sábado, 16 de julho de 2011

"Fundamentos" são piores nos EUA do que da Itália

Os fundamentos macroeconômicos dos EUA e Inglaterra são muitos piores, mas não têm recebido, por parte dessas agências de classificação de risco, o mesmo tratamento de outros países, como Grécia, Portugal, Espanha ou, mais recentemente, Itália.

"Fundamentos" são piores nos EUA e Inglaterra
ESPECULADORES ESCOLHEM EM QUAL PAÍS VÃO GANHAR MAIS
Monitor Mercantil, 13/07/2011

Detentores das maiores dívidas do mundo (respectivamente US$ 13,4 trilhões, US$ 9,08 trilhões, US$ 5,2 trilhões e US$ 5 trilhões), além de relação dívida/PIB próxima de 100% e déficits nominais bem acima do recomendado pelas agência de risco, EUA, Inglaterra, Alemanha e França não têm recebido, por parte dessas agências, o mesmo tratamento de outros países, como Grécia, Portugal, Espanha ou, mais recentemente, Itália, que ocupam as páginas negras da economia ultimamente.

O economista José Luiz Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB), pondera que a dívida italiana já é alta há muito tempo - boa parte em mãos de italianos - e o país não ocupava as manchetes de jornais. "Não há nenhuma razão objetiva para piora na avaliação de crédito do país. Parece que é puramente especulativo mesmo, talvez pela própria fraqueza do atual governo".

Já a Inglaterra, para Oreiro, manteve soberania para conduzir sua política econômica ao não aderir ao euro. "O país fixa sua própria taxa de juros", resume, acrescentando que a Alemanha está crescendo cerca de 3% ao ano, puxada pelas exportações, e tem as contas públicas razoavelmente ordenadas.

"A Alemanha está bem no contexto europeu, enquanto a França, que tem economia impulsionada pelo mercado interno, ocupa posição razoável. Ambos os países têm bom nível de competitividade e são pontos fora da curva no continente."

Oreiro ressalva, porém, que uma eventual reestruturação da dívida grega afetará bancos franceses e alemães. "O Banco Central Europeu fez teste de estresse e, teoricamente, os bancos suportariam. Mas não se sabe o grau de confiabilidade desses testes", finaliza.

Obama ameaça dar calote nos aposentados
Moniitor Mercantil, 13/07/2011

A quarta rodada de negociações do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com os líderes partidários, na última terça-feira, acabou sem acordo. A reunião durou cerca de duas horas, na Casa Branca. No encontro, Obama disse que se não houver consenso há risco de não pagar os benefícios para aproximadamente 50 milhões de aposentados, veteranos e pessoas com deficiência no país.

"Há ameaça porque não temos dinheiro nos cofres", disse Obama. As conversas do presidente com os parlamentares envolve o pagamento de US$ 14,3 bilhões da dívida pública. Os republicanos, que fazem oposição à Casa Branca, são contrários à elevação do teto da dívida até que façam cortes significativos.

Para a Casa Branca, a oposição está analisando o caso da dívida como tema político, enquanto o governo defende que é uma questão nacional. "É uma sociedade democrática, não é um problema republicano. É um problema norte-]americano", disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

Paralelamente, os empresários norte-americanos informaram que apoiarão o governo na busca por um acordo sobre a dívida, mas que há preocupação e até uma certa impaciência.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O Euro vai desmoronar? E daí?

O Euro vai desmoronar? E daí?
Escrito por José António Dias e Ana Paula Amaral   
Sex, 08 de Julho de 2011
Ganha força a ideia de que a “tragédia grega” de não ter dinheiro para pagar a sua dívida, mesmo com a injeção do empréstimo externo, seria a tragédia da União Europeia e poderia levar à sua implosão.
 
Já é compreensível para muitos: o pacote de “ajuda” de € 78 bilhões do FMI/União Europeia não vai ajudar em nada o povo português nem salvará a economia portuguesa da recessão. Basta olhar para a Grécia, enterrada numa crise social sem precedentes após o pacote similar de Maio de 2010, ou para a Irlanda, forçada a aceitar um empréstimo em Novembro passado para salvar a banca privada dos resultados das suas próprias iniciativas especulativas, e onde a crise não apresenta fim à vista. O resgate do FMI não está aí para relançar a economia do nosso país em bases produtivas (única maneira de fazê-lo sair da recessão), mas sim para salvar os mercados financeiros, ou seja, os interesses dos credores.
 
Ganha assim força a ideia entre os comentadores da nossa praça de que o colapso da Grécia rapidamente contagiaria os dois países também intervencionados pelo FMI/UE (Irlanda e Portugal), o que seria um golpe profundo no “projeto europeu”. A tragédia grega de não ter dinheiro para pagar a sua dívida mesmo com a injeção do empréstimo externo seria a tragédia da União Europeia (UE) e poderia levar à sua implosão. E o primeiro passo desta implosão seria a saída da Grécia do euro – podendo seguir-se a mesma solução para a Irlanda e Portugal.
 
O que é o euro?
 
Criado em finais do século passado com o objetivo de concorrer com o dólar nos mercados cambiais, o euro foi uma tentativa de unificar os interesses distintos e por vezes contraditórios das várias burguesias europeias face ao imperialismo americano sob a direção da Alemanha e da França. A adoção desta moeda única significou a perda de soberania nacional na emissão de moeda – foi o Banco Central Europeu (BCE) que passou a deter essa prerrogativa – e a imposição de critérios comuns para os défices orçamentais (exigindo-se que não ultrapassem 3% do PIB em cada país) e para as dívidas públicas (que não podem ser superiores a 60% do PIB).
 
Atualmente são 16 os países que integram o euro, ao passo que 11 outros pertencem à UE, mas mantêm as suas moedas nacionais. O que prova que há vida para além do euro, ao contrário do que muitos comentadores do sistema pretendem fazer crer…
 
O que significaria para a classe trabalhadora sair do euro?
 
Sair do euro implica regressar às moedas nacionais, o que permitiria aos governos usarem o mecanismo da desvalorização cambial para conseguirem exportações mais baratas. Isso poderia trazer a uma economia anêmica como a nossa uma vantagem concorrencial imediata nos mercados internacionais, daí que possa haver algum interesse da burguesia nesta saída para a crise.
 
Mas os países que optassem por sair da moeda única teriam também dificuldades em aceder a financiamentos externos (muito mais caros por continuarem a ser feitos em euros), e os credores veriam as suas dívidas em risco de não ser pagas. As importações seriam mais caras, os salários perderiam poder de compra, etc.
 
Mas o certo é que os trabalhadores estão já a perder poder de compra com sucessivos cortes salariais e aumentos de impostos …e estamos no euro! Quanto aos credores, quem são eles senão capitalistas financeiros que especulam com as dívidas soberanas dos países? Aliás, desde a adoção do euro que é visível uma maior sucção da mais-valia produzida pelos trabalhadores e uma cada vez maior concentração dessa riqueza na banca. O capital financeiro já ganhou muito, perderia com a saída do euro… E depois?
 
Risco de implosão da UE
 
O pânico da burguesia europeia de qualquer dos países mais endividados decidir sair do euro tem razões políticas: é provável que a própria UE implodisse, já que o nível de desacordo acerca do euro dificilmente permitiria aos países continuarem juntos no projeto europeu. E daí? Não é a UE uma união das burguesias europeias contra os trabalhadores europeus? Não tem sido uma máquina de guerra contra os direitos sociais e laborais de quem trabalha ou trabalhou? Na verdade, a desagregação do euro e da UE poderia até dar mais força à luta dos trabalhadores contra o capital, que agora estaria mais fraco e, como tal, fragmentado.
 
Que política de esquerda para o euro e a dívida?
 
Por isso não entendemos que um partido como o Bloco de Esquerda tanto se assuste com a ideia da saída do euro e da UE (ver textos da última Convenção). Assim como não entendemos que quer BE quer PCP defendam a renegociação da dívida externa, ou seja, a concertação entre governos e instituições do capital para pagamentos da dívida mais “suaves”, com juros mais “benéficos”, etc.
 
