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domingo, 27 de novembro de 2011

Aprofunda-se a crise na Europa. Nem o "núcleo duro" está imune.

Aprofunda-se a crise na Europa. Nem o "núcleo duro" está imune: a Alemanha na alça de mira dos especuladores e o atoleiro chega a França. A União Europeia às vésperas de se liquefaz.

Alemanha na alça de mira dos especuladores
Laura Britt - Sucursal da União Européia.24/11/2011

Início do fim do "núcleo duro" da Zona do Euro 
Zurique - Apostas de US$ 739,5 bilhões são jogadas na eventual falência da Itália, França e Alemanha no mercado dos CDS. Os fundos especuladores - sob o nome de código "abutre" (vulture funds), deixaram a Grécia na margem e agora atacam o coração da Zona do Euro.

Suas expectativas de lucro não têm limite e estão em posição de enfrentar os "fortes" da União Européia (UE). Entraram no sistema europeu pela "porta dos fundos" graças a falta de entendimento e de decisão que predominam nos primeiros escalões da UE. Os empoados líderes do Velho Continente não decidiram, ainda, se fecham ou não a "porta dos fundos".

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

"Mais sacrifícios" e queda de governos na Europa. A máscara democrática desaparece

A queda de mais um governo europeu com a inevitável renúncia de Berlusconi conta muito mais do que uma mera vitória da oposição. Até porque, em muitos casos,  a oposição exige medidas fiscais ainda mais duras, à despeito da opinião contrária dos próprios eleitores. A democracia parlamentar européia se transformou em mero condomínio partidário de gerentes pró-financistas, desaparecendo com isso a velha máscara de "democracia européia"

Berlusconi na Itália é mais um de uma longa cadeia, que incluí Portugal, Espanha, Grécia, e não sinaliza um vitória da esquerda, no seu caso - ou da direita como caso de José Sócrates em Portugal. E isso não acontece apenas nos PIGSs (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) e na Itália, a própria Inglaterra foi outro grande exemplo, com a queda de Brown, do centro-esquerdista Labour Party, e a ascensão de Cameron, do centro-direitista Partido Conservador.

Por sua vez, a dupla Alemanha e França (sede dos grandes bancos) gritaram contra a proposta de convocação de um plebiscito e agora a Comissão Europeia deu um ultimato aos parlamentares gregos, exigindo compromisso com o pacote de julho, sem o que a Grécia não verá a cor da nova parcela do empréstimo. Além disso, a União Europeia praticamente  impôs um interventor como premiê, Lucas Papademos, ex-vice presidente do BCE. No caso da Itália, "sugerem" que o país desista de fazer eleições tão cedo ou antes de se comprometer com o pacote de "reformas" prometido por Berlusconi (privatizações, liberalização do mercado de trabalho, reforma previdenciária etc). Além disso, tenta empurrar outro eurotecnocrata para o posto de premiê, o ultraliberal Mario Monti, comissário europeu em duas pastas econômicas entre 1995-2004.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Nova recessão na UE e a vez da Itália - haverá impactos no Brasil

A própria UE reconhece que passará por uma nova recessão em 2012, talvez mais severa que teve em 2008-9. Por sua vez, a Itália parece ser a "bola da vez" da crise de confiança envolvendo as dívidas públicas. O país já paga uma maior taxa de juros.

Obviamente que tal piora da situação econômica internacional terá reflexos no Brasil, não apenas pela crise bancária européia, mas pelo desaceleração da economia chinesa, grande exportadora para aqueles países.

UE reduz previsão de crescimento e alerta para risco de nova recessão
Monitor Mercantil, 10/11/2011

 UE reduz previsão de crescimento e alerta para risco de nova recessão A União Européia reduziu suas previsões de crescimento para os países da zona do euro, no próximo ano, de 1,8% para 0,5%. O vice-presidente para Assuntos Econômicos e Monetários da Comissão Européia, Olli Rehn, alertou hoje que "a economia parou de crescer na região" e que existe agora o risco de uma nova recessão na zona do euro - formada por 17 países.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Crise rebaixa Espanha, Itália e bancos europeus

Crise rebaixa Espanha, Itália e bancos europeus
Monitor Mercantil, 07/10/2011

 Na esteira do agravamento da crise na Europa, a agência de classificação de risco Fitch baixou nesta sexta-feira a avaliação da Espanha e da Itália, para AA-, no caso espanhol, e para A+, no caso italiano, mantendo ambos países em perspectiva negativa.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Só a Grécia paga mais juro da dívida que Brasil

Economia para remunerar rentistas no 1º semestre salta de R$ 42 bi para R$ 78 bi

Só a Grécia paga mais juro da dívida que Brasil
Monitor Mercantil, 29/07/2011

Segundo informação da BBC Brasil, o serviço da dívida pública brasileira consumiu 5,1% do PIB do país no ano passado, proporção inferior apenas aos 5,47% do PIB gastos pela Grécia. A partir de dados da Economist Intelligence Unit (EIU) coletados em 25 países mais a União Européia, verifica-se que outros países europeus afetados pela crise das dívidas têm uma proporção bem menor de gastos com juros. Portugal (3,04%), Espanha (1,6%), Irlanda (3,2%) e a Itália (4,53%) são exemplos de países que, apesar de enfrentarem crises de suas dívidas, pagam menos juros que o Brasil.

sábado, 16 de julho de 2011

"Fundamentos" são piores nos EUA do que da Itália

Os fundamentos macroeconômicos dos EUA e Inglaterra são muitos piores, mas não têm recebido, por parte dessas agências de classificação de risco, o mesmo tratamento de outros países, como Grécia, Portugal, Espanha ou, mais recentemente, Itália.

"Fundamentos" são piores nos EUA e Inglaterra
ESPECULADORES ESCOLHEM EM QUAL PAÍS VÃO GANHAR MAIS
Monitor Mercantil, 13/07/2011

Detentores das maiores dívidas do mundo (respectivamente US$ 13,4 trilhões, US$ 9,08 trilhões, US$ 5,2 trilhões e US$ 5 trilhões), além de relação dívida/PIB próxima de 100% e déficits nominais bem acima do recomendado pelas agência de risco, EUA, Inglaterra, Alemanha e França não têm recebido, por parte dessas agências, o mesmo tratamento de outros países, como Grécia, Portugal, Espanha ou, mais recentemente, Itália, que ocupam as páginas negras da economia ultimamente.

O economista José Luiz Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB), pondera que a dívida italiana já é alta há muito tempo - boa parte em mãos de italianos - e o país não ocupava as manchetes de jornais. "Não há nenhuma razão objetiva para piora na avaliação de crédito do país. Parece que é puramente especulativo mesmo, talvez pela própria fraqueza do atual governo".

Já a Inglaterra, para Oreiro, manteve soberania para conduzir sua política econômica ao não aderir ao euro. "O país fixa sua própria taxa de juros", resume, acrescentando que a Alemanha está crescendo cerca de 3% ao ano, puxada pelas exportações, e tem as contas públicas razoavelmente ordenadas.

"A Alemanha está bem no contexto europeu, enquanto a França, que tem economia impulsionada pelo mercado interno, ocupa posição razoável. Ambos os países têm bom nível de competitividade e são pontos fora da curva no continente."

Oreiro ressalva, porém, que uma eventual reestruturação da dívida grega afetará bancos franceses e alemães. "O Banco Central Europeu fez teste de estresse e, teoricamente, os bancos suportariam. Mas não se sabe o grau de confiabilidade desses testes", finaliza.

Obama ameaça dar calote nos aposentados
Moniitor Mercantil, 13/07/2011

A quarta rodada de negociações do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com os líderes partidários, na última terça-feira, acabou sem acordo. A reunião durou cerca de duas horas, na Casa Branca. No encontro, Obama disse que se não houver consenso há risco de não pagar os benefícios para aproximadamente 50 milhões de aposentados, veteranos e pessoas com deficiência no país.

"Há ameaça porque não temos dinheiro nos cofres", disse Obama. As conversas do presidente com os parlamentares envolve o pagamento de US$ 14,3 bilhões da dívida pública. Os republicanos, que fazem oposição à Casa Branca, são contrários à elevação do teto da dívida até que façam cortes significativos.

Para a Casa Branca, a oposição está analisando o caso da dívida como tema político, enquanto o governo defende que é uma questão nacional. "É uma sociedade democrática, não é um problema republicano. É um problema norte-]americano", disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

Paralelamente, os empresários norte-americanos informaram que apoiarão o governo na busca por um acordo sobre a dívida, mas que há preocupação e até uma certa impaciência.

domingo, 3 de julho de 2011

Produção industrial dos Piigs desaba

Periféria européia à beira do colapso. Produção industrial dos Piigs (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) desaba, enquanto isso Alemanha se recupera - à custa da sua periféria.

Produção industrial dos Piigs desaba
Monitor Mercantil, 01/07/2011


A produção industrial na Grécia, Itália, Irlanda e Espanha teve contração em junho. A indústria grega teve o pior desempenho entre os países da Zona do Euro, com o índice de produção manufatureira caindo para 45,5 pontos. Abaixo de 50 pontos significa contração. Portugal o quinto integrante do grupo chamado de Piigs, não entra na pesquisa.

O índice médio da Zona do Euro ficou no menor nível em 18 meses, segundo o índice Markit: 52 pontos em junho, ante 54,6 em maio. A média do primeiro trimestre do ano era de 57,9 pontos.

O melhor desempenho em junho foi da Alemanha, com 54,6 pontos. Ainda assim, o pior nível em 17 meses.

A indústria da China teve o menor crescimento em 28 meses em junho, devido a um menor avanço das encomendas motivado pelo enfraquecimento da economia global e um aperto monetário interno. O índice oficial do setor manufatureiro caiu para 50,9 em junho, ante 52 em maio. Acima de 50 pontos indica expansão.

A produção industrial norte-americana apresentou recuperação em junho, depois de uma queda brusca da atividade manufatureira em maio. O índice de atividade manufatureira aumentou de 53,5 pontos em maio para 55,3 pontos em junho. Apesar da alta, foi o crescimento mais lento em 20 meses.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Europa à beira do abismo, burguesia empurra as perdas aos trabalhadores

Burguesia européia empurra as perdas aos trabalhadores. À beira do abismo, Grécia dá um passo à frente. Contra 80% dos gregos, ruas de Atenas virando campo de batalha, parlamento aprova novo pacote e aumenta instabilidade do país ao optar por mais aperto fiscal.

À beira do abismo, Grécia dá um passo à frente
Monitor Mercantil, 29/06/2011


Pesquisas indicam que entre 70% e 80% da população são contra o pacote do governo. Os sindicatos informam que, com as demissões no setor público, a taxa de desemprego já ultrapassou os 16%.

Mesmo assim, o Parlamento grego aprovou o pacote de medidas de arrocho fiscal proposto pelo governo, uma contrapartida exigida pelo FMI e pela União Européia (UE) para liberar a última parcela (12 bilhões de euros) de um empréstimo de 110 bilhões de euros ao país. Entre as medidas estão cortes orçamentários, aumento de impostos e privatizações.

Segundo a economista Leda Paulani, da Universidade de São Paulo (USP), a aprovação do novo pacote vai aprofundar a instabilidade da crise grega. Ela observa ainda que a base do sistema mundial financeirizado é justamente a instabilidade, que deve aumentar com as medidas de restrição à economia.

"Há uma base cada vez mais sólida de interesses materiais que sustenta esse modelo, baseado na instabilidade, pois, quando a crise aperta, todos correm para o dólar, favorecendo interesses rentistas, mesmo que a crise tenha origem no Estados Unido", analisa a economista, acrescentando que "daqui por diante, veremos um aumento permanente de tensões na Grécia".

