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terça-feira, 16 de novembro de 2021

ECONOMIA É FÁCIL | Anuário Estatístico ILAESE 2021 - Brasil com Bolsonaro e Guedes: mais pobre, desigual e explorado?

Nesta quinta-feira 18/11, às 19h30, mais um episódio inédito e ao vivo do programa Economia É Fácil, o economista Almir Cezar Filho e seus convidados, aqui nas plataformas da Web Rádio Censura Livre, debatendo os temas econômicos mais importantes do momento, em linguagem fácil e na ótica dos trabalhadores.
🎙️Convidado: Gustavo Machado, do canal Orientação Marxista e pesquisador do ILAESE.
🗣️Tema da semana:  O Instituto Latino-Americano de Estudos Sócio-Econômico (ILAESE), entidade voltada à pesquisa social aplicada e à formação de lideranças operárias e sindicais, lançou no começo do mês de novembro o "Anuário Estatístico do ILAESE - Trabalho & Exploração 2021: O mapa da exploração dos trabalhadores no Brasil e no Mundo". O terceiro número de seu Anuário exibe rankings de exploração, produtividade, remuneração. E apresenta ainda: uma nova metodologia para análise relação entre o Estado e o capital privado; a atual regressão do Brasil na divisão internacional do trabalho; os impactos da "Indústria 4.0";  dados da exploração nas maiores empresas do Brasil e do mundo; e muito mais. Esse lançamento coincide com as recentes falas do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Economia Paulo Guedes de que o Brasil passaria no momento por uma intensa recuperação econômica a partir de investimentos privados, apesar dos dados sugerirem o contrário. Brasil com Bolsonaro e Guedes: mais pobre, desigual e explorado?
📰E mais: o quadro INFORME ECONÔMICO, com a análise das notícias econômicas em destaque dos últimos dias.



terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Exploração, desigualdade e crescimento

Sociedades que crescem mais são as mais desiguais e com mais exploração? Ou o inverso?

por Almir Cezar Filho

Índice de Gini por país
Existe uma relação entre exploração e crescimento? Uma relação entre exploração e desigualdade? E entre desigualdade e crescimento? Sim, há, e muito. Por sua vez, qual sociedades crescem mais: as mais ou menos desiguais; ou com mais ou menos exploração?

Para a Teoria Econômica (não ideologizada de matriz liberal) há uma vasta produção científica que estabelece uma forte relação causal entre a taxa de exploração do trabalho (percentual de trabalho não pago sob a forma de salário), a taxa de crescimento econômico da economia nacional (variação % do PIB ou PNB anual) e a desigualdade econômica (diferença de renda e/ou patrimônio). Uma sociedade com altas taxas de exploração possuí altas taxas de crescimento. Por outro lado, uma sociedade com altas taxas de desigualdade social tendem a ter restrições nas suas taxas de crescimento.  Como responder esse paradoxo? 

Exploração e crescimento

As altas taxas de exploração tendem a proporcionar altas taxas de apropriação de excedente econômico, e portanto de garantia de acumulação de capital. Se, e somente se, essa acumulação de capital for efetivada em investimentos produtivos. Temos então a assim chamada "taxa garantida de crescimento".

Uma alta taxa de exploração não pode ser confundida com superexploração do trabalho, nem com alto percentual de pobreza e miséria. Superexploração é quando a apropriação do trabalho excedente é forçosamente garantida alta, mesmo à custa do rebaixamento do percentual de trabalho destinado à reprodução da força de trabalho. Isto é, superexploram a sua força de trabalho.

Na sociedade onde a força de trabalho é meramente explorada (exploração simples) a produtividade tende a ser alta, garantindo simultaneamente, tanto elevado patamar do trabalho apropriado destinado à reprodução social da força de trabalho, como também uma alta apropriação pelos controladores dos meios de produção, e portanto, se devidamente convertida em acumulação de capital, que pode ser revertida em ampliação das forças produtivas da economia local.

Na sociedade de exploração simples, ao contrário da de superexploração, há uma acumulação de capital internalizada no país: os proprietários dos meios de produção se veem sucessivamente dispensados de partilhar a parte do trabalho excedente apropriado por eles com os circuitos e as camadas externas da acumulação - os capitalistas estrangeiros.

Desigualdade e crescimento

No sentido oposto, a alta desigualdade econômica, especialmente de patrimônio, impede altas taxas garantidas de crescimento. Tanto devido a em geral diminuta produtividade do trabalho que essas sociedades promovem, como também a problemas na conversão de trabalho apropriado em acumulação de capital, principalmente a de tipo "garantida". De que forma?

A desigualdade alta desestimula produtividade geral do trabalho. Proprietários dos seus próprios meios de produção tendem a ser mais produtivos e buscar iniciativas que visam ampliar essa produtividade, especialmente se o incremento de trabalho excedente for possível ser apropriado por eles, se não em todo, em grande parte.

A desigualdade econômica ainda cria uma classe de proprietários de capital concentrada e pouco devotada ao desenvolvimento das forças produtivas. Voltam-se ao consumo conspícuo (luxos e supérfluos) ou a manter firme o status quo dominante. A tal ponto que, o desenvolvimento, o avanço das forças produtivas pode ser até encarados como possibilidades de instabilidade ao sistema. E de fato podem sim gerar desestabilização. O desenvolvimento das forças produtivas impõe como consequência uma pressão também pelo desenvolvimento das relações de produção que lhes correspondam, que lhe são compatíveis.

