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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

É a crise econômica que está gerando a crise fiscal e não o contrário

Real fraco, juros e inflação elevam encargos e Dívida Pública

por Almir Cezar

Governo Dilma assustado com a disparada do dólar. Mas a alta
do câmbio força aumento na dívida pública. Porém, segundo 
o mercado financeiro não é alta da dívida que pressiona o dólar?
Ao contrário do que a maioria pensa e o noticiário econômico da grande imprensa faz pensar, não é o crescimento explosivo do déficit e da dívida pública que faz corroer o cenário econômico, mas na verdade, a crise econômica (disparada do dólar, da taxa de juros e da inflação ao mesmo tempo) que aumentou os custos para o governo se financiar no mercado financeiro ao maior nível em 6 anos e elevou a Dívida Pública Federal (DPF) ao seu maior patamar histórico.

Além da dificuldade na venda de título da dívida pública com o cenário, que faz com que o mercado exija juros maiores para comprar os títulos, a taxa de câmbio e a inflação corrigem diretamente os encargos (percentual de juros) de parte dos títulos, também influenciando no aumento do custo.  O principal fator para o aumento do custo em agosto foi a alta de 7,45% do dólar em relação ao real.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

BC eleva juro e já compromete 2015

Com mais juros e menos gasto a economia quebra de vez. A indústria que tá agonizando vai pro espaço, os empregos com salário acima de 3 SM vão minguar. E o pior que a inflação de custos vai continuar além dos choques nos preços de alimentos e energia por causa da seca. Sei não, a vaca vai pro brejo, se ele não estiver seco!

Com PIB perto de 0%, Copom prefere inflar ganho dos rentistas em vez do crescimento
Monitor Mercantil | 03/12/2014

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, alertou que, ao recorrer apenas à alta dos juros, “o governo erra e derrubará ainda mais a atividade econômica, que já se encontra anêmica”.

A advertência foi feita após o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, voltar a aumentar a taxa básica de juros (Selic), apesar de o crescimento da economia do país este ano ficar em 0,19%.

Com a alta de 0,5 ponto percentual, a Selic saltou para 11,75% ao ano. Na reunião anterior, no fim de outubro, poucos dias após o segundo turno das eleições, o BC, ignorando o clamor das urnas contra a política de juros altos, elevara a taxa em 0,25 ponto.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

20 anos de Real: Balança volta ao negativo

Real, 20 anos: baixa competitividade faz balança voltar ao negativo
Agência Brasil | 03/07/2014

Produtos importados dividindo cada vez mais espaço com as mercadorias nacionais nas prateleiras. Realidade nos primeiros anos após a criação do real, os resultados negativos na balança comercial (diferença entre exportações e importações) voltaram a se repetir nos últimos anos. Segundo analistas de comércio exterior, as circunstâncias desta vez são diferentes. Na década de 90, as importações eram estimuladas pelo câmbio fixo para conter a inflação. Hoje, com o câmbio livre, os déficits estão relacionados ao custo Brasil e à perda de competitividade da indústria nacional.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Indústria encolhe 40% no PIB com real forte

Indústria encolhe 40% no PIB com real forte
Monitor Mercantil | 14/02/2014

CÂMBIO VALORIZADO DESESTRUTUROU PRODUÇÃO NACIONAL

O regime de câmbio apreciado mudou, para pior, o perfil da estrutura produtiva brasileira. A afirmação é da economista Eliane Araujo, professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), em entrevista exclusiva ao MM.

“No Brasil a apreciação cambial esteve associada a uma perda de 40% de participação da indústria na economia, entre 1980 e 2012. A apreciação do câmbio implica também o aumento do componente importado da produção industrial, tornando mais vantajoso para o país importar insumos em vez de produzi-los domesticamente.”

Defendendo mudanças estruturais para reindustrializar o país, a economista destaca que qualquer projeto tem de passar pela política cambial, “variável-chave”, segundo ela. Mas a fragilidade externa da economia brasileira enfraquece o Estado como planejador e indutor do desenvolvimento industrial, que pressupõe tecnologia e inovação.

