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sábado, 22 de novembro de 2025

Dossiê | Tetralogia de ensaios sobre "Acumulação Coerente"

Ensaios sobre Desenvolvimento, Planejamento e Soberania Social

Por Almir Cezar Filho | Série Limiar e Transformação Econômica

Juntas, quatro dimensões - explicáveis abaixo - compõem o que podemos chamar de "Teorema da Acumulação Coerente", isto é, um sistema econômico é sustentável quando o excedente é gerado de forma produtiva, distribuído de modo planificado e reaplicado socialmente.

Apresentação
A  presente tetralogia de ensaios reúne quatro textos teóricos e críticos que, em conjunto, formulam uma teoria marxista contemporânea do desenvolvimento, articulando macroeconomia, estrutura produtiva, política industrial e transformação social. Inspirada em Evguêni Preobrazhensky, Michał Kalecki, Celso Furtado e Theotonio dos Santos, esta obra desenvolve o conceito de acumulação coerente — uma síntese entre racionalidade planificada, proporcionalidade intersetorial e redistribuição solidária.

Ao longo dos textos, o autor reconstrói, sob novas condições históricas, a tradição do planejamento e da economia política do desenvolvimento no Brasil e na América Latina. Mais que uma teoria da produção ou da política econômica, trata-se de uma teoria da coerência social do desenvolvimento — um esforço de reintegração entre economia, política e ética, num tempo em que a acumulação capitalista global se mostra desordenada, excludente e insustentável.

A Tetralogia propõe, assim, um paradigma alternativo de modernização, no qual o Estado, o trabalho e a comunidade se tornam sujeitos conscientes da acumulação, transformando o excedente em bem comum e o crescimento em soberania.

sábado, 15 de novembro de 2025

Economia Solidária e a Nova Racionalidade do Desenvolvimento: a autogestão como forma social da coerência econômica

Como a organização solidária do trabalho pode transformar o excedente produtivo em soberania social e reconstrução nacional**

Por Almir Cezar Filho*

Resumo
A Economia Solidária é apresentada como dimensão social e territorial da teoria da acumulação coerente, integrando os conceitos de Preobrazhensky, Kalecki e Furtado em uma perspectiva marxista-estrutural contemporânea. Mais que uma política pública ou alternativa de renda, ela constitui um novo paradigma de racionalidade econômica, baseado na autogestão, na propriedade coletiva e na reintegração entre trabalho e comunidade. O artigo analisa suas formas organizacionais, seus instrumentos financeiros (bancos comunitários, moedas sociais, microcrédito orientado), e sua integração com o planejamento estatal e territorial. Defende que a Economia Solidária é o elo que liga a coerência macroeconômica e a redistribuição social, completando o ciclo iniciado nos artigos anteriores sobre crescimento garantido, doença egípcia e acumulação primitiva nacional. Como síntese teórica e prática, propõe que o desenvolvimento brasileiro do século XXI depende da capacidade de transformar solidariedade em estrutura produtiva e excedente em emancipação.

Palavras-chave
Economia solidária; autogestão; desenvolvimento; planejamento econômico; acumulação coerente; Preobrazhensky; Kalecki; Celso Furtado; cooperativismo; economia popular; soberania produtiva; Estado solidário.

I. Introdução – O retorno do trabalho como sujeito do desenvolvimento

A Economia Solidária surge, nas últimas décadas, como uma das expressões mais avançadas da crítica prática ao capitalismo contemporâneo. Ela não é mero programa compensatório de geração de renda nem política pública de combate à pobreza, mas a reemergência da auto-organização dos produtores — trabalhadores que retomam, de forma coletiva e consciente, o controle sobre os meios, os fins e os frutos do seu próprio trabalho. Trata-se de uma racionalidade econômica alternativa, enraizada em valores de cooperação, sustentabilidade e justiça social, que se contrapõe frontalmente à lógica do lucro e da acumulação privada do capital.

Num cenário de crise estrutural da globalização neoliberal, desindustrialização prolongada e precarização do trabalho, a Economia Solidária reaparece como projeto de reconstrução produtiva e social a partir de baixo. Enquanto o capitalismo convencional concentra renda e mercantiliza a vida, a economia solidária descentraliza a produção, redistribui o excedente e restabelece os laços entre economia e comunidade. Ela opera onde o mercado fracassa e o Estado se ausenta — mas vai além da mera substituição: propõe uma nova forma de planejamento democrático da produção e do consumo, em que a finalidade é a reprodução ampliada da vida, não do capital.