Uma menor desigualdade, mesmo apenas de renda, permite crescimentos mais estabilizados, menos suscetíveis as variações nas decisões de investimento dos grandes proprietários de meios, à medida que o padrão de demanda segue mais o menos estável ao longo do ciclo econômico. Os trabalhadores, especialmente aqueles que vivem acima do nível mínimo de vida, tendem a variar menos sua demanda por produtos.

Outra contradição das sociedades desiguais é que altas taxas de crescimento podem gerar elevação da da própria desigualdade. Uma sociedade que passa por crescimento acelerado pode passar por diminuição da desigualdade econômica a menos se houver simultaneamente apropriação do trabalho gerado aumentado pelo crescimento pela força de trabalho de proletários e de pequenos proprietários. Sociedades com menor desigualdade esse processo é mais fácil, ao contrário daquelas com maior desigualdade.

Por outro lado, a alta taxa de desigualdade limita a taxa de crescimento, exceto em períodos de surtos econômicos. Pelo contrário, nesses surtos na verdade a desigualdade lhe favorece a alta taxa de crescimento. Pois a acumulação de capital mais concentrada facilita a conversão do trabalho excedente apropriado em elevação de meios de produção e forças produtivas. Porém, intensifica a queda do produto geral no momento da reversão da acumulação.

E ainda, a desigualdade acaba ampliada ao final do ciclo, intensificando ainda mais a baixa taxa de crescimento.  Há portanto no Capitalismo uma histórica tendência decrescente sobre seu crescimento econômico, ou melhor dizendo, de crescimento decrescente no longo prazo.

Sociedades com superexploração do trabalho

Nas sociedades regidas pela superexploração o são assim porque os proprietários do capital se veem com a necessidade de rebaixar o percentual do trabalho retido à reprodução social da força de trabalho, a fim de manter, o percentual por eles apropriados em patamares similares ao padrão internacional. A produtividade não necessariamente é alta e uma parcela do trabalho excedente é destinada a ser acumulada fora do circuito interno de acumulação de capital; é acumulada pelo capital internacional.
Pirâmide de renda no Brasil. 
Apenas 5% da população tem renda superior a R$ 13.560,00
O PIB per capita alcançou R$ 31.587 em 2017 (fonte: IBGE).

Em geral, economias nacionais com superexploração são mais conhecidas pela literatura econômica (especialmente entre as décadas de 1940 e 1980) como "Subdesenvolvidas". Tendo em vista que em comparação aos países com acumulação internalizada possuem deficiências e incompletudes inclusive no conjunto da cadeia produtiva.

As sociedades nacionais com esse padrão de acumulação de capital são chamadas por parcelas da literatura econômica de "economias dependentes", principalmente pelas escolas econômicas identificadas como Teoria da Dependência (Marini, 2009; Santos, 2008).

A força de trabalho superexplorada é portanto explorada por duas camadas de acumuladores de capital. Essas duas camadas, em geral, não se veem em competição, ao menos frequentemente, mas se veem unidas na exploração desse contingente de força de trabalho. Eis o Sistema Imperialista, pelo menos em seu aspecto econômico.

Outro traço de sociedades de superexploração do trabalho e que parte do trabalho apropriado pelos controladores do capital ao consumo conspícuo acaba sendo artificialmente mantida em percentual alto. O que compromete ainda mais a acumulação de capital, pois o excedente não é convertido em investimento produtivo, e portanto em taxa de crescimento.

Sociedades baseadas em superexploração do trabalho tendem a ter alta desigualdade econômica. Inclusive é essa desigualdade que lhes permite a superexploração, ao proporcionar uma força de trabalho disponível e sujeita a desapropriação extrema do trabalho por eles gerados.

Porém, apesar disso, sua taxa de crescimento pode ser alta, garantida por meio da intensificação periódica do ritmo de exploração da sua força de trabalho disponível. Apenas periódica e/ou em surtos.

Mas como sociedades com alta grau de desigualdade econômica tendem a desenvolver superexploração do trabalho? E como sociedades muito desiguais tem baixas taxas de crescimento?

Surtos de crescimento em sociedades muito desiguais

Como e quando surge as condições desses surtos de crescimento? Quando e somente em limitadas situações abre-se uma janela de oportunidade. Quando está aumentada a margem apropriada pela camada interna ou retida no circuito interno.

Quando a camada externa da acumulação de capital está com problemas. Ou quando se descobre um negócio novo, desenvolve-se um circuito interno novo ainda autônomo, ou com baixa apropriação externa. Ou com baixa composição orgânica de capital - o que permite elevação do percentual apropriado internamente no circuito de acumulação.

E também quando há uma derrota histórica da força de trabalho que a torna suscetível e vulnerável a uma redução em seu percentual retido de trabalho. Ou um desenvolvimento sócio-técnico que reduz a necessidade de trabalho socialmente necessário à reprodução de sua força de trabalho, ampliando a margem disponível a ser apropriada pelos proprietários dos meios de produção.

Vale lembrar que, uma redução da desigualdade de renda sem desigualdade de patrimônio, mesmo em sociedades de superexploração, tem o mesmo efeito. Mas, nesse, como nos demais casos de alta desigualdade, os efeitos são temporários.

Leia a sequência: Educação não é suficiente para reduzir a desigualdade. Pesquisa derruba mito.

