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domingo, 4 de junho de 2023

#podcast ECONOMIA É FÁCIL | INDÚSTRIA EM CRISE: Lula corta imposto do carro. Subsidiar multinacionais ajuda?

Este episódio foi publicado nos principais agregadores de podcast Spotify, Deezer, Google Podcast, Anchor FM, etc.

Nesta segunda-feira 15/05, 18h, o programa Economia É Fácil com mais uma edição ao vivo - o seu espaço de economia, na sua linguagem e o que realmente importa na vida dos trabalhadores. 📻 Produção da Web Rádio Censura Livre. 🎙️ Apresentação do economista Almir Cezar Filho.

🎤 Convidado: WELLER GONÇALVES, do Sindicato dos Metalúrgicos de S. José dos Campos/SP.

Ouça em: https://spotifyanchor-web.app.link/e/yOZlDjdzmAb

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Financeirização e desnacionalização do Brasil atual - veja os dados da indústria no 1º trimestre desse ano

O atual modelo de desenvolvimento capitalista brasileira alguns características/tendências vêm se acentuando. O primeiro é de uma grande crescimento do peso dos bancos (principal beneficiário da política de juros altos) desproporcionalmente aos demais setores da economia (numa relação é de 16,5% a 6,5%),viu seu lucro aumentar 16,52% no primeiro trimestre. A segunda é da desnacionalização patrimonial da indústria e a alta presença de importados no consumo (de 22,5%, o é maior desde 2007), elevando vulnerabilidade do país. Veja os dados do primeiro trimestre desse ano.

Banco cresce 2,5 vezes mais que economia real
Monitor Mercantil, 16/05/2014

Relação é de 16,5% a 6,5%. Elétricas têm 2º maior ganho, apesar das reclamações

Principal beneficiário da política de juros altos, o setor financeiro viu seu lucro aumentar 16,52% no primeiro trimestre. O crescimento é 2,5 vezes maior do que os 6,5% das 320 empresas brasileiras de capital aberto listadas na Bolsa, no mesmo período.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Em 2012, 296 empresas brasileiras passaram para controle estrangeiro


Desnacionalização de empresas brasileiras bate recorde há três anos seguidos.
Por Carlos Lopes, da Hora do Povo
Nos últimos oito anos, 1.300 empresas nacionais foram transferidas para o controle do capital internacional. A cada ano se aceleram as compras de empresas brasileiras por fundos ou empresas estrangeiras, a maioria com sede nos EUA
Os dados divulgados pela empresa de consultoria KPMG no último dia 14 mostram que as desnacionalizações de empresas brasileiras atingiram um novo recorde em 2012. O notável é que elas já haviam atingido um recorde em 2011 – e também em 2010.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

BNDES ajuda na desnacionalização às custas do dinheiro do contribuinte


Modelo multinacional
Monitor Mercantil, 10/07/2012

A concessão de empréstimo de R$ 342 milhões para a Volkswagen mostra que o BNDES deve confirmar, em 2012, a preferência por empréstimos às multinacionais. Estas, pressionadas em suas matrizes pela crise econômica e com o mercado financeiro internacional cada vez mais fechado, recorrem ao banco oficial, com taxas mais baixas que as (estratosféricas) do mercado, recursos sem nenhuma contrapartida, como manter empregos ou aumentar as exportações.

Em 2011, foram liberados financiamentos para a área industrial, de valor igual ou acima de R$ 400 milhões, que somaram R$ 13,6 bilhões. As multinacionais abocanharam R$ 8,28 bilhões, ou 60% do total. Somente a Vivo levou mais de R$ 3 bilhões.

