quinta-feira, 16 de abril de 2015

Governo Dilma já admite política econômica de Levy levará país à recessão este ano

Governo se curva a previsões dos bancos e estima queda de 0,9% no PIB deste ano
Faturamento caí e desemprego aumenta


por Almir Cezar

Ao longo dos últimos meses o ministro da Fazenda Joaquim Levy vinha dizendo que as medidas de corte de gastos e de aumento de tributos adotadas seriam apenas o primeiro passo para reequilibrar a economia. Sempre minimizava o impacto das medidas de ajuste fiscal anunciadas na produção e no consumo em 2015. Contudo, a equipe econômica, agora, estima que a atividade econômica deve encolher 0,9% este ano. É o que consta no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), enviado esta semana ao Congresso Nacional, que revê para baixo a previsão do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. 

Com um ministro da Fazenda oriundo do sistema financeiro, o governo Dilma alinhou sua previsão com as estimativas dos bancos. Embora os números sejam divulgados pelo Ministério do Planejamento, as estimativas são de autoria da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Para 2016, a proposta da LDO prevê crescimento de 1,3%. Na véspera, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmara que as projeções da equipe econômica haviam incorporado as estimativas do mercado financeiro. Na última edição do Boletim Focus, pesquisa semanal com economistas de mercado divulgada pelo Banco Central, as instituições previam queda de 1,01% do PIB em 2015 e crescimento de 1% em 2016. A última edição do Focus prevê inflação de 8,13% para este ano e de 5,6% para 2016.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Morre Eduardo Galeano, importante pensador da esquerda da América Latina

A seguir a excelente nota a CSP-Conlutas Central Sindical e Popular homenageando o escritor Eduardo Galeano, falecido anteontem. O pensador era uma das principais referências da esquerda latino-americanas nas últimas décadas.

Morre Eduardo Galeano, importante pensador da esquerda da América Latina

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”

Quem da esquerda em algum momento ou em muitos não se emocionou com estas frases de Fernando Birri tão citadas por Galeano? Eduardo Galeano, um dos grandes maestros da esquerda latino-americana, tombou nesta manhã de segunda-feira, aos 74 anos, em Montevidéu, Uruguai, devido a complicações de um câncer no pulmão. Havia sido internado na última sexta-feira.

Ícone da literatura com inúmeras publicações, perseguido pelos regimes ditatoriais que varreram a América Latina, também era jornalista e ensaísta. Eduardo Galeano pode ser citado não como especialista em alguma das áreas pelas quais passou, mas como um humanista que construiu uma identidade de nossos povos pela ousadia em se opor às imposições da Europa e dos Estados Unidos. Tanto na política quanto no jornalismo e na literatura.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Inflação, PIB e emprego: Dados e previsão da economia pioram em março

Em meio e apesar de ajuste econômico, dados  e previsão para a economia brasileira para 2015 pioram em março. Analistas do mercado financeiro espera inflação de 8,2% e retração no PIB de 1,01% em 2015. Taxa de desemprego cresceu para 6,2% em março, o pior dado desde 2006.

Mercado espera inflação de 8,2% e retração no PIB de 1,01% em 2015

Investidores e analistas dos mercado financeiro já estimam para 2015 inflação de 8,2%, pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O IPCA é calculado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com o objetivo de oferecer a variação dos preços no comércio para o público final.

terça-feira, 31 de março de 2015

20º Encontro Nacional de Economia Política

Entre 26 a 29 de maio acontecerá em Foz do Iguaçu (PR) mais um Encontro Nacional de Economia Política. As atividades do maior evento de Economia Política do país são promovidas pela Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP) e acontecerão no campus da UNILA.

Haverá debates e apresentação de trabalhos nas seguintes áreas:
  • METODOLOGIA E HISTÓRIA DO PENSAMENTO ECONÔMICO
  • HISTÓRIA ECONÔMICA E ECONOMIA BRASILEIRA
  • ECONOMIA POLÍTICA, CAPITALISMO E SOCIALISMO
  • ESTADOS E NAÇÕES DIANTE DO CAPITALISMO ATUAL
  • DINHEIRO, FINANÇAS INTERNACIONAIS E CRESCIMENTO
  • CAPITALISMO E ESPAÇO
  • TRABALHO, INDÚSTRIA E TECNOLOGIA
  • INTEGRAÇÃO LATINO-AMERICANA
  • ECONOMIA AGRÁRIA E DO MEIO AMBIENTE
Segue a programação:

quinta-feira, 26 de março de 2015

Banco Central estima que Brasil passará dois anos em recessão

por Almir Cezar

E inflação deste ano deverá estourar o teto da meta, de acordo com estimativa da autoridade monetária que acaba de ser divulgada. O endividamento das famílias sobe levemente em janeiro, revela Banco Central

O Brasil vai ter dois anos de recessão, de acordo com a estimativa que acaba de ser apresentada pelo Banco Central (BC) em seu Relatório de Inflação, publicado trimestralmente. Neste ano, a autoridade monetária espera queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,5%. Em 2014, a redução será de 0,1% de acordo com essa nova previsão - a anterior era de leve alta, de 0,2%. O PIB do ano passado medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) será conhecido amanhã.

A inflação será de 7,9% em 2015, estourando o teto da meta, de 6,5%, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A previsão anterior era de 6,1%. Para 2016, houve ligeira queda na estimativa, de 5% na versão anterior para 4,9% na atual. Isso significa que o BC espera que o choque de preços se concentre neste ano.

terça-feira, 17 de março de 2015

IBGE revisa PIB de 2011

Em 2011, PIB da nova série cresceu 3,9% e chegou a R$ 4,375 trilhões
 Nova série apresenta uma classificação mais detalhada e incorpora dados 

Série do PIB antes da revisão metodológica pelo IBGE
Nova série do Sistema de Contas Nacionais do IBGE adota 2010 como ano de referência e incorpora recomendações da mais recente revisão do manual de Contas Nacionais organizado por ONU, FMI, OCDE e Banco Mundial. Além de atualizações metodológicas, a nova série apresenta uma classificação mais detalhada de produtos e atividades, integrada à CNAE 2.0, e incorpora dados do Censo Agropecuário de 2006 e da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008/09.

O Sistema de Contas Nacionais (SCN 2010) permanece fundamentado nas Tabelas de Recursos e Usos (TRU) e nas Contas Econômicas Integradas (CEI). Também foi feita uma retropolação dos dados até 2000, estimando-se nova série de TRU. A nova série das Contas Nacionais Trimestrais (até 2014) será divulgada em 27/03 e os resultados anuais definitivos de 2012 e 2013 serão conhecidos em novembro. 

quarta-feira, 11 de março de 2015

População rural brasileira pode ser superior ao apontado oficialmente

Pesquisa usa abordagem sociológica para definir políticas públicas para o campo

Pesquisa apoiada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) calcula que 36% da população brasileira é rural. O percentual é 20 pontos superior aos cerca de 16% apontados pelo último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A diferença deve-se à aplicação de um tipo de conceito de rural defendido pelos pesquisadores do MDA. Segundo o levantamento, como só existe o conceito de urbano na legislação, a ruralidade acaba definida por exclusão.