Referências bibliográficas
  • Azevedo, Marcelo. O consumidor de baixa renda: entenda a dinâmica de consumo da nova classe média. Marcelo Azevedo, Elyseu Margedan. Rio de Janeiro: Elvesier, 2009.
  • Bonente, Bianca Imbiriba (2012). Desenvolvimento em Marx e na teoria econômica: por um crítica negativa do desenvolvimento capitalista. Niterói: Eduff, 2016.
  • DIEESE. Relações e condições de trabalho no Brasil. São Paulo: Dieese, 2007.
  • Enríquez, Maria Amélia (2010). Trajetórias do desenvolvimento: da ilusão do crescimento ao imperativo da sustentabilidade. Rio de Janeiro: Garamond, 2010.
  • Hasenbalg, Carlos e Silva, Nelson do Valle (orgs.). Origens e destinos. Desigualdades sociais ao longo da vida. Rio de Janeiro: Topbooks, 2003.
  • Latouche, Serge (1975). Análise econômica e materialismo histórico. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1977.
  • Marini, Ruy Mauro. Ruy Mauro Marini. Vida e obra. Roberta Trapasdini, João Pedro Stedile (orgs.). São Paulo: Expressão Popular, 2005
  • Morishina, Michio e Catephores, George (1978). Valor, exploração e crescimento - Marx à luz da Teoria Econômica moderna.  Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1980.
  • Neri, Marcelo Côrtes. Superação da pobreza e a nova classe média no campo. Marcelo Neri, Luisa Carvalhaes Coutinho de Melo, Samantha dos Reis Sacramento Monte. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2012.
  • Paz, Pedro e Rodríguez, Octávio (1970).  Modelos de crescimento econômico. Rio de Janeiro: Forum Editora, 1972.
  • Piketty, Thomas (2013). O capital no século XXI. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014.
  • Romero, Daniel. (org.). Marx sobre as crises econômicas do capitalismo. São Paulo: Editora Instituto José Luís e Rosa Sundermann, 2009.
  • Santos, Theotonio dos. Economía Mundial. La integración latinoamericana. México DF: Plaza Janés, 2004.
  • Silva, José Graziano da. Fome Zero: A experiência brasileira. José Graziano da Silva; Mauro Eduardo del Grossi; Caio Galvão de França (orgs.). Brasília: MDA, 2010.
  • Thirwall, Antony Phillip (2002). A natureza do crescimento econômico: um referencial alternativo para compreender o desempenho das nações. Brasília: Ipea, 2005.
  • Theodoro, Mário (org.). As políticas públicas e a desigualdade racial no Brasil: 120 anos após a abolição. Brasília: Ipea, 2008.
  • Trotsky, Leon. O imperialismo e a crise da economia mundial. São Paulo: Editora Instituto José Luís e Rosa Sundermann, 2008.
Revisado e atualizado em 07/01/2019

terça-feira, 9 de maio de 2017

Reforma trabalhista e microempresas

Além dos trabalhadores, os micro e pequenos empregadores serão prejudicadas
Ao contrário da mentira que dizem a imprensa, governo e entidades empresariais

Principais itens da PLC 38/2017 de reforma trabalhista.
por Almir Cezar Filho

Isoladamente, uma empresa representa pouco, mas juntas, são decisivas para a economia. No Brasil, os dados demonstram a importância de incentivar os empreendimentos de menor porte, as Microempresas e Pequenas Empresas (MPEs). No contexto próprio rural, há ainda os chamados Empreendimentos Familiares Rurais. O empreendedorismo praticado no Brasil, na maioria dos casos, parte por uma necessidade de sobrevivência econômica dos indivíduos e famílias, ao invés de vocação ou escolha profissional. Uma série de dados demonstram, além da força econômica desse segmento empresarial, o quanto são oprimidas pelo grande capital e na maioria das vezes usadas como alternativa de renda e emprego às famílias mais pobres (leia AQUI artigo anterior).

Apesar das entidades empresariais, como a FIESP, Fecomércio, etc., serem dominadas por grandes empresas ou terem suas lideranças oriundas desse segmento, a maioria da categoria é de MPE. O discurso de redução de direitos trabalhistas e de flexibilização das relações empregatícias galvaniza o empresariado. Para além dos políticos apoiadores da medida, as lideranças empresariais, manifestam trata-se de algo muito positivo às MPEs e que gerará mais e melhores empregos, ajudando a pôr fim a crise econômica. Segundo esses, a terceirização irrestrita e a mudanças na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), expressa na PLC (Projeto de Lei da Câmara) nº 38/2017, além de supostamente adequar os contratos de trabalho “às modernas relações, que a legislação não contempla”, traria mais “segurança jurídica”. Contudo, uma análise desideologizada e científica da estratégia de flexibilização dos direitos trabalhistas não se chega a mesma conclusão. Vejamos os 10 motivos econômicos a seguir:
  1. A reforma da legislação trabalhista, tanto com a lei da terceirização irrestrita, quando as mudanças da CLT (reforma trabalhista), ultrapassa o objetivo de atualizar as leis às novas formas de relação empregador-empregado, e sim visam liberar legalmente do compromisso com as necessidades básicas dos seus funcionários. São burlas para reduzir custos das empresas com benefícios trabalhistas e despesas com demissões, como objetivam a forçar o rebaixamento dos salários. Terá consequências sérias, por exemplo, no aumento dos acidentes de trabalho e da rotatividade da mão de obra.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Ampliação da terceirização reduzirão os salários em até 30%, diz TST

Para TST, ampliação da prática ameaça conquistas históricas dos trabalhadores

Ministro do TST Maurício Godinho Delgado.
A aprovação da legislação que regulamenta a terceirização no Brasil, estendendo-a até a atividade fim, terá “efeito avassalador” nas conquistas dos trabalhadores. Além disso, reduzirá a renda em até 30%. A advertência foi feita pelo ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Mauricio Godinho Delgado sobre a Projeto de Lei 4.430 em tramitação no Congresso Nacional.

