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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

"A Servidão do Caminho": Economia de Mercado, Pós-Modernidade e Servidão - o Paradoxo Neoliberal

Não vivemos no caminho da servidão, mas sim, na servidão do caminho...

Por Almir Cezar Filho

Em O Caminho da Servidão, Friedrich Hayek acusava o socialismo, o intervencionismo econômico, o Estado de bem-estar social e o planejamento estatal de conduzirem a uma "servidão": a perda das liberdades civis e a ascensão de regimes totalitários. Para Hayek, e para seus pares como Von Mises e Milton Friedman, qualquer tentativa de submeter a dinâmica do mercado à ação coletiva racional implicaria inevitavelmente na erosão da liberdade individual. No entanto, a realidade que emergiu nas últimas décadas mostra-se um espelho invertido dessa tese. O desmonte dos instrumentos de regulação estatal, a demonização do planejamento, a precarização do Estado social e a expansão desmedida da lógica mercantil não produziram liberdade, mas sim uma nova forma de servidão: a servidão ao capital financeiro, às corporações transnacionais e ao poder punitivo do Estado autoritário.

Sob a hegemonia da ideologia do livre mercado, vivemos a degradação da malha social, a desindustrialização, a explosão das crises financeiras, a inflação das commodities, a concentração de riquezas e a corrosão da esfera pública. O "mercado" — como abstração ideológica que naturaliza relações sociais e apaga conflitos — se tornou dogma inquestionável. Entretanto, esse fundamentalismo mercadológico se traduz, na prática, em anomia, precariedade e despotismo. A promessa de liberdade se converte em serviço informal, vigilância digital, escravidão por dívida e judicialização da política. O que era para ser um antídoto contra o totalitarismo, revelou-se seu fermento.

quarta-feira, 3 de julho de 2024

ECONOMIA É FÁCIL | Precisamos 'abortar' a extrema direita

Mais um edição do Economia É Fácil, o seu espaço de economia e conjuntura, com linguagem fácil e na perspectiva dos trabalhadores. Live semanal nas plataformas da Web Rádio Censura Livre.
Nas últimas semanas a extrema-direita no Brasil e no mundo foi a principal protagonista política. Aqui em uma ofensiva legislativa tenta passar no Congresso Nacional três projetos, acoando o governo Lula: uma PL que põe fim ao ab0rto legal, uma PEC que privatiza as praias e outra que tenta recriminalizar o usuário de drogas, apesar do STF em julgamento está considerando constitucional a posse da maconha. Na França, após vencer as legislativas ao Parlamento Europeu, o presidente Macron em uma manobra, dissolveu o parlamento, abrindo à vitória do partido de Marianne Le Pen a vencer o primeiro turno da eleição à Assembleia Nacional. O que há por trás dessas aparente crescimento dos movimentos ultraconservadores e reacionários? Há uma "onda"? Como a Esquerda deve lidar? A democracia está ameaçada? O que há em comum entre Macron e Lula?
🎤Convidado: Cyro Garcia, historiador e professor de Direito 
🎙Apresentação e produção: Almir Cezar Filho, economistassista: https://www.youtube.com/live/SWSw-ts_w7o?si=pcPiJdtQ3rs1_d7M

sábado, 14 de novembro de 2020

Lições para derrotar Bolsonaro: o que ganhou na eleição presidencial dos EUA 2020 não foi a moderação ou o centrismo de Biden, mas a polarização anti Trump

por Almir Cezar Filho

Joe Biden venceu a eleição presidencial dos EUA. Ganhou de maneira sofrida, Mas, a grande imprensa negligenciando esse aspecto, enaltece sua estratégia vencedora: a sofrida votação de Biden, quase empatando em vários estados com o horrível Donald Trump se deve justamente ao viés centrista, "morno" desse político, até muito mais do que ser visto como um político convencional. 

Os EUA vivem uma era de polarização política na sociedade, foi percebendo isso, surfando, e mesmo inflando, essa situação que Trump foi eleito, e seguiu governando (e até o começo da pandemia estava à frente das pesquisas eleitorais).

Ao contrário que a mídia empresarial defende, em um momento de polarização, não é apostando no centrismo que garante a vitória eleitoral, mas apostando nele. Especialmente, se a figura de centro simbolizar "mais do mesmo". Momentos de polarização são momentos que a opinião pública exige mudanças radicais e novos ideias, não reedição da velha política.