Desnacionalização
O BNDES, sediado no Rio de Janeiro, já foi chamado de Recreio dos Bandeirantes, pela fartura de empréstimos às grandes empresas paulistas, na época do milagre, até a Constituição de 1988, que equiparou a empresa nacional à estrangeira - principal alegação do banco de fomento para justificar os empréstimos elevados ás multis.. Quem poderia dizer, naquela época, que era feliz e não sabia.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Brasil: tendências a re-industrialização e desnacionalização - mudanças aos trabalhadores

artigo revisado - publicado originalmente em 29 de junho de 2009 - passados 3 anos cada vez mais atual

Brasil: tendências a re-industrialização e desnacionalização - mudanças aos trabalhadores
por Almir Cezar Filho 

Há uma transformação em curso na economia brasileira, com uma respectiva recomposição na classe operária, com previsíveis e interessantes impactos na luta de classe futuros. Teremos transformações importantes na dinâmica econômica e na dinâmica social do país, por um lado, mais suscetível as crises mundiais, porém, embora mais dependente, uma economia com papel mais importante na economia mundial e, por outro, aponta que no Brasil em breve a classe operária voltará a ser protagonista das grandes mobilizações dos trabalhadores. Teremos um novo movimento operário surgindo, mais fortalecido do ponto de vista objetivo, inclusive para enfrentar os ataques da burguesia em caso de crises.

Vejam os dados da PIA 2009 divulgados pelo IBGE - obviamente os dados captam a realidade pré-crise, mas essa nova situação não pode ter revestido tal cenário - que apontam a ampliam do número de empresas atuando justamente nos segmentos econômicos industriais, e particularmente nos setores que constituem os pesos pesados da classe trabalhadora. Setores esses que haviam encolhidos nos anos 90.
Há um processo de re-industrialização da economia brasileira, mas essa re-industrialização se dá através de um maior peso do capital estrangeiro sobre o montante de capital, um processo que não só apesar da crise, mas talvez acelerado por ela, à medida que provavelmente passado o susto inicial, as transnacionais estão buscando refúgio no Brasil.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Avanço de IED pode embutir aplicações em juros

Para Messenberg, do Ipea, quadro de avanço de IED (investimento estrangeiro direto) para US$ 75 bi em 1 ano pode embutir aplicações em juros pode refletir a entrada de capital especulativo 'travestido' de IED.

 "Investejuros" cresceu 177%. 
Avanço de IED para US$ 75 bi em 1 ano pode embutir aplicações em juros 
Monitor Mercantil, 21/10/2011

O ingresso de investimento estrangeiro direto (IED) nos 12 meses encerrados em agosto chegou a US$ 75,4 bilhões. Isso representa crescimento de 176,6% em relação ao mesmo período de 2010.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Paraíso das montadoras: governo e pelegos matam concorrência com aumento do IPI, pior para consumidores e trabalhadores

Sob o beneplácito do governo e conivência dos pelegos, o Brasil sempre foi um paraíso para as montadoras instaladas no país, que vendem os carros mais caros do mundo e registram lucros tão espetaculares, contra os consumidores e trabalhadores, matam concorrência com aumento do IPI dos importados, sob a justificativa do "perigo das demissões e da desindustrialização".

OS TRÊS MINISTROS E AS CARROÇAS
Vincente Nunes - Correio Braziliense, 19.09.2011
http://www.dzai.com.br/blog/blogdovicente


Foi, no mínimo, constrangedor ver os ministros Guido Mantega (Fazenda), Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) anunciando o aumento de 30 pontos percentuais do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) cobrado dos carros importados. Sem argumentos consistentes, forçaram a população a engolir a justificativa de que o governo estava protegendo os empregos no país. Se não fosse fechada logo a porteira para os veículos de vêm de fora, o Brasil assistiria a uma onda de demissões nas montadoras que produzem em terras nacionais — todas elas, estrangeiras, ressalte-se.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Juros, inflação e dependência no Brasil atual

por Almir Cezar

Banco Central do Brasil (Bacen)
Apesar do desenvolvimento econômico do último período, o Brasil ainda está em um círculo macroeconômico vicioso, típico das economias dependentes, obrigado a fixar alta sua taxa de juros para compensar o déficit externo recorrentes e combater sua persistente inflação alta, a chamada "armadilha macroeconômica". Contudo, o efeito da taxa de juros alta pode ser oposta da propagandeada pelo BC (Banco Central), pois ajuda a puxar para cima os preços, e portanto a inflação, devido a uma combinação dos efeitos estruturais, cuja origem reside em peculiaridades herdadas do desenvolvimento da economia brasileira.

