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sexta-feira, 15 de março de 2024
quarta-feira, 30 de março de 2011
Debate 'As revoluções Sacodem o Mundo Árabe'
Debate “As revoluções Sacodem o Mundo Árabe”
Evento integrante da calourada da ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes-Livre, entidade estudantil nacional filiada à CSP Conlutas) na Universidade de Brasília
Participação de:
* Fábio Bosco – PSTU
* Fábio Félix – PSOL (CST)
* representante do PCB
Dia 05 de abril, terça-feira, às 18h30 no ANF6 - Campus Darci Ribeiro - UnB - Brasília
quinta-feira, 24 de março de 2011
Polêmica: 'Não dá para ser antiimperialista apoiando Kadafi'
Não dá para ser antiimperialista apoiando Kadafi
Parte da esquerda falsifica a realidade para apoiar o massacre do ditador líbio contra o povo
DIEGO CRUZ - da redação, Opinião Socialista e PSTU Online
• A onda de revoltas árabes que irrompeu na Tunísia e se espalhou pelo Norte da África, confrontando ditaduras de décadas, atraiu a atenção de toda a esquerda mundial. Seu ponto alto, o Egito, foi tema de controvérsias e debates, mas ninguém poderia negar a solidariedade à luta dos jovens e trabalhadores contra o regime de Mubarak.
Quando o levante chegou à vizinha Líbia, no entanto, essa história mudou. Para uma parte da esquerda e o chavismo, já não se tratava mais da luta de um povo contra uma ditadura opressiva, mas uma articulação das potências para derrubar um governo antiimperialista. A brutal contra-ofensiva de Kadafi contra os rebeldes e as ameaças de intervenção estrangeira parecem ter dado novo impulso a essa visão.
Na prática, esse setor se presta ao vergonhoso papel de atacar a mobilização popular na Líbia, apoiando e se solidarizando à ditadura Kadafi. No Brasil essas posições se expressam de forma mais clara através dos stalinistas PCB e PCdoB. O que dizem esses partidos sobre o que ocorre hoje na Líbia?
Interpretações
Editorial do portal Vermelho, órgão do PCdoB, de 12 de março, “O medo do espectro do anti-imperialismo”, relembra o passado nacionalista de Muammar Kadafi. “O coronel Muamar Kadafi, que governa a Líbia desde a deposição da monarquia, em 1969, lidera um regime que expulsou empresas estrangeiras (principalmente britânicas e norte-americanas), nacionalizou a economia e colocou o país numa rota de crescimento e bem-estar, por um lado, e de enfrentamento do imperialismo, por outro”, diz um trecho do texto.
Até aí é um fato. Em seguida, porém, o editorial afirma que “mesmo tendo chegado a acordos com os governos dos EUA e da Europa, há uma década, Kadafi nunca chegou a ser confiável para as grandes empresas multinacionais e para os mandatários do imperialismo”. O acordo da Líbia com o imperialismo a partir de 2002 é outro fato. Resta saber a razão de o ditador não ser “confiável” às grandes potências.
As multinacionais petroleiras certamente não compartilham dessa opinião. Nos últimos 10 anos Kadafi já deu demonstrações de ser plenamente confiável ao imperialismo, a ponto de os EUA e a Europa despejarem bilhões de dólares em investimentos na prospecção de gás e petróleo no país. Confiável a ponto de só a Itália comprar quase 1/3 da produção petrolífera da Líbia.
A partir de seu movimento de aproximação com o Ocidente, o ditador líbio escancarou seu país ao capital estrangeiro. Dos “Acordos do Deserto” assinado com o primeiro-ministro Tony Blair em 2004, aos negócios com o dirigente italiano Silvio Berlusconi, Kadafi tornou-se nos últimos anos o queridinho do imperialismo europeu na região. Destinava ao continente 80% do petróleo exportado. Só a petrolífera italiana Eni operava 13 campos de gás e petróleo na Líbia, tendo uma produção de mais de 300 mil barris diários.
Em contrapartida, Kadafi investia seus petrodólares no país. Chegou a ter 10% da Fiat e, em plena crise econômica, socorreu o maior banco italiano, o UniCredit, tornando-se o maior acionista da instituição, com mais de 7% de suas ações.
A nota política da direção do PCB vai mais longe e chega a justificar a guinada à direita do regime líbio após sua fase nacionalista. “Fatores como a queda da URSS enfraqueceriam, logo a seguir, a economia e a autonomia política da Líbia e, após a invasão do Iraque pelos EUA e seus aliados, em 2003, tentando, ao que tudo indica, evitar outra agressão à Líbia, Khadafi começou a fazer concessões políticas e econômicas ao imperialismo, abrindo a economia a bancos e empresas – com destaque para o setor petrolífero e as corporações italianas e inglesas”. Ou seja, para o PCB o ditador líbio abriu o país às multinacionais com medo de ser invadido pelos EUA.
Apesar de criticar a repressão contra o povo líbio, o PCB, assim como o PCdoB, acusa os manifestantes de serem financiados pela CIA. O editorial do Vermelho afirma que o levante é um complô orquestrado entre setores pró-imperialistas e outros saudosos da antiga monarquia, apresentando como “prova” disso as bandeiras erguidas pelos manifestantes, dos tempos do rei Idris, deposto por Kadafi. Outra evidência seria a luta armada, em contraste com as “legítimas” mobilizações de massas na Tunísia e no Egito, por exemplo.
Argumentos falaciosos
Os argumentos desfilados pelos stalinistas para justificarem seu apoio ao ditador Kadafi são tão frágeis quanto falaciosos. Vale lembrar que quem determinou a forma de guerra civil para a luta no país não foram os manifestantes, mas a própria ditadura. Kadafi não hesitou em reprimir violentamente as mobilizações e mandar bombardear a oposição. Se ainda existe luta hoje no país é porque a oposição pegou em armas para responder ao regime e pela deserção de grande parte do Exército líbio. Caso contrário, os rebeldes já teriam sido exterminados.
A bandeira hasteada pelos opositores tampouco reivindica a volta da monarquia. A bandeira com as faixas vermelha, negra e verde, com a meia lua e a estrela, é o símbolo da independência do país, conquistada em 1951. Ela foi substituída por Kadafi em 1977 pela bandeira totalmente verde, a cor do Islã. Os manifestantes também usam a antiga bandeira apenas com as faixas, sem a meia lua e a estrela, que representariam o clã do rei Idris.
Já a suposta manipulação dos manifestantes pelo imperialismo foi usada pelo ditador tunisiano Ben Ali e seu colega egípcio Hosni Mubarak. Quando se vêem acuados, os ditadores tratam de recorrer ao sentimento antiimperialista das massas árabes, acusando seus opositores de estarem aliados às potências ocidentais. De tão hipócrita, o discurso foi completamente desmoralizado, já que esses mesmos ditadores, de Ben Ali a Kadafi, estiveram ao lado do imperialismo até o fim.
Recentemente, o filho do ditador, Saif al Islam, chegou a declarar à imprensa internacional que a Líbia financiou a última campanha presidencial do atual mandatário francês, Nicolas Sarkozy. “Fomos nós que financiamos sua campanha. Temos todos os detalhes e estamos prontos para revelá-los”, disse à rede de TV Euronews. Ou seja, as ligações entre o regime da Líbia e o imperialismo europeu extrapolavam os investimentos e acordos para a exploração do país.
Por outro lado, no início da guerra civil, manifestações no centro da oposição, Bengasi, rechaçaram qualquer tipo de intervenção estrangeira. No que se transformou uma gafe internacional, soldados de elite britânicos, que estavam clandestinos na Líbia, foram detidos pelos rebeldes e expulsos do país. Só quando a oposição começou a ser esmagada pelas milícias de Kadafi é que um setor da oposição reivindicou a imposição de uma zona de exclusão aérea.
Os combatentes rebeldes, por outro lado, estão longe de serem os mercenários armados e financiados pelo imperialismo que afirmam a esquerda pró-Kadafi. São antes jovens e trabalhadores que, de forma heróica, se armam improvisadamente com facas e, se muito, com velhos fuzis kalashnikov, contra pesada e moderna artilharia do ditador.
O discurso do tirano nos auges dos protestos contra seu governo tentava justamente convencer os EUA da conveniência de se manter no poder. Kadafi tentou se mostrar como um porto seguro contra o avanço da Al Qaeda e até contra a imigração africana para a Europa.
Imperialismo e a esquerda
Se a oposição ao ditador líbio não é pró-imperialista como acusa parte da esquerda, o que motivaria as ameaças de intervenção militar no país? Para os EUA e a Europa, parece inaceitável uma situação de instabilidade em uma região tão rica em petróleo. Mais inaceitável ainda a ascensão de um governo contrário à orientação pró-imperialista que a atual ditadura protagonizou nos últimos 10 anos.
Isso significa que os EUA e as potências europeias vão fazer o que o governo Obama fez no Egito, ou seja, tentar articular uma transição a um governo confiável aos seus interesses. As últimas movimentações mostram que, para isso, todas as cartas estão colocadas sobre a mesa, inclusive a intervenção militar.
A esquerda de conjunto tem como obrigação se opor com todas as forças a qualquer intervenção imperialista na Líbia. Mas isso não é possível apoiando um ditador sanguinário, sustentado até o último momento pelos mesmos países que agora ameaçam intervir, como faz parte da esquerda utilizando como pretexto falsificações típicas do stalinismo. Setores que, na prática, apóiam o brutal massacre de Kadafi, que no mundo árabe só tem paralelo à política genocida de Israel contra os palestinos.
Nos próximos dias o representante máximo do imperialismo, Barack Obama, estará no Brasil. O PSTU vai aproveitar a ocasião para exigir que o imperialismo tire as mãos da Líbia, ao mesmo tempo em que prestará total solidariedade ao povo árabe que se levanta contra a ditadura Kadafi. Trabalhadores e jovens que enfrentam de peito aberto o ditador que tem a seu lado as milícias paramilitares, os mercenários estrangeiros e, lamentavelmente, até mesmo parte da esquerda.
Parte da esquerda falsifica a realidade para apoiar o massacre do ditador líbio contra o povo
DIEGO CRUZ - da redação, Opinião Socialista e PSTU Online
• A onda de revoltas árabes que irrompeu na Tunísia e se espalhou pelo Norte da África, confrontando ditaduras de décadas, atraiu a atenção de toda a esquerda mundial. Seu ponto alto, o Egito, foi tema de controvérsias e debates, mas ninguém poderia negar a solidariedade à luta dos jovens e trabalhadores contra o regime de Mubarak.
Quando o levante chegou à vizinha Líbia, no entanto, essa história mudou. Para uma parte da esquerda e o chavismo, já não se tratava mais da luta de um povo contra uma ditadura opressiva, mas uma articulação das potências para derrubar um governo antiimperialista. A brutal contra-ofensiva de Kadafi contra os rebeldes e as ameaças de intervenção estrangeira parecem ter dado novo impulso a essa visão.
Na prática, esse setor se presta ao vergonhoso papel de atacar a mobilização popular na Líbia, apoiando e se solidarizando à ditadura Kadafi. No Brasil essas posições se expressam de forma mais clara através dos stalinistas PCB e PCdoB. O que dizem esses partidos sobre o que ocorre hoje na Líbia?
Interpretações
Editorial do portal Vermelho, órgão do PCdoB, de 12 de março, “O medo do espectro do anti-imperialismo”, relembra o passado nacionalista de Muammar Kadafi. “O coronel Muamar Kadafi, que governa a Líbia desde a deposição da monarquia, em 1969, lidera um regime que expulsou empresas estrangeiras (principalmente britânicas e norte-americanas), nacionalizou a economia e colocou o país numa rota de crescimento e bem-estar, por um lado, e de enfrentamento do imperialismo, por outro”, diz um trecho do texto.
Até aí é um fato. Em seguida, porém, o editorial afirma que “mesmo tendo chegado a acordos com os governos dos EUA e da Europa, há uma década, Kadafi nunca chegou a ser confiável para as grandes empresas multinacionais e para os mandatários do imperialismo”. O acordo da Líbia com o imperialismo a partir de 2002 é outro fato. Resta saber a razão de o ditador não ser “confiável” às grandes potências.
As multinacionais petroleiras certamente não compartilham dessa opinião. Nos últimos 10 anos Kadafi já deu demonstrações de ser plenamente confiável ao imperialismo, a ponto de os EUA e a Europa despejarem bilhões de dólares em investimentos na prospecção de gás e petróleo no país. Confiável a ponto de só a Itália comprar quase 1/3 da produção petrolífera da Líbia.
A partir de seu movimento de aproximação com o Ocidente, o ditador líbio escancarou seu país ao capital estrangeiro. Dos “Acordos do Deserto” assinado com o primeiro-ministro Tony Blair em 2004, aos negócios com o dirigente italiano Silvio Berlusconi, Kadafi tornou-se nos últimos anos o queridinho do imperialismo europeu na região. Destinava ao continente 80% do petróleo exportado. Só a petrolífera italiana Eni operava 13 campos de gás e petróleo na Líbia, tendo uma produção de mais de 300 mil barris diários.
Em contrapartida, Kadafi investia seus petrodólares no país. Chegou a ter 10% da Fiat e, em plena crise econômica, socorreu o maior banco italiano, o UniCredit, tornando-se o maior acionista da instituição, com mais de 7% de suas ações.
A nota política da direção do PCB vai mais longe e chega a justificar a guinada à direita do regime líbio após sua fase nacionalista. “Fatores como a queda da URSS enfraqueceriam, logo a seguir, a economia e a autonomia política da Líbia e, após a invasão do Iraque pelos EUA e seus aliados, em 2003, tentando, ao que tudo indica, evitar outra agressão à Líbia, Khadafi começou a fazer concessões políticas e econômicas ao imperialismo, abrindo a economia a bancos e empresas – com destaque para o setor petrolífero e as corporações italianas e inglesas”. Ou seja, para o PCB o ditador líbio abriu o país às multinacionais com medo de ser invadido pelos EUA.
Apesar de criticar a repressão contra o povo líbio, o PCB, assim como o PCdoB, acusa os manifestantes de serem financiados pela CIA. O editorial do Vermelho afirma que o levante é um complô orquestrado entre setores pró-imperialistas e outros saudosos da antiga monarquia, apresentando como “prova” disso as bandeiras erguidas pelos manifestantes, dos tempos do rei Idris, deposto por Kadafi. Outra evidência seria a luta armada, em contraste com as “legítimas” mobilizações de massas na Tunísia e no Egito, por exemplo.
Argumentos falaciosos
Os argumentos desfilados pelos stalinistas para justificarem seu apoio ao ditador Kadafi são tão frágeis quanto falaciosos. Vale lembrar que quem determinou a forma de guerra civil para a luta no país não foram os manifestantes, mas a própria ditadura. Kadafi não hesitou em reprimir violentamente as mobilizações e mandar bombardear a oposição. Se ainda existe luta hoje no país é porque a oposição pegou em armas para responder ao regime e pela deserção de grande parte do Exército líbio. Caso contrário, os rebeldes já teriam sido exterminados.
A bandeira hasteada pelos opositores tampouco reivindica a volta da monarquia. A bandeira com as faixas vermelha, negra e verde, com a meia lua e a estrela, é o símbolo da independência do país, conquistada em 1951. Ela foi substituída por Kadafi em 1977 pela bandeira totalmente verde, a cor do Islã. Os manifestantes também usam a antiga bandeira apenas com as faixas, sem a meia lua e a estrela, que representariam o clã do rei Idris.