E basta lembrar, que nas simulações no período das eleições primárias, Bernie Sanders (da "esquerda" do Partido Democrata) era o único dos pré-candidatos a frente nas pesquisas contra Trump.

Os democratas venceram porque:

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Trump, Bolsonaro e os novos bonapartistas: o divisionismo permanente e a grandeza no passado idealizado

por Almir Cezar Filho

Casa Branca, sede do governo mais poderoso do planeta Terra, cercada de manifestantes. O presidente dos EUA Donald Trump em um bunker, tweetando freneticamente e ameaçando usar o Exército contra os manifestantes. Nenhum apelo à unidade nacional e à paz. Ao contrário, acusações ao movimento ANTIFA e frases abertamente divisionistas. 

Trump, como no Brasil Jair Bolsonaro, mas a sua maneira, precisa polarizar o tempo todo, pra manter uma base coesa e radicalizada, que lhe sirva como sustentáculo eleitoral e massa de manobra para pressão sobre as instituições da república.

Os bonapartistas do século XIX e XX, clamavam pela unidade nacional. Embora exigindo submissão completa, e "morte" aos inimigos (que não se submetem). Os bonapartistas antigos falam representar, ser porta-voz, das "maiorias silenciosos", mas sempre apelando à unidade nacional. No entanto, já os bonapartistas do século XXI, não querem a unidade; não a precisam. Apenas contam com o medo ou apatia das maiorias. Mas quando não podem contar com o medo das maiorias?

quinta-feira, 7 de maio de 2020

A SERVIDÃO DO CAMINHO: anti-"O caminho da servidão"


Ilusões do Individualismo, Pós-modernidade do Capitalismo e a Ascensão da Nova Direita

por Almir Cezar Filho


Como o antiestatismo, ultraconservadorismo e neoliberalismo e a nova direita pós-moderna estão erodindo a liberdade e aumentando o mal-estar social.


Segue aqui uma compilação de artigos, que podem vir  ser capítulos de um futuro livro ou aulas de um curso, que aborda, em forma de ensaios a emergência de uma Nova Direita no Brasil e no mundo. Distinta da direita tradicional do século XX, esta nova vertente de direita mescla, de forma inédita, o livre mercado e o liberalismo econômico radical com fundamentalismo religioso, moralismo extremado e interferência estatal na vida privada, uns mais, outros menos. Caracteriza-se também por um ativismo judicial punitivo e um anticomunismo ao estilo do velho macarthismo, além de um conspiracionismo quase delirante. Engloba neoliberais, ultraliberais, neoconservadores (NeoCon), neo e pós-fascistas, neofundamentalistas religiosos, e aquilo que por muitos é chamada "Direita Alternativa" (AltRight).

O título aqui (A Servidão do Caminho) faz alusão a Friedrich Hayek, pai do neoliberalismo e laureado com o Prêmio Nobel de Economia em 1974, que em sua obra "O Caminho da Servidão" (1944) argumentava que o coletivismo e o planejamento, em suas diversas formas, levaria inevitavelmente à tirania. Hayek citava como exemplos a Itália Fascista, a Alemanha Nazista e a União Soviética stalinista.

Entretanto, após quatro décadas sob o domínio neoliberal e com o recente fortalecimento de uma direita cada vez mais radical, testemunhamos uma série de transformações preocupantes. Estas incluem o desmantelamento do Estado de Bem-estar Social, a desregulamentação dos mercados, privatizações em massa e a abolição do planejamento público. Ironia das ironias, este "caminho", que teoricamente deveria nos afastar da "servidão", tem, na prática, conduzido paradoxalmente à subjugação dos cidadãos e ao desmantelamento da coesão social em diversas sociedades contemporâneas.

Contrariamente à tese de Hayek, argumentamos aqui que não é o coletivismo que nos leva à servidão, mas sim o anticoletivismo, erodindo as conquistas democráticas e de bem-estar social alcançadas desde as revoluções dos séculos XVIII, XIX e XX. A liberdade prometida pela Nova Direita tem nos subjugado às corporações transnacionais, aos lobbies políticos dos ricos, à manipulação midiática e à mercantilização da vida social. E para complicar, à medida que o neoliberalismo falha na prática, sua ideologia tem se disfarçado sob uma nova forma de conservadorismo, cada vez mais extremado.