Numa tentativa de intimidar o Parlamento, o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, afirmou antes da votação que, se o governo fosse derrotado, os cofres do país ficariam vazios "em uma questão de dias" e a moratória seria inevitável.

Segundo a Agência Brasil, as autoridades européias finalizam os detalhes de mais um pacote, agora, estimado em 120 bilhões de euros, que visa a permitir à Grécia pagar suas dívidas até o fim de 2014 com os bancos europeus.

Dois artigos são do periódico Correio Internacional, publicado pela Liga Internacional dos Trabalhadores sobre a crise na Itália e Grécia.
Grécia: O parlamento de um um lado e os trabalhadores e o povo de outro

O governo de Papandreu tem o apoio dos deputados, mas não da população. As novas medidas exigidas pela UE e pelo FMI para entregar o dinheiro que já tinham prometido vão afundar mais a economia grega e, sobretudo, os trabalhadores e os setores mais desfavorecidos. ..Leia mais


Itália: A receita patronal para sair da crise: sacrifícios somente para os trabalhadores

Tempos duros para os trabalhadores, sejam italianos ou de um modo geral europeus. As garantias de quem procura convencê-los de que o pior já passou e de que o sistema econômico mundial caminha para uma recuperação sólida não tiveram muito 
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domingo, 26 de junho de 2011

Crise se espalha em uma Europa refém do "mercado"

Crise se espalha em uma Europa refém do "mercado", depois da Irlanda, Grécia e Portugal, a Itália e Bélgica são os próximos na mira dos especuladores. As agências de classificação de risco além de rebaixar também os títulos da Grã-Bretanha e EUA, já veem amplos sinais de deteriorização da situação fiscal. A crise mundial cada vez mais ameaça os Estados centrais do Capitalismo.

Itália na mira dos especuladores
Monitor Mercantil, 24/06/2011

A Itália esteve sob fogo cerrado da especulação nesta sexta-feira. As negociações na Bolsa italiana com ações de bancos, como o UniCredit e o Intesa Sanpaolo, foram temporariamente suspensas, depois de uma queda de mais de 5%.

O motivo citado foi a decisão da agência de classificação Moody"s colocar, na quinta-feira, em revisão para possível rebaixamento o rating de dívida de longo prazo e de depósito de 16 bancos italianos. A agência norte-americana - que, como suas co-irmãs, recebeu severas críticas por falhar na crise de 2008 - também ameaça reduzir a classificação de longo prazo de duas instituições financeiras relacionadas ao governo.

A Moody"s alterou de estável para negativa a perspectiva para a dívida de longo prazo e dos ratings de depósito de outros 13 bancos italianos. A alegação é a possível redução do rating soberano da Itália, colocado em revisão em 17 de junho.

"Diante do difícil cenário econômico atual, a probabilidade de os governos europeus, incluindo o italiano, de dar suporte aos bancos domésticos é menor agora do que anteriormente", disse o analista da Moody"s, Henry MacNevin, a agências de notícias internacionais.

Itália, e também a Bélgica, encontram-se na mira dos especuladores após o presidente da Zona do Euro, Jean-Claude Juncker, ter dito à imprensa européia que "a falência da Grécia poderia ser disseminada a Portugal e Irlanda, mas, também, a Itália e Bélgica, por causa das elevadas dívidas públicas de ambos e, aliás, antes da Espanha".

Há um mês, uma outra agência internacional de rating - a Standard & Poor"s - havia anunciado que estava estudando a reavaliação para baixo da nota italiana. Após a retomada da negociação na Bolsa italiana, as ações do UniCredit fecharam a sexta-feira em queda de 5,3% e as do Intesa cederam 5%.

As principais bolsas européias fecharam em território negativo, conduzidas pelas ações do setor bancário que ficaram sob pressão após a suspensão temporária das negociações dos papéis de duas instituições de crédito italianas.

Rating do Piigs
Marcos Oliveira e Sergio Souto, 22/06/2011


Acrescente-se ao longo prontuário das agências de classificação de risco que, com a crise da dívida levando à deterioração das dívidas dos países do Piigs (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, na sigla em inglês), a Moody"s continua a considerar a Itália grau de investimento pleno. A Moody"s é uma das integrantes das três irmãs que formam o cartel de avaliação de rating, o mesmo que, às vésperas do estouro da crise de 2008, distribuía a nota máxima, AAA, a empresas que poucos dias depois só não foram à breca porque foram salvas por dinheiro do contribuinte.

China abre o olho
Diferentemente da leniência demonstrado pelo cartel em relação ao rating dos integrantes do G7, a agência congênere chinesa Dagong Global Credit Rating Co Ltd rebaixou, no fim do mês passado, a classificação dos títulos emitidos pelo Reino Unido, de AA- para o de A+, com perspectiva negativa. A Dagong justificou a decisão, apontando a deterioração da capacidade de o país manter o pagamento da sua dívida pública: "O rebaixamento reflete a situação real da capacidade deteriorada de rolagem do Reino Unido e a dificuldade na melhoria do perfil da divida externa a longo prazo", afirma a agência chinesa.

Deterioração
Segundo a Dagong, ano passado, o déficit público do Reino Unido atingiu 9,8 % do PIB do país e a relação dívida/PIB avançou a 78,7%. A exemplo de outros países europeus, a principal causa da disparada do déficit deve-se aos bilhões de libras gastos para salvar o setor financeiro britânico. Em novembro, a agência já rebaixara, de AA para A+, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, também com tendência negativa, apontando como causa a deterioração da capacidade de rolagem da dívida e "o drástico declínio da intenção de adimplir por parte do governo norte-americano".

"A visão realista da Dagong Global sobre a real situação macroeconômica dos EUA e do Reino Unido reflete uma percepção acadêmica hoje reconhecida internacionalmente e onerará o refinanciamento da dívida externa destes países", prevê o advogado Durval de Noronha Goyos Jr., árbitro do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) e professor de direito do comércio internacional.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

EUA se juntam a Grécia e Irlanda

A crise econômica mundial iniciada em 2008 assumiu uma nova face, como grave crise fiscal dos Estados. A insolvência dos Estados Nacionais, provocada pela botim dos rentistas, banqueiros e financistas em geral - aqueles mesmos que foram socorridos em 2008/2009 - ameaça não apenas a periferia da União Européia, os PIIGS (Portual, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha), mas o próprio centro do sistema mundial capitalistas, os EUA, algo nunca visto, nem mesmo na Crise de 29.

Catastrofismos à parte, se eventualmente os EUA recorrerem ao FMI ou derem calote, estaremos às vésperas de uma crise muitíssimo maior do qualquer outra vivida pelo Capitalismo. A oposição se aproveita politicamente toda vez que ocorre essa votação sobre aumentar limites para o endividamento. Na verdade, tentam tirar dividendos políticos, passar a idéia de que o governo está gastando demais. O mais provável é o Congresso estadunidense subir o teto legal de endividamento público, à custa de grandes cortes orçamentários e de direitos sociais, a exemplo do que faz a Grécia e outros países europeus, como Portugal. Contudo, isso provocará uma forte retração da demanda agregada, ainda não totalmente recuperada da depressão de 2008, empurrando o país ainda mais para a Crise.

EUA se juntam a Grécia e Irlanda
Monitor Mercantil, 17/06/2011


O diretor do departamento de mercados monetários e de capital do FMI, Jose Vinals, diz que se entrou "claramente numa nova fase da crise global, ou seja, da fase política da crise" e alerta contra a falta de liderança política no que respeita à crise da dívida europeia.

Vinals disse que os quatro países que mais trabalho terão a fazer para restaurar as contas públicas e reduzir a dívida são "a Grécia, a Irlanda, o Japão e os Estados Unidos".

O relatório Monitor Fiscal, do FMI, avalia que, se o Congresso norte-americano não aprovar a ampliação da dívida do país, "existe um risco de enorme reação adversa do mercado". "Manter a emissão líquida de dívida em zero iria requerer cortes de gastos irreais no resto do ano fiscal", diz o documento.

O teto da dívida dos Estados Unidos já foi elevado 70 vezes na história. Nos últimos dez anos, o limite legal foi ampliado dez vezes. "Nós temos 187 países-membros. Estamos prontos a emprestar para todos eles, mas os EUA não precisam do apoio do FMI", disse o diretor de assuntos fiscais do Fundo, Carlo Cottarelli.

Economia dos EUA segue ladeira abaixo
Monitor Mercantil,15/06/2011


Nova York (EUA) - Os temores sobre a economia norte-americana continuaram a crescer com novos dados divulgados, apontando números desapontadores para a indústria e a inflação se acelerando para o maior patamar em quase três anos.

Além disso, a confiança dos construtores atingiu o menor patamar desde setembro passado, indicando que o setor, fundamental para a retomada da economia, vai continuar a derrapar.

A combinação de dados, associada aos temores cada vez maiores de um calote da Grécia, derrubou as Bolsas mundiais.

Obama alerta para risco de colapso nos EUA
Rogério Lessa, Monitor Mercantil,14/06/2011


O presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, afirmou que o impasse sobre dívida pública, que atingiu o limite de US$ 14,3 bilhões em maio, pode gerar novo colapso econômico de proporções mundiais, num mome nto em que o país vive tímido compasso de recuperação. O governo precisa elevar o teto da dívida do país até 2 de agosto, data limite estipulada pelo Congresso.

"Não quero ver os EUA declarando default (moratória) de nossas obrigações", declarou o presidente.

Já o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, disse que encontrou "formas paliativas" para manter as operações governamentais por mais dois meses antes de o governo declarar moratória de suas obrigações.

O economista Adriano Benayon, da Universidade de Brasília (UnB), não crê que o impasse se materialize, mas recomenda acompanhar o comportamento do ouro até a decisão do congresso americano. Nesta terça-feira, o ouro fechou cotado a US$ 1.523,80, em alta de 0,89%.

"A oposição se aproveita politicamente toda vez que ocorre essa votação sobre aumentar limites para o endividamento. Na verdade, tentam tirar dividendos políticos, passar a idéia de que o governo está gastando demais", disse, lembrando que o Tesouro dos EUA já interrompeu a operação de recompra de títulos, que provocou aumento substantivo da liquidez em nível mundial.

"A declaração de Obama deve dar um novo impulso ao ouro, pois não há moeda em condições de substituir o dólar", resumiu o economista.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Entenda a crise econômica em Portugal

O jornalista Marcelo Bernardes ouviu o cientista político português Miguel Soares Domingues que dá sua opinião sobre a grave crise econômica no país europeu. Para ele, a crise não é um desdobramento da crise financeira de 2009 iniciada nos EUA ou da crise da dívida grega de 2010 e sim um reflexo de que em Portugal se constituiu um padrão de desenvolvimento econômico e social dependente, baseado num crédito exterior (endividamento), e que desde 1964 Portugal deixou de ser um país soberano para ser um Estado que se submete a decisões econômicas que flutuam com os mercados financeiros do mundo.

Entenda a crise econômica em Portugal
Marcelo Bernardes, Monitor Mercantil - 23/05/2011


Paris - Corrupção, má utilização de recursos financeiros e de fundos econômicos europeus levou Portugal a uma situação econômica semelhante a que passou pelos anos de 1910. Atualmente, aquele país tem um déficit em torno de 125% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme disse ao MONITOR MERCANTIL Miguel Soares Domingues, estudioso do assunto com Licenciatura em Ciências Políticas pela Universidade de Lisboa, Portugal, para quem essa má gestão econômica levou a "jovem democracia portuguesa à bancarrota".