Delgado fez as afirmações a participar de debate da comissão geral para debater o projeto no plenário da Câmara dos Deputados. Ele ressaltou que a saúde dos trabalhadores também corre risco com a massificação da terceirização de serviços.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Estudo mostra agravamento da discriminação com mulheres e negros

Estudo mostra agravamento da discriminação com mulheres e negros

Pode parecer paradoxal, mas quanto mais baixo o índice de desemprego – pelos cálculos do IBGE no Brasil estamos no patamar de cerca de 6% desde 2011 – mais difícil fica arranjar trabalho para os setores que sofrem com maior discriminação e rebaixamento de salários.

Encomendado pelo Globo, o Dieese realizou estudo que evidencia que mulheres e negros, além de serem a maioria entre os desempregados brasileiros, também são os que estão procurando serviço há mais tempo.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Nos EUA, homens trabalham mais horas do que mulheres

Nos EUA, homens trabalham mais horas do que mulheres
25/07/2013 - FOLHA DE SÃO PAULO

Homens e mulheres norte-americanos que estão empregados em tempo integral têm uma diferença menor de remuneração do que a que se verifica em geral.

Uma pesquisa do departamento de trabalho dos EUA mostra que os homens que têm emprego integral (lá, isso significa 35 horas por semana) trabalham um pouco a mais do que as mulheres. São 8,46 horas diárias contra 7,87.

Os dados são de 2012.

Eles também mostram que as pessoas que não fizeram curso superior trabalham mais horas (7,97 por dia) do que as que fizeram faculdade (7,57).

De acordo com a área da economia pode haver diferenças significativas. Por exemplo, quem está empregado nas áreas de agricultura e pesca gasta em média 6,92 horas no trabalho; no setor de instalação, manutenção e reparos, fica-se, em média, 8,35 horas por dia.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

CSP-Conlutas impulsiona campanha contra flexibilização da CLT


Acordo Coletivo Especial (ACE), proposto pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, retoma proposta de FHC e pretende impor o "negociado sobre o legislado"


DA REDAÇÃO | opinião socialista


• Se o governo e as grandes multinacionais acham que, utilizando o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC como testa de ferro, conseguiriam reduzir a resistência à flexibilização trabalhista, estão muito enganados. A CSP-Conlutas impulsiona, aglutinando setores contrários à medida, como correntes internas da própria CUT, uma campanha contra o projeto, que nada mais é que a retomada da proposta de FHC de flexibilizar as leis trabalhistas e fazer com que os acordos coletivos sobreponham a legislação.

O chamado Acordo Coletivo Especial, o ACE, foi apresentado ao Congresso Nacional pelo tradicional sindicato ligado à CUT e conta com o apoio de empresas como as grandes multinacionais do setor automobilístico, a exemplo da Volkswagen. Propõem “modernizar” as relações entre capital e trabalho e refazem todo o discurso utilizado pela patronal na década de 1990 para atacar direitos. Com a diferença que, naquela época, esse discurso era feito pelas empresas.


"O fato de estar escrito 'especial' no nome dá a impressão que isso é uma coisa boa para os trabalhadores, o que não é verdade", opina Josemilton Costa, Secretário-Geral da Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal), entidade ligada à CUT. O dirigente participou como convidado do primeiro dia da reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas realizado entre os dias 26, 27 e 28 de outubro, em São Paulo. A batalha contra o projeto foi um dos principais temas tratados na reunião. "O que nos deixa estarrecidos é que essa reforma vem de um sindicato, cuja função é a de justamente defender os direitos dos trabalhadores", indigna-se. Josemilton afirmou que a maioria da direção da Confederação já se declarou contra o ACE. "Precisamos organizar todos os setores que estão contra esse ataque", defende.

A necessidade da unificação para organizar a resistência contra o ACE mostra-se ainda mais premente devido aos sinais de aprofundamento da crise internacional e os cortes sociais na Europa. "Essa crise traz a necessidade de se reduzir os custos do trabalho é, em certa medida, reflexo do que acontece hoje em países como Grécia e Espanha", analisou Rogério Marzola, dirigente da Fasubra (Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil), que fez questão de lembrar, porém, que a medida em si não tem nada de novo."Apenas retoma a proposta da década de 1990, do governo FHC", relembra.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Qualidade do emprego no Brasil ainda é ruim, apesar do desemprego em baixa




Alta rotatividade e a terceirização elevada contribuem para o fenômeno, diz economista


Jornal do Brasil  | Carolina Mazzi
Os índices de desemprego recorde do Brasil escondem uma realidade muito mais dura: a baixa qualidade do emprego. Leis trabalhistas frágeis e a alta rotatividade acabam deixando o trabalhador desprotegido, afirma o economista José Dari Krein, do Centro de Estudos Sociais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Ceset/Unicamp). "A terceirização elevada também contribui para o fenômeno", acrescenta. 
As leis trabalhistas brasileiras são flexíveis demais, aponta o especialista. “No Brasil, pode-se demitir sem nenhuma justificativa, o que é impensável em países europeus, por exemplo”.
O problema contribui para os altos níveis de rotatividade no país. Os últimos resultados disponíveis pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que o nível chega a 53,8%. Isto significa que a cada 100 contratados, mais de 50 saem do emprego em menos de um ano.
"Os números representam um sério problema que afeta o funcionamento do mercado de trabalho. E para os trabalhadores, representa insegurança”, diz o relatório. Krein acredita que é preciso uma mudança na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) para que as relações trabalhistas se tornem mais "fortes".

