sábado, 18 de setembro de 2010

Tariq Ali e os 70 anos do assassinato de Trotsky

Tariq Ali e os 70 anos do assassinato de Trotsky

www.cartamaior.com.br
Trotsky foi o único pensador da esquerda que compreendeu que, para derrotar o fascismo, há que se unir aos social-democratas e aos liberais, para construir uma frente. Este é um tema de grande atualidade, ainda que não haja social-democratas de esquerda. Toda essa questão de construir pequenas seitas em torno de um par de líderes é bastante deprimente. Seria triste que o legado de Trotsky se reduzisse a isso. Qualquer esquerda que seja, que emerja das ruínas do século vinte terá de ser capaz de aprender e de desaprender. Caso contrário, vale mais ser um vendedor de peixe do que um esquerdista dogmático e religioso. A análise é de Tariq Ali. 

O escritor, ativista e analista político Tariq Ali foi uma figura destacada do trotskismo nos anos 60 e 70. No entanto, seu compromisso com Trotsky vai além da política de partido. Como testemunho disso, apresentamos a conversa que Ali teve há umas semanas com Kirsty Jane McCluskey, do coletivo de bibliófilos Vulpes Libris, por ocasião da sua apresentação no Festival do Livro de Edimburgo, de sua nova novela, "A noite da mariposa de ouro..."

Em Anos de Luta nas Ruas você disse que leu pela primeira vez a bibliografia de Trotsky de Isaac Deutscher quando estava doente, acamado (uma experiência arrepiante, sobre a qual preferiria não ter tantas informações). Depois daquilo, quando começou a ler Trotsky? Qual foi seu primeiro contato com a obra?

Tariq Ali – Depois de ler a trilogia de Deutscher, vi-me arrastado de maneira natural a ler os escritos do protagonista daquela biografia fascinante, sem precedentes. Assim, pois, comecei por "Minha Vida", a autobiografia de Trotsky, um texto belamente escrito, que se lê como se fosse ficção de alto fôlego. A qualidade literária de Trotsky me impactou enormemente. E isso me conduziu a outros escritos seus. Para minha geração, foi um autor muito importante, pois oferecia uma alternativa a um sistema que já então não funcionava e que ia por um mau caminho. Foram aquelas leituras que me tornaram trotskista, entre os anos 60 e 70.

Ernest Mandel foi outro ponto de referência. O que chama a atenção é que, naquela época entramos em contato com gente que conhecia quem tinha tido um vínculo direto com os bolcheviques, o que fazia com que nos sentíssemos os continuadores de uma tradição. Pensa, por exemplo, no título O que é a União Soviética e para onde vai?, que foi mal traduzido como A revolução traída. É um livro soberbo. Ali ele dizia que, ou a União Soviética dava um passo adiante e se convertia numa democracia socialista, ou bem haveria uma regressão capitalista na qual boa parte dos burocratas de então iriam se converter nos milionários do futuro. Seus críticos diziam: “é uma loucura!”. Não havia ninguém que pudesse ir tão longe na análise. Trotsky tinha uma mente muito fina, e creio que foi a combinação de suas qualidades como intelectual e como revolucionário o que o tornou tão interessante, para mim, desde cedo, e também para muita gente que estava entrando na vida política nos anos 60.

Você se tornou trotskista, então. Foi um caminho natural naquela época?

Tariq Ali - Naquela época, sem dúvida. E não podia ser de outro modo. Depois, pouco a pouco você ia se dando conta de que Trotsky era uma coisa, e muitos grupos trotskistas, eram algo bastante diferente. Não é à toa que o próprio Trotsky, em resposta a tudo isso, tenha declarado “Não sou trotskista”.

Desde os anos 60, que com tanta eloquência você descreveu em Anos de Luta na Rua, como evoluiu a sua relação com Trotsky?

Tariq Ali – Quando as pessoas me perguntam: “você ainda é trotskista?” digo que não, porque não sou membro de nenhuma das organizações que se autodenominam assim. Para ser honesto, penso mesmo é que estão esgotadas. Por outro lado, sigo me considerando trotskiano, já que seu impacto em mim persiste, sobretudo em tempos que são filhos de uma grande derrota, algo que ele conheceu muito bem. A maior parte de sua vida transcorreu nessas condições. Às vezes, quando volto a alguns ensaios seus que não tinha lido durante vinte ou vinte e cinco anos, indefectivelmente aprendo algo. É bastante surpreendente.

Uma questão importante em Trotsky foi seu desprezo pelos idiotas. E isso foi um problema para ele, porque o Partido Bolchevique estava cheio de idiotas. Trotsky não perdia tempo com eles, mas ao final foram esses tipos que se mobilizaram contra ele. Me encantava a anedota de Trotsky naquela reunião do Politburo. Como o nível do debate era insuportável, pegava uma novela de Balzac ou de Stendhal e se punha a lê-las em meio a tudo aquilo. Sem dúvida é uma atitude muito arrogante, mas também bastante admirável. Para mim, Trotsky continua sendo uma figura central do século vinte – como intelectual, como político, como revolucionário – e sua obra perdurará.

Agora há muitos historiadores guerreiros frios profissionais que pretendem se desfazer dele. Não suportam que houvesse um bolchevique capaz de compreender aquele sistema melhor do que eles, numa época, ademais, em que eles estavam totalmente mobilizados por ele. Agora escrevem livros para provar que nada de bom saiu daquilo, que tudo era terrível, que todos eram iguais; que não há diferença entre Lênin e Stalin, que não há diferença entre Trostsky e Stalin. Para gente como Robert Service, Stalin poderia inclusive considerar-se melhor em alguns aspectos. Stalin era alguém com quem se podia fazer negócios, prosperar. E por sorte não era judeu. Stalin, afinal de contas, havia conservado de maneira escrupulosa a parte que lhe havia tocado depois da Segunda Guerra Mundial, ainda que para seu próprio povo tenha sido um desastre. O poema de Yevtushenko, no qual se duplica ou triplica a guarda ao redor de sua tumba era revelador.

Não se pode tomar os trabalhos de gente como Service demasiado a sério. É antes uma moda ideológica. Não chega aos pés do que Deutscher fez, por exemplo. E não porque Deutscher fosse totalmente acrítico, mas porque era capaz de situar toda aquela experiência num outro nível. A moda atual consiste em dizer que tudo o que se passou durante aquele período foi negativo. E isso eu não aceito e não o farei, nunca. É próprio de uma escola de historiadores que se rende aos fatos consumados e que ignora as diferentes possibilidades existentes em cada situação. A Revolução Francesa sofreu um destino similar, por isso em Paris hoje existe uma estação de Metrô chamada Stalin, mas não há nenhuma rua com o nome de Robespierre.

Na sua opinião esta visão das coisas se limita à academia ou reflete uma mudança mais ampla na atitude frente a Trotsky?

Tariq Ali - Acredito que é uma questão acadêmica. No resto do mundo, a geração mais jovem sequer pensa nessas questões. Essa é a tragédia. Isto é algo próprio da academia e dos acadêmicos que querem fazer um nome mostrando que são servidores leais ao estado e às suas necessidades, e que não há alternativas ao mundo tal como ele é. Tem-se publicado alguns livros de acadêmicos jovens – também ruins – que não consegui nem ler. Tenho no meu escritório, não tenho nem passado os olhos neles.

Há uma cierta tendência - penso em gente como Slavoj Zizek - que pede o "repetir" Lenin. Acredita tem sentido “repetir" Trotsky, de maneira ele fosse lido pelas gerações mais jovens?

Tariq Ali - Sim, acredito que sim, Zizek não poderia sabê-lo porque ele não leu Trotsky. O que Zizek faz de maneira brilhante, com graça, é escandalizar a burguesia. É um provocador no sentido estrito do termo. Toma Lênin, a quem todos odeiam, a quem o pensamento dominante vê como um criminoso assassino, e força o leitor a se confrontar com suas idéias. Na realidade, alguém deveria tentar um exercício similar com Trotsky, antes que passe muito tempo. Na editora Verso estamos pensando em fazê-lo.

Hilary Mantel, por exemplo, escreveu uma novela sobre Robespierre que me parece muito boa. E, há décadas, Alan Brien escreveu outra, menos exitosa e não tão bem sucedida, sobre Lênin. Não funcionou, mas a intenção era boa.

Posso entender que nos anos sessenta o vínculo entre o que Trotsky descreve e o que você estava vendo fosse mais estreito. Mas qual deveria ser a aproximação com Trotsky hoje? O que seria diretamente relevante, e o que tem um valor mais simbólico ou de estímulo ao debate?

Tariq Ali – Creio que o seu História da Revolução Russa segue sendo um dos melhores testemunhos de alguém que participou de um levante revolucionário. Sua autobiografia, seus ensaios, sua visão global da realidade e das tendências que se manifestavam nela, sua predição do triunfo do fascismo na Alemanha, sua advertência aos judeus do destino que os esperava se Hitler se impusesse. Ninguém escreveu naquela época com lucidez semelhante, e isto é algo a respeito do quê as pessoas ainda têm o que aprender. Os escritos de Trotsky sobre como se poderia derrotar o fascismo na Alemanha são um corretivo muito importante ao pensamento sectário. A fase, por outro lado, em que se dedicou a argumentar contra diferentes grupelhos sectários não é o mais interessante de sua obra. Era uma época de derrota, e isso não era o seu forte. A força intelectual de Trotsky explodiu quando ele entrou em contato com os movimentos sociais de massas. Seus escritos sobre a questão judaica carecem de interesse. Esse é livro que teria de ser resgatado, porque é muito importante. Trotsky foi o único pensador da esquerda que compreendeu que, para derrotar o fascismo, há que se unir aos social-democratas e aos liberais, para construir uma frente. Este é um tema de grande atualidade, ainda que não haja social-democratas de esquerda. Toda essa questão de construir pequenas seitas em torno de um par de líderes é bastante deprimente. Seria triste que o legado de Trotsky se reduzisse a isso.

Numa conversa anterior com Geoffrey Swain, ele mencionava as considerações de Trotsky sobre planificação econômica em relação com a América do Sul. Você acredita que Trotsky escreveria hoje sobre a América do Sul? Veria o que está ocorrendo ali como algo de interesse, como um lugar em que suas idéias em matéria de planificação poderiam ser úteis?