Trata-se de uma ilusão, porque significaria continuar a deixar a economia nas mãos do capital financeiro e permitir que ele continue a ditar as regras. Seria como quando alguns de nós renegociamos as dívidas das nossas casas: as condições são menos draconianas, mas os altos juros continuam lá, os lucros da banca continuam lá. As nossas casas já estão realmente pagas há anos, mas a banca não abdica de sufocar as famílias com décadas de prestações, mesmo que um pouco mais suaves…
 
Do que o povo português (e o grego, e o irlandês) necessitam é de deixarem de pagar a dívida que os sufoca, e tomarem medidas anticapitalistas para uma verdadeira recuperação econômica, a começar pelo relançamento da produção industrial, agrícola e pesqueira, sob controle dos trabalhadores. Isto poderia ser feito desde logo com os €16 bilhões que estão em off-shores e que em 2010 representavam 10% do PIB (e cuja cobrança de impostos pelo Estado faria com que o défice passasse de imediato para 1,9%!). Tais medidas certamente implicariam romper com os privilégios do capital financeiro e o euro.
 
Fonte: Jornal Ruptura no. 117, julho/2011

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Ameaça de crash chega a Itália, é questão de tempo pegar o Norte ou mesmo EUA

Ameaça de crash de crédito chega a Itália, é questão de tempo para chegar no Norte ou mesmo nos EUA. Agrava-se a crise em toda a Europa, tornou-se questão de tempo para os problemas do Sul despertarem os problemas do Norte. Em profecia auto-realizável, especulação bota Itália contra a parede. A Itália não é um PIIGS qualquer, é a a 8a maior economia do mundo. Sua provável queda pode levar outros pesos-pesados europeus juntos. O próprio FMI já adverte para um novo "crash" de crédito, ocorrência envolverá outros países da União Européia, e o grande temor, os EUA.

Agrava-se a crise em toda a Europa
Monitor Mercantil, 28/06/2011

Bruxelas - "A crise diz respeito aos EUA e não a nós", foi a primeira avaliação de "Frau" Angela Merkel após a "armação" que resultou na derrocada do Lehman Brothers, em outubro de 2008. Em continuação, a crise parecia contagiar a Grécia, para em alguns meses depois atingir Irlanda, Portugal, Espanha e pôr na alça de mira os próximos elos fracos, Itália e Bélgica.

Assim, a crise tende a ser apresentada como problema apenas do Sul europeu, tanto em nível de administração fiscal, quanto de disciplina social e convergência política, um quadro que este também é por sua vez enganoso. Muito simples: no sul da Europa apresentam-se com forte gravidade problemas comuns do total dos países integrantes da Zona do Euro.

O volume total da dívida pública dos países integrantes da Zona do Euro atinge hoje 7,5 trilhões de euros, um volume de recursos situado em níveis invisíveis, cujo total é muitas vezes mais inviável do que em separado é o total da dívida pública da Grécia ou da Irlanda.

A inovação tecnológica e a pesquisa, que são as únicas premissas para a sobrevivência da Zona do Euro e da União Européia em meio à turbulência da competição econômica mundial, não permitem otimismo de longo prazo para se garantirem os necessários superávits primários para o Velho Continente.

Se em tudo isso for somado o elevado custo social e político das políticas de saneamento que já começou a onerar, principalmente, o Sul europeu, então o horizonte estratégico da Zona do Euro é preocupante, principalmente se seus 17 países integrantes continuarem evoluindo em suas opções atuais.

Entende-se, então, que a convulsão social e a desestabilização política serão múltiplas em países como a Alemanha e a França, se existirem tentativas de contração do nível de vida em escala considerável.

Com estas premissas, as receitas de saneamento que, com responsabilidade principalmente alemã, impõem-se aos problematismos fiscais, agravam a crise. Primeiro, a restrição de demanda não demorará a atingir duramente as exportações e os superávits da Alemanha.

Segundo, conforme já é certo que, após a Grécia, Irlanda e Portugal serão necessários adicionais pacotes de salvação, a Alemanha conclui que deverá devolver parte de seus superávits sob condições muito piores e custo extremamente alto daquilo de um aumento da demanda interna no país, a fim de ser reconstituído um certo equilíbrio entre Norte e Sul.

É algo mais do que certo que dentro deste cenário não existem estratégias periféricas separadas e muito mais estratégias nacionais de sobrevivência. Nem a Alemanha e, muito menos os demais países superavitários podem fugir do custo de salvação do Sul, muito menos o Sul pode buscar soluções fora da Zona do Euro.

Dispender massa cinzenta em busca da forma com a qual tornar-se-á viável - principalmente, para os mercados - a dívida pública grega é esbanjar tempo. "É a raiz da árvore que está podre".

Acrescentem aos 7,5 trilhões de euros da dívida pública atual dos países integrantes da Zona do Euro os cerca de 10 trilhões da dívida pública dos EUA: É algo mais de que claro que, em um futuro não muito distante, os líderes empoados da Europa e dos EUA colocarão sobre a mesa das negociações o desafio do enfrentamento total do problema.

Em outras palavras, a crise da dívida pública dos países integrantes da Zona do Euro e dos EUA resultará em total apodrecimento do status quo que havia sido conformado na primeira década de existência da Zona do Euro. Assim, quanto mais rápido forem compreendidas as reais dimensões da crise, tanto menor será o custo que serão convocados a pagar a Alemanha e outros países superavitários.

Profecia auto-realizável. Especulação bota Itália contra a parede
Monitor Mercantil, 11/07/2011

Em meio aos temores de que a Itália possa ser a próxima vítima da contaminação da crise na Zona do Euro, os ministros do setor de finanças da União Européia (Eurogroupo) fizeram uma reunião de emergência, nesta segunda-feira. Oficialmente, iria se discutir um pacote de ajuda financeira à Grécia.
O principal índice da Bolsa de Valores de Milão caiu 3,96%, após ter perdido 3,5% na sexta-feira. As bolsas européias ficaram no vermelho: o índice DAX, de Frankfurt, caiu 2,33% e a Bolsa de Lisboa perdeu 4,4%.
As quedas, segundo analistas, foram provocadas pela especulação em torno do enfraquecimento do governo italiano por escândalos políticos. Assim, a Itália não conseguiria implementar um plano de cortes de gastos, exigido pelos credores para terem garantia de que receberão seus empréstimos.
O ministro das Finanças italiano, Giulio Tremonti, apresentou um plano de cortes orçamentários de 48 bilhões de euros (quase R$ 107 bilhões) para os próximos três anos. Os títulos da dívida pública italiana se desvalorizaram e as agências de classificação de risco já alertaram que podem rebaixar a nota dos papéis emitidos pelo governo de Roma.
"É a típica irracionalidade dos mercados. Os títulos italianos hoje pagam juros de alto risco, mas em nenhum momento o país teve dificuldade para fazer frente a seus compromissos", disse um analista à BBC.
O Eurogrupo vai apresentar em breve propostas para alargar os prazos dos empréstimos aos países europeus, bem como para reduzir as taxas de juro associadas a esses empréstimos. Os ministros das Finanças reafirmaram o seu empenho em salvaguardar a estabilidade da Zona Euro e afirmaram estar prontos a adotar mais medidas para melhorar a capacidade sistêmica da Zona Euro para reagir a contágios, o que inclui aumentar a flexibilidade e a capacidade do fundo europeu de estabilização financeira (FEEF).
A reunião fora convocada no fim de semana pelo presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. Além dele, participaram da reunião em Bruxelas o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, o chefe dos ministros das Finanças da Zona do Euro, Jean-Claude Juncker, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e o comissário da União Européia para Assuntos Econômicos, Olli Rehn.
O novo pacote de ajuda à Grécia vem sendo negociado há várias semanas, mas até agora não houve um consenso entre os países da zona do euro e representantes dos credores sobre as condições para a sua aprovação. Autoridades européias temem que um atraso grande na aprovação do plano possa prejudicar a situação de outros países da região que também enfrentam dificuldades financeiras, como Portugal, a Espanha e a Irlanda, além da Itália.
A Itália tem uma das economias menos dinâmicas da Europa. Em 2010, o PIB italiano ficou em US$ 2,05 trilhões, já ultrapassado pelo do Brasil, de US$ 2,09 trilhões, segundo dados do FMI. A dívida pública italiana equivale a 120% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Entre os países da Zona do Euro, esse percentual só é menor que o da Grécia, cujo endividamento atinge 150%. FMI adverte para um novo "crash" de crédito
Monitor Mercantil, 28/06/2011



Zurique - Sonoro sinal de alarme para a economia mundial soou o Fundo Monetário Internacional (FMI), advertindo que os riscos por um novo crash de crédito têm aumentado e destacou que "EUA e Europa brincam com o fogo se não tomarem urgentemente medidas para redução de seus déficits fiscais".