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Produtividade manteve-se estável entre 2000 e 2009

Os setores que mais se destacaram foram os da agropecuária, com 4,3% e da indústria extrativa, com 1,8%

Fotos: Sidney Murrieta
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O técnico de Planejamento e Pesquisa da Dimac, Gabriel Coelho, que apresentou o estudo e o assessor técnico da Presidência do Ipea Murilo Pires
O Comunicado do Ipea nº 133 - Produtividade no Brasil nos anos 2000-2009: análise das Contas Nacionais concluiu que a produtividade do trabalho no país manteve-se praticamente estável entre 2000 e 2009, com variação anual de 0,9%. Os resultados foram apresentados nesta sexta-feira, em Brasília, pelo técnico em Planejamento e Pesquisa da Diretor Adjunto da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac), Gabriel Squeff.

De acordo com o pesquisador, para chegar a esses resultados foi utilizada a razão entre o valor adicionado, a preços constantes de 2000 na produção, e o número de empregados em cada atividade econômica no país. “Os setores que mais se destacaram foram os da agropecuária, com 4,3% e da indústria extrativa, com 1,8%”, disse. Gabriel acrescentou que no setor de serviços o avanço foi de 0,5%.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Montadoras enviam ao exterior US$ 5,58 bi faturados no Brasil em 2011


Montadoras enviam ao exterior US$ 5,58 bi faturados no Brasil em 2011

Pedro Kutney | Colaboração para o UOL


A julgar pelos lucros que receberam, as matrizes de diversas montadoras de automóveis não tiveram do que reclamar de suas subsidiárias brasileiras em 2011. Os dados estão fresquinhos, foram divulgados pelo Banco Central na última terça-feira (24): a indústria automotiva no Brasil foi o setor que mais remeteu dinheiro ao exterior no ano passado, à frente até de bancos e empresas de telecomunicações, que ficaram com o segundo e terceiro lugares, respectivamente.
Não se trata de números frívolos: foram os próprios fabricantes de veículos que registraram junto ao BC remessas de lucros e dividendos no total de US$ 5,58 bilhões, o maior valor de todos os tempos, equivalente a 19% de todas as operações desse tipo no ano no Brasil e 36% superior aos US$ 4,1 bilhões de 2010.

Não por acaso, as remessas recordistas de lucros e dividendos das montadoras instaladas no país aumentaram justamente no momento em que as matrizes mais sofrem nos mercados maduros de Europa e América do Norte, e por isso precisam sustentar seus resultados financeiros com o caixa das subsidiárias em países emergentes. O BC não publica a lista de empresas remetentes de dinheiro nem os valores individuais, muito menos as empresas informam qualquer dado sobre o tema, alegando que só divulgam balanços no exterior -- mas lá também não se encontram os lucros recebidos de cada subsidiária; e assim tudo fica por isso mesmo.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

"Nova classe média" à beira da pobreza

Rotatividade no emprego para quem ganha até 2 salários mínimos chega a 54% e aumentou em 16 milhões o número de trabalhadores que recebem até dois salários mínimos. Por sua vez, os números desmentem as reclamações dos patrões sobre o suposto engessamento do mercado de trabalho no Brasil.

"Nova classe média" de volta à pobreza
Monitor Mercantil, 07/12/2011

Dados analisados pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República mostram que os trabalhadores formais com renda de até dois salários mínimos (atualmente R$ 1.090) estão mais expostos à rotatividade no emprego do que o conjunto da força de trabalho no Brasil e do que outros de diferentes faixas salariais. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Juros não puxaram a queda da inflação. Recuo é causado pela commodities

por Almir Cezar

A recente queda na taxa de inflação brasileira comprova que taxa Selic não deveria ser usada como instrumento de política monetária, questão inúmeras vezes apresentada aqui no blog.  Agora usando as palavras do professor Dércio Garcia Munhoz da Universidade de Brasília: "A Selic não altera a liquidez na economia, portanto não é instrumento de política monetária, mas os preços estão caindo por causa da queda da demanda interna e dos preços das commodities. As empresas, por causa da falta de mercado, estão reduzindo margem de lucro" [ Leia a matéria ao final ]. O Brasil ao trilhar o caminho do desenvolvimento capitalista dependente está preso a uma armadilha macroeconômica que lhe empurra a uma crônica inflação relativamente alta (em comparação ao países capitalistas centrais), onde os juros altos não ajudam a reprimi-la.

A inflação no Brasil é gerada sempre por três fatores característicos, herdados de nosso desenvolvimento capitalista dependente: demanda interna a frente da oferta, sobre-importância dos preços das commodities na economia e margens de lucros exageradas fixadas pelos oligopólios e multinacionais. Esse último fator é o menos estudado, embora seja justamente o fator mais determinante, típico de países capitalistas dependentes dentro do sistema mundial. Em resumo: no Brasil, juros altos não combatem a inflação. Como pelo contrário, na atualidade a vem mantendo alta, retroalimentando-a [para mais saber mais a sugestão é o artigo "Juros, inflação e dependência no Brasil atual" ].