Tariq Ali - Sim, sem dúvida alguma. Trotsky, em todo caso, defenderia a necessidade de tomar o controle do estado e de seu aparato. E isto não ocorreu. O que há na América Latina hoje é – utilizando a linguagem do próprio Trotsky – uma situação de poder dual. Há uns governos eleitos com uma base de massas. Mas o exército continua sendo a coluna vertebral do estado e esse exército não foi nem destruído nem transformado. Creio que é isso o que ele diria. Em todo caso, na hora de aconselhar como planificar, etc, alguns de seus escritos são realmente muito bons.

Você falava antes de "Minha vida" como um artefato literário. Também nesse terreno Trotsky o influenciou, como escritor ou como leitor?

Tariq Ali – Há alguma influência, mas cada um só pode escrever por si. Ademais, você já sabe, viemos de gerações totalmente diferentes. Para mim o inglês é uma segunda língua; Trotsky escrevia em russo. Creio que conservo algumas de suas maneiras de ver o mundo, mas nem sequer trato de escrever como ele. Isso não se pode imitar, mesmo se quisesse. Era engraçado, nos anos sessenta, como tinha gente em algumas seitas que procuravam falar, adotar as poses de Lênin, de Marx e de Trotsky nos debates do dia a dia, como se vivêsemos no mesmo mundo. E que depois tentavam imitar como apagar dissidentes ou opositores de suas minúsculas organizações. Para alguns era uma espécie de arte: julgamentos, expulsões, denúncias. Uma arte péssima, por certo. Nunca pude levá-los a sério. Eu mesmo parodiei algumas dessas coisas em uma de minhas primeiras novelas, que me tornou bastante impopular. Mas sentia necessidade de fazê-lo, e não me arrependo.

A atual tradição trotskista no Reino Unido...pensando na distinção que fazias há um momento entre trotskista e trotskiano, quais conselhos você daria a esses grupos? O que você acredita que eles deveriam mudar na sua relação com Trotsky?

Tariq Ali - Acredito que essas mudanças já estão tomando lugar, lentamente. Esses grandes pensadores do passado – Marx, Lênin, Trotsky, Gramsci – todos foram importantes e dizem coisas que se pode aprender. Mas não devem ser tratados como deuses. Este foi um grande, grande problema nos movimentos comunistas e trotskistas: seu estilo era muito religioso. Era como se uma citação de Marx ou de Trotsky fossem suficientes para encerrar um debate. Para ser honesto, isso nunca me impressionou muito, nem mesmo quando era membro daqueles grupos, e hoje não me impressiona absolutamente. Há que aprender a ajuizar os méritos dos argumentos de quem nada tem a ver com a esquerda, e encontrar a maneira de debater com eles. E há que fazê-lo porque todas aquelas referências que eram comuns nos anos 60 e 70, e até certo ponto, nos 80, desapareceram. Viraram pó.

Não se pode, portanto, dizer “vamos fazer isso porque Trotsky disse, aqui”. E depois virá alguém que encontrou uma passagem diferente de Trotsky para citar que prova o contrário. E o mesmo com Marx. Mas essa não é uma boa maneira de argumentar. É uma maneira religiosa, e nem Trotsky nem Marx eram pessoas religiosas. Pelo contrário, criticaram duramente esse estilo e essa maneira de fazer as coisas. Eu acredito que esse estilo remonta ao discurso de Stalin no funeral de Lênin: "A ti nos encomendamos, camarada Lenin...". Uma coisa triste. Eu creio, de fato, que um dos grandes problemas com a próprio evolução de Trotsky é que, como o acusavam permanentemente de não ser leninista, acabou por se converter num tipo de leninista semi-religioso, quando na realidade tinha direigido críticas agudas a Lênin, no passado. Sempre senti, e ainda acredito, que isso foi uma autêntica tragédia para esse homem. Imagina uma inteligência tão poderosa. Seguramente ele sabia que se estava cometendo erros, e como esses erros podiam ou deviam ser evitados, mas não se atreveu a dizê-lo por temor ao que seus oponentes políticos podiam fazer com isso. Deve ter sido uma tortura para ele e acredito, sendo quem era, tinha plena consciência do que se passava.

Imagina que um jovem ou melhor, uma pessoa de qualquer idade, politicamente consciente, descubra Trotsky e se sinta inspirada por ele O que você o aconselharia? Como se pode ser ativista a partir da influência dele?

Tariq Ali: A primeira coisa que um ativista deve ter é a capacidade de ser capaz de aprender de diferentes tradições. De Trotsky, de Lênin e de Gramsci, certamente. E de Marx, claro. Pode-se aprender muitíssimo desses grandes pensadores. Mas seria um erro colocá-los num pedestal. Há que se criar algo novo. Nunca será totalmente novo, visto não podemos ignorar o passado e nossa história, mas há coisas que devem ser feitas de outro modo. O estilo de organização política em que não há debate nem discussão sérios, em que se expulsam minorias...tudo isso era uma paródia nos anos 60 e 70, e hoje é claramente um engodo. Eu penso que as pessoas jovens não sentem atração por isso. O que você me pregunta não está claro. Uma resposta honesta seria que não estou um por cento seguro de qual seria o melhor caminho. O que sim, sei, é que seguir o velho estilo é um caminho errôneo.

Talvez, como dizia Deutscher, às vezes seja preciso retirar-se em sua torre.

Tariq Ali - Isso me parece muito importante. Marx também disse isso, depois das derrotas de 1848. Você pode ir, pensar, escrever, mas nunca pode deixar de todo de estar ativo. Quando atrocidades ocorrem, quando se envia pessoas para a guerra, quando se mata, não se pode permanecer à margem. Ao mesmo tempo, devemos ser realistas. Quando se lê muitos documentos escritos por grupos de extrema esquerda...quem pode lê-los? Quer dizer, são pouco mais que boletins internos. Qualquer esquerda que seja, que emerja das ruínas do século vinte terá de ser capaz de aprender e de desaprender. Caso contrário, vale mais ser um vendedor de peixe do que um esquerdista dogmático e religioso...

(*) Tariq Ali é membro do conselho editorial de SinPermiso. Seu último livro publicado é The Duel: Pakistan on the Flight Path of American Power [há tradução para o castelhano pela Alianza Editorial, Madrid, 2008: Pakistán en el punto de mira de Estados Unidos: el duelo].

Tradução: Katarina Peixoto

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Mais da metade das pessoas viviam com até um salário mínimo em 2009

Apesar do tão falado crescimento real da renda dos últimos anos, segundo o IBGE em 2009 mais da metade das famílias viviam com até um salário minímo por pessoa

Mais da metade das famílias viviam com até um salário mínimo por pessoa em 2009

Monitor Mercantil online, 17/09/2010

Seis em cada 10 famílias brasileiras contavam com até um salário mínimo per capita no ano passado. A informação consta da pesquisa Síntese dos Indicadores Sociais divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com os dados, 60,1% da população ganhavam até um salário mínimo em 2009, sendo que mais da metade das famílias (35,3%) viviam com até meio salário mínimo (R$ 232) por pessoa. Quase metade das famílias do Nordeste (46,9%) recebiam esse valor.
No Sudeste, estavam as famílias mais ricas, embora 58,8% recebessem até um salário mínimo. Na região, 7,7% tinham rendimentos entre dois e três salários e 6,3% ganhavam mais do que cinco.
Com relação à desigualdade de renda, a pesquisa mostra diminuição nos últimos dez anos (1999 e 2009). No período, a razão entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres caiu de 24,3 para 17,8, representando uma queda de seis pontos percentuais.
Entre os mais pobres, chama a atenção o impacto de programas de transferência, como o Bolsa Família, que aumentou a participação na renda. Depois dos recursos obtidos com o trabalho, o item "outras fontes" é o que mais ajuda na composição da renda familiar.
No caso de famílias que viviam com R$ 116 (um quarto do salário mínimo da época) por pessoa, no ano passado, os rendimento dos programas de transferência correspondiam a 28% do total da renda, um aumento de sete vezes em relação a 1999 (4,4%).
Para o total das famílias brasileiras, o item "outras fontes" representava 5% do total do rendimento, e os recursos provenientes do trabalho respondiam por 76,2%. Aposentadorias e pensões completavam com 18,8%.
Os pesquisadores do IBGE também fizeram avaliações subjetivas e perguntaram qual a percepção das famílias sobre a própria renda. A constatação foi que 75% têm alguma dificuldade para chegar ao fim do mês com os próprios recursos. Declararam muita facilidade ou facilidade 10,5%.
As famílias com crianças até 14 anos também declararam dificuldade ou muita dificuldade de completar o mês com seus rendimentos. Na Região Nordeste, 29% das famílias com filhos contaram que têm muita dificuldade de passar o mês.
Agência Brasil

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

França para de novo contra a reforma da previdência

Mais de 2 milhões de franceses saem às ruas contra reforma da previdência

Foi o maior protesto já enfrentado pelo governo Sarkozy; sindicatos prometem continuar caso o governo não recue dos ataques



Opinião Socialista online,
 


 
 
    Protestos reuniram mais de 2 milhões em todo o país

• A França parou nesse dia 7 de setembro. Cerca de 2,5 milhões de franceses saíram às ruas na jornada de protestos e greve geral contra a reforma que o governo Nicolas Sarkozy quer impor às aposentadorias. A paralisação afetou principalmente os serviços públicos, como transportes e educação.

Foi a maior das quatro greves gerais já realizadas neste ano contra o governo francês, e o maior protesto já enfrentado por Sarkozy. A jornada de lutas supera a última greve geral que reuniu 2 milhões nas ruas, no dia 24 de maio.

Ataques
O governo francês quer elevar a idade mínima para as aposentadorias, dos atuais 60 para 62 anos, e o tempo de contribuição para 41 anos. Para quem não tiver atingido o tempo mínimo de contribuição, a idade mínima seria de 67 anos. Os sindicatos argumentam que a medida, na prática, já estabeleceria a idade mínima para 67 anos, sobretudo aos mais jovens, já que é muito difícil permanecer num emprego formal tempo suficiente para atingir tantos anos de contribuição.

