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segunda-feira, 1 de junho de 2020

Trump, Bolsonaro e os novos bonapartistas: o divisionismo permanente e a grandeza no passado idealizado

por Almir Cezar Filho

Casa Branca, sede do governo mais poderoso do planeta Terra, cercada de manifestantes. O presidente dos EUA Donald Trump em um bunker, tweetando freneticamente e ameaçando usar o Exército contra os manifestantes. Nenhum apelo à unidade nacional e à paz. Ao contrário, acusações ao movimento ANTIFA e frases abertamente divisionistas. 

Trump, como no Brasil Jair Bolsonaro, mas a sua maneira, precisa polarizar o tempo todo, pra manter uma base coesa e radicalizada, que lhe sirva como sustentáculo eleitoral e massa de manobra para pressão sobre as instituições da república.

Os bonapartistas do século XIX e XX, clamavam pela unidade nacional. Embora exigindo submissão completa, e "morte" aos inimigos (que não se submetem). Os bonapartistas antigos falam representar, ser porta-voz, das "maiorias silenciosos", mas sempre apelando à unidade nacional. No entanto, já os bonapartistas do século XXI, não querem a unidade; não a precisam. Apenas contam com o medo ou apatia das maiorias. Mas quando não podem contar com o medo das maiorias?

domingo, 30 de outubro de 2016

Fascismo e Direita Pós-Moderna. Ou sobre a nova ditadura da toga e do púlpito

A emergência do poder da Igreja e do Judiciário numa época de "morte da Política"

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita nº 16

 Por Almir Cezar Filho

Uma das manifestações mais destrutivas da Modernidade foi o aparecimento de regimes bonapartistas e de movimentos políticos fascistas e autoritárias, em oposição ao regime parlamentar-eleitoral, forma convencional de regime do Estado burguês. A ascensão do bonapartismo dá-se após uma crise econômica e política que convulsiona a sociedade e desmoraliza e paralisa as instituições principais do regime político vigente, parlamentar-eleitoral, vulgarmente conhecido como "democrático". Pode-se dizer mesmo que vem emergindo em nossa sociedade um novo bonapartismo, alicerçado nas igrejas cristãs, e em menor medida, nas forças judiciais e na alta burocracia de carreira, especialmente nos magistrados. Um semibonapartismo permanente, um neobonapartismo, da toga e do púlpito.

A emergência da força política das igrejas já foi tratada no artigo "Instituições e confiança: a emergência de um bonapartismo fundamentalista cristão no Brasil" e no ensaio nº 12 da presente série (o artigo   Liberalismo e fundamentalismo religioso na Pós-Modernidade) em que se apresenta não apenas a força na contemporaneidade do fundamentalismo religioso, mas o quanto este assume uma conciliação paradoxal de extremado liberismo econômico e minarquia em política econômica, com um desejo de estado máximo em temas morais e comportamentais. Também, apresenta a tese de que, na verdade, esse novo fundamentalismo nada mais que seria uma das três manifestações na Direita da Pós-Modernidade - os outros dois seriam Olavismo Cultural e o Ultralibertarianismo.

Nesse sentido, o Bonapartismo, cuja a mais forte expressão e forma no século XX foi o Fascismo, fenômeno político que rompa o Estado de Direito e a sociedade civil de forma burguesa, não poderia ocorrer sem também ser influenciado pelo zeitgeist da Pós-Modernidade, com as devidas modificações da forma que assumiu durante anteriormente, mas com aspectos em comum. Outras instituições e papeis ganham protagonismo.