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Alemanha cresce à custa do resto da Zona do Euro

PIB da região com 17 países cresceu apenas 0,8%, número puxado pelo crescimento da Alemanha e França. A política monetária do BCE, comandada pelos banqueiros alemães, transfere as perdas da crise econômica mundial para seus parceiros na UE (sua semiperiferia). Enquanto isso, Portugal entra no "socorro" e a Grécia está às portas da moratória. Superendividamente da periféria da Zona Euro, com os sacrifícios de seus trabalhadores, é o combustível da recuperação da Alemanha.

A economia da Zona do Euro (17 países que usam a moeda) cresceu 0,8% no primeiro trimestre sobre os três últimos meses de 2010. Mas o resultado não é homogêneo. Mais uma vez há uma Europa que vai bem (Alemanha e seus vizinhos) e outra muito mal (países do Sul). Maior economia do bloco, a Alemanha foi a que mais cresceu: 1,5%. O país já recuperou tudo o que perdera desde a crise global de 2008. E deve crescer 2,6% em 2,6%. Fortes performances das economias da Alemanha e da França impulsionaram o crescimento da zona do euro para acima do esperado por analistas no primeiro trimestre. Os números enfatizaram também a diferença entre o desempenho dos países do bloco.

O Produto Interno Bruto (PIB) da região com 17 países cresceu 0,8% no primeiro trimestre sobre o quarto trimestre de 2010, informou a agência de estatísticas Eurostat nesta sexta-feira, impulsionado por uma alta de 1,5% da economia alemão e de 1% da francesa. Economistas previam para a zona do euro um avanço de 0,6%. Alemanha e França são responsáveis por quase metade do PIB do bloco. Ambos os países recuperaram-se após um desempenho bastante modesto no quarto trimestre, quando o clima frio abateu a produção. Analistas de instituções financeiras inclusive apontam que há uma boa chance de o crescimento do PIB da zona do euro alcançar 2% em 2011 pela primeira vez desde 2007. Em um relatório separado, a Comissão Européia previu que a zona do euro crescerá 1,6% neste ano, com inflação acima do teto do Banco Central Europeu (BCE), a 2,6%.

A Alemanha deve continuar sendo um dos motores. Assessor econômico do governo, Wolfgang Franz disse à TV alemã ARD que a economia do país pode se expandir 3% ou mais neste ano. Os analistas são um pouco menos otimistas sobre a França, dizendo que o primeiro trimestre provavelmente foi o pico do crescimento, já que os cortes do governo terão seus impactos na economia.

Comissão Européia: Portugal irá desacelerar 2,2% em 2011

Em outro extremo estão outros países da UE, especialmente os chamados PIIGS. A Comissão Européia previu que a economia de Portugal irá desacelerar 2,2% em 2011, acima da projeção anterior de contração de 1% feita no outono do ano passado - no Hemisfério Norte. Para 2012, a Comissão Européia espera contração de 1,8% da economia portuguesa, uma inversão de direção da expectativa do ano passado de expansão de 0,8%.

A dívida do governo deve atingir 102% do PIB este ano, segundo a comissão, e ampliar-se para 107% do PIB em 2012, resultando em um rápido aumento dos pagamentos de juro. Os vencimento relacionados a juro devem se tornar o item de gasto com o crescimento mais acelerado durante esses dois anos e um grande limite à rápida redução do déficit, disse a comissão.

"A prevista ampliação da deterioração das condições do mercado de trabalho, dos cortes significantes dos salários do setor público, a aceleração temporária dos preços ao consumidor após elevação do imposto de valor agregado e uma oferta limitada de crédito pelos bancos para as pessoas físicas, devem pesar fortemente sobre os cidadãos", disse a comissão no relatório de primavera. comissão estima que a taxa de desemprego chegará a 12,3% no ano que vem.

A comissão previu também que o déficit orçamentário de Portugal ficará em 5,9% do PIB este ano, 4,5% do PIB em 2012 e a 3% do PIB em 2013, as mesmas metas estabelecidas pelo pacote de ajuda da União Européia e do FMI.

Grécia às portas moratória
A agência de classificação financeira Standard & Poor"s (S&P) reduziu em dois graus a nota da Grécia, de "BB-" para "B". A empresa alegou que a mudança se deve á crescente probabilidade de o país reestruturar sua dívida. Ou seja, decretar que não pagará a íntegra da dívida, obrigando os investidores a dividirem as perdas com os gregos, que têm tido seus direitos sociais e trabalhistas retirados.

Embora as agências de risco enfrentem forte crise de legitimidade por sua atuação desastrosa antes da crise, a decisão deve ajudar a operar os mercados, obrigando a Grécia a pagar juros mais altos para rolar sua dívida. Na prática, ao encarecer o pagamento, também deixa o país mais perto da moratória.

A nota B significa risco especulativo, o que exclui a Grécia do grupo de países mais seguros para se investir. A agência advertiu que o país está sob perspectiva negativa e que novo rebaixamento pode ser anunciado.

Um ano depois de se submeter ao programa recessivo do FMI para receber um empréstimo do fundo e da União Européia (UE), a Grécia vê sua economia despencar, alimentando a percepção de que está cada vez mais perto da moratória.

"Na nossa visão, há grande risco de que a Grécia vai tomar ação para reestruturar os termos de sua dívida comercial, incluindo os títulos do governo previamente emitidos", disse a agência Reuters, acrescentando que os países da Zona do Euro, provavelmente, pedirão aos credores que estendam o prazo de pagamento, enquanto consideram reduzir as exigências do pacote imposto à Grécia.

Por sua vez, Grécia nega que vá abandonar o euro, porém apesar do desmentido, país estuda medida
com UE, bem como reestruturar dívida. O governo grego e a União Européia (UE) negaram que a Grécia considere deixar a Zona do Euro. A informação foi divulgada pelo site da revista alemã Der Spiegel, publicação ligada ao governo alemão. A troca seria uma forma de buscar um caminho alternativo à recessiva política exigida por UE e FMI para continuar a liberar o empréstimo para o país honrar a dívida com bancos dos Estados Unidos e da Europa. Contudo, o governo alemão é um dos que mais insistem para a Grécia reestruturar sua dívida, mas o governo grego resiste, porque isso implicaria convocar os investidores a participarem das perdas.

Cresce dívida pública e déficit de orçamento em todos os países
A Convenção de Maastricht foi jogada no lixo e foram superados seus limites máximos permitidos de dívida pública e de déficit de orçamento em toda Europa, tanto nos 27 países-membros da União Européia (UE), quanto nos 17 países integrantes da Zona do Euro. Esta é a conclusão final da análise dos dados, divulgada pela Agência Européia de Estatística da UE (Eurostat).

Embora o limite máximo de déficit de orçamento permitido pela Convenção de Maastricht seja 3% do Produto Interno Bruto (PIB), já atingiu - na média - nos 27 países-membros da UE, o percentual de 6,4%. É característico que 22 dos países-membros superam o limite máximo de 3% e somente em cinco dos demais países o déficit permanece abaixo do limite máximo estabelecido pela Convenção de Maastricht. Os cinco países são os três escandinavos (Suécia, Dinamarca e Finlândia), mais o riquíssimo Luxemburgo e, que surpresa, a Estônia. Também, a situação não é nada melhor nos 17 países integrantes da Zona do Euro. Sua média de déficit do orçamento atinge 6%. Também, neste caso, 14 dos países integrantes registram déficit superior a 3% e somente três (Finlândia, Luxemburgo e Estônia) registram déficit inferior a 3%.

O triste campeão do déficit é, novamente, a Irlanda, que decolou, atingindo 32,4% de seu PIB por causa da criminosa decisão de seu governo (já expulso) de estatizar as dívidas dos bancos privados, afundando a economia do país. O segundo lugar dividem a Grécia, com 10,5%, e (quem diria) a Grã-Bretanha, com 10,4%, a qual, segundo denúncia, por escrito, da Eurostat, manipulou seus fundamentos! Seguem, a curta distância, Espanha e Portugal, com 9,2% e 9,1% respectivamente, de seus PIBs; não muito distante encontra-se a França, com 7% de seu PIB.

Não prevalece portanto o limite de 60% do PIB definido pela Convenção de Maastricht limite máximo permitido para a dívida pública. Contudo, também aqui a situação continua se agravando comprovando - de fato - de que trata-se de um muito mais profundo problema estrutural de dimensões paneuropéias e, não só por causa dos gastos dos irresponsáveis e preguiçosos gregos e demais vagabundos povos mediterrâneos que, supostamente, "vivem às custas dos laboriosos trabalhadores alemães".

Supera o percentual de 85% do PIB a dívida pública dos 17 países integrantes da Zona do Euro. Somente cinco dos países integrantes registraram dívida pública abaixo de 60% de seus PIBs, enquanto os demais 12 superam o limite permitido. No total dos 27 membros da UE, a média de dívida pública atingiu 80% do PIB. A Grécia é a "campeã", registrando o percentual de 142,8% de seu PIB, seguida pela Itália, com 119%, a Bélgica, com 96,8%, e a Irlanda, com 96,2%.

Nos últimos dois anos e meio, mais especificamente a partir da quebra do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008 e subsequente pacotes de resgate econômico empreendidos pelos EUA e seguidos por vários países inclusive os membros da União Européia, tem ficado evidente que a trilha fiscal de muitos países, mesmo de grandes potências são insustentáveis. A defasagem entre arrecadação e despesas a cada dia aumenta. Ou seja, o Estado vem se endividando cada vez mais, para dar cabo de custear suas despesas e rolar suas dívidas, numa espiral perigosíssima.

Esse é o dilema atual dos países: a alevação do débito público, seguindo-se a uma crise financeira, é um dos principais mecanismos pelo qual uma recuperação pode ser sustentada no curto prazo. Isso ocorre via espalhamento do tipo keynesiano do consumo entre economias e pela geração de renda por meio da redistribuição de recursos entre setores, pelo Estado, financiados a custas de empréstimos contra a arrecadação e crescimento futuros. Quanto maior o débito público, subentende-se um maior aumento futuro de impostos sob fortunas e renda, o que em contrapartida, prejudica a expansão econômica, dificultando consequentemente o próprio equilíbrio fiscal.

Se, por outro lado, surge um distúrbio maior no mercado de títulos, tudo pode piorar ainda mais. Pois os financistas começam a desconfiar da capacidade de pagamento ou mesmo especular,exigindo mais em cada rolagem de dívida, especialmente em países que detêm status junto a esses de "menos seguros" para posse de ativos, coisa que ocorre com os países da periféria da Zona Euro, e não com os gigantes Alemanha e França e os países europeus mais ao Norte.

O combustível do crescimento alemão é o superendividamento dos vizinhos
Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, expostos a crise grega, além de República de Malta, República de Chipre, Eslovênia, Eslováquia e demais países "periféricos" do euro, a aderir ao euro, a moeda única, ficam impedidos em poder desvalorizar suas próprias moedas, tornando-se pouco competitivos, o que poderia alavancar as exportações obtendo os recursos e rendimentos necessários para reativar a economia e honrar compromissos externos e fiscais. Assim, a Alemanha, potencial principal alvo dessas exportações, consegue manter um saldo comercial positivo com seus vizinhos, numa megatransferência de excedente econômico. Além disso, os especuladores com medo de inverter recursos na periféria do euro, dirigem seus capitais aos ativos à Alemanha.