Essa perspectiva dialoga com as formulações de Preobrazhensky, que, ao teorizar a acumulação socialista primitiva, identificou o papel histórico das formas não capitalistas na transição ao desenvolvimento planificado. Também se aproxima de Kalecki, para quem a dinâmica macroeconômica só é sustentável quando a distribuição funcional da renda sustenta o investimento produtivo e o pleno emprego. E, ainda, de Celso Furtado, que via na articulação entre estrutura produtiva, cultura e solidariedade social o núcleo do verdadeiro desenvolvimento. A Economia Solidária, nesse sentido, é a tradução microeconômica e territorial dessa coerência macroestrutural — uma forma de desenvolvimento endógeno, inclusivo e socialmente racional.

Diferente de programas assistenciais ou políticas de subsistência, a Economia Solidária se ancora na autonomia dos trabalhadores e no enraizamento comunitário da produção. Suas experiências — cooperativas, empresas recuperadas, redes de produtores, bancos comunitários, moedas sociais e tecnologias sociais — compõem um mosaico de resistência e inovação que desafia a hegemonia da empresa capitalista tradicional. Cada experiência local, por pequena que pareça, representa um ato de reconstrução da economia nacional a partir de suas bases sociais, culturais e ecológicas.

Por fim, a Economia Solidária ocupa um lugar estratégico na nova teoria do desenvolvimento que propomos ao longo desta série. Se o primeiro artigo tratou da coerência macroeconômica entre crescimento e estabilidade, e o segundo diagnosticou a “doença egípcia” como estagnação estrutural das economias dependentes, e o terceiro resgatou a acumulação primitiva nacional como fundamento da reindustrialização soberana, agora a Economia Solidária fecha o ciclo ao apresentar o sujeito social desse processo: o trabalho coletivo, consciente e autogestionário. É nele que o desenvolvimento se reconcilia com o humano — onde a economia volta a servir à sociedade, e não o contrário.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O Capitalismo Dependente Latino-americano, uma resenha

Foram precisos quarenta anos após seu lançamento para ser publicado pela primeira vez em português e no Brasil o clássico das ciências sociais O Capitalismo Dependente Latino-americano, da socióloga Vânia Bambirra, cofundadora com Theotonio dos Santos e Ruy Mauro Marini da teoria marxista da Dependência. 

Para celebrar tal feito, o professor Raphael Lana Seabra escreveu uma excelente resenha do livro para a última edição da revista REBELA. 

Para ler o artigo em formato digital (.PDF) basta clicar aqui.


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Theotonio dos Santos fala ao programa Milenio da Globo News sobre desenvolvimento e civilização

O programa MILENIO da Globo News apresentou nesta segunda-feira (19/08) entrevista com o professor Theotonio dos Santos sobre desenvolvimento e civilização.

Cientista político, Theotonio dos Santos, um dos pais da Teoria Marxista da Dependência, é professor visitante da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), professor Emérito da Universidade Federal Fluminense (UFF) e Presidente da Cátedra UNESCO/Universidade das Nações Unidas (UNU) sobre Economia Global e Desenvolvimento Sustentável (REGGEN).

Vejam a entrevista no link abaixo: 

A Globo News voltará a exibir amanhã (22/08) às 6h30.

Contato direto com Theotonio dos Santos na internet: 
E-mail: theotoni@terra.com.br

domingo, 22 de abril de 2012

Valor-trabalho e desenvolvimento econômico, um comentário pessoal sobre minhas pesquisas

por Almir Cezar

É um prazer saber que o blog Limiar & Transformação, e em especial meus artigos, têm leitores regulares, e ainda mais saber serem de alto nível. Nos artigos sigo tentando sintetizar temas que venho trabalhando nos últimos anos, uma investigação sobre desenvolvimento sócio-econômico, crise e dinâmica capitalista de longo prazo, que por sua vez, se desdobram ou envolvem a crise e acumulação capitalista, a reação, luta e revolução proletária, o capitalismo monopolismo e o  Estado, a acumulação primitiva e o valor-trabalho. Um desses temas incluí justamente a relação entre o valor-trabalho e o desenvolvimento capitalista nacional, os seus determinantes e tendências.

O blog Limiar & Transformação é um espaço de edição coletivo, não é um espaço de pretensão intelectual. Os artigos, matérias e entrevistas selecionados no blog apenas tentam sugerir rumos e temas aos leitor em que frequentemente a esquerda intelectual e militante tem uma resposta lenta ou deficiente. Por sua vez, os artigos de minha própria autoria são apenas reflexões ainda embrionárias sobre rumos e temas, nada muito acabado, apenas rascunhos a eventuais futuros artigos - por isso mesmo, muitas vezes sua redação aparece confusa (o qual me desculpo aos leitores), ou estão sempre sendo reescritos ou reeditados.