Ainda, o FMI salienta que "a atividade econômica em escala mundial tem sido desacelerada desde o início deste ano e os riscos têm aumentado por causa da ameaça de uma crise política na periferia da Zona do Euro que poderá disseminar-se em outras regiões".

"Os políticos deverão trabalhar duramente para atingir rápido progresso no que diz respeito o fortalecimento do sistema financeiro", aconselha o FMI em seu relatório semestral (revisto), sobre as perspectivas da economia mundial".

"A mensagem-chave é que estamos ingressando em uma fase da crise - a denominada fase política da crise - e já é hora para serem tomadas as decisões políticas necessárias, a fim de serem evitados outros problemas", disse apresentando o relatório o responsável para temas monetários e os mercados de capitais do FMI, José Viñals.

"A oportunidade que apresenta-se hoje para se preparar o sistema econômico e financeiro (...) proporcionando, principalmente, transparência no que diz respeito a soluções no campo da Zona do Euro, poderá ser perdida inesperadamente. Poderá ser perdida por causa de algum evento nos mercados, se um salto repentino para se evitar o risco (que seria provocado por razões alheias) levaria os investidores a limitarem sua tolerância contra as inconsequentes soluções políticas."

"Poderia, também, se perder por causa de eventos políticos, ou porque os programas de adequação perderiam seu apoio político dos países endividados, ou porque a opinião pública dos países credores se mostraria fadigada de tanto continuar finanaciando estes programas", lê-se no relatório.


Grécia

"Particularmente para a Grécia, a situação nos mercados não deixou de agravar-se, por causa das preocupações sobre o grau de decisão política que será necessária para que seja posta em execução a adequação e ser garantido o financiamento". De acordo sempre com o relatório do FMI, "no caso de um sério evento de crédito, o choque poderá ser disseminado além da Zona do Euro, tanto pela exposição interfronteiriça dos bancos que têm sido expostos à dívida dos países, quanto também, pela generalizada aversão por risco".

Entretanto, o FMI soa o sinal de alarme também para os EUA, afirmando que "deverão estruturar, urgentemente, um programa de médio prazo para enfrentarem seus problemas fiscais".

Nos EUA a feição política da crise deve-se na queda de braço que é travada no Congresso sobre se será permitido ou não o aumento do limite máximo de dívida pública. Uma queda de braço política que ameaça levar o país até inclusive uma provisória interrupção de pagamentos, em uma "falência técnica", conforme não perdeu tempo para alertar a agência internacional de rating Fitch, que advertiu, ainda, os EUA de que "correm o risco de perder sua classificação de capacidade de endividamento AAA".

Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI, declarou que "enquanto o risco de uma queda dupla para os EUA é pequeno, o crescimento da economia norte-americana, avalia-se, não será acelerado, a fim de reduzir o percentual de desemprego que já atingiu 9,1%". Contudo, o FMI assinalou que o déficit fiscal norte-americano mostra-se, ligeiramente, melhorado este ano por causa, principalmente, do aumento das arrecadações.

Já o déficit de orçamento, avalia-se, se conformará em 9,9% do Produto Interno Bruto (PIB) - isto é, permanecerá novamente em níveis altos, mas terá melhorado em comparação com 10,8% do PIB previstos em abril deste ano.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Banqueiros apostam em lucros de uma reestruturação da dívida grega

Banqueiros apostam em lucros de uma reestruturação da dívida grega e Banco Central Europeu (BCE) prepara rolagem dos bônus. Os banqueiros vislumbram altos lucros em decorrência das condições favoráveis que a acompanharão, mas o custo disso será convocado a pagar o Estado grego, e será lançado na dívida por intermédio de novas garantias que serão prestadas para o resgate de liquidez perdida. Aí o porque da imposição dos governos europeus de um plano de ajuste a Grécia, como etapa preparatória à reestruturação da dívida.

Banqueiros apostam em lucros de uma reestruturação da dívida grega.
Monitor Mercantil, 22/06/2011 -Laura Brit, Sucursal da União Européia.

Zurique - "Espertos", os banqueiros estrangeiros alimentam a discussão em torno da reestruturação de dívida da Grécia, afirma o diretor do Fundo Europeu de Apoio (EFSF), Klaus Regling, destacando que "os banqueiros vislumbram altos lucros em decorrência das condições favoráveis que a acompanharão".

Em entrevista ao jornal econômico alemão Handelsblatt, Regling denunciou que "as instituições financeiras européias reconhecem que têm prejuízos com qualquer reestruturação", mas julgam que "os benefícios que usufruirão prometem muito mais e também acreditam que quaisquer prejuízos em seus portfólios serão limitados".

terça-feira, 12 de julho de 2011

Trabalhadores afirmam que empresas controladas por eles são viáveis e lucrativas

Trabalhadores afirmam que empresas controladas por eles são viáveis e lucrativas

A autogestão das fábricas falidas pelos próprios trabalhadores é possível, viável e pode ser bastante lucrativa. É o que garantiram vários representantes de movimentos e cooperativas de trabalhadores, que participaram de audiência pública organizada pela Subcomissão Permanente em Defesa do Emprego e da Previdência Social, da Comissão de Assuntos Sociais (CAS), para tratar da situação das fábricas administradas por trabalhadores.

O coordenador do Conselho da produtora de tambores de plástico Flaskô, Pedro Alem Santinho, contou a experiência de administração da empresa pelos próprios funcionários, a partir de 2003, depois da falência da fábrica.

Além de evitar que os funcionários da Flaskô fossem demitidos, a autogestão traduziu-se, disse ele, em outros benefícios ao longo desses oito anos, como a redução da jornada de trabalho de 44 para 30 horas semanais; a construção da vila operária, com 564 moradias para os empregados dentro do próprio terreno da fábrica; e ainda a ocupação de dois espaços ociosos para implantação de projetos voltados para a cultura e o esporte.

Para que projetos como esse continuem dando resultado, Pedro Santinho defende a desapropriação da fábrica, cujo processo ainda está na Justiça. Mas para isso, é preciso alterar a legislação vigente.

- É possível resolver essa questão com a previsão, em lei, da desapropriação das empresas em regime falimentar, com os terrenos sendo vendidos ou alugados para as associações, cooperativas e outros tipos de movimentos de operários - afirmou Pedro Santinho.

A estatização dessas empresas em regime de falência mediante controle dos trabalhadores também foi defendida pelo advogado do Movimento das Fábricas Ocupadas, Alexandre Tortorella Mandl. Para ele, a discussão vai além da simples estatização, já que se trata também da defesa de postos de trabalho e da própria atividade industrial.

Para o presidente da Cooperativa dos Trabalhadores Metalúrgicos de Canoas (CTMS), no Rio Grande do Sul, João Henrique Barbosa da Silva, a legislação sobre o assunto tem que ser específica e clara, para que os trabalhadores das empresas em falência, nacionais ou estrangeiras, possam ser consultados sobre a intenção de assumirem a direção e a produção dessas fábricas.

Ele reclamou das dificuldades existentes para uma empresa controlada pelos trabalhadores se posicionar no mercado. No caso da CTMS, por exemplo, a Petrobras, segundo explicou, se nega a adquirir os equipamentos produzidos por eles.

- Nossos equipamentos são melhores, mais baratos e mais confiáveis que os produzidos por fornecedores internacionais e queremos que a Petrobras reconheça isso - assinalou João Henrique.

Agência Senado

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A serviço de quem estão os mega-eventos e a atual reforma urbana?