Apesar de afirmar que a medida é necessária devido ao aumento da expectativa de vida dos franceses, o que estaria pressionando o orçamento, a reforma faz parte dos pacotes de corte de custos aplicados por praticamente todos os países europeus como forma de enfrentar a enorme crise fiscal que assola o continente. Após os inúmeros benefícios aos bancos e empresas, os governos estão falidos e jogam a fatura da crise nas costas dos trabalhadores.

A situação é ainda mais dramática para as trabalhadoras francesas, que geralmente ocupam os cargos mais precários e sofrem com salários mais baixos que os homens. situação das mulheres é desfavorável: os seus salários são 20% menores e elas ocupam a maior parte dos empregos de tempo parcial”nunciou à imprensa Jean-Marie Harribey, da ONG Attac.

O governo Sarkozy, por outro lado, tem se mantido irredutível e se nega a dialogar com os sindicatos. O ministro do Trabalho, Eric Woerth, afirmou que a reforma era “indiscutível”. Os sindicatos, por outro lado, afirmaram que o movimento prosseguirá caso o governo não recue dos ataques.


Governo em crise
A greve deve aprofundar ainda mais a crise que passa o governo Sarkozy, afundado numa série de denúncias de corrupção. O movimento também conta com amplo apoio popular. Segundo pesquisas de opinião, de 63% a 70% das pessoas apóiam a greve contra a reforma.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Conferência Internacional em História Econômica

III Conferência Internacional em História Econômica e V Encontro de Pós-graduação em História Econômica

Universidade de Brasília

23 setembro, 2010 – 24 setembro, 2010


Desde 2002, a Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica (ABPHE) organiza o Encontro de Pós-graduação em História Econômica. Nesta quinta edição, o evento será realizado na Universidade de Brasília, nos dias 23 e 24 de setembro, em paralelo à III Conferência Internacional em História Econômica, também organizada pela ABPHE.

CLIQUE AQUI PARA VER OS TEXTOS COMPLETOS

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Condenados a serem o quintal do BRIC?

Condenados a serem o quintal do Bric?

PARA BANCO MUNDIAL, EXPORTAÇÃO DE COMMODITIES "É BÊNÇÃO" PARA AL E CARIBE

Se depender do Banco Mundial (Bird), os países da América Latina e Caribe estarão destinados a fornecer matérias-primas para o desenvolvimento da Ásia, em particular da China. Segundo o Bird, diante do forte crescimento chinês, a dependência dos países da América Latina e Caribe das exportações de commodities deveria ser visto como "uma bênção".

Essa é a principal conclusão do relatório Recursos Naturais na América Latina e Caribe: Indo além das altas e baixas, do Bird.

Muitos acadêmicos brasileiros, como Luiz Carlos Bresser Pereira e Ricardo Carneiro, já advertiram para risco de o país concentrar sua pauta de exportações em commodities, inclusive as manufaturadas de baixo valor agregado, como açúcar refinado e etanol.

O Bird, porém, insiste em destacar o peso dos recursos naturais para as vendas externas da região. E alega que o que é apontado por especialistas preocupados com o desenvolvimento como pernicioso, agora, seria benéfico.

Enquanto a região insiste em se especializar em commodities agrícolas e minerais, China e Índia optaram por tornarem-se produtores de mercadorias industrializadas e de serviços, como eletroeletrônicos, máquinas e softwares.

Com as receitas de exportações de produtos de maior valor agregado, os dois são os dois únicos integrantes do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) que continuaram a crescer durante a crise internacional.

"A rapidez da recuperação na América Latina e sua resistência à crise econômica global podem ser atribuídas, em parte, ao aumento das exportações de commodities da região para as economias emergentes da Ásia", afirmou o economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, Augusto de la Torre.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

China se afogara nos doláres ou afogará o planeta

China se afogará nos dólares ou afogará o planeta

Mao Tsé-tung disse que "a força sai do cano do fuzil", mas...


Hong Kong - Seguramente, Mao Tsé-tung disse que "a força sai do cano do fuzil", mas agora Hu Jintao melhorou a máxima revolucionária de seu predecessor. Na época do comércio mundial e das transações monetárias internacionais, a força brota de um poço de petróleo ou de uma montanha de reservas cambiais em dólares.

A revelação oficial no último fim-de-semana do segredo estatal da China de que as astronômicas reservas cambiais do país, totalizando US$ 2,45 trilhões, estão investidas em percentual de 65% em dólares norte-americanos, deu a volta do mundo. A composição do restante das reservas cambiais chinesas é de 26% em euros, 5% em libras esterlinas e 3% em ienes, e foi revelada pelo China Securities Journal.

Este acúmulo de reservas cambiais em dólares pelo governo de Beijing em volume recorde constitui risco sistêmico não só para o dólar, mas para economia mundial. E, principalmente, revela o grau de dependência dos EUA.

Obviamente, a dependência dos EUA ao dinheiro chinês está envolvida em riscos incalculáveis. O endividamento norte-americano junto à China como uma colossal injeção tônica à economia norte-americana tornou-se um nó cego.

Na realidade, a China financia o gigantesco déficit fiscal norte-americano e por isso sua relação como "parceiro comercial" dos EUA é extremamente importante. Mas, também, em grau menor, a China funciona também para o resto do Ocidente desempenhando papel decisório.



Bomba-relógio



É possível que o governo de Beijing tenha assumido posições equivocadas. O acúmulo excessivo de reservas cambiais em dólares não constitui fenômeno salutar. A não ser que o governo de Beijing pretenda suicidar-se monetária e economicamente.

Entretanto, cálculos equivocados já ocorreram outras vezes nas relações econômicas mundiais com resultados fatais. "A China está sentada sobre uma bomba-relógio", advertem vários analistas, e, se não mudar a estratégia, o Ocidente decretará medidas protecionistas, deixando a China em meio a uma grave crise econômica e política.

Roger Boutle, o combativo economista, sustenta em seu livro The Trouble with Markets que "o equilíbrio da economia mundial devera começar pela China".

Aliás, sequer o Japão foi salvo pelas suas gigantescas reservas cambiais em dólares e mergulhou na década de 1990 na maior e mais profunda crise jamais conhecida por alguma economia desenvolvida após a época de pesadelo da grande depressão nos EUA. O "milagre industrial" do Japão desabou como castelo de cartas e apenas agora - após 15 longo e dolorosos anos - emerge das ruínas.



Vida longa ao dólar



Lembrem-se, em junho de 1996, quando o então primeiro-ministro do Japão, Riutaro Hasimoto, em palestra que proferiu na Universidade de Columbia, em Nova York, e perante um - por excelência - conservador auditório de investidores, atreveu-se a chantagear o governo do então presidente norte-americano, Bill Clinton, afirmando que estava examinando a eventualidade de vender os bônus norte-americanos que seu país dispunha, a fim de enfrentar a crise monetária do Japão no início de 1995. Naturalmente, fracassou.

Na arquitetura da economia mundial o dólar é e será, por longo período ainda, a básica moeda de reservas cambiais. Continua ocupando a posição principal nos organismos internacionais com o maior percentual das reservas cambiais do Fundo Monetário Internacional e do Banco de Regulamentações Internacionais.

Anotem: a liberação do regime cambial da China significa, em essência, que continuará acumulando dólares, mas em ritmos mais lentos. Assim, o dólar não terá o monopólio nas reservas cambiais do Banco do Povo (Banco Central da China).

10/09/2010
Monitor Mercantil - Lee Wong, Sucursal do Sudeste Asiático.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A restrição ao humor na política e a liberdade de expressão

A restrição ao humor na política e a liberdade de expressão

A lei que restringia a piada contra os políticos caiu, mas continuamos vivendo uma ditadura na mídia

DIEGO CRUZ


• Na noite de 26 de agosto o ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu parte da Lei das Eleições que restringia o humor na TV. A lei, que vinha causando muita polêmica desde o início da campanha eleitoral, é na verdade de 1997, mas só foi agora desenterrada pelo TSE.

Textualmente, a lei proíbe “trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizarem candidato, partido ou coligação”. Apesar de a lei justificar a medida como uma forma de impedir que uma emissora ridicularize determinado candidato para beneficiar outro, ficou claro que o TSE só se lembrou dela agora para proteger os políticos do achincalhe público.

A resolução do TSE na prática estabelece uma censura prévia aos programas humorísticos. Justamente, a medida provocou uma enorme indignação entre os humoristas e a classe artística. Ela cobre o candidato com uma redoma de vidro, protegendo os políticos de qualquer tipo de constrangimento.

Afronta à liberdade de expressão
Não é preciso ser um estudioso do tema para perceber que a determinação do TSE está longe de ser ingênua. O humor na TV de hoje está muito longe daquele humor ácido e político das décadas anteriores, como o TV Pirata, ou até mesmo os programas de Chico Anísio que, embora aprofundasse estereótipos preconceituosos, tecia uma crítica inteligente aos políticos.

Apesar disso, recentemente se viu uma certa renovação no humor brasileiro, tendo à frente programas como o CQC. Apesar de não contar com a criatividade como ponto forte, o programa tinha o mérito de expor os políticos ao ridículo, desnudando em praça pública as suas ignorâncias e contradições. A prática foi seguida até mesmo por programas que fazem o humor mais rasteiro, homofóbico e machista, como o Pânico.

De repente, virou moda tirar sarro em político. A população, em casa, se deliciava ao ver aqueles homens de terno e gravata constrangidos, numa espécie de saudável vingança. Embaixo de todos os termos jurídicos, a resolução do TSE tinha o claro objetivo de coibir isso. Desta forma, tolhia a liberdade de expressão para ajudar a manter uma boa imagem das instituições, como o Congresso Nacional.

A indignação, portanto, foi mais do que justa e, por fim, a medida se revelou inócua, já que na prática o próprio sistema trata de se ridicularizar. Basta ver que a grande estrela dessas eleições é Tiririca, com o slogan “pior do que tá não fica” e que, ao mesmo tempo em que tende a atrair votos de protesto, vai ajudar a eleger gente como Valdemar da Costa Neto, um dos principais envolvidos no mensalão.