Em minhas pesquisas me debruço no estudo bibliográfico dos grandes teóricos envolvidos no debate soviético sobre dinâmica capitalista e desenvolvimento sócio-econômico, em especial Leon Tróstki e Eugeni Preobrazhenski. E de maneira subsidiária autores marxistas da Teoria Marxista da Dependência (destacam-se Theotonio dos Santos, Ruy Mauro Marini e Vania Bambirra) e a Teoria dos Sistema-mundo (destacam-se Immanuel Wallerstein, Giovanni Arrighi, Samir Amin) e na Escola da Regulação Francesa (destacam-se Michel Aglietta e Robert Boyer).

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Theotonio dos Santos é indicado a prêmio internacional

Economia política
Marcos Oliveira e Sergio Souto - FATOS&COMENTÁRIOS - 17/02/2012

A diretoria da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP) indicou Theotonio dos Santos para concorrer à premiação anual que a World Association for Political Economy (Wape) realiza durante seu encontro internacional para prestigiar autores e pesquisadores do campo da economia política marxista. O prêmio, intitulado The Distinguished Achievement Award of World Political Economy of the 21st Century, tem o objetivo de promover a pesquisa em economia política pelo reconhecimento de contribuições de economistas de diferentes países que tenham realizado inovações importantes em teoria e metodologia. 

Dependência atual 
Theotonio afirma que a indicação é uma mostra do renascimento da Teoria da Dependência, que ano passado mereceu uma sessão especial no XII Encontro Anual da SEP: "Essa conquista teórica foi combatida fortemente no Brasil com uma deformação sistemática de suas teses principais, mas é uma referência necessária em várias partes do mundo, particularmente nos Estados Unidos, onde é considerada uma das três correntes básicas da Economia Política Internacional (ver The Library of International Economy, cinco volumes, editados pela Edward Elgar) ou na China, onde meu livro Imperialismo e Dependência já esgotou duas edições", ressaltou o economista, que integra o Conselho Editorial do MM. 

quinta-feira, 17 de março de 2011

Privatizados puxam custo de vida e inflação

Com preços dos alimentos desacelerando, pressão inflacionária vem das tarifas indexadas em geral oriunda dos serviços públicos privatizados.

Privatização puxa custo de vida em 2010
Monitor Mercantil, 14/03/2011

Com preços dos alimentos desacelerando, pressão vem das tarifas indexadas. O Índice do Custo de Vida (ICV), calculado pelo Dieese, ficou em 0,41% em fevereiro, uma expressiva desaceleração de 0,87 ponto percentual, contra o 1,28% registrado em janeiro. Além disso, diferentemente do ocorrido em 2010, quando os alimentos e os serviços foram os grandes vilões, a maior influência nos índices este ano virá dos preços de serviços públicos privatizados, como energia elétrica, água e esgoto e telefonia, além de combustíveis, remédios e impostos. Em ambos os casos, porém, elevar juros, como o governo insiste em fazer, tem pouco ou nenhum efeito.

Segundo o Dieese, os preços dos alimentos não devem subir mais, pois já se encontram em patamar elevado. "Em relação aos alimentos, entre março de 2010 e fevereiro de 2011, os preços desses itens variaram 10,9%, acima da inflação média, de 6,26% no período. Considerando os dois primeiros meses deste ano, a inflação desse grupo teve alta de 1,57%, bem próxima ao índice geral, de 1,7% no período."

Já em relação aos preços de serviços privatizados, o cenário se inverte. No conjunto, esses preços deverão subir 4% em 2011. E a projeção para as tarifas de telefonia fixa e energia elétrica para este ano é de alta, de 2,9% e 2,8%, respectivamente. Por sua vez, os preços da gasolina e do gás de botijão devem se manter estáveis, segundo o Dieese.

Em fevereiro, os grupos que mais colaboraram com a inflação foram transporte (0,76%), alimentação (0,39%), despesas pessoais (2,5%) e habitação (0,18%), que, juntos, contribuíram com 0,36 para a alta do ICV.

O aumento no transporte (0,76%) se deu no individual (0,69%) e no coletivo (0,90%). No primeiro, a alta ocorreu nos combustíveis (1,28%), notadamente no álcool (4,4%). No coletivo, a pressão veio de metrô (2,76%), ônibus intermunicipais (2,96%), trens de subúrbios (4,72%) e táxis (8,29%).

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Comentário enviado pelo prof. Theotonio dos Santos

Em ambos os casos, porém, elevar juros, como o governo insiste em fazer, tem pouco ou nenhum efeito.  Tem efeito sim pois aumenta o custo de produção pois os juros fazem parte do mesmo e portanto provocam inflação ao contrário do que dizem os “experts” ou “expertos” dos bancos.