“Para se ter noção da fragilidade financeira e vulnerabilidade externa do país, basta observar a evolução do passivo externo bruto, que saltou de US$ 371 bilhões, em 2001, para US$ 1,604 trilhão, no fim de 2013. No encerramento de 2012 esse débito estava em US$ 1,556 trilhão”, contabiliza a economista, acrescentando que o câmbio valorizado foi prejudicial aos setores e ramos tecnologicamente mais sofisticados, favorecendo os ramos mais tradicionais e os ligados às atividades primárias.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Crise chega aos emergentes. Vêm aí aumentos no juro, dólar e inflação e mais arrocho fiscal

por Almir Cezar, 

A principal notícia da semana passada foi a crise que se espalha pelos países emergentes, com desvalorização de suas moedas e fuga de suas bolsas de valores em meio à crescente desconfiança dos investidores internacionais, combinado ao anúncio do governo americano de reduzir seu programa de compra de títulos do tesouro nacional. As economias emergentes estão às voltas com o aumento do juro, do preço do dólar e da inflação e promessas de arrocho fiscal dos governos.

Os países emergentes, principalmente os BRICS (bloco de países formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), durante a primeira fase da crise econômica mundial sofreram pouco com o “furacão” e serviram de “porto seguro” para os capitais, enquanto EUA e Europa afundavam. Agora, os grandes bancos e investidores internacionais, em meio à crise fiscal, inflação e crescimento econômico baixo, têm dúvidas com relação a esses países, especialmente com a impressão que os EUA e a Europa já teriam passado pela sua pior fase e haveria outros países mais "interessantes".

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

EUA exportam crise à periferia. Desindustrialização deixou emergentes mais vulneráveis à retirada da ajuda do Fed

 31/01/2014 | Monitor Mercantil

Desindustrialização deixou emergentes mais vulneráveis à retirada da ajuda do Fed

Para o economista Carlos Lessa, ex-reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-presidente do BNDES, a depreciação cambial em países emergentes provocada pela fuga de capitais não deve surpreender aos que acompanham a história. “No sentido mais amplo, é um comportamento imperialista, pois a potência dominante sempre tenta jogar a conta de suas crises para a periferia. Mas a questão é saber se a periferia vai suportar e o que poderá fazer para se defender”, analisa.

Lessa ressalva que aumentou o grau de vulnerabilidade nos países que abriram mão de suas indústrias, sobretudo no período em que os produtos primários viveram um período de valorização, no início do século. E ressalva que a China hoje não é mais um país periférico e que, em determinadas situações, forma com os Estados Unidos uma espécie de G2.

O economista lembra que, durante a II Guerra, a Inglaterra acumulou dívidas, que, posteriormente, exportou para a periferia, usando a desvalorização de sua moeda, a libra.

“Sempre achei que, em algum momento, os Estados Unidos iriam transferir sua dívida da crise para a periferia. Impressionante como alguns países emergentes aceitaram desmantelar suas indústrias apostando no curto período de valorização dos produtos básicos, no início deste século. E o Brasil foi um dos que mais se incorporaram a esse processo”, criticou.

Quanto à Argentina, Lessa lembra que, desde a década de 30 do século passado, o país passou a ter renda per capita inferior à do Brasil devido ao acelerado processo de industrialização iniciado no governo de Getúlio Vargas:

“Quem depende de produtos primários fica à mercê dos preços formados fora do país”, adverte o economista, indicando como marco dessa nova fase do capitalismo hegemônico a queda do padrão ouro, que desvinculou, em 1971, o dólar das reservas daquele metal dos EUA.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Banco Central dos EUA reduz ajuda, periferia sobe juro

Fed reduz ajuda, periferia sobe juro
29/01/2014 | Monitor Mercantil

Retirada de US$ 10 bi no mensalão do BC dos EUA eleva pressão sobre câmbio

Em meio a ataques especulativos nos países emergentes, às voltas com fugas de capitais, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) anunciou novo corte de US$ 10 bilhões, para US$ 65 bilhões, no programa de compras mensais de títulos podres das carteiras dos principais bancos de investimento do país, também conhecido como mensalão do Fed.

Depois do anúncio do Fed, a África do Sul, que não aumentava seus juros há seis anos, elevou sua taxa de 5% ao ano para 5,5% ao ano, acompanhando a Turquia e outras economias emergentes.