Afinal, temos liberdade de expressão?
O fim da lei vai permitir as piadas com os políticos e candidatos. Mas, será que isso garante a democracia nessas eleições? Temos uma cobertura na campanha a presidente hoje que loteia o tempo das matérias e debates em três candidaturas apenas. Os demais candidatos são simplesmente ignorados, e a população não fica sabendo sequer quem são e o que propõem.

A mesma Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), entidade que congrega as grandes empresas de TV como a Globo, Band e Record, que entrou no STF contra a restrição ao humor, legitima na prática uma verdadeira censura na campanha eleitoral. Desta forma, candidatos como Zé Maria do PSTU sofrem um veto não declarado na cobertura eleitoral.

E assim população é condenada a ver uma propaganda e uma cobertura eleitoral além de entediante e monótona, praticamente sem qualquer diferença política, tendo que se satisfazer com o sorriso mórbido de Serra ou a fala ensaiada e artificial de Dilma. O povo vai poder rir em casa com o fim da lei, mas é a burguesia quem vai continuar gargalhando.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A CIPA: uma ferramenta na defesa da vida do trabalhador

A CIPA: uma ferramenta na defesa da vida do trabalhador

HERBERT CLAROS E PATRÍCIA PENNA, DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS (SP)

Opinião Socialista online

• A globalização e a tecnologia deram saltos gigantes, mas só beneficiou de fato a vida dos ricos. Muitos trabalhadores se sentem felizes simplesmente pela possibilidade ter acesso a tecnologias como a Internet, celulares, uma tv de plasma, câmera digital. Mas esses produtos e outros tantos que nos cercam no dia-dia nascem das próprias mãos dos trabalhadores. Toda a riqueza gerada com a sua venda, porém, sempre acaba ficando na mão de poucos, os patrões.

Todos esses avanços tecnológicos não permitiram uma melhora nas condições de vida dos trabalhadores. Quem produz a riqueza de nosso mundo está cada vez mais trabalhando em condições degradantes.

Os patrões só têm um objetivo: o lucro. E os trabalhadores é que sofrem as conseqüências. Essa insana busca por lucro submete os trabalhadores a cada vez mais exploração. A atual crise econômica deixa provas disto. Com as demissões, aumenta-se a exploração através da retirada de direitos e a imposição do aumento da jornada de trabalho.

Nos últimos anos, podemos afirmar sem sombra de dúvidas que o ritmo de trabalho tem se acelerado. E esse aumento do ritmo de trabalho tem várias resultantes, mas uma que tem se evidenciado notoriamente são as doenças ocupacionais.

Doenças como tendinite, bursite, problemas de coluna como hérnia, bico de papagaio, doenças respiratórias entre tantas têm se tornado comum no ambiente de trabalho. Ns fábricas, nos canteiros de obras, banco, escolas, usinas, nas “baias” de telemarketing e até mesmo entre os profissionais de saúde, estas e outras tantas doenças estão ser tornando comuns.

Outra doença “invisível” que tem afetado um número cada vez maior de trabalhadores é a depressão. Na Embraer, por exemplo, o assédio moral, a pressão da chefia e a exposição a produtos químicos produzem um número cada vez maior de trabalhadores portadores de transtornos mentais. Outra categoria que vive um surto de doenças psíquicas é a dos professores. Esses trabalhadores, infelizmente, ainda têm que conviver com todo o preconceito da sociedade sobre doenças como depressão e stress.

Vivemos uma verdadeira epidemia no mundo do trabalho. As doenças profissionais estão crescendo a cada dia, e elas crescem no mesmo ritmo da ganância dos patrões.

No chão de fábrica e na história do Brasil

Hoje, mais do que nunca, existe uma grande necessidade de a classe enfrentar esta situação. E para isso deve utilizar todos os seus instrumentos históricos, como os sindicatos, partidos e outros organismos. Os trabalhadores devem se organizar a partir de todas as suas ferramentas. A CIPA é uma destas ferramentas e pode e deve cumprir esse papel.

A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes é um órgão bi-partite, pois é composta por metade de representação eleita pelos trabalhadores e metade indicada pela empresa. Tem como definição a prevenção de acidentes e doenças nos locais de trabalho.

A CIPA no passado cumpriu um importante papel na reorganização do movimento sindical no nosso país, principalmente na década de 80. Era através da CIPA que as oposições se organizavam para formar chapas de luta e concorrer às eleições contra os pelegos que já estavam à frente dos sindicatos por muitos anos, sustentados pelos governos militares.


Desde então, a CIPA cumpre um papel de extrema relevância na luta da classe trabalhadora. Vivemos um momento na história de nosso país de poucas lutas operárias. E nestes momentos, o trabalho de base se torna primordial para combater a burocratização dos sindicatos de luta. É uma das alternativas para combater a atual burocracia sindical e governista, como foi determinante no processo de reorganização do movimento operário na década de 80.

O desafio do movimento operário combativo que de fato está interessado em melhorar as condições de trabalho, e porque não dizer, da vida do trabalhador, deve encarar como tarefa primordial fortalecer a organização dos trabalhadores no local de trabalho.

Este trabalho pode se dar através das Comissões de Fábrica, delegados sindicais e tantos outros meios, que a própria classe e suas direções acabam criando. Mas, principalmente através das CIPA’s, que legalmente permitem a estabilidade no emprego a seus membros podendo também organizar os trabalhadores.

A história que as CIPA’s de luta protagonizaram na reorganização do movimento operário de nosso país ainda está viva na memória dos trabalhadores no chão de fábrica. A CIPA da General Motors em São José dos Campos é um exemplo disto.

Ferramenta de luta e organização

Frente às nefastas mudanças no mundo do trabalho, organizar as CIPA’s de luta também requer estudar o reflexo desta reorganização na vida dos trabalhadores. Pois lutar por ambientes dignos, prevenir acidentes e poder evitar doenças ocupacionais significa lutar por um futuro digno, a vida da nossa classe em busca de uma sociedade socialista.

Sendo coerente com toda essa situação e opiniões expostas acima, e também cumprindo as resoluções de seu 10º congresso, o Sindicato dos Metalúrgicos lançou dois materiais para auxiliar os trabalhadores neste processo de organização local de trabalho: a Cartilha e o Manual do Cipeiro.

A Cartilha da CIPA, é um material que expressa a importância da CIPA. A idéia desta cartilha é expor aos metalúrgicos que estão no chão de fábrica a importância da CIPA e como deve ser a atuação do cipeiro.

O Manual do Cipeiro, mais denso que a cartilha (tem cerca de 70 páginas) tem como objetivo orientar a atuação dos cipeiros classistas, informar sobre seus direitos e deveres, tirar suas principais dúvidas a respeito das normas de saúde e segurança que devem ser seguidas pelas empresas e explicar pontos importantes da legislação, que estejam relacionados ao trabalho de CIPA. São esses os principais objetivos deste manual elaborado pela Secretaria de Organização de Base e o Departamento de Saúde da entidade.

O objetivo destes materiais é auxiliar não só atuação das CIPA’s da base metalúrgica de São José dos Campos como também as CIPA’s espalhadas pelo país, é parte da concepção de atuação sindical verdadeiramente democrática e classista que a nova central, sindical e popular CSP-Conlutas tem orgulho de carregar em suas bandeiras.

A CIPA é mais uma das ferramentas da nossa classe para combater a exploração capitalista e elevar a consciência dos trabalhadores no local de trabalho da necessidade de se organizar nos sindicatos e também nos partidos verdadeiramente operários.

* Herbert Claros (Vice-presidente) e Patrícia Penna (Coordenadora da Secretária de Organização e Trabalho de Base) do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Pesquisa da PUC: “a Veja e o anti-jornalismo”

A Veja se escuda na liberdade de imprensa para difundir calúnias e mentiras e atacar a esquerda, os movimentos sociais. A cobertura da Veja, sob a forma travestida de jornalismo, é na verdade a porta-voz das classes mais abastadas e a defesa de uma política e um projeto de Estado mais à direita do que voltados para o social. Sua intenção é proteger o capital. Em qualquer pais democrático, ela e seus colunistas vendidos, seriam no minimo condenados ao direito de resposta e pagamento de indenizações.

A obsessão da revista: derrubar Lula
Por Juliana Sada, blog do Rodrigo Vianna

Criada em setembro de 1968, a revista “Veja” é a publicação semanal brasileira de maior tiragem, teoricamente com cerca de um milhão e duzentos mil exemplares. Criada por Mino Carta, atualmente diretor de redação da Carta Capital, e Victor Civita – estadunidense filho de italianos, fundador do Grupo Abril – a revista foi por um longo período paradigma para o jornalismo brasileiro. Por sua redação, passaram nomes importantes da profissão; e, por suas páginas, grandes personagens da história – entre seus entrevistados estão Vinícius de Moraes, Yasser Arafat, Salvador Dalí, Tarsila do Amaral e Sérgio Buarque de Holanda.

Mas, em anos recentes, a revista tornou-se alvo de intensas críticas. Na internet, disseminam-se pequenas e grandes iniciativas de informação e contraponto ao tipo de jornalismo feito por lá. Esse mesmo Escrevinhador denunciou a entrevista que nunca existiu, mas que a revista publicou; e mostrou a história do professor que foi alvo de manipulação pelo veículo, além da peculiar análise do semanário sobre a Bolívia .

O jornalista Fábio Jammal Makhoul decidiu debruçar-se sobre a revista Veja para formular sua tese de mestrado em Ciência Política para a PUC de São Paulo. A dissertação analisou a publicação durante o primeiro mandato de Lula , de janeiro de 2003 a dezembro de 2006. Fábio constatou que houve, de modo deliberado, uma cobertura tendenciosa com o objetivo de desestabilizar o governo. Os números são impressionantes: “40,6% da cobertura de Veja sobre o primeiro governo petista noticiou os escândalos do Planalto e, conseqüentemente, Lula e o PT de forma negativa”. O governo ocupou “54 capas de Veja, das 206 publicadas no período”, destas “32 tratavam de escândalos, segundo classificação da própria Veja, ou seja, 59,3% do total”.