O novo conceito foi apresentada na primeira edição do evento ‘Diálogos sobre o Brasil Rural’, nesta segunda-feira (9), em Brasília.  O evento, promovido pelo Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (Nead/MDA), apresentou a pesquisadores, estudantes, servidores do MDA e de outros ministérios o estudo ‘Repensando o conceito de ruralidade no Brasil: implicações para as políticas públicas’.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Atos programados contra aumento do juros pelo BC


Movimentos sociais realizaram por várias cidades do Brasil atos contra o aumento dos juros que ocorrerá amanhã,  03 de março, pelo Banco Central.


Dias 3 e 4 de março, o COPOM (Comitê de Política Monetária) irá se reunir mais uma vez para - ao que tudo indica - subir os juros (SELIC) de novo. Cada aumento de 0,5 ponto percentual significa um enorme prejuízo ao Orçamento Federal e aos investimentos sociais.

Atualmente, 45,1% do Orçamento Geral da União é destinado ao pagamento de juros, amortizações e refinanciamento da Dívida Pública Federal. Apesar disso, a dívida cresce ano a ano.

Várias movimentos e entidades sindicais e populares, entre elas a Auditoria Cidadã da Dívida,  convidadam todos a participarem desse ATO para mostrar aos nossos governantes e aos tecnocratas do Banco Central que nós estamos de olho e não aceitamos mais ser pilhados pelo Sistema Financeiro Nacional e Internacional.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Dívida Pública e os Direitos das Mulheres no Brasil

Maria Lucia Fattorelli
Coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida
www.auditoriacidada.org.br

A dívida pública tem consumido a parcela mais relevante dos gastos do orçamento federal, impedindo o respeito aos direitos humanos no Brasil. Os direitos da mulheres são igualmente afetados pela equivocada política econômica praticada no País, que privilegia os gastos financeiros em detrimento dos direitos sociais. Nem mesmo as determinações da Lei Maria da Penha têm sido efetivadas: dos pífios recursos destinados ao seu cumprimento, apenas uma ínfima parcela tem sido executada de fato. Por outro lado, a cada ano, o lucro dos bancos se avoluma, atingindo dezenas de bilhões a cada ano, denunciando a evidente transferência de recursos públicos em benefício do setor financeiro privado. O “Sistema da Dívida” é um dos principais responsáveis por essa distorção, razão pela qual é fundamental a realização de auditoria da dívida, com ampla participação cidadã. O Equador realizou auditoria oficial de sua dívida em 2007/2008, obtendo anulação de 70% da dívida externa em títulos, o que tem possibilitado avanço nos investimentos sociais, priorizando-se inclusive as questões de gênero. A auditoria da dívida está prevista na Constituição Federal, mas nunca foirealizada. A CPI da Dívida Pública realizada na Câmara dos Deputados em 2009/2010 foi um grande passo nesse caminho. Especialmente diante da conjuntura internacional de crise financeira e sua iminente transferência para o Brasil e demais países em desenvolvimento, é fundamental o envolvimento dos movimentos feministas nessa questão. É urgente realizarmos completa auditoria da dívida pública para alcançarmos a necessária transparência acerca da realidade financeira do País e, de posse dos resultados, exigirmos a aplicação dos recursos prioritariamente ao atendimento aos direitos humanos.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Tiro pela culatra: Apesar do arrocho da dupla Dilma-Levy a inflação dispara. Novo salário mínimo não dá conta

por Almir Cezar

Inflação oficial inicia o ano em alta de 1,24%. Isso apesar do arrocho da dupla Dilma-Levy, com a edição das MPs 664 e 665, com cortes no seguro-desemprego, auxílio-doença, PIS e pensões e a decisão de engrossar a carga de impostos que afeta a população. Já a cesta básica ficou mais cara em quase todo o país, subindo quase 10 vezes mais que a inflação e já consome metade do valor do salário mínimo de 2015.

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país e que serve de parâmetro para as metas inflacionária fixada pelo Banco Central, iniciou o ano em alta, fechando janeiro com variação de 1,24%, resultado 0,46 ponto percentual superior ao 0,78% registrado pelo indicador em dezembro do ano passado.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

É a queda das commodities! Ações da Petrobras caem mas não é pelos escândalos

por Almir Cezar

Diferente do que afirma a grande mídia o valor da Petrobras na bolsa de valores caí não apenas por causa do escândalo de corrupção descoberto pela Operação Lava Jato, mas por conta da deflação mundial das commodities, como o petróleo. É o mesmo caso da Vale,  de minérios e siderúrgicos, mas empresa privada. Sem o mesmo rebuliço da mídia, pois esta não se presta a atacar o governo Dilma.

Apesar da alta inflação interna, com o prosseguimento da crise econômica internacional, o cenário que se desenha lá fora para 2015 é claramente deflacionário e desinflacionário. A deflação de preços ao produtor na China segue há 3 anos - ainda com enorme capacidade ociosa. Japão e Europa também estão em território deflacionário. A previsão de boas safras nos EUA também coloca pressão baixista nos preços de grãos. Os preços de ferro e cobre seguem em queda com a perspectiva de mais desaceleração na China.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Dívida pública sobe 8,15% em 2014, para R$ 2,29 trilhões

Principal fator que elevou dívida em 2014 foram os juros: R$ 243 bilhões. Ao mesmo tempo, governo também emitiu mais R$ 60 bilhões para BNDES.

A dívida pública federal, que inclui tudo o que o governo deve a credores dentro e fora do país, subiu 8,15% em 2014, para R$ 2,29 trilhões, novo recorde. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (28) pela Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério da Fazenda.

O crescimento da dívida pública no ano passado foi de R$ 173 bilhões. Em 2013, a dívida pública havia registrado crescimento menor, de 5,7%, ou R$ 115 bilhões, para R$ 2,12 trilhões.

A dívida pública é a contraída pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do governo federal. Quando os pagamentos e recebimentos são realizados em real, a dívida é chamada de interna. Quando tais operações ocorrem em moeda estrangeira (dólar, normalmente), é classificada como externa.