Sob pressão do mercado financeiro, o Brasil desde abril de 2013 já elevou sete vezes a taxa básica de juros (Selic).

A alta de 0,5 ponto do juro na África do Sul, no entanto, foi insuficiente para saciar o mercado financeiro, que impôs uma desvalorização de 2% ao rands, moeda sul-africana.

Para o economista Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central do Brasil (BC), a recente desvalorização do real, que subiu mais 0,3% nesta quarta-feira, para R$ 2,4338, já teria incorporado o “efeito Fed”. Para ele, de nada adiantará o BC continuar a elevar juros. “Há pouca margem também para mais aperto fiscal”, afirma.

No entanto, o economista Reinaldo Gonçalves, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), não vê limite para a queda do real ou a alta dos juros no Brasil: “Em 2002, na primeira eleição de Lula, o dólar estava em R$ 3,53. O Brasil tem déficit de contas externas muito grande, metade dele causado por remessas de lucros, que irão aumentar após as concessões que o governo está fazendo”, alerta.

Gonçalves salienta ainda que o Brasil tem passivo externo de US$ 1,6 trilhão, evidenciando que, num ambiente de liberalização financeira, as reservas cambiais são insuficientes para proteger o país dos especuladores.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Crises cambiais se espalham pelos países emergentes

por Almir Cezar

No momento vários países emergentes se veem às voltas com desvalorização de suas moedas em meio à crescente desconfiança dos investidores, com elas alta na inflação e ameaça de crise nas contas externas. As autoridades econômicas dos mercados emergentes foram obrigados nessa terça-feira (28/1) a emitir 'sinais concretos de determinação' a corrigir os problemas que estão fazendo as suas moedas 'derreterem'.

Ao antecipar um endurecimento da política monetária americana, os investidores repatriaram seus fundos, de forma abrupta, para os Estados Unidos, o que afetou as contas públicas e privadas de alguns países, como Brasil e Turquia. Investidores estão arredios em relação aos mercados emergentes, diante da redução dos estímulos à economia dos EUA - Bolsa de Nova York subiu 0,57%.

Com derretimento da lira, Banco Central turco 'radicalizou' e eleva os juros para 12% ao ano, e informou que manterá a política monetária apertada, até que a inflação, que ronda os 8%, ceda para níveis mais confortáveis. Por sua vez, a autoridade monetária indiana também aumentou o custo do dinheiro.

Na Argentina, depois da crise cambial instalada na semana passada, que levou a equipe de Cristina Kirchner a reduzir as restrições de compra de dólares para pessoa física para evitar uma nova mordida nas parcas reservas internacionais, foi obrigada a voltar atrás. Somente em janeiro, a moeda argentina perdeu 22,7% de seu valor, a maior desvalorização registrada em um mês, desde março de 2002, quando o país saía da pior crise de sua recente história.

Segundo o FMI e instituições financeiras, os Bancos Centrais dos emergentes devem combater urgentemente a inflação, que desanima os investidores ao enfraquecer o valor de seus ativos. Para esses, o combate se faz com elevação da taxa básica de juros e superávits/austeridades fiscais.

Já o governo brasileiro indica corte maior no Orçamento desse ano, para economizar até 2% do PIB, porém, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a Casa Civil não confirmaram ainda. O corte (de R$ 30 ou mesmo R$ 50 bilhões no Orçamento de 2014) havido sido divulgado ou sugerido por analistas do mercado financeiro. Segundo o Mantega, o corte será definido após estudos, simulações e discussões entre os técnicos.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Índia eleva taxas de juros para controlar preços

Os últimos eventos na Argentina e, agora, Índia, demonstram que o mundo caminha para uma alta da inflação, provocada por problemas cambiais.

Índia eleva taxas de juros para controlar preços

Jornal GGN - ter, 28/01/2014 - O Banco Central da Índia elevou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual nesta terça-feira (28) para frear a inflação. A medida prevê não apertar mais a política econômica do país no curto prazo. De acordo com informações locais, o país está mais preparado para lidar com o risco das saídas de capital.

Assim como os fatos recentes na Argentina, a Índia também sofreu com os problemas cambiais. A rupia, moeda local, despencou 11% em 2013 logo após o anúncio do governo americano de reduzir seu programa de compra de títulos do tesouro nacional. E as expectativas de redução gradativa, com a chegada da nova presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, renovaram as pressões sobre as economias emergentes.