A alta taxa de inflação em países industriais dependentes lhe é um traço típico, e é causado simultaneamente pela própria industrialização acelerada e pela dependência. Quanto mais cresce a economia maior é a inflação, à medida que a estrutura produtiva ainda não está completa a atender o incremento de renda dela resultante, além do mais, traz consigo a formação de grandes oligopólios nacionais e a entrada  das multinacionais no mercado doméstico. Portanto, mesmo agora no Brasil, a causa primária da inflação alta crônica é a estrutura de preços herdada do modelo de desenvolvimento, e o principal agente que a provoca são os oligopólios e multinacionais e suas altas margens de lucros, que não são superados através de mera medidas de políticas macroeconômicas, mas sim estruturais. Seria esse fenômeno é uma espécie de "armadilha" macroeconômica, inevitável aos países em desenvolvimento. Com efeitos inclusive em excessos de importações e declínio da rentabilidade das exportações de produtos primários, logo gerando gargalos na contas externas e balanço de pagamentos. Consequentemente situação que não se combate da forma convencional como diria a Economia burguesa, controlando a demanda agregada via fixação da taxa básica juros ou orçamento público "equilibrado".

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Pelo menos 2/3 do mundo não dispõe de benefícios trabalhistas

Pelo menos 2/3 do mundo não dispõe de benefícios trabalhistas. Análise faz parte de estudo feito pela ex-presidente chilena, Michelle Bachelet, responsável pela ONU-Mulher. Uma pena que quando presidenta do Chile nada fez para diminuir isso em seu país.

Pelo menos 2/3 do mundo não dispõe de benefícios trabalhistas
Monitor Mercantil, 28/10/2011

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que dois terços da população mundial, ou seja 5,1 bilhões de pessoas, não dispõem de benefícios sociais trabalhistas. Apenas 15% dos desempregados no mundo recebem seguro-desemprego. A análise faz parte de um estudo feito pela responsável pela ONU-Mulher, Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O desabafo da bancária à Globo


A bloguesfera anda repercutindo uma carta de uma bancária à rede Globo em que reclama da cobertura parcial e desfavorável a greve dos bancários. Veja a seguir:
Carta desabafo de uma bancária à Rede Globo

Carta à Direção Globo de Jornalismo 
Sr. Carlos Henrique Schroder, 
É com grande insatisfação que escrevo aqui em nome de quase 500 mil bancários existentes no Brasil. 
Em primeiro lugar, gostaria de dizer que estamos indignados com o tratamento que os telejornais da Central Globo de Jornalismo, subordinada a sua Direção Geral de Jornalismo e Esportes (DGJE), estão dando a nossa greve.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Assalariados pagam mais IR que os bancos

por Marcos Penna Júnior


O artigo esta no Estado de São Paulo de domingo (16.10.2011 - Caderno de Economia). O interessante é que no Brasil os bancos operam com o maior Spread que se tem notícia, em relação ao resto do mundo. O prêmio, pela "performance", é esse ai...  Até quando vai durar a "farra" ninguém sabe. Alguém arrisca um palpite?

Esse me parece mais um motivo nítido e forte para nosso pífio desenvolvimento econômico e nosso eterno "status" de país do futuro, a distorção tributária!!

Assalariados pagam mais IR que os bancos

Trabalhadores garantem 9,9% da arrecadação federal, mais que o dobro dos 4,1% pagos pelas instituições financeiras, aponta estudo

Iuri Dantas, de O Estado de S.Paulo
16 de outubro de 2011


BRASÍLIA - As distorções tributárias do País prejudicam a classe média, que contribui com mais impostos do que os bancos. Análise feita pelo Sindicato Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), e confirmada por especialistas, indica que os trabalhadores pagaram o equivalente a 9,9% da arrecadação federal somente com o recolhimento de Imposto de Renda ao longo de um ano. As entidades financeiras arcaram com menos da metade disso (4,1%), com o pagamento de quatro tributos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Construtoras brasileiras se expandem pela América Latina

Mais uma manifestação da "submetropolização" do Brasil.  Duas grandes correntes teóricas marxistas, o trotskismo e a teoria marxista da dependência, já apontavam para a condição da economia brasileira para seus vizinhos sul-americanos como um submetrópole (Nahuel Moreno) ou mesmo subimperialismo (Ruy Mauro Marini).

Nas últimas décadas essa característica parece ter se acelerado, e ganho inclusive um papel preponderante para o funcionamento interno das respectivas economias (da submetrópole e das suas satélites), como também uma importância mais global ao sistema mundial capitalista, além das fronteiras latino-americanas. É não é a toa que o Brasil passou a ser tratado na escala de submetrópoles mundiais, os chamados BRICS.

 Construtoras brasileiras se expandem pela América Latina 

Impulsionadas pelo Governo Federal, transnacionais da construção civil ampliam sua ação na América Latina causando conflitos e destruição ambiental por onde passam


MANUELA MORAES, DE BAURU (SP)


Ponte da Odebrecht na Venezuela 

• As empresas brasileiras de construção civil tiveram um grande crescimento em sua atuação no exterior nos últimos dez anos. Graças ao financiamento público do BNDES e a ação do governo Lula, empresas como a OAS Ltda., Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Odebrecht tiveram um crescimento de 544% em sua atuação na América Latina e na África.

