais que sustentam a estabilidade cambial, tornou-se a principal âncora macroeconômica de uma economia que, paradoxalmente, perdeu sua base manufatureira e sua capacidade autônoma de inovação.

A narrativa oficial — de que o sucesso do agronegócio seria suficiente para puxar o crescimento nacional — revela-se incompleta. O setor agroexportador gera riqueza, mas essa riqueza não se converte em desenvolvimento. Gera divisas, mas não acumulação produtiva; gera renda concentrada, mas não difusão tecnológica. A questão essencial, portanto, não é “se” o agronegócio pode contribuir para o desenvolvimento, mas como transformar seu excedente externo em base de reindustrialização interna.

Essa reflexão resgata, sob novas condições históricas, uma ideia seminal de Evguêni Preobrazhensky: a “acumulação socialista primitiva”. Em A Nova Economia, o autor defendia que, nas economias em transição, o Estado devia organizar a transferência do excedente gerado nos setores mais dinâmicos ou rentáveis para financiar a industrialização e a ampliação das forças produtivas. Aqui, reinterpretamos o conceito como acumulação primitiva nacional — um mecanismo de desenvolvimento endógeno no qual o Estado coordena e canaliza os excedentes do agronegócio, da energia e da mineração para a expansão da base produtiva, científica e tecnológica do país.

Trata-se, em essência, de restabelecer a coerência entre os setores da economia — algo que Preobrazhensky via como condição da estabilidade e Kalecki, como base do crescimento garantido. Numa economia periférica como a brasileira, o problema não é a escassez absoluta de recursos, mas sua má alocação estrutural. O excedente gerado pelo campo, em vez de financiar a diversificação produtiva, é drenado pelo rentismo, pela financeirização e pelas importações de bens industriais e tecnológicos. Assim, o que poderia ser um ciclo virtuoso de acumulação torna-se uma dependência reeditada: exporta-se tecnologia incorporada e importa-se a tecnologia essencial.

Este artigo propõe que o boom agrário, longe de ser um obstáculo, pode se tornar o motor de uma nova industrialização, desde que inserido em um projeto nacional de planejamento e de investimento coordenado. Reindustrializar, aqui, não significa negar o agronegócio, mas transformar sua força de geração de divisas e inovação em base material para a reconstrução industrial, tecnológica e científica do Brasil.

O desafio é político e estrutural: como organizar, no século XXI, uma estratégia de acumulação que não reproduza a dependência, mas a supere. A resposta não está no retorno ao modelo primário-exportador, nem na simples substituição de importações; está em criar uma economia complexa, verde e digital, capaz de converter a riqueza setorial em desenvolvimento nacional.

sábado, 25 de outubro de 2025

A Doença Egípcia: um paradigma invertido da Doença Holandesa

Da reprimarização impossível à estagnação dependente: uma teoria estrutural do subdesenvolvimento e da inflação crônica nas economias periféricas*

Por Almir Cezar Filho**

Resumo

O artigo apresenta o conceito de Doença Egípcia, uma categoria teórica proposta como inversão da clássica Doença Holandesa. Enquanto esta descreve o retrocesso industrial de economias que prosperam graças ao sucesso de seu setor primário, a Doença Egípcia caracteriza países que nunca completaram o processo de industrialização, mas permanecem presos à dependência de exportações primárias frágeis e instáveis. O texto demonstra que, nesses casos, a escassez de divisas, e não a abundância, desencadeia um ciclo de desvalorização cambial, inflação de custos, desinvestimento e estagnação produtiva. Inspirado nas formulações de Preobrazhensky e Kalecki, o modelo expõe como o desequilíbrio entre setores e a ausência de planejamento convertem a economia periférica em um sistema de reprodução sem acumulação, no qual o Estado administra a escassez em vez de superá-la. Aplicado ao Brasil e a outras nações do Sul Global, o conceito propõe uma releitura estrutural da inflação e do subdesenvolvimento, recolocando o planejamento, a reindustrialização e a soberania cambial como fundamentos da estabilidade e do crescimento de longo prazo.

Palavras-chave:

Doença Egípcia; Doença Holandesa; subdesenvolvimento estrutural; inflação de custos; dependência; planejamento econômico; industrialização tardia; Preobrazhensky; Kalecki.