Já a suposta manipulação dos manifestantes pelo imperialismo foi usada pelo ditador tunisiano Ben Ali e seu colega egípcio Hosni Mubarak. Quando se vêem acuados, os ditadores tratam de recorrer ao sentimento antiimperialista das massas árabes, acusando seus opositores de estarem aliados às potências ocidentais. De tão hipócrita, o discurso foi completamente desmoralizado, já que esses mesmos ditadores, de Ben Ali a Kadafi, estiveram ao lado do imperialismo até o fim.
Recentemente, o filho do ditador, Saif al Islam, chegou a declarar à imprensa internacional que a Líbia financiou a última campanha presidencial do atual mandatário francês, Nicolas Sarkozy. “Fomos nós que financiamos sua campanha. Temos todos os detalhes e estamos prontos para revelá-los”, disse à rede de TV Euronews. Ou seja, as ligações entre o regime da Líbia e o imperialismo europeu extrapolavam os investimentos e acordos para a exploração do país.
Por outro lado, no início da guerra civil, manifestações no centro da oposição, Bengasi, rechaçaram qualquer tipo de intervenção estrangeira. No que se transformou uma gafe internacional, soldados de elite britânicos, que estavam clandestinos na Líbia, foram detidos pelos rebeldes e expulsos do país. Só quando a oposição começou a ser esmagada pelas milícias de Kadafi é que um setor da oposição reivindicou a imposição de uma zona de exclusão aérea.
Os combatentes rebeldes, por outro lado, estão longe de serem os mercenários armados e financiados pelo imperialismo que afirmam a esquerda pró-Kadafi. São antes jovens e trabalhadores que, de forma heróica, se armam improvisadamente com facas e, se muito, com velhos fuzis kalashnikov, contra pesada e moderna artilharia do ditador.
O discurso do tirano nos auges dos protestos contra seu governo tentava justamente convencer os EUA da conveniência de se manter no poder. Kadafi tentou se mostrar como um porto seguro contra o avanço da Al Qaeda e até contra a imigração africana para a Europa.
Imperialismo e a esquerda
Se a oposição ao ditador líbio não é pró-imperialista como acusa parte da esquerda, o que motivaria as ameaças de intervenção militar no país? Para os EUA e a Europa, parece inaceitável uma situação de instabilidade em uma região tão rica em petróleo. Mais inaceitável ainda a ascensão de um governo contrário à orientação pró-imperialista que a atual ditadura protagonizou nos últimos 10 anos.
Isso significa que os EUA e as potências europeias vão fazer o que o governo Obama fez no Egito, ou seja, tentar articular uma transição a um governo confiável aos seus interesses. As últimas movimentações mostram que, para isso, todas as cartas estão colocadas sobre a mesa, inclusive a intervenção militar.
A esquerda de conjunto tem como obrigação se opor com todas as forças a qualquer intervenção imperialista na Líbia. Mas isso não é possível apoiando um ditador sanguinário, sustentado até o último momento pelos mesmos países que agora ameaçam intervir, como faz parte da esquerda utilizando como pretexto falsificações típicas do stalinismo. Setores que, na prática, apóiam o brutal massacre de Kadafi, que no mundo árabe só tem paralelo à política genocida de Israel contra os palestinos.
Nos próximos dias o representante máximo do imperialismo, Barack Obama, estará no Brasil. O PSTU vai aproveitar a ocasião para exigir que o imperialismo tire as mãos da Líbia, ao mesmo tempo em que prestará total solidariedade ao povo árabe que se levanta contra a ditadura Kadafi. Trabalhadores e jovens que enfrentam de peito aberto o ditador que tem a seu lado as milícias paramilitares, os mercenários estrangeiros e, lamentavelmente, até mesmo parte da esquerda.
quarta-feira, 23 de março de 2011
'A Líbia e a esquerda', por Immanuel Wallerstein
A Líbia e a esquerda*
Por Immanuel Wallerstein
Exite tanta hipocrisia e tanta análise confusa sobre o que está acontecendo na Líbia que é difícil saber por onde começar. O aspecto mais negligenciado da situação é a grande divisão da esquerda mundial. Muitos Estados governados pela esquerda na América Latina, principalmente a Venezuela, apoiam decididamente o Coronel Gaddafi. Mas movimentos e personalidades da esquerda no Oriente Médio, Ásia, África, Europa e América do Norte, definitivamente não concordam.
A análise de Hugo Chávez parece focada principalmente – ou apenas – no fato de que os Estados Unidos e a Europa Ocidental têm ameaçado e condenado o regime de Gaddafi. Gaddafi, Chávez, e alguns outros insistem em que o mundo ocidental quer invadir a Líbia e “roubar” seu petróleo. Toda esta análise esquece completamente os fatos, e repercute mal no julgamento de Chávez e em sua reputação junto ao resto da esquerda mundial.
Primeiro, desde a última década e até há algumas semanas, Gaddafi tinha ótima imagem na mídia ocidental. Ele tentava provar, a cada dia, que não apoiava o “terrorismo” e que queria estar completamente integrado ao mainstream geopolítico e econômico. A Líbia e o mundo ocidental estavam firmando um acordo lucrativo após o outro. É difícil para mim ver Gaddafi como um herói do movimento anti-imperialista mundial, pelo menos na última década.
O segundo ponto esquecido pela análise de Hugo Chávez é que não haverá um envolvimento militar significativo do Ocidente na Líbia. As declarações oficiais são blablablá para impressionar a opinião pública doméstica. Não haverá uma resolução do Conselho de Segurança1, pois a Rússia e a China não irão concordar. Não haverá uma decisão do NATO, porque a Alemanha e alguns outros países não aceitarão. Até mesmo a posição anti-Gaddafi de Sarkozy encontra resistência na França.
E, além disso tudo, a oposição nos Estados Unidos à ação militar vem tanto do público quanto, mais importante, dos militares. O secretário da Defesa, Robert Gates, e o presidente do Estado-Maior Conjunto, almirante Mullen, são publicamente contrários à instituição de uma zona anti-aérea. De fato, Gates foi além. Em 25 de fevereiro, ele dirigiu-se a cadetes à Academia Militar de West Point, dizendo-lhes: “na minha opinião, seria preciso examinar a sanidade de qualquer futuro secretário de Defesa que aconselhe o presidente a enviar de novo uma grande parte do exército americano para a Ásia, o Oriente Médio ou a África.”
Para ressaltar essa visão dos militares, o general aposentado Wesley Clark, antigo comandante das forças da NATO, escreveu um artigo para o Washington Post em 11 de março, com a manchete, “Líbia não cumpre os requisitos para ação militar dos EUA.”. Então, apesar do apelo dos falcões para um envolvimento norte-americano, o presidente Obama irá resistir.
O problema, portanto, não gira em torno uma eventual intervenção militar do Ocidente. São, sim, os esforços de Gaddafi para suprimir toda a oposição, na forma mais brutal de repressão usada contra a segunda revolta árabe. A Líbia está agitada com o êxito das insurreições na Tunísia e Egito. E se houver qualquer conspiração, é entre Gaddafi e o Ocidente – para diminuir, ou quase anular, o vendaval popular. À medida em que Gaddafi obtém sucesso, ele sugere a todos os outros déspotas ameaçados da região que a repressão violenta é um caminho melhor que as concessões.
É isso que a esquerda do resto do mundo vê, ao contrário de alguns governos da América Latina. Como aponta Samir Amin em sua análise da revolta egípcia, existiam quatro grupos distintos entre os manifestantes – os jovens, a esquerda radical, os democratas da classe média e os muçulmanos. A esquerda radical é composta por partidos de esquerda reprimidos e movimentos sindicais revitalizados. Não há dúvida de que a esquerda radical líbia é muito menor; e que o exército nacional é muito mais fraco (devido à política cautelosa de Gaddafi). Lá, o resultado do processo é, portanto, muito incerto.
Os líderes da Liga Árabe podem condenar Gaddafi publicamente. Mas muitos, e até mesmo a maior parte, deve aplaudi-lo em privado – e copiá-lo. Esta constatação pode ser útil para esclarecer a esquerda mundial.
Helena Sheeham, uma ativista irlandesa marxista, muito conhecida na África por seu trabalho solidário com muitos movimentos radicais, foi convidada pelo regime de Gaddafi para palestrar na universidade líbia. Ela chegou assim que o tumulto eclodiu. As conferências na universidade foram canceladas. Ela foi simplesmente deixada por seus anfitriões, e teve que descobrir sozinha como sair do país. Escreveu um diário no qual, em seu último dia no país, 8 de março, ela registra: “qualquer ambivalência sobre aquele regime se acabou. É brutal, corrupto, enganoso, ilusório”.
Também podemos observar a declaração da maior federação sindical da África do Sul e voz da esquerda, a Cosatu. Após louvar as realizações sociais do regime líbio, a Cosatu afirma: ”não aceitamos de modo algum, porém, que essas realizações sirvam como pretexto para a selvageria contra aqueles que protestam contra a ditadura opressiva do coronel Gaddafi e reafirmamos nosso apoio à democracia e aos direitos humanos na Líbia e em todo o continente.”
Vamos manter o foco. Hoje, a luta fundamental, no mundo inteiro é a segunda revolta árabe. Já será difícil o bastante obter um resultado radical nessa luta. Gaddafi é um grande obstáculo para a esquerda árabe, e também do resto do mundo. Talvez devêssemos nos lembrar da máxima de Simone de Beauvoir: “querer libertar-se significa querer também a liberdade dos outros”.
–
* Tradução: Daniela Frabasile O texto de Wallerstein foi publicado em 15 de março, quando a posição dos Estados Unidos, então contrária a uma intervenção na Líbia, prevalecia, como é de praxe, no Conselho de Segurança da ONU. Naquele momento, contudo, já estava em curso uma mudança, liderada pela secretária de Estado Hillary Clinton e parcialmente descrita em reportagem do New York Times.
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sábado, 19 de março de 2011
Uma revolução em pleno coração da América: ' A batalha de Wisconsin'
Um importantíssimo processo político e social vem acontecendo nos EUA mas é negligenciado pela grande mídia, em meio primeiro as revoluções árabes e agora com a catástrofe no Japão. Há algumas semanas trabalhadores e trabalhadoras do setor público mantêm ocupado o Capitólio (legislatura) do estado de Wisconsin, no noroeste dos EUA. A medida, no âmbito de uma greve geral dos professores e acompanhado por manifestações multitudinárias em Madison (capital), ganhou apoio de estudantes que apóiam seus professores, de trabalhadores da construção civil, metalúrgicos e da população em geral.
Os trabalhadores se mobilizam contra a lei impulsionada pelo governador republicano Scott Walker que, além de cortar os salários (já congelados por uma medida anunciada por Obama em novembro de 2010), atenta diretamente contra os sindicatos, eliminando seu direito de negociar coletivamente. A desculpa é a mesma usada no Brasil para atacar os servidores públicos e aplicar cortes no orçamento: o déficit público.
A medida reacionária do governador Walker se apóia em uma realidade de desemprego e pobreza, onde os trabalhadores do setor privado vêm sendo duramente golpeados. Com o argumento direitista de que “os trabalhadores públicos recebem bons salários e possuem muitos benefícios” tentam dividir a as fileiras da classe trabalhadora. Buscam com isso uma base social reacionária para aplicar os planos de ataques, que apenas atingem a classe trabalhadora e o povo, com baixos salários, cortes orçamentários na saúde e educação e pobreza. Na verdade, a burguesia dos EUA pretende transferir suas perdas com a crise econômica iniciada em 2008 para os trabalhadores. Os estados e o governo federal estão em situação financeira ainda mais difícial após socorro aos bancos e empresas, e agora atacam ainda mais os trabalhadores e os usuários do serviço público.
Esta batalha política, que começou em Wisconsin e ameaça se estender à outros estados, como já sucede em Ohio e Indiana, tem colocado em movimento muitos atores no cenário político. A mobilização em Wisconsin mostra potencialmente a entrada dos trabalhadores em defesa dos seus direitos.
Cenas quase inimagináveis ocorreram nas semanas que passaram em Madison, capital do estado americano de Wisconsin.
Milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra um projeto do governador e apoiar os sindicatos. Isso em um país em que a sindicalização e o poder dos sindicatos diminuem há olhos vistos há décadas. Dessa vez, porém, o ataque parece ter sido grande demais e muita gente se dispôs a agir, juntando-se a manifestações em frente ao Parlamento estadual.
O governador Scott Walker, republicano eleito em novembro, apresentou projeto para equilibrar o orçamento que prevê o corte de benefícios aos funcionários públicos e um ponto ainda mais polêmico, limites à negociação coletiva para o funcionalismo público. Na prática, trata-se de tirar dos sindicatos sua principal arma na batalha por melhores condições de trabalho. Desde meados de fevereiro, manifestantes protestam contra o projeto – que foi aprovado na Câmara dos Deputados – e os senadores democratas, minoria no Senado, deixaram o estado para impedir quorum para votar a matéria. Na última quarta-feira, os republicanos adotaram uma manobra que possibilitou a votação e a aprovação do projeto, sem debate e com 14 senadores ausentes.
Os sindicatos haviam concordado em aumentar a percentagem que os funcionários públicos contribuem para suas pensões e assistência médica e apontam que o projeto, mais do que equilibrar o orçamento, tem como objetivo neutralizar os sindicatos em Wisconsin, um estado com fortes raízes trabalhistas. Em vários estados americanos, os funcionários públicos não contam com a possibilidade de negociar coletivamente e, diante dos crescentes déficits orçamentários estaduais, vários outros estudam seguir o caminho de Wisconsin.
O elemento mais surpreendente em Wisconsin, entretanto, foi a disposição de muita gente de deixar o conforto do lar e enfrentar o frio para protestar sobre uma questão política. Analistas acreditam que os protestos de Madison podem ser o embrião da reação Democrata depois da vitória dos republicanos – com ajuda do chamado Tea Party, um movimento conservador que defende o corte de gastos públicos e menor taxação – nas últimas eleições.
Alguns esperam que Madison seja um “tipping point” para a mobilização política nos EUA, assim como os acontecimentos na Tunísia detonaram eventos em vários outros países do Oriente Médio. “Esses protestos talvez sejam o primeiro sinal de que o aprofundamento da crise econômica de 2008 pode empurrar muitos americanos para um tipo de política do protesto ausente deste país desde os anos 1930”, escreveu o socialista Billy Wharton.
Tal esperança talvez seja um tanto demasiada. Mas parte do movimento ambientalista acredita que é preciso aproveitar o momento. Os chefes de três importantes organizações – 350.org, Greenpeace e Rainforest Alliance – reforçaram nos últimos dias sua chamada à ação em defesa da justiça climática. “Do emocionante advento do movimento pela liberdade no Norte da África e no Oriente Médio à surpreendente defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores em Wisconsin, estamos vendo a força e a efetividade que as pessoas comuns podem ter quando se juntam”, escreveram.
Bill McKibben, da 350.org, diz que é preciso comunicar a urgência da situação diante das mudanças climáticas. “Uma das maneiras com que fazemos isso nesse país é com ação das massas e desobediência civil. É difícil e pode causar problemas, mas é algo que precisa ser parte do que fazemos”. A utilidade da ação em massa e de atos de desobediência civil, segundo ele, é relembrar as pessoas sobre quem são os radicais nessa história. “Os radicais não são as pessoas tentando fechar usinas a carvão nos EUA, os radicais são as pessoas dispostas a duplicar a quantidade de carbono na atmosfera e ver o que acontece”.
Os trabalhadores se mobilizam contra a lei impulsionada pelo governador republicano Scott Walker que, além de cortar os salários (já congelados por uma medida anunciada por Obama em novembro de 2010), atenta diretamente contra os sindicatos, eliminando seu direito de negociar coletivamente. A desculpa é a mesma usada no Brasil para atacar os servidores públicos e aplicar cortes no orçamento: o déficit público.