E ainda alimenta a uma grande mudança estrutural no padrão de desenvolvimento brasileiro, reforçando ainda mais a dependência do Brasil dentro do sistema mundial capitalista ao capital externo, com severos prejuízos aos trabalhadores, muito maiores do que o super-endividamento das famílias e o melindre ao consumo à prazo. Temos então não apenas uma relação inversa entre juros e inflação, mas uma nova "armadilha" que deve ser combatida pelos trabalhadores em suas raízes, no modelo de desenvolvimento.

Juros e inflação em um país em "armadilha macroeconômica"

A Economia convencional sempre divulgou como ruim uma alta inflação, como um desequilíbrio entre oferta e demanda agregada impactando sobre os preços. E recomenda usar a taxa de juros para combater a inflação, tanto pela sua ação sobre a demanda agregada (pressionando investimentos e consumo), como sobre a oferta agregada (a taxa de juros alta atraí dólares, apreciando o câmbio, levando a queda dos preços das importações, e diminuindo as exportações, aumentando a oferta interna). A queda das exportações, e consequentemente dos rendimentos dela, combinada com aumento dos juros, leva a um desaquecimento da economia. Esse desaquecimento pressiona a uma queda na taxa de inflação e logo na taxa de juros, em um movimento de re-equilíbrio na inflação e juros, garantindo que a evolução do crescimento econômico pudesse ser mais moderada e em equilíbrio entre oferta e demanda agregada.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Ameaça à independência

Ameaça à independência
Monitor Mercantil, 06/09/201
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Gonçalves: ‘desubstituição’ de importações

Desindustrialização empurra país para "desenvolvimento às avessas" pró-EUA


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enviou, pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, mensagem em homenagem ao Dia da Independência do Brasil, na qual aponta o país como exemplo de democracia e o local ideal para ampliar as relações de cooperação mútua. Obama, porém, tem mais razões para comemorar do que o Brasil. Nos últimos anos, os EUA saíram de déficit comercial de US$ 8 bilhões com o Brasil, para superávit de US$ 5 bilhões.

O economista Reinaldo Gonçalves, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que o aumento da dependência econômica do Brasil deve-se aos processos de desindustrialização e reprimarização da pauta de exportações. Ele avalia que o país vive um ciclo de "desubstituição" de importações.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O que está por trás do debate sobre desindustrialização do país?



Renato Lobato
de Taubaté (SP) - Opinião Socialista 2/8/2011




• Nas últimas semanas, ganhou fôlego na grande imprensa, jornal do sindicato dos metalúrgicos do ABC e nas declarações de líderes sindicais e empresariais, um debate sobre o perigo das importações da China que supostamente poderá provocar a desindustrialização do Brasil. Seminários foram realizados e as propostas serão levadas ao governo Dilma.

Nos últimos três anos o Brasil aumentou a importação de produtos industrializados, principalmente carros. Ao mesmo tempo, passou a exportar mais produtos primários (minério de ferro, soja, açúcar, carne etc.) do que produtos industrializados. Isso em razão do fato da indústria ter se concentrado no mercado interno, com o incrível aumento do crédito.

Mas nesse debate vemos alguns conceitos estranhos sendo esgrimidos pelos líderes sindicais, como por exemplo, a defesa de uma suposta indústria nacional no setor automobilístico. A Volkswagen do Brasil, a Ford do Brasil, a General Motors do Brasil, a FIAT do Brasil seriam, supostamente, parte dessa “indústria nacional”. 


domingo, 10 de julho de 2011

Indústria em marcha lenta, a desindustrialização se soma a desnacionalização

Indústria em marcha lenta
Monitor Mercantil, 07/07/2011

À DESINDUSTRIALIZAÇÃO SE SOMA A DESNACIONALIZAÇÃO
Nos primeiros cincos meses de 2011, o crescimento industrial não chegou a 2%, muito longe da taxa alcançada no mesmo período do ano passado (17,3%) ou de 2010 como um todo (10,5%). O Instituto para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi) pondera que mesmo esse desempenho foi favorecido pela base fraca do ano anterior e alerta para o "encolhimento generalizado" da produção.