Fatores para o crescimento

O crescimento da dívida pública no ano passado está relacionado, principalmente, com as despesas com juros, no valor de R$ 243 bilhões. Dados de alguns pesquisadores constatam que a cada elevação em meio ponto percentual (0,5) na taxa Selic (taxa básica juros) pelo Banco Central, com a justificativa de combater a inflação, eleva o gasto com a dívida em R$ 10 bilhões, que vão diretamente para as receitas de bancos e rentistas.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

'Nem que a vaca tussa': contra 'mexidas' de Dilma-Levy nos direitos sociais centrais sindicais protestam

Cartaz conjunto das centrais sindicais que anuncia
 a campanha e ironiza a frase de Dilma durante
a eleição de que não mexeria em direitos sociais.
Hoje, 28 de janeiro, quarta-feira, vão ocorrer manifestações em diversas partes do país exigindo a revogação das Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665, baixadas pela presidente Dilma Rousseff no final do ano passado. O “Dia Nacional de Lutas por emprego e direitos” foi uma iniciativa proposta pelas centrais sindicais brasileiras CUT, FS, CTB, NCST, UGT, CSB e CSP-Conlutas e está tendo a adesão de entidades sindicais e movimentos populares participando das manifestações e somam ao esforço de unidade para barrar essas medidas adotadas pelo governo e que prejudicam os trabalhadores.

As MPs são, na verdade, uma minirreforma trabalhista e da previdência. Atacam e reduzem direitos, com a desculpa de aumentar o controle e a fiscalização do governo, tais como o seguro-desemprego, o auxílio-doença, a pensão por morte e o abono salarial do PIS-Pasep. 

Ao mesmo tempo, o governo Dilma vem impondo um forte arrocho fiscal e monetário, cortando o orçamento de áreas sociais, aumentando ou reeditando impostos como a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) da gasolina e o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros (IOF) dos empréstimos bancários, ao mesmo tempo em que aumenta a defasagem da tabela do imposto de renda, trazendo mais perdas para os assalariados.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

População sufocada: Dupla Dilma-Levy agora ataca com aumento de impostos

Depois de editar  as Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665, com cortes no seguro-desemprego, auxílio-doença, PIS e pensões, anunciadas em dezembro, o governo Dilma Rousseff (PT) decidiu engrossar a carga de impostos que afeta a população. É mais uma péssima notícia para os trabalhadores e aposentados brasileiros.

Na segunda-feira passada (19), o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciou a elevação do PIS e da Cofins sobre os combustíveis e o retorno da Cide da gasolina (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). O aumento conjunto dos tributos corresponderá a R$ 0,22 por litro da gasolina e R$ 0,15 por litro do diesel, valores que a Petrobras já anunciou que repassará integralmente aos consumidores.

O ministro de Dilma anunciou também os aumentos do IPI sobre os atacadistas de cosméticos, do PIS e da Cofins sobre os produtos importados e do IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros) no crédito para pessoas físicas.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O economista do 'Charlie'

O ataque terrorista contra o jornal satírico francês Charlie Hebdo privou o mundo não apenas de brilhantes jornalistas e chargistas, mas também do economista Bernard Maris. Irônico, irreverente, Bernard Maris avançava contra as cidadelas da economia dita científica, controlada pelos apologistas do capital e do rentismo.

por Luiz Gonzaga Belluzzo — Carta Capital, 20/01/2015

Irônico, irreverente, Bernard Maris avançava contra as
cidadelas da economia dita científica
Bernard Maris estava na reunião do Charlie Hebdo quando os assassinos subjugaram e mataram os participantes. Maris participava intensamente do debate público na França. Em suas intervenções pela Rádio France Inter ou em seus livros e opúsculos, lançava irreverências e gargalhadas contra as cidadelas da economia dita científica. Assinava seus textos no Hebdo como Oncle Bernard.

Entre seus escritos mais deliciosamente venenosos estão o Manual de Antieconomia em 2 volumes e a Carta Aberta aos Gurus da Economia Que nos Tomam por Imbecis. Economista do Charlie Hebdo, Maris apoiava suas irreverências e gargalhadas nos “fundamentos” do projeto Iluminista da liberdade e da igualdade. O leitor de CartaCapital, tenho certeza, leria com prazer o livro de Oncle Bernard, Keynes, O Economista Cidadão. (Clique AQUI para ler a íntegra)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Salário mínimo de 2015 é 4 vezes menor do que o necessário. E só a cesta básica consome metade disso

por Almir Cezar

O reajuste do salário mínimo, que passou de R$ 724 para R$ 788 para 2015. Um aumento de R$ 64 (ou 8,8%). Também aumenta o valor de benefícios e serviços que usam o piso como referência. Foi publicado nesta terça-feira (30) no "Diário Oficial da União" decreto presidencial que reajusta o salário mínimo a partir do dia 1º de janeiro de 2015. Tomando apenas como referência a pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) de maio de 2014, esse salário mínimo é mais de 3,9 vezes menor do que a determinação constitucional, e a cesta básica dependendo da cidade pode consumir 46% do seu valor.

Salário mínimo em 2014 deveria ter sido de R$ 3.079,31, afirma Dieese

O salário mínimo para a família brasileira em 2014 deveria ter sido de R$ 3.079,31, ou seja, 4,25 vezes o mínimo em vigor, de R$ 724, de acordo com o Dieese. O cálculo é feito com base no custo apurado para a cesta básica da cidade de São Paulo e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.  Em abril, o mínimo necessário era menor, equivalendo a R$ 3.019,07, ou 4,17 vezes o piso vigente. Em maio de 2013, o valor necessário para atender às despesas de uma família chegava a R$ 2.873,56, o que representava 4,24 vezes o mínimo de então (R$ 678).

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Opção preferencial do governo Dilma ou a "vaca tossiu". Sobre as novas medidas de restrição de benefícios previdenciários e trabalhistas

por Almir Cezar

Diferente do que Dilma disse na campanha
eleitoral,  a 'vaca tossiu' . E está sendo ordenhada.
Durante a campanha eleitoral a então candidata à reeleição Dilma Roussef afirmara que não mudaria direitos sociais "nem que a vaca tussa", acusando seus dois principais rivais, Marina Silva e Aécio Neves, que caso eleitos viriam a adotar medidas neoliberais.  Mas não foi isso que aconteceu tão logo se passou a eleição: o governo federal anunciou na semana passada, a última do ano, uma série de medidas de restrição ao acesso aos benefícios previdenciários e trabalhistas (veja a lista de mudanças ao final do artigo). A economia prevista por ano com os cortes é de R$ 18 bilhões (0,3% do PIB), valor equivale apenas 25% da meta de superavit primário de 2015.

As medidas, embora também fechem algumas brechas para abusos, sinalizam que, em seu segundo mandato, a presidente Dilma vai insistir, na melhor das hipóteses, em medidas cosméticas, deixando intocáveis as verdadeiras causas do não crescimento do país e do rombo aos cofres públicos: a salgada conta de juros que engordam um pequeno grupo de poucos votos, mas grande financiador de campanhas e com alta influência na mídia.  A gastança financeira, entre janeiro e novembro, custou ao Erário R$ 283,8 bilhões (o  equivalente a 6,06% do PIB do país).