Além disso, este panorama se desdobra em um contexto mundial, civilizatório, cada vez mais alarmante, marcado pelo agravamento do aquecimento global, que se aproxima de um ponto de irreversibilidade, e uma polarização extrema na opinião pública, fraturando sociedades ao ponto de quase ruptura e conflitos civis. Este cenário exige de nós uma compreensão profunda do fenômeno da Nova Direita, não só como uma questão política ou ideológica, mas como um desafio existencial que ameaça a estabilidade e a sustentabilidade de nossas sociedades. É essencial reconhecer a urgência de enfrentar e superar essas forças divisivas, para salvaguardar nosso futuro coletivo e garantir um planeta habitável para as gerações vindouras.

Este trabalho busca contextualizar a Nova Direita como a expressão da consciência social das elites econômicas atuais, rivalizando-se à Esquerda pós-moderna, em muitos sentidos seu complemento do que seu contraponto. A Nova Direita não representa uma alternativa à sociedade moderna, mas sim seu crepúsculo, simbolizando a decadência do modo de vida burguês, o declínio dos Estados-Nacionais e a senilidade do sistema capitalista. Sua utopia é, na melhor das hipóteses, uma utopia reacionária e, na pior, a defesa de uma verdadeira distopia. 

Assim, este estudo convida ao diálogo crítico e à reflexão profunda sobre o caminho que estamos trilhando como sociedade, desafiando-nos a repensar e redefinir nossas prioridades coletivas em busca de um mundo mais justo para todos. Diante deste cenário, torna-se imperativo compreender as nuances e as contradições deste movimento, não apenas para analisar o presente, mas também para moldar um futuro mais equitativo e sustentável.

Segue os artigos/ensaios:

  1. A Servidão do Caminho: Como os neoliberais e os ultraliberais estão destruindo as liberdades com sua cruzada antiestatista
  2. A Direita Pós-Moderna como Direita na senilidade do Capitalismo
  3. Disputa de consciência e a batalha de hegemonia pela nova Direita Pós-Moderna
  4. A utopia reacionária do livre mercado
  5.  O perigo do novo libertarianismo econômico
  6.  Liberdade e Capitalismo
  7.  O Liberalismo da Direita Pós-Moderna não é Liberalismo. O Liberalismo e a questão social
  8. Liberalismo e Conservadorismo na Direita Pós-Moderna 
  9. A Pós-Modernidade de direita, o novo ultralibertarianismo econômico e a Escola Austríaca
  10.  Escola Austríaca é pseudociência
  11. Antipositivismo, Metafísica e "Mercado" na Direita Pós-Moderna
  12. Mais sobre Antipositivismo, Metafísica e Mercado na Direita Pós-Moderna
  13. O Olavismo Cultural e a Pós-modernidade de direita na Economia
  14. Olavismo Cultural e o discurso raivoso de direita na classe média
  15. A Meritocracia e a Pós-Modernidade de Direita ou a “Mediocracia” raivosa
  16. MBL após impeachment apoia a reacionária 'Lei da Mordaça' a professores
  17. Liberalismo e fundamentalismo religioso na Pós-Modernidade
  18. Fascismo e Direita Pós-Moderna. Ou sobre a nova ditadura da toga e do púlpito
  19. O Fascismo é um movimento de massas? Porque é possível e desejável apoiar uma greve de policiais
  20. Neofundamentalismo religioso e o neofascismo são pós-moderno
  21. A luta de classes na Direita Pós-Moderna: conceito e realidade
  22. Preconceito, identidade e polarização extrema na Direita Pós-moderna
  23. Pós-verdade, Direita x Esquerda: o escândalo da carne fraudada
  24. O novo monarquismo no Brasil não é apenas neoliberal, é pós-moderno
  25. Empreendedorismo, Liberdade econômica e Socialismo. Uma resposta à 'nova direita'
  26. Educação, cultura e mídia na Direita Pós-Moderna
  27. Liberalismo e Modernidade: as revoluções intelectuais e políticas do séc. 18. Compondo uma bibliográfica alternativa
  28. Violência, repressão e direitos humanos na Direita Pós-Moderna
  29. Ultradireita: é a economia, estúpido!
  30. Direita batendo cabeça. Mas não há uma onda conservadora?
  31. Não há onda conservadora'. População rejeita em consulta armamento da sua guarda
  32. Mais uma vez Terra Plana: conspiracionismo e direita pós-moderna
  33. A Pós-modernidade e os saberes
  34. Esquerda, classe média e pós-modernismo de Direita
  35. Eleição da extrema direita não é onda reacionária da população
  36.  ''Onda conservadora'' ou emergência de uma nova Direita?
  37. A Nova Direita e os desafios à Esquerda

