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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Antologia apresenta a obra de Ruy Mauro Marini

por Almir Cezar

O CLACSO, em parceria com a Agência Sueca de Desenvolvimento Internacional e a editora Siglo Veintiuno, lançou em 2015 mais um dos seus cadernos de antologias de grandes pensadores sociais latino-americanos contemporâneos. Deixa vez o homenageado foi o sociólogo e cientista político brasileiro Ruy Mauro Marini (1932-1997), um dos co-fundadores da Teoria Marxista da Dependência, ou simplesmente Teoria da Dependência. A antologia e a apresentação coube ao professor da UFRJ Carlos Eduardo Martins.

Clique AQUI para ler online ou baixar.

O livro, infelizmente apenas em espanhol, reflete o fato que, embora extremamente conhecido nos países latino-americanos de língua espanhola, sua obra é pouco conhecido no Brasil. Porém permite ao leitor brasileiro conhecedor dessa língua uma boa coletânea do pensamento de Marini.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Marxismo e teoria da dependência, por Álvaro Bianchi

Blog Convergência | novembro 29, 2013 |por Alvaro Bianchi

A necessidade de desenvolver uma interpretação de nossa realidade torna a trajetória do marxismo latino-americano desviante. Perry Anderson (2004) analisou o deslocamento que ocorreu no marxismo europeu do pós-guerra para os temas da filosofia e da crítica literária. A necessidade de o marxismo interpretar a América Latina e, particularmente, o Brasil impediu que a pesquisa histórica, social, política e econômica sofressem o mesmo deslocamento. Pode-se, até mesmo, dizer que a filosofia e a crítica literária brasileiras foram desde cedo marcadas pela análise histórica e social, inclusive no marxismo, ou seja, que o objetivo explícito dessa filosofia e dessa crítica literária foi, senão sempre pelo menos na maioria das vezes, interpretar o Brasil.[1]

Isso é evidente naqueles autores já citados que assumiram como desafio o estudo da formaçãodo Brasil. Mas pretendo apresentar de modo mais detalhado um caso que tinha tudo para ser a realização do “marxismo ocidental” no Brasil, mas que nunca o foi: o lendário “Seminário d’O Capital”, aquele grupo de estudos sobre a obra de Marx integrado por José Arthur Giannotti, Fernando Henrique e Ruth Cardoso, Paul Singer, Fernando Novais, Octávio Ianni e outros.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Livro com texto inédito de Ruy Mauro Marini, 'el maestro em rojo y negro'

por Vitor Hugo Tonin

Prezados,

Envio-lhes um novo produto deste esforço cada vez mais continental de resgatar e difundir a obra Ruy Mauro Marini, El maestro em rojo y negro, que me parece ser um excelente título para um trabalho de compilação de textos e de homenagem a Marini. Afinal El maestro era como Ruy era carinhosamente chamado pelos militantes do Movimento Izquierda Revolucionaria chileno (MIR-Chile), organização política que resgatava toda a tradição revolucionária latino-americana expressa em suas cores: el rojo y negro.

O livro é organizado pelo Instituto de Altos Estudios Nacionales de La Universidad de postgrado del Estado do Equador com forte apoio de Patrício Rivas, ex-militante do MIR chileno e amigo pessoal de Ruy. É de Patrício Rivas o cuidadoso prólogo-homenagem do livro: El saber revolucionário y los términos de la dominación mundial, onde situa o surgimento da Teoria Marxista da Dependência ao problematizar as condições históricas da construção do conhecimento e que a grandeza desta geração não provem de um saber “autocentrado” mas da “aceleración histórica de los tiempos políticos” que se expressa através de intelectuais dispostos a se vincular organicamente a classe trabalhadora e à práxis revolucionária. Assim sintetiza Patrício: “intentar localizar los aportes de Ruy Mauro Marini no es un ejercicio fácil, ya que él condensa y personifica a ese intelectual nacido en la década de los cincuenta del siglo XX” y que se trata de um “sujeto singular que es intelectual y militante, y que desde el ámbito del pensamiento aporta modelos de trabajo para los propios movimientos sociales que no se someten a la cultura dominante”.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Cátedra do IPEA lança livro sobre desenvolvimento e dependência