Há a expectativa de uma inflação alta, porém moderada, pelos consumidores. Para isso, o banco central deve basear suas decisões sobre os juros em uma meta para não afetar os preços. E o desafio da entidade monetária é ainda maior: a Índia cresceu no ritmo mais lento da década, simultaneamente ao aumento desenfreado dos alimentos - e sua escassez de oferta.

O BC indiano elevou sua taxa de juros para 8%, em meio a preocupações do mercado com a desaceleração do crescimento na China e a perspectiva de mais redução do estímulo norte-americano.

domingo, 6 de outubro de 2013

Bancos manipulariam câmbio de moedas pelo mundo

Bancos internacionais estariam manipulando de forma coordenada a taxa de câmbio de moedas pelo mundo, num novo escândalo que atinge o setor. Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo, esta manipulação estaria influenciando também os valores das moedas de países emergentes, como o real. Por dia, os grandes bancos vendem e compram trilhões no mercado de câmbio. A suspeita agora, porém, é de que os valores desses contratos e dessas moedas seriam fixados pelos bancos em pelo menos dois momentos do dia.

Segundo as autoridades financeiras da Suíça, país que concentra um dos maiores polos de bancos do mundo, "múltiplas instituições pelo mundo" estariam implicadas no novo escândalo. A suspeita é de que operadores (traders) de bancos estariam se coordenando para atuar justamente nesses momentos de avaliação, comprando ou vendendo moedas e, assim, influenciando em seu valor. 

Os suíços indicaram que a investigação não está ocorrendo apenas no país e que governos de várias partes do mundo estão colaborando. Por enquanto, os investigadores não revelaram nem os nomes do bancos afetados nem os países.

As informações são do jornal Estado de São Paulo.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Queda dos juros: dá pra baixar muito mais

Apesar da queda da taxa básica de juros (Selic) para 7,5% ao ano, os estrangeiros elevaram sua participação na dívida interna, batendo novo recorde em agosto. Segundo o Tesouro Nacional, a fatia da dívida mobiliária - em títulos - interna nas mãos de não residentes subiu para 13,34% (R$ 237,39 bilhões) em agosto, contra 13,22% (R$ 236,47 bilhões) em julho. A relação dívida/PIB do Brasil está muito mais confortável do que nos países desenvolvidos. Temos espaço, não apenas para reduzir, mas até para acabar com o superávit primário (desvios de dinheiro da economia para pagar juros)

Dá para baixar mais, Tombini!
Monitor Mercantil, 24/09/2012 

APESAR DA QUEDA DA SELIC, FATIA DE "GRINGOS" NA DÍVIDA BATE RECORDE E MOSTRA HAVER ESPAÇO PARA REDUZIR OS JUROS 

Apesar da queda da taxa básica de juros (Selic) para 7,5% ao ano, os estrangeiros elevaram sua participação na dívida interna, batendo novo recorde em agosto. Segundo o Tesouro Nacional, a fatia da dívida mobiliária - em títulos - interna nas mãos de não residentes subiu para 13,34% (R$ 237,39 bilhões) em agosto, contra 13,22% (R$ 236,47 bilhões) em julho. 

De acordo com o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, não apenas a entrada de capital eleva a presença dos estrangeiros na dívida interna: "Os próprios rendimentos dos títulos, na medida em que são contabilizados, aumentam o saldo de não residentes na dívida", diz, segundo a Agência Brasil. Para Garrido, a ampliação das aplicações dos estrangeiros nos títulos do governo brasileiro representaria confiança na economia do país. 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Saída de dólares do Brasil supera entrada


Saída de dólares do Brasil supera entrada em US$ 1,069 bi até a última terça
Agência Brasil, 23/08/2012 

O saldo da entrada e saída de dólares, fluxo cambial, neste mês até o dia 21, ficou negativo em US$ 1,069 bilhão, segundo informou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel.

O fluxo financeiro (investimentos em títulos, ações, remessas de lucros e dividendos ao exterior, entre outras operações) ficou negativo em US$ 138 milhões. O segmento comercial (operações relacionadas a exportações e importações) registrou saldo também negativo, de US$ 931 milhões.