Para piorar a situação fiscal desses estados europeus, há uma pressão para elevar a taxa de juros por parte da Alemanha e países mais ao Norte, que veem a "necessidade" emergente de combate dentro da Zona Euro os reflexos da atual inflação mundial. Os superendividados países da periferia européia e de todos os países que tomam empréstimos pagando altas taxas de juros, pressionam contrariamente lembrando que as altas taxas de juros dificultarão, ainda mais, os esforços para gerenciar as dívidas. O Banco Central Europeu (BCE) manterá neste ano sua taxa de juro em 1% que debita para o refinanciamento dos bancos da Zona do Euro, e vigora desde maio de 2009, quando a Europa havia mergulhado na queda em consequência da crise internacional. Apesar disso, a tendência é que as taxas de juros serão novamente elevadas ainda neste ano.

A recente falência dos estados europeus com um superendividamento público após o socorro aos bancos tem um aliado. O maior responsável é a Alemanha - o Estado mais rico e poderoso da UE, e não menos com o maior sistema bancário privado - controla politicamente as instituições comunitárias da política monetária, especialmente o BCE, aplica sua receita aos países-irmãos mais pobres, a barbárie social - as reformas no mercado de trabalho, os aumentos dos impostos e o congelamento e cortes de salários no setor público estão incluídos nas mais sensíveis, sob o ponto de vista político - que estrangulam a economia e inibe o exercício de alguma política de crescimento. Política esta que constituiria o único caminho de saída da crise e da possibilidade de resgate das dívidas.

Falência da UE
A UE de hoje existe um predomínio da economia - e, acima, do sistema financeiro - sobre a política. Em outras palavras, um predomínio do Banco Central Europeu (BCE) e dos bancos alemães, embora não exclusivamente. Tem ocorrido paralisia da sonhada "Europa dos cidadãos e de uma Europa política" da social-democracia. Essa política do governo alemão apesar de levar ao suicídio das finanças públicas e mesmo do "projeto de unidade europeia", beneficia os capitalistas financistas, que tiveram severas perdas em 2008-2009, e são justamente a Alemanha e França onde são encontrados os mais poderosos. Esse é o mecanismo do neo-imperialismo do grande capital germânico: "passar pra frente" sua crise aos seus países-irmãos.

E por que outras burguesias não se levantam? Porque apesar dos prejuízos ao seu estado-nacional e do sacrifício aos trabalhadores de seus países, beneficiam-se da mesma maneira, mesmo que em menor grau. Assim, enquanto durar o controle dos capitalistas sobre a União Europeia essa situação prosseguirá. Os trabalhadores dos países da periféria da Zona Euro seguirão espoliados. Uma unidade européia de verdade só é possível sem os capitalistas a frente do poder.

Com informações: Monitor Mercantil online, Agência Reuters, Agência Estado

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O suicídio do Euro e os banqueiros alemães

A recente falência dos estados europeus após o socorro aos bancos comerciais tem um mecanismo causal: o Banco Central Europeu (BCE) não empresta recursos diretamente ao Estados da Zona do Euro e da UE. Isso mesmo, não empresta aos governos diretamente, mas por intermédio de bancos comerciais.

O BCE concede empréstimos aos bancos comerciais com taxa de juros de 1%. Em seguida, os bancos comerciais compram dos Estados seus bônus, exigindo-lhes taxas de juros de 4% ou 5% ou até mais altas, arrancando o couro dos Estados. Em seguida, depositam os mesmas bônus ao BCE como garantia e retomavam empréstimos de iguais volumes com juro de 1%. Quando os bancos veem que os Estados estão com dificuldade de reciclar seus títulos, preparam ataques especulativos contra os países mais fracos da Zona do Euro. Foi assim que desabou Irlanda, desabou Grécia, desabou Portugal, enquanto prepara-se também Espanha e já estão na fila Itália e Bélgica.

O maior responsável por tal política suicida é a Alemanha, o Estado mais rico e poderoso da UE, e não menos com o maior sistema bancário privado, proibiu ao BCE de imprimir dinheiro. Ainda, proibiu que o BCE comprasse títulos diretamente dos governos dos países-membros da UE. Sua receita aos países-irmãos mais pobres é a barbárie social das medidas de frugalidade fiscal que estrangulam a economia e inibe o exercício de alguma política de crescimento, política esta que constitui o único caminho de saída da crise e da possibilidade de resgate das dívidas.

A política do governo alemão é aquela que leva o euro ao desespero, ao suicídio, mas por outro lado, beneficia os capitalistas financistas locais. Enquanto durar o controle dos capitalistas sobre a União, medidas simples não serão implantadas. Esse o mecanismo do neo-imperialismo do grande capital germânico: "passar pra frente" sua crise aos seus países-irmãos. E por que outras burguesias não se levantam? Porque se beneficiam do mesmo próximo.

Política alemã leva euro ao suicídio
BCE deveria emprestar diretamente a Estados para deter especuladores
Laura Britt | Sucursal da União Européia | Monitor Mercantil, 25/04/2011


Zurique - Surpreendente - no mínimo - a capa da revista britânica The Economist em uma de suas últimas edições. Um senhor, de terno e gravata, que, ao invés de cabeça, tem uma moeda de um euro e aponta o cano de um revolver contra sua têmpora, prepara-se para apertar o gatilho e suicidar-se. "Não faça isso!" é o título da revista.

A verdade é que a ilustração dos riscos políticos que ameaçam a moeda comum européia seria mais fiel à realidade se o revólver que prepara-se para estourar miolos do euro fosse empunhado pela chanceler alemã "Frau" Angela Merkel. A política do governo alemão é aquela que leva o euro ao desespero, ao suicídio.

Despencam as defesas de proteção do euro. O Mecanismo Europeu de Proteção, totalizando 750 bilhões de euros, constituído pela União Européia (UE), revela-se insuficiente para enfrentar - ao seu nascituro - os ataques especuladores contra os países mais fracos da Zona do Euro. Desabou Irlanda, desabou Grécia, desabou Portugal, enquanto prepara-se também Espanha e já estão na fila Itália e Bélgica.

Dilema cruel: permanecerão na Zona do Euro os países que, um após outro, declaram falência, ou serão obrigados a retornar às suas moedas nacionais em busca de salvação? O norte-americano Wall Street Journal posiciona a questão cruamente: "Estes países desejarão permanecer membros de uma união, na qual nada mais existe, a não ser regiões pobres e escravas?", questionou sem meias-palavras.

Solução existe para o euro. Solução simples na feição: o Banco Central Europeu (BCE) deverá começar emprestando recursos diretamente ao Estados da Zona do Euro e da UE. Conceder-lhes empréstimos com vencimentos a longo prazo (dez ou mais anos) com baixas taxas de juros, da ordem de 1% ou de 2%. Emprestar aos governos diretamente, não por intermédio de bancos comerciais.

Cinco por um
Até agora, o BCE concedia empréstimos aos bancos comerciais com taxa de juros de 1%. Em seguida, os bancos comerciais compravam dos Estados seus bônus, exigindo-lhes taxas de juros de 4% ou 5% ou até mais altas, arrancando o couro dos Estados. Em seguida, depositavam os mesmas bônus ao BCE como garantia e retomavam empréstimos de iguais volumes com juro de 1%.

Emprestando aos Estados diretamente, o BCE torna esses Estados inatingíveis contra ataques especulativos. Ainda, reduz drasticamente em termos de tempo a dívida pública, transferindo-a gradualmente ao BCE com baixas taxas de juros. Restringe a barbárie social das medidas de frugalidade que estrangulam a economia e permite o exercício de alguma política de crescimento até para os países mais fracos, política esta que constitui o único caminho de saída da crise e da possibilidade de resgate das dívidas.

Emissão de dinheiro significa, essencialmente, esta política. Aquilo que na imaginação popular é descrito com a frase "o BCE ligará suas impressoras e imprimirá dinheiro". Não se trata nada de novo. Isto estão fazendo os bancos centrais de todos os países desenvolvidos do mundo. O Federal Reserve (Fed) dos EUA já imprimiu e lançou ao mercado nos últimos meses mais de US$ 700 bilhões para fortalecer a economia norte-americana. Só o BCE não faz isso.

A Alemanha proibiu ao BCE de imprimir dinheiro. Ainda, proibiu que o BCE comprasse títulos diretamente dos governos dos países-membros da UE. Finalmente, o BCE compra bônus por intermédio de bancos comerciais, com o processo já descrito, por intermédio do qual enriquecem os bancos comerciais e declaram falência os Estados por causa das usurárias taxas de juros que são obrigados a pagar.

A Alemanha recusa-se a mudar de política. Proíbe, por ora, emissão de euro-debêntures. "A contínua emissão de dinheiro não é solução" doutrina. "As máquinas impressoras de dinheiro não devem cair nas mãos de políticos" decreta o ministério de Economia da Alemanha. Se continuar assim, o euro não sobreviverá, em hipótese alguma, com sua feição atual.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Polêmica: 'Não dá para ser antiimperialista apoiando Kadafi'

Não dá para ser antiimperialista apoiando Kadafi
Parte da esquerda falsifica a realidade para apoiar o massacre do ditador líbio contra o povo

DIEGO CRUZ - da redação, Opinião Socialista e PSTU Online

• A onda de revoltas árabes que irrompeu na Tunísia e se espalhou pelo Norte da África, confrontando ditaduras de décadas, atraiu a atenção de toda a esquerda mundial. Seu ponto alto, o Egito, foi tema de controvérsias e debates, mas ninguém poderia negar a solidariedade à luta dos jovens e trabalhadores contra o regime de Mubarak.

Quando o levante chegou à vizinha Líbia, no entanto, essa história mudou. Para uma parte da esquerda e o chavismo, já não se tratava mais da luta de um povo contra uma ditadura opressiva, mas uma articulação das potências para derrubar um governo antiimperialista. A brutal contra-ofensiva de Kadafi contra os rebeldes e as ameaças de intervenção estrangeira parecem ter dado novo impulso a essa visão.

Na prática, esse setor se presta ao vergonhoso papel de atacar a mobilização popular na Líbia, apoiando e se solidarizando à ditadura Kadafi. No Brasil essas posições se expressam de forma mais clara através dos stalinistas PCB e PCdoB. O que dizem esses partidos sobre o que ocorre hoje na Líbia?

Interpretações
Editorial do portal Vermelho, órgão do PCdoB, de 12 de março, “O medo do espectro do anti-imperialismo”, relembra o passado nacionalista de Muammar Kadafi. “O coronel Muamar Kadafi, que governa a Líbia desde a deposição da monarquia, em 1969, lidera um regime que expulsou empresas estrangeiras (principalmente britânicas e norte-americanas), nacionalizou a economia e colocou o país numa rota de crescimento e bem-estar, por um lado, e de enfrentamento do imperialismo, por outro”, diz um trecho do texto.

Até aí é um fato. Em seguida, porém, o editorial afirma que “mesmo tendo chegado a acordos com os governos dos EUA e da Europa, há uma década, Kadafi nunca chegou a ser confiável para as grandes empresas multinacionais e para os mandatários do imperialismo”. O acordo da Líbia com o imperialismo a partir de 2002 é outro fato. Resta saber a razão de o ditador não ser “confiável” às grandes potências.

As multinacionais petroleiras certamente não compartilham dessa opinião. Nos últimos 10 anos Kadafi já deu demonstrações de ser plenamente confiável ao imperialismo, a ponto de os EUA e a Europa despejarem bilhões de dólares em investimentos na prospecção de gás e petróleo no país. Confiável a ponto de só a Itália comprar quase 1/3 da produção petrolífera da Líbia.

A partir de seu movimento de aproximação com o Ocidente, o ditador líbio escancarou seu país ao capital estrangeiro. Dos “Acordos do Deserto” assinado com o primeiro-ministro Tony Blair em 2004, aos negócios com o dirigente italiano Silvio Berlusconi, Kadafi tornou-se nos últimos anos o queridinho do imperialismo europeu na região. Destinava ao continente 80% do petróleo exportado. Só a petrolífera italiana Eni operava 13 campos de gás e petróleo na Líbia, tendo uma produção de mais de 300 mil barris diários.