Eduardo Araújo e Sérgio Luiz, do Movimento Resistência Urbana e da CSP-Conlutas

Bairro do Caju, Parque Alegria, próximo a entrada da Linha Vermelha pela Avenida Brasil, local onde D. João VI tomava banho[1]. Hoje local de moradia, há 50 anos, de Dona Maria de Lurdes, de 85 anos de vida. D. Maria chegou ali em 1960 como migrante de Campina Grande, na Paraíba, talvez ainda sonhando com as promessas do velho populismo de desenvolvimento do Brasil Grande.

Depois de 48 anos morando no Rio de Janeiro, em 2009, D. Maria assistia pela tevê à comemoração, juntando Eduardo Paes, Sérgio Cabral e Lula que abraçados diziam que as obras e os investimentos para os Jogos Olímpicos seriam a redenção do Rio de Janeiro. Mas Dona Maria, paraibana de nascimento, e que adotou o Rio como a sua terra ficou com uma pulga atrás da orelha - chegara no local onde mora e vira tantas promessas de melhorias, “melhorias” anunciadas ao longo do tempo, como a construção da Linha Vermelha, que de uma tacada só removeu cerca de 100 família – mandando vizinhos de décadas para longe de seu convívio.

A situação descrita acima é emblemática da impactante reforma urbana que tem sido levada a cabo na cidade do Rio de Janeiro. Tudo por conta da proximidade de dois dos maiores megaeventos esportivos mundiais: A Copa do Mundo de Futebol de 2014 e as Olimpíadas do Rio de 2016. Em nome de uma suspeita ‘revitalização’ (palavra da moda) a capital fluminense tem atraído altos investimentos para a realização de grandes obras na região portuária do Rio; a construção da linha 4 do Metrô em direção a Barra da Tijuca; o corredor viário ligando o Aeroporto do Galeão à Barra, o teleférico do Morro do Alemão à Vila Cruzeiro e etc.

domingo, 10 de julho de 2011

Indústria em marcha lenta, a desindustrialização se soma a desnacionalização

Indústria em marcha lenta
Monitor Mercantil, 07/07/2011

À DESINDUSTRIALIZAÇÃO SE SOMA A DESNACIONALIZAÇÃO
Nos primeiros cincos meses de 2011, o crescimento industrial não chegou a 2%, muito longe da taxa alcançada no mesmo período do ano passado (17,3%) ou de 2010 como um todo (10,5%). O Instituto para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi) pondera que mesmo esse desempenho foi favorecido pela base fraca do ano anterior e alerta para o "encolhimento generalizado" da produção.

"É claro que esses últimos índices têm correspondência em um processo de recuperação de nossa economia à crise internacional. Mas, se retrocedermos ao período pré-crise, a comparação também faz sobressair o magro desempenho de 2011: no ano cheio de 2007, a expansão industrial foi de 6%, e de 6,3% no período janeiro/maio de 2008", diz o Iedi.

Para o instituto, a indústria brasileira vive "flagrante perda de dinamismo ou mesmo retração absoluta". Já o economista Paulo Passarinho, do Conselho Regional de Economia (Corecon-RJ) avalia que o país não vive um processo de desindustrialização. "Ele já está desindustrializado", salienta o conselheiro do Corecon-RJ, enfatizando que a retração absoluta da indústria evidencia o caráter subdesenvolvido do país.
"Subdesenvolvimento não é crescer a taxas baixas, mas crescer a reboque da economia mundial. No Brasil, quem puxa a indústria é o setor automotivo, totalmente internacional", diz, acrescentando que os demais setores vivem expressivo processo de desnacionalização. "O arranjo macroeconômico já matou a indústria. Somos uma economia neocolonial."

Na opinião de Passarinho, a elite industrial brasileira não se incomoda com essa regressão. "Os empresários do país têm forte interação com o modelo rentista, que não tributa convenientemente suas fortunas. Se o dólar está barato, simplesmente passam a montar seus produtos aqui com componentes importados e até aumentam a lucratividade", resumiu o economista.

sábado, 9 de julho de 2011

No Marxismo a Economia do Desenvolvimento é a 'Economia da Revolução'

Os 80 anos de O Declínio do Capitalismo e 85 anos de A Nova Econômica de Preobrazhenski


(Teoria do Desenvolvimento e o Marxismo  - 4ª parte)

por Almir Cezar Filho

Ao longo do século XX a várias sociedades nacionais estiveram às voltas com a imperiosa preocupação com o desenvolvimento econômico, impactada pelas várias revoluções proletárias e o "declínio" do Capitalismo, por duas guerras mundiais e uma grande depressão, vividos com intensidade na primeira metade do século XX. Apoiando as ações políticas da nova realidade, encontrava-se todo um novo arsenal teórico em poucas décadas, contrariando em muito os cânones fundantes da Economia como ciência, a Teoria Econômica incorporou inúmeras preocupações, como autonomia nacional, industrialização, qualidade de vida, etc. Surge então, além da Macroeconomia, as modernas teorias do desenvolvimento econômico, a "Economia do Desenvolvimento" - nascida à sombra do Marxismo e de seus intensos debates internos. Contudo, não há uma teoria marxista do desenvolvimento, à menos que se compreenda, a Economia marxista do desenvolvimento enquanto a “Economia da Revolução”, tanto pela revolução proletária, como pelo fato do Capitalismo ser o sistema que revoluciona a si próprio permanentemente.

As teorias econômicas do desenvolvimento convergiram-se às formas marxianas, quando mesmo não "beberam na fonte" das teorias marxistas. E apesar de quase em sua maioria defenderem o Capitalismo como sistema, a Economia do Desenvolvimento teve como prólogo o "debate soviético" da década de 1920 de como se transicionava ao socialismo países de economia capitalista subdesenvolvidos, onde a Economia do Desenvolvimento do ponto-de-vista marxista constituiu-se de fato em uma espécie de "Economia da Revolução", em razão da perspectiva estratégica da ação política e da análise sobre o Capitalismo, porém perdidas no fim do século XX com a Queda do Muro de Berlim e o fim do "Socialismo Real" e da URSS, mas necessárias a serem resgatadas a fim de recuperar o verdadeiro caráter dessa teoria.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Apesar de queda, desigualdade persiste na América Latina

Apesar de queda, desigualdade persiste na América Latina. Brasil continua entre os mais desiguais. Política visam governabilidade e perpetuação do poder dos governos. Não ataca os problemas estruturais de fundo da desigualdade e somente foi possível pelo cenário externo favorável.

Houve uma tendência de queda da desigualdade da renda no Brasil durante o governo Lula, mas essa redução da desigualdade é fenômeno praticamente generalizado na América Latina na década 2000-2010. O Brasil experimentou uma melhora na sua posição no ranking mundial dos países com maior grau de desigualdade. Saiu da 4ª posição no ranking mundial dos países mais desiguais para a 5ª posição. Porém com uma queda muito menor que os demais latino-americanos.

No conjunto dos países que mostram melhores resultados quanto à redução da desigualdade, o Brasil ocupa a 3ª posição, atrás da Venezuela (projeto de orientação socialista) e do Peru (projeto liberal), o que demonstra que os programas sociais não encontraram barreiras ideológicas à sua execução. Essas são algumas das conclusões do trabalho "Redução da desigualdade da renda no governo Lula - Análise comparativa", do professor Reinaldo Gonçalves, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O estudo baseia-se em painel de 12 países da América Latina: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Honduras, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. As variáveis para análise são o coeficiente de Gini, que mede a distribuição de renda e varia de 0 (completa igualdade) a 100 (máxima concentração); e a renda média per capita dos domicílios dos 20% mais ricos e dos 20% mais pobres, de acordo com dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

No painel de 12 países, somente Honduras não teve redução dos índices de desigualdade. As maiores quedas do coeficiente de Gini ocorreram na Venezuela, no Peru e no Brasil, enquanto as maiores reduções na comparação entre a renda média dos 20% mais ricos e os 20% mais pobres aconteceram na Bolívia, na Venezuela e no Brasil.