"É claro que esses últimos índices têm correspondência em um processo de recuperação de nossa economia à crise internacional. Mas, se retrocedermos ao período pré-crise, a comparação também faz sobressair o magro desempenho de 2011: no ano cheio de 2007, a expansão industrial foi de 6%, e de 6,3% no período janeiro/maio de 2008", diz o Iedi.

Para o instituto, a indústria brasileira vive "flagrante perda de dinamismo ou mesmo retração absoluta". Já o economista Paulo Passarinho, do Conselho Regional de Economia (Corecon-RJ) avalia que o país não vive um processo de desindustrialização. "Ele já está desindustrializado", salienta o conselheiro do Corecon-RJ, enfatizando que a retração absoluta da indústria evidencia o caráter subdesenvolvido do país.
"Subdesenvolvimento não é crescer a taxas baixas, mas crescer a reboque da economia mundial. No Brasil, quem puxa a indústria é o setor automotivo, totalmente internacional", diz, acrescentando que os demais setores vivem expressivo processo de desnacionalização. "O arranjo macroeconômico já matou a indústria. Somos uma economia neocolonial."

Na opinião de Passarinho, a elite industrial brasileira não se incomoda com essa regressão. "Os empresários do país têm forte interação com o modelo rentista, que não tributa convenientemente suas fortunas. Se o dólar está barato, simplesmente passam a montar seus produtos aqui com componentes importados e até aumentam a lucratividade", resumiu o economista.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Privatizações quintuplicam rombo externo

Desde o Plano Real, devido as privatizações, o déficit com exterior saltou de US$ 15 bi para US$ 71 bi, consequência da desnacionalização, com as respectivas alta na remessas de lucros e dividendos e importação de tecnologia.

Privatizações quintuplicam rombo externo
Monitor Mercantil, 08/04/2011

Desde o início do Plano Real, o déficit na balança de serviços e rendas saltou de US$ 14,7 bilhões, em 1994, para US$ 70,6 bilhões ano passado, segundo o Banco Central (BC). Para o economista Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES, esse desempenho se deve, sobretudo, às privatizações. "As privatizações comprometeram de forma permanente o balanço de pagamentos", destaca.

Já Paulo Passarinho, economista do Conselho Regional de Economia (Corecon-RJ), acrescenta que a evolução do déficit da conta de serviços é diretamente relacionada ao grau de abertura da economia: "Em particular, da desnacionalização do parque produtivo do país e o conseqüente crescimento das remessas de lucros e dividendos das empresas estrangeiras aqui instaladas."

O conselheiro do Corecon-RJ lembra que, apesar de credor líquido (as reservas cambiais de cerca de US$ 300 bilhões equivalem ao montante da dívida pública externa), a dívida não foi paga e continua representando uma despesa importante para o país.

Além dessas despesas, pesam fortemente sobre a balança de serviços as despesas com fretes e os gastos dos brasileiros com viagens para o exterior, turbinados pela sobrevalorização do real.

Em 2010, o total das despesas dos brasileiros com o turismo internacional somou US$ 16,4 bilhões. Em 2003, esse valor fora de US$ 2,3 bilhões, quase igual ao verificado em 1994 (US$ 2,2 bilhões).

O déficit provocado pelos gastos com frete atingiram US$ 6,4 bilhões no ano passado superando em US$ 4,8 bilhões o resultado negativo de 2003, quando a conta de transportes fechara em US$ 1,6 bilhão negativo.

sábado, 2 de abril de 2011

Entradas de dólares elevam rombo externo do Brasil

O ingresso de poupança externa não melhorou as contas externas no Brasil, pelo contrário. Em 10 anos, ingresso de IED (investimento estrangeiro direito) cresce 10% e déficit em transações correntes, 10 vezes.

Ao contrário, em 2000, o déficit em transações correntes de US$ 24,2 bilhões teve como contrapartida o ingresso de US$ 4,2 bilhões em investimento estrangeiro direto (IED). Já em 2010, o aumento do IED para US$ 26,6 bilhões não impediu que país terminasse o ano com um rombo de US$ 47,5 bilhões, quantia recorde em termos absolutos e que representou 2,28% do PIB. O aumento de US$ 22 bilhões no ingresso de IED, verificado entre 2009 e 2010, foi todo consumido pela saída, também de US$ 22 bilhões, do IED de empresas brasileiras no exterior.