Em contrapartida, Kadafi investia seus petrodólares no país. Chegou a ter 10% da Fiat e, em plena crise econômica, socorreu o maior banco italiano, o UniCredit, tornando-se o maior acionista da instituição, com mais de 7% de suas ações.

A nota política da direção do PCB vai mais longe e chega a justificar a guinada à direita do regime líbio após sua fase nacionalista. “Fatores como a queda da URSS enfraqueceriam, logo a seguir, a economia e a autonomia política da Líbia e, após a invasão do Iraque pelos EUA e seus aliados, em 2003, tentando, ao que tudo indica, evitar outra agressão à Líbia, Khadafi começou a fazer concessões políticas e econômicas ao imperialismo, abrindo a economia a bancos e empresas – com destaque para o setor petrolífero e as corporações italianas e inglesas”. Ou seja, para o PCB o ditador líbio abriu o país às multinacionais com medo de ser invadido pelos EUA.

Apesar de criticar a repressão contra o povo líbio, o PCB, assim como o PCdoB, acusa os manifestantes de serem financiados pela CIA. O editorial do Vermelho afirma que o levante é um complô orquestrado entre setores pró-imperialistas e outros saudosos da antiga monarquia, apresentando como “prova” disso as bandeiras erguidas pelos manifestantes, dos tempos do rei Idris, deposto por Kadafi. Outra evidência seria a luta armada, em contraste com as “legítimas” mobilizações de massas na Tunísia e no Egito, por exemplo.

Argumentos falaciosos
Os argumentos desfilados pelos stalinistas para justificarem seu apoio ao ditador Kadafi são tão frágeis quanto falaciosos. Vale lembrar que quem determinou a forma de guerra civil para a luta no país não foram os manifestantes, mas a própria ditadura. Kadafi não hesitou em reprimir violentamente as mobilizações e mandar bombardear a oposição. Se ainda existe luta hoje no país é porque a oposição pegou em armas para responder ao regime e pela deserção de grande parte do Exército líbio. Caso contrário, os rebeldes já teriam sido exterminados.

A bandeira hasteada pelos opositores tampouco reivindica a volta da monarquia. A bandeira com as faixas vermelha, negra e verde, com a meia lua e a estrela, é o símbolo da independência do país, conquistada em 1951. Ela foi substituída por Kadafi em 1977 pela bandeira totalmente verde, a cor do Islã. Os manifestantes também usam a antiga bandeira apenas com as faixas, sem a meia lua e a estrela, que representariam o clã do rei Idris.

Já a suposta manipulação dos manifestantes pelo imperialismo foi usada pelo ditador tunisiano Ben Ali e seu colega egípcio Hosni Mubarak. Quando se vêem acuados, os ditadores tratam de recorrer ao sentimento antiimperialista das massas árabes, acusando seus opositores de estarem aliados às potências ocidentais. De tão hipócrita, o discurso foi completamente desmoralizado, já que esses mesmos ditadores, de Ben Ali a Kadafi, estiveram ao lado do imperialismo até o fim.

Recentemente, o filho do ditador, Saif al Islam, chegou a declarar à imprensa internacional que a Líbia financiou a última campanha presidencial do atual mandatário francês, Nicolas Sarkozy. “Fomos nós que financiamos sua campanha. Temos todos os detalhes e estamos prontos para revelá-los”, disse à rede de TV Euronews. Ou seja, as ligações entre o regime da Líbia e o imperialismo europeu extrapolavam os investimentos e acordos para a exploração do país.

Por outro lado, no início da guerra civil, manifestações no centro da oposição, Bengasi, rechaçaram qualquer tipo de intervenção estrangeira. No que se transformou uma gafe internacional, soldados de elite britânicos, que estavam clandestinos na Líbia, foram detidos pelos rebeldes e expulsos do país. Só quando a oposição começou a ser esmagada pelas milícias de Kadafi é que um setor da oposição reivindicou a imposição de uma zona de exclusão aérea.

Os combatentes rebeldes, por outro lado, estão longe de serem os mercenários armados e financiados pelo imperialismo que afirmam a esquerda pró-Kadafi. São antes jovens e trabalhadores que, de forma heróica, se armam improvisadamente com facas e, se muito, com velhos fuzis kalashnikov, contra pesada e moderna artilharia do ditador.

O discurso do tirano nos auges dos protestos contra seu governo tentava justamente convencer os EUA da conveniência de se manter no poder. Kadafi tentou se mostrar como um porto seguro contra o avanço da Al Qaeda e até contra a imigração africana para a Europa.

Imperialismo e a esquerda
Se a oposição ao ditador líbio não é pró-imperialista como acusa parte da esquerda, o que motivaria as ameaças de intervenção militar no país? Para os EUA e a Europa, parece inaceitável uma situação de instabilidade em uma região tão rica em petróleo. Mais inaceitável ainda a ascensão de um governo contrário à orientação pró-imperialista que a atual ditadura protagonizou nos últimos 10 anos.

Isso significa que os EUA e as potências europeias vão fazer o que o governo Obama fez no Egito, ou seja, tentar articular uma transição a um governo confiável aos seus interesses. As últimas movimentações mostram que, para isso, todas as cartas estão colocadas sobre a mesa, inclusive a intervenção militar.

A esquerda de conjunto tem como obrigação se opor com todas as forças a qualquer intervenção imperialista na Líbia. Mas isso não é possível apoiando um ditador sanguinário, sustentado até o último momento pelos mesmos países que agora ameaçam intervir, como faz parte da esquerda utilizando como pretexto falsificações típicas do stalinismo. Setores que, na prática, apóiam o brutal massacre de Kadafi, que no mundo árabe só tem paralelo à política genocida de Israel contra os palestinos.

Nos próximos dias o representante máximo do imperialismo, Barack Obama, estará no Brasil. O PSTU vai aproveitar a ocasião para exigir que o imperialismo tire as mãos da Líbia, ao mesmo tempo em que prestará total solidariedade ao povo árabe que se levanta contra a ditadura Kadafi. Trabalhadores e jovens que enfrentam de peito aberto o ditador que tem a seu lado as milícias paramilitares, os mercenários estrangeiros e, lamentavelmente, até mesmo parte da esquerda.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Guerra comercial é nova expressão da crise internacional

A guerra comercial é uma nova expressão da crise econômica internacional

Alejandro Iturbe, da Liga Internacional dos Trabalhadores

Ante o fiasco da última reunião do G-20 para evitar uma “guerra comercial” ou “guerra de divisas” entre as principais potências imperialistas, na qual também estará envolvida a China, os analistas começaram a definir a atual crise econômica internacional como uma “crise mutante”.

Conquanto se trate mais de uma frase de efeito jornalístico que de uma definição profunda, este conceito é relativamente verdadeiro: desde o seu início, em agosto de 2007, a crise foi “mutando” a sua forma de manifestar-se, seja pela sua própria evolução como pelas ações dos governos para enfrentá-la e as consequências destas ações.

A primeira fase da crise
A primeira manifestação visível da crise foi o estouro da grande bolha especulativa baseada no mercado imobiliário dos EUA e de outros países imperialistas. Em um ano, a queda do Lehman Brothers mostrou a fragilidade do sistema bancário-financeiro internacional, que esteve à beira da bancarrota global.

Nesse momento, a crise expressou-se com muita força no conjunto da economia e teve dois trimestres (o último de 2008 e o primeiro de 2009) com as piores quedas em décadas do PIB de todos os países imperialistas (um acumulado de mais de 112%), equivalentes ao primeiro impacto da crise de 1929. A queda na produção foi ainda maior e oscilou, segundo os países, entre 15 e 20%.

A segunda fase
Ali começaram a atuar os megapacotes de ajuda dos governos imperialistas e outros, como Brasil, China e Rússia, aos bancos e mercados financeiros, num total de 24 trilhões de dólares (40% do PIB anual mundial). Assim, evitou-se a quebra do sistema financeiro mundial e também se cortou a dinâmica de “plano inclinado” em que a crise arrastava o conjunto da economia.

Abriu-se, então, um período de frágil recuperação cujo pico se deu no primeiro trimestre de 2009, especialmente nos EUA, China, Alemanha e Japão. Podemos defini-lo como de “frágil recuperação”, porque se baseou precisamente nestes pacotes e não em um aumento sustentado do investimento burguês.

A terceira fase
No final de 2009, começa o que denominamos uma terceira fase da crise, que se manifestou por meio de dois processos. De um lado, estourou a crise fiscal (de rendimentos e pagamentos do Estado) de vários países europeus e da Eurozona, como Grécia e Irlanda, ante a impossibilidade de pagar suas dívidas. Houve também uma crise do euro no seu conjunto e a sua própria subsistência como “moeda européia” ficou comprometida.

Nesse momento, a crise adquiriu uma clara dimensão política com a resistência aos planos de ajuste dos seus governos por parte dos trabalhadores e jovens da Grécia, França, Espanha, Reino Unido, Itália e Portugal. A definição de uma feição central da dinâmica da crise econômica passou a jogar no terreno das lutas de classes.

Por outro lado, a frágil recuperação nos EUA mostrou as suas dificuldades de se sustentar e começou a se transformar, segundo palavras do economista Nouriel Roubini, em um “crescimento anêmico”, incapaz sequer de evitar o crescimento do desemprego no país.

Inicia-se a guerra comercial
Foi precisamente a insatisfação com a situação, especialmente o aumento do desemprego, que já se aproxima de 10%, que provocou a derrota de Obama nas eleições legislativas de “médio termo”, nas quais o seu governo perdeu a maioria parlamentar.

Debilitado e obrigado a cogovernar com um parlamento opositor a partir do próximo ano, o governo de Obama apelou ao Federal Reserve (FED, banco central dos EUA) para aplicar uma política de emissão de 600 bilhões de dólares nos próximos 8 meses, para comprar Bônus do Tesouro do seu próprio país em uma tentativa de sair do atoleiro.

Ao lançar uma nova catarata de dólares no mercado internacional, esta medida tem o efeito de desvalorizar a cotação internacional do dólar frente às outras moedas. Assinalemos que bastou o anúncio da medida para que o dólar se desvalorizasse em 10% nos mercados internacionais. E a sua cotação seguirá caindo à medida que o FED for emitindo esses dólares.

Profundo impacto mundial
Quando um país desvaloriza a sua moeda, isso tem um efeito imediato sobre o seu comércio internacional. Por um lado, “rebaixa” os seus custos internos e barateia o preço dos seus produtos exportáveis; por outro, encarece o preço nacional dos produtos importados. Em outras palavras, tende a aumentar as suas exportações e a diminuir as suas importações. Por isso, ao explicar a medida, Obama declarou que o seu objetivo é “duplicar as exportações nos próximos anos”.

Tratando-se de Estados Unidos, a principal economia do planeta, uma mudança na dinâmica do seu comércio exterior terá um impacto muito profundo em toda a economia internacional. Nos últimos 20 anos, os EUA transformaram-se no principal importador do mundo, especialmente de produtos industriais de consumo. Por exemplo, em 2008, importou um valor total de mais de 2 trilhões de dólares (uma cifra maior que o PIB do Brasil e Argentina juntos) e acumulou um déficit na sua balança comercial (saldo negativo entre exportações e importações) de mais de 600 bilhões de dólares. Outras grandes economias do mundo, como Alemanha, Japão, China e Índia, dependem diretamente dessas importações.