A Cátedra de Estudos do Desenvolvimento Brasileiro "Ruy Mauro Marini" do IPEA-Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, coordenada pelo prof. Niemeyer Almeida Filho, da Universidade Federal de Uberlândia e presidente da Sociedade Brasileira de Economia Política, lançou o livro que reúne vários autores que tratam sobre Desenvolvimento e dependência, a partir da contribuição teórica de Ruy Mauro Marini e seus aportes a análise da dependência capitalista do Brasil.

O livro está disponível gratuitamente no Portal do IPEA (clique aqui para baixar)

Cada capítulo refere-se a um texto:

terça-feira, 21 de maio de 2013

Seminário 40 anos do livro "Dialética da dependência" no México


Hoje e amanhã (21 e 22 de maio) acontece na Cidade do México,  o Seminário Internacional 40 años de Dialéctica de la dependencia, livro clássico sobre desenvolvimento sócio-econômico na perspectiva marxiana e latino-americanista do intelectual brasileiro Rui Mauro Marini.

O seminário contará inclusive com a presença de professores universitários e pesquisadores brasileiros e acontecerá no Auditorio Mtro. Ricardo Torres Gaitán, da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM). 

Rui Mauro Marini foi um dos formuladores da Teoria Marxista da Dependência e professor de sociologia por muitos da UNAM, que inclusive dedica um centro de pesquisa em sua memória, com um portal na internet para divulgar suas obras. Curiosamente, segue sendo um intelectual muito mais celebrado e estudado no México e na América Latina de língua castelhana do que no Brasil. Esse livro terá sua primeira publicação em português e no Brasil pela primeira vez esse ano.

As inscrição e informações do seminário são pelo site: www.iiec.unam.mx

Veja a programação:

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Dossiê Ruy Mauro Marini no portal "marxismo21"

Ruy Mauro Marini

Ruy Mauro Marini: teoria & praxis da revolução na AL

A obra e a contribuição teórica de Ruy Mauro Marini (1932-1997) são os temas de um dossiê no Portal  marxismo21 com uma série de artigos que buscam sintetizar as principais contribuições teóricas do cientista social brasileiro para o pensamento crítico na América Latina.

Nos seus artigos e de seus interpretes pode-se verificar a trajetória da teoria marxista da dependência no Brasil e a atualidade do seu pensamento.

O legado de Marini nas palavras de Carlos Eduardo Martins, um dos seus principais interpretes: "Ruy Mauro Marini foi um dos principais cientistas sociais latino-americanos. Sua obra é marcada por uma profunda criatividade que se expressa no rigor do uso dialético do método marxista para compreender a realidade latino-americana e o desenvolvimento da economia mundial."

Clique aqui para acessar o dossiê.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Seminário Cátedras IPEA do Desenvolvimento "Pensamento de Rui Mauro Marini

SEMINÁRIO CÁTEDRAS DO DESENVOLVIMENTO PENSAMENTO DE RUI MAURO MARINI
Instituto de Economia - Universidade Federal de Uberlândia


25 de março e 29 de abril

Campus Santa Mônica, Uberlândia - MG
 
 
  • 25 de março
9h (Anfiteatro da Biblioteca)

Sessão de abertura

9h15 (Anfiteatro da Biblioteca)

Painel 1 – Atualidade do pensamento de Rui Mauro Marini

Carlos Eduardo da Rosa Martins (Departamento de Ciência Política da UFRJ)

Roberta Traspadini (economista, educadora popular e membro da Consulta Popular)

14h30 (Anfiteatro da Biblioteca)