Parte do IED que entra vai para o investimento especulativo, enquanto que, outra parte se destina à compra de ativos no Brasil, o que tem como conseqüência em mais remessa de lucros e dividendos. Por sua vez, as remessas de lucros são isentas de imposto de renda, e que o câmbio valorizado é maior um incentivo ao envio de remessas às matrizes de multinacionais, muitas delas em dificuldades devido à crise mundial. As remessas de lucro para o exterior são isentas e as pessoas jurídicas pagam imposto sobre lucro de apenas 15%, após fazerem inúmeras deduções. Mas a distribuição para os sócios é isenta e o IED volta para o exterior.

Isso tudo acontece, apesar de o BC estar tentando "calibrar o fluxo de divisas", a tendência de queda do dólar é mundial.

informações Agência Brasil

sexta-feira, 25 de março de 2011

Desindustrialização relativa do Brasil, uma quarta etapa da industrialização nacional

por Almir Cezar Filho

A indústria brasileira como um todo está perdendo espaço na economia brasileira e demonstra em parte o processo de desindustrialização relativa do Brasil. Revela na verdade que na década esteve em curso uma quarta etapa da industrialização nacional assumindo portanto uma nova face na economia brasileira a dependência econômica ao grande capital monopolista internacional.

Dados do IBGE sobre a economia entre 2003 e 2010, um fase de forte expansão da economia brasileira e da indústria, observou que enquanto nesse período o consumo no país cresceu 69%, a produção industrial avançou apenas 31%.

Desindustrialização não é o inverso de industrialização, isto é, a atividade industrial vai diminuir até desaparecer. Mas sim, que o peso/espaço da produção industrial no conjunto da economia diminuí ou que perde participação para os produtos industriais vindos de fora.

Para comprovar que não há um desindustrialização absoluta, e sim, apenas uma relativa, os dados da PIA divulgados em 2009 pelo IBGE - obviamente os dados captam a realidade pré-crise, mas essa nova situação não pode ter revestido tal cenário. Há uma transformação em curso na economia brasileira com uma respectiva recomposição na classe operária, com previsíveis e interessantes impactos na luta de classe futuros.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Indústria do Brasil: investimentos concentrados em commodities e petróleo

Em relatório do próprio BNDES, os investimentos das empresas brasileira mostra cada vez mais um padrão industrial voltado à 'commoditização' da economia, um velho traço da dependência econômica. Isso prova que a economia nacional não passa por uma desindustrialização, mas, cada vez mais, apesar do progresso e desenvolvimento econômico, sua inserção no capitalismo mundial se dá de maneira subordinada e voltada a completementar a produção exterior e atender aos interesses do grande capital internacional. O Brasil portanto, é visto centralmente pelo capital internacional como estratégico fornecedor de commodities semiprocessadas, matérias primas industriais e energia barata, enquanto que para os bens de ponta e novas tecnologias apenas seria um gigante  mercado consumidor. Assim, enquanto o Brasil não romper com o capitalismo esse padrão se repetirá, apenas com pequenos ajustes.

BNDES: concentração em commodities e petróleo
Monitor Mercantil, 28/02/2011

Segundo o BNDES, o investimento projetado para o mandato da presidente Dilma Rousseff (2011-2014), será de R$ 3,3 trilhões, mais 62%, em termos nominais, do entre 2006 e 2009. O maior salto deve se dar no setor petróleo e gás, cuja projeção saltou de R$ 295 bilhões, de 2010 a 2013, para R$ 378 bilhões.

Ao lado da energia, o segmento liderou a pesquisa do BNDES, junto a 15 setores industriais e de infra-estrutura, que representam metade do investimento total na economia.

O investimento da indústria extrativa mineral se manteve estagnado em relação a 2006-2009 (R$ 62 bilhões), mas o banco esclarece que o setor tem sido beneficiado pela disparada do preço das commodities, que elevou a base de comparação. No entanto, a siderurgia deve elevar seus investimento em 17%, somando R$ 33 bilhões.