A medida reacionária do governador Walker se apóia em uma realidade de desemprego e pobreza, onde os trabalhadores do setor privado vêm sendo duramente golpeados. Com o argumento direitista de que “os trabalhadores públicos recebem bons salários e possuem muitos benefícios” tentam dividir a as fileiras da classe trabalhadora. Buscam com isso uma base social reacionária para aplicar os planos de ataques, que apenas atingem a classe trabalhadora e o povo, com baixos salários, cortes orçamentários na saúde e educação e pobreza. Na verdade, a burguesia dos EUA pretende transferir suas perdas com a crise econômica iniciada em 2008 para os trabalhadores. Os estados e o governo federal estão em situação financeira ainda mais difícial após socorro aos bancos e empresas, e agora atacam ainda mais os trabalhadores e os usuários do serviço público.
Esta batalha política, que começou em Wisconsin e ameaça se estender à outros estados, como já sucede em Ohio e Indiana, tem colocado em movimento muitos atores no cenário político. A mobilização em Wisconsin mostra potencialmente a entrada dos trabalhadores em defesa dos seus direitos.
Chamada à ação
por Flavia Pardini # em De lá pra cá
| Foto de John Michlig via Flickr |
Milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra um projeto do governador e apoiar os sindicatos. Isso em um país em que a sindicalização e o poder dos sindicatos diminuem há olhos vistos há décadas. Dessa vez, porém, o ataque parece ter sido grande demais e muita gente se dispôs a agir, juntando-se a manifestações em frente ao Parlamento estadual.
O governador Scott Walker, republicano eleito em novembro, apresentou projeto para equilibrar o orçamento que prevê o corte de benefícios aos funcionários públicos e um ponto ainda mais polêmico, limites à negociação coletiva para o funcionalismo público. Na prática, trata-se de tirar dos sindicatos sua principal arma na batalha por melhores condições de trabalho. Desde meados de fevereiro, manifestantes protestam contra o projeto – que foi aprovado na Câmara dos Deputados – e os senadores democratas, minoria no Senado, deixaram o estado para impedir quorum para votar a matéria. Na última quarta-feira, os republicanos adotaram uma manobra que possibilitou a votação e a aprovação do projeto, sem debate e com 14 senadores ausentes.
Os sindicatos haviam concordado em aumentar a percentagem que os funcionários públicos contribuem para suas pensões e assistência médica e apontam que o projeto, mais do que equilibrar o orçamento, tem como objetivo neutralizar os sindicatos em Wisconsin, um estado com fortes raízes trabalhistas. Em vários estados americanos, os funcionários públicos não contam com a possibilidade de negociar coletivamente e, diante dos crescentes déficits orçamentários estaduais, vários outros estudam seguir o caminho de Wisconsin.
O elemento mais surpreendente em Wisconsin, entretanto, foi a disposição de muita gente de deixar o conforto do lar e enfrentar o frio para protestar sobre uma questão política. Analistas acreditam que os protestos de Madison podem ser o embrião da reação Democrata depois da vitória dos republicanos – com ajuda do chamado Tea Party, um movimento conservador que defende o corte de gastos públicos e menor taxação – nas últimas eleições.
Alguns esperam que Madison seja um “tipping point” para a mobilização política nos EUA, assim como os acontecimentos na Tunísia detonaram eventos em vários outros países do Oriente Médio. “Esses protestos talvez sejam o primeiro sinal de que o aprofundamento da crise econômica de 2008 pode empurrar muitos americanos para um tipo de política do protesto ausente deste país desde os anos 1930”, escreveu o socialista Billy Wharton.
Tal esperança talvez seja um tanto demasiada. Mas parte do movimento ambientalista acredita que é preciso aproveitar o momento. Os chefes de três importantes organizações – 350.org, Greenpeace e Rainforest Alliance – reforçaram nos últimos dias sua chamada à ação em defesa da justiça climática. “Do emocionante advento do movimento pela liberdade no Norte da África e no Oriente Médio à surpreendente defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores em Wisconsin, estamos vendo a força e a efetividade que as pessoas comuns podem ter quando se juntam”, escreveram.
Bill McKibben, da 350.org, diz que é preciso comunicar a urgência da situação diante das mudanças climáticas. “Uma das maneiras com que fazemos isso nesse país é com ação das massas e desobediência civil. É difícil e pode causar problemas, mas é algo que precisa ser parte do que fazemos”. A utilidade da ação em massa e de atos de desobediência civil, segundo ele, é relembrar as pessoas sobre quem são os radicais nessa história. “Os radicais não são as pessoas tentando fechar usinas a carvão nos EUA, os radicais são as pessoas dispostas a duplicar a quantidade de carbono na atmosfera e ver o que acontece”.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Manifestantes na Líbia rejeitam intervenção militar estrangeira
"Esta é uma revolução totalmente popular", diz blogueiro de Tripoli, rechaçando uma invasão militar do imperialismo.
Manifestantes na Líbia rejeitam intervenção militar estrangeira


• Apesar da brutalidade da repressão do ditador líbio Muammar Kadafi, os manifestantes rejeitam a intervenção dos EUA no país, possibilidade que vem sendo aventada após a resolução do Conselho de Segurança da ONU do último final de semana.
Em Bengasi, centro da oposição ao ditador e a segunda maior cidade do país, uma faixa estampava a frase na principal praça: “Não à intervenção estrangeira, o povo líbio pode gerir isso sozinho”, junto a uma manifestante com a bandeira líbia da era anterior a Kadafi. O correspondente do Estadão na região, Lourival Santana relata que “os rebeldes não querem e acham que não precisam de tropas estrangeiras; dizem que no terreno são superiores às forças leais ao regime” .
Segundo um blogueiro líbio que escreve da capital Trípoli ao jornal britânico Guardian, com o pseudônimo de Mohammed: “Uma coisa parece ter unido todos os líbios: qualquer intervenção militar por terra, por qualquer força estrangeira, desencadearia lutas muito mais duras que os mercenários”. Em seguida o blogueiro também rechaça um ataque aéreo. “Esta é uma revolução totalmente popular, nosso combustível tem o sido o sangue do povo líbio” .
Após atacar a hipocrisia dos países imperialistas, que ignoraram a ditadura e a opressão do povo líbio por décadas, Mohammed pede aos países Ocidentais: “não tornem uma revolução popular pura em uma maldição que cairá sobre todos” .
Sanções
Após o Conselho de Segurança da ONU determinar no dia 27 de fevereiro uma série de sanções à Líbia e o início de um processo de investigação sobre os crimes de guerra cometidos no país, os EUA anunciaram a aproximação de forças militares no país, através de sua Marinha. Dois navios de guerra com centenas de marinheiros estão estacionados no mar Mediterrâneo e preparados para uma eventual intervenção.
Ao mesmo tempo, o país aventa a possibilidade de decretar um “espaço de exclusão aéreo”, que na prática significaria a invasão do país por ar e o bombardeio de posições de forças pró-Kadafi.
O povo líbio e os setores dissidentes do Exército, porém, mostram a força da revolução contra Kadafi. Do Leste, a oposição foi avançando sobre a capital e hoje o ditador se vê encurralado em Trípoli. Segundo a imprensa internacional o povo e, principalmente os jovens, estão tendo treinamento militar em Bengasi para o enfrentamento final contra o ditador.

Civis têm treinamento militar em Bengasi
Nenhuma confiança no Imperialismo
Desde o final dos anos 90, com a aproximação do ditador ao Ocidente e abertura do país às multinacionais, os EUA, assim como o imperialismo europeu, vinham estreitando suas relações com o regime de Kadafi.
Obama só foi condenar abertamente o ditador líbio quando já estava claro que a sua ditadura estava com os dias contados. A partir daí, os EUA vem tentando utilizar a mesma tática que implementam no Egito, ou seja, articular e tentar dirigir a transição no país, mantendo os seus interesses. Na Líbia isso é especialmente importante devido ao petróleo e o gás exportados a todo o planeta.
O povo líbio, porém, demonstra não depositar qualquer confiança no imperialismo e trata de enfrentar Kadafi com as próprias mãos.
Manifestantes na Líbia rejeitam intervenção militar estrangeira
| Da redação, Jornal Opinião Socialista, 1/3/2011 |
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| Faixa em praça de Bengasi | ||
• Apesar da brutalidade da repressão do ditador líbio Muammar Kadafi, os manifestantes rejeitam a intervenção dos EUA no país, possibilidade que vem sendo aventada após a resolução do Conselho de Segurança da ONU do último final de semana.
Em Bengasi, centro da oposição ao ditador e a segunda maior cidade do país, uma faixa estampava a frase na principal praça: “Não à intervenção estrangeira, o povo líbio pode gerir isso sozinho”, junto a uma manifestante com a bandeira líbia da era anterior a Kadafi. O correspondente do Estadão na região, Lourival Santana relata que “os rebeldes não querem e acham que não precisam de tropas estrangeiras; dizem que no terreno são superiores às forças leais ao regime” .
Segundo um blogueiro líbio que escreve da capital Trípoli ao jornal britânico Guardian, com o pseudônimo de Mohammed: “Uma coisa parece ter unido todos os líbios: qualquer intervenção militar por terra, por qualquer força estrangeira, desencadearia lutas muito mais duras que os mercenários”. Em seguida o blogueiro também rechaça um ataque aéreo. “Esta é uma revolução totalmente popular, nosso combustível tem o sido o sangue do povo líbio” .
Após atacar a hipocrisia dos países imperialistas, que ignoraram a ditadura e a opressão do povo líbio por décadas, Mohammed pede aos países Ocidentais: “não tornem uma revolução popular pura em uma maldição que cairá sobre todos” .
Sanções
Após o Conselho de Segurança da ONU determinar no dia 27 de fevereiro uma série de sanções à Líbia e o início de um processo de investigação sobre os crimes de guerra cometidos no país, os EUA anunciaram a aproximação de forças militares no país, através de sua Marinha. Dois navios de guerra com centenas de marinheiros estão estacionados no mar Mediterrâneo e preparados para uma eventual intervenção.
Ao mesmo tempo, o país aventa a possibilidade de decretar um “espaço de exclusão aéreo”, que na prática significaria a invasão do país por ar e o bombardeio de posições de forças pró-Kadafi.
O povo líbio e os setores dissidentes do Exército, porém, mostram a força da revolução contra Kadafi. Do Leste, a oposição foi avançando sobre a capital e hoje o ditador se vê encurralado em Trípoli. Segundo a imprensa internacional o povo e, principalmente os jovens, estão tendo treinamento militar em Bengasi para o enfrentamento final contra o ditador.
Civis têm treinamento militar em Bengasi
Nenhuma confiança no Imperialismo
Desde o final dos anos 90, com a aproximação do ditador ao Ocidente e abertura do país às multinacionais, os EUA, assim como o imperialismo europeu, vinham estreitando suas relações com o regime de Kadafi.
Obama só foi condenar abertamente o ditador líbio quando já estava claro que a sua ditadura estava com os dias contados. A partir daí, os EUA vem tentando utilizar a mesma tática que implementam no Egito, ou seja, articular e tentar dirigir a transição no país, mantendo os seus interesses. Na Líbia isso é especialmente importante devido ao petróleo e o gás exportados a todo o planeta.
O povo líbio, porém, demonstra não depositar qualquer confiança no imperialismo e trata de enfrentar Kadafi com as próprias mãos.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Revolução Árabe: povos nas ruas contra os planos imperialistas exigem mudanças radicais
A tônica da Revolução Árabe: povos nas ruas contra os planos imperialistas exigem mudanças radicais
Explosões em cadeia da ira popular no Mundo Árabe
Monitor Mercantil, 28/02/2011
Beirute - Os países árabes, um após outro, parecem centelhas que incendeiam as manifestações populares contra os regimes e, embora cada país possua suas próprias características, existem consideráveis características comuns: explosivo desemprego (principalmente entre jovens), exploração capitalista da mão-de-obra, endêmica corrupção e total inexistência de liberdades democráticas, políticas e sindicais.
Os regimes destacam-se pelo ativo apoio e participação aos planos imperialistas na região, considerando que situam-se em posições geoestrategicamente importantes e pela política das reestruturações capitalistas que se seguiram, liquidando em massa a riqueza de seus povos, os quais, em ritmo lento ou rápido, mergulharam na pobreza.
A hipocrisia imperialista é superlativa em todas regiões do Grande Oriente Médio, quando os ex "bons aliados", como Ben Ali ou Hosny Mubarak, tornam-se indesejáveis, quando o povo já desceu às ruas e não reivindica mais, porque agora exige, mostrando que tem força para derrubar e que não existem "poderes seculares".
Diante da eventualidade de maior radicalização, imperialistas e classes sociais urbanas evoluem oferecendo concessões a fim de dirimirem o descontentamento popular. Buscam, ainda, "novas pessoas" para o poder como, por exemplo, El Baradei para o Egito, barganhando até com o poder islamita, enquanto, simultaneamente, o utilizam como fator medo.
Embora, os povos árabes possam conseguir algumas melhorias em seu cotidiano, em meio a estas sangrentas lutas, até que ponto a conclusão final desta explosão em cadeia conseguirá o melhor resultado possível para eles é, ainda, difícil de se prever, enquanto na maioria dos casos não existe, ou pelo menos não foi projetada até agora, aquela força política, os partidos com estratégias revolucionárias que poderão desempenhar o papel da vanguarda, desdenhando o poder dos monopólios.
A resumida apresentação analítica de cada país comprova o grau de dificuldades que os povos da região enfrentarão em busca da liberdade derrubando os tiranos domésticos, rejeitando a "exportação de Democracia" oferecida pelo ex ou atual colonizador.
Tunísia "competitiva"
Com sucessivas concessões, o governo de "transição" tenta "responder aos anseios", insistentemente manifestados pelo povo nas ruas com fortes manifestações e greves, destacando que não vê "em níveis de pessoas e sequer em nível de opções políticas e econômicas, a materialização das mudanças".
É óbvio que nada até agora terminou, apesar da econômica (e de um modo geral) ajuda que as potências imperialistas dos EUA, União Européia (UE), Grã-Bretanha e França concederam ao governo de "transição", enquanto elogiaram - sem pudor algum - "a coragem do povo tunisiano" (dos 219 mortos e 510 feridos vítimas das manifestações da ira popular) ao qual permaneceram indiferentes durante décadas, apoiando o regime de Ben Alí.
Na Tunísia, dos 10,383 milhões de habitantes, o desemprego de jovens abaixo dos 25 anos atinge 55%, enquanto o desemprego no total da população chega a 30%, "a economia mais competitiva da África", de acordo com relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e "o exemplo para ser imitado", de acordo com relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), onde os indicadores floresciam (crescimento de 4,8% após uma série de privatizações), em 17 de dezembro, o vendedor ambulante Mohammad Bouazizi, desesperado, auto-imolou-se, fazendo explodir uma onda de violentas manifestações e greves por "liberdade, pão, dignidade". A educação e saúde grátis, assim como as ajudas e subsídios, não foram capazes de equilibrar a impopular tormenta contra o "socialista" Ben Ali.
Líbia contra "guinada" capitalista de Kadafi
Monitor Mercantil, Serbin Argyrovitz, Sucursal do Grande Oriente Médio.
A centelha chegou também à Líbia, com sucessivas manifestações e choques armados entre o povo, a oposição e os mercenários contratados em países da África subsaariana. O povo líbio exige, além de liberdades democráticas e individuais, cumprimento dos compromissos assumidos pelo governo de Muamar Kadafi para execução de programas habitacionais e criação de postos de trabalho para combater o endêmico desemprego que já atingiu 21%.