Segundo Fábio, esse sistemático ataque levou ao surgimento de inúmeras críticas que “abalaram a própria revista, que se sentiu na obrigação de reafirmar sua ‘imparcialidade e independência’ a todo o tempo em 2005 e 2006”.

O Escrevinhador entrevistou Fábio Jammal Makhoul para expor e debater seu estudo e o papel desempenhado pela revista. Confira clicando aqui.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

CSP Conlutas chama a campanha contra os despejos

CAMPANHA NACIONAL CONTRA OS DESPEJOS: MINHA CASA, MINHA LUTA!

A CSP Conlutas chama a campanha contra os despejos 
A RESISTÊNCIA URBANA – Frente Nacional de Movimentos está organizando uma campanha nacional contra os despejos e a ofensiva do capital imobiliário nas metrópoles do país, para os dias 20 A 23 de setembro.
Uma verdadeira operação de guerra contra os moradores de favelas, comunidades periféricas e trabalhadores informais, em nome do “crescimento econômico” e da preparação do país para a Copa-2014 e Olimpíadas-2016, está sendo montada, O que caracteriza uma verdadeira contra-reforma urbana, pela forma autoritária e excludente com que estes programas afetarão os trabalhadores urbanos (principalmente através de despejos e remoções em massa) e pela lógica de cidade que trazem consigo.
Por isso foi lançada a Campanha Nacional contra os Despejos..
A Secretaria Executiva Nacional decidiu orientar as entidades e regionais da CSP-Conlutas, em todo o país, a ASSUMIREM AS ATIVIDADES DA JORNADA COMO PRIORIDADE do nosso calendário de atividades, investindo o apoio político, e também material e jurídico que forem possíveis nas regiões.
A Campanha Nacional está estruturada sobre a plataforma a seguir:
● CONTRA A POLÍTICA DE DESPEJOS E REMOÇÕES. GARANTIA DE MORADIA DIGNA PARA TODOS.
● COMBATE À REPRESSÃO E CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA. PELO DIREITO À VIDA E AO TRABALHO.
● POR UMA POLÍTICA NACIONAL DE DESAPROPRIAÇÕES DE IMÓVEIS VAZIOS E MEDIDAS DE COMBATE À ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA.
● POR UMA POLÍTICA DE CONSTRUÇÃO DE MORADIAS POPULARES, BASEADA NO SUBSÍDIO INTEGRAL, NA QUALIDADE HABITACIONAL E NA GESTÃO DIRETA DOS EMPREENDIMENTOS.
● EM DEFESA DE UMA REFORMA URBANA POPULAR.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Decisão do STJ sobre fusões bancárias: raposa toma conta do galinheiro

É a raposa tomando conta do galinheiro

Para STJ, só BC decide fusão de bancos, mas Cade ainda poderá ser ouvido
Monitor Mercantil online, Brasília - 27/08/2010 - Com a decisão, tomada esta semana pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), de que o Banco Central (BC) é o único órgão competente para aprovar fusões bancárias no país, a concentração nesse setor estratégico está fora da ação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Como o BC tende a se alinhar, quase sempre automaticamente, com os interesses do sistema financeiro, na prática, os consumidores não terão qualquer mecanismo de defesa contra o aumento da oligopolização do setor.
A decisão do STJ, que reforça a norma fixada pela Advocacia-Geral da União (AGU) em 2001, foi tomada no julgamento da compra do Banco de Crédito Nacional (BCN) pelo Bradesco.
Os ministros da 1ª seção do STJ derrubaram a multa aplicada pelo Cade contra o Bradesco, ao concordarem que somente o BC pode exigir notificações sobre negócios entre instituições financeiras.
Ficou pendente, porém, se o compartilhamento de competências entre BC e Cade - antigo desejo do órgão antitruste - pode ser determinado apenas por uma mudança no parecer da AGU ou se é precisa passar pelo Congresso Nacional.
Como alguns ministros não fizeram a leitura completa de seus votos, essa dúvida só será dirimida quando for publicado o resumo final da decisão (acórdão). Não existe, porém, prazo legal para isso.
A disputa sobre a competência para decidir o controle sobre o setor bancário se arrastava há anos. A primeira tentativa de acordo ocorreu em dezembro de 2008, quando o presidente do Cade, Arthur Badin, e seu colega do BC, Henrique Meirelles, acertaram dividir as responsabilidades.
O acordo previa a aprovação de projeto de lei para formalizar a divisão de tarefas e a revogação do parecer da AGU. Como o projeto de lei não andou e a norma da AGU não foi cancelada, a polêmica chegou aos tribunais.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Novo Governo: proposta de nova tunga na Previdência está em preparação

Nova proposta de tunga na Previdência

Governo já prepara plano de mudança da Previdência que Dilma Rousseff apresentará se for eleita

 De forma reservada, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, comandada por Nelson Barbosa, trabalha em uma nova proposta de reforma da Previdência, a ser apresentada ao Congresso pela
candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, caso ela seja eleita. Barbosa é o principal interlocutor de Dilma na área econômica, e cotado para assumir o Ministério da Fazenda em caso de vitória petista. Para
apressar o processo de aprovação e reduzir o custo político, as mudanças na Previdência só valeriam para os novos trabalhadores, tanto os da iniciativa privada (INSS) como os do setor público.

Pelos estudos em curso, não haveria regras de transição para quem já está

no mercado, porque elas tornariam o novo modelo mais complicado - e ele enfrentaria forte resistência no Congresso e entre os sindicatos, como já ocorreu em outras tentativas. Ou seja, não se pretenderia mais o grande desgaste de tentar mexer nos direitos adquiridos dos trabalhadores. Em mais de uma oportunidade, Dilma negou a intenção de reformar a Previdência, justamente pelo receio desse desgaste.

Por isso, uma das hipóteses é fazer um corte no tempo, de forma a incluir no novo regime de aposentadoria quem nasceu a partir de 1990 (hoje, com 20 anos, a pessoa está, em tese, entrando no mercado de trabalho), tanto no setor privado quanto no funcionalismo. Segundo fontes, os pontos que estão sendo alinhavados devem se transformar numa proposta em dezembro, se Dilma for eleita, e enviada ao Congresso nos primeiros meses do novo governo.

Benefício de 3 anos para viúvas jovens
Para requerer o benefício, segundo fontes envolvidas na discussão, uma das propostas é que os futuros trabalhadores tenham que cumprir um requisito principal: que a soma da idade e do tempo de contribuição alcance 105 anos, no caso do homem, e 95 no caso da mulher. Isso, na prática, resultaria em nova idade mínima de aposentadoria, mas a proposta teria a preocupação de não prejudicar quem entrou no mercado mais cedo (com menos de 18 anos, por exemplo), como sempre defendeu o presidente Lula.

Por essa regra em estudo, uma pessoa que comece a trabalhar aos 18 anos poderá se aposentar aos 62,5 anos de idade, depois de 42,5 anos de recolhimento da contribuição previdenciária.

Outro conceito sempre defendido pelo presidente Lula também deve ser mantida na proposta de reforma de um eventual governo Dilma: as regras diferentes, e favoráveis, para as mulheres trabalhadoras, por causa da
chamada "dupla jornada de trabalho" (em casa e no emprego).

A convergência entre os regimes de aposentadoria público e privado seria um dos pilares da proposta de reforma da Previdência, a fim de evitar as enormes disparidades entre os dois sistemas, ambos deficitários e com custos semelhantes - sendo que o público tem cerca de 1 milhão de beneficiários, e o privado, 24 milhões.

Para isso, os estudos que estão sendo feitos insistem na criação de um fundo de aposentadoria complementar para os servidores público, de modo que eles recebam do Tesouro apenas o teto do INSS (hoje em R$ 3.467,40), com complementação do fundo de pensão. Essa regra valeria também apenas para os novos funcionários - ou seja, aqueles que ingressarem no serviço público após a aprovação dessa eventual reforma.

Há consenso que a proposta que já tramita no Congresso com essa finalidade é inviável, porque permite que os atuais funcionários migrem para o novo fundo, deixando de ajudar a bancar, junto com o Tesouro, as aposentadorias atuais. Uma migração em massa poderia gerar um rombo de até 6% do Produto
Interno Bruto (PIB) no sistema previdenciário, segundo interlocutores. O déficit nos dois sistemas está em pouco mais de 1% do PIB em 2010.

Já as futuras pensões, que hoje são integrais e pagas pelo resto da vida, tanto pelo INSS como pelo regime próprio do serviço público - independentemente da idade da viúva e se ela tem filhos ou não -, teriam mudanças profundas na proposta em estudo. Por exemplo, se a viúva do segurado for jovem e sem filhos, seria concedido um benefício temporário de três anos, por conta do trauma. O prazo da concessão do benefício pode levar em conta o número de filhos menores.

Segundo interlocutores da presidenciável petista, o objetivo da reforma é preparar o sistema previdenciário brasileiro para as próximas três décadas, além de sinalizar uma preocupação de um eventual novo governo do PT com as contas públicas. O aumento da expectativa de vida e o rápido envelhecimento da população, com cada vez menos trabalhadores jovens para ajudar a dividir a conta, dão o alerta de que o modelo atual não é sustentável a longo prazo.

Campanha não admite a discussão 
O crescimento da economia acima de 5%, com impacto positivo na geração de emprego e melhoria na arrecadação, explicou uma fonte, ajudarão a equilibrar o sistema atual, se for aprovada uma nova reforma.

Também é consenso que as mudanças precisam partir da Fazenda (que administra a arrecadação e cobre o rombo) e não da Previdência, cuja tarefa é cuidar do pagamento dos benefícios, além de ser foco de maior
pressão dos aposentados.

Oficialmente, nenhum integrante da campanha de Dilma ou da área econômica do governo admite a discussão em curso - até mesmo para não interferir nas eleições. E também porque não faz parte do  programa de governo do PT, e nem das declarações públicas de Dilma, qualquer proposta de mudança na Previdência.