Em outras palavras, ao procurar aumentar as suas exportações e diminuir as suas importações, o imperialismo estadunidense lançou uma ofensiva para resolver a sua crise na costa dos outros imperialismos (como os europeus e japonês), dos países semicoloniais e também dos seus próprios trabalhadores.

Ataques à classe trabalhadora estadunidense
A “ofensiva comercial” lançada por Obama vem acompanhada pela continuação de fortes ataques à classe operária estadunidense e ao seu nível de vida para melhorar a competitividade nacional.

Este ataque vem, em realidade, pelo menos desde a década de 80, com o governo de Reagan. Mas, com a crise, deu um salto. Expressa-se em um desemprego de 10%, na redução das plantas das empresas e na queda de salários e benefícios. Muitas empresas, como a GM, exigiram de seus trabalhadores que aceitem uma redução salarial à metade. Todo isso se manifestou em um aumento da pobreza que afeta 14% dos habitantes dos EUA, cifras inéditas há décadas. Ao mesmo tempo, a desvalorização do dólar pode também gerar um processo inflacionário interno que deteriorará ainda mais esse nível de vida.

Também se acirra a política já em curso de cortes orçamentários em serviços como saúde e educação públicas, e se deterioram outros, como segurança, bombeiros e até a coleta de lixo. Segundo uma informação recente, a redução orçamentária sugerida pela comissão bipartidária formada por Obama é tão grande que poderia conduzir a “uma explosão social similar às que se viram recentemente em Paris e Londres” (Clarín, 11/11/2010)

Maior fragilidade do sistema monetário mundial
A política monetária implementada por Obama agrega ainda mais fragilidade ao atual sistema monetário mundial, de moedas de cotação “flutuante”. Vejamos alguns elementos históricos para entendê-lo.

Uma vez decidido o curso da Segunda Guerra Mundial, em 1943, os Estados Unidos aproveitaram a hegemonia econômico-político-militar conseguida para impor, em uma reunião celebrada em Bretton Woods, a proposta do economista britânico John Maynard Keynes de criar uma “autoridade” (o Fundo Monetário Internacional) e um sistema monetário mundial, baseado em uma determinada paridade de conversão entre o ouro e o dólar, que passou a ser a “moeda padrão” do sistema, respaldada pelo ouro armazenado pelo FED em Fort Knox.

Os EUA não só possuíam a “moeda mundial”, como eram também os donos da “máquina de imprimir dólares”. Como não se tinha estabelecido nenhum mecanismo de auditoria para verificar se a quantidade de dólares circulantes no mundo coincidia com o ouro armazenado em Fort Knox, o seu governo e a sua burguesia dispunham de capital a seu bel-prazer pelo simples mecanismo de imprimir bilhetes.

Esta “sobreimpressão” de dólares foi uma das razões que levaram à queda do sistema monetário de Bretton Woods, por decisão do governo de Richard Nixon, em 1971. Este definiu unilateralmente que o dólar já não seria conversível em ouro. Isto é, os possuidores de dólares no mundo não podiam reclamar aos EUA que respaldasse com ouro esses bilhetes.

Conquanto depois da ruptura dos acordos de Bretton Woods o dólar seguiu sendo, de fato, a moeda padrão do mercado mundial, agora o fazia sem a “ordem monetária formal”, nem a suposta segurança que garantiam estes acordos.

Uma das consequências desta ruptura foi que o sistema monetário internacional se tornou bem mais instável, sujeito às flutuações permanentes das cotações das moedas, especialmente do dólar e das moedas “duras” dos países imperialistas. E também ficou bem mais exposto às intervenções especulativas no mercado de moedas.

É neste enquadramento que Obama inicia a “guerra de divisas” que agrega maior fragilidade a um sistema já frágil porque situado no meio de uma crise econômica internacional e, ademais, afeta e prejudica as outras moedas de importância no mundo, como o euro, o iene ou o yuan.

A impossibilidade de outro Bretton Woods
Diante da perspectiva de guerra cambial e as suas graves consequências, vários setores burgueses começaram a falar da necessidade de um “novo Bretton Woods”. Em um artigo publicado pelo Financial Times, Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, propôs criar um novo sistema monetário mundial baseado em uma cesta de moedas (o dólar, o euro, o iene, a libra e o yuan chinês) que tome como referência o padrão ouro para as paridades entre essas moedas.

No entanto, esta proposta, aparentemente “racional” frente à atual “anarquia” monetária internacional, é hoje absolutamente inaplicável. O acordo de Bretton Woods só foi possível porque foi impulsionado pela burguesia imperialista estadunidense, que aproveitou a sua incontestável hegemonia no mundo para pôr esse sistema a serviço dos seus interesses.

Hoje, essa mesma burguesia está na contramão de reconstruir um acordo desse tipo porque assim pode aproveitar as brechas de um sistema monetário mais “livre”. E, sem o seu acordo e impulso, outro Bretton Woods é impossível. E nenhum país ou grupo de países está em condições de deslocar o dólar como moeda padrão. Em última instância, é uma expressão de que, no enquadramento de uma decadência geral do sistema capitalista imperialista, a hegemonia estadunidense segue vigente.

Inclusive resulta extremamente difícil criar “moedas regionais”, como o mostra a crise do euro ou a impossibilidade da China de levar adiante a sua bravata de criar uma “moeda asiática”.

As dificuldades da EU
A “guerra comercial” encontra mau parada às burguesias imperialistas européias, especialmente a dos países integrantes da “eurozona”. Estas burguesias já tinham graves problemas: um crescimento econômico mais anêmico que o dos EUA; a impossibilidade de ter uma política monetária flexível pela contradição de usar uma moeda comum (o euro) sem unificação dos países; uma crise fiscal em vários países e a necessidade de efetuar duríssimos ataques aos trabalhadores para sair dessa crise fiscal, com uma forte resposta de parte destes. Uma situação que, de conjunto, põe em risco a própria existência do euro, um mecanismo de “defesa de espaços” frente ao imperialismo estadunidense, resultado de uma construção de mais de 50 anos.

A anterior desvalorização do euro frente ao dólar abria uma possibilidade de exportar mais e começar a sair do pântano. Foi o caso da Alemanha, a economia mais forte do continente: no início deste ano, teve uma melhora nas suas exportações industriais, especialmente para os EUA, que permitiu um verdadeiro crescimento da economia do país. Agora, com a desvalorização do dólar e o aumento da cotação do euro, essa porta começou a se fechar e as suas consequências já se sentem: em setembro passado, a produção industrial alemã caiu 0,8%.

A desvalorização do dólar significa também que as burguesias europeias deverão redobrar os seus ataques contra os seus trabalhadores, pela necessidade muito maior de rebaixar os salários e endurecer ainda mais as condições laborais para reduzir custos e manter a “competitividade” internacional frente aos Estados Unidos.

Mas estes ataques dar-se-ão em um momento em que os trabalhadores europeus já estão lutando, em vários países, contra os planos de ajuste dos seus governos e abrem a possibilidade de que essa luta se incremente ainda mais.

As medidas do FED também afetarão o Japão, cuja economia, depois de anos de estancamento e queda, teve uma débil recuperação no final de 2009 e início de 2010, baseada nas exportações aos EUA. Cabe assinalar que o governo japonês foi o primeiro, antes dos Estados Unidos, a lançar medidas protecionistas por meio da desvalorização do iene.

A pressão sobre a China
Uma feição importante da política dos Estados Unidos é a pressão sobre a China para que rompa o sistema de paridade fixa entre o dólar e o yuan, ferreamente controlado pelo governo chinês, e passe a um sistema de cotação flutuante do yuan, sujeito aos vaivens do mercado. Assinalemos que o principal comprador dos produtos industriais chineses são os EUA (30% das suas exportações).

Atualmente, o sistema é de “paridade fixa”: se o dólar se desvaloriza, o governo chinês desvaloriza o yuan na mesma proporção, pelo que o efeito monetário no comércio entre ambos os países é nulo. Pelo contrário, se o yuan passasse a ter uma cotação livre, o grande agregado de divisas internacionais realizado pela China, pelo saldo favorável da sua balança comercial, levaria a uma subida do preço do yuan frente ao dólar.

Isto encareceria o preço internacional dos seus produtos industriais, algo que, ademais, somar-se-ia à alta de custos internos como resultado dos aumentos salariais que os trabalhadores de importantes fábricas do país estão conseguindo com suas greves. De conjunto, o processo prejudicaria suas exportações, que já vêm sofrendo uma dinâmica negativa como efeito da crise econômica internacional. Digamos que, atualmente, a maioria dos ramos centrais da economia chinesa está com capacidade ociosa, isto é, em uma situação de superprodução. Por isso, até agora, o governo chinês se nega a romper a paridade cambial fixa.

Entrar no mercado financeiro chinês
Alguns analistas econômicos internacionais assinalaram que, apesar de todo o peso que terá uma “guerra comercial”, o verdadeiro objetivo de Obama ao pressionar a desvalorização do yuan é conseguir a abertura e o livre acesso ao mercado financeiro chinês. Trata-se de um mercado financeiro muito importante, até agora ferreamente controlado pelo governo chinês, por meio de vários bancos estatais, que, anualmente, se vê aumentado pelos grandes saldos que obtém o país no comércio internacional.

Esta análise seria coerente com o atual caráter do sistema capitalista imperialista mundial e da burguesia imperialista, cada vez mais voltada ao setor financeiro e à especulação. Ingressar no mercado financeiro chinês, do qual até agora está fora, pelo menos diretamente, permitiria à burguesia imperialista estadunidense aceder a um rico “banquete” de capitais que reforcem o seu próprio circuito.

Até agora, o governo chinês vem resistindo a estas pressões, aproveitando as importantes reservas de divisas internacionais que acumulou nestes anos e que lhe permitiram manter um crescimento da sua economia graças aos pacotes governamentais e ao crédito estatal.

No entanto, é quase impossível que esta situação se mantenha ad infinitum. Dois fatores a jogam na contramão. Por um lado, a crise econômica internacional já diminuiu as suas exportações e a própria política monetária do governo de Obama pode acentuar esta tendência, de maneira que as suas reservas tenderão a diminuir. Por outro lado, a própria dinâmica interna do mercado financeiro chinês, com numerosas “bolhas especulativas” passíveis de estourar e um nível a cada vez mais alto de inadimplência e morosidade.

Em outras palavras, o mais provável é que, cedo ou tarde, o governo chinês termine cedendo às pressões do imperialismo e só trate, em realidade, de discutir os tempos e ritmos dessa mudança.

Possíveis perspectivas
Nas suas diferentes manifestações, a crise econômica internacional aberta em 2007 continua. Sem resolver, ou resolvendo muito parcialmente, os problemas das fases anteriores, cada fase agrega novos problemas para o sistema capitalista imperialista.

[• Fonte: www.litci.org/pt - Opinião Socialista, 10/1/2011]

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Caso Cesare Battisti

Caso Cesare Battisti

Síndrome de Estocolmo
Marcos Oliveira e Sergio Souto,05/01/2011

Ao tentar fabricar a primeira "crise internacional" da presidente Dilma, já na primeira semana do novo governo, superdimensionando a histeria da extrema direita italiana contra a decisão do presidente Lula de não extraditar Cesare Battisti, as Organizações Globo sublimam a campanha de que foram vítima na Itália, por parte do grande democrata Silvio Berlusconi. Recorrendo a métodos de intimidação de corte claramente mafiosos, o clã Berlusconi, que controla a mídia na Itália, como a Globo, à época, o fazia no Brasil, não sossegou enquanto os Marinhos não passaram nos cobres a Tele Monte Carlo. Lá como cá, a lição restante é que liberdade de imprensa funciona muito melhor quando a empresa é amiga do Rei.