Painel 2 – Superexploração do trabalho e desenvolvimento periférico

Marcelo Dias Carcanholo (Departamento de Economia da UFF)

Marisa da Silva Amaral (Doutoranda da USP)



  • 29 de abril
9h (Anfiteatro da Biblioteca)

Sessão de abertura

9h15 (Anfiteatro da Biblioteca)

Painel 3 – Possibilidades de aumento do grau de autonomia do desenvolvimento brasileiro

Theotônio dos Santos (Programa em Pós-Graduação em Ciência Política da UFF)

Leda Maria Paulani (Departamento de Economia da USP)

14h30 (Anfiteatro da Biblioteca)

Painel 4 – Condição estrutural periférica: natureza intrínseca ou condição

Frederico Katz (bolsista IPEA)

Rubens Rogério Sawaya (Departamento de Economia da PUC-SP)



Realização:

Organização: NUDES – Núcleo de Desenvolvimento Econômico, IE-UFU

Responsável: Professor Niemeyer Almeida Filho

Financiamento: IPEA - Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas

Apoio: PPGE – Programa de Pós-Graduação em Economia, Instituto de Economia, Universidade Federal de Uberlândia

http://www.ie.ufu.br/

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A teoria do subimperialismo brasileiro

notas para uma (re)discussão contemporânea
A teoria do subimperialismo brasileiro


Fábio Bueno, Raphael Seabra

A década de 2000 consolidou uma nova fração da burguesia brasileira ligada ao mercado internacional não mais pela simples exportação de mercadorias, mas também pela de capitais na forma de investimentos diretos, implicando na recente expansão das multinacionais brasileiras3. Este processo de internacionalização da burguesia brasileira coincide com i) o aumento de conflitos envolvendo a burguesia brasileira em países da América do Sul - empresários da soja em terras paraguaias e bolivianas, Petrobrás na Bolívia e Odebrecht do Equador -, e com ii) uma orientação da política externa brasileira de maior destaque internacional, não só buscando assento no Conselho de Segurança da ONU, mas comandando as tropas da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti desde 2004. Esse quadro permite formularmos a hipótese de que o movimento conjunto da política externa e da economia brasileira novamente corresponde à noção de subimperialismo de Ruy Mauro Marini, mas sob novas determinações. Para tanto, retomaremos brevemente a teoria do subimperialismo e em seguida destacarmos as novas determinações deste conceito no campo da política externa, da conformação das frações burguesas e da acumulação e composição orgânica do capital no Brasil.

[ clique aqui para ler a íntegra do artigo ]

Fonte: site da ALAI http://alainet.org

terça-feira, 28 de julho de 2009

(resenha) “A América Latina e os desafios da globalização - ensaios dedicados a Ruy Mauro Marini"

Jornal dos Economistas, no. 240 (Julho, 2009). Pág. 13

-Almir Cezar de Carvalho Baptista Filho*

Por iniciativa da REGGEN e publicada pela Editora da PUC-Rio e Boitempo Editorial, recentemente foi lançando livro reunindo ensaios de pensadores contemporâneos de vários países a respeito da obra, do contexto histórico ou sob a influência
do cientista social brasileiro Ruy Mauro Marini na interpretação da globalização a partir da América Latina.

O livro, mais que um resgate e celebração à vida e obra de Marini através das escritas dessa seleção de autores, chega em um momento excelente, coincidindo oportunamente com os 40 anos do livro de Marini “Subdesenvolvimento e Revolução”
(1969) e com o aparecimento de uma nova crise mundial capitalista,
a maior desde a de 1929. E mais do que isso, serve ao resgate de seu pensamento e para romper o silêncio no Brasil em torno desse autor, permitindo a nova
geração de intelectuais mais do que conhecê-lo, tê-lo como ponto de partida e relocalização com a nova realidade e a religação entre prática e teoria.