Mas é certo entre esses economistas que uma reforma na Previdência é o primeiro, e principal, passo de um ajuste fiscal nas contas públicas. Especialistas no assunto estão sendo convidados a dar contribuições.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Caso do goleiro Bruno é mais um crime contra mulheres que ocorrem todos os anos

Caso do goleiro Bruno é apenas mais um crime contra as mulheres, dos milhares que ocorrem todos os anos no país
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Patrícia Vale, do Rio de Janeiro

• O caso do goleiro Bruno, acusado da morte de Elisa Samudio, expõe o machismo existente em nossa sociedade, o qual leva milhares de mulheres à morte todos os anos em nosso país. O mesmo machismo responsável pela morte da cabeleireira mineira Maria Islaine, assassinada em seu trabalho pelo ex-marido, e por outro caso recente que tem sido acompanhado pela imprensa, o da advogada Mércia Nakashima, assassinada em São Paulo.

Estes casos mostram também os limites da nossa sociedade para o combate ao machismo. A Lei Maria da Penha não protegeu Maria Islaine, que havia denunciado 8 vezes o ex-marido por agressões e ameaças, nem Elisa Samudio que denunciou Bruno em novembro do ano passado, por agressão, cárcere privado e por tê-la forçado a tomar uma substância abortiva. Estas mortes foram anunciadas e tanto a polícia como a Justiça não fizeram nada para evitá-las.

sábado, 28 de agosto de 2010

Na semana da Pátria, campanha vai exigir o fim dos grandes latifúndios

Na semana da Pátria, campanha vai exigir o fim dos grandes latifúndios

Organizar o plebiscito pelo limite da propriedade da terra





ANDRÉ FREIRE - OpiniÃO Socialista online


Manifestação de sem-terras exige reforma agrária

• Várias entidades dos movimentos sociais brasileiros que compõem o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, como o MST, a CNBB e outros setores ligados à Igreja Católica estão organizando na semana da pátria, de 1º a 7º de setembro, um plebiscito nacional pelo limite da propriedade da terra. Duas perguntas constam nas cédulas desta campanha:

1) Você concorda que as grandes propriedades de terra no Brasil devem ter um limite máximo de tamanho?

2) Você concorda que o limite das grandes propriedades de terra no Brasil possibilita aumentar a produção de alimentos saudáveis e melhorar as condições de vida no campo e na cidade?

A campanha chama todos a votarem sim nas duas perguntas.


Além do plebiscito, a campanha inclui um abaixo-assinado que tem o objetivo de mobilizar os movimentos sociais para apoiar uma Emenda Constitucional que prevê que, para uma terra cumprir sua função social, ela precisa ter um limite máximo territorial de 35 módulos fiscais. O módulo fiscal é um medidor que varia de região para região, sendo que, no mínimo, um módulo fiscal equivale a 5 hectares (regiões urbanas) e no máximo a 110 hectares (região amazônica).

Embora uma propriedade rural média seja calculada hoje em até 15 módulos fiscais, a campanha definiu exigir um limite superior, de 35 módulos fiscais. A partir deste limite, a propriedade poderia ser desapropriada, mesmo que seja considerada legalmente produtiva, e incorporada automaticamente ao patrimônio público.

A reivindicação da campanha, ainda que limitada (pois caso ela fosse atendida ainda se manteriam grandes propriedades), é uma oportunidade de discutir com a classe trabalhadora e a juventude brasileira a necessidade urgente da reforma agrária no Brasil.

Qualquer proposta que busque limitar a propriedade da terra no Brasil é uma reivindicação progressiva e que objetivamente se enfrentaria com o latifúndio, a burguesia e seus governos. Por isso a grande imprensa, o agronegócio e o governo Lula se opõem tão veementemente à proposta levantada neste plebiscito.

Nossa proposta é levar as urnas do plebiscito aos locais de trabalho, de estudo e para os bairros operários e populares, como uma forma de abrir a discussão com os trabalhadores e o conjunto dos explorados e oprimidos sobre a necessidade de fortalecer ainda mais a luta por uma reforma agrária radical e sob o controle dos trabalhadores.

Um reforma agrária que realmente enfrente e exproprie sem indenização o latifúndio e seja controlado pelos trabalhadores só será conquistada com muita luta. Só devemos confiar na força da nossa organização e mobilização para arrancar esta conquista histórica. Não será através de uma mera concessão de um governo como o de Lula, que sempre governou aliado aos grandes empresários do agronegócio, e nem através da Legislação burguesa, votada em um Congresso Nacional formado em sua esmagadora maioria por políticos burgueses e corruptos, que vamos conquistar a reforma agrária que queremos.

Vamos chamar os trabalhadores e a juventude a participarem do plebiscito como mais uma forma de ampliar a discussão e a mobilização por uma reforma agrária que rompa com os limites estabelecidos pela legalidade burguesa. Somente com a força da luta e a organização dos trabalhadores rurais sem-terra foi possível obter os mínimos avanços na reforma agrária em nosso país. 

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Até bancos centrais veem mais chance de nova recessão mundial

Aumenta a chance de nova recessão mundial. Essa previsão não é de nenhum catastrofista ou de um economisa marxista. É previsão emitida pelos bancos centrais dos EUA e da Inglaterra. A recuperação das economias capitalistas centrais está extremamente modesta e o ritmo de retomada é menor do que esperado. Para piorar já se admite que o risco de novo mergulho em recessão é maior do que era há seis meses. 

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BCs vêem uma nova recessão mais perto

Para Fed, é improvável, mas risco cresceu. Já BC inglês vê chance "significativa"
Monitor Mercantil online, 24/08/2010 - Dirigentes dos bancos centrais dos Estados Unidos e da Inglaterra divergiram sobre o desdobramento da crise em seus países. O presidente do Federal Reserve (Fed) de Chicago, Charles Evans, afirmou que a recuperação da economia está "extremamente modesta". E que seu ritmo é "menor do que esperávamos". Mas ele admitiu que, embora improvável, o risco de novo mergulho do país na recessão é maior do que era há seis meses.
Para Evans, a recuperação do país da pior crise desde a Grande Depressão continua em curso. E considerou improvável que resulte em nova recessão. "Uma recessão de duplo mergulho não é o resultado mais provável", afirmou, acrescentando que o desemprego no país deve permanecer elevado, pouco abaixo de 10%..
Já o mais novo membro do comitê de política monetária do Banco da Inglaterra (BoE), Martin Weale, disse que o Reino Unido enfrenta "significativo" risco de novo período recessivo. E que seria "insensato" descartar a possibilidade de um duplo mergulho.
Em entrevista ao jornal britânico The Times, Weale disse haver maior possibilidade de o crescimento ficar abaixo das projeções do BoE do que a inflação superar as previsões.
A projeção central do BoE para o PIB é de expansão de cerca de 2,8%, em 2011, e de 3,2%, em 2012. Mas Weale notou que as projeções contêm vários períodos nos quais há próximo de 10% de risco de contração.
"As previsões embutem uma chance significativa de contração da economia durante quatro trimestres - entre agora e o final do horizonte da projeção em três anos", disse Weale.
Ele descreveu tal cenário como um "risco real". Weale também afirmou que novas elevações no desemprego são "mais prováveis" do que improváveis, mas ressalvou que o mercado de trabalho tem tido um desempenho "enormemente melhor"" do que na década de 1980.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ao 70 anos de morte de Trótski, Portal faz um especial

Aos 70 anos de morte do pensador marxista, dirigente político, estadista e revolucionário russo Leon Trótski, completado no presente mês, o Portal do PSTU apresenta um especial em sua homenagem: 70 anos sem Trotsky.

O internauta encontrará inúmeros materiais vídeos, artigos, imagens, etc que buscam resgatar uma parte de sua contribuição histórica, política e intelectual à luta pela emancipação dos trabalhadores do mundo todo e a construção do socialismo.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Altas nos lucros não significa impedimentos a demissão

Altas nos lucros das empresas não significa impedimentos a demissão de seus empregados. Especialmente no caso dos bancos, que dispensa o dobro dos empregados que contrata e com salário 38% menor. Objetivo é aumentar a exploração do trabalho de seus empregados e ampliar ainda mais o lucro.

                                                     ***

Bancos lucram mais e... demitem mais
Setor dispensa o dobro dos empregados que contrata e com salário 38% menor

Monitor Mercantil online, 20/08/2010

Segundo o Dieese, no primeiro semestre de 2010 foram criados 9.048 postos de trabalho nas agências bancárias do Brasil. Mas, apesar dos sucessivos lucros recordes dos bancos, 18.261 trabalhadores foram despedidos no mesmo período. Além disso, os salários dos novos contratados são 38% menores. Eles ganham cerca de R$ 2,2 mil, enquanto os trabalhadores demitidos ganhavam, em média, R$ 3,5 mil.

Na outra ponta, os cinco maiores bancos no Brasil lucraram R$ 21 bilhões no primeiro semestre, o maior ganho entre todos ramos da economia.

"No Brasil, não há nenhum constrangimento legal a demissões individuais ou coletivas. Regras gerais poderiam ser adotadas em forma de lei. Em outros países há restrições, seja para demissões individuais seja coletivas", analisa o economista Paulo Jager.

O economista lembra que o governo de Itamar Franco ratificou a convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que regula as demissões imotivadas, mas Fernando Henrique Cardoso, seu sucessor, perdeu o prazo exigido para confirmar o compromisso.

Segundo Jager, a rotatividade da mão-de-obra no Brasil é uma das maiores do mundo: "Não existe limite de rentabilidade para o capital. Se não há restrição, ele vai e demite. Mesmo com lucro alto, empresas fazem isso para aumentar ainda mais o retorno do capital, mesmo não estando em crise."

Jager, no entanto, afirma que os bancos não são os líderes tradicionais da rotatividade de mão-de-obra no Brasil.

"O caso da Embraer é paradigmático. Em 2009, 20% dos funcionários da ex-estatal foram demitidos", lembra.