Embora tenha ocorrido queda da desigualdade, de modo geral, os países da América Latina continuam com coeficientes de Gini muito mais elevados do que a média mundial. Por exemplo, na primeira década do século XXI, o coeficiente médio de Gini para os países do painel é de 51,6 enquanto a média mundial é de 39,5. Brasil, Honduras, Bolívia e Colômbia têm os mais elevados coeficientes de desigualdade na América Latina, que tem, na média, elevados coeficientes de desigualdade pelos padrões internacionais.

Reinaldo Gonçalves diz que a evidência empírica disponível aponta para dois fatos marcantes na América Latina na primeira década do século XXI. O primeiro é o comportamento pró-cíclico da renda da região, que acompanha as fases do ciclo econômico internacional: a fase descendente em 2001-02, a extraordinária expansão de 2003 até meados de 2008, a crise de 2008-09 e a recuperação em 2010.

Esse fato é determinante da evolução dos indicadores de desigualdade. No período 2001-10, os países do painel que têm taxa de crescimento do PIB real per capita acima da média são Peru, Argentina, Uruguai, Equador, Chile e Colômbia. O Brasil tem taxa média anual de crescimento do PIB real per capita de 2,2%, inferior à média do painel.
O segundo fato relevante é a tendência de queda da desigualdade da renda na região. Após elevação em 2000-02, a queda é evidente no período 2003-08, que marcou a fase ascendente do ciclo econômico internacional.

Para os países do painel, a média do coeficiente de Gini cai de 55,1 em 2002 para 51,0 em 2008. No entanto, em 2009 há reversão da média do coeficiente de Gini, que aumenta para 51,3. Os países que têm os maiores graus de desigualdade são os mesmos nas últimas duas décadas: Colômbia, Bolívia, Honduras, Brasil, Paraguai e Chile. Nesse período houve algumas mudanças de posição relativa: por exemplo, o Brasil passou da mais elevada desigualdade em meados dos anos 1990 para a 4ª posição no painel na primeira década do século XXI.

Apesar de haver queda da desigualdade na América Latina na primeira metade do século XXI, os países da região continuam com os mais elevados indicadores de desigualdade de renda no mundo. Em meados desta década, quatro entre os cinco países com maior desigualdade estão na região (Colômbia, Bolívia, Honduras e Brasil), e no conjunto dos dez países mais desiguais há oito países latino-americanos.

Segundo Reinaldo Gonçalves, o imperativo da governabilidade e a perpetuação no poder são os determinantes principais das políticas redistributivas na região, independentemente do modelo econômico-político vigente em cada país. Porém, ressalta, sem mudanças estruturais, por exemplo, as principais políticas redistributivas na América Latina, em geral, e no Brasil, em particular, seguem a "linha de menor resistência", visto que envolvem aumento do gasto público social e do salário mínimo real. No período, essas políticas foram condicionadas, em grande medida, pela evolução favorável da economia mundial, via afrouxamento da restrição das contas externas e das contas públicas. A crise global em 2008-09 provocou reversão ou interrupção da tendência de queda da desigualdade na região.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Década de ouro faz grandes grupos crescerem 2,5X além do PIB

Quando a riqueza geral cresce, a os ricos cresce muito mais. Os Anos Lula foram uma década dourada para a burguesia brasileira. Apesar das pequenas concessões a classe trabalhadora houve aumento da exploração do trabalho.


Década de ouro faz grandes grupos crescerem 2,5 vezes além do PIB
Levantamento do iG revela que 19 dos 20 maiores grupos nacionais faturam mais de R$ 10 bilhões. Há dez anos, eram apenas dois


André Vieira, iG São Paulo | 13/05/2011

Na primeira década do século 21, os maiores grupos brasileiros cresceram numa velocidade 2,5 vezes acima da expansão da economia brasileira.

No detalhe, o faturamento dos 20 maiores grupos nacionais de capital privado subiu 534% entre os anos de 2000 e 2010, alcançando uma receita bruta conjunta de R$ 587,9 bilhões. No primeiro decênio do século, o lucro consolidado destes grupos chegou a R$ 60,3 bilhões no ano passado, o que significou uma alta de 678% na comparação com o ganho líquido obtido em 2000.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Breve bibliografia sobre Eugueni Preobrazhenski


Euguene Preobrazhenski

por Almir Cezar

Ainda no espírito das celebrações dos 80 anos de publicação de O Declínio do Capitalismo  e dos 85 anos de A Nova Econômica do economista bolchevique Euguene Preobrazhenski, selecionei os artigos que considero os mais importantes a respeito do seu pensamento, a começar por três artigos clássicos que resenham suas teorias, a seguir:

"Preobrazhensky and the Problem of the Soviet Transition" (Preobrazhensky e o Problema da Transição Soviética), por Donald D. Filtzer, in revista Critique, no.9

"Preobrazhenski and Economics of Soviet Industrialization" (Preobrazhensky e a Economia da Industrialização Soviética), por Alexander Erlich, in revista Quarterly Journal of Economics 64(1), 57–88, february 1950.

domingo, 3 de julho de 2011

Produção industrial dos Piigs desaba

Periféria européia à beira do colapso. Produção industrial dos Piigs (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) desaba, enquanto isso Alemanha se recupera - à custa da sua periféria.

Produção industrial dos Piigs desaba
Monitor Mercantil, 01/07/2011


A produção industrial na Grécia, Itália, Irlanda e Espanha teve contração em junho. A indústria grega teve o pior desempenho entre os países da Zona do Euro, com o índice de produção manufatureira caindo para 45,5 pontos. Abaixo de 50 pontos significa contração. Portugal o quinto integrante do grupo chamado de Piigs, não entra na pesquisa.

O índice médio da Zona do Euro ficou no menor nível em 18 meses, segundo o índice Markit: 52 pontos em junho, ante 54,6 em maio. A média do primeiro trimestre do ano era de 57,9 pontos.

O melhor desempenho em junho foi da Alemanha, com 54,6 pontos. Ainda assim, o pior nível em 17 meses.

A indústria da China teve o menor crescimento em 28 meses em junho, devido a um menor avanço das encomendas motivado pelo enfraquecimento da economia global e um aperto monetário interno. O índice oficial do setor manufatureiro caiu para 50,9 em junho, ante 52 em maio. Acima de 50 pontos indica expansão.

A produção industrial norte-americana apresentou recuperação em junho, depois de uma queda brusca da atividade manufatureira em maio. O índice de atividade manufatureira aumentou de 53,5 pontos em maio para 55,3 pontos em junho. Apesar da alta, foi o crescimento mais lento em 20 meses.

sábado, 2 de julho de 2011

Entrevista com Slavoj Zizek

Vídeo com entrevista do filósofo, sociólogo e crítico de arte, Slavoj Žižek (esloveno AFI: [ˈslavoj ˈʒiʒɛk]; Liubliana, 21 de Março de 1949) ao programa brasileiro Roda Viva. Žižek é conhecido por seu uso de Jacques Lacan numa nova leitura da cultura popular, abordando temas como o cinema de Alfred Hitchcock e David Lynch, o leninismo e tópicos como fundamentalismo e tolerância, correção política, subjetividade nos tempos pós-modernos e outros. Zizek é professor da European Graduate School e pesquisador sénior no Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana e professor visitante em várias universidades estadunidenses, entre as quais estão a Universidade de Columbia, Princeton, a New School for Social Research, de Nova Iorque, e a Universidade de Michigan.

Zizek e paralaxe
Zizek é famoso por seu conceito de "paralaxe" na sociologia e psicologia - o público consegue entender resumidamente o conceito de paralaxe de Zizek assistindo a entrevista. Paralaxe na astronomia e ótica é o efeito de distorção entre o objeto observado pelo sujeito, proporcionado pela refração da luz e o posicionamento do observador. Dependendo da posição e da distância o objeto é visualizado de maneira distorcida pelo observador (efeito da refração da luz, não confundir com imagem desfocada).

Zizek procura aplicar esse conceito as relações sociais, em especial, as ideologias, tentando referenciar essa aplicação dentro de uma perspectiva marxiana. Naquilo que Marx se referia que as verdades históricas são verdades, mas também relativas, à medida que estão determinadas em parte, pela consciência pregressa dos sujeitos (a ideologia), enquanto que, o real material, é apreensível, embora não de maneira homogênea e totalizante pelos sujeitos, inclusive pois dependem das relações materiais que desenvolvem nesse mundo, onde ambas existem. E à medida que essa relação muda (sujeito e objeto), ou um dos dois, modificasse também o entendimento sobre o objeto.