Theotonio

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Theotonio dos Santos recebe título de professor emérito

Theotonio dos Santos recebe título de Professor Emérito da UFF


Ontem, quarta-feira, 15 de dezembro, foi realizada às 15h a cerimônia de outorga do título de Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense a Theotonio dos Santos, da Faculdade de Economia, no auditório do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia (ICHF), Campus do Gragoatá, Bloco O, São Domingos, Niterói, RJ.

Economista e cientista político, Theotonio dos Santos é um dos formuladores da Teoria da Dependência e um dos principais expoentes da Teoria do Sistema Mundo. Mestre em Ciência Política pela UnB e doutor "notório saber" pela UFMG e pela UFF, atualmente coordena a cátedra e rede UNU-Unesco de Economia Global e Desenvolvimento sustentável (Reggen).

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

'Carta Aberta a Fernando Henrique Cardoso', por Theotonio dos Santos

Theotonio dos Santos, um dos maiores intelectuais brasileiros vivo, um dos maiores expoentes brasileiros nas Ciências Sociais e co-criador da Teoria Marxista da Dependência, durante anos foi amigo e um dos principais interlocutores intelectuais do ex-presidente da República e "ex-sociólogo" Fernando Henrique Cardoso.

Nem mesmo, as diferenças intelectuais e teóricas foram aos poucos os afastando, ou mesmo as políticas desde o fim da Ditadura Militar, a volta do exílio e a redemocratização foram determinantes ao fim da amizade. Porém, parece que isso mudou com os rumos políticos dos anos 90, a partir da adesão total ao neoliberalismo por FHC, e principalmente quanto este se tornou o principal implementador dessas políticas, os levaram a polos bem opostos. 

Na carta a seguir, Theotonio procura polemizar, rebatendo as posições que FHC exprimiu, em um carta aberta a Lula, em que crítica seu governo, enquanto procura "resgatar" o legado histórico de seu próprio mandato presidencial. Embora, o texto possa soar pró Lula e um tanto lulista, em sua resposta aos anos FHC, apresentando elementos de análise crítica ao legado neoliberal em sua gestão a frente do estado.

CARTA ABERTA A FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Theotonio Dos Santos*
 
Meu caro Fernando,
 
Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960 . A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete comtudo este debate teórico . Esta carta assiada por você como  ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão . Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação . Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo . Já no seu governo vários estudiosos discutimos, já no começo do seu governo, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população . Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população . (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependencia: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000) .
 
Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta .
 
O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartir com você . . . Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação . Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10% . A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10% . Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que  se apresentaram como os autores desta queda . Mas isto é falso: tratava-se de  um movimento planetário . 
 
No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo,  próxima dos 10% mais altos . TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO . E aqui chegamos no outro mito incrível . Segundo você e seus seguidores  (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito)  sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte . Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros  deveriam sair do país antes de sua desvalorização,  O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar . E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula” .   ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese?
 
 Conclusões: O plano real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro . A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo . O real foi uma moeda drasticamente debilitada . Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos,  nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada . De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999 .
 
Segundo mito;  Segundo você,  o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal . Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns  60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese . Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade .
 
E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo . UM GOVERNO QUE CHEGOU A PAGAR 50% AO ANO DE JUROS POR SEUS TÍTULOS,  PARA EM SEGUIDA DEPOSITAR OS INVESTIMENTOS VINDOS DO EXTERIOR EM MOEDA FORTE A JUROS NORMAIS DE 3 A 4%, NÃO PODE FUGIR DO FATO DE QUE CRIOU UMA DÍVIDA COLOSSAL SÓ PARA ATRAIR CAPITAIS DO EXTERIOR PARA COBRIR OS DÉFICITS COMERCIAIS COLOSSAIS  GERADOS POR UMA MOEDA SOBREVALORIZADA QUE IMPEDIA A EXPORTAÇÃO, AGRAVADA AINDA MAIS PELOS JUROS ABSURDOS QUE PAGAVA PARA COBRIR O DÉFICIT QUE GERAVA .   Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre . Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou dráticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo . VERGONHA FERNANDO . MUITA VERGONHA . Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identifica com o seu governo . . . te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana .
 
Terceiro mito -  Segundo você,  o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula . Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas . Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS . Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição ns 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID . Tudo isto sem nenhuma garantia .
 
Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida . O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida . Não tem nada a ver com a ameaça de Lula . A ameaça de Lula existiu exatamente em conseqüência deste fracasso  colossal de sua política macro-econômica . Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado . A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações . A loucura do endividamento interno colossal . A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras . Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa . Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas . Uma dívida sem dinheiro para pagar . . . Fernando, o Lula não era ameaça de caos . Você era o caos . E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este pais . 
 
Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso faze-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa . Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil” . E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em  seu prestígio profissional . Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente .
 