Os setores ligados ao comércio, como os supermercados, costumam liderar as trocas de funcionários para rebaixar salários e aumentar os lucros.

sábado, 21 de agosto de 2010

Trotsky e a crise da economia mundial, por João Ricardo Soares

Trotsky e a crise da economia mundial



JOÃO RICARDO SOARES
da Secretaria Nacional de Formação e Propaganda e da Direção Nacional do PSTU 
Outros textos deste(a) autor(a)



• A Editora José Luís e Rosa Sundermann acaba de lançar o livro O Imperialismo e a crise da economia mundial, coletânea de textos de Leon Trotsky sobre a transição entre Inglaterra e EUA na hierarquia imperialista e sua relação com a crise econômica de 1929 e a luta de classes 

O capitalismo forjou uma hierarquia entre os Estados cuja base econômica foi aprisionada por uma férrea divisão mundial do trabalho. No topo desta divisão estão os países imperialistas, que concentram a indústria mais avançada e exploram a maioria absoluta dos países do mundo.

Na esteira da exploração econômica estão a subjugação política e o poder militar, que mantêm o sistema, não somente econômico. O poder das armas também define o lugar que cada país pode ocupar neste sistema macabro onde o capital é acumulado.
Os Estados Unidos ocupam hoje o centro econômico político e militar deste sistema de Estados, mas nem sempre foi assim. Depois da Segunda Guerra Mundial, os EUA substituem a Inglaterra como o país mais poderoso do mundo. Esta transição tem como pano de fundo uma feroz luta entre as classes e setores de classes. O resultado foram duas guerras mundiais, a construção da URSS e, posteriormente, a expropriação da burguesia em um terço da humanidade.

A crise da ordem mundial controlada pela Inglaterra foi o critério utilizado para a seleção dos textos de Trotsky reunidos no livro “O Imperialismo e a crise da Economia Mundial”. O seu fio condutor é a contradição ressaltada por Trotsky entre a manutenção da hegemonia imperialista da Inglaterra sobre o planeta e sua decadência econômica.

Revolução e contra-revolução
A sequência inicial dos textos vai de 1921 a 1926. O debate se concentra em torno do boom da economia mundial depois da grande destruição causada pela Primeira Guerra (1914-1918). Nestes textos vale ressaltar o método com o qual Trotsky estabeleceu sua análise sobre este período. Este foi o nosso objetivo ao incluir o debate anterior à crise de 1929, na medida em que a análise da situação mundial determinava para os revolucionários de então estabelecer as perspectivas mais gerais da economia e da luta de classes.

(...) A questão básica não se resolve calculando a produção, mas por meio de uma análise dos antagonismos econômicos. O miolo da questão é este: Os Estados Unidos e, em parte o Japão, estão empurrando a Europa a um beco sem saída, não estão deixando nenhum mercado para suas forças produtivas, que foram somente em parte rejuvenescidas durante a guerra. (...) ao empurrar os europeus mais e mais para uma franja estreita do mercado, os Estados Unidos estão preparando atualmente um novo deterioro sem precedentes das relações internacionais, tanto entre os Estados Unidos e Europa como dentro da mesma Europa. Mas na etapa atual do desenvolvimento, os EUA estão conseguindo um conjunto de objetivos imperialistas por vias “pacíficas”, quase “filantrópicas”. (sublinhado nosso - “Sobre a Questão da estabilização da economia mundial”.)

Desta forma, para Trotsky, a análise dos ciclos econômicos, tanto no que se refere aos períodos de estabilidade como os de crise, deve estar dentro de um marco mundial determinado. Assim, ao tomar como critério os antagonismos econômicos entre os Estados imperialistas, que não tinham sido completamente resolvidos com a carnificina da Primeira Guerra Mundial, Trotsky foi capaz de estabelecer quais as contradições fundamentais que se acumulavam para o desenlace da próxima crise.


E este processo estava determinado pelo fato de que os imperialismos europeus seguiam sendo empurrados para um beco sem saída. Um processo cada vez mais grave por causa da longa agonia do imperialismo inglês, que perdia o controle do mercado mundial para um novo e pujante concorrente, os Estados Unidos.

A nova realidade econômica sob a qual se desenvolvia a luta de classes à escala mundial expressava então uma profunda contradição entre o poderio econômico dos Estados Unidos e o seu peso político.

Por isso, quando explode a crise econômica de 1929, Trotsky segue utilizando a mesma ferramenta teórica que lhe permitiu vários anos antes antecipar a dinâmica da Revolução Russa e depois da revolução mundial: a contradição entre o desenvolvimento das forças produtivas e os Estados nacionais. Observando o desatar da mais profunda crise econômica do capitalismo no século 20, Trotsky conclui, em 1931:

As bases materiais dos EUA não têm precedentes. Sua preponderância potencial no mercado mundial é superior à preponderância real da Inglaterra no perío do de apogeu de sua hegemonia mundial... Esta energia potencial se transformará inevitavelmente em energia cinética, e algum dia o mundo será testemunha de uma grande explosão da agressividade iaque em todos os cantos do planeta. O historiador do futuro escreverá em seus livros: “A famosa crise de 1930 dividiu a história dos Estados Unidos em um sentido que suscitou uma transformação de orientação nos objetivos espirituais e materiais de tal magnitude que a velha Doutrina Monroe, ‘A América para os Americanos’, foi superada pela nova doutrina, ‘O mundo inteiro para os norte-americanos’. (Entrevista concedida ao Manchester Guardian, fevereiro de 1931).


A profundidade da crise de 1929, que oficialmente duraria até 1941, somente encontra uma saída quando a produção industrial dos Estados Unidos se converte em uma máquina de guerra. As forças produtivas da América do Norte se convertem em seu oposto, em forças destrutivas. As novas mercadorias produzidas – bombas e armas – encontram o novo mercado aberto pelo imperialismo alemão, que estava em um beco sem saída e também buscou resolver sua crise convertendo sua indústria em uma máquina de guerra.

Assim, o que Trotsky destaca nos textos sobre a Grande Depressão dos anos 30 é que a palavra de ordem de “o mundo inteiro para os norte-americanos” foi a saída política para superar a crise econômica. Sua análise da crise econômica buscava identificar então o fato de que o antagonismo entre Europa e Estados Unidos não resultaria em uma solução pacífica para a crise. O peso econômico dos EUA exigia nada menos do que o controle do mercado mundial e uma nova localização deste país na hierarquia dos Estados. Sem esta solução política não haveria solução econômica.

A crise econômica atual vem acompanhada também de uma profunda crise política que agora Obama tentará superar. A estratégia de Bush para o Novo Século Americano foi enterrada nas areias do Iraque, mas os EUA souberam alternar os Bushs e os Obamas em sua história, da conquista pacífica do mercado mundial, quase “filantrópica”, como ressalta Trotsky, ao genocídio de Hiroshima, Nagasaki, Vietnã e Iraque.

A crise da economia mundial que agora presenciamos, ao estar concentrada nos centros imperialistas, abre um importante debate que vai além das perspectivas estritamente econômicas. Em que medida esta crise afetará o poder e o controle dos Estados Unidos do atual sistema mundial de Estados? Estaríamos diante de transformações profundas na ordem mundial? Estaria se modificando o teatro em que o drama da nossa época, em que a revolução e a contra-revolução se desenvolvem?

Os textos que compõem “O Imperialismo e a crise da economia mundial” não podem substituir a análise da crise atual, que tem sua própria combinação de fatores. No entanto, podemos encontrar em Trotsky um marco teórico e metodológico que ajude a fazer as perguntas corretas para compreender a crise que se inicia. 

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Candidato Zé Maria reivindica democracia nos debates eleitorais e na cobertura da campanha

Não deixe as grandes redes de TV decidirem em quem você vai votar 

Leia abaixo carta de Zé Maria reivindicando democracia nos debates eleitorais e na cobertura da campanha



 


• Companheiros e companheiras,

As eleições em nosso país já sofrem uma enorme interferência do poder econômico. Candidatos que gastam centenas de milhões de reais numa campanha que massacra a consciência das pessoas para tentar ganhar as eleições geram, obviamente, uma situação de desigualdade na disputa.

E este quadro está tremendamente agravado nestas eleições. As grandes redes de televisão (Globo, Bandeirantes, etc) estão se dando o direito de mostrar à população através de seus noticiários e entrevistas, apenas três candidaturas, e não as nove que estão regularmente inscritas no TSE. O mesmo acontece com os grandes jornais, como a Folha de São Paulo, O Globo e O Estado de São Paulo.

Agora, nem nos debates que estão sendo promovidos na TV está sendo permitida a participação de todos os candidatos. E não se trata de um impedimento legal, como alguns meios de comunicação argumentam. A lei é clara: os candidatos de partidos com representação parlamentar tem presença garantida. Aos demais é facultado o direito de participar. Ou seja, a lei permite. São as empresas privadas que controlam os meios de comunicação que decidem não apresentar as demais candidaturas, e impedir sua participação nos debates.

Gera-se assim um vício insanável para qualquer eleição que se pretenda democrática: uma parte muito grande da população brasileira vai votar em 3 de outubro sem sequer saber quais os candidatos que estão concorrendo. O programa eleitoral gratuito do TSE também reproduz esta desigualdade, pois poucos candidatos possuem muito tempo, enquanto a maioria tem um tempo muito reduzido. Assim, quando o eleitor chega a tomar conhecimento destas candidaturas, não tem como saber quais são suas propostas.

De uma só vez, as redes de TV e os grandes jornais desrespeitam dois direitos fundamentais no processo eleitoral: o direito de o eleitor saber quais são os candidatos e o que propõe cada um deles; e o direito dos candidatos inscritos junto à Justiça Eleitoral do país, de expor aos eleitores as suas propostas. Só assim seria possível o eleitor votar com consciência, escolhendo dentre todos os candidatos aquele que lhe pareceu melhor. Fora isso, a eleição se transforma em manipulação.

E é isso que vem sendo feito pelas redes de TV e pelos grandes jornais do país. E, infelizmente, até agora a Justiça Eleitoral não tomou medidas para coibir esta prática.

Esta carta que envio a todos e a todas é para conclamar aos trabalhadores, aos jovens, todos os democratas do país, a que protestemos contra essa situação. Que exijamos que os candidatos tenham chances iguais de defenderem suas idéias. Apenas o eleitor, e ninguém mais, pode decidir qual é bom e qual é ruim para o país. Não os donos das empresas de mídia. As TV’s em particular, que apesar de serem empresas privadas, funcionam sob concessão pública, tem a obrigação de assegurar informação isenta aos eleitores.