I. Introdução – O Paradoxo da Periferia e a Inversão da Doença Holandesa

A expressão “Doença Holandesa” tornou-se, nas últimas décadas, um dos conceitos mais difundidos para descrever o dilema de países que, após descobertas ou valorização de recursos naturais, sofrem os efeitos colaterais de seu próprio sucesso. O boom das exportações de commodities provoca a valorização cambial, reduz a competitividade das manufaturas e leva à reprimarização da estrutura produtiva. Em essência, trata-se de uma patologia do êxito: o país industrializado é traído por seu setor primário pujante.

Entretanto, nas economias periféricas e dependentes, o fenômeno assume contornos inversos. O problema não é o “excesso de sucesso” das exportações, mas sua fragilidade estrutural. Aqui surge o que denominamos Doença Egípcia — uma versão invertida da Doença Holandesa. Não se trata de uma regressão a partir de uma base industrial consolidada, mas de um bloqueio histórico que impede a industrialização de se completar. A “doença”, portanto, nasce não do apogeu, mas da insuficiência.

A metáfora egípcia é reveladora. O Egito antigo foi uma das civilizações mais sofisticadas do ponto de vista agrário, mas cuja produtividade agrícola sustentava um Estado extrativo e elites improdutivas, incapazes de converter o excedente social em acumulação produtiva. A abundância relativa não se transformava em progresso técnico, mas em monumentos e privilégios. Da mesma forma, nas economias periféricas contemporâneas, o excedente proveniente do setor primário — mesmo modesto — é canalizado para o consumo das elites, a especulação financeira e o serviço da dívida, não para a transformação estrutural da base produtiva.

Enquanto na Doença Holandesa o câmbio valorizado corrói a competitividade industrial, na Doença Egípcia o câmbio desvalorizado reflete a ausência de base industrial capaz de reagir à desvalorização. O resultado é um círculo vicioso: a queda dos preços das commodities reduz as reservas internacionais e desvaloriza a moeda; a moeda fraca encarece importações de insumos e maquinário; os custos industriais sobem e o investimento declina. Surge, assim, uma inflação estrutural de custos, não compensada por expansão produtiva — uma estagnação inflacionária de natureza dependente.

A Doença Egípcia é, portanto, a patologia da periferia que nunca se industrializou plenamente, mas que experimenta as desvantagens cambiais e estruturais da dependência primário-exportadora. Ao contrário da doença holandesa, que se manifesta como uma perda de complexidade após um ciclo virtuoso, a egípcia é o sintoma de uma ausência estrutural de complexidade. É a doença de economias onde o Estado arrecada sobre a base agrária ou mineral, o capital lucra pela intermediação financeira e a sociedade paga o preço da desindustrialização sem jamais ter vivido seu auge.

quinta-feira, 15 de maio de 2025

Conjuntura: Lula se equilibra entre Trump, Xi e Putin. Haddad corre para agradar o mercado e STF julga os golpistas.

📌 Lula aperta a mão de Putin e Xi. Enquanto Lula busca apoio entre potências como China e Rússia, o governo afunda em escândalos como o do INSS.
🌎 No cenário global, as guerras seguem devastando Gaza e a Ucrânia, enquanto a tensão entre Estados Unidos e China ganha novos capítulos.
💰Haddad corre para agradar o mercado enfrenta o fantasma dos juros altos. E o STF julga os golpistas do 8 de janeiro e vê a extrema-direita ser julgada.
⚠️  De Brasília a Pequim, de Gaza a Wall Street — os ventos da crise varrem o planeta. Mas quem paga a conta é o povo.
🎧 Vem entender a conjuntura com Cyro Garcia no Economia É Fácil. Um giro completo pela geopolítica e economia, com olhar crítico, popular e independente.


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

A "Crise da Tesoura Invertida" no Brasil Contemporâneo: Aplicação da Teoria de Preobrazhenski à Inflação Alimentar, Estagnação Econômica e Desindustrialização

 por Almir Cezar Filho

Resumo

A teoria da "crise da tesoura", formulada por E. A. Preobrazhenski para explicar a divergência de preços entre produtos agrícolas e industriais na União Soviética da década de 1920, pode ser aplicada de forma invertida ao Brasil contemporâneo. No contexto brasileiro, observa-se uma dinâmica oposta: os preços agrícolas sobem mais rapidamente que os industriais, enquanto a indústria nacional se enfraquece e a dependência de importações aumenta. Este artigo explora como o fenômeno pode ser caracterizado como uma "crise da tesoura invertida", analisando suas causas estruturais e as possíveis implicações para a política econômica.