A nova situação para os 6,42 milhões de líbios que compõem a população do país, embora distante da miserabilidade que predomina em outros países árabes, é devida à "guinada" do regime de Kadafi às reestruturações capitalistas e às boas relações com os países imperialistas.
Uma guinada que, ao que tudo indica, teria sido a troca para a abolição do bloqueio - imposto em 1988 após o atentado terrorista contra um avião de passageiros da Pan-American sobre a Escócia, com saldo de 270 mortos, cuja autoria foi atribuída aos serviços secretos líbios.
Já havia sido antecedido o bombardeio da cidade de Benghaze pela Força Aérea dos EUA, em 1986, com saldo de 45 soldados mortos e 15 civis, em represália contra o atentado a bomba na discoteca La Belle, em Berlim, com dois soldados norte-americanos mortos e a disputa pelas águas territoriais líbias, no golfo de Sidra.
O ato de renúncia das armas de destruição em massa e a entrega dos autores do atentado contra o avião da Pan-American resultaram em restabelecimento de relações diplomáticas com os EUA (2006), uma série de investimentos do capitalismo norte-americano, italiano, espanhol, francês, britânico, russo e japonês ao país (aplicados, basicamente, na exploração de petróleo e gás natural e no rearmamento) completados, como era de se esperar, por privatização de cerca de 100 empresas estatais.
Também a União Européia (UE) concedeu importantes ajudas financeiras, ano passado, em troca dos esforços da Líbia para conter a imigração ilegal de africanos à Europa.
O Kadafi assumiu o poder em 1969, com golpe de Estado que derrubou o rei Idris. O arcabouço do regime é composto por um Conselho Revolucionário de 12 membros vitalícios e 1.500 comissões populares, cujos membros compõe-se o Parlamento.
Explosões em cadeia da ira popular no Mundo Árabe
Monitor Mercantil, 28/02/2011
Beirute - Os países árabes, um após outro, parecem centelhas que incendeiam as manifestações populares contra os regimes e, embora cada país possua suas próprias características, existem consideráveis características comuns: explosivo desemprego (principalmente entre jovens), exploração capitalista da mão-de-obra, endêmica corrupção e total inexistência de liberdades democráticas, políticas e sindicais.
Os regimes destacam-se pelo ativo apoio e participação aos planos imperialistas na região, considerando que situam-se em posições geoestrategicamente importantes e pela política das reestruturações capitalistas que se seguiram, liquidando em massa a riqueza de seus povos, os quais, em ritmo lento ou rápido, mergulharam na pobreza.
A hipocrisia imperialista é superlativa em todas regiões do Grande Oriente Médio, quando os ex "bons aliados", como Ben Ali ou Hosny Mubarak, tornam-se indesejáveis, quando o povo já desceu às ruas e não reivindica mais, porque agora exige, mostrando que tem força para derrubar e que não existem "poderes seculares".
Diante da eventualidade de maior radicalização, imperialistas e classes sociais urbanas evoluem oferecendo concessões a fim de dirimirem o descontentamento popular. Buscam, ainda, "novas pessoas" para o poder como, por exemplo, El Baradei para o Egito, barganhando até com o poder islamita, enquanto, simultaneamente, o utilizam como fator medo.
Embora, os povos árabes possam conseguir algumas melhorias em seu cotidiano, em meio a estas sangrentas lutas, até que ponto a conclusão final desta explosão em cadeia conseguirá o melhor resultado possível para eles é, ainda, difícil de se prever, enquanto na maioria dos casos não existe, ou pelo menos não foi projetada até agora, aquela força política, os partidos com estratégias revolucionárias que poderão desempenhar o papel da vanguarda, desdenhando o poder dos monopólios.
A resumida apresentação analítica de cada país comprova o grau de dificuldades que os povos da região enfrentarão em busca da liberdade derrubando os tiranos domésticos, rejeitando a "exportação de Democracia" oferecida pelo ex ou atual colonizador.
Tunísia "competitiva"
Com sucessivas concessões, o governo de "transição" tenta "responder aos anseios", insistentemente manifestados pelo povo nas ruas com fortes manifestações e greves, destacando que não vê "em níveis de pessoas e sequer em nível de opções políticas e econômicas, a materialização das mudanças".
É óbvio que nada até agora terminou, apesar da econômica (e de um modo geral) ajuda que as potências imperialistas dos EUA, União Européia (UE), Grã-Bretanha e França concederam ao governo de "transição", enquanto elogiaram - sem pudor algum - "a coragem do povo tunisiano" (dos 219 mortos e 510 feridos vítimas das manifestações da ira popular) ao qual permaneceram indiferentes durante décadas, apoiando o regime de Ben Alí.
Na Tunísia, dos 10,383 milhões de habitantes, o desemprego de jovens abaixo dos 25 anos atinge 55%, enquanto o desemprego no total da população chega a 30%, "a economia mais competitiva da África", de acordo com relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e "o exemplo para ser imitado", de acordo com relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), onde os indicadores floresciam (crescimento de 4,8% após uma série de privatizações), em 17 de dezembro, o vendedor ambulante Mohammad Bouazizi, desesperado, auto-imolou-se, fazendo explodir uma onda de violentas manifestações e greves por "liberdade, pão, dignidade". A educação e saúde grátis, assim como as ajudas e subsídios, não foram capazes de equilibrar a impopular tormenta contra o "socialista" Ben Ali.
Líbia contra "guinada" capitalista de Kadafi
Monitor Mercantil, Serbin Argyrovitz, Sucursal do Grande Oriente Médio.
A centelha chegou também à Líbia, com sucessivas manifestações e choques armados entre o povo, a oposição e os mercenários contratados em países da África subsaariana. O povo líbio exige, além de liberdades democráticas e individuais, cumprimento dos compromissos assumidos pelo governo de Muamar Kadafi para execução de programas habitacionais e criação de postos de trabalho para combater o endêmico desemprego que já atingiu 21%.
A nova situação para os 6,42 milhões de líbios que compõem a população do país, embora distante da miserabilidade que predomina em outros países árabes, é devida à "guinada" do regime de Kadafi às reestruturações capitalistas e às boas relações com os países imperialistas.
Uma guinada que, ao que tudo indica, teria sido a troca para a abolição do bloqueio - imposto em 1988 após o atentado terrorista contra um avião de passageiros da Pan-American sobre a Escócia, com saldo de 270 mortos, cuja autoria foi atribuída aos serviços secretos líbios.
Já havia sido antecedido o bombardeio da cidade de Benghaze pela Força Aérea dos EUA, em 1986, com saldo de 45 soldados mortos e 15 civis, em represália contra o atentado a bomba na discoteca La Belle, em Berlim, com dois soldados norte-americanos mortos e a disputa pelas águas territoriais líbias, no golfo de Sidra.
O ato de renúncia das armas de destruição em massa e a entrega dos autores do atentado contra o avião da Pan-American resultaram em restabelecimento de relações diplomáticas com os EUA (2006), uma série de investimentos do capitalismo norte-americano, italiano, espanhol, francês, britânico, russo e japonês ao país (aplicados, basicamente, na exploração de petróleo e gás natural e no rearmamento) completados, como era de se esperar, por privatização de cerca de 100 empresas estatais.
Também a União Européia (UE) concedeu importantes ajudas financeiras, ano passado, em troca dos esforços da Líbia para conter a imigração ilegal de africanos à Europa.
O Kadafi assumiu o poder em 1969, com golpe de Estado que derrubou o rei Idris. O arcabouço do regime é composto por um Conselho Revolucionário de 12 membros vitalícios e 1.500 comissões populares, cujos membros compõe-se o Parlamento.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Revolta árabe se expande e ameaça interesses dos EUA na região
Revolta árabe se expande e ameaça interesses dos EUA na região

Revolução no Egito inspira onda de levantes nos países árabes; repressão não consegue conter as revoltas

• O furacão revolucionário que começou na Tunísia e virou o Egito de ponta cabeça, continua varrendo o Norte da África contra ditaduras que há décadas estão no poder. Inspirados pela revolução no Egito, as massas da Líbia, Bahrein, Iêmen, Marrocos e também do Irã estão indo às ruas, enfrentando ditaduras e monarquias.
Nos últimos dias, as massas da Líbia e do Bahrein iniciaram verdadeiros levantes contra os regimes opressores. A brutal repressão, longe de arrefecer os protestos, incendeia ainda mais os manifestantes que lutam por liberdades democráticas.
Khadafi lidera repressão na Líbia
Na Líbia, os protestos se chocam contra a ditadura de Muammar Khadafi. Nos últimos dias, milhares de pessoas protestam pela queda de seu primeiro-ministro, Baghdadi Mahmoudi e do próprio ditador que governa o país há 42 anos. Os protestos se concentram na capital Trípoli e na cidade portuária de Bhengazi, a segunda maior cidade do país, espalhando-se também para cidades como Al-Beyda e Zenta.
Nesse dia 17 milhares de pessoas foram às ruas no que chamara de “Dia da ira”. A repressão do regime foi brutal e haviam matado ao menos 24 pessoas até esse dia 18, segundo a ONG Human Rights Watch. Os protestos, no entanto, não cessam.
A revolta no país explodiu após a prisão do advogado e ativista Fethi Tarbel, que defendia presos políticos da prisão de Abu Salim, conhecida por abrigar presos políticos e palco de um massacre que assassinou mil pessoas em 1996. Os protestos contra a prisão do advogado evoluíram para grandes manifestações que enfrentam agora a ditadura.
Na tarde desse dia 18, forças de oposição, segundo a imprensa, declararam que a cidade de Al Beyida estava “nas mãos do povo”. Já a ditadura ameaçou que a repressão será “arrasadora” a quem se levantar contra o governo. O Exército ocupou a cidade de Benghazi e o governo proibiu reuniões.
Fica cada vez mais clara a posição de Khadafi ao prestar total apoio ao então ditador da Tunísia, Ben Ali, diante dos protestos que mais tarde derrubariam seu governo. O ditador líbio tinha claro que a sua vez estava próxima.

Manifestantes em Bahrein
EUA preocupado com o Bahrein
Outro país que enfrenta intensos protestos é o pequeno Bahrein, cujas manifestações pedem o fim da dinastia do rei Hamad Bin Issa al-Khalifa. Apesar de pequeno e pouco populoso (menos de um milhão de habitantes), o Bahrein é visto como um país estratégico por sua localização no Golfo pérsico, bem ao lado da Arábia Saudita, e por abrigar a 5ª Frota da Marinha norte-americana.
Até a noite desse dia 17, seis pessoas já haviam sido mortas a tiros pela polícia, na desocupação da Praça Pérola na capital Manama, que os manifestantes desejavam transformar em outra “Praça Tahrir”. Na manhã seguinte, o funeral das vítimas se tornou um grande ato contra a monarquia de Hamad. Na tarde do dia 18, segundo a imprensa internacional, o Exército abriu fogo contra a multidão que se dirigia à Praça Pérola e planejava retomar a praça.
A repressão, embora brutal, só intensifica os protestos e aprofunda as reivindicações. ”Estávamos só pedindo a demissão do governo, mas agora queremos o mesmo para a família real”, disse Ahmed Makki Abu Taki à imprensa. O irmão do manifestante foi uma das vítimas da repressão no país.
O país, uma monarquia constitucional, conta com um parlamento que na prática cumpre uma função decorativa. Os protestos começaram entre os xiitas que constituem a maioria da população e reclamam de discriminação por parte do governo sunita. A radicalização da repressão, porém, fez com que os sunitas também apoiassem as manifestações.
Os EUA acompanham com apreensão o rumo do levante. O Pentágono chegou a emitir uma nota pedindo o fim da “violência”. “O Bahrein é um parceiro importante e o departamento está acompanhando de perto os acontecimentos”, disse o porta-voz do Pentágono.
Período de instabilidade
Após a queda de Mubarak no Egito as manifestações, que já vinham se generalizando na região, ganharam novo impulso. A revolução egípcia mostrou às massas árabes que elas podem tomar o destino em suas mãos e derrubar ditaduras que há décadas estão no poder. Até no Iraque houve protestos contra as duras condições de vida enfrentadas pela população.
O governo Obama vem tentando, habilmente, canalizar a insatisfação árabe e conter as revoltas, chegando até a declarar apoio às reivindicações das manifestações. Resta saber até que ponto a polarização em regiões chaves ao Imperialismo, como o pequeno Bahrein, e o aumento da revolta da população no Iraque da convulsão social no mundo árabe não vão desmascarar os EUA.
Revolução no Egito inspira onda de levantes nos países árabes; repressão não consegue conter as revoltas
Da redação, Opinião Socialista, 18/2/2011 |
• O furacão revolucionário que começou na Tunísia e virou o Egito de ponta cabeça, continua varrendo o Norte da África contra ditaduras que há décadas estão no poder. Inspirados pela revolução no Egito, as massas da Líbia, Bahrein, Iêmen, Marrocos e também do Irã estão indo às ruas, enfrentando ditaduras e monarquias.
Nos últimos dias, as massas da Líbia e do Bahrein iniciaram verdadeiros levantes contra os regimes opressores. A brutal repressão, longe de arrefecer os protestos, incendeia ainda mais os manifestantes que lutam por liberdades democráticas.
Khadafi lidera repressão na Líbia
Na Líbia, os protestos se chocam contra a ditadura de Muammar Khadafi. Nos últimos dias, milhares de pessoas protestam pela queda de seu primeiro-ministro, Baghdadi Mahmoudi e do próprio ditador que governa o país há 42 anos. Os protestos se concentram na capital Trípoli e na cidade portuária de Bhengazi, a segunda maior cidade do país, espalhando-se também para cidades como Al-Beyda e Zenta.
Nesse dia 17 milhares de pessoas foram às ruas no que chamara de “Dia da ira”. A repressão do regime foi brutal e haviam matado ao menos 24 pessoas até esse dia 18, segundo a ONG Human Rights Watch. Os protestos, no entanto, não cessam.
A revolta no país explodiu após a prisão do advogado e ativista Fethi Tarbel, que defendia presos políticos da prisão de Abu Salim, conhecida por abrigar presos políticos e palco de um massacre que assassinou mil pessoas em 1996. Os protestos contra a prisão do advogado evoluíram para grandes manifestações que enfrentam agora a ditadura.
Na tarde desse dia 18, forças de oposição, segundo a imprensa, declararam que a cidade de Al Beyida estava “nas mãos do povo”. Já a ditadura ameaçou que a repressão será “arrasadora” a quem se levantar contra o governo. O Exército ocupou a cidade de Benghazi e o governo proibiu reuniões.
Fica cada vez mais clara a posição de Khadafi ao prestar total apoio ao então ditador da Tunísia, Ben Ali, diante dos protestos que mais tarde derrubariam seu governo. O ditador líbio tinha claro que a sua vez estava próxima.
Manifestantes em Bahrein
EUA preocupado com o Bahrein
Outro país que enfrenta intensos protestos é o pequeno Bahrein, cujas manifestações pedem o fim da dinastia do rei Hamad Bin Issa al-Khalifa. Apesar de pequeno e pouco populoso (menos de um milhão de habitantes), o Bahrein é visto como um país estratégico por sua localização no Golfo pérsico, bem ao lado da Arábia Saudita, e por abrigar a 5ª Frota da Marinha norte-americana.
Até a noite desse dia 17, seis pessoas já haviam sido mortas a tiros pela polícia, na desocupação da Praça Pérola na capital Manama, que os manifestantes desejavam transformar em outra “Praça Tahrir”. Na manhã seguinte, o funeral das vítimas se tornou um grande ato contra a monarquia de Hamad. Na tarde do dia 18, segundo a imprensa internacional, o Exército abriu fogo contra a multidão que se dirigia à Praça Pérola e planejava retomar a praça.