Portanto, nunca a burguesia, enquanto sujeito social, poderia desenvolver um arsenal científico como o Marxismo, de entendimento do real social, tarefa realizada pelo proletariado, à medida que contém as percepções e programa e método oriundos tipicamente dessa classe. Por outro lado, enquanto aquela classe (a burguesia) era progressiva (séculos XVIII e XIX), desenvolveu a Economia Política e o Liberalismo clássico, hoje resta-lhe apenas desenvolver por um lado, a pós-modernidade, e por outro, o neoliberais, ou pior, o neoconservadorismo. O proletariado é uma classe que vai-além do capitalismo, da sociedade burguesa. Sociedade que transformou o mundo como nunca antes, e criou as bases materiais para o socialismo.


Dica: 
há um blog em português dedicado ao pensador: http://slavoj-zizek.blogspot.com.br/

(atualizado em 05 nov. 2012)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A Indústria no Brasil: Especialização Precoce e em Produtos de Baixo Valor Agregado


http://marx21.com/2011/05/17/a-industria-no-brasil-especializacao-precoce-e-em-produtos-de-baixo-valor-agregado/
Os 8 anos de FHC e os 8 anos do governo Lula deixaram marcas negativas profundas na economia brasileira. A primeira delas foi que o sistema produtivo brasileiro se concentrou ainda mais em produtos de baixo valor agregado, como produtos agrícolas e minerais. A produção de itens com alto valor agregado vem perdendo espaço paulatinamente. O que salvou o governo Lula foi o incrível aumento dos preços e do volume exportado destas commodities de baixo valor, o que explica os saldos comerciais positivos apesar da piora estrutural da produção doméstica. A segunda marca negativa é que o Brasil passou da fase de diversificação para a fase da concentração industrial muito antes do que seria o ideal. Ao contrário dos países industrializados e ao contrário dos países asiáticos, o Brasil deixou de diversificar o seu parque industrial em níveis de renda per capita muito baixos para o padrão internacional. Desta forma, a economia brasileira apresenta duas fraquezas estruturais que se complementam perigosamente: a especialização precoce e a especialização em produtos de baixo valor agregado. Os efeitos potencialmente negativos ainda não se concretizaram por conta da forte demanda chinesa pelos produtos de baixo valor que o Brasil exporta. O saldo comercial positivo do governo Lula esteve muito mais associado a efeitos exógenos à economia brasileira do que aos ganhos de produtividade da indústria doméstica.

A Indústria no Brasil: Especialização Precoce e em Produtos 

de Baixo Valor Agregado

17 maio, 2011
Estes resultados foram calculados pela pesquisadora Laura Carvalho, e o estudo completo encontra-se aqui. Além das análises empíricas, destaca-se também o resultado teórico de que o desenvolvimento econômico precede a especialização comercial. Tal resultado foi originalmente apresentado por Imbs e Wacziarg (2003) na American Economic Review, e representou um duro golpe contra as teorias canônicas do comércio internacional. Os modelos de David Ricardo e de Heckscher-Ohlin previam que o desenvolvimento ocorreria como resultado da especialização dos países no comércio internacional. Imbs e Wacziarg mostraram que historicamente ocorreu o contrário: os países industrializados se desenvolveram via diversificação industrial, e somente começaram a se especializar após ultrapassarem altos níveis de renda per capita. A especialização comercial não é causadora do desenvolvimento. O caso brasileiro é preocupante porque a indústria nacional começou a especializar-se em níveis muito baixos de desenvolvimento econômico. A indústria no Brasil se especializa quando deveria estar diversificando. E se especializa justamente em produtos de baixo valor agregado.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Europa à beira do abismo, burguesia empurra as perdas aos trabalhadores

Burguesia européia empurra as perdas aos trabalhadores. À beira do abismo, Grécia dá um passo à frente. Contra 80% dos gregos, ruas de Atenas virando campo de batalha, parlamento aprova novo pacote e aumenta instabilidade do país ao optar por mais aperto fiscal.

À beira do abismo, Grécia dá um passo à frente
Monitor Mercantil, 29/06/2011


Pesquisas indicam que entre 70% e 80% da população são contra o pacote do governo. Os sindicatos informam que, com as demissões no setor público, a taxa de desemprego já ultrapassou os 16%.

Mesmo assim, o Parlamento grego aprovou o pacote de medidas de arrocho fiscal proposto pelo governo, uma contrapartida exigida pelo FMI e pela União Européia (UE) para liberar a última parcela (12 bilhões de euros) de um empréstimo de 110 bilhões de euros ao país. Entre as medidas estão cortes orçamentários, aumento de impostos e privatizações.

Segundo a economista Leda Paulani, da Universidade de São Paulo (USP), a aprovação do novo pacote vai aprofundar a instabilidade da crise grega. Ela observa ainda que a base do sistema mundial financeirizado é justamente a instabilidade, que deve aumentar com as medidas de restrição à economia.

"Há uma base cada vez mais sólida de interesses materiais que sustenta esse modelo, baseado na instabilidade, pois, quando a crise aperta, todos correm para o dólar, favorecendo interesses rentistas, mesmo que a crise tenha origem no Estados Unido", analisa a economista, acrescentando que "daqui por diante, veremos um aumento permanente de tensões na Grécia".

Numa tentativa de intimidar o Parlamento, o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, afirmou antes da votação que, se o governo fosse derrotado, os cofres do país ficariam vazios "em uma questão de dias" e a moratória seria inevitável.

Segundo a Agência Brasil, as autoridades européias finalizam os detalhes de mais um pacote, agora, estimado em 120 bilhões de euros, que visa a permitir à Grécia pagar suas dívidas até o fim de 2014 com os bancos europeus.

Dois artigos são do periódico Correio Internacional, publicado pela Liga Internacional dos Trabalhadores sobre a crise na Itália e Grécia.
Grécia: O parlamento de um um lado e os trabalhadores e o povo de outro

O governo de Papandreu tem o apoio dos deputados, mas não da população. As novas medidas exigidas pela UE e pelo FMI para entregar o dinheiro que já tinham prometido vão afundar mais a economia grega e, sobretudo, os trabalhadores e os setores mais desfavorecidos. ..Leia mais


Itália: A receita patronal para sair da crise: sacrifícios somente para os trabalhadores

Tempos duros para os trabalhadores, sejam italianos ou de um modo geral europeus. As garantias de quem procura convencê-los de que o pior já passou e de que o sistema econômico mundial caminha para uma recuperação sólida não tiveram muito 
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terça-feira, 28 de junho de 2011

Lucro, e não imposto, explica preço do carro no Brasil

Lucro, e não imposto, explica preço do carro no Brasil.

É o "Lucro Brasil" e não o "Custo Brasil" que faz o consumidor pagar o carro mais caro do mundo.

O Brasil tem o carro mais caro do mundo. Por quê? Os principais argumentos das montadoras para justificar o alto preço do automóvel vendido no Brasil são a alta carga tributária e a baixa escala de produção. Outro vilão seria o “alto valor da mão de obra”, mas os fabricantes não revelam quanto os salários – e os benefícios sociais - representam no preço final do carro. Muito menos os custos de produção, um segredo protegido por lei. (...)

O analista Adam Jonas
[Banco Morgan Stanley], responsável pela pesquisa, concluiu que, no geral, a margem de lucro das montadoras no Brasil chega a ser três vezes maior que a de outros países.

O Honda City é um bom exemplo do que ocorre com o preço do carro no Brasil. Fabricado em Sumaré, no interior de São Paulo, ele é vendido no México por R$ 25,8 mil (versão LX). Neste preço está incluído o frete, de R$ 3,5 mil, e a margem de lucro da revenda, em torno de R$ 2 mil. Restam, portanto R$ 20,3 mil.