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Apesar de superávit comercial e pacote de estímulos à indústria, o controle de capitais torna-se necessidade.

Almir Cezar
O fluxo cambial do Brasil segue crescentemente negativo, apesar de superávit comercial, cuja balança começa 2º semestre no azul, cujo saldo no início de julho soma US$ 2,8 bilhões, após o pior 1º semestre em 10 anos. O segmento de bens intermediários, que fabrica insumos para a produção de outros bens foi o único no vermelho no período (0,9%), na quarta queda consecutiva no segmento, justamente onde os importados mais avançam, foi o destaque negativo da indústria brasileira de maio para junho, reforçando a estagnação da atividade industrial no mês. Apesar de superávit comercial e pacote de estímulos à indústria, a economia, em especial a indústria, segue com crescimento pífio, com um saldo negativo no fluxo de moeda estrangeira. Esse cenário impõe que o controle de capitais torne-se uma necessidade iminente.

Essa situação comprova que o programa do governo de incentivo à indústria nacional, de isenções da folha de pagamento e de cortes no IPI, que totalizam renúncias fiscais de quase R$ 200 bilhões, tem impacto limitado e é insuficiente para aumentar a competitividade do país. Os estoques internacional no setor intermediário em alta devido a crise mundial jogam o preço lá em baixo ampliando a baixa competitividade do segmento nacional.

Portanto, a própria indústria nacional, apesar dos recentes socorros do governo federal, é o responsável pelo tombo em sua atividade, e pelo avanço das importações. E consequentemente também, do recente saldo negativo de dólares, pois a indústria nacional compra insumos e peças fabricados fora, e ainda remete lucros para as matrizes, mesmo que este no momento esteja declinante. Assim, cada vez mais, torna-se inócua políticas de incentivos às exportações - um desperdício do dinheiro público.

Por sua vez, torna-se necessário o controle de capitais diante da fuga de dólares, a fim de evitar uma eventual crise cambial, provável se a economia brasileira seguir esta tendência. Inclusive se a atividade industrial se recuperar a situação pode piorar, com mais importações nos insumos e remessas de lucros. 
Seguindo o padrão da economia brasileira toda expansão da atividade industrial interna amplia também as importações de produtos industriais.


Assim, a política de desenvolvimento industrial não pode ser destinar recursos públicos aos empresários (que simplesmente utilizam como meio de recuperar a queda em sua margem de lucro) com seu consequente aperto orçamentário aos serviços públicos e funcionalismo (vide o grande contingenciamento e a forte resistência de Dilma em não conceder reajustes salariais), sob severo risco macroeconômico ao país.

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sábado, 14 de julho de 2012

Depois da queda dos juros, agora é preciso controle de capitais, se não é crise nas contas externas


Déficits das contas externas e desvalorização do real são sinais de fuga de capital



Almir Cezar
Numa sinalização do que pode representar o agravamento da crise européia, as saídas de dólares no Brasil superaram as entradas em maio segundo o Banco Central (BC). A conta de transações correntes, que registra as compras e vendas de mercadorias e serviços, registrou déficit na conta financeira em abril e é o maior resultado para esse mês. Com isso, o saldo cambial do período ficou negativo, que de certa maneira se configura uma possível fuga de capitais, resultando inclusive na recente alta da cotação do dólar. Nesse quadro, o governo vai ter de se preparar para, antes que as reservas virem pó, controlar o movimento de capitais. Assim, o Governo Dilma terá que se enfrentar com outro tabu da ortodoxia macroeconômica brasileira, o controle de capitais, sob o risco de fazê-lo obrigado após um colapso cambial.