Independentemente de acordo ou não com a nossa candidatura, cobremos todos, por democracia no processo eleitoral. Protestemos contra a manipulação da grande mídia. Defendamos o nosso direito democrático a uma informação correta e sem manipulação por parte dos meios de comunicação de massa.

Proteste repassando esta carta a todos os seus contatos e pedindo a eles que repassem nas redes sociais (orkut, facebook) e assim por diante. Envie cópia para as empresas de comunicação, como forma de cobrança para que todas as candidaturas tenham espaço para expor suas ideias e para que a população possa decidir com consciência em quem votará nas eleições de outubro. E envie cópia também para o TSE, como forma de pedir providência da Justiça Eleitoral sobre essa situação.

Desde já, agradeço antecipadamente a sua atenção,

Zé Maria – metalúrgico e candidato à Presidência da República pelo PSTU

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

DICA: Livros digitais gratuitos de Nahuel Moreno

O Portal Domínio Público, que oferece livros digitais em formato .pdf para baixar totalmente grátis, está oferecendo três livros do intelectual marxista e dirigente trotskista argentino Nahuel Moreno.

Hugo Miguel Bressano Capacete, nome de nascimento como Nahuel Moreno, 24 de abril de 1924 - Juan Bautista Alberdi (Buenos Aires) - falecido em 1987, na mesma cidade, foi um líder revolucionário argentino, dirigente da IV Internacional e fundador da corrente internacional LIT-QI.

Figura de grande destaque no movimento trotskista internacional, participou intensamente das lutas políticas entre as distintas frações do trotskismo, desde o Segundo Congresso da IV Internacional, em 1948, vindo a fundar a LIT-QI (Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional), em 1982. Distintos grupos e personalidades vinculados as organizações operárias reivindicam seu legado, particularmente na Argentina, Brasil e outros países da América Latina, mas também na Europa e Rússia.

Os livros são:
-  "As Revoluções do Século XX"
- "Problemas de Organização"
- "Ser trotskista hoje"

Para baixar basta acessar o url: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.do?select_action=&co_autor=131

O Portal Domínio Público é sempre uma boa dica, lá pode ser encontrado livros de outros autores marxistas ou não importantes, totalmente gratuito e em português. Lá também a música e imagens.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O Brasil e a China na África: entrevista Theotonio dos Santos

Monitor Mercantil online, 13/08/2010

Brasil e China podem trocar papéis dos EUA por "avanço" na África 


Este ano, a China vai assumir o primeiro lugar entre os países que mais investem no Brasil. De janeiro até julho, o país asiático anunciou cerca de US$ 10 bilhões em projetos, com aportes diluídos pelos próximos anos. 
Outros US$ 10 bilhões de recursos chineses servirão para financiar os projetos do pré-sal conduzidos pela Petrobras. Até o fim do ano, segundo estimativa da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, o total de recursos chineses no país deverá chegar a US$ 25 bilhões, incluindo as áreas de siderurgia e agropecuária. 
É notória também a expansão do gigante asiático, não apenas na América do Sul, mas em outras regiões do planeta, como a África e a própria Europa. 
Já no Brasil, os bancos Bradesco e Banco do Brasil (BB) se associaram ao português Espírito Santo (BES) para investir na África. O cientista Social Theotonio dos Santos, da Universidade Federal Fluminense e do Conselho Editorial do MM, que já disse ser favorável, tanto aos investimentos chineses mundo afora (como alternativa ao acúmulo de reservas em títulos públicos norte-americanos), quanto à estratégia dos bancos brasileiros na África, lamenta que as duas iniciativas não estejam articuladas, não apenas no continente africano, mas também na América do Sul. 
"Isso criaria uma grande demanda para técnicos brasileiros e para a própria indústria de médio desenvolvimento. Poderia haver uma triangulação muito favorável, inclusive em termos de industrialização da África", avaliou, nesta entrevista exclusiva ao MM. 
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Não é mais seguro investir em ativos vinculados ao dólar? 
Os japoneses fizeram isso antes, contando com as altas taxas de juros que o Tesouro norte-americano pagava. Hoje estão até negativas. A China detém grande quantidade de títulos norte-americanos, que hoje são papel podre. 
Os japoneses tinham papel bom, com liquidez grande, que alavancavam em até oito vezes. Hoje, isso não é possível. Um título norte-americano vale 60% do valor de face, no máximo. 
Cerca de US$ 700 bilhões das reservas chinesas estão comprometidas com isto. A China, então, quer sair do mico, investindo em ativos mundo afora e expandindo o setor financeiro. Vi o prefeito de Xangai contar com essa expansão financeira, ao dizer que Hong Kong já tinha sido ultrapassada e que a missão agora é superar Tóquio como centro financeiro. 
O orgulho com que ele falou isso mostrou existir uma aposta na conversão em grandes grupos financeiros. São as estatais que detêm esses grandes recursos. Seria um caso novo de capitalismo financeiro de Estado. 

O Brasil detém grandes bancos, inclusive estatais. Poderia seguir o exemplo? 
Aqui o BB e outros bancos estatais investem em títulos públicos, entraram no jogo da especulação. Se triunfar uma perspectiva em que o mercado de capitais chinês se articule com essa crise mundial, tentando se valorizar e reforçando uma face nova de especulação financeira mundial, será muito ruim. 
Mas não acredito que a China deixe de ter cautela na articulação com esse sistema. Mas é fato que eles estão diante de uma oportunidade muito grande. Ofertaram US$ 50 bilhões ao FMI. Fui contra por que não conseguirão mudar a orientação do FMI. É um grupo incompetente e caro. Esse dinheiro vai mais para financiar burocratas. Seria muito melhor financiar o banco asiático ou outros bancos regionais, como o Banco do Sul. 

O Brasil poderia ser mais pró-ativo no Banco do Sul? 
Lula pode dar US$ 10 bilhões para o FMI, mas para Banco do Sul é muito tímido. Colocar dinheiro na ciranda financeira é fácil, mas poderia também usar em coisas sérias, que repercutam para o desenvolvimento regional ou mundial. 
O capitalismo de Estado tem enorme potencial de intervenção. Os chineses ofereceram quase US$10 bilhões para aumentar a infra-estrutura exportadora brasileira, com projetos. Podem colocar esses recursos. Se o Brasil não quer apostar no Banco do Sul, a China aposta. Chávez, nos contratos para explorar petróleo nas Franjas do Orinoco, abriu para empresas norte-americanas, indonésias, hindus e outras, assinando com a PDVSA. O governo exigiu apenas um bônus pela exploração. Pelos cálculos de Chávez, US$ 3 bilhões, que serão usados exclusivamente para políticas sociais. Putin (Vladimir, primeiro-ministro da Rússia) adiantou US$ 1,5 bilhão em cheque adiantado. 

Qual o potencial de utilização de nossas reservas para um avanço produtivo e social?
É enorme. Incrível como se consegue continuar pagando juros altos para atrair investimentos em forma de dívida pública. Já os chineses, estão diante de opções de intervenção no sistema financeiro mundial, que tem implicações fortes de reestruturação da economia mundial. O pensamento econômico e político atual não está a altura de compreender essas transformações. 
Veja a Europa. Numa situação como essa, a população tem de suportar uma perda violenta de capacidade de consumo. Financistas são capazes de convencer a Europa de que a solução é arrochar a população, quando deveria ser o contrário. Conseguem fazer política de contenção de consumo dessa dimensão. 
É um suicídio, no qual só o povo perde, pois o setor financeiro não perde nada. Pelo contrário, terão mais recursos para especulação. Entregaram o mundo ao neoliberalismo. É um rebaixamento comparável à escolástica medieval. Tudo a serviço de uma burocracia religiosa que se apoderou do Estado, embora não tenham conseguido impedir a evolução da burguesia. 

Por que o senhor defende a articulação entre as ações de Brasil e China na internacionalização do capital? 
O Brasil tem condições de dar apoio a uma indústria de base forte, tanto na América do Sul, quanto na África. Apesar de não dominar a Terceira Revolução Industrial, o país é desenvolvido numa área importante, na qual podemos ser fornecedores, como máquinas para processamento de matérias-primas. Além de o potencial ser grande, a conjuntura é favorável. 

Não há risco de se criar um novo colonialismo? 
É um risco. Mas a África ainda não tentou projeto industrial próprio. A África do Sul não se desenvolveu. O Egito tentou, mas o Banco Mundial ajudou a manter a região como produtora de matéria-prima apenas. Essa orientação foi muito forte. Se há um projeto de industrialização, com capital brasileiro e chinês, que não são do centro do sistema imperialista, haverá, sim, um conteúdo imperial, mas o Brasil não terá força para tanto. A China também não tem muito interesse em exportar para África, mas, sim, importar. 

Quanto custa montar um aparato industrial na África? 
É barato para a China, que tem mais de US$ 1,5 trilhão em reservas. O país já está levando mão-de-obra para lá. Fazem projetos fechados: investem, montam empresas e levam os trabalhadores mais qualificados. Do ponto de vista chinês, seria interessante, inclusive, manter essa população na África, porque tem problemas de superpopulação. 
Estão inclusive criando colônias de aposentados em países como a Costa Rica. Existe, ainda, a vantagem de levar influência cultural chinesa para o mundo inteiro. No caso do Brasil, não existe esse excesso de mão-de-obra, a não ser devido à falta de investimento interno, não por excesso demográfico. 

Qual a importância estratégica da África? 
Neste momento, o continente se converte numa das bases mais importantes para assegurar matérias-primas estratégicas na economia mundial. E hoje quem tem maior fome disso é a China, que está investindo fortemente para converter a região numa zona de apoio. 
O Brasil também está participando de alguma forma com mão-de-obra de engenheiros e outros técnicos que têm na África uma condição mais próxima da realidade brasileira. Portanto, é muito natural que o interesse brasileiro seja crescente na África. 
Por outro lado, a agricultura africana está abandonada, embora tenha sido uma das grandes regiões agrícolas do mundo. Pode se converter no celeiro da humanidade. A China tem interesse em que isso se viabilize. Não é exportadora agrícola, pelo contrário. Se Lula realmente cumprir a promessa de uma espécie de Plano Marshall para África e América do Sul, as possibilidades também são enormes.