Um dos fundadores da Teoria da Dependência e um dos principais expoentes de sua versão marxista, Ruy Mauro Marini é participante de um seleto grupo responsável pela projeção do pensamento de produção regional latino-americano. As décadas de 1960 e 970 foram de renovação do pensamento marxista. A Teoria da Dependência era a articulação dessa renovação na periferia do capitalismo mundial, em especial na América Latina. Por sua vez, Marini sempre procurou casar nas análises a questão nacional e a questão democrática com a luta de classe e, articulando-os, resultando em um enfoque e uma perspectiva socialista.

Contudo, embora ainda seja pouco divulgada em seu próprio país, sua obra serve de base e inspiração a uma vasta gama de pensadores e influência a várias correntes da ciência social ainda hoje, mesmo passado mais de uma década de sua morte (1997).

Marini tinha uma visão crítica do desenvolvimento das economias latino-americanas:
monopolista e sócia dos monopólios transnacionais do centro imperialista. Para Marini, a dinâmica econômica própria e regular das sociedades da zona periférica gera uma descapitalização crônica e crescentemente maior, e reforço da desigualdade
social, especialmente na zona periférica industrializada, combinada da ampliação da situação de dependência crescente ao centro.

Mas também, a dependência é do centro com a periferia, que se torna também cada vez mais refém das transferências do excedente econômico, garantidos por um controle mais férreo das burguesias nacionais sobre as massas, e pela ampliação da taxa de exploração da força de trabalho. E ainda terá que repetir no plano interno o modal de geração de mais-valia pela superexploração do trabalho. Reforçando consequentemente a crescente transnacionalização da economia mundial.

Infelizmente, Marini não viveu para ver uma espécie de renascer do interesse no seu pensamento e na Teoria da Dependência, despertados pela crise do modelo neoliberal marcadas pelas sucessivas crises da década 1990 e pela recente ascensão dos movimentos de massas. Na atual década houve uma produção autoral sob enfoque dependentista ou derivado que ultrapassa o volume das duas anteriores.

Contudo, a esquerda intelectual latino-americana, especialmente a brasileira, ainda está se reajustando a essa nova realidade. Tentar se apropriar do legado da obra de pensadores como Marini seria um bom passo e esse livro cumpre um papel fundamental neste sentido.

* Almir Cezar de Carvalho Baptista Filho é economista graduado pela UFF e mestre pela Universidade Federal de Uberlândia

Para ler a íntegra do Jornal dos Economista no. 240 clique aqui.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Debate do novo livro sobre Marini

Debate Pensamento de Ruy Mauro Marini - Debate sobre o tema e o livro

A AMERiCA LATINA E OS DESAFIOS DA GLOBALIZAÇÃO: ENSAIOS DEDICADOS A RUY MAURO MARINI

Debatedores:
Carlos Eduardo Martins
Adrian Sotelo Valencia
Oswaldo Munteal

Casa Bolivariana
Sexta feira, dia 10 de junho às 18 horas
Auditório da FAFERJ Praça da República, 24/3º andar

Realização:
Missão Ruy Mauro Marini – Movimento Revolucionário Nacionalista – Círculos Bolivarianos

domingo, 5 de julho de 2009

Frase do Dia

O mundo de amanhã é o nosso mundo.
Em seu nome, exigimos que se façam os grandes sacrifícios
e as renúncias forçadas
e a arregimentação
geral.


Ruy Mauro Marini, excerto de um poema de juventude

Fonte: Archivo de Ruy Mauro Marini.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Artigo analisa a visão marxista de Marini sobre a AL

O artigo Ruy Mauro Marini:uma Interpretação Marxista do Capitalismo Dependente, de Adolfo Wagner, para a Revista Em Pauta, No. 22, 2009(Revista da Faculdade de Serviço Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro), em que desenvolve uma breve descrição das principais características do que se convencionou nominar por “Teoria da Dependência” e situa as noções-chaves que formam o edifício conceitual do pensamento do sociólogo e militante marxista Ruy Mauro Marini, cuja obra representa um dos mais importantes esforços para a compreensão dos dilemas enfrentados pelos países latino-americanos na atualidade.