Os números mostram tendência de redução dessas remessas. A conta de transações correntes, que registra as compras e vendas de mercadorias e serviços, registrou déficit de US$ 5,403 bilhões, em abril, informou o Banco Central. É o maior resultado para o mês já registrado pelo BC. O valor ficou um pouco acima do esperado pelo Banco Central, que era US$ 5,2 bilhões. O déficit também foi maior do que o registrado em abril de 2011 (US$ 3,598 bilhões).

sábado, 7 de julho de 2012

Depois da queda dos juros, agora é preciso controle de capitais, se não é crise nas contas externas

Déficits e desvalorização do real no mês de maio são sinais de fuga de capital

Almir Cezar

Numa sinalização do que pode representar o agravamento da crise européia, as saídas de dólares no Brasil superaram as entradas em maio segundo o Banco Central (BC). A conta de transações correntes, que registra as compras e vendas de mercadorias e serviços, registrou déficit na conta financeira em abril e é o maior resultado para esse mês. Com isso, o saldo cambial do período ficou negativo, que de certa maneira se configura uma possível fuga de capitais, resultando na recente alta da cotação do dólar. Nesse quadro, o governo vai ter de se preparar para, antes que as reservas virem pó, controlar o movimento de capitais. Assim, o Governo Dilma terá que enfrentar com outro tabu da ortodoxia macroeconômica brasileira, o controle de capitais, sob o risco de fazê-lo obrigado após um colapso cambial.

Os números mostram tendência de redução dessas remessas. A conta de transações correntes, que registra as compras e vendas de mercadorias e serviços, registrou déficit de US$ 5,403 bilhões, em abril, informou hoje o Banco Central. É o maior resultado para o mês já registrado pelo BC. O valor ficou um pouco acima do esperado pelo Banco Central, que era US$ 5,2 bilhões. O déficit também foi maior do que o registrado em abril de 2011 (US$ 3,598 bilhões).

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Fluxo cambial ficou negativo pela primeira vez. Fuga de capitais chega a mais de US$ 6 bi

Segundo informou o Banco Central (BC), maio foi o primeiro mês este ano que o saldo fluxo cambial (saldo da entrada e saída de dólares do país) ficou negativo em US$ 2,7 bilhões. Apesar da melhora das exportações que ajudou a reduzir déficit, maio registrou um forte fuga de capitais pelo segmento financeiro (investimentos em títulos, ações, remessas de lucros e dividendos ao exterior, entre outras operações)  de US$ 6,3 bi. Se o Brasil não impor urgentemente o controle de capitais sofrerá as consequências.

O saldo da entrada e saída de dólares do país, conhecido como fluxo cambial, ficou negativo em US$ 2,691 bilhões, em maio, segundo informou o BC. Foi o primeiro mês este ano que o saldo ficou negativo. Em abril, o resultado ficara positivo em US$ 6,588 bilhões. No primeiro dia de junho, o saldo também ficou positivo, em US$ 324 milhões.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

A quem interessa a desvalorização do Real?

A quem interessa a desvalorização do Real? 



MARCOS MARGARIDO
da redação
Opinião Socialista
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• Nas últimas semanas assistimos a uma redução acelerada do valor do Real em relação ao Dólar, muito semelhante a uma descida de tobogã: rápida e bem inclinada. Em 28 de fevereiro, era necessário R$ 1,7 para a compra de 1 dólar e em 22 de maio já eram necessários R$ 2,1. Isto é, uma desvalorização de 23,5% em 3 meses. Isto significa que o Brasil ficou, neste período, muito mais pobre em sua relação comercial com os demais países.

No entanto, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou no dia 15 de maio que a alta do dólar não preocupa, mas sim, ajuda a economia brasileira ao aumentar a competitividade para os produtos nacionais: “Significa que a indústria do país pode competir melhor com os produtos importados, que ficam mais caros, e também exportar mais barato para o exterior”. 

Para nós, trabalhadores que recebemos nossos salários em Real e fazemos nossas compras no supermercado da esquina, fica difícil entender como a perda de 23,5% do valor Real, e, portanto, de nosso poder de compra – embora não na mesma proporção – podem ser bons para a economia brasileira. Isto nos leva a perguntar: afinal, a quem interessa a desvalorização do Real?

À primeira vista, a resposta do ministro parece satisfazer a todos os brasileiros: os produtos brasileiros podem competir melhor no mercado interno, pois os importados ficam mais caros, e as exportações brasileiras aumentam, pois nossos produtos estão 23,5% mais baratos no mercado internacional. Isto é, o Brasil vai bem, obrigado.