Além de petróleo, energia e commodities, o BNDES espera que o mercado interno puxe outros segmentos. O o economista Marcos Coimbra, conselheiro do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (Cebres), porém, alerta para as conseqüências dos cortes orçamentários e das restrições ao crédito na economia.

"O setor industrial é o motor do desenvolvimento, mas, excetuando alguns ramos do petróleo, os investimentos não são puxados pelo setor de ponta. Cada vez mais, o país é montador de veículos e outros produtos, até de celulares. E o investimento em pesquisa continua patinando perto de 1% do PIB", criticou.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Déficit externo cresceu 4x no Plano Real

Déficit externo cresceu 4 vezes no Plano Real
Monitor Mercantil, 11/02/2011 


Segundo o professor Ricardo Bergamini, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o déficit anual médio da conta de serviços no balanço de pagamentos do Brasil saltou de US$ 19 bilhões, entre 1995 e 2002, para US$ 50 bilhões, no período 2003-2010. Já o déficit acumulado de 1990 a 1994, saiu de US$ 70,1 bilhões para US$ 341,2 bilhões.
O economista Rodrigo Ávila, da Auditoria Cidadã da Dívida, destaca que, além dos déficits crônicos e estruturais, como no segmento de seguros, setores como transporte marítimo internacional não pararam regredir desde a desativação do Lloyds e a derrubada da reserva de mercado.
"As remessas de lucros, juros e royalties devidos ao capital estrangeiro também dispararam. Essa tendência se tornou estrutural após as privatizações e se mantém crescente na medida que avança a desnacionalização da economia brasileira", alerta Ávila, lembrando que essa tendência já fora observada por Raul Prebisch, economista argentino, ao analisar os resultados do liberalismo imperial britânico na América Latina, ao longo do século XIX até 1930: "Daí formulou sua tese sobre a deterioração dos termos de intercâmbio e o déficit estrutural do balanço de pagamentos, gerador de dívida externa e, consequentemente, dependência econômica."

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Concentração da riqueza e a desnacionalização continuam a crescer

Dois traços típicos da configuração do Brasil como periféria do capitalismo mundial ,a partir da sua inserção dependente dentro do sistema, é a concentração de riqueza e desnacionalização da economia. esses dois traços prosseguem apesar das recentes mudanças da nossa estrutura econômica.

Concentração de riqueza cresce fortemente no país

Monitor Mercantil online, 18/10/2010

A concentração da riqueza e a desnacionalização da economia continuam a crescer de forma acelerada no país. De acordo com o diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Fractal, Celso Grisi, empresa especializada em pesquisas financeiras, os bancos estrangeiros estão cada vez mais interessados no mercado financeiro do Brasil.

Segundo Grisi, existem no Brasil 213 bancos sob controle total ou parcial de instituições estrangeiras, de 23 nacionalidades. Ao todo, o país tem quase 20 mil agências, além de outros meios físicos e eletrônicos de distribuição: "Esse cenário tende a se movimentar ainda mais depressa em função da expectativa de autorização, pelo Banco Central, da entrada de cinco bancos estrangeiros. Além disso, alguns banqueiros asiáticos estudam o mercado nacional", escreveu.

Já as fusões e aquisições devem bater novo recorde. Segundo a consultoria KPMG, 180 operações foram feitas no país no terceiro trimestre. O anúncio da compra de 40% da gestora de recursos Pátria Investimentos pelo norte-americano Blackstone Group, no fim de setembro, evidencia esse movimento.

O aumento no número de transações lideradas por empresas estrangeiras comprando companhias brasileiras deve fazer com que o total supere o registrado em 2007: 699 operações.

Para o professor de Economia Internacional Reinaldo Gonçalves, da UFRJ, os fatos fazem parte do processo de centralização e concentração do capital no qual o país está inserido, sobretudo via commodities: "Os bancos estrangeiros até perderam posição relativa no Brasil após a crise. Foi um movimento natural para se protegerem. Agora, há céu de brigadeiro, tanto no mundo, como aqui, com os maiores juros do mundo."