A repressão, embora brutal, só intensifica os protestos e aprofunda as reivindicações. ”Estávamos só pedindo a demissão do governo, mas agora queremos o mesmo para a família real”, disse Ahmed Makki Abu Taki à imprensa. O irmão do manifestante foi uma das vítimas da repressão no país.
O país, uma monarquia constitucional, conta com um parlamento que na prática cumpre uma função decorativa. Os protestos começaram entre os xiitas que constituem a maioria da população e reclamam de discriminação por parte do governo sunita. A radicalização da repressão, porém, fez com que os sunitas também apoiassem as manifestações.
Os EUA acompanham com apreensão o rumo do levante. O Pentágono chegou a emitir uma nota pedindo o fim da “violência”. “O Bahrein é um parceiro importante e o departamento está acompanhando de perto os acontecimentos”, disse o porta-voz do Pentágono.
Período de instabilidade
Após a queda de Mubarak no Egito as manifestações, que já vinham se generalizando na região, ganharam novo impulso. A revolução egípcia mostrou às massas árabes que elas podem tomar o destino em suas mãos e derrubar ditaduras que há décadas estão no poder. Até no Iraque houve protestos contra as duras condições de vida enfrentadas pela população.
O governo Obama vem tentando, habilmente, canalizar a insatisfação árabe e conter as revoltas, chegando até a declarar apoio às reivindicações das manifestações. Resta saber até que ponto a polarização em regiões chaves ao Imperialismo, como o pequeno Bahrein, e o aumento da revolta da população no Iraque da convulsão social no mundo árabe não vão desmascarar os EUA.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Após 15 dias no Egito, brasileiro volta ao Brasil e faz palestra no Rio
Após 15 dias no Egito, brasileiro volta ao Brasil e faz palestra no Rio de Janeiro
Correspondente registrou os diversos momentos da revolução, dos ataques a jornalistas até a queda de Mubarak
SERVIÇO
Palestra
Sexta-feira, 18/2, 18h - Auditório Sind-Justiça (Travessa do Paço, 23, 14º andar – Centro, Rio)
CONTATO, FOTOS E ENTREVISTAS
Rodrigo Noel - (21) 9511.0045 rpocadesouza-rj@yahoo.com.br
Dirley Santos - (21) 8676.6239 dirleysantos@yahoo.com.br
Rafael Miranda - (21) 8438.7607
Assessoria SP (11) 6792.3022
INTERNET
http://umbrasileironoegito.wordpress.com
http://www.twitter.com/diretodoEgito
Por Juzerley Santos
Nesta quinta-feira, dia 17, Luiz Gustavo Porfírio retorna ao Brasil depois de passar 15 dias acompanhando os atos no Cairo. Ele esteve diariamente na Praça Tahrir, com os manifestantes que acabaram retirando o ditador Hosni Mubarak do comando do país. Neste período, Luiz enviou notícias e entrevistas ao jornal Opinião Socialista e manteve um blog e uma conta no twitter, onde publicava notícias direto dos atos na Praça.
De volta ao Brasil, Luiz fará palestras nos estados. Na sexta-feira, 18, às 18h, ele conta a sua experiência em uma palestra no Centro do Rio (Tv. do Paço, 23, 14º andar). “Foi incrível poder ver de perto uma revolução acontecendo. E testemunhar a força do povo egípcio, que não desistiu, mesmo depois de quase 300 mortes”, conta. Luiz chegou ao Cairo no dia 2 de fevereiro, horas depois de bandos avançarem contra os manifestantes na Praça, com cavalos e camelos. As imagens impressionaram o mundo todo e, junto com as ameaças aos jornalistas, mostraram também o risco que envolvia a cobertura.
“Passei por muitas barreiras, com homens armados, com barras de ferro. A primeira vez que me senti seguro foi na Praça, após o ato de sexta-feira”, revela. Luiz conta que o povo egípcio e os jovens acampados na Praça Tahrir eram muito solidários. “Foi uma experiência única que aconteceu ali naqueles dias. Uma fraternidade, onde todos participavam, com um só objetivo. Era muito bonito de se ver”, conta.
Um dos momentos mais marcantes para ele ocorreu na Praça Tahrir, no dia 10, quando Mubarak fez um discurso na TV. “Todos acharam que ele iria renunciar naquele dia, e correram para a Praça. Descobri que é possível juntar um milhão de pessoas em total silêncio”, lembra. A renúncia só veio no dia seguinte, e Luiz estava lá, acompanhando a festa dos egípcios. “Fui abraçado, beijado. Nunca vi tanta alegria reunida”.
Luiz é historiador e pesquisa a história e a luta do povo palestino. Mesmo deixando o Egito, ele seguirá acompanhando o destino desse país. “Eles conseguiram derrubar um ditador, mas o governo ainda está na mão dos militares". Segundo ele, várias lideranças querem um governo civil no país e todas as liberdades. "Eles não querem uma revolução pela metade”, afirma.
Ele estará em um debate nesta quinta, 17, em São Paulo. Na sexta, 18, vai ao Rio de Janeiro. A cobertura completa da viagem está no blog http://umbrasileironoegito.wordpress.com, que ele seguirá atualizando nas próximas semanas.
Palestra
Sexta-feira, 18/2, 18h - Auditório Sind-Justiça (Travessa do Paço, 23, 14º andar – Centro, Rio)
CONTATO, FOTOS E ENTREVISTAS
Rodrigo Noel - (21) 9511.0045 rpocadesouza-rj@yahoo.com.br
Dirley Santos - (21) 8676.6239 dirleysantos@yahoo.com.br
Rafael Miranda - (21) 8438.7607
Assessoria SP (11) 6792.3022
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domingo, 13 de fevereiro de 2011
Mubarak renúncia. Egípcios terão que lutar por mudanças para valer
. Mubarak renúncia, um dia após não querer largar o osso e ter dinheiro bloqueado na Suíça, foi descartado pelos militares e EUA. Militares assumem o poder e tentam desmontar as mobilizações. Mas os militares e seus interesses econômicos permanecem apegados ao poder e vão querer repactuar o sistema político preservando-se. Juventude e trabalhadores egípcios terão de manter pressão por mudanças pra valer e não há alternativa à legitimidade da força e voz do povo.
Mudança para valer
Marcos Oliveira e Sergio Souto, 11/02/2011
A revolução sustentada pelo povo egípcio, nos quase 20 dias em que ocupou as ruas do país, não pode ser apropriada e diluída por qualquer aventureiro ou potências que, durante cerca de 30 anos, sustentaram política, militar e financeiramente a ditadura de Mubarak. A energia e bravura mostrada pelos diferentes atores sociais que enfrentaram o governo, dificilmente, aceitaram que, mais uma vez, prevaleça o conselho de Tancredi ao príncipe Salina, em O leopardo, de Luchino Visconti: "Algo precisa mudar, para que tudo permaneça igual." Os egípcios, como confirmar o crescimento das multidões nas ruas, após concessões de oposicionistas vacilantes à ditadura decadente, querem a mudança do modelo, não apenas do ditador de plantão.
MILITARES SUBSTITUEM MUBARAK PROMETENDO NÃO IGNORAR A VOZ DAS RUAS
Monitor Mercantil, 11/02/2011
A renúncia do ditador egípcio, Hosni Mubarak, depois de 18 dias de uma revolução que varreu o país, não encerra o processo de mudanças no Egito. O reconhecimento foi feito pelo Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito, para o qual "não há alternativa à legitimidade do povo".
Esse sentimento fez-se sentir também na renúncia do vice-presidente, Omar Suleiman, que o regime desejava que controlasse o processo. Esse papel será ocupado pelo Conselho, indicado pelo próprio Mubarak, no curto documento em que anuncia sua saída.
As renúncias foram anunciadas em comunicado na rede estatal de televisão, um dia depois de Mubarak insistir em permanecer no poder. A resistência do ditador a largar o osso fez aumentar as manifestações nas ruas, fortalecidas por greves deflagradas em várias setores, inclusive no Canal de Suez.
O Conselho prometeu detalhar, em breve, as medidas para democratizar o país, Na primeira declaração após a renúncia de Mubarak, os militares expressaram seu agradecimento "a todos os mártires que sacrificaram a vida" a favor da liberdade do país.
A declaração foi lida pelo porta-voz militar, Ismail Etman, e diz ainda que as Forças Armadas estão conscientes do "momento histórico" que vive o Egito.
Os militares afirmam estarem conscientes da gravidade da renúncia e também dos pedidos da nação por mudanças. Os militares afirmaram que o Conselho Supremo das Forças Armadas avalia a situação para tomar as medidas necessárias. E reiteraram "não haver alternativa à legitimidade do povo". O Conselho, porém, agradeceu, em comunicado, a Mubarak "pelo seu trabalho patriótico durante a guerra e a paz".
Os bancos suíços anunciaram terem bloqueados todos depósitos de Mubarak e familiares naquele país.
Egípcios terão de manter pressão por mudanças
Monitor Mercantil, 11/02/2011
Brasília - Embora seja um "bonito marco" na história do Oriente Médio, a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak, deve ser encarada como o início de um longo processo político que desencadeará novos conflitos sociais. A opinião é do professor de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF) Bernardo Kocher: "Mubarak foi descartado, mas os militares e seus interesses econômicos permanecem apegados ao poder e vão querer repactuar o sistema político preservando-se", afirmou à Agência Brasil.
E destacou que Mubarak - ex-comandante da Força Aérea - e seus dois últimos antecessores governaram com o apoio dos militares.
Com a renúncia de Mubarak e do vice Omar Suleiman, o governo será exercido pelo Conselho Supremo das Forças Armadas até novembro. Só então tomará posse o candidato que vencer as eleições de setembro. A transição será comandada pelo ministro da Defesa, marechal Mohamed Sayed Tantawi, de 79 anos.
"O papel dos militares na política e na economia egípcia é muito profundo e a população não vai poder descansar porque as forças que mantiveram Mubarak e seus antecessores no poder são as mesmas que agora vão controlar o país temporariamente."
Mudança para valer
Marcos Oliveira e Sergio Souto, 11/02/2011
A revolução sustentada pelo povo egípcio, nos quase 20 dias em que ocupou as ruas do país, não pode ser apropriada e diluída por qualquer aventureiro ou potências que, durante cerca de 30 anos, sustentaram política, militar e financeiramente a ditadura de Mubarak. A energia e bravura mostrada pelos diferentes atores sociais que enfrentaram o governo, dificilmente, aceitaram que, mais uma vez, prevaleça o conselho de Tancredi ao príncipe Salina, em O leopardo, de Luchino Visconti: "Algo precisa mudar, para que tudo permaneça igual." Os egípcios, como confirmar o crescimento das multidões nas ruas, após concessões de oposicionistas vacilantes à ditadura decadente, querem a mudança do modelo, não apenas do ditador de plantão.
MILITARES SUBSTITUEM MUBARAK PROMETENDO NÃO IGNORAR A VOZ DAS RUAS
Monitor Mercantil, 11/02/2011
A renúncia do ditador egípcio, Hosni Mubarak, depois de 18 dias de uma revolução que varreu o país, não encerra o processo de mudanças no Egito. O reconhecimento foi feito pelo Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito, para o qual "não há alternativa à legitimidade do povo".
Esse sentimento fez-se sentir também na renúncia do vice-presidente, Omar Suleiman, que o regime desejava que controlasse o processo. Esse papel será ocupado pelo Conselho, indicado pelo próprio Mubarak, no curto documento em que anuncia sua saída.
As renúncias foram anunciadas em comunicado na rede estatal de televisão, um dia depois de Mubarak insistir em permanecer no poder. A resistência do ditador a largar o osso fez aumentar as manifestações nas ruas, fortalecidas por greves deflagradas em várias setores, inclusive no Canal de Suez.
O Conselho prometeu detalhar, em breve, as medidas para democratizar o país, Na primeira declaração após a renúncia de Mubarak, os militares expressaram seu agradecimento "a todos os mártires que sacrificaram a vida" a favor da liberdade do país.
A declaração foi lida pelo porta-voz militar, Ismail Etman, e diz ainda que as Forças Armadas estão conscientes do "momento histórico" que vive o Egito.
Os militares afirmam estarem conscientes da gravidade da renúncia e também dos pedidos da nação por mudanças. Os militares afirmaram que o Conselho Supremo das Forças Armadas avalia a situação para tomar as medidas necessárias. E reiteraram "não haver alternativa à legitimidade do povo". O Conselho, porém, agradeceu, em comunicado, a Mubarak "pelo seu trabalho patriótico durante a guerra e a paz".
Os bancos suíços anunciaram terem bloqueados todos depósitos de Mubarak e familiares naquele país.
Egípcios terão de manter pressão por mudanças
Monitor Mercantil, 11/02/2011
Brasília - Embora seja um "bonito marco" na história do Oriente Médio, a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak, deve ser encarada como o início de um longo processo político que desencadeará novos conflitos sociais. A opinião é do professor de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF) Bernardo Kocher: "Mubarak foi descartado, mas os militares e seus interesses econômicos permanecem apegados ao poder e vão querer repactuar o sistema político preservando-se", afirmou à Agência Brasil.
E destacou que Mubarak - ex-comandante da Força Aérea - e seus dois últimos antecessores governaram com o apoio dos militares.
Com a renúncia de Mubarak e do vice Omar Suleiman, o governo será exercido pelo Conselho Supremo das Forças Armadas até novembro. Só então tomará posse o candidato que vencer as eleições de setembro. A transição será comandada pelo ministro da Defesa, marechal Mohamed Sayed Tantawi, de 79 anos.
"O papel dos militares na política e na economia egípcia é muito profundo e a população não vai poder descansar porque as forças que mantiveram Mubarak e seus antecessores no poder são as mesmas que agora vão controlar o país temporariamente."
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
LIT-QI: Fora Mubarak! Pelo triunfo da revolução egípcia e árabe
Leia abaixo, declaração da LIT (organização internacional que reune vários partidos revolucionário em todo) sobre a revolução egípcia.
Fora Mubarak! Pelo triunfo da revolução egípcia e árabe!

Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional |
Ha um processo revolucionário que se expande por todos os países árabes. A partir da Tunísia, onde a mobilização popular derrubou o ditador Ben Alí, depois de 23 anos no poder, foi se estendendo como um rastilho de pólvora, provocando mobilizações contra governos ditatoriais em vários países árabes, laicos ou religiosos, "republicanas" ou monárquicas, desde a Mauritânia até o Iêmen, passando pela Argélia e Jordânia.
O que tem impulsionado esse processo tem sido o aprofundamento da miséria como conseqüência dos efeitos da crise econômica mundial, com crescimento da desocupação e a alta dos preços dos alimentos devido à profunda dependência desses países ao Imperialismo.
Esse processo revolucionário caiu com uma força gigantesca no país mais importante da região, o Egito. Faz vários dias que explodiu um grande processo revolucionário, que começou com vários milhares de pessoas nas ruas do Cairo e outras cidades do país, e foi se estendendo chegando a milhões no dia 1º de fevereiro, tendo como centro a exigência da renúncia do ditador do país. Apesar da repressão, que já provocou 140 mortes, segundo a versão oficial, a revolução não se deteve e se radicalizou depois de cada anúncio de supostas mudanças por parte de Mubarak, que trata por todos os meios se manter no poder.
Se Mubarak cai como resultado da ação revolucionária das massas egípcias, isso teria uma imensa repercussão e aprofundaria a revolução árabe. Ao mesmo tempo, colocaria em crise todo o dispositivo imperialista de controle da região, do qual o regime Mubarak é uma peça chave. Principalmente, colocaria em risco a existência do Estado de Israel. Por isso, o governo israelense de Benjamin Netanyahu tem expressado sua preocupação e apoio a Mubarak.