Introdução

No Brasil de 2024-2025, a economia enfrenta um cenário paradoxal. De um lado, há um aumento expressivo nos preços dos alimentos e produtos agrícolas, impulsionado por fatores externos e internos, como a demanda global, eventos climáticos e a especulação de mercado. De outro, a indústria nacional se encontra em estagnação, incapaz de competir com produtos importados e enfrentando dificuldades para expandir sua produção.

Essa situação é diametralmente oposta à "crise da tesoura" identificada pelo economista soviético E. Preobrazhenski na URSS, na qual os produtos industriais subiam mais rapidamente do que os agrícolas, prejudicando os camponeses. No Brasil atual, ocorre o inverso: a agricultura domina o crescimento econômico, enquanto a indústria perde relevância, resultando em um novo tipo de desajuste estrutural – a "crise da tesoura invertida".

O objetivo deste artigo é utilizar os conceitos da economia soviética dos anos 1920, em particular a análise de Preobrazhenski sobre acumulação socialista primitiva, fome de mercadorias e desproporções entre setores produtivos, para explicar a crise atual da economia brasileira.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

domingo, 4 de agosto de 2024

Al Jazeera: A empresa brasileira Odebrecht está envolvida em casos de corrupção - entrevista


A empresa brasileira Odebrecht está envolvida em casos de corrupção em países vizinhos. Entrevista do economista Almir Cezar ao portal de notícias internacional Al-Jazeera, concedida ao jornalista Victorios Shams.

A Odebrecht, uma das maiores construtoras do Brasil, tem sido um pilar significativo da economia nacional e atua em mais de 25 países na América Latina e além. No entanto, sua reputação foi severamente abalada pelas revelações da Operação Lava Jato, que expôs um vasto esquema de corrupção e subornos.

Em 2019, o escândalo levou à prisão de vários altos executivos da empresa, incluindo o então CEO Marcelo Odebrecht. A empresa foi forçada a solicitar proteção contra falência após admitir ter pago cerca de 800 milhões de dólares em subornos a funcionários públicos em 12 países. Como parte dos acordos de leniência, a Odebrecht concordou em pagar multas no valor de 2,6 bilhões de dólares às autoridades suíças e norte-americanas.

Os desdobramentos desse escândalo ainda continuam. Recentemente, o judiciário panamenho adiou o julgamento de uma série de autoridades locais, incluindo os ex-presidentes Juan Carlos Varela e Ricardo Martinelli, além de seis ex-ministros, em casos de corrupção ligados à Odebrecht. A empresa foi responsável por projetos de grande envergadura no Panamá, como a expansão do Canal do Panamá, a construção de linhas de metrô, pontes e estádios.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Há não há avanços para as mulheres e igualdade salarial no Brasil sob Lula

Dayse Oliveira reflete sobre a celebração do "dia da igualdade salarial" em 24 de fevereiro e analisa sobre os alegados avanços no governo Lula 3, como a própria lei de igualdade salarial, aprovada em 2023. Ela analisa o impacto da legislação nas mulheres e empresas. Dayse enfatiza as disparidades salariais para mulheres negras, questiona a eficácia de leis e ministérios e avalia se o governo atual representa um avanço. Ela aborda desafios persistentes na busca pela igualdade salarial, questionando por que o problema persiste após 13 anos de governos do PT. Assista: https://youtu.be/s7eRxsF-bPk?si=Y5f2_GQ0okcxMmkb #IgualdadeSalarial #GovernoLula3 #DesafiosIgualdade



segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Enquanto o Brasil curtia Carnaval, os países ricos caminham para recessão

🔴Nesta segunda-feira 19/02, às 18h, mais uma edição inédita do programa Economia É Fácil na Web Rádio Censura Livre, tratando dos temas de economia e conjuntura mais importante dos últimos dias, com linguagem fácil e na perspectiva dos trabalhadores. 
🎙️Apresentação do economista Almir Cezar Filho.
📰Notícias:  Três membros proeminentes do G7, o clube dos países ricos, mergulham em desafios econômicos: Alemanha, Japão e Reino Unido entram em recessão.o mundo está diante de uma nova crise, e, desta vez, sem a habitual compensação da China. Os países enfrentam recessões, desafios econômicos e riscos significativos. 
📻Uma produção da Rádio Censura Livre e transmissão emissoras parceiras.
📰 Com conteúdo da Agência de Notícias Alternativas-ANOTA


📺 Não perca essa oportunidade de entender a economia de forma acessível! Acesse a transmissão ao vivo pelo link: https://youtube.com/live/dvQpPcy3E2Y?feature=share