Clique para ler aqui.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Uma breve biografia de Ruy Mauro Marini e seus textos

Há disponível na net um texto biobibliográfico sobre Ruy Mauro Marini

Ruy Mauro Marini: marco del pensamiento contemporáneo, escrita pelo professor da UFF Carlos Eduardo Martins.

Foi publicado no livro de antologia América Latina, dependencia y globalización. Fundamentos conceptuales Ruy Mauro Marini. Antología y presentación Carlos Eduardo Martins. Bogotá: Siglo del Hombre - CLACSO, 2008.

Disponível em:

http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/secret/critico/marini/01Martins.pdf

Tem disponível vários textos do próprio Marini, segue abaixo quais:

La dialéctica del desarrollo capitalista en Brasil (1966)


Dialéctica de la dependencia (1973)


En torno a Dialéctica de la dependencia (postscriptum) (1973)


Las razones del neodesarrollismo (respuesta a F. H. Cardoso y J. Serra) (1978)


Origen y trayectoria de la sociología latinoamericana (1994)


Proceso y tendencias de la globalización capitalista (1997)


El concepto de trabajo productivo: nota metodológica (1998)


Bibliografía de Ruy Mauro Marini

http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/secret/critico/marini/

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Em entrevista Chico Oliveira apoia as teses de Ruy Mauro Marini

Chico Oliveira apoiando as teses de Ruy Mauro Marini abertamente em entrevista concedida aos professores Jaldes Reis de Meneses (DH-UFPB) e Maria Aparecida Ramos (DSS-UFPB).

Trata-se de um truísmo afirmar que o professor Francisco de Oliveira, Professor Titular da Universidade de São Paulo (USP) é hoje um dos principais intelectuais brasileiros. Autor de uma respeitável obra de estudos sociológicos, hoje clássicos, tais como Elegia para uma re(li)gião (1977), A economia da dependência imperfeita (1989), Os direitos do antivalor (1998) e o recente e polêmico artigo O ornitorrinco, incluído no volume Crítica à razão dualista/o ornitorrinco (2003), aos 74 anos, o professor mantém-se ativo, repleto de compromissos e com uma produção intelectual intensa de quem não fica parado e pensa as questões atinentes ao Brasil e à evolução recente do capitalismo em tempo integral.

Dotado de imensa coragem e independência crítica, filiado em suas origens mais antigas a Celso Furtado, com quem compartilhou a direção intelectual da SUDENE antes de 1964, é impressionante a capacidade renovação do pensamento de Chico de Oliveira. Sempre munido da razão crítica contra o "cinismo dos sem-razão", estamos diante de um pensamento em movimento, irônico e curioso.

Na entrevista fala de muitos aspectos da realidade atual. Barack Obama, crise financeira mundial, o novo papel do Brasil no capitalismo mundial. Selecionamos três perguntas/respostas da entrevista. Clique para ler na íntegra aqui.

Em recente programa de televisão alusivo aos 90 anos de Antonio Candido, o senhor afirmou que a geração de autores como o próprio Candido, Caio Prado, Florestan Fernandes, etc., são “pontos de partida” e não “de chegada” na compreensão do Brasil. Como é possível chegar a algum “ponto”, em termos de espaço nacional brasileiro, diante da internacionalização da economia?