Esse processo revolucionário que tem seu eixo nas reivindicações democráticas pode afetar diretamente também os regimes teocráticos como o do Irã (que reprimiu duramente há dois anos as mobilizações que houve contra a fraude eleitoral e por liberdades democráticas). Assim como pode afetar as organizações islâmicas como o Hamas e Hezbolah. Por isso não é de se estranhar que, quando se realizaram manifestações de apoio à revolução egípcia nos territórios ocupados, elas foram reprimidas pelo Hamas em Gaza. Hamas fez o mesmo que o agente do imperialismo na Cisjordânia, a ANP (Autoridade Nacional Palestina).
Egito: país chave do mundo árabe
Egito é o país árabe mais populoso, com mais de 80 milhões de habitante: um de cada três árabes é egípcio. A importância desse peso populacional se expressou também na vida e nos processos políticos do mundo árabe.
Em 1953, o exército deu um golpe nacionalista, encabeçado pelo então coronel Gama Abdel Nasser que derrubou o rei Faruk I. Em 1956, o governo egípcio nacionalizou o estratégico Canal de Suez, até então nas mãos dos ingleses e norte-americanos. O nasserismo se converteu na direção da luta dos povos árabes contra o Imperialismo e seu principal agente na região, o Estado de Israel. No entanto, como corrente nacionalista burguesa não propôs a expropriação da burguesia, mantendo a exploração capitalista e a miséria crescente do povo egípcio.
Poucos anos depois da morte de Nasser (1970), seu sucessor, Anwar Sadat, deu uma guinada profunda capitulando completamente ao Imperialismo. Em 1979, firmou com os EUA e Israel o acordo de Camp David no qual reconhecia esse Estado e abandonava a luta contra ele. O acordo marcou o fim do papel relativamente progressivo que o nacionalismo árabe laico havia cumprido no passado, enfrentando o Imperialismo.
Sadat foi assassinado em 1981. Seu sucessor Hosni Mubarak, através de uma duradoura ditadura aprofundou essa guinada e transformou o Egito em uma peça chave da política do Imperialismo estadunidense para a região, pelo apoio ao Estado de Israel e seus ataques ao povo palestino. O que se expressou, há poucos anos, no fechamento e bloqueio da fronteira entre a Faixa de Gaza e a península do Sinai. Desta forma, o Egito tem o triste mérito de formar, junto com a Jordânia, a "pinça árabe" que ajuda Israel em seu intento de estrangular a luta do povo palestino.
Em troca disso, o Egito recebe US$ 2 bilhões anuais de "ajuda militar" dos EUA (a maior quantidade depois de Israel), o que lhe permite manter um exército bem armado e equipado.
As razões da luta
Um aspecto que se destaca da rebelião é o papel central da juventude no país em que dois terços de seus habitantes têm menos de 30 anos, com uma altíssima porcentagem de desocupação. O pano de fundo para o estopim foi a constante piora das condições de vida dos trabalhadores e do povo. Egito é uma semicolônia saqueada pelo Imperialismo. O grosso da fatia de riqueza que fica vai para as mãos de uma oligarquia ligada ao regime e à cúpula do Exército. Por exemplo, estima-se que a família de Mubarak acumulou uma fortuna de vários bilhões de dólares. A situação de empobrecimento popular se agudizou com a crise econômica internacional que provocou um grande salto na desocupação e uma alta permanente do custo de vida, especialmente nos alimentos. A luta contra essa situação já vinha de antes: Egito foi um dos países onde se produziu a "revolta da fome", em março de 2008, encabeçada pelos trabalhadores têxteis de Mahalla, na região do Alto Delta do Nilo.
As mobilizações atuais se iniciaram pela convocatória da organização "Movimento 6 de Abril" (organização cuja primeira ação em 2008 foi apoiar os trabalhadores de El-Mahalla, 6 de abril foi o dia da greve desses trabalhadores da indústria têxtil), que dias depois também fez o chamado à Greve Geral para derrubar Mubarak. A partir dessa convocatória, imensos contingentes da juventude, setores de classe média, trabalhadores, incluídas algumas organizações sindicais independentes e pequenas organizações de esquerda formaram parte desse movimento.
O povo egípcio saiu às ruas para derrubar a ditadura que as oprime há décadas, exigindo liberdades democráticas. Por isso a exigência central das mobilizações é a renúncia de Mubarak, que concentra todos os problemas. As consignas mais cantadas nelas são "Fora Mubarak" e "Mubarak, o avião te espera". O povo egípcio está farto de uma ditadura que os mata de fome e reprime o mais mínimo protesto, eliminou as liberdades democráticas e perseguiu, prendeu e mandou ao exílio inúmeros dirigentes e ativistas opositores. Mas, ante as manobras e "reformas" propostas pelo governo, o processo avança e o repúdio já não se limita ao presidente. "Queremos uma mudança de regime e não de rosto", expressam os manifestantes.
A indignação das massas, além disso, se nutriu do repúdio à política pró-imperialista de Mubarak, especialmente na sustentação de Israel, apoiando desde sua fronteira o cerco ao território palestino de Gaza. Isso fez com que nas mobilizações se manifestasse a consigna: "Hosni Mubarak, Omar Suleimán, os dois são agentes dos americanos". Suleimán é o chefe do serviço secreto e foi nomeado como vice-presidente de Mubarak
A oposição burguesa tente encabeçar uma transição pactuada com o regime
As duas expressões políticas opositoras mais conhecidas internacionalmente, a Irmandade Muçulmana (uma velha organização de ideologia fundamentalista islâmica) e o diplomata Mohamed El Baradei (ex-presidente da Agência Internacional de Energia Atômica) recém aderiram às manifestações, dias depois de terem iniciado. Agora participam e tratam de encabeçá-las, sendo parte das marchas para terem legitimidade política. Tratam de canalizá-las para uma negociação política com o regime e poder representar o movimento em futuras negociações e composições de governo.
Segundo informações da imprensa, pouco antes de explodir a rebelião, a Irmandade Muçulmana realizava negociações com o regime de Mubarak para apoiar a manobra de sucessão pelo seu filho Gamal em troco da legalização da organização. Recordemos que a Irmandade Muçulmana sempre defendeu o estabelecimento de um regime de ditadura teocrática ao estilo do Irã, ainda que agora reivindique a necessidade de respeitar as decisões do povo egípcio.
Quais são as perspectivas?
A situação no país se encontra em um momento crítico, nem Mubarak consegue governar nem as massas ainda o derrubaram: a rebelião popular tem enfraquecido o regime de Mubarak enquanto o Imperialismo e a oposição burguesa buscam uma saída que mantenham o Egito no mesmo papel que cumpriu até hoje. Por sua parte, Mubarak, ao mesmo tempo em que prepara uma possível saída do país (sua família já se instalou em uma luxuosa casa de Londres), manobra para manter-se mais tempo no poder e, essencialmente, ter a chave de uma transição parcial e controlada.
As massas que escutaram o discurso televisivo de Mubarak, em que ele simplesmente anunciou que não se apresentaria para as próximas eleições de setembro, em plena mobilização e desafiando o toque de recolher, já lhe responderam com indignação que não aceitam sua permanência por mais tempo. Ante a força da mobilização a oposição burguesa mantém que negociará com o governo só se Mubarak sai. Vai depender das massas que seja varrido todo o regime Mubarak e que possam avançar mudando todo o sistema em benefício dos trabalhadores e do povo. Só com a tomada do poder pelos trabalhadores e o povo se poderá garantir que o Egito tome realmente medidas contra a miséria e a desocupação e rompa com o Imperialismo e seu enclave na região: Israel.
O Imperialismo quer manter sua influência a todo custo
O Imperialismo americano e também europeu sustentaram plenamente o regime de Mubarak e suas três décadas de ditadura. Seu desejo agora seria manter esse regime assim como está, mas a rebelião popular faz com que isso só seja possível com um salto repressivo e milhares de mortos como pedem os sionistas. Uma alternativa que hoje parece de alto risco pela possível reação popular e a possibilidade de divisões do exército. Porém, não podemos descartar que Mubarak ordene essa repressão.
Nesse marco, o governo de Obama está trabalhando com várias alternativas. Segundo as informações da imprensa, uma opção está centrada na nomeação de Omar Suleimán (ex-chefe de espionagem e de grande prestígio no exército), como vice-presidente. Este plano incluiria a saída acordada de Mubarak, a subida de Suleimán como presidente, descomprimir a situação tratando de salvar o essencial do regime. Quer dizer, manter intacto o exército. As declarações de Hillary Clinto, pedindo "mudanças", e as da cúpula militar dizendo que as reivindicações populares são "legítimas" parecem ir neste caminho.
Mohamed El Baradei poderia passar a ser também uma alternativa, apoiada pelo Imperialismo, postulando-se como cabeça ou parte de um novo governo e tratando de "minimizar as perdas" do imperialismo.
A proposta da Irmandade Muçulmana colocando sua confiança no general Samir Enan (chefe do Estado Maior do Exército), que tem boas relações com os EUA, mostra como essa organização estaria disposta a pactuar com um regime e ser parte da transição. O Imperialismo se mostra disposto a conviver com o fundamentalismo enquanto aceitem o status quo internacional. Isso aconteceu com o governo islâmico na Turquia, que manteve o seu país na Otan e a serviço do imperialismo.
Muitos elementos de crise no exército
Em qualquer caso, é central o curso que tome o exército, de fato, a instituição central do regime. Sua cúpula defende e é parte dos grandes grupos econômicos. Mas, ao mesmo tempo, ao funcionar com o sistema de serviço militar, sua base tem profundas ligações com os trabalhadores e o povo. Isso gera imensas contradições na hora de reprimir, o que se expressou na incipiente confraternização entre as tropas e os manifestantes. Mas ainda, os oficiais e suboficiais que comandam os blindados até agora foram tolerantes com as manifestações, no marco que tampouco houve uma ordem para reprimir a todo custo. Essa é uma preocupação para os planos do Imperialismo e a burguesia egípcia e, também um claro alerta de que uma ordem de repressão sangrenta, com a perspectiva de milhares de mortos, poderia dividir-los.
Hoje o exército mantém bastante prestígio e se mostra como chave para a saída negociada à revolução em curso. Mas se os trabalhadores e o povo egípcio avançam, vão ter que enfrentar esse exército, pois como todo exército de um estado burguês está a serviço de manter as propriedades e o regime de exploração.
Chamamos as massas egípcias a não depositarem nenhuma confiança no exército como instituição. É o mesmo exército que foi, por décadas, a base da ditadura de Mubarak e cuja cúpula se enriqueceu à custa da fome do povo. Pelo contrário, o caminho é desenvolver a confraternização entre os manifestantes e as tropas para conseguir uma divisão de classe dentro do exército, entre a base popular e a cúpula burguesa e desenvolver seus próprios organismos de autodefesa que permitam enfrentar a repressão. Por exemplo, frente aos ataques da polícia contra os manifestantes da praça Tahrir, consentido pelo exército, é necessário que os manifestantes se organizem para repelir e impedir a repressão.
Quem vai governar e para que?
É necessário impulsionar a auto-organização independente dos trabalhadores e a juventude (em grande parte desempregada e sem futuro). Desenvolver os comitês de autodefesa dos bairros populares que tem surgido, ligando-os às organizações sindicais independentes e as da juventude que estão chamando as mobilizações para que sejam organismos de poder revolucionário.
O poder no Egito hoje está em disputa, o que tenderá a se resolver em poucos dias. Ou o regime de Mubarak consegue derrotar a mobilização de massas e manter-se no poder ou as massas conseguem derrubá-lo de forma revolucionária. Se ocorrer essa alternativa a oposição burguesa vai tentar ocupar esse espaço vazio. Deve-se impedir que roubem a vitória dos trabalhadores e do povo. A organização 6 de abril, junto a todas as organizações de trabalhadores, de jovens e popular, deve chamar um encontro urgente dos trabalhadores e do povo que discuta um programa a serviço das massas e tome o poder em suas mãos para levá-lo a cabo.
Essa revolução não é só contra o atual regime, mas afeta também diretamente o imperialismo dominante e objetivamente é uma luta contra o capitalismo que os tem levado à miséria. Esses gravíssimos problemas que sofrem o povo egípcio só poderão ser resolvidos, de fundo, com a revolução operária e socialista.
Um programa socialista para a revolução egípcia e árabe
Chamamos a manter a luta pelo Fora Mubarak e seu regime ditatorial já! Não às manobras nem os pactos para uma transição que não rompa com o Imperialismo e Israel!
Por plenas liberdades democráticas, de imprensa, de comunicação, de organização política, plenos direitos sindicais para os trabalhadores incluindo o direito de greve!
Desmantelamento imediato do aparato repressivo da ditadura! Justiça e castigo aos repressores! Imediata liberdade a todos os presos políticos!
Por eleições livres imediatas! Pela convocatória de uma Assembleia Constituinte soberana com plenos poderes!
Por um imediato aumento de salários que cubra o custo da cesta básica!
Por um plano econômico de emergência destinado a garantir trabalho para todos com a expropriação do banco e das multinacionais e grandes empresas!
Fora o Imperialismo e Israel! Pela imediata abertura da fronteira com a Faixa de Gaza!
Por um governo operário e popular que garanta essas medidas!
A revolução árabe se estende por vários países, é necessário, para barrar o imperialismo e Israel, unir todas as lutas para recuperar a unidade da nação árabe na perspectiva da construção de uma grande Federação de Repúblicas Socialistas Árabes.
Façamos uma grande campanha internacional
Chamamos a desenvolver uma grande campanha de solidariedade e apoio à luta do povo egípcio e de todo o mundo árabe. É muito importante o desenvolvimento de grandes mobilizações em todo o mundo, especialmente nos centros imperialistas, onde há um grande número de trabalhadores imigrantes árabes e muçulmanos, pelo triunfo da revolução egípcia e de todo o povo árabe. Uma vitória do povo árabe será um impulso às lutas dos trabalhadores, que em todo o planeta sofrem os estragos da crise econômica, que as burguesias e o imperialismo estão fazendo recair sobre as costas dos trabalhadores e do povo.
LIT-QI, 2 de fevereiro de 2011
Façamos uma grande campanha internacional
Chamamos a desenvolver uma grande campanha de solidariedade e apoio à luta do povo egípcio e de todo o mundo árabe. É muito importante o desenvolvimento de grandes mobilizações em todo o mundo, especialmente nos centros imperialistas, onde há um grande número de trabalhadores imigrantes árabes e muçulmanos, pelo triunfo da revolução egípcia e de todo o povo árabe. Uma vitória do povo árabe será um impulso às lutas dos trabalhadores, que em todo o planeta sofrem os estragos da crise econômica, que as burguesias e o imperialismo estão fazendo recair sobre as costas dos trabalhadores e do povo.
LIT-QI, 2 de fevereiro de 2011
Um brasileiro no Egito, o blog
O Jornal Opinião Socialista enviou um correspondente para o Cairo para acompanhar e enviar relatos sobre as mobilizações que ocorrem no país contra o ditador Mubarak.
Acessem e ajudem a divulgar o blog http://umbrasileironoegito.wordpress.com/
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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
A revolução árabe é produto da economia de seus países
Sem cair no economicismo ou no marxismo vulgar é possível dizer que a revolução no mundo árabe é produto da economia. A revolução é consequência à medida que em grande parte é resultado direto daquilo que levou às ondas de protestos em dezenas de países: a opção pelo neoliberalismo dos governantes da região, a insegurança alimentar regional provocada pela elevação dos preços das commodities agrícolas no mercados mundiais desde 2008 em países eminentemente importadores de alimentos e os milhões de desempregados, sub-empregados e pobres, legião ampliada ainda mais após a recente crise mundial.