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

MILÍCIAS NO RIO DE JANEIRO: raízes sociais, impactos econômicos e soluções definitivas


🗣️Nesta live exclusiva, vamos aprofundar o complexo problema das milícias no Rio de Janeiro e explorar seu impacto econômico e social. Nosso analista de conjuntura, Cyro Garcia, historiador e professor de Direito, responderá a perguntas cruciais, incluindo a evolução dessas organizações ao longo do tempo, seu papel na vida das comunidades e as consequências sociais que surgem a partir disso. Discutiremos também a aliança suspeita entre o Comando Vermelho e as milícias, e como isso afeta a segurança na cidade. Além disso, examinaremos a intervenção das Forças Armadas e alternativas para lidar com essa questão de maneira mais eficaz.
Não perca esta oportunidade de entender as raízes das milícias no Rio de Janeiro e seu impacto abrangente. Junte-se à conversa e faça suas perguntas ao nosso especialista.
🔴Nesta segunda-feira 06/11 a partir das 18h mais uma edição ao vivo e inédita do programa Economia É Fácil na Web Rádio Censura Livre, tratando dos temas de economia e conjuntura mais importante dos últimos dias com linguagem fácil e na perspectiva dos trabalhadores. 
🎙️Apresentação do economista Almir Cezar Filho
🎙️ Convidado: Cyro Garcia, historiador e professor de Direito
📰 Com conteúdo da Agência de Notícias Alternativas-ANOTA
📻Uma produção da Rádio Censura Livre e transmissão emissoras parceiras

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Censo: Brasil em transformação - Mais feminino e envelhecido


🔴Nesta segunda-feira 30/10 a partir das 18h mais uma edição ao vivo e inédita do programa Economia É Fácil na Web Rádio Censura Livre, tratando dos temas de economia e conjuntura mais importante dos últimos dias com linguagem fácil e na perspectiva dos trabalhadores. 
🎙️Apresentação do economista Almir Cezar Filho
📰 Com conteúdo da Agência de Notícias Alternativas-ANOTA
📻Uma produção da Rádio Censura Livre ee transmissão emissoras parceiras
🗣️Tema deste episódio: Os novos dados do Censo de 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última sexta-feira (27) revelam um Brasil mais envelhecido e mais feminino. Dados do Censo 2022 mostram que o Brasil teve o maior salto de envelhecimento entre censos. A idade mediana do brasileiro passou de 29 anos em 2010 para 35 anos em 2022. Além disso, o país tem 94 homens pra cada 100 mulheres. Esta é a quarta rodada de divulgação de informações do censo de 2022. As rodadas anteriores divulgaram informações sobre as populações totais do país e recortes específicos sobre populações indígenas e quilombolas.


segunda-feira, 12 de junho de 2023

#podcast ECONOMIA É FÁCIL | JUNHO DE 2013: 10 anos depois. O que o causou? Como mudou o Brasil?



Nesta segunda-feira 12/06, 18h, o programa Economia É Fácil em mais uma edição semanal - o seu espaço de economia, na sua linguagem e o que realmente importa na vida dos trabalhadores.
📻 Produção da Web Rádio Censura Livre.
🎙️ Apresentação do economista Almir Cezar Filho.
🎤 Convidado: JÚLIO ANSELMO, articulista do jornal Opinião Socialista e ex-liderança estudantil.
🗣️ Debatendo:
🎙️Exploraremos as Jornadas de Junho de 2013, um marco na história do Brasil. Milhares nas ruas, insatisfações profundas. Política, economia, serviços públicos em foco. Impacto político duradouro. Protestos espontâneos ou orquestrados? 💥Conspiração da direita; financiamento da CIA; uma 'revolução colorida'? 🤔
🎧Ouça o podcast: https://podcasters.spotify.com/pod/show/webradiocensuralivre/episodes/ECONOMIA--FCIL--JUNHO-DE-2013-10-anos-depois--O-que-o-causou--Como-mudou-o-Brasil-e25l17k