Adicionando os custos de impostos e distribuição aos R$ 20,3 mil, teremos R$ 16.413,32 de carga tributária (de 29,2%) e R$ 3.979,66 de margem de lucro das concessionárias (10%). A soma dá R$ 40.692,00. Considerando que nos R$ 20,3 mil faturados para o México a montadora já tem a sua margem de lucro, o “Lucro Brasil” (adicional) é de R$ 15.518,00: R$ 56.210,00 (preço vendido no Brasil) menos R$ 40.692,00.

Isso sem considerar que o carro que vai para o México tem mais equipamentos de série: freios a disco nas quatro rodas com ABS e EBD, airbag duplo, ar-condicionado, vidros, travas e retrovisores elétricos. O motor é o mesmo: 1.5 de 116cv.

Será possível que a montadora tenha um lucro adicional de R$ 15,5 mil num carro desses? O que a Honda fala sobre isso? Nada. Consultada, a montadora apenas diz que a empresa “não fala sobre o assunto”.


Para ler a íntegra da matéria da coluna Mundo em Movimento de Joel Silveira Leite clique aqui.

domingo, 26 de junho de 2011

Crise se espalha em uma Europa refém do "mercado"

Crise se espalha em uma Europa refém do "mercado", depois da Irlanda, Grécia e Portugal, a Itália e Bélgica são os próximos na mira dos especuladores. As agências de classificação de risco além de rebaixar também os títulos da Grã-Bretanha e EUA, já veem amplos sinais de deteriorização da situação fiscal. A crise mundial cada vez mais ameaça os Estados centrais do Capitalismo.

Itália na mira dos especuladores
Monitor Mercantil, 24/06/2011

A Itália esteve sob fogo cerrado da especulação nesta sexta-feira. As negociações na Bolsa italiana com ações de bancos, como o UniCredit e o Intesa Sanpaolo, foram temporariamente suspensas, depois de uma queda de mais de 5%.

O motivo citado foi a decisão da agência de classificação Moody"s colocar, na quinta-feira, em revisão para possível rebaixamento o rating de dívida de longo prazo e de depósito de 16 bancos italianos. A agência norte-americana - que, como suas co-irmãs, recebeu severas críticas por falhar na crise de 2008 - também ameaça reduzir a classificação de longo prazo de duas instituições financeiras relacionadas ao governo.

A Moody"s alterou de estável para negativa a perspectiva para a dívida de longo prazo e dos ratings de depósito de outros 13 bancos italianos. A alegação é a possível redução do rating soberano da Itália, colocado em revisão em 17 de junho.

"Diante do difícil cenário econômico atual, a probabilidade de os governos europeus, incluindo o italiano, de dar suporte aos bancos domésticos é menor agora do que anteriormente", disse o analista da Moody"s, Henry MacNevin, a agências de notícias internacionais.

Itália, e também a Bélgica, encontram-se na mira dos especuladores após o presidente da Zona do Euro, Jean-Claude Juncker, ter dito à imprensa européia que "a falência da Grécia poderia ser disseminada a Portugal e Irlanda, mas, também, a Itália e Bélgica, por causa das elevadas dívidas públicas de ambos e, aliás, antes da Espanha".

Há um mês, uma outra agência internacional de rating - a Standard & Poor"s - havia anunciado que estava estudando a reavaliação para baixo da nota italiana. Após a retomada da negociação na Bolsa italiana, as ações do UniCredit fecharam a sexta-feira em queda de 5,3% e as do Intesa cederam 5%.

As principais bolsas européias fecharam em território negativo, conduzidas pelas ações do setor bancário que ficaram sob pressão após a suspensão temporária das negociações dos papéis de duas instituições de crédito italianas.

Rating do Piigs
Marcos Oliveira e Sergio Souto, 22/06/2011


Acrescente-se ao longo prontuário das agências de classificação de risco que, com a crise da dívida levando à deterioração das dívidas dos países do Piigs (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, na sigla em inglês), a Moody"s continua a considerar a Itália grau de investimento pleno. A Moody"s é uma das integrantes das três irmãs que formam o cartel de avaliação de rating, o mesmo que, às vésperas do estouro da crise de 2008, distribuía a nota máxima, AAA, a empresas que poucos dias depois só não foram à breca porque foram salvas por dinheiro do contribuinte.

China abre o olho
Diferentemente da leniência demonstrado pelo cartel em relação ao rating dos integrantes do G7, a agência congênere chinesa Dagong Global Credit Rating Co Ltd rebaixou, no fim do mês passado, a classificação dos títulos emitidos pelo Reino Unido, de AA- para o de A+, com perspectiva negativa. A Dagong justificou a decisão, apontando a deterioração da capacidade de o país manter o pagamento da sua dívida pública: "O rebaixamento reflete a situação real da capacidade deteriorada de rolagem do Reino Unido e a dificuldade na melhoria do perfil da divida externa a longo prazo", afirma a agência chinesa.

Deterioração
Segundo a Dagong, ano passado, o déficit público do Reino Unido atingiu 9,8 % do PIB do país e a relação dívida/PIB avançou a 78,7%. A exemplo de outros países europeus, a principal causa da disparada do déficit deve-se aos bilhões de libras gastos para salvar o setor financeiro britânico. Em novembro, a agência já rebaixara, de AA para A+, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, também com tendência negativa, apontando como causa a deterioração da capacidade de rolagem da dívida e "o drástico declínio da intenção de adimplir por parte do governo norte-americano".

"A visão realista da Dagong Global sobre a real situação macroeconômica dos EUA e do Reino Unido reflete uma percepção acadêmica hoje reconhecida internacionalmente e onerará o refinanciamento da dívida externa destes países", prevê o advogado Durval de Noronha Goyos Jr., árbitro do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) e professor de direito do comércio internacional.

sábado, 25 de junho de 2011

I Simpósio Interdisciplinar "Questão Agrária e América Latina"

SOBRE O SIMPÓSIO

O I Simpósio Interdisciplinar "Questão Agrária e América Latina" acontecerá na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, na Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas e Exatas/ Campus Mucuri durante os dias 24 e 26 de Agosto de 2011. O evento parte dos esforços do Núcleo de Extensão e Pesquisa Agrário e Movimentos Sociais (NEPAM) em resgatar a centralidade do debate sobre a questão agrária brasileira e as diversas dimensões políticas, econômicas e sociais acerca da América Latina no contexto contemporâneo.

PROGRAMAÇÃO DO SIMPÓSIO


Obs.: A programação está sujeita à alteração.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Brasil: rumo acelerado...ao atraso tecnológico

Mais um sinal da ampliação da dependência econômica do Brasil, a dependência tecnológica-industrial, captada pelo relatório Monitor do Déficit Tecnológico, demonstrado pelo déficit do setor industrial de alta tecnologia.

Rumo acelerado ao atraso
Marcos Oliveira e Sergio Souto, Monitor Mercantil (21/06/2011)


Rumo acelerado...
No primeiro trimestre deste ano, o déficit tecnológico do setor industrial brasileiro atingiu US$ 23 bilhões, cinco vezes mais do que o registrado no mesmo período de 2006. A revelação é do relatório Monitor do Déficit Tecnológico, que a Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec) passa a divulgar trimestralmente.

O estudo sinaliza uma aceleração de US$ 686 milhões em abril, em comparação com a média do primeiro trimestre. O setor químico foi o que mais contribuiu, com elevação do seu déficit em US$ 404 milhões. A previsão da Protec para o ano é de novo recorde, ultrapassando os US$ 100 bilhões.

...ao atraso
O Monitor do Déficit Tecnológico traz também resultados relativos ao comércio exterior de mercadorias e serviços. O objetivo é mostrar o desempenho e a competitividade da indústria brasileira frente a outros países. No ano passado o saldo negativo do setor industrial foi de US$ 85 bilhões. O indicador consiste no saldo comercial dos segmentos industriais de alta e de média-alta tecnologia, somado ao saldo comercial das contas de serviços tecnológicos. Detalhes em www.protec.org.br

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Estudo do Ipea mostra que desenvolvimento do Brasil é instável

Terceira edição de 2011 do IQD-Índice de Qualidade de Desenvolvimento foi divulgada na quarta-feira, dia 22/06, na sede do IPEA, em Brasília, mostra que o desenvolvimento no Brasil ainda é instável - vale lembrar que o desenvolvimento instável é um traço típico de uma economia periférica e dependente no capitalismo mundial.