O movimento de internacionalização destas empresas iniciou-se nos anos 1970 com a encomenda pela Ditadura Militar de obras de grande porte, como rodovias e usinas hidrelétricas, o que garantiu o aumento dos lucros e a formação de conglomerados. Agora, este movimento é acelerado pela atuação do BNDES, que entre 2001 e 2010 aumentou em 1.185% o financiamento das obras realizadas por empreiteiras brasileiras no exterior, passando de US$73 milhões para US$937 milhões. Para este ano a previsão é de que os desembolsos cheguem a US$1,3 bilhão.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Educação doente: Em 2011, 700 professores no ES se licenciaram por doenças psiquiátricas

Educação doente: só em 2011, 700 professores da rede pública municiapal de Vitória no ES se licenciaram por doenças psiquiátricas, correspondendo a 50% do total dos afastamentos. A matéria não fala mas todos sabemos as causas: o excesso de trabalho, a falta de estrutura, o assédio moral e a superexploração.

Em 2011, 700 professores se licenciaram na rede pública de Vitória por problemas psiquiátricos
Flávia Bernardes - UOL Notícias, 30/08/2011


Depressão, transtornos de ansiedade, transtornos bipolares e o estresse são as doenças responsáveis por mais de 50% dos afastamentos dos professores da rede municipal pública de Vitória, no Espírito Santo, segundo o Sindiupes (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo).

Segundo o levantamento do sindicato, foram concedidas 700 licenças médicas por problemas psiquiátricos até agosto de 2011, sendo 356 por depressão, 187 por transtornos de ansiedade, 41 por transtornos bipolares e 72 por estresse. No total, a rede possui cerca de 4.000 docentes.

Na avaliação do diretor do Sindiupes, Rafael Ângelo Brizotto, o quadro é "grave". “Hoje os professores estão doentes devido à excessiva carga horária de trabalho, o grande número de alunos que prejudica a organização, o pouco tempo que há para se deslocar entre uma escola e outra, inclusive, que impede muitas vezes que o professor almoce, o que consequentemente acarreta um caos na saúde do profissional”, disse Brizotto.

Segundo o Sindiupes, os mais de 50% de educadores de Vitória afastados da rede municipal de educação deve-se também ao medo da violência sofrida muitas vezes por alunos de apenas 12 e 13 anos e aos baixos salários.

Preocupante

Segundo a doutoranda e funcionária dos Recursos Humanos da Secretaria Municipal de Educação de Vitória, Karla Veruska Azevedo, o número de licenças é, sem dúvida, preocupante. Segundo ela, no primeiro semestre deste ano, os licenciamentos ocorreram primeiramente nos casos que tratam de mães e esposas (problemas ligados a família e a saúde); em 2º por problemas respiratórios (sinusite, asma, bronquite); em 3º devido a recuperações cirúrgicas e em 4º devido as doenças chamadas da modernidade, como a depressão e o estresse.

“Entendemos que essa situação se estende ao externo também, ou seja, se constitui tanto dentro do trabalho como fora, na ligação com a família, a cidade, entre outros agentes”, disse Karla Azevedo.

Neste sentido, além da medicina do trabalho que acompanha e discute o problema, foi formado pela prefeitura de Vitória um grupo de trabalho que atua integrado com as escolas e seus atores para identificar os problemas. Segundo ela, um seminário vem sendo organizado para unir as propostas neste sentido.

Entre as medidas em andamento, Karla Azevedo informou que há um trabalho específico para diminuir o número de alunos na sala de aula, que hoje chega a atingir 35 alunos por sala de aula. Entretanto, o trabalho é gradativo, já que é necessário estrutura para alocar os alunos removidos das salas em questão e reduzir a quantidade para 30 alunos por sala no máximo.

“O afastamento dos educadores também é uma preocupação nossa, afinal, a conseqüência deste problema é um buraco na educação”, ressaltou Karla Azevedo.

Só em 2010, por exemplo, foram 7.587 licenças médicas concedidas a funcionários do magistério da rede municipal de Vitória. Em primeiro lugar na causa dos afastamentos estão problemas respiratórios, seguido por doenças músculo-esqueléticas (dores nas costas, artroses, dores lombares ou outras dores pelo corpo). Já os distúrbios psiquiátricos apareceram em terceiro lugar no ranking com 703 casos durante todo o ano de 2010 – número bem inferior aos 700 já registrados no primeiro semestre de 2011.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Juros, inflação e dependência no Brasil atual

por Almir Cezar

Banco Central do Brasil (Bacen)
Apesar do desenvolvimento econômico do último período, o Brasil ainda está em um círculo macroeconômico vicioso, típico das economias dependentes, obrigado a fixar alta sua taxa de juros para compensar o déficit externo recorrentes e combater sua persistente inflação alta, a chamada "armadilha macroeconômica". Contudo, o efeito da taxa de juros alta pode ser oposta da propagandeada pelo BC (Banco Central), pois ajuda a puxar para cima os preços, e portanto a inflação, devido a uma combinação dos efeitos estruturais, cuja origem reside em peculiaridades herdadas do desenvolvimento da economia brasileira.

E ainda alimenta a uma grande mudança estrutural no padrão de desenvolvimento brasileiro, reforçando ainda mais a dependência do Brasil dentro do sistema mundial capitalista ao capital externo, com severos prejuízos aos trabalhadores, muito maiores do que o super-endividamento das famílias e o melindre ao consumo à prazo. Temos então não apenas uma relação inversa entre juros e inflação, mas uma nova "armadilha" que deve ser combatida pelos trabalhadores em suas raízes, no modelo de desenvolvimento.