Lamento muito o destino do Serra . Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política . Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo . E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer . E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo . Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o vedadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar . Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista . E dessa política vocês estão fora . 
 
Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade . Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês  ( e tenho a melhor recordação de Ruth)  mas quero vocês longe do poder no Brasil .   Como a grande maioria do  povo brasileiro . Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que  vocês algum dia voltarão a freqüentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder . 
 
Com a melhor disposição possível mas com amor à verdade, me despeço.


theotoniodossantos.blogspot.com
 
(*) Theotonio Dos Santos é Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense, Presidente da Cátedra da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas  sobre economia global e desenvolvimentos sustentável . Professor visitante nacional sênior da Universidade Federal do Rio de Janeiro .  

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O partido do capitalismo brasileiro

O partido do capitalismo brasileiro

Carlos Tautz*

Dilma e Serra não brigam apenas pela Presidência da República. PT e PSDB também têm olhos para muito além dos resultados de 3 de outubro. As duas legendas ambicionam ser o interlocutor privilegiado de agentes econômicos de grande porte junto ao Estado brasileiro nos próximos anos e, para isso, buscaram alianças para se estenderem ao máximo no poder. No fundo, desejam mesmo ser o partido do capitalismo brasileiro.

É por esta razão que na campanha alguns temas saem como coelhos da cartola de um mágico. Sem muita importância para a luta imediata por votos, em verdade são usados para golpear estrategicamente o adversário. E um desses assuntos mágicos da campanha atual tem sido o BNDES, o grande financiador de longo prazo no Brasil, 100% estatal, que recebe recursos do Tesouro e
do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT).

O Banco foi escolhido por Lula para cimentar a aliança de poder que o PT firmou com um seleto grupo de grandes agentes econômicos dos setores industrial, agrícola e extrativista. Ao financiar essas empresas em sua expansão internacional, o BNDES se transformou no principal instrumento de projeção do poder econômico do Brasil na América do Sul e na África. Não por coincidência, são também essas as regiões prioritárias da política externa brasileira.

Desde que o PT chegou ao poder, em janeiro de 2003, o BNDES quadruplicou seu orçamento para US$ 90 bilhões em 2009. Recebeu aportes de R$ 180 bilhões do Tesouro e sustentou internamente a disponibilidade de crédito durante a crise financeira de 2008. Vendo essa relação entre governo e grandes multinacionais brasileiras se consolidar, o PSDB atacou, embora tarde e inaptamente, estimando corretamente que a parceria de poder dos petistas durará enquanto estiver em alta o mercado internacional de commodities. Ou seja, provavelmente por muitos anos.

Os tucanos atacaram a histórica falta de transparência do Banco – o que é um fato, por si, escandaloso. Mas, pasmos, calaram-se diante do apoio imediato que as maiores associações industriais brasileiras deram ao BNDES. Capitaneadas pela Associação Brasileira de Indústrias de Base, quase 20 delas publicaram em julho manifesto defendendo a política de crédito do Banco e mandaram seu recado: com esses empréstimos, estamos com Lula e não abrimos.

Aliás, tucanos estão muito pouco a cavalheiro para criticarem petistas. Embora nos anos FHC sua parceria mais orgânica tenha sido com o capital financeiro, também utilizaram o BNDES para azeitar suas alianças e o fizeram operador da ideologia do Estado mínimo e da desnacionalização da economia. Porém, quando perdeu em 2002 as eleições presidenciais, o PSDB abriu o flanco e um PT pragmático (lembram-se da Carta aos Brasileiros?) aproveitou-se da conjuntura internacional e passou a estimular a criação dos “campeões nacionais”.

Assim, empresas de todos os portes passaram a receber do Banco vultosos aportes e participações acionárias para ganharem musculatura e figurarem entre os maiores exportadores de commodities agrícolas, minerais e energéticas em nível internacional. Hoje, elas são as maiores tomadoras de
empréstimos do BNDES.

Claro que o PT agrada também à banca e não somente ao capital produtivo. Henrique Meirelles é prova viva. Deixou um mandato de deputado federal pelo PSDB de Goiás, após presidir o Bank Boston, para ser elevado por Lula, desde o primeiro dia deste na Presidência, à chefia do BC independente de fato. Meirelles e as altas taxas de juros afiançam Lula junto à banca internacional. Mas, no fundamental, o PT está aliado à indústria de base e aos exportadores de mercadorias e aposta o quanto pode que essa parceria vai durar.

Neste cenário, ficou muito difícil para o PSDB a disputa pela primazia da intermediação entre o Estado e grandes capitais. E, ainda por cima, a se confirmar a tendência de Dilma ganhar no primeiro turno e os rumores de que Aécio deixará o PSDB para fundar seu próprio partido, o quadro ficará ainda pior para os tucanos. Porque, aí, estará aberta uma janela histórica para o PT se tornar o partido do capitalismo brasileiro no século 21.