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O partido do capitalismo brasileiro

O partido do capitalismo brasileiro

Carlos Tautz*

Dilma e Serra não brigam apenas pela Presidência da República. PT e PSDB também têm olhos para muito além dos resultados de 3 de outubro. As duas legendas ambicionam ser o interlocutor privilegiado de agentes econômicos de grande porte junto ao Estado brasileiro nos próximos anos e, para isso, buscaram alianças para se estenderem ao máximo no poder. No fundo, desejam mesmo ser o partido do capitalismo brasileiro.

É por esta razão que na campanha alguns temas saem como coelhos da cartola de um mágico. Sem muita importância para a luta imediata por votos, em verdade são usados para golpear estrategicamente o adversário. E um desses assuntos mágicos da campanha atual tem sido o BNDES, o grande financiador de longo prazo no Brasil, 100% estatal, que recebe recursos do Tesouro e
do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT).

O Banco foi escolhido por Lula para cimentar a aliança de poder que o PT firmou com um seleto grupo de grandes agentes econômicos dos setores industrial, agrícola e extrativista. Ao financiar essas empresas em sua expansão internacional, o BNDES se transformou no principal instrumento de projeção do poder econômico do Brasil na América do Sul e na África. Não por coincidência, são também essas as regiões prioritárias da política externa brasileira.

Desde que o PT chegou ao poder, em janeiro de 2003, o BNDES quadruplicou seu orçamento para US$ 90 bilhões em 2009. Recebeu aportes de R$ 180 bilhões do Tesouro e sustentou internamente a disponibilidade de crédito durante a crise financeira de 2008. Vendo essa relação entre governo e grandes multinacionais brasileiras se consolidar, o PSDB atacou, embora tarde e inaptamente, estimando corretamente que a parceria de poder dos petistas durará enquanto estiver em alta o mercado internacional de commodities. Ou seja, provavelmente por muitos anos.

Os tucanos atacaram a histórica falta de transparência do Banco – o que é um fato, por si, escandaloso. Mas, pasmos, calaram-se diante do apoio imediato que as maiores associações industriais brasileiras deram ao BNDES. Capitaneadas pela Associação Brasileira de Indústrias de Base, quase 20 delas publicaram em julho manifesto defendendo a política de crédito do Banco e mandaram seu recado: com esses empréstimos, estamos com Lula e não abrimos.

Aliás, tucanos estão muito pouco a cavalheiro para criticarem petistas. Embora nos anos FHC sua parceria mais orgânica tenha sido com o capital financeiro, também utilizaram o BNDES para azeitar suas alianças e o fizeram operador da ideologia do Estado mínimo e da desnacionalização da economia. Porém, quando perdeu em 2002 as eleições presidenciais, o PSDB abriu o flanco e um PT pragmático (lembram-se da Carta aos Brasileiros?) aproveitou-se da conjuntura internacional e passou a estimular a criação dos “campeões nacionais”.

Assim, empresas de todos os portes passaram a receber do Banco vultosos aportes e participações acionárias para ganharem musculatura e figurarem entre os maiores exportadores de commodities agrícolas, minerais e energéticas em nível internacional. Hoje, elas são as maiores tomadoras de
empréstimos do BNDES.

Claro que o PT agrada também à banca e não somente ao capital produtivo. Henrique Meirelles é prova viva. Deixou um mandato de deputado federal pelo PSDB de Goiás, após presidir o Bank Boston, para ser elevado por Lula, desde o primeiro dia deste na Presidência, à chefia do BC independente de fato. Meirelles e as altas taxas de juros afiançam Lula junto à banca internacional. Mas, no fundamental, o PT está aliado à indústria de base e aos exportadores de mercadorias e aposta o quanto pode que essa parceria vai durar.

Neste cenário, ficou muito difícil para o PSDB a disputa pela primazia da intermediação entre o Estado e grandes capitais. E, ainda por cima, a se confirmar a tendência de Dilma ganhar no primeiro turno e os rumores de que Aécio deixará o PSDB para fundar seu próprio partido, o quadro ficará ainda pior para os tucanos. Porque, aí, estará aberta uma janela histórica para o PT se tornar o partido do capitalismo brasileiro no século 21.