Diferente do que Dilma disse na campanha eleitoral, a 'vaca tossiu' . E está sendo ordenhada em detrimento dos trabalhadores em benefício dos banqueiros e rentistas. Esperemos que em 2015, com a expectativa de mais ajuste fiscal pela nova equipe econômica do governo apesar da previsão de crescimento zero do PIB para o ano, a "vaca não vá pro brejo".

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Desigualdade e diminuição do crescimento

Dados de desigualdade por país dentro do grupo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a organização que reúne alguns países ricos e poucos emergentes, revelam que alguns países "vendidos" como exemplo econômico neoliberais são campeões de desigualdade social e que a concentração de renda afeta negativamente o crescimento.

Leia a nota abaixo que comenta os dados:

Concentração

Apontados como alunos exemplares na escolinha neoliberal, México e Chile mostram porque merecem tanta deferência: são campeões de desigualdade dentro do grupo da OCDE, a organização que reúne alguns países ricos e poucos emergentes. A relação do rendimento médio entre os 10% mexicanos mais ricos e os 10% mais pobres é de 27 para 1; no Chile é pior: 30 para 1.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Sobre a Comissão Nacional da Verdade e a suposta necessidade de julgar os "dois lados"

por Almir Cezar

Evento de entrega do relatório final da CNV à presidenta Dilma.
A grande imprensa reverbera a equivocada lógica da necessidade 
de julgar também os 'crimes' dos lutadores antiditadura.
O relatório da CNV (Comissão Nacional da Verdade) divulgado em 10/12 é um avanço, mas o país deve ainda julgar e punir os responsáveis por crimes da Ditadura Militar. Mas, erra grosseiramente quem considerara que "os dois lados devem ser julgados", a suposta necessidade de julgar também os "crimes" dos lutadores antiditadura, até porque esse lado foi sim na época "julgado", o que não foi foram os criminosos contra a Humanidade à frente do comando militar e político do regime.

O Brasil está atrasado, em comparação aos nossos vizinhos sul-americanos, e precisa de coragem para julgar os crimes cometidos por agentes do Estado durante a Ditadura Militar (1964-1985). O atraso demonstra a debilidade da causa dos direitos humanos no país. Não à toa, ainda hoje, vemos pipocar pelo país à fora casos como do Amarildo, e mesmo de juízes e outros agentes públicos se achando "Deus". Mas o mesmo não é válido defender para os supostos crimes praticados pelos guerrilheiros e ex-membros dos grupos armados que lutaram contra Ditadura, como apregoa alguns, e que, deprimentemente, a imprensa corporativa fez eco nos últimos dias.

Pelo simples fato de que, esse lado, ainda naquele tempo, foi julgado e condenado em tribunais de Estado, quando não foi alvo de julgamento sumário, por meio de assassinatos e desaparecimentos. Alguns "sortudos" tiveram no mínimo de amargar anos de clandestinidade ou de exílio. Muitos outros, depois de sofrerem as inúmeras violências descritas com detalhes no relatório de 4 mil páginas da Comissão Nacional da Verdade, ficaram mais de dez anos presos, como foi o caso da própria presidenta Dilma Roussef.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Dicas importantes para não se endividar além da conta

  • Pense muito bem antes de comprar a prazo ou tomar um empréstimo. Essa dívida realmente é importante? O bem que se está pensando em comprar é indispensável?
  • Caso você possa adiar a comprar a prazo ou fazer o empréstimo, faça uma poupança e deposite, todos os meses, o valor que pagaria em prestação. Ao fim de um determinado período, terá o dinheiro para pagar à vista e, quem sabe, com desconto.
  • Se a dívida for inevitável, nunca comprometa mais do que 30% de sua renda com as prestações. Esse de negócio de achar que tudo o que é parcelado é bom pode se tornar um problemão. Mensalidades demais são sinônimo de descontrole.
  • Procure sempre recorrer a empréstimos mais baratos, como o consignado, cujas prestações são descontadas no contracheque. Negocie taxas, os bancos têm interesse me emprestar para bons pagadores.
  • Cheque especial e rotativo do cartão de crédito só deve ser usado em caso de calamidade. Essas operações cobram juros absurdos. Entrar nesse tipo de linha de crédito é muito fácil, mas sair é quase impossível

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Quem ganhou com a mudança da meta fiscal? O que é superávit primário?

Apesar do Brasil ser um país tão rico,  tanta pobreza e desigualdade social. Apesar de ser um país que mais arrecada impostos de seus cidadãos, tem serviços sociais tão precários. Eis o motivos: afora o desviado pela corrupção, que representa uma pequena parcela, os sucessivos governos repassam a maior parte do orçamento para os banqueiros, na forma de Dívida Pública, o maior roubo da riqueza que produzimos. Outra parte eles destinam para empresários na forma de subsídios ou isenção fiscal. Para fazer justiça social no Brasil é preciso um governo dos trabalhadores que tenha coragem de romper com banqueiros e capitalistas.

A Dívida consome orçamento
Para quem vai o dinheiro arrecadado em impostos? Como é possível um país tão rico ter serviços sociais tão precários, tanta pobreza e desigualdade social? Os sucessivos governos repassam a maior parte do orçamento para os banqueiros, na forma de Dívida Pública, o maior roubo da riqueza que produzimos. Outra parte eles destinam para empresários na forma de subsídios ou isenção fiscal. Segundo a Auditoria Cidadã da Dívida, o governo repassou, em 2013, para os banqueiros R$ 718 bilhões para pagar os juros da Dívida Pública. O pagamento dos juros da dívida consome mais de 40% de tudo que é arrecadado. Mesmo assim, a dívida não para de crescer.

Só nos governos FHC, Lula e Dilma foram pagos R$ 14 trilhões, mas a dívida aumentou de R$ 300 bilhões, em 1994, para mais de R$ 4 trilhões, em 2013. O Brasil poderia ter construído 8 milhões de moradias a um custo de R$ 100 mil cada unidade, acabando com o déficit habitacional e ainda sobrariam 13 trilhões e 200 bilhões de reais!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Obras completas de Evgeni Preobrazhenski

Os historiadores geralmente reconhecem Evgenii Alexeyevich Preobrazhensky como o mais famoso economista soviético da década de 1920. Leitores de língua inglesa conhecê-lo melhor como autor de The New Economics ("A Nova Econômica") e co-autor (com N. Bukharin) de O ABC do comunismo. Acabou de ser lançado o Volume I das Obras Completas de Preobrazhensky em inglês com o título, The Preobrazhensky Papers: Archival Documents and Materials, Volume I 1886-1920, editado por Richard B. Day, da Universidade de Toronto, e Mikhail M. Gorinov. Traduzido por Richard B. Day.

E. A. Preobrazhensky (1886-1937) foi um líder bolchevique, o economista soviético mais proeminente da década de 1920, autor ainda de Anarquismo e Comunismo (1921), recém-publicado pela primeira vez no Brasil pela Editora Sundermann, e dos ainda inéditos em português, Da NEP ao Socialismo: uma visão do futuro da Rússia e Europa (1922) e O Declínio do Comunismo (1931). Um membro proeminente da Oposição de Esquerda de Leon Trotsky em seus estágios iniciais. Preobrazhensky foi executado por Stálin em 1937.