Eles são pontos de partida, porque é a partir daí que temos que avançar na compreensão do Brasil. Não são mais pontos de chegada, por exemplo, com Celso Furtado: a globalização redefiniu os termos entre periferia e centro, por isso a teorização de Furtado não pode ser entendida como uma radiografia do Brasil de hoje e de sua inserção no sistema internacional. A partir de sua “internalização de decisões”, que foi o auge do “subdesenvolvimento”, podemos partir para entender a extroversão das decisões, mas não podemos nos contentar com as recomendações de política que decorriam do “subdesenvolvimento”. Com os outros grandes teóricos, passa-se mais ou menos o mesmo, talvez menos com Antonio Candido, pois como sabemos as mediações de sociedade, Estado e sistema econômico são mais complexas, e qualquer reducionismo aí é muito perigoso. Florestan pode ser entendido na chave também do “ponto de partida”, mas sua interpretação sobre a ausência de “revolução burguesa” no Brasil, em chave parecida com as dos nossos Carlos Nelson Coutinho e Luis Werneck Vianna, deve ser repensada, pois no capitalismo globalizado já não se faz necessária que a burguesia nacional seja revolucionária. Aliás, se a “hegemonia às avessas” tem alguma qualidade como “provocação teórica”, está exatamente em que a globalização utiliza as “energias utópicas” (Habermas) dos dominados para a nova forma de dominação.

Tivemos dois anos de crescimento econômico no Brasil. Sobrevém atualmente uma crise econômica internacional, com fulcro nos Estados Unidos. Diante da conjuntura, como se projetam as dificuldades no governo brasileiro, doravante?

Pode-se produzir “descolamento” entre a crise nos USA e também na Europa, e a expansão capitalista no Brasil. Estamos nos especializando em comodities, além de que convém insistir em que a dinâmica capitalista na China e na Índia supre as demandas de outras regiões. A crise norteamericana, que é sobretudo de caráter financeiro, não necessariamente afeta as comodities. Já se produziu algo parecido na crise dos anos 30: enquanto o capitalismo central mergulhava em recessão, a economia brasileira cresceu. O problema, desta vez, é que o financiamento da acumulação de capital no Brasil se extroverteu, e então uma crise financeira pode nos afetar gravemente.

Na esteira das antigas e polêmicas digressões de Rui Mauro Marini, enunciadas em Dialética da dependência (México, Editora Era, 1977), ainda na década de 70 do século passado, alguns vizinhos brasileiros (Bolívia, Paraguai, e mesmo a Argentina, entre outros) voltaram a falar em um “sub-imperialismo” brasileiro. Realmente, os investimentos estatais e empresariais brasileiros têm crescido nesses países. Como analisa a questão?

Creio que Rui Mauro Marini previu corretamente a trajetória do capitalismo brasileiro e suas relações com a América do Sul. Na época, apenas Itaipu anunciava sua tese; agora, a Petrobrás controla 15% do PIB da Bolívia. Isto é uma empresa dentro de um Estado ou um Estado dentro de uma empresa? Até o governo brasileiro tem medo da Petrobrás: a discussão atual sobre o Pré-Sal mostra que o governo não controla mais sua principal empresa. Parodiando Paul Baran [1910-1964], em conferência no Recife, que nunca foi divulgada, não é o governo brasileiro que controla a Petrobrás, mas é a Petrobrás quem controla o governo brasileiro. Perto disso, o imperialismo das antigas grandes “sete irmãs ” do petróleo é brincadeira de aprendiz.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Livro sobre Ruy Mauro Marini


Acabou de sair do forno esta nova publicação Boitempo/PUC-RJ América Latina e Os Desafios da Globalização: Ensaios Dedicados a Ruy Mauro Marini. Coletânea de artigos que fazem uma leitura da realidade atual latino-americana pela perspectiva das teorias do cientista social brasileiro Ruy Mauro Marini. É um livro imperdível sobre um autor que vem (e precisa) sendo redescoberto e desaparecido muito precocemente.

Seguem o índice.




sábado, 7 de março de 2009

Ruy Mauro Marini no wikipédia


Sugestão de hoje é a leitura do verbete do wikipédia sobre o cientista social Ruy Mauro Marini (1932-1997).