Longa lista
Marcos Oliveira e Sergio Souto, 10/01/2011

"Contrariamente ao que se tem escrito e dito, nós acreditamos que a decisão de competência do presidente brasileiro não é resultado de um juízo superficial e apressado sobre nosso país, mas de uma avaliação aprofundada e pertinente da situação política e judiciária italiana. O Brasil é o último de uma longa lista de países, após Grécia, Suíça, França, Grã Bretanha, Canadá, Argentina, Nicarágua, que se recusaram a colaborar com a Justiça italiana. Será um acaso?" A pergunta consta de manifesto dos professores italianos Saverio Ansaldi (Università di Montpellier III), Carlo Arcuri (Università di Amiens), Giorgio Passerone e Luca Salza (ambos da Università di Lille III), em que apóiam a decisão do ex-presidente Lula de negar a extradição de Cesare Battisti para a Itália.

Coerência

Já a campanha encampada pela imprensa tupiniquim pela extradição de Battisti para a Itália chama a atenção por dois aspectos emblemáticos. Primeiro, seus defensores não mostraram a mesma ira quando a Itália recusou-se a extraditar Salvatore Cacciola para o Brasil (ou ao menos encarcerá-lo) - aliás, na virada do ano, pelo menos um "jornalão" até fez editorial considerando demagógica a decisão de não conceder indulto natalino ao ex-banqueiro. E segundo, tão significativo quanto, grande parte dos defensores da "democracia italiana" eram adoradores da ditabranda brasileira.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

FMI: EUA podem ser contagiados por crise dos Piigs

FMI: EUA podem ser contagiados por crise dos Piigs
Monitor Mercantil, 17/12/2010

Para Fundo, as vulnerabilidades da Irlanda são as mesmas da Zona do Euro

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a crise na Irlanda pode ter impacto significativo em outros países da Zona do Euro, sobretudo Espanha, Grécia e Portugal - quatro dos cinco integrantes dos Piigs, na sigla em inglês, que inclui a Itália.

Para o FMI, a crise pode afetar também Estados Unidos e Reino Unido. "O risco de contágio da Irlanda é significativo, por causa da percepção do mercado de que as vulnerabilidades da Irlanda são semelhantes às de outras economias periféricas da Zona do Euro", advertiu o FMI.

Em relatório sobre o pedido do governo irlandês de empréstimo por três anos de 22,5 bilhões de euros, aprovado quinta-feira pela instituição, o FMI alerta que a Irlanda não vai atingir a meta de baixar seu déficit no Orçamento a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2015, a menos que faça mais cortes de gastos ou encontre novas formas de aumentar a arrecadação de impostos.

Os economistas do FMI prevêem que a economia da Irlanda vai sofrer uma recessão este ano e começar a crescer modestamente no próximo ano.

Eles projetam avanço de 1% para 2011; 1,9% em 2012; 2,4% em 2013 e 3% em 2014. Como as previsões são inferiores às do governo, o FMI prevê que o déficit da Irlanda fique em 4,8% em 2015.

Este é o ano fixado pela União Européia (UE) para o governo baixar o déficit a 3% do PIB. A Irlanda terá eleição geral no início de 2011 e as pesquisas indicam derrota do impopular governo. O vice-diretor do departamento europeu do FMI, Ajai Chopra, porém, insiste em que um novo governo não abandonaria as principais metas do programa imposto pelo fundo. Ou seja, para FMI, eleições são mera formalidade.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Salário médio tem queda em todo o mundo

A queda dos salários médios em todo o mundo é a mostra de a velha tática da burguesia para sair das crises econômicas é transferindo seus prejuízos para os trabalhadores

Salário médio tem queda em todo o mundo, diz OIT
Roberta Lopes, Agência Brasil - 15/12/2010

Brasília – Os salários médios em todo o mundo caíram de 0,8% em 2008 para 0,7% em 2009, segundo estudo divulgado hoje (15) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). O resultado, quando excluída a China, sobe para 2,8% em 2007 e 1,6% em 2009. O Relatório Mundial sobre Salários – 2010/2011 atualiza dados de 115 países e avalia a situação de 1,4 bilhões de assalariados.

Segundo Janine Berg, uma das organizadoras do estudo, foi feita uma análise sem os dados da China porque o governo chinês havia informado apenas sobre salários dos trabalhadores de empresas ou de órgãos governamentais, e a OIT tinha informações de que os empregados no setor privado ganhavam menos.

O estudo mostra que, das 28 economias mais industrializadas, 12 apresentaram redução dos níveis de salário real em 2008. Entre elas, estão a Alemanha, a Austrália, os Estados Unidos, a Itália, o Japão, o México e a República da Coreia.

Regiões como a Europa Oriental e a Ásia Central também tiveram grandes quedas na média salarial. Contudo, a América Latina e a Ásia mostraram crescimento salarial durante a crise financeira.

Entre os países do G20 (grupo das 20 maiores economias mundiais) que apresentaram as maiores quedas, estão a Rússia, o México e a Inglaterra.

O relatório da OIT aponta como uma das consequências da baixa dos salários em todo o mundo a redução no consumo e da demanda das famílias. Em alguns países, a queda dos salários foi compensada pela baixa das taxas de juros e pelo aumento excessivo do crédito.

De acordo com o estudo, o Brasil foi uma exceção, por ter registrado aumento dos níveis salariais em 2008 e em 2009, período que o país foi também atingido pela crise financeira internacional. Em 2008, os salários subiram 3,4% e, no ano seguinte, 3,3%, o que mostra estabilidade. No Brasil, o salário médio, em 2009, estava em R$ 700. Os salários da população de baixa renda equivaliam a um terço desse valor.

De acordo com Janine, dois pontos contribuíram para o Brasil não passar por uma queda tão grande quanto a de outros países. “A crise econômica afetou o Brasil de maneira breve e não teve tanto impacto no mercado de trabalho. O governo decidiu manter sua política de salário mínimo, o que ajudou a manter os salários médios”, afirmou.

A expectativa para os próximos anos é de que ainda levará algum tempo para que os salários voltem a subir em todo o mundo. “Os efeitos da crise financeira vão continuar afetando os trabalhadores, principalmente nos países avançados, como os Estados Unidos e os países da Europa, onde, mesmo havendo recuperação do PIB [Produto Interno Bruto], essa recuperação não tem sido tão forte”, disse Janine.

sábado, 20 de novembro de 2010

Socorro a Irlanda: dos trabalhadores direito aos banqueiros

Mais um flagrante ataque dos governos dos PIGs (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) aos seus trabalhadores. Se não bastasse quebrar as contas públicas com socorros aos bancos e os banqueiros na sequência exigirem arrocho fiscal para o Estado "honrar" seus compromissos (junto aos banqueiros detentores de dívida pública), esses exigem que empréstimos da UE e do FMI vão diretamente à tesouraria dos bancos. Lógico que quem paga os empréstimos da UE à Irlanda são os trabalhadores irlandeses e do restante da UE através do arrocho fiscal e do endividamento público, pela via do aumento dos impostos e queda na qualidade dos serviços públicos.

Da sociedade direto para a banca
Monitor Mercantil, 16/11/2010

Juncker: UE admite empréstimo direto a bancos

IRLANDA ABRE MÃO DE GERENCIAR EMPRÉSTIMO DA UE E DO FMI PARA SALVAR BANCOS QUE LEVARAM À QUEBRA DO PAÍS

A União Européia (UE) deve participar do empréstimo para evitar a quebra dos bancos da Irlanda, em vez de destinar o dinheiro ao governo do país. A informação é do líder dos ministros de Finanças da Zona do Euro, o Eurogrupo, Jean-Claude Juncker.

Em entrevista ao chegar ao encontro dos ministros dos 16 países que usam o euro, Juncker, também primeiro-ministro de Luxemburgo, foi indagado se era possível o grupo destinar o empréstimo diretamente aos bancos irlandeses: "Os acordos são realizados de tal forma que isso poderia ser feito", admitiu.

Com receio do forte desgaste interno, o primeiro-ministro da Irlanda, Brian Cowen, insiste em que, embora negocie com seus pares europeus "para normalizar as condições do mercado", a Irlanda nega ter pedido qualquer empréstimo.

Mas as autoridades da Zona do Euro alegam que os receios dos investidores sobre a situação do setor bancário irlandês são tão grandes que os mercados de bônus da região só voltarão a ter estabilidade quando ficar claro que a Irlanda tem acesso a financiamentos suficientes para bancar o novo aumento do rombo dos bancos locais.

Se for encontrada uma forma de fazer o empréstimo diretamente aos bancos, em vez de passar pelo governo, um acordo pode ser possível. Também em entrevista antes da reunião do Eurogrupo, o comissário para Assuntos Econômicos e Monetários da UE, Olli Rehn, disse estar preocupado com as divisões dentro da Zona do Euro sobre como lidar com a crise da dívida soberana.

Rehn afirmou ainda que trabalha com o Banco Central Europeu (BCE) e com o FMI para encontrar uma forma de lidar com os bancos da Irlanda. "Precisamos retomar o sentimento de unidade e determinação e trabalhar para restaurar a estabilidade financeira na área do euro. O problema mais urgente é na Irlanda. Junto com o BCE, o FMI e as autoridades irlandesas, estamos trabalhando para resolver os graves problemas do setor bancário do país", disse.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

7 de novembro: Recordar a revolução para preparar a próxima

7 de novembro: Recordar a revolução de outubro para preparar a próxima

FRANCESCO RICCI, DO PDAC (ITÁLIA)
Tradução: Rodrigo Ricupero

• 25 de outubro 1917 (7 de novembro do nosso calendário), depois da queda do Tzarismo (fevereiro), a esquerda governista da época, guiada pelos mencheviques e socialistas-revolucionários, procurou recolocar o poder nas mãos da burguesia: como em todas as épocas sempre fazem os reformistas, cuja única finalidade é pregar a colaboração com os patrões ditos progressistas, isto é, a renúncia ao objetivo de fundo do movimento operário (o governo dos trabalhadores) e a subordinação da classe operária aos governos que administram os negócios da burguesia, em troca de qualquer posto para os seus membros.

Mas os comunistas revolucionários, dirigidos pelo partido bolchevique de Lenin e Trotsky, que em poucos meses frenéticos cresceram nas lutas e transformaram a sua organização (antes relativamente pequena) no partido mais influente entre as massas proletárias, refutam todo apoio ao governo "de esquerda" e, antes de tudo, conduzem contra este uma oposição sem tréguas. Ganham em poucas semanas a maioria nos organismos de luta (os sovietes), dirigindo o último ato da revolução: a insurreição que derrubou definitivamente o governo Kerensky, governo composto e dirigido pelos partidos da esquerda reformista, mas baseado sobre um programa burguês, portanto anti-operário.

A famosa tomada do Palácio de Inverno, longe de ser um "golpe", foi apenas o "último ato" insurrecional em Petrogrado que, varrendo também simbolicamente o governo da burguesia (o presidente do Conselho, contudo, já tinha fugido), livra o espaço ao poder dos operários guiados pelos comunistas revolucionários. Nas horas sucessivas se constituirá o Conselho dos Comissários do Povo, um governo baseado nos organismos de luta do proletariado e sobre um programa operário: o único governo no qual podem participar os comunistas, sustentaram Lenin e Trotsky, retomando as posições fundamentais do comunismo de Marx e Engels. Recordamos hoje aquelas belíssimas jornadas revolucionárias. E o fazemos não apenas por nostalgia, mas para ainda uma vez estudar o modo como os trabalhadores e as classes subalternas, guiadas pelo partido comunista, souberam não somente liberar-se de um regime reacionário (aquele do Tzar), mas souberam também destruir toda ilusão nos governos chamados "progressistas".