(*) Carlos Tautz é jornalista

***

Comentário Enviado ao Limiar&Transformação pelo Prof. Theotonio dos Santos:


Apreciações corretas no fundamental. Resta por discutir qual a posição dos setores populares neste processo e porque o capital internacional não pode liderar diretamente este processo e tem que apelar a uma liderança popular com a qual, como diz a nota, está fechado e não abre, para dirigi-lo. Somente a teoria marxista sobre o papel do capitalismo de Estado no sistema capitalista nos permite compreender o processo e preparar uma participação consciente dos trabalhadores neste processo tão complexo.


theotonio

domingo, 8 de agosto de 2010

Juros altos forçam captação externa mas ampliarão remessas ao exterior

A taxa de juros básica, fixada cronicamente alta pelo Banco Central, força as grandes empresas brasileira recorrerem a captações externas para se financiarem. A consequência é a ampliação das remessas ao exterior devido a desnacionalização, e logo o envio de lucros, ou aumento da dívida externa privada, e logo o pagamento de juros dos empréstimos internacionais.

Curiosamente, um dos principais fatores que condiciona o BC a sempre fixar a Selic muito alta, não é o combate a inflação, mas é a busca por arbitragem, isto é, que a taxa de juros interna seja maior que a internacional, que pela diferença, atraí especuladores e logo capitais, para que o fluxo nas contas externas seja sempre positivo (mais dólar entrando do que saindo). Porém, é justamente essa política que gera dificuldades nas contas externas, à medida por um lado que o câmbio valorizado prejudica as exportações e favorece as importações, pressionando a balança comercial, e por outro, estimula a remessa externa de lucros das multinacionais, pois o lucro doméstico em moeda nacional fica maior em dólar, pressionando a balança de serviços.

Em suma, apesar do desenvolvimento econômico do último período, o Brasil ainda está em um círculo macroeconômico vicioso, típico das economias dependentes. Para piorar, força a desnacionalização do capital das grandes empresas brasileiras (76% do PIB está sob controle de capitais estrangeiros), condicionando a perda da autonomia dinâmica da economia, reforçando ainda mais a dependência do Brasil dentro do sistema mundial capitalista ao capital externo.


Contratando a alta do rombo externo
Monitor Mercantil, 02/08/2010

Com juro "à la BC", aumento da captação de empresas ampliará remessas ao exterior

Diante de um país que pratica os maiores juros reais do mundo, num momento de taxas negativas, a demanda internacional por bônus das companhias brasileiras supera todas expectativas. A Gol, por exemplo, teve procura quatro vezes superior aos US$ 300 milhões oferecidos aos investidores.

Já os títulos do BMG, com valor de face de US$ 250 milhões, captaram US$ 1,5 bilhão para a companhia. O banco Panamericano registrou demanda 6,5 vezes superior à sua emissão.

O economista Marcos Coimbra, conselheiro do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (Cebres), alerta para os riscos do aumento dessa procura. E lembra que, segundo o economista Adriano Benayon, 76% do produto interno bruto (PIB) brasileiro já estão sob controle de não-residentes.

"É motivo de preocupação. Hoje há cerca de US$ 3 trilhões circulando na economia e moeda é algo que perde valor. Os investidores estão trocando esse papel podre por ativos", destacou Coimbra.

De acordo com o conselheiro do Cebres, na América do Sul os investidores buscam segurança, liquidez e rentabilidade em economias fortes, em nível regional, como Chile e o próprio Brasil.

"A contrapartida é a transferência do centro de decisão do Brasil para o resto do mundo. Significa que estamos perdendo poder sobre a nossa economia", disse o economista, acrescentando que os investimentos vão gerar remessas de lucro e dividendos, agravando o déficit em conta corrente, que este ano promete superar a barreira dos US$ 50 bilhões e, segundo projeções, poderá atingir US$ 80 bilhões em 2011.

Entre as companhias que lançaram títulos no exterior e obtiveram demanda acima do previsto estão incluídas Braskem, BMF&FBovespa, Banco Mercantil do Brasil e Banco BMG.