Porém, em nenhuma destas duas “melhorias” – do mercado interno e do mercado externo – os trabalhadores são beneficiados. Vejamos por que.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Argentina impõe restrições à compra do dólar para evitar evasão de divisas


Agora, o argentino que quiser adquirir moeda estrangeira para viajar terá que pedir autorização à Receita Federal do país. Medida prevê risco de prisão para quem infringir.

Argentina impõe restrições à compra do dólar para evitar evasão de divisas
Agência Brasil | 29/05/2012

O governo argentino reforçou na segunda-feira os mecanismos de controle de câmbio, que vinha implementando desde novembro do ano passado, para evitar a fuga de divisas estrangeiras no país.

A partir desta terça-feira, o argentino que quiser comprar dólares, euros, reais ou qualquer outra moeda, para viajar ao exterior, terá que pedir autorização à Receita Federal da Argentina, conhecida como Afip.

Para isso, ele deverá informar o destino, a data da viagem e o motivo. Caso contrário, a única opção será comprar divisas no mercado paralelo – o chamado “dólar blue” – pagando 32% a mais e correndo o risco de ir preso.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Depois da queda dos juros, agora é preciso controle de capitais. Se não é crise nas contas externas

Apesar da remessas de lucros e dividendos ao exterior ter caído 43,9% de janeiro a abril, com os juros reais brasileiros, pelo menos na sua taxa básica, marchando para níveis menos atrativos para os especuladores e a crise mundial caminhando para novo patamar, a ser deflagrado pelo efeito dominó que se seguirá à moratória grega, a fuga de capitais daqui vai se acirrar, portanto o governo terá que questionar outro tabu da ortodoxia macroeconômica brasileria: o controle de capitais.

O déficit nas contas externas é o maior já registrado pelo BC para meses de abril. A conta de transações correntes, que registra as compras e vendas de mercadorias e serviços, registrou déficit de US$ 5,403 bilhões, em abril, informou hoje o Banco Central. É o maior resultado para o mês já registrado pelo BC.Déficit na conta financeira chega a US$ 5 bi. Reservas dão cobertura para investidor. Numa sinalização do que pode representar o agravamento da crise européia, as saídas de dólares superaram as entradas, em maio até dia 18, segundo o Banco Central (BC). Com isso, o saldo negativo do período atingiu US$ 1,511 bilhão, que de certa maneira se configura como uma possível fuga de capitais, impactando inclusive com a recente alta do dólar.
 
A deterioração da crise mundial, com sua consequente fuga de capitais, ocorre num momento em que o próprio Banco Central (BC) já projeta um rombo de US$ 70 bilhões nas contas externas nacionais, com previsão de serem cobertos por capitais especulativos, em processo de acelerado processo de volta para suas matrizes, tanto por movimentos defensivos, quanto, centralmente, para cobrir rombos de investidores e empresas em seus países de origem. Nesse quadro, o governo vai ter de se preparar para, antes que as reservas virem pó, controlar o movimento de capitais, centralmente especulativos, sob risco de ver-se diante de uma crise cambial de imprevisíveis consequências políticas, econômicas e sociais.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

País precisa mudar modelo macroeconômico para melhorar inserção internacional

País precisa mudar modelo para poder adotar controle de capitais
Rogério Lessa 20/04/2012
entrevista Miguel Bruno/Ipea

Em discurso que fará neste sábado no comitê dirigente do FMI, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, dirá que o Brasil vai continuar intervindo nos mercados de câmbio e pode até recorrer a controles de capitais para conter o excesso de entrada de dólares no país. Ele pedirá reciprocidade ao FMI, que, segundo o ministro, endossou as políticas expansionistas dos países desenvolvidos e agora teria de fazer o mesmo em relação às medidas defensivas recentemente tomadas pelas economias emergentes.
"O governo vai continuar fazendo o que julgar necessário para conter os ingressos de capital excessivos e voláteis por meio de uma combinação de intervenção nos mercados de câmbio à vista e futuro, medidas macroprudenciais e controles de capital", diz Mantega no discurso encaminhado antecipadamente para a imprensa, sem especificar, no entanto, que tipos de controles de capital o governo pode adotar.
O ministro da Fazenda defende também que as medidas recessivas tomadas pelas economias avançadas, sobretudo a Alemanha, estão reduzindo o crescimento nas economias emergentes. Em outras palavras, pede que o governo alemão gaste mais.