Os patrões e os burocratas reformistas dirão que se trata de uma história velha. Correto, a história é velha (aconteceu há mais de cem anos), mas nos oferece ensinamentos sobre o único remédio até agora encontrado para colocar fim à barbárie do capitalismo (um sistema bem mais velho, ou melhor, decrépito). É verdade que muitas coisas mudaram depois daqueles dias, mas o essencial permanece o mesmo: igual o domínio brutal do capitalismo, iguais as suas guerras sociais e militares contra os trabalhadores e os povos oprimidos, igual o papel de abafar as lutas desenvolvidas pelas burocracias sindicais e pela esquerda governista. Assim como igual, idêntica, continua a necessidade de construir uma outra direção para o movimento operário, baseada sobre a independência de classe, isto é, um partido de tipo bolchevique. Para preparar, nas lutas de hoje, a próxima revolução.

As leituras que apresentamos
Para recordar o 7 de novembro de 1917, selecionamos os textos de dois protagonistas e de um historiador: iniciamos com alguns trechos da belíssima crônica daqueles dias feita pelo jornalista e dirigente comunista norte-americano John Reed, que participou da revolução (insispirando também o filme de Warren Beaty, Reds); em seguida, uma passagem de um artigo de Leon Trotsky (junto com Lenin, o principal dirigente de outubro); e fechamos esta pequena antologia com alguns trechos da biografia que o historiador militante Pierre Broué dedicou a Trotsky, presidente do Comitê Militar Revolucionário que se ocupou da insurreição.




O 7 de novembro de 1917 por uma testemunha

John Reed

Quarta-feira, 7 de novembro, me levanto muito tarde. O canhão do meio-dia soava pelo forte de Pedro e Paulo, enquanto eu andava ao longo da perspectiva Nevsky [principal avenida da cidade]. Era um dia chuvoso e frio. Diante do Banco do Estado, alguns soldados com as baionetas cruzadas montavam guarda diante das portas fechadas.

“De que parte vocês são? Do governo?" perguntei.
"Não existe mais o governo" me respondeu um com um sorriso. (...) Diante da porta do palácio Marinsky se encontrava uma multidão de soldados e de marinheiros. Um marinheiro contava do fim do Conselho da República. "Entramos", dizia "e fizemos vigiar as portas por companheiros. Andei até o contra-revolucionário que sentava na cadeira do presidente e disse: 'Não existe mais Conselho, vão para casa, agora." Alguns riram.

(...) Quando chegamos num carro diante do Smolny [quartel dos bolcheviques], a sua maciça fachada flamejava de luzes e de todas as ruas vinham rápidas correntes de formas indistintas na escuridão. Automóveis e motocicletas iam e vinham; um enorme carro armado, uma espécie de elefante multicolorido, adornado por duas bandeiras vermelhas tremulando sobre a torre, avançava tocando a sua barulhenta sirena. Fazia frio e diante da porta externa a Guarda Vermelha acendera uma fogueira. (...) Os quatro canhões de tiro rápido foram postos nos lados da porta de ingresso sem as coberturas de tela e as fitas da munição pendiam como serpentes pela culatra.

(...) Havia um sentimento de audácia no ar. Já pelas escadas se revelou uma multidão, operários com camisas negras e gorros de pelica escuro (....). A reunião do Soviet de Petrogrado tinha começado.

(...) A sessão era importante: em nome do Comitê Militar Revolucionário, Trotsky declarou que o governo provisório tinha cessado de existir.
"A característica dos governos burgueses", ele disse, "é aquela de enganar as massas populares. Nós, deputados do soviete dos operários, dos camponeses e dos soldados, estamos tentando um experimento único na história, estamos colocando as bases de um poder que não terá outro objetivo se não aquele de satisfazer as necessidades dos soldados, dos operários e dos camponeses."

Lenin apareceu, acolhido por uma potente ovação, e preconizou a revolução socialista de todo o mundo.

(...) [Abre-se o Segundo Congresso dos Sovietes, é eleita a presidência, proporcionalmente aos diversos partidos soviéticos: 14 bolcheviques, 7 socialistas-revolucionários, 3 mencheviques, 1 internacionalista, Ndt]. Improvisadamente se escuta um novo rumor, mais alto que o barulho da multidão, insistente, inquietante, o som dos canhões. (...) Martov [dirigente reformista, ndt] pede a palavra e grita: "A guerra civil é começada, companheiros! A primeira questão deve ser a pacífica resolução da crise. Por princípio e por um ponto de vista político, devemos urgentemente discutir os meios para afastar a guerra civil. Os nossos irmãos estão se matando nas ruas. Neste momento, antes mesmo que o Congresso dos Soviet estivesse aberto, a questão do poder é resolvida com métodos de uma conjura militar organizada por um dos partidos revolucionários [os bolcheviques de Lenin e Trotsky]." (...) "Nós devemos [continua Martov, ndt] formar um governo que seja reconhecido por toda a democracia." (...) O final se perdeu em uma tempestade de gritos, de ameaças, de maldições que se levantou em um diapasão infernal enquanto cinqüenta deputados [da esquerda governista, ndt] se levantaram entre a multidão para sair.

Kamenev, que presidia, agitava o sino gritando: "Fiquem nos vossos lugares e sigamos o nosso trabalho!" Trotsky, em pé, com o rosto pálido e cruel, decretava com a sua voz potente e com um frio desprezo: "São os chamados socialistas, mencheviques, socialistas-revolucionários, covardes vários, os deixem andar. Representam aqueles resíduos que serão varridos para o lixo da história!"

John Reed, de Os dez dias que abalaram o mundo (publicado em várias edições).




O que representou a Revolução Russa

Leon Trotsky

Com Lênin, entramos na Revolução de Outubro profundamente convencidos de que a revolução na Rússia não podia ser levada a cabo independentemente dos outros países. Acreditávamos que esta revolução não podia ser mais que o primeiro anel da cadeia da revolução mundial e que a sorte deste anel seria decidida pelo destino de toda a cadeia.

Mantemos esta posição. (...) Chegamos neste aniversário como deportados, prisioneiros, exilados, mas chegamos sem o mínimo pessimismo. O princípio da ditadura do proletariado entrou solidamente na história. Mostrou a formidável potência de uma jovem classe revolucionária dirigida por um partido que sabe aquilo que quer e que é capaz de acordar a própria vontade ao passo da evolução objetiva.

Os anos transcorridos mostraram que a classe operária de um país, ainda que atrasado, não só pode fazer mais do que os banqueiros, os proprietários e capitalistas, mas é ainda capaz de assegurar para a indústria um desenvolvimento assaz mais rápido do que aquele realizado sob o domínio dos exploradores. Estes anos mostraram que uma economia centralizada segundo um plano tem uma nítida vantagem sobre a anarquia capitalista.

(...) Não temos nada do que nos penitenciar e não renunciamos a nada. Viva as idéias e a paixão que nos animavam durante as jornadas de outubro de 1917. Através dos temporais dificilmente podemos ver diante de nós. Por mais complicados que sejam os meandros do rio, o rio corre até o oceano.

Leon Trotsky, de "Para o décimo segundo aniversário de outubro", 1929.




O choque entre comunistas e reformistas

Pierre Broué

O governo provisório é informado de tudo. Mas não faz nada, certamente porque não pode fazer nada. As suas ordens não surtem efeitos ou, se o fazem, esses são prontamente anulados. Sob a presidência de Trotsky, o Comitê Militar Revolucionário, ao contrário, é ativíssimo. No dia 24 de outubro (6 de novembro) designa os delegados ao Correio, à Ferrovia, aos mantimentos. Trotsky arenga a multidão ... e conquista um batalhão de motociclistas para a revolução; fala ao soviete de Petrogrado; reúne no Smolny os primeiros delegados ao Congresso panrusso dos sovietes. Ordena a reabertura dos jornais fechados pelo governo provisório, enquanto operários e soldados ocupam redações e tipografias da imprensa de direita.

(...) Até as duas da manhã do mesmo dia, iniciam-se os movimentos das tropas que precedem as primeiras operações militares. À reunião do Comitê executivo com os delegados que já tinham chegado para o Congresso dos sovietes, os socialistas conciliadores atacam mais uma vez, pela boca de Dan, que faz o quadro de uma situação apocalíptica na qual prevalece a contra-revolução: segundo ele, a insurreição seria pura loucura e portaria a ruína da revolução.

Desta vez, Trotsky responde abertamente, em nome do Comitê Militar Revolucionário, do partido bolchevique e dos sovietes: abandonando os argumentos defensivos, reivindicando a responsabilidade pela insurreição já começada, ele procura galvanizar os delegados. (...) No curso daquela noite, Trotsky dormirá somente pouquíssimas horas, estendendo-se completamente vestido, sobre um divã no Smolny.

(...) Durante a noite, os destacamentos dos insurgentes avançam. Pela manhã, ocupam já as pontes, as estações, os edifícios do correio, o Banco do Estado, a maior parte das tipografias. Às 10 da manhã do dia 25 de outubro (7 de novembro), o Smolny difunde um boletim de vitória. "O governo provisório foi deposto. O poder estatal passou ao Comitê Militar Revolucionário."

Na realidade, pelo momento, as coisas não estão de fato assim, e todas as autoridades estão ainda reunidas em torno do governo provisório no Palácio de Inverno. Os choques armados são, todavia muito limitados. Marinheiros, soldados e guardas vermelhos desarmaram vários destacamentos de aspirantes a oficiais, uma das poucas forças com as quais o governo provisório acreditava poder contar. (...) A sessão [do Congresso dos sovietes, ndr] é aberta, em nome do Executivo, pelo menchevique Dan, vestido com a sua divisa de médico militar. Dos 650 delegados presentes – no final serão 900 – com voto deliberativo, 390 se colocam a favor das posições dos bolcheviques. Trotsky avalia em cerca de um quarto aquela que chama "a oposição conciliadora em todas as suas formações". A presidência, constituída numa base proporcional, compreende 14 bolcheviques, uma discreta maioria em respeito aos 11 representantes da minoria. Lenin figura no primeiro lugar da lista bolchevique, seguido por Trotsky.

(...) Martov avança uma desesperada proposta de "compromisso", que condena a insurreição bolchevique e estabelece a suspensão dos trabalhos do Congresso até a conclusão de um acordo geral entre todos os partidos socialistas. A resposta é evidentemente de Trotsky, que fala da tribuna na qual se encontra ao lado de Martov: "A insurreição das massas populares não tem necessidade de justificação. O que aconteceu é uma insurreição, não uma conjura. Nós temperamos a energia revolucionária dos operários e dos soldados de Petrogrado. Forjamos abertamente a vontade das massas para a insurreição, não para uma conjura. As massas populares seguem a nossa bandeira e a nossa insurreição venceu. Agora nos diz: renunciem à vossa vitória, façam concessões, cheguem a um acordo. Com quem? Eu me pergunto com quem devemos chegar a um acordo? Com aqueles miseráveis grupelhos que deixaram o Congresso ou que fazem esta proposta? Mas os conhecemos bem. Ninguém na Rússia mais os segue." E concluí mandando os conciliadores para o "lixo da história". A sessão é suspensa por meia hora às duas da noite. Quando retomam os trabalhos, Kamenev pode anunciar a queda do Palácio de Inverno (...) e a prisão de todos os ministros, menos Kerensky [que tinha escapado, ndr].

Pierre Broué, de A revolução perdida. Vida de Trotsky.