E. A. Preobrazhensky (1886-1937)
Os documentos apresentados neste volume, muitos recém-descoberto e quase todos traduzidos para o Inglês pela primeira vez, revelam uma Preobrazhenski previamente desconhecido, cujos interesses variou muito além da economia de modo a incluir não só os debates do partido e as questões que afetam a vida dos trabalhadores e camponeses, mas também filosofia, eventos mundiais, e história da Rússia, cultura e política. Incluindo momentos de triunfo e tragédia, eles contam uma história íntima de despertar político e de compromisso com a revolução socialista como o caminho para a dignidade humana.

Um livro a todos os interessados ​​na história do partido bolchevique, nos anos anteriores à Revolução Russa. Para conhecer mais sobre a vida e obra de E. A. Preobrazhenski leia outros artigos e mesmo textos deles aqui no blog (clique aqui).

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Valeu, Zumbi! Apesar da negligencia de não ser feriado nacional, data à Consciência Negra é lembrada pelos movimentos sociais

por Almir Cezar, da Sucursal Brasília (DF)
Editor da ANotA e um brasileiro negro

No mês de novembro as brasileiras e os brasileiros, sejam negros ou não, celebram a memória do líder Zumbi e dos mártires do Quilombo dos Palmares, através da comemoração do 20 de novembro e do mês da Consciência Negra.

Diante da importância da questão, em muitas cidades e vários estados esta data chega a ser feriado. Infelizmente, esta data ainda não é feriado nacional, e em Brasília, capital da República, também não. Para piorar, seguindo essa prática, a administração pública pouco faz menção à data, não a aproveitando, nem que seja internalmente, para celebrar a data e/ou debater os temas que ela inspira.

Apesar disso, os movimentos sindicais e populares não deixam passar a data em "branco" e o relembram com festa e/ou protestos.

O triste legado que é preciso ser enfrentado

Essa data, dia de morte de Zumbi, morto em 1696, em uma tocaia por tropas portuguesas e de bandeirantes mercenários às ordens da Coroa, é o momento para lembrar de debater a questão do racismo e da desigualdade no Brasil, especialmente a racial, à medida que por séculos, negros, índios e seus descendentes foram vítimas da escravidão e do racismo legal. Motivo pelo que Zumbi e sua comunidade, ainda no tempo do Brasil colonial, lutaram e morreram, e até hoje inspiram vários ativistas.

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sábado, 6 de dezembro de 2014

'O Estado no centro da mundialização', de Jaime Osorio

A Dica é o lançamento do livro O Estado no centro da mundialização, de Jaime Osorio.

Já com várias edições mexicanas pela Fondo de Cultura Económica, a obra foi agora lançada pela Outras Expressões, ligada à Expressão Popular.

Trata-se de uma obra fundamental para o entendimento do Estado, das relações de classe, do poder, pensados desde o marxismo e com vistas às especificidades do capitalismo dependente. 

Certamente cumprirá um papel de suma importância para a formação intelectual e militante. 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

BC eleva juro e já compromete 2015

Com mais juros e menos gasto a economia quebra de vez. A indústria que tá agonizando vai pro espaço, os empregos com salário acima de 3 SM vão minguar. E o pior que a inflação de custos vai continuar além dos choques nos preços de alimentos e energia por causa da seca. Sei não, a vaca vai pro brejo, se ele não estiver seco!

Com PIB perto de 0%, Copom prefere inflar ganho dos rentistas em vez do crescimento
Monitor Mercantil | 03/12/2014

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, alertou que, ao recorrer apenas à alta dos juros, “o governo erra e derrubará ainda mais a atividade econômica, que já se encontra anêmica”.

A advertência foi feita após o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, voltar a aumentar a taxa básica de juros (Selic), apesar de o crescimento da economia do país este ano ficar em 0,19%.

Com a alta de 0,5 ponto percentual, a Selic saltou para 11,75% ao ano. Na reunião anterior, no fim de outubro, poucos dias após o segundo turno das eleições, o BC, ignorando o clamor das urnas contra a política de juros altos, elevara a taxa em 0,25 ponto.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Para agência da ONU, Brasil tem tarifa celular mais cara do mundo

A União Internacional das Telecomunicações divulgou nesta segunda, 24/11, seu relatório anual Medindo a Sociedade da Informação e como já era esperado pelas próprias operadoras, a entidade ainda considera que o Brasil tem a cesta de serviços de telefonia móvel mais cara do mundo. Em outubro, antecipando-se ao levantamento da UIT, o SindiTelebrasil divulgou estudo próprio contestando a metodologia aplicada.

Segundo a UIT, essa cesta custa US$ 48,32, ou cerca de R$ 120. Para chegar a esse valor, a entidade considera tarifas de planos pré-pagos, 30 ligações e 100 mensagens de texto por mês. No custo das chamadas são computadas aquelas feitas dentro da rede, para outras empresas e também para telefones fixos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Produtividade no Brasil se eleva pouco limitando o crescimento econômico

Livro de pesquisadores do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) releva que entre 2003 e 2010, a retomada do crescimento econômico e a melhoria dos termos de trocas internacionais possibilitaram a recuperação de ganhos relativamente elevados de produtividade. Contudo, o crescimento do PIB será cada vez mais dependente de aumentos na produtividade do trabalho.  E também revela que a produtividade da economia brasileira cresceu pouco não porque aumentou a participação de setores pouco produtivos na estrutura produtiva, mas porque a produtividade dentro dos setores econômicos cresceu pouco. Acesse o livro clicando AQUI.

Ipea: produtividade no Brasil cresce de forma limitada

Divulgado nesta quinta-feira, 20, o primeiro volume da série Produtividade no Brasil, intitulado “Desempenho”, analisa sob diversas óticas a evolução dos indicadores de produtividade da economia brasileira. A publicação foi organizada por Fernanda De Negri, diretora de Estudos Setoriais de Inovação, Regulação e Infra-estrutura (Diset) do Ipea, e Luiz Ricardo Cavalcante, consultor legislativo do Senado Federal, em uma parceria do Ipea com a ABDI e diversas universidades e instituições de pesquisa do país.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Por que o ajuste fiscal não leva ao crescimento?

Revista Brasil Debate

É com grande preocupação que vemos a maioria dos economistas posicionando-se favorável a um forte ajuste fiscal em um contexto no qual a economia brasileira corre sério risco de crescer a uma taxa bem próxima de zero. O consenso é de que o governo precisa cortar gastos para ajustar as contas públicas.

Há ainda aqueles que afirmam que apenas a diminuição dos gastos seria insuficiente – um aumento da carga tributária, dessa forma, não deveria ser descartado.