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Von Mises e sua Praxeologia: Religião, Aristocracia, Racismo e Contradições

por André Guimarães Augusto, na Revista da SEP, 2016 - O artigo abaixo foi publicado originalmente com o título de “O Neoliberalismo Religioso e Aristocrático de Von Mises” na Revista da Sociedade Brasileira de Economia Política e uma parte dele foi reproduzida com o título “Limites da “teoria” da ação humana (Praxeologia) de Ludwig Von Mises” no blog Crítica Ontológica.

A tese defendida no artigo é de que o neoliberalismo de von Mises fundamenta-se em uma filosofia de inspiração religiosa e aristocrática. Defende-se que a teoria de von Mises contém um comprometimento com uma ontologia de dois mundos, inspirada pela filosofia de Tomás de Aquino. Tal ontologia de natureza religiosa ganha caráter secular com o argumento aristocrático, presente em sua teoria da história, sua visão da democracia e do funcionamento dos mercados. Conclui-se que o neoliberalismo de von Mises baseia-se em argumentos da reação feudal à ascensão do capitalismo, com o fim de preservar e justificar este último mises-religioso-aristocrata


Introdução
1. Praxeologia e comprometimentos ontológicos
2. Ontologia finalista e de dois mundos
3. A teoria da história de von Mises
4. Crítica ao materialismo e ontologia religiosa
5. O argumento aristocrático
6. Considerações finais: o neoliberalismo como reação

O neoliberalismo muitas vezes é identificado com o conjunto de políticas estabelecidas a partir dos anos 1980 nos governos Reagan e Thatcher e difundidas nas décadas seguintes. Outras vezes, o neoliberalismo, como corrente de pensamento, é identificado como tendo origem na fundação da Sociedade de Mont Pèlerin, em 1947. Reunindo nomes como Hayek, von Mises, Karl Popper e Milton Friedman, a Sociedade de Mont Pèlerin era o think tank do qual sairiam os princípios que fundamentariam as políticas econômicas nos anos 1980.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

A Pós-modernidade e os saberes

A disputa pelas narrativas, o negacionismo nas ciências e a suposta luta anti-ideologização empreendida pelos conservadores

por Almir Cezar Filho

Ao longo do século XX a humanidade foi submetida a uma espécie de desdobramento paroxístico do e de sua terrível dialética: ao invés do prometido triunfo de uma vida civilizada, racional e livre das peias da incivilização, o processo civilizatório se mostrou violento, genocida, amigo da guerra e da destruição.

Nunca um número tão grande de seres humanos foi executado em guerras ou por meios tão terríveis e vis como os campos de concentração e de extermínio, como ocorreu no século XX.

A razão ocidental, esse constructo, que era constantemente redesenhado e cujas origens também foram projetadas, desde o Renascimento, na Grécia antiga, foi derretida sob o calor dessas catástrofes. O abalo levou a uma disseminação dos saberes.

Trata-se do conhecido “fim das grandes narrativas”, não só no sentido benjaminiano, da morte do narrador, mas também da morte dos grandes discursos que procuravam dar sentido (um sentido nomológico) à humanidade e à sua história e devir.

Ao invés da fé cega na Razão e na sua capacidade de revelar a verdade, surge cada vez mais ao longo da Modernidade um outro modo de pensar e de agir que desconfia dos arquivos, da memória, dos conhecimentos formais e sistematizados e da bibliografia.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Eleição da extrema direita não é onda reacionária da população

Polarização política e Contraofensiva conservadora

A despeito da vitória eleitoral da extrema direita, a opinião pública não concorda com suas pautas reacionárias. A pesquisa confirma quando dizíamos que a vitória era produto da polarização política, da ruptura das massas com o PT e cansaço com a corrupção e falta de integridade da classe política, e não de uma "onda" conservadora e/reacionária.