Liberalismo levou a revoltas dos árabes
Monitor Mercantil, 04/02/2011
ABERTURA DE MERCADOS E CORTES DE SUBSÍDIOS ACIRRARAM EFEITOS DA CRISE
Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Williams Gonçalves, a crise política que abala, não apenas o Egito, mas grande parcela do mundo árabe, tem origem bem definida: a opção de alguns governantes da região pelo neoliberalismo.
"Esta crise é produto da economia. O Egito tinha um modelo semi-estatizado desde os anos 50, quando Nasser (Gamal Abdel Nasser, que governou o país entre 1952 e 1971) promoveu forte política nacionalista, fomentando o movimento pan-arabista, começou a modernização da indústria local, falando, inclusive, em socialismo árabe, mas que, na verdade, era um capitalismo de Estado", recorda Gonçalves, acrescentando que o algodão e a indústria têxtil são a base da produção egípcia.
Já Adhemar Mineiro, observador da Rede Brasileira Pela Integração dos Povos (Rebrip), sublinha que há elementos estruturais na crise, mas para entendê-la em profundidade não se pode perder de vista a rejeição popular às medidas liberalizantes: "Na Tunísia, a Central Sindical (IGBT) teve papel importante na derrubada do governo, que retirara subsídios à alimentação e aos combustíveis neste momento em que os preços das commodities dispararam", conta.
No Egito, o economista ressalta as mudanças liberalizantes feitas, especialmente, neste último período de Mubarak no poder, cuja inversão pode trazer conseqüências até para o Brasil. "A corrente de comércio entre Brasil e Egito totalizou US$ 2 bilhões, em 2010. Não é um valor muito alto, mas é concentrado em commodities alimentares, como carne vermelha e frango, e minerais, como minério de ferro. Para esses setores, especificamente, é um volume bastante expressivo."
Alimentando a crise
Marcos Oliveira e Sergio Souto, Monitor Mercantil, 03/02/2011
Os países árabes importam cerca de 60% dos alimentos que consomem e já são os maiores importadores de cereais no mundo, dependendo de outros países para a sua segurança alimentar. A informação, publicada em relatório do Banco Mundial (Bird), em 2009, é lembrada pelo professor de Relações Internacionais da PUC-SP Reginaldo Nasser em artigo na edição eletrônica da Agência Carta Maior, para observar como a elevação dos preços das commodities agrícolas no mercados mundiais, desde 2008, levou a "ondas de protestos em dezenas de países e milhões de desempregados e pobres nos países árabes". Ele cita Argélia , em 1988, e Jordânia em 1989, para acrescentar: "Um exemplo mais recente, além da região árabe, é o Quirguistão, onde um aumento da eletricidade e tarifas de celulares causaram manifestações com dezenas de mortos e milhares de feridos."
Liberalismo levou a revoltas dos árabes
Monitor Mercantil, 04/02/2011
ABERTURA DE MERCADOS E CORTES DE SUBSÍDIOS ACIRRARAM EFEITOS DA CRISE
Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Williams Gonçalves, a crise política que abala, não apenas o Egito, mas grande parcela do mundo árabe, tem origem bem definida: a opção de alguns governantes da região pelo neoliberalismo.
"Esta crise é produto da economia. O Egito tinha um modelo semi-estatizado desde os anos 50, quando Nasser (Gamal Abdel Nasser, que governou o país entre 1952 e 1971) promoveu forte política nacionalista, fomentando o movimento pan-arabista, começou a modernização da indústria local, falando, inclusive, em socialismo árabe, mas que, na verdade, era um capitalismo de Estado", recorda Gonçalves, acrescentando que o algodão e a indústria têxtil são a base da produção egípcia.
Já Adhemar Mineiro, observador da Rede Brasileira Pela Integração dos Povos (Rebrip), sublinha que há elementos estruturais na crise, mas para entendê-la em profundidade não se pode perder de vista a rejeição popular às medidas liberalizantes: "Na Tunísia, a Central Sindical (IGBT) teve papel importante na derrubada do governo, que retirara subsídios à alimentação e aos combustíveis neste momento em que os preços das commodities dispararam", conta.
No Egito, o economista ressalta as mudanças liberalizantes feitas, especialmente, neste último período de Mubarak no poder, cuja inversão pode trazer conseqüências até para o Brasil. "A corrente de comércio entre Brasil e Egito totalizou US$ 2 bilhões, em 2010. Não é um valor muito alto, mas é concentrado em commodities alimentares, como carne vermelha e frango, e minerais, como minério de ferro. Para esses setores, especificamente, é um volume bastante expressivo."
Alimentando a crise
Marcos Oliveira e Sergio Souto, Monitor Mercantil, 03/02/2011
Os países árabes importam cerca de 60% dos alimentos que consomem e já são os maiores importadores de cereais no mundo, dependendo de outros países para a sua segurança alimentar. A informação, publicada em relatório do Banco Mundial (Bird), em 2009, é lembrada pelo professor de Relações Internacionais da PUC-SP Reginaldo Nasser em artigo na edição eletrônica da Agência Carta Maior, para observar como a elevação dos preços das commodities agrícolas no mercados mundiais, desde 2008, levou a "ondas de protestos em dezenas de países e milhões de desempregados e pobres nos países árabes". Ele cita Argélia , em 1988, e Jordânia em 1989, para acrescentar: "Um exemplo mais recente, além da região árabe, é o Quirguistão, onde um aumento da eletricidade e tarifas de celulares causaram manifestações com dezenas de mortos e milhares de feridos."
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Movimentos sociais entregam carta ao consulado do Egito
Movimentos sociais e organizações populares do Rio de Janeiro entregam carta ao consulado do Egito de apoio à revolução popular em marcha contra a ditadura de Murabak.
CARTA AO CONSULADO DO EGITO
Rio de Janeiro, 01 de fevereiro de 2011
Ao Consulado da República Árabe do Egito no Rio de Janeiro
Exma. Senhora Cônsul Ministra Plenipotenciária Amany Mohamed Kamal El Etr
Muitos de nós brasileiros, signatários desta carta, estivemos nas trincheiras da luta contra a Ditadura Militar no Brasil, derrotada pela força do povo nas ruas. Por isso, somos capazes de entender com profundidade o sofrimento do povo egípcio que, há trinta anos, vem sendo submetido a um regime cruel que, na defesa de seus interesses mesquinhos e para atender às exigências da geopolítica dos Estados Unidos, seu patrocinador, não tem hesitado em prender e torturar seus opositores, desafiando, impunemente, as leis internacionais que tratam dos Direitos Humanos. E se assim o faz é porque tem a proteção, o apoio e a cumplicidade dos Estados Unidos que, em troca de uma substancial ajuda militar e da manutenção dos privilégios dos governantes corruptos e de uma elite insensível, impõe um regime ditatorial e violento que faz da miséria, da fome, do desemprego e do analfabetismo de grande parte da população, seus principais trunfos para manter-se no poder e assim perpetuar a dominação imperialista e sionista no Oriente Médio.
As manifestações de protesto dos egípcios e suas reivindicações têm a simpatia e a solidariedade de todas as pessoas de consciência no mundo. Eles têm todo o direito de se revoltarem e de exigir a saída do ditador, o fim de seu regime autoritário e o rompimento definitivo com os EUA e Israel, sem o qual nada muda, porque suportaram durante trinta anos o contínuo rebaixamento de seu nível de vida, sendo privados de seus direitos mais elementares, tudo em nome das poderosas potências estrangeiras que usurpam o petróleo do Oriente Médio e exercem seu poder político e militar sobre os povos árabes.
O povo egípcio, agora, está disposto a ir até o fim para encerrar de vez a era de arbítrio, e construir em seu lugar, um governo democrático que seja capaz de devolver a eles todos os seus direitos usurpados, que respeite sua autodeterminação e o seu direito de organizar seus partidos e sindicatos, construindo para este país uma nova era em que a liberdade seja a base e que a bandeira da solidariedade seja levantada toda vez que um povo estiver sendo oprimido.
Manifestamos o nosso mais profundo pesar às famílias daqueles que tombaram durante essa jornada de lutas e repudiamos essa atitude violenta do governo Mubarak que pretende, pela força das armas, silenciar os protestos, demonstrando que não tem o menor respeito pelo seu povo e reafirmamos o desejo do povo egípcio em romper com a interferência estrangeira em sua soberania.
Daqui do Brasil, nossas vozes ecoarão através de todos os meios possíveis para fortalecer o grito de liberdade do povo egípcio e esperamos que V. Ex.ª, como representante deste país no Brasil, faça chegar até o governo Mubarak a nossa mensagem.
Assinam:
CSP – CONLUTAS
INTERSINDICAL
CUT – CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES
PCB
PSTU
MORENA – CÍRCULOS BOLIVARIANOS
JUBILEU SUL
ANEL
UJC – UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA
NÚCLEO FREI TITO DE DIREITOS HUMANOS, COMUNICAÇÃO E CULTURA DO PSOL
MST – MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TERRA
COMITÊ DE SOLIDARIEDADE À LUTA DO POVO PALESTINO RJ
CARTA AO CONSULADO DO EGITO
Rio de Janeiro, 01 de fevereiro de 2011
Ao Consulado da República Árabe do Egito no Rio de Janeiro
Exma. Senhora Cônsul Ministra Plenipotenciária Amany Mohamed Kamal El Etr
Muitos de nós brasileiros, signatários desta carta, estivemos nas trincheiras da luta contra a Ditadura Militar no Brasil, derrotada pela força do povo nas ruas. Por isso, somos capazes de entender com profundidade o sofrimento do povo egípcio que, há trinta anos, vem sendo submetido a um regime cruel que, na defesa de seus interesses mesquinhos e para atender às exigências da geopolítica dos Estados Unidos, seu patrocinador, não tem hesitado em prender e torturar seus opositores, desafiando, impunemente, as leis internacionais que tratam dos Direitos Humanos. E se assim o faz é porque tem a proteção, o apoio e a cumplicidade dos Estados Unidos que, em troca de uma substancial ajuda militar e da manutenção dos privilégios dos governantes corruptos e de uma elite insensível, impõe um regime ditatorial e violento que faz da miséria, da fome, do desemprego e do analfabetismo de grande parte da população, seus principais trunfos para manter-se no poder e assim perpetuar a dominação imperialista e sionista no Oriente Médio.
As manifestações de protesto dos egípcios e suas reivindicações têm a simpatia e a solidariedade de todas as pessoas de consciência no mundo. Eles têm todo o direito de se revoltarem e de exigir a saída do ditador, o fim de seu regime autoritário e o rompimento definitivo com os EUA e Israel, sem o qual nada muda, porque suportaram durante trinta anos o contínuo rebaixamento de seu nível de vida, sendo privados de seus direitos mais elementares, tudo em nome das poderosas potências estrangeiras que usurpam o petróleo do Oriente Médio e exercem seu poder político e militar sobre os povos árabes.
O povo egípcio, agora, está disposto a ir até o fim para encerrar de vez a era de arbítrio, e construir em seu lugar, um governo democrático que seja capaz de devolver a eles todos os seus direitos usurpados, que respeite sua autodeterminação e o seu direito de organizar seus partidos e sindicatos, construindo para este país uma nova era em que a liberdade seja a base e que a bandeira da solidariedade seja levantada toda vez que um povo estiver sendo oprimido.
Manifestamos o nosso mais profundo pesar às famílias daqueles que tombaram durante essa jornada de lutas e repudiamos essa atitude violenta do governo Mubarak que pretende, pela força das armas, silenciar os protestos, demonstrando que não tem o menor respeito pelo seu povo e reafirmamos o desejo do povo egípcio em romper com a interferência estrangeira em sua soberania.
Daqui do Brasil, nossas vozes ecoarão através de todos os meios possíveis para fortalecer o grito de liberdade do povo egípcio e esperamos que V. Ex.ª, como representante deste país no Brasil, faça chegar até o governo Mubarak a nossa mensagem.
Assinam:
CSP – CONLUTAS
INTERSINDICAL
CUT – CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES
PCB
PSTU
MORENA – CÍRCULOS BOLIVARIANOS
JUBILEU SUL
ANEL
UJC – UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA
NÚCLEO FREI TITO DE DIREITOS HUMANOS, COMUNICAÇÃO E CULTURA DO PSOL
MST – MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TERRA
COMITÊ DE SOLIDARIEDADE À LUTA DO POVO PALESTINO RJ
Juros dobram dívida pública em 8 anos de Lula, crescendo 9% ao ano, para R$ 1,69 tri
Crescimento chinês no Brasil
Juros dobram dívida pública em 8 anos de Lula, crescendo 9% ao ano, para R$ 1,69 tri
Monitor Mercantil, 01/02/2011
Monitor Mercantil, 01/02/2011
Garantindo aos investidores um dos juros mais altos do mundo, a Dívida Pública Federal (DPF) dobrou na Era Lula. Com um crescimento médio anual de 9%. - equivalente à marcha do Produto Interno Bruto (PIB) da China - nos oitos anos de Governo Lula, a Dívida Pública Federal (DPF) saltou para R$ 1,694 trilhão, no fim de 2010, segundo dados do Tesouro Nacional.
O Tesouro previa que, em 2010, a dívida variaria de R$ 1,6 trilhão a R$ 1,730 trilhão.
A despeito da melhora do perfil e da composição da dívida ao longo dos oito últimos anos, a política de juros elevados reflete-se no elevado custo do carregamento da dívida.
Ao Tesouro cabe a difícil tarefa de compatibilizar custo e redução do risco de financiamento com prazos mais longos e títulos menos suscetíveis a choques na economia.
A composição dos estoques em 2010 apresentou, segundo o Tesouro, melhora no perfil da dívida. Isso porque foi verificado um percentual mais elevado (36,6%) da parcela de dívida prefixada. Em 2009, essa fatia estava em 32,2% e, no ano anterior, auge da crise, em 29,9%.
O total dessa parcela na composição da dívida ficou perto do teto da banda prevista pelo Tesouro para 2010, de 37%. Já a fatia da dívida vinculada a índices de preços ficou em 26,6% ano passado, dentro do intervalo de 24% a 28%. Nos dois anos anteriores, ficara em 26,7%, em 2009, e 26,6%, em 2008.
O total da dívida indexada à Selic (a taxa básica de juros da economia) caiu de 33,4% em 2009 para 30,8% ano passado. A parcela atrelada ao câmbio também registrou redução pelo segundo ano consecutivo, de 9,7% em 2008 para 6,6%, em 2009, e 5,1%, em 2010.
Pelo levantamento do Tesouro, a parcela da Dívida Pública Federal atrelada a prefixados superou a fatia da dívida indexada à Selic ano passado.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Revolução Árabe, efeito dominó contra a crise capitalista
por Almir Cezar
(atualizado em 02/02/2011, às 16h)

Efeito Dominó no mundo Árabe
A Revolução corre pelos países árabes igual efeito dominó
Manifestantes têm protestado contra o alto custo de vida e a falta de liberdades políticas no país. Depois de Tunísia e Egito, a revolta popular árabe contra regimes ditatoriais, conhecida como "Revolução de Jasmim", chegou a Jordânia e Argélia.
Começou na Tunísia, onde a "Revolução de Jasmim" com afastamento do governo do ex-presidente Zine El Abidine Ben Ali, que fugiu do país. Em seguida chegou com força no Egito. Os protestos que tomam conta do Egito desde o dia 25 de janeiro e exigem a renúncia do presidente Hosni Mubarak foram inspirados nas manifestações na Tunísia.