Um ajuste que implique corte dos gastos públicos e aumento dos impostos, ao contrário do que afirmam a maioria dos economistas, não conduzirá a economia ao crescimento, e por isso, não resolverá o problema do déficit fiscal.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Brasil pagou, só de juros, oitenta e oito vezes o orçamento anual de Reforma Agrária


Apenas de janeiro a setembro, o setor público gastou R$ 209,1 bilhões com encargos financeiros, que já corresponde a 5,5% do PIB. Brasil pagou, só de juros, quarenta e três vezes o orçamento anual de Organização Agrária e oitenta e oito vezes o orçamento anual de Reforma Agrária

A gastança de dinheiro público com despesas que não são serviços públicos aumentou enormemente. O setor público viu a conta com os juros aumentar para patamares nunca antes vistos. Dados do Banco Central (BC) mostram uma situação preocupante para o país. De janeiro a setembro deste ano, o desembolso de estados, de municípios, do Distrito Federal e da União com encargos financeiros chegou a R$ 209,1 bilhões — quase três vezes maior do que o valor gasto 12 anos atrás, de R$ 72,3 bilhões, no mesmo período de 2002.

A dinheirama corresponde a 5,53% do Produto Interno Bruto (PIB), nível normalmente visto em países em crise. Esse montante representa oito vezes o orçamento anual do Bolsa Família, de R$ 25 bilhões, e quarenta e três vezes o orçamento  da União previsto para 2014 com Organização Agrária (R$4,9 bilhões), tanto com pessoal, custeio e investimento no MDA e INCRA, incluindo em apoio à outras instituições com convênios e parcerias. Sendo que a parcela prevista destinada nesse total à Reforma Agrária propriamente dita são meros R$ 2,35 bilhões, portanto o Brasil paga de juros quase 89 vezes a mais.

Clique  AQUI para ler a íntegra

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Brasil paga, só de juros, oito vezes o orçamento anual do Bolsa Família

De janeiro a setembro, o setor público gastou R$ 209,1 bilhões com encargos financeiros. Segundo analistas, governo terá que elevar impostos para pagar a conta, que já corresponde a 5,5% do PIB

Deco Bancillon | Correio Braziliense | 04/11/2014

A gastança de dinheiro público já ultrapassou, e muito, a capacidade do governo de honrar seus compromissos. Mas, além de aumentar despesas com a máquina estatal, o setor público também viu a conta com os juros aumentar para patamares nunca antes vistos. Dados do Banco Central (BC) mostram uma situação preocupante para o país. De janeiro a setembro deste ano, o desembolso de estados, de municípios, do Distrito Federal e da União com encargos financeiros chegou a R$ 209,1 bilhões — quase três vezes maior do que o valor gasto 12 anos atrás, de R$ 72,3 bilhões, no mesmo período de 2002.

A dinheirama representa oito vezes o orçamento anual do Bolsa Família, de R$ 25 bilhões, e corresponde a 5,53% do Produto Interno Bruto (PIB), nível normalmente visto em países em crise. Como os gastos públicos com obras e despesas da máquina estatal têm aumentado a um ritmo maior do que a arrecadação tributária, significa dizer que tão cedo o governo não conseguirá saldar o principal da dívida, mas apenas parte dos juros.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Nem passado uma semana da eleição, veio o maior juro em 15 anos e um Natal mais caro. Veja algumas dicas para fugir dos juros altos


Infográfico: Correio Braziliense
Natal deste ano promete ser de juros gordos e vendas magras. Um dia após o Banco Central elevar a  taxa básica de juros Selic para 11,25%  (o maior juro real em 15 anos), as taxas das operações de crédito já engrossam o aperto financeiro e deverão inibir ainda mais o consumo no fim do ano. O cheque especial agora cobra 183,28% anuais, o maior percentual desde 1999.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a Selic em 0,25 ponto percentual tem como objetivo reduzir a oferta de dinheiro em circulação e tornar os empréstimos mais caros, de modo a frear o consumo das famílias e, assim, tentar conter a inflação. O resultado desse aperto será um fim de ano de vendas fracas no varejo.
Na melhor das hipóteses, teremos um Natal morno, com crescimento pequeno sobre 2013. O sufoco será maior para os consumidores, que, por não terem acesso a empréstimos baratos, como o consignado, acabam recorrendo às linhas emergenciais a taxas ainda mais altas.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Desenvolvimento desigual e combinado, dependência econômica e teorema de Preobrazhenski - A questão da revolução e da transição ao socialismo em países capitalistas subdesenvolvidos: Contribuições teóricas aos dilemas atuais de Venezuela e Brasil

por Almir Cezar Filho*

A Venezuela, país latino-americano localizado no norte da América do Sul, é conhecida por sua indústria de petróleo, além da biodiversidade e recursos naturais abundantes. Antiga colônia espanhola, o país tornou-se independente em 1813. Atualmente, está entre as nações mais urbanizadas da América Latina. A população é de cerca de 30 milhões de pessoas e o PIB (produto interno bruto) em 2013 chegou a US$ 408,8 bilhões. A maioria dos cidadãos vive nas cidades do norte, especialmente na capital Caracas, o maior município venezuelano.

Há mais de uma década, a economia venezuelana sofre com a inflação mais alta da região (chegou a 56,2% em 2013). Ainda em 2003, o governo de Hugo Chávez (presidente de 1998 a 2013) adotou medidas como congelamento de preços da cesta básica e controle cambial, a fim de frear a saída de recursos do país e aumentar os preços. No entanto, tais medidas tiveram alguns efeitos colaterais como o desabastecimento - em supermercados e no comércio -, além do surgimento do mercado negro (tanto de mercadorias como de câmbio), o que agravou a situação.

O debate em torno do desenvolvimento desigual, da dependência econômica e das teorias de transição ao socialismo em países subdesenvolvidos tem sido central na análise das dinâmicas socioeconômicas, especialmente em nações como Venezuela e Brasil. Estas discussões oferecem perspectivas fundamentais para compreender os desafios enfrentados por esses países, bem como para explorar caminhos possíveis em direção a um futuro mais justo e equitativo. Neste contexto, a análise teórica de conceitos como desenvolvimento desigual e combinado, a dependência econômica e as contribuições de figuras como o economista soviético Euguene Preobrazhenski e os teóricos da dependência latino-americanos da segunda metade do século XX desempenham um papel crucial. Este ensaio visa explorar essas ideias e suas implicações nos contextos específicos da Venezuela e do Brasil, oferecendo apontamentos valiosos para os dilemas contemporâneos enfrentados por essas nações.