O que há sim é uma intensa polarização política do país. Em que a população, tradicionalmente despolitizada e apática, passou a se engajar, ao menos na tomada de opinião, sobre temas políticas e candentes da realidade. Uma parte vai às teses da Esquerda. Enquanto outra às teses da Direita.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

"A Servidão do Caminho": Como os neoliberais e os ultraliberais estão destruindo as liberdades com sua cruzada antiestatista

por Almir Cezar Filho

Em O Caminho da Servidão, F. Hayek denunciava que o socialismo/comunismo, e mesmo o intervencionismo econômico, Estado de Bem-estar Social e o planejamento público estariam conduzindo a uma “servidão”. Na verdade, a miragem em torno a ideias como mercados perfeitos, o anticomunismo e o antiestatismo seriam sim um "caminho" - não que impede o destino do fim da democracia e da liberdade econômica - mas que serviciariam os cidadãos e indivíduos ao poder do dinheiro e de um Estado autoritário que o protege. Uma servidão pós-moderna, que erode justamente o que pretende proteger: as liberdades.

Circundado de figuras como Milton Friedman ("Capitalismo e Liberdade"), Von Mises, entre outros, Hayek prega que o caminho exercido pelo intervencionismo econômico, estatismo, regulações estatais, assistência social pública, planejamento levariam como destino à servidão, isto é, ditadura, colapso das liberdades individuais. Temos como resultado a pobreza, degradação da malha social, temos o marcathismo, temos a anarquia econômica, com crises financeiras recorrentes, desindustrialização e inflação dos commodities, temos o monopólio das corporações empresariais transnacionais, temos a crise política, o colapso dos partidos. O destino que resultado do caminho alternativo. Contudo, é justamente ao contrário, o combate a essas diretivas e sua negação que roubam a democracia e as liberdades

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Esquerda, classe média e pós-modernismo de Direita

O reformismo de classe média explica o equivocado pânico com uma "onda conservadora" que é apenas uma polarização política geral do Brasil.

Ensaios sobre a Direita e a Pós-Modernidade

por Almir Cezar Filho

Existe um conexão estreita no seio do movimento socialista internacional entre pequena-burguesia o reformismo social, o revisionismo na teoria marxista e a apologia ao capitalismo. Por sua vez, há uma conexão dessa mesma classe, seu socialrreformismo pró-capitalismo com seu estado de pânico com a ascensão de uma ultradireita de aspiração pós-moderna - compreendida por esta classe equivocadamente com uma erupção de uma espécie de "onda conservadora". O que na 0verdade é uma intensa polarização política do país em que a classe média, e especialmente suas lideranças, não estavam preparada.

Nessa polarização - em que a população brasileira (tradicionalmente despolitizada e apática), passou a se engajar, ao menos na tomada de opinião, sobre temas políticas e candentes da realidade, uma parte vai às teses da Esquerda, enquanto outra às teses da Direita. Em muitos casos, esses vão à Direita até em reação à crise geral e ao caos que esse traz consigo, como também, inclusive, em reação ao deslocamento da outra parcela que foi à Esquerda.

Por sua vez, os setores organizados da direita estão com forte campanha política, constituindo assim uma Contraofensiva Conservadora, em base a erupção de um movimento social pós-moderno de direita. Inclusive a fim de preservar o controle de certos valores sobre o conjunto da sociedade, como dar continuidade o status quo política, cultural e econômico de séculos no país, e que ao seu ver, está ameaçado diante novas circunstâncias sociais que vive nossa sociedade.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Mais uma vez Terra Plana: conspiracionismo e direita pós-moderna

Ensaios sobre a Direita Pós-Moderna

Por Almir Cezar Filho

Causou comoção ou surpresa a notícia que uma pessoa na Califórnia (EUA) se lançará em um foguete, construído em casa, até o espaço sideral para tentar provar que a Terra não é uma esfera, nem mesmo um planeta, o assim chamada Terra-Plana. Além do mais, essa pessoa é candidata a governador daquele estado.

Apesar de mais de 2.500 anos de conhecimento no Ocidente sobre a esfericidade da Terra e o cara se esforça pra provar o contrário. Tem um monte de coisa a se comprovar, refutar ou a ser descoberta ou inventada e o cara gasta tempo e energia nisso. Doenças a ser curadas, etc. Acabamos surpreendidos com gente se esforçando pra provar algo tão absurdo. Não diferente agem tão qual a hipótese conspiracionista sobre outros temas, que vão desde a Escola Sem Partido, Ideologia de Gênero, Fórum de São Paulo, George Soros, Marxismo Cultural, passando até conspirações mais "ousadas" ou delirantes como Iluminati, Franco-Maçonaria, o assassinato de Kennedy,  Nova Ordem Mundial, Reptilianos, etc.