Agora a "onda" chegou à Argélia, Iêmen, Jordânia, Síria, Sudão, que são alguns dos países nos quais os cidadãos saíram às ruas para exigir seus direitos sociais, econômicos e políticos. Todas as manifestações seguem o padrão que têm abalado o mundo árabe: é organizada pela internet e busca maior liberdade de expressão, respeito aos direitos humanos e melhora no padrão de vida. O povo da Tunísia rompeu o costume do medo e mostrou que era possível - com uma velocidade surpreendente - derrubar um regime, com uma dificuldade menor do que a imaginada
Crise econômica e não religião como fermento da revolução
Esta revolta popular que atinge grande parte do mundo árabe é laica, e nada tem haver com o que a grande mídia e o imperialismo, que tenta divulgar ou passar a imagem como um processo com viés islâmico, na tentativa de aterrorizar a opinião pública do Ocidente. Vale lembrar que, esses ditadores laicos são aliado dos países imperialistas, são muito responsável, em relação ao interesse geopolítico na região, por controle (eufemisticamente chamado de "esforços de paz") no Oriente Médio. Por sua vez, a ideologia imperialista cínica defende que os países árabes o senso democrático é limitado a estreitas elites liberais enquanto que a vasta maioria só pode ser mobilizada através do fundamentalismo religioso ou do nacionalismo. Embora verdade que, o vazio deixado pelo pan-arabismo (tão combatido pelo Ocidente) acabou sendo ocupado pelos movimentos islâmicos que tiveram e têm setores não sectários que são antiimperialistas como o caso do Hezbolah no Líbano e o Hamas na Palestina e outras mais sectárias e fundamentalistas que não tem cumprido este papel. Porém, a revolução vem provando como errada tal ideologia.
O caso exemplar dessa tendência laica e deflagrada pela crise econômica é do incidente que iniciou a primeira onda de protestos na Tunísia. Um vendedor de frutas,que ao atear fogo em seu corpo em 17 de dezembro passado, incendiou seu país até que derrubou o ditador Ben Ali. O caso é realmente exemplar: Bouazizi revoltou-se porque policiais confiscaram sua banca, o espancaram e não devolveram seu negócio que lhe rendia 75 dólares mensais que sustentavam sua mãe e irmã. Seu pai morreu quando ele tinha 3 anos e desde os 10 ele vendia nas ruas depois do colégio.
O jovem que se lançou às chamas, era, na verdade, um universitário graduado que, como tantos outros, não encontrava um emprego apropriado. Ele tentou sobreviver com dificuldades vendendo frutas e legumes, mas até mesmo isso se tornou impossível quando a polícia o deteve por vender sem licença. Em desespero, ele decidiu pôr fim à sua vida em gesto dramático. Ele faleceu algumas semanas mais tarde. Esse incidente provocou uma onda massiva de manifestações e protestos.
Caréstia e desemprego, combustível da revolta
O aumento no preço das commodities, em especial os alimentos, leva à fome, à carestia ou à forte perda no poder de compra, uma das causas das revoltas populares na Tunísia, no Egito e outros países. Esse aumento se deve à especulação financeira, com os alimentos sendo considerados mercadorias e negociados nas bolsas dos mercados e futuros, e não à falta de terras ou capacidade para cultivar.
A carestia dos artigos de primeira necessidade, a consequente fome, e a perda do poder de compra dos salários pela elevação dos preços, associada ao desemprego que explodiu após a crise mundial de 2008, são "combustíveis" que acabam obrigando as populações a assumirem condutas mais críticas e duras contra os governos anti-democráticos.
Os ditadores não ditam, eles obedecem ordens. "Ditadores são sempre fantoches políticos. Os ditadores não decidem." O presidente Hosni Mubarak do Egito, assim como era Ben Ali da Tunísia, é o fiel servidor dos interesses económicos tanto das elites locais como das multinacionais ocidentais. E na crise esses governos,a té mais que os pseudo-democráticos (democráticos burgueses) se veem mais obrigados a atender esses interesses, impondo aos trabalhadores às perdas com a crise e aumento da exploração.
O levante começou como movimento contra o desemprego e a carestia, sobretudo contra o preço dos alimentos, mas rapidamente converteu-se em revolução que exigia liberdades civis e a deposição do homem que a população via como responsável por suas tragédias. As multidões gritavam “Pão, água e sem Ben Ali”.
O regime da Tunísia comprometeu a velha base produtiva da economia, seguindo à risca por anos a fio as recomendações de sempre do FMI e do Banco Mundial, para privatizar indústrias e cooperativas agrícolas do setor público. Em lugar do que antes havia, cresceu uma economia muito mais contingente, de empresas têxteis e call centers operados por investidores estrangeiros, que só ofereciam empregos e subempregos temporários e mal remunerados, e resorts e spas para atrair turistas às ensolaradas praias do país. Turismo e call centers, nos quais os tunisinos trabalhavam como empregados de consumidores ocidentais, são os dois principais itens da lista de exportações recomendada pelo Banco Mundial. Com a crise de 2008 tudo isso veio abaixo.
É por isso, que a grande massa nas ruas denuncia a ilegitimidade também do governo de transição iniciado com a queda de Ben Ali e exige “um novo Parlamento, uma nova constituição e uma nova República”. A revolução na Tunísia é precedente que fez ver no mundo árabe a possibilidade de democratização, é de sua única possibilidade de construção de baixo para cima, e como esta é necessidade primária para lutar contra as consequências do capitalismo.
(atualizado em 02/02/2011, às 16h)
Efeito Dominó no mundo Árabe
A Revolução corre pelos países árabes igual efeito dominó
Manifestantes têm protestado contra o alto custo de vida e a falta de liberdades políticas no país. Depois de Tunísia e Egito, a revolta popular árabe contra regimes ditatoriais, conhecida como "Revolução de Jasmim", chegou a Jordânia e Argélia.
Começou na Tunísia, onde a "Revolução de Jasmim" com afastamento do governo do ex-presidente Zine El Abidine Ben Ali, que fugiu do país. Em seguida chegou com força no Egito. Os protestos que tomam conta do Egito desde o dia 25 de janeiro e exigem a renúncia do presidente Hosni Mubarak foram inspirados nas manifestações na Tunísia.
Agora a "onda" chegou à Argélia, Iêmen, Jordânia, Síria, Sudão, que são alguns dos países nos quais os cidadãos saíram às ruas para exigir seus direitos sociais, econômicos e políticos. Todas as manifestações seguem o padrão que têm abalado o mundo árabe: é organizada pela internet e busca maior liberdade de expressão, respeito aos direitos humanos e melhora no padrão de vida. O povo da Tunísia rompeu o costume do medo e mostrou que era possível - com uma velocidade surpreendente - derrubar um regime, com uma dificuldade menor do que a imaginada
Crise econômica e não religião como fermento da revolução
Esta revolta popular que atinge grande parte do mundo árabe é laica, e nada tem haver com o que a grande mídia e o imperialismo, que tenta divulgar ou passar a imagem como um processo com viés islâmico, na tentativa de aterrorizar a opinião pública do Ocidente. Vale lembrar que, esses ditadores laicos são aliado dos países imperialistas, são muito responsável, em relação ao interesse geopolítico na região, por controle (eufemisticamente chamado de "esforços de paz") no Oriente Médio. Por sua vez, a ideologia imperialista cínica defende que os países árabes o senso democrático é limitado a estreitas elites liberais enquanto que a vasta maioria só pode ser mobilizada através do fundamentalismo religioso ou do nacionalismo. Embora verdade que, o vazio deixado pelo pan-arabismo (tão combatido pelo Ocidente) acabou sendo ocupado pelos movimentos islâmicos que tiveram e têm setores não sectários que são antiimperialistas como o caso do Hezbolah no Líbano e o Hamas na Palestina e outras mais sectárias e fundamentalistas que não tem cumprido este papel. Porém, a revolução vem provando como errada tal ideologia.
O caso exemplar dessa tendência laica e deflagrada pela crise econômica é do incidente que iniciou a primeira onda de protestos na Tunísia. Um vendedor de frutas,que ao atear fogo em seu corpo em 17 de dezembro passado, incendiou seu país até que derrubou o ditador Ben Ali. O caso é realmente exemplar: Bouazizi revoltou-se porque policiais confiscaram sua banca, o espancaram e não devolveram seu negócio que lhe rendia 75 dólares mensais que sustentavam sua mãe e irmã. Seu pai morreu quando ele tinha 3 anos e desde os 10 ele vendia nas ruas depois do colégio.
O jovem que se lançou às chamas, era, na verdade, um universitário graduado que, como tantos outros, não encontrava um emprego apropriado. Ele tentou sobreviver com dificuldades vendendo frutas e legumes, mas até mesmo isso se tornou impossível quando a polícia o deteve por vender sem licença. Em desespero, ele decidiu pôr fim à sua vida em gesto dramático. Ele faleceu algumas semanas mais tarde. Esse incidente provocou uma onda massiva de manifestações e protestos.
Caréstia e desemprego, combustível da revolta
O aumento no preço das commodities, em especial os alimentos, leva à fome, à carestia ou à forte perda no poder de compra, uma das causas das revoltas populares na Tunísia, no Egito e outros países. Esse aumento se deve à especulação financeira, com os alimentos sendo considerados mercadorias e negociados nas bolsas dos mercados e futuros, e não à falta de terras ou capacidade para cultivar.
A carestia dos artigos de primeira necessidade, a consequente fome, e a perda do poder de compra dos salários pela elevação dos preços, associada ao desemprego que explodiu após a crise mundial de 2008, são "combustíveis" que acabam obrigando as populações a assumirem condutas mais críticas e duras contra os governos anti-democráticos.
Os ditadores não ditam, eles obedecem ordens. "Ditadores são sempre fantoches políticos. Os ditadores não decidem." O presidente Hosni Mubarak do Egito, assim como era Ben Ali da Tunísia, é o fiel servidor dos interesses económicos tanto das elites locais como das multinacionais ocidentais. E na crise esses governos,a té mais que os pseudo-democráticos (democráticos burgueses) se veem mais obrigados a atender esses interesses, impondo aos trabalhadores às perdas com a crise e aumento da exploração.
O levante começou como movimento contra o desemprego e a carestia, sobretudo contra o preço dos alimentos, mas rapidamente converteu-se em revolução que exigia liberdades civis e a deposição do homem que a população via como responsável por suas tragédias. As multidões gritavam “Pão, água e sem Ben Ali”.
O regime da Tunísia comprometeu a velha base produtiva da economia, seguindo à risca por anos a fio as recomendações de sempre do FMI e do Banco Mundial, para privatizar indústrias e cooperativas agrícolas do setor público. Em lugar do que antes havia, cresceu uma economia muito mais contingente, de empresas têxteis e call centers operados por investidores estrangeiros, que só ofereciam empregos e subempregos temporários e mal remunerados, e resorts e spas para atrair turistas às ensolaradas praias do país. Turismo e call centers, nos quais os tunisinos trabalhavam como empregados de consumidores ocidentais, são os dois principais itens da lista de exportações recomendada pelo Banco Mundial. Com a crise de 2008 tudo isso veio abaixo.
É por isso, que a grande massa nas ruas denuncia a ilegitimidade também do governo de transição iniciado com a queda de Ben Ali e exige “um novo Parlamento, uma nova constituição e uma nova República”. A revolução na Tunísia é precedente que fez ver no mundo árabe a possibilidade de democratização, é de sua única possibilidade de construção de baixo para cima, e como esta é necessidade primária para lutar contra as consequências do capitalismo.
Mubarak e FMI não largam o osso
Mubarak e FMI não largam o osso
Monitor Mercantil, 01/02/2011
Pelo menos um milhão de pessoas foram às ruas, no Cairo, para exigir a renúncia de Mubarak
Com 1 milhão nas ruas, ditador não renuncia e fundo quer continuar "colaborando"
Enfrentando uma manifestação com 1 milhão de pessoas que pediam, nas ruas, sua saída do poder, o ainda presidente do Egito, Hozni Mubarak, limitou-se a anunciar, em pronunciamento na TV estatal, que não vai concorrer a novo mandato nas eleições de setembro, mas recusou-se a renunciar ao mandato.
Na sua ótica particular, os gigantescos protestos da última semana pela sua saída variaram de "manifestações pacíficas a um ataque à estabilidade do país, manipuladas por interesses políticos". "Exauri minha vida servindo ao povo, e decidi não mais concorrer a um novo mandato", disse Mubarak, acrescentando ainda que "morrerei em solo egípcio, que jurei defender", indicando que não pretende largar o osso.
De acordo com a imprensa norte-americana, horas antes do pronunciamento, Mubarack ouviu do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que não deveria se candidatar a mais uma reeleição.
Mas não é só veterano ditador que não quer largar o poder. Dominique Strauss-Kahn, diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), cujas impopulares políticas ajudaram a mobilizar a população contra Mubarak, afirmou que a instituição vai ajudar a "reconstruir" a economia do Egito.
Strauss-Kahn se disse preocupado com o agravamento dos desequilíbrios globais, referindo-se às tensões políticas em Egito, Tunísia e Congo. Segundo ele, esses desequilíbrios ameaçariam a "frágil" recuperação econômica.
Os dois pronunciamentos reafirmaram o distanciamento entre Mubarak e o FMI e a revolução em desenvolvimento nas ruas do Egito.
Ignorando o toque de recolher, a oposição reuniu 1 milhão de pessoas nas ruas das principais cidades do país. Deste cedo, manifestantes tomaram conta do centro do Cairo. Os gritos de protesto estão em toda parte, assim como cartazes e fotos pedindo a renúncia de Mubarak.
Paraquedista
Marcos Oliveira e Sergio Souto, 01/02/2011 O oportunismo com que o ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA) Mohamed ElBaradei desembarcou no Egito, para, surfando na ebulição da revolução local, se oferecer para ser o futuro líder do país só é comparável à ligeireza com que as agências internacionais de notícias, secundadas por seus satélites em outras partes, insistem em apresentá-lo "como principal líder da oposição". O fato de ElBaradei apenas ter recém-chegado ao Egito enquanto a oposição se vias às voltas com a brutal repressão da ditadura de Hosni Mubarak não é obstáculo para mídia monopolista forjar mais um dos seus "campeões da liberdade".
Para os excessivamente ingênuos e/ou os muitos espertos que, em pleno século XXI, defendem uma revisita à Escola Clássica, para defender existir uma dicotomia incontornável entre economia e política, ignorando o papel de ditaduras na defesa de interesses econômicos das elites, um exemplo emblemático vem do Egito. Nos 30 anos de ditadura de Hosni Mubarak, o salário mínimo foi mantido congelado durante 26 anos. Sem correção para manter seu poder aquisitivo diante da inflação, chegou a valer o equivalente a US$ 6 (cerca de R$ 10,80). Depois de todo esse período e apenas com os fortes protestos dos egípcios ano passado, o mínimo, por decisão da Justiça local, foi elevado, em dezembro, para US$ 69 (cerca de R$ 124,20), contra US$ 222 (R$ 399,60), reclamados pelos sindicatos.
Herança de Mubarak
Marcos Oliveira e Sergio Souto, 31/01/2011 Para os excessivamente ingênuos e/ou os muitos espertos que, em pleno século XXI, defendem uma revisita à Escola Clássica, para defender existir uma dicotomia incontornável entre economia e política, ignorando o papel de ditaduras na defesa de interesses econômicos das elites, um exemplo emblemático vem do Egito. Nos 30 anos de ditadura de Hosni Mubarak, o salário mínimo foi mantido congelado durante 26 anos. Sem correção para manter seu poder aquisitivo diante da inflação, chegou a valer o equivalente a US$ 6 (cerca de R$ 10,80). Depois de todo esse período e apenas com os fortes protestos dos egípcios ano passado, o mínimo, por decisão da Justiça local, foi elevado, em dezembro, para US$ 69 (cerca de R$ 124,20), contra US$ 222 (R$ 399,60), reclamados pelos sindicatos.
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