(*) Carlos Tautz é jornalista

***

Comentário Enviado ao Limiar&Transformação pelo Prof. Theotonio dos Santos:


Apreciações corretas no fundamental. Resta por discutir qual a posição dos setores populares neste processo e porque o capital internacional não pode liderar diretamente este processo e tem que apelar a uma liderança popular com a qual, como diz a nota, está fechado e não abre, para dirigi-lo. Somente a teoria marxista sobre o papel do capitalismo de Estado no sistema capitalista nos permite compreender o processo e preparar uma participação consciente dos trabalhadores neste processo tão complexo.


theotonio

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O Brasil e a China na África: entrevista Theotonio dos Santos

Monitor Mercantil online, 13/08/2010

Brasil e China podem trocar papéis dos EUA por "avanço" na África 


Este ano, a China vai assumir o primeiro lugar entre os países que mais investem no Brasil. De janeiro até julho, o país asiático anunciou cerca de US$ 10 bilhões em projetos, com aportes diluídos pelos próximos anos. 
Outros US$ 10 bilhões de recursos chineses servirão para financiar os projetos do pré-sal conduzidos pela Petrobras. Até o fim do ano, segundo estimativa da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, o total de recursos chineses no país deverá chegar a US$ 25 bilhões, incluindo as áreas de siderurgia e agropecuária. 
É notória também a expansão do gigante asiático, não apenas na América do Sul, mas em outras regiões do planeta, como a África e a própria Europa. 
Já no Brasil, os bancos Bradesco e Banco do Brasil (BB) se associaram ao português Espírito Santo (BES) para investir na África. O cientista Social Theotonio dos Santos, da Universidade Federal Fluminense e do Conselho Editorial do MM, que já disse ser favorável, tanto aos investimentos chineses mundo afora (como alternativa ao acúmulo de reservas em títulos públicos norte-americanos), quanto à estratégia dos bancos brasileiros na África, lamenta que as duas iniciativas não estejam articuladas, não apenas no continente africano, mas também na América do Sul. 
"Isso criaria uma grande demanda para técnicos brasileiros e para a própria indústria de médio desenvolvimento. Poderia haver uma triangulação muito favorável, inclusive em termos de industrialização da África", avaliou, nesta entrevista exclusiva ao MM. 
. 

Não é mais seguro investir em ativos vinculados ao dólar? 
Os japoneses fizeram isso antes, contando com as altas taxas de juros que o Tesouro norte-americano pagava. Hoje estão até negativas. A China detém grande quantidade de títulos norte-americanos, que hoje são papel podre. 
Os japoneses tinham papel bom, com liquidez grande, que alavancavam em até oito vezes. Hoje, isso não é possível. Um título norte-americano vale 60% do valor de face, no máximo. 
Cerca de US$ 700 bilhões das reservas chinesas estão comprometidas com isto. A China, então, quer sair do mico, investindo em ativos mundo afora e expandindo o setor financeiro. Vi o prefeito de Xangai contar com essa expansão financeira, ao dizer que Hong Kong já tinha sido ultrapassada e que a missão agora é superar Tóquio como centro financeiro. 
O orgulho com que ele falou isso mostrou existir uma aposta na conversão em grandes grupos financeiros. São as estatais que detêm esses grandes recursos. Seria um caso novo de capitalismo financeiro de Estado. 

O Brasil detém grandes bancos, inclusive estatais. Poderia seguir o exemplo? 
Aqui o BB e outros bancos estatais investem em títulos públicos, entraram no jogo da especulação. Se triunfar uma perspectiva em que o mercado de capitais chinês se articule com essa crise mundial, tentando se valorizar e reforçando uma face nova de especulação financeira mundial, será muito ruim. 
Mas não acredito que a China deixe de ter cautela na articulação com esse sistema. Mas é fato que eles estão diante de uma oportunidade muito grande. Ofertaram US$ 50 bilhões ao FMI. Fui contra por que não conseguirão mudar a orientação do FMI. É um grupo incompetente e caro. Esse dinheiro vai mais para financiar burocratas. Seria muito melhor financiar o banco asiático ou outros bancos regionais, como o Banco do Sul. 