Tais idéias estapafúrdias se baseiam ou no conhecimento pré-filosófico e mesmo não apenas idealista, mas antematerialista, geralmente de matriz religiosa, particularmente àquelas de livros sagrados e anteriores a Idade de Ferro, e portanto com uma cosmovisão diametralmente diferente da desenvolvida pela Ciência ou mesmo da Modernidade.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

'Não há onda conservadora'. População rejeita em consulta armamento da sua guarda

Amplo NÃO à proposta repressiva mostra que há na verdade polarização política e
 uma contraofensiva da ultradireita que pode ser derrotada

(Ensaios sobre Direita Pós-Moderna)

por Almir Cezar Filho

A maioria da população de Niterói, cidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, rejeitou em votação organizada pela própria Prefeitura o armamento da sua guarda municipal (ver AQUI a notícia). O NÃO da maioria dos votantes expressa a discordância com teses repressivas, mesmo na criminalidade urbana, como apregoam a ultradireita e conservadores. Demonstra que não há a tal onda conservadora em curso, como propagandeiam a grande parcela da assustada esquerda brasileira. Há sim uma contraofensiva dessa direita avivada. A Esquerda precisa disputar a hegemonia das consciências da população.

A votação

Moradores de Niterói votaram “não” para o uso de armas de fogo pela Guarda Municipal, no domingo 29/10, durante uma consulta pública. De acordo com a prefeitura, 13.478 pessoas foram contra a medida (70,9%) e 5.478 a favor (29,1%). Enquanto isso, 25 eleitores votaram nulo e oito optaram pelo branco.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Ultra-direita: é a economia, estúpido!

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita

por Almir Cezar Filho

Na década de 1990 surgiu uma expressão agressiva entre a centro-esquerda estadunidense pra reorientar sua militância em como lidar tanto com o eleitor como combater as proposições da direita, especialmente neoliberal, cuja chave estaria na situação (e agenda) econômica. Agora, novamente é preciso voltar ao combate pela mesma perspectiva, com os devidos contextos e proporções.

1) ao contrário dos bolsominions da internet, os grupos organizados ultradireitistas não são espontâneos. Não há entre eles militantes e ativistas abnegados e altruístas. São profissionais ou arregimentados.

2) Por sua vez, é preciso rastrear seus financiadores e organizadores no empresariado - vincular os interesses e conveniências concretos deles com a pauta e ação desses grupos. Escrachá-los publicamente.

domingo, 15 de outubro de 2017

Violência, repressão e direitos humanos na Direita Pós-Moderna

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita nº  26

por Almir Cezar Filho

Um dos temas que balizam a Direita Pós-Moderna é atração pelo tema da violência e repressão, juntamente com vigiar e julgar. A caminhada para o extrema do espectro político por parte da Direita e da Centro-Direita convencional moderna fortalece a erupção da Direita Pós-Moderna, que se constituí à medida que todo conservadorismo que hoje assistimos vir à baila é apenas um suspiro, um murmúrio, um urro, por sobrevivência de privilégios, em pleno um mundo em permanente mudança.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Neofundamentalismo religioso e o neofascismo são pós-moderno

Extremismo e poder estão a serviço dos lucros

Ensaios sobre a Direita e a Pós-Modernidade

por Almir Cezar Filho

Duas notícias recentes trouxeram choque em setores mais esclarecidos da opinião pública. O ato do MBL contra a exposição de arte Queermuseu que levou aos patrocinadores a cancelá-lo. E atos de terror de traficantes a moradores praticantes de religiões afro-brasileiras nas comunidades que suas quadrilhas controlam.

Como pode lideranças de uma minoria religiosa (pastores evangélicos) se aliar com a escória da sociedade (os narcotraficantes) pra perseguir uma outra minoria religiosa (os umbandistas e os candomblecistas)? Como pode uma escória se achar "ungida" e taxar de satânica fiéis e sacerdotes de outras religiões minoritárias e persegui-los impunemente com extrema violência? Cadê os líderes evangélicos repudiando essas ações? É isso mesmo?