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

O bolsonarismo não é um acaso no capitalismo brasileiro

ECONOMIA É FÁCIL | O bolsonarismo não é um acaso no capitalismo brasileiro
📻NESTA segunda-feira 14/11, às 18h, mais uma edição live do programa Economia é Fácil, a economia na sua linguagem; as notícias econômicas dos últimos dias analisadas pela ótica dos trabalhadores. 
🎙️ Apresentação do economista Almir Cezar Filho.
🎙️ Convidado: Guilherme Fonseca, geógrafo e pesquisador do Instituto Latino-Americano de Estudos Sócio-Econômicos (ILAESE)
📢 O tema desta edição é… Segundo um recente relatório de pesquisa do ILAESE (Boletim Contra-Corrente n° 95 ), o presidente derrotado nas urnas em sua tentativa de releição Jair Bolsonaro, tal como, seus aliados e apoiadores apaixonados e radicais, não seriam um acidente histórico em nosso país. Ao contrário do esperado por muitos, o próprio resultado da eleição, apertado, precipitou enfrentamentos de rua e um movimento nacional a favor de Bolsonaro de constetação da derrota, com ações violentas e protestos pedindos golpe militar. O bolsonarismo, segundo os dados do ILAESE, trata-se de uma necessidade do capitalismo brasileiro em crise estrutural, de um instrumento de setores da classe dominante e de mecanismos nas relações internacionais. Portanto, "o bolsonarismo não é um acidente de percurso no capitalismo brasileiro".
📡 Transmissão ao vivo nas plataformas da Web Rádio Censura Livre e retransmissão às quartas-feiras 18h na Rádio Comunidade Friburgo 104,9 FM.

📺 Assista a live no YouTube (https://youtu.be/9B6rxV_WCTk), (https://youtu.be/MFacN1tx1nw), Facebook e Twitter. 

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

#podcast ECONOMIA É FÁCIL | Eleições 2022 Resultado da votação e perspectivas do 2º turno

Mais uma edição do programa Economia É Fácil pelas plataformas web da Rádio Censura Livre. A economia na sua linguagem e o destaque das notícias dos últimos dias analisadas pela ótica dos trabalhadores.🎙️Convidado: Cyro Garcia, historiador e candidato a governador do estado RJ.
🎙️Apresentação do economista Almir Cezar Filho.
📻 Ouça o podcast: https://spotifyanchor-web.app.link/e/lgeksHAQPtb
📢 Tema da semana: Eleições 2022 Resultado da votação e perspectivas do 2º turno 

segunda-feira, 7 de março de 2022

#podcast Sanções econômicas à Rússia: qual o impacto? E mais: Brasil cresceu em 2021 | ECONOMIA É FÁCIL

Nesta segunda-feira 07/03 às 20h o programa Economia É Fácil mais uma edição vivo com os ouvintes da Web Rádio Censura Livre. Tema da semana: após o início da guerra da Rússia contra a Ucrânia, os EUA, União Europeia e aliados iniciaram forte sanções financeiras ao invasor que tem impacto em sua economia russa, inclusive a exclusão de bancos russos do Swift. Medida envolve, por ora, apenas alguns bancos do país; o programa conecta mais de 11 mil instituições financeiras em 200 países e territórios no planeta. Essa e outras medidas também podem se alastrar pela economia mundial, que tenta se recuperar da pandemia de covid-19. As commodities, especialmente o petróleo e gás natural alcançaram a maior cota em muitos anos. Qual o impacto na economia brasileira que ensaiava recuperação, apesar da inflação em forte alta? PIB cresceu 4,6% em 2021, superando perdas da pandemia. Projeções para este ano vão de estabilidade a alta de 0,8%.O PIB está 0,5% acima do quarto trimestre de 2019, período pré-pandemia, mas continua 2,8% abaixo do ponto mais alto da atividade econômica na série histórica, alcançado no primeiro trimestre de 2014. Os dados são do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, divulgado pelo IBGE. Apresentação do economista Almir Cezar Fº. 

terça-feira, 9 de março de 2021

Vídeo | PIB encerrou em queda em 2020 e comércio conta os prejuízos. Recuperação só com o fim da pandemia

ECONOMIA É FÁCIL (versão reduzida) - Na edição que foi ao ar na web RÁDIO CENSURA LIVRE, de quinta-feira 04 de março de 2021. Apresentação: do economista e comunicador Almir Cezar Filho. Convidado: Eduardo Zanata, assessor especial da CSP-Conlutas (central sindical e popular). 

No quadro INFORME ECONÔMICO, com as principais notícias econômicas da semana: 
Notícia 1 | IBGE: PIB encerrou o ano de 2020 com queda de 4,1%. Brasil cai para 2ª divisão após 6 anos de neoliberalismo radical
Notícia 2 | Comerciantes contam os prejuízos. Fecomércio-SP e CNC reconhecem que apenas fim da pandemia permitirá retomada da economia




Assista no Youtube: https://youtu.be/x6a27gxX_-Y