O Índice de Qualidade do Desenvolvimento (IQD) de março deste ano atingiu 259,43 pontos e ficou dentro da classificação "instável", em uma escala que vai de "ótima" a "péssima". "A classificação de instabilidade significa que não há convergência entre os três fatores que compõem o índice: há crescimento da economia do País e distribuição de renda, mas não na inserção do Brasil no cenário externo", disse o presidente do Ipea, Márcio Pochmann.

Estudo do Ipea mostra que desenvolvimento do Brasil é instável
Folha Online, 22/06/2011


Estudo realizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), ligado à Presidência da República, mostra que o desenvolvimento no Brasil ainda é instável.

Embora o IQD (Índice de Qualidade de Desenvolvimento) de março, divulgado nesta quarta-feira, tenha aumentado, chegando aos 259,43 pontos, o número continuou na área classificada como instável pelo instituto. Em fevereiro, o índice havia registrado 246,5 pontos.

A pontuação deste mês está distante do patamar classificado como ótimo (400 a 500 pontos), apesar de ser maior do que a registrada entre março de 2007 e abril de 2008, antes de o Brasil ser atingido pela crise, diz o relatório.

O IQD é composto de três subíndices: Qualidade do Crescimento, Qualidade do Bem-Estar e Qualidade de Inserção Externa.

O subíndice Qualidade do Crescimento de março sofreu queda em relação a fevereiro. De 265,1 pontos para 245,34. A piora foi causada por um leve decréscimo do índice de confiança da indústria e uma forte redução do índice de folha de pagamentos. O índice permanece na área classificada como instável.

O índice de Qualidade do Bem-Estar também caiu em março, registrando 342,59 pontos --ante 361,1 pontos em fevereiro. Ainda assim permanece na área classificada como boa. A diminuição se deve ao aumento do desemprego, do índice de Gini (que mede o grau de desigualdade na distribuição pessoal da renda) e da taxa de pobreza, que vinham apresentando queda nos períodos anteriores, segundo o Ipea.

Já o Índice de Qualidade da Inserção Externa apresentou sinais de recuperação retornando à mesma taxa registrada em setembro de 2010: 209,45 pontos. Em fevereiro, o índice havia ficado em 148,6 pontos. A recuperação se deve à melhora no desempenho das exportações de bens manufaturados e nos termos de troca.

SAIBA MAIS
O IQD (Índice de Qualidade do Desenvolvimento) é uma pesquisa mensal realizada pelo Ipea que capta se o desenvolvimento vivido pelo país contempla os requisitos de crescimento econômico com distribuição de renda e aponta se o movimento tende a sustentar-se no tempo.

Ele é dividido em cinco escalas:

Ótima - 400 a 500 pontos

Boa - 300 a 400 pontos

Instável - 200 a 300 pontos

Ruim - 100 a 200 pontos

Péssima - 0 a 100 pontos

Leia a íntegra da 3ª edição do Índice de Qualidade do Desenvolvimento
Veja os gráficos da apresentação

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Endividamento externo cresce. Setor privado responde pelo aumento da dívida

País acumula rombo externo de US$ 300 bi, valor que equivale à diferença coberta por capitais externas entre 2003 e 2010. O endividamento externo cresceu 42%, sendo que o setor privado respondeu por 63% do aumento de US$ 84 bi da dívida.

Enquanto o saldo comercial responde por US$ 259,7 bilhões, ou 2,66% do Produto Interno Bruto (PIB) no acumulado do período, o déficit da balança de serviços no mesmo intervalo é de US$ 341,2 bilhões, ou 3,5% do PIB.A diferença precisa ser financiada pela entrada de divisas, atraídas pelos juros mais altos do planeta. Esse saldo atinge US$ 299,2 bilhões, somando-se investimentos diretos e indiretos de estrangeiros.

Mesmo com o saldo de reservas de US$ 288,6 bilhões (em 2003 as reservas de divisas brasileiras eram de US$ 37,8 bilhões), o Brasil está no limite da crise cambial, em função do déficit nas transações correntes. Isso porque o país está sendo financiado pelos investimentos externos em função dos juros altos, não pelo seu comércio exterior. Com qualquer susto do mercado financeiro a explosão será inevitável.

País acumula rombo externo de US$ 300 bi
 Monitor Mercantil, 16/06/2011



Valor equivale à diferença coberta por capitais externas entre 2003 e 2010


Entre 2003 e 2010, as reservas de divisas brasileiras saltaram de US$ 37,8 bilhões para U$ 288,6 bilhões. No entanto, enquanto o saldo comercial responde por US$ 259,7 bilhões, ou 2,66% do Produto Interno Bruto (PIB) no acumulado do período, o déficit da balança de serviços no mesmo intervalo é de US$ 341,2 bilhões, ou 3,5% do PIB.

A diferença precisa ser financiada pela entrada de divisas, atraídas pelos juros mais altos do planeta. Esse saldo atinge US$ 299,2 bilhões, somando-se investimentos diretos e indiretos de estrangeiros.

Em seu site, o economista Ricardo Bergamini, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) alerta para o risco dessa desproporção: "Mesmo com o saldo de reservas de US$ 288,6 bilhões, o Brasil está no limite da crise cambial, em função do déficit nas transações correntes. Isso porque o país está sendo financiado pelos investimentos externos em função dos juros altos, não pelo seu comércio exterior. Com qualquer susto do mercado financeiro a explosão será inevitável."

Já o professor Plínio de Arruda Sampaio Júnior, da Universidade de Campinas (Unicamp), não vê risco iminente, mas "estrutural e cada vez mais latente". Para Sampaio Jr., as reservas protegem o Brasil de eventuais turbulências, mas no momento de uma crise sistêmica o país sofrerá forte fuga de capitais:

"São as tendências estruturais que vão minando o país pouco a pouco, como a desindustrialização", comparou, lembrando que, se no curto prazo, o "risco Brasil" está abaixo do norte-americano, no médio e longo prazos "estamos a anos luz de chegar ao patamar dos EUA".

"Ou seja, o próprio mercado reconhece que somos o centro da especulação. Não fomos nós que melhoramos, mas os EUA é que caíram para uma situação gravíssima", resumiu.


Endividamento externo cresce 42%
Monitor Mercantil,17/06/2011

Endividamento externo cresce 42%. Setor privado responde por 63% do aumento de US$ 84 bi da dívida

De acordo com o Instituto para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi), de janeiro de 2009 a abril de 2011, o endividamento externo do país cresceu US$ 84,1 bilhões ou 42,4%.

E o setor privado respondeu pela maior parte. Enquanto a dívida do governo aumentou 8,7%, as captações dos bancos (mais 63,%) - cuja participação no total passou de 37,4% para 42,8% no mesmo período - o endividamento das empresas não financeiras subiu 51,8%.

Os dados não incluem a dívida decorrente de empréstimos intercompanhias, que cresceram US$ 38,2 bilhões, ou 59,2%.

"No total, a dívida externa brasileira foi ampliada no período pós-crise em US$ 122,3 bilhões ou 46,5%.", contabiliza o Iedi, acentuando que o endividamento em moeda estrangeira "é um destacado componente da fragilidade financeira potencial das empresas brasileiras diante de um eventual choque externo".

Para o economista Fernando Ferrari, da Associação Keynesiana do Brasil (AKB), "tudo leva a crer que o problema cambial vai se resolver pela crise".

Para Ferrari, enquanto o governo "faz vista grossa", a tendência é que as empresas se endividem cada vez mais no exterior: "Pois lá fora o juro é mais baixo e o viés para o dólar é de queda."

O economista da AKB destaca, ainda, que as empresas que têm capacidade de alavancagem no exterior, "seja de forma mascarada, para diminuir o lucro tributável, seja para financiamento mesmo", tendem a seguir aumentando suas dívidas, que são avalizadas pelo governo.

"Em caso de crise, os problemas serão repassados ao governo", resume o economista, acrescentando que o fluxo cambial já vem apresentando queda significativa.