Juros e inflação em um país em "armadilha macroeconômica"

A Economia convencional sempre divulgou como ruim uma alta inflação, como um desequilíbrio entre oferta e demanda agregada impactando sobre os preços. E recomenda usar a taxa de juros para combater a inflação, tanto pela sua ação sobre a demanda agregada (pressionando investimentos e consumo), como sobre a oferta agregada (a taxa de juros alta atraí dólares, apreciando o câmbio, levando a queda dos preços das importações, e diminuindo as exportações, aumentando a oferta interna). A queda das exportações, e consequentemente dos rendimentos dela, combinada com aumento dos juros, leva a um desaquecimento da economia. Esse desaquecimento pressiona a uma queda na taxa de inflação e logo na taxa de juros, em um movimento de re-equilíbrio na inflação e juros, garantindo que a evolução do crescimento econômico pudesse ser mais moderada e em equilíbrio entre oferta e demanda agregada.

sábado, 27 de agosto de 2011

Brasil: dois sinais do fim do ciclo positivo

Dois indicadores que o ciclo econômico positivo da economia brasileira pode estar por um fim: a queda da produtividade da indústria e uma forte alta do custo de vida.

Produtividade da indústria ficou zerada até junho
Monitor Mercantil, 19/08/2011


O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) alertou que a produtividade do trabalho na indústria no primeiro semestre de 2011 ficou estagnada no primeiro, em relação ao mesmo período do ano passado.

O avanço de apenas 0,1% deveu-se ao incremento de 1,7% na produção física e de 1,6% nas horas pagas: "Esses percentuais apontam para a desaceleração do ritmo de atividade do setor, contrastando com o desempenho observado ao longo de 2010, de franca recuperação da produção (10,5%) e da produtividade (6,1%) em relação ao ano de 2009. O comportamento do emprego ainda foi positivo no primeiro semestre de 2011, com expansão de 1,9%, porém as variações mês a mês, com apenas duas taxas positivas, apontam também para um desaquecimento no ritmo do mercado de trabalho da indústria", analisa o Iedi em nota.

E acrescenta que o aumento do custo da mão-de-obra, fator obtido pela comparação das taxas de crescimento da folha de pagamento média real (3,5%) com a produtividade (0,1%) cresce 3,5% no semestre.

No ano anterior, o indicador fechara no vermelho (2,6%), assim como no primeiro semestre (-8,9%). Na comparação mensal, o custo da mão- de-obra avançou 1,9%: "Assim, o primeiro semestre da indústria configura um cenário de desaceleração da produção e da produtividade e de aumento dos custos da mão de obra no setor", avalia o Iedi.

A outra face do populismo cambial
Monitor Mercantil, 17/08/2011


Com real valorizado, custo de vida de Rio e São Paulo já se aproxima de NY

Brasília e São Paulo - A mesma valorização do real que permite aos brasileiros aumentarem o número de viagens ao exterior, configurando o fenômeno do Bolsa Juros, vem corroendo o poder de compra dos habitantes de Rio e São Paulo

Segundo relatório Preços e Salários do banco suíço UBS sobre o custo de vida em 73 cidades do mundo divulgado pela BBC Brasil, o poder aquisitivo nas duas cidades tem caído nos últimos cinco anos, apesar do avanço dos salários..

Há cinco anos, o custo de vida nas duas mega cidades brasileiras equivalia a pouco mais da metade do de Nova York. Agora, saltou para 74% (São Paulo) e 69% (Rio). Excluindo-se os valores de aluguel, o custo de vida em São Paulo já é quase equivalente (97%) ao nova-iorquino.

Entre 2006 e 2011, o nível de salários de São Paulo passou de 24% para 39% do nível nova-iorquino. Já o do Rio aumentou de 19% para 34% na mesma comparação.

Mas esse avanço foi insuficiente para evitar que as duas metrópoles brasileiras caíssem no ranking do banco do poder de compra doméstico.

Em 2006, São Paulo e Rio ocupavam, respectivamente, as posições número 42 e 52 do ranking de poder de compra nos países analisados pelo UBS. Em 2011, as duas cidades caíram para os lugares número 54 e 58.

O relatório considera uma cesta de 122 produtos e serviços variados, como moradia, alimentação, transporte (público e privado, incluindo manutenção de veículos), roupas, artigos domésticos e até corte de cabelo.

Os cálculos para 2011 foram baseados nos preços de 2009, ajustados por inflação, crescimento do PIB e câmbio.

As cidades mais caras para se viver, por ordem no ranking, são Oslo, Zurique, Genebra, Copenhague, Estocolmo, Tóquio, Sydney e Helsinque. São Paulo e Rio ficaram, respectivamente, nas posições 19 e 26.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O que está por trás do debate sobre desindustrialização do país?



Renato Lobato
de Taubaté (SP) - Opinião Socialista 2/8/2011




• Nas últimas semanas, ganhou fôlego na grande imprensa, jornal do sindicato dos metalúrgicos do ABC e nas declarações de líderes sindicais e empresariais, um debate sobre o perigo das importações da China que supostamente poderá provocar a desindustrialização do Brasil. Seminários foram realizados e as propostas serão levadas ao governo Dilma.

Nos últimos três anos o Brasil aumentou a importação de produtos industrializados, principalmente carros. Ao mesmo tempo, passou a exportar mais produtos primários (minério de ferro, soja, açúcar, carne etc.) do que produtos industrializados. Isso em razão do fato da indústria ter se concentrado no mercado interno, com o incrível aumento do crédito.

Mas nesse debate vemos alguns conceitos estranhos sendo esgrimidos pelos líderes sindicais, como por exemplo, a defesa de uma suposta indústria nacional no setor automobilístico. A Volkswagen do Brasil, a Ford do Brasil, a General Motors do Brasil, a FIAT do Brasil seriam, supostamente, parte dessa “indústria nacional”.