É de senso comum, mesmo entre os mais intelectualizados, que este fundamentalismo religioso, ou mesmo o neofascismo corrente na atualidade, brotariam e seriam manifestações reacionárias, pré-modernistas, antemodernistas. Contudo, ao contrário disso, ambos partem justamente de aspirações e manifestações pós-modernistas. Violando as regras que se justamente ditariam as manifestações em parâmetros modernos. A diferença entre o fundamentalismo clássico e esses neofundamentalistas se explica na mentalidade universal que se instalou na atual etapa senil do sociedade de tipo burguesa, no Capitalismo, na Pós-modernidade.

Vamos lá: no Brasil parece ser um fato corrente que a intolerância religiosa ativa parece ser a prática corrente de boa parte das lideranças protestantes evangélicas (pentecostais e neopentecostais) e seus seguidores fanatizados. Difere do retrospecto histórico, que a intolerância brota em geral de um religião majoritária (os evangélicos são apenas 20%), e logo assim, no Brasil, teria partir do Catolicismo romano, que ainda é maior religião no país, coisa que centralmente não ocorre.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A Nova Direita e os desafios à Esquerda

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita nº 27

por Almir Cezar Filho

Uma boa parte da vanguarda de esquerda e das organizações desse espectro político estão "espantados" com a erupção de uma nova direita avivada e não convencional, e ainda mais extrema. Negligenciaram simplesmente que a Pós-Modernidade não ataca apenas nas suas próprias fileiras. Como também os anos de direitização, neoliberalização e capitulação a lógica da sociedade burguesa em seu próprio lado da trincheira política não produziria um fenômeno no lado oposto.

Essa nova direita tem os mesmo pilares, e é fermentada pelas mesmas bases, do que muitos intelectuais atuais chamam de Pós-Modernidade. Se comportam correspondente, senão equivalentemente ou mesmo iguais a Esquerda Pós-Moderna - pelo menos naquilo que é criticada a respeito dela. Essa sociedade emerge, ou melhor, esse zeitgeist geral da sociedade atual , isto é, esse conjunto de valores gerais da sociedade, conforma-se no crepúsculo, na senilidade da ordem burguesa. Portanto, do ápice decadente do Capitalismo como sistema social.

Essa Direita é sim Nova, pois não se vinculada a Clássica e Neoclássica, e é Pós-Moderna, pois não se vincula aos valores da Modernidade. Por isso mesmo, essa Nova Direita, por um lado, rejeita a Direita clássica e lhe disputa o espaço político e intelectual, em muitos casos de maneira agressiva. E, por outro, age tão ou mais agressivo com as Esquerdas, identificando nelas um dos principais fatores da decadência da sociedade ocidental contemporânea.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Liberalismo e Modernidade: as revoluções intelectuais e políticas do séc. 18. Compondo uma bibliográfica alternativa

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita nº 26

por Almir Cezar Filho

Uma velha dica de roteirismo: se há problema no terceiro ato, volte ao primeiro ato.

Nos últimos 18 meses, em meio a muitas e muitas outras leituras, encarei o desafio de montar e ler um catálogo alternativo e crítico sobre a edificação do pensamento e da ordem social Moderna baseada no Liberalismo. Explorando as revoluções intelectuais e políticas do séc. 18 em base a um bibliografia alternativa.

O desafio surgiu, à medida que, eu ficara instigado com o destaque que ganhara na conjuntura uma nova direita, avivada, com pautas distintas daquela consagrada no século XX e com um forte viés liberista, mercadista, ultralibertariano, que colocam o neoliberalismo no "chinelo". Mas que contêm fortes críticas às liberdades individuais não econômicas e uma repúdio aos Direitos Humanos.

Sem a necessidade de reler as obras consagradas das escolas Austríaca, de Chicago/Monetarista, da Oferta e de Escolhas Racionais  - que as tinha lido, quando mesmo já as tinha em meu acervo pessoal. O objetivo não era analisar essa matriz em que essa Nova Direita se referência (se no todo, senão em parte, como seus próprios expoentes esbravejam), mas fazer uma correspondência crítica com o pensamento e Ordem liberal, especialmente com o momento em que ela era revolucionária - a segunda metade do século XVII, o XVIII e as primeiras décadas do século XIX.