Marini é um dos criadores da teoria marxista da dependência na década de 1960, junto de gente como Theotonio dos Santos. Extremamente conhecido na América hispânica mas infelizmente pouco lido em seu próprio país.

Clique aqui para ler

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Por que a crise é menos grave no Brasil e nos BRICs do que na Europa ou EUA?

Por Almir Cezar Filho

Um aspecto interessante da crise atual é a diferença de impacto desta entre, de um lado, os EUA, União Européia e Japão e, do outro, países dos BRICs e ditos “emergentes”. Houve mudanças no Capitalismo mundial que levou a uma modificação na divisão internacional do trabalho que se torna visível apenas agora com a crise.

A crise se manifestou inicialmente como estouro do “bolha” nos EUA do mercado imobiliário e financeiro de subprime e hipotecário. Contaminou os bancos de investimentos e bancos comerciais, chegando no Canadá e no outro lado do Atlântico (em maior medida) e no outro lado do Pacífico (menor medida). Já na China, Índia, Brasil e Rússia, ela se manifesta muito mais nas bolsas de valores e com ainda poucos sinais no restante do mercado financeiro bancário e no setor real da economia. Os poucos sinais no setor real estão ligados a temor de desaquecimento do consumo, especialmente no caso de exportação e de consumo interno ligado a crédito facilitado, e restrições ao financiamento internacional e crédito para investimentos.

As bolsas dos BRICs e dos “emergentes” caem por algumas razões, todos ligados ao pânico dos especuladores internacionais. No início da crise, ainda no ano passado, com o estouro da “bolha”, as bolsas desses países se tornaram um refúgio para os fundos e bancos de investimentos, só que agora o pânico é grande, e as empresas desses países por conta da generalização da crise devem ter queda em seus lucros. E também, até agosto desse ano esperava-se apenas que os EUA iriam entrar em pequena recessão e não que o mundo, especialmente os países centrais, iriam mergulhar juntos, assim o Brasil, Rússia, etc, poderiam ser um transitório refúgio ou meio de recuperar as perdas.

O porquê da queda acentuadas nos BRICs nas bolsas

As ações estavam em alta nos BRICs já a alguns anos e com viés de crescimento. As taxas de lucro estavam em trajetória de expansão, tornaram-se atrativas. As empresas nacionais dos BRICs aproveitam para terem ganhos em cima disso, realizando IPOs (abertura inicial de ações) e expansões das subscrições acionárias, não apenas para financiar investimentos, mas para ter ganhos na sobrevalorização de ações. Como diz o ditado no mercado financeiro: “a bolsa sobe no boato e caí no fato”. O fato é que os lucros não cresceriam tanto e a tendência agora é o contrário é de redução no pagamento dos dividendos.

A diferença entre China e Brasil e qual a alternativa para o Brasil

Isso explica porque no Brasil a queda na bolsa é pior dos que no resto dos BRICs. O Brasil entre esses países é o que possui o mercado financeiro e de bolsa mais sofisticado. A Bolsa de SP movimenta em bolsa inclusive valores superiores que as bolsas dos outros BRICs, mesmo Xangai (excetuando Hong Kong, particularmente muito vinculado mais ao movimento do Japão e dos tigres asiáticos do que da própria China). O vínculo também entre bancos, fundos de investimentos e empresas é muito maior.
Mas a China será a que deve mais sofrer com a desaceleração da economia dos EUA. O temor do mundo é exatamente isso. Por um lado, a China é a grande exportadora do mundo, tendo seu principal mercado consumidor justamente os EUA, que também é a economia cujas empresas são os maiores investidores na China. A expansão do PIB chinês é fortemente puxado pelas exportações de manufaturados, numa proporção muito menor do que dos outros BRICs. Por outro, o pânico no mundo também é explicado, pelo fato (ou que avaliação), que embora a economia chinesa seja uma (nova) locomotiva do mundo - e pode até explicar porque a crise não se disseminou pelo mundo de maneira mais rápida - não teria condições de compensar a recessão dos EUA.