O desenvolvimento econômico e a Teoria da Dependência

Divergindo da linha tradicional da Economia, há quem defenda a ideia de que o subdesenvolvimento da maioria dos países do mundo e a superação do subdesenvolvimento deveriam ser buscados em outros métodos além da mera repetição da evolução dos países avançados. Abandonando a ideia de um processo econômico-histórico evolutivo que levaria naturalmente "do subdesenvolvimento ao desenvolvimento", portanto, pelo fim dos elementos estruturais que condicionam internamente o país a sua conformação enquanto dependente, logo subdesenvolvido. Assim, o subdesenvolvimento nacional seria um fruto da subordinação dessas economias nacionais aos dos países ditos "desenvolvidos" e uma contrapartida ao desenvolvimento desse punhado de países, uma espécie de relação de dependência do país subdesenvolvido a um país desenvolvido.

Fruto do impulso criativo das duas décadas imediatas após a Segunda Guerra Mundial, que coincidiram com forte desenvolvimento econômico e transformações sociais dos países latino-americanos, surge entre a intelectualidade de esquerda e a militância dos movimentos sociais a escola de pensamento chamada de "Teoria Marxista da Dependência".

Esta desdobrava-se tanto como uma crítica ao movimento acadêmico da teoria da Dependência surgida no seio da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL), chamado de pensamento estruturalista desenvolvimentista ou "cepalino", cujos principais autores estavam Raul Prebisch e Celso Furtado. E ainda também como uma crítica ao marxismo oficialista de matiz stalinista dos partidos comunistas (PCs) ligados à URSS. Era influenciada pelo nova teoria sobre desenvolvimento de inspiração marxiana, surgida nos EUA e Canadá na década de 1940 e por fora da linha oficial de Moscou, cujos principais autores estavam Paul M. Sweezy e Paul A. Baran e que inspirariam no final da década seguinte o que se conheceria como "nova esquerda", que se contrapunha ao comunismo stalinista e à social democracia europeia.

Tal como os estadunidenses, os latino-americanos vinham da tentativa de entender a desigualdade interna de suas sociedades nacionais e o atraso econômico-social em comparação com a América do Norte e a Europa Ocidental, mas não pela ótica do centro, mas da periferia do sistema capitalista. Repetindo o que a polonesa Rosa Luxemburgo e os marxistas do velho Império Russo como V. I. Lênin, N. Bukharin, L. D. Trótski, etc., permitiria do lado das colônias e semicolônias ter uma visão mais aguçada do funcionamento do imperialismo sobre o capitalismo mundial e as sociedades nacionais, ainda melhor do que aqueles que criaram essa vertente analítica marxiana do lado dos países metropolitanos, como por exemplo, K. Kautsky do Império Alemão e R. Hilferding do Império Austro-Húngaro.

Após a Grande Guerra e a Revolução Russa de 1917, o movimento internacional marxista, tanto como movimento social e como corrente intelectual, percebeu-se que havia se debruçado principalmente apenas sobre a gênese, o funcionamento e o caráter crítico do Capitalismo, como também a deflagração das revoluções proletárias, centrando-se sobre os países desenvolvidamente industriais e nas metrópoles no Capitalismo mundial, ignorando quase completamente tanto as leis econômicas-sociais nos países coloniais e semicoloniais, como às leis surgidas imediatamente posteriores à própria revolução socialista.

Portanto, os marxistas precisariam desenvolver novas formulações teóricas, embora recorrendo às bases metodológicas da Economia Política marxista. Assim, empregando a metodologia de Marx e Engels e tendo como mapa O Capital, as novas gerações marxistas passaram a buscar apreender, inclusive tendo como referência a própria jovem sociedade soviética, as leis que regeriam o desenvolvimento de uma economia socialista em transição, ou melhor pós-capitalista, mas na situação em que a agricultura e o pequeno comércio continuavam a guiar-se pelas leis do mercado, mas com a presença de grandes empresas industriais nacionalizadas e certo planejamento estatal. Inclusive porque várias sociedades depois da Grande Guerra, em um processo intensificado pela Crise de 1929 e pela Segunda Guerra Mundial, passaram a exercer grande intervenção estatal sobre a economia, em muitos casos utilizando-se da URSS como referencial.

Esta necessidade histórica de desenvolver uma forte base teórica foi se reforçando e impondo à medida que as economias nacionais subdesenvolvidas capitalistas ou mistas passaram por períodos de fortes de crescimento econômico, que lhes impunham inflação e crise das contas externas. Um dilema entre crescimento e desestabilização macroeconômica.

Trotskismo e a Lei do desenvolvimento desigual e combinado

E. Preobrazhensky foi um proeminente economista bolchevique e apoiou no período crítico da luta de León Trotsky ao longo da década de 1920 contra a degeneração burocrática da URSS, co-liderando a Oposição de Esquerda no Partido Comunista da URSS, agrupamento que dará origem na década seguinte à Quarta Internacional e ao movimento trotskista mundial. É considerado o pai do planejamento socialista e um dos primeiros autores marxistas a pensar o tema específico do desenvolvimento econômico e da transição ao socialismo.

Nas obras Escola de Quadros (1982 e 1984) e Teses para Atualização do Programa de Transição, Nahuel Moreno revisitará a polêmica entre Trótski e Preobrazhensky sobre a teoria da revolução permanente, casando-a com a crítica de Preobrazhensky, – dando-lhe o aspecto de complementar – à visão de Trotski sobre essa teoria. Com isso, Moreno aperfeiçoa a teoria marxista sobre as Revoluções e atualiza as teses do programa político do movimento trotskista internacional.

Teoria da Dependência

A Teoria da Dependência, ou simplesmente, teoria da dependência, é uma formulação teórica desenvolvida por intelectuais como Ruy Mauro Marini, André Gunder Frank, Theotonio dos Santos, Vania Bambirra, Orlando Caputo, Roberto Pizarro e outros, aparecida na década de 1960, que consistia em uma leitura crítica e marxista não-dogmática dos processos de reprodução do subdesenvolvimento na "periferia" do capitalismo mundial (América Latina e Caribe, África e Ásia), em contraposição tanto às posições marxistas convencionais dos partidos comunistas (os PCs), como à visão estabelecida pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

A explicação sobre desenvolvimento econômico em termos de “dependência” e a produção intelectual dos autores influenciados por essa perspectiva analítica entraram na cena acadêmica e político-partidária especialmente latino-americana paulatinamente pós-Segunda Guerra Mundial e obtiveram ampla repercussão nesses países no final da década de 1960 e início da década de 1970. Nesse período, por uma série de episódios históricos vivenciados naqueles países, ficou evidente que o desenvolvimento econômico deles não se daria de maneira linear e gradual, que não atingiriam apenas pela ação do livre-mercado em um momento futuro o padrão de vida e o parque industrial dos países europeus e norte-americanos, nem se daria por etapas históricas sucessivas, um caminho que bastaria ser trilhado para que os resultados pudessem ser alcançados. Mas que se precisava de amplas rupturas com o padrão social e econômico vivente nesses países, à medida que haveria laços invisíveis e históricos de ligação e subordinação econômica e política entre essas economias e os países ricos e ao sistema mundial, que determinariam o seu atraso econômico e subdesenvolvimento capitalista.