O Brasil poderia ser mais pró-ativo no Banco do Sul? 
Lula pode dar US$ 10 bilhões para o FMI, mas para Banco do Sul é muito tímido. Colocar dinheiro na ciranda financeira é fácil, mas poderia também usar em coisas sérias, que repercutam para o desenvolvimento regional ou mundial. 
O capitalismo de Estado tem enorme potencial de intervenção. Os chineses ofereceram quase US$10 bilhões para aumentar a infra-estrutura exportadora brasileira, com projetos. Podem colocar esses recursos. Se o Brasil não quer apostar no Banco do Sul, a China aposta. Chávez, nos contratos para explorar petróleo nas Franjas do Orinoco, abriu para empresas norte-americanas, indonésias, hindus e outras, assinando com a PDVSA. O governo exigiu apenas um bônus pela exploração. Pelos cálculos de Chávez, US$ 3 bilhões, que serão usados exclusivamente para políticas sociais. Putin (Vladimir, primeiro-ministro da Rússia) adiantou US$ 1,5 bilhão em cheque adiantado. 

Qual o potencial de utilização de nossas reservas para um avanço produtivo e social?
É enorme. Incrível como se consegue continuar pagando juros altos para atrair investimentos em forma de dívida pública. Já os chineses, estão diante de opções de intervenção no sistema financeiro mundial, que tem implicações fortes de reestruturação da economia mundial. O pensamento econômico e político atual não está a altura de compreender essas transformações. 
Veja a Europa. Numa situação como essa, a população tem de suportar uma perda violenta de capacidade de consumo. Financistas são capazes de convencer a Europa de que a solução é arrochar a população, quando deveria ser o contrário. Conseguem fazer política de contenção de consumo dessa dimensão. 
É um suicídio, no qual só o povo perde, pois o setor financeiro não perde nada. Pelo contrário, terão mais recursos para especulação. Entregaram o mundo ao neoliberalismo. É um rebaixamento comparável à escolástica medieval. Tudo a serviço de uma burocracia religiosa que se apoderou do Estado, embora não tenham conseguido impedir a evolução da burguesia. 

Por que o senhor defende a articulação entre as ações de Brasil e China na internacionalização do capital? 
O Brasil tem condições de dar apoio a uma indústria de base forte, tanto na América do Sul, quanto na África. Apesar de não dominar a Terceira Revolução Industrial, o país é desenvolvido numa área importante, na qual podemos ser fornecedores, como máquinas para processamento de matérias-primas. Além de o potencial ser grande, a conjuntura é favorável. 

Não há risco de se criar um novo colonialismo? 
É um risco. Mas a África ainda não tentou projeto industrial próprio. A África do Sul não se desenvolveu. O Egito tentou, mas o Banco Mundial ajudou a manter a região como produtora de matéria-prima apenas. Essa orientação foi muito forte. Se há um projeto de industrialização, com capital brasileiro e chinês, que não são do centro do sistema imperialista, haverá, sim, um conteúdo imperial, mas o Brasil não terá força para tanto. A China também não tem muito interesse em exportar para África, mas, sim, importar. 

Quanto custa montar um aparato industrial na África? 
É barato para a China, que tem mais de US$ 1,5 trilhão em reservas. O país já está levando mão-de-obra para lá. Fazem projetos fechados: investem, montam empresas e levam os trabalhadores mais qualificados. Do ponto de vista chinês, seria interessante, inclusive, manter essa população na África, porque tem problemas de superpopulação. 
Estão inclusive criando colônias de aposentados em países como a Costa Rica. Existe, ainda, a vantagem de levar influência cultural chinesa para o mundo inteiro. No caso do Brasil, não existe esse excesso de mão-de-obra, a não ser devido à falta de investimento interno, não por excesso demográfico. 

Qual a importância estratégica da África? 
Neste momento, o continente se converte numa das bases mais importantes para assegurar matérias-primas estratégicas na economia mundial. E hoje quem tem maior fome disso é a China, que está investindo fortemente para converter a região numa zona de apoio. 
O Brasil também está participando de alguma forma com mão-de-obra de engenheiros e outros técnicos que têm na África uma condição mais próxima da realidade brasileira. Portanto, é muito natural que o interesse brasileiro seja crescente na África. 
Por outro lado, a agricultura africana está abandonada, embora tenha sido uma das grandes regiões agrícolas do mundo. Pode se converter no celeiro da humanidade. A China tem interesse em que isso se viabilize. Não é exportadora agrícola, pelo contrário. Se Lula realmente cumprir a promessa de uma espécie de Plano Marshall para África e América do Sul, as possibilidades também são enormes. 

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Entrevista de Theotonio dos Santos ao CORECON-RJ

Abaixo disponibilizamos o vídeo da entrevista do Prof. Theotonio dos Santos ao Conselho de Economistas do Rio de Janeiro (CORECON-RJ) concedida em 2009, abordando a questão da crise mundial atual iniciada em 2008 e sobre a Teoria Marxista da Dependência.

sexta-feira, 26 de março de 2010

I Colóquio sobre Política Nacional e Internacional/UFRJ

I Colóquio sobre Política Nacional e Internacional/UFRJ

O Departamento de Ciência Política e o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ têm o prazer de convidá-lo para participar do I Colóquio sobre Política Nacional e Internacional/UFRJ, a se realizar entre os dias 24 e 27 de maio na sala 106 do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais/UFRJ, no Largo de São Francisco, Rio de Janeiro.