É nessa característica que diferencia o Brasil da China. A economia brasileira cresceu nos últimos anos puxado muito mais pelo mercado interno – crédito facilitado ao consumidor, crescimento da renda do trabalhador, projeto de investimentos privados e programa de investimentos públicos – do que pelo mercado externo. Significa que em segundo momento o Brasil pode estar em melhor condição que a China, desde que a equipe econômica do Governo Lula, identificada com uma visão macroeconômica neoliberal e financista não erre a mão, puxando o freio do PIB, numa avaliação equivocada de que para diminuir a crise seria preciso desacelerar a economia ou manter altas as taxas de juros para reter dólar aqui.

Na verdade, a melhor maneira de diminuir a crise no Brasil é o Brasil crescer. A previsão do crescimento do PIB para o ano que vem era de mais de 5%, mas a avaliação após agudização da crise em agosto/setembro foi para menos de 4%. Se houver uma generalização de redução do crescimento as empresas suspenderão seus investimentos e as famílias compras programadas - por medo de prejuízos, menor lucro e medo do desemprego ou inadimplência - empurrando como uma bola de neve o PIB para baixo. Aí, a bolsa cairá de vez. As empresas venderam menos e demitirão. Os dólares fugiram – com impacto nas taxas de juros (para retê-los) e nos preços (inflação via desvalorização do real, elevando os preços das commodities. O Brasil precisa crescer no ano que vem para fugir da crise.

A nova divisão internacional do trabalho e o subimperialismo dos BRICs


Estamos falando dos BRICs – a duas décadas atrás expressão nem existia. O que aconteceu foi uma mudança no capitalismo mundial. Uma mudança na divisão internacional do trabalho. Mas será agora na crise que veremos uma reconfiguração enorme no sistema.

Parafrasendo André Gunder Frank, as maiores mudanças qualitativas na divisão internacional do trabalho ocorrem num período de crise da acumulação e capital, e que essas mudanças são, então, quantitativamente aumentadas durante um período seguinte de expansão, que foi facilitado por elas. Esses movimentos ascendentes ocorreram, evidentemente, depois de crises anteriores (no caso, a crise mundial dos anos 70 e 80), veremos tão logo a crise seja seguida de uma expansão ou uma atenuação da crise.

Embora quantitativamente essas mudanças na DIT sejam mais visíveis durante os períodos de ascensão do grande ciclo, qualitativamente elas parecem concentrar-se no momento de crise e nos primeiros anos do movimento descente. É então que ocorre uma luta séria pelos mercados, luta essa que também se baseia numa mudança relativa nas forças produtivas entre potências econômicas, tal como aconteceu em fins do século XIX, com a ascensão ao lado da Inglaterra e França, de países como Alemanha, Japão, EUA e Itália. Essas novas transformações qualitativas na DIT são claramente percebidas com maior definição após os anos 70 com a Europa Ocidental e Japão, e agora com os BRICs.

Um aspecto de tais modificações é o desenvolvimento do subimperialismo, como Ruy Mauro Marini analisou, como referência ao Brasil. O caso brasileiro não é excessão, visto o BRICs e outros países como África do Sul e México. O subimperialismo do Brasil só pode ser do interesse da potência imperialista. É competidor e aliado. É instrumento, mas do tipo faca de dois gume, gume cortante, no qual enfrenta o imperialismo mas também esse atua nas neocolônias através do subimperialismo. O interessante também que as potências centrais (EUA, UE e Japão), embora competidoras entre si, elas também têm interesses comuns, convergentes, numa região, que o subimperialismo indiano, chinês, russo ou brasileiro, pode proteger, conciliando assim.

Esse novo papel estão vendo agora, e veremos ainda mais no próximo período. A primeira mostra é a manifestação desigual dos efeitos da presente crise nos países industrializados.