A dependência expressa subordinação, a ideia de que o desenvolvimento desses países está submetido (ou limitado) pelo desenvolvimento de outros países. Seu atraso no desenvolvimento não era forjado pela condição agrário-exportadora ou pela herança pré-capitalista, mas pelo padrão de desenvolvimento capitalista do país e por sua inserção no capitalismo mundial dada pelo imperialismo, como centro ou periferia. E que no desenrolar da trajetória histórica capitalista latino-americana desenvolveu-se uma forma histórica da dependência, caracterizada, principalmente, pela transferência de recursos ("valor", nos termos marxistas) às economias centrais através das "trocas desiguais" do comércio internacional, transmutada no decorrer da industrialização para também na remessa de lucro e dividendos das transnacionais e no pagamento de dívidas e outras formas financeiras.

Assim, para a teoria da dependência, a caracterização dos países como "atrasados" decorre da relação do capitalismo mundial de dependência entre países "centrais" e países "periféricos". Países "centrais", como centro da economia mundial, são identificados nos territórios em que ocorrem a manifestação do meio técnico-científico-informacional em escala ampliada e os fluxos igualmente fluam com mais intensidade. A periferia mundial (as economias periféricos; os países coloniais e semicoloniais) se apresenta como aquele espaço onde os fluxos de riqueza, o desenvolvimento da ciência, da técnica e da informação ocorrem em menor escala e as interações em relação ao centro se deem gradativamente.

Por sua vez, os autores recorriam como sua fonte e base analítica ao estudo sistemático do livro O Capital e à teoria marxista do imperialismo, especialmente às obras de Vladimir Lênin, Rosa Luxemburgo, Nikolai Bukharin e Leon Trótski, bem como às novas contribuições sobre desenvolvimento capitalista surgidas no marxismo norte-americano, em destaque Paul Baran, Paul Sweezy, etc., e europeu ocidental, entre as décadas de 1920 e 50, e aplicando a realidade latino-americana. Portanto, a superação do subdesenvolvimento passaria pela ruptura com a dependência econômica, as amarras econômicas que ligam e subordinam a economia nacional aos países ricos e ao sistema mundial, e não pela mera industrialização da economia e a modernização política e econômica nacional, o que poderia implicar inclusive a ruptura com o próprio modo capitalista, responsável de fundo pelo subdesenvolvimento e pobreza.

A industrialização por que passava vários países latino-americanos não superaria o subdesenvolvimento, muito menos a dependência, pelo contrário, aprofundava-a à medida que esse parque industrial estava vinculado ao investimento das empresas transnacionais e suas estratégias de mercado.

A Questão da Revolução e da Transição ao Socialismo em Países Capitalistas Subdesenvolvidos

A questão da revolução e da transição ao socialismo em países capitalistas subdesenvolvidos é um tema complexo que tem sido discutido por teóricos e líderes políticos ao longo do século XX e até os dias atuais. Enquanto alguns defendem abordagens revolucionárias radicais para a transformação socialista, outros propõem estratégias de transição gradual. As experiências da Venezuela e do Brasil fornecem contextos interessantes para analisar esses dilemas e as contribuições teóricas relevantes.

Enquanto o marxismo tradicional, como corrente teórica, enfatiza a necessidade de uma revolução liderada pelo proletariado para derrubar o capitalismo e estabelecer o socialismo. Ela oferece ideais sobre a organização revolucionária, o papel do partido comunista e a importância da ditadura do proletariado. A Teoria da Dependência, desenvolvida por teóricos latino-americanos como Ruy Mauro Marini, Theotonio dos Santos e André Gunder Frank, argumenta que os países subdesenvolvidos estão interligados ao sistema capitalista global de maneiras que perpetuam sua dependência econômica e subordinação política. Isso levanta questões sobre a viabilidade da transição ao socialismo em um contexto de economia globalizada e dominada pelo capitalismo.

Mais recentemente, o assim chamado "Socialismo do XXI", ideologia, promovida por líderes como Hugo Chávez na Venezuela, propõe uma via alternativa ao socialismo tradicional, adaptada às realidades contemporâneas e às condições específicas dos países latino-americanos. Enfatiza a participação popular, a democracia direta e a redistribuição de recursos como meio de alcançar a justiça social.

Em outro campo teórico, aqueles que reivindicam a ideia de "revolução democrática, alguns teóricos, com base a teses entre os quais de Nicos Poulantzas, argumentam que em países onde as estruturas capitalistas estão menos desenvolvidas, uma revolução democrática pode ser um primeiro passo necessário para criar as condições para uma transição ao socialismo. Isso envolve alianças entre diferentes setores sociais progressistas para promover reformas democráticas e sociais radicais.

Por um lado, o governo liderado por Hugo Chávez (e a partir de 2013 por Nicolás Maduro) na Venezuela tentou implementar políticas socialistas dentro de um contexto democrático. Isso incluiu nacionalizações de indústrias-chave, programas de redistribuição de renda e uma Constituição que buscava garantir direitos sociais e participação popular. No entanto, enfrentou críticas por sua gestão econômica, corrupção e autoritarismo.

A Venezuela enfrenta atualmente uma profunda crise econômica, política e humanitária, com hiperinflação, escassez de alimentos e medicamentos, além de tensões políticas internas e externas. Isso levanta questões sobre a viabilidade do socialismo em um contexto de crise prolongada e contestação política.

O Brasil, por outro lado, tem uma longa história de lutas sociais e movimentos populares que buscaram transformações radicais na sociedade. A recente ascensão do Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder, especialmente durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, foi vista por muitos como uma tentativa de promover reformas progressistas dentro de um sistema democrático.

No entanto, o Brasil também enfrenta desafios significativos, o uso político da combate à corrupção por parte da oposição de direita ao governo do PT e a ascensão da extrema-direita, que promove políticas neoliberais. Isso destaca as dificuldades de implementar uma agenda socialista em um ambiente político polarizado e marcado por interesses de elite.

A questão da revolução e da transição ao socialismo em países capitalistas subdesenvolvidos continua sendo um tema relevante e contestado. As contribuições teóricas oferecem insights importantes, mas a aplicação dessas teorias na prática política enfrenta uma série de desafios e contradições. Os casos da Venezuela e do Brasil ilustram esses dilemas e destacam a necessidade de abordagens flexíveis e contextualizadas para promover mudanças sociais e econômicas progressistas.

Conclusão

Em uma perspectiva marxista, é evidente que as teorias de desenvolvimento desigual e dependência econômica fornecem uma lente poderosa para entender as complexidades enfrentadas por países subdesenvolvidos como Venezuela e Brasil. Ao analisar a estrutura econômica global, torna-se claro que o capitalismo não apenas perpetua, mas também intensifica as disparidades entre nações, com os países periféricos continuamente subordinados aos interesses