Este evento é uma iniciativa do Departamento de Ciência Política da UFRJ, em parceria com a REGGEN, CLACSO, IPEA, NIBRACH/UERJ, ABRAS/FGV e os Laboratórios de Estudos sobre Hegemonia e Contra-hegemonia/UFRJ e de Estudos de Gênero/UFRJ.

Segue abaixo a programação:

A Retomada do Desenvolvimento e Agenda das Ciências Sociais:Perspectivas do Século XXI

Programa(Sujeito a Confirmação):

Abertura dia 24:

Secretario Nacional de Direitos Humanos: Paulo de Tarso Vanucchi.

Dia 25de maio

Mesa1. As Novas Rotas da Globalização e as Ciências Sociais:Unipolaridade, Multipolaridade e o Sul. 10:00-13:00 hs

Presidente:Marco Aurélio Santana
Aloisio Teixeira(Reitor UFRJ)
Luis Fernandes (FINEP)
Theotonio Dos Santos(REGGEN)
JoséLuiz Fiori (UFRJ)
Franciscode Oliveira (CINEDIC/USP)

Mesa2. Governo e Políticas Públicas na América Latina

Presidente: Luiz Eduardo Motta 15:00- 18:00 hs
EmirSader (CLACSO)
PauloNakatani (Sociedade Brasileira de Economia Política)
DeniseGentil (UFRJ/IPEA)
Reinaldo Gonçalves(UFRJ)
LuizCarlos Prado (Centro Celso Furtado)

Dia 26de Maio

Mesa3. Os desafios do desenvolvimento e as Perspectivas para a décadade 2010: Democracia, Equidade e Integração Regional

Presidente:Franklin Trein 10:00- 13:00 hs
Marcio Pochmann (IPEA)
José Carlos de Assis(BNDES)
Carlos Eduardo Martins(UFRJ/REGGEN)
MariaAlice Resende de Carvalho (ANPOCS)
CeliScalon (UFRJ/SBS)

Mesa4. Estado e Geopolítica: O Brasil no Mundo Contemporâneo

Presidente:Charles Pessanha 15:00- 18:00 hs
MarcoAurélio Garcia (Assessoria Especial da Presidência para RelaçõesInternacionais)
EuricoLima Figueiredo (ABED/UFF)
FranciscoCarlos Teixeira da Silva (UFRJ)
RobertoAmaral (CEBELA)
BeatrizBissio (Associação Cultural Espaços Diálogos do Sul)
CarlosWalter Porto Gonçalves (UFF)

Dia 27de Maio

Mesa5. Democracia, Movimentos Sociais e os Cenários Políticos naAmérica Latina.

Presidente:Valter Duarte (UFRJ) 10:00 – 13:00 hs
FabianoDos Santos (ABCP)
MonicaBruckmann (REGGEN)
CarlosNelson Coutinho (UFRJ)
IngridSarti (UFRJ)
LuisWerneck Vianna (IUPERJ)

Mesa6. O Papel da Universidade no Século XXI e a Sociedade Brasileira

Presidente:Marco Antônio Gonçalves (UFRJ) 15:00-18:00 hs
RaymundoRomeo (UFF/Secretaria de Ciência e Tecnologia de Niterói)
MarioTheodoro (IPEA)
PabloGentili (CLACSO)
PauloEmílio Matos Martins (ABRAS/FGV)
NildoOuriques (UFSC)
OswaldoMunteal (UERJ)


ComissãoCientífica: Anna Marina Barbará, Carlos Eduardo Martins,Denise Gentil, Emir Sader, Luiz Eduardo Motta, Monica Bruckmann,Oswaldo Munteal, Paulo Emílio Matos Martins e Theotonio dos Santos

Comissãoorganizadora: Anna Marina Barbará, Carlos EduardoMartins, Denise Gentil, Luiz Eduardo Motta, Marcelo Rangel, MonicaBruckmann e Oswaldo Munteal

Organização:Departamento de Ciência Política UFRJ; REGGEN/UNESCO, Laboratóriode Estudos sobre Hegemonia e Contra-hegemonia; Grupo de Trabalhosobre Integração (CLACSO); Laboratório de Estudos sobre Hegemoniae Contra-Hegemonia (UFRJ); Laboratório de Estudos sobre Gênero(UFRJ), NIBRACH(UERJ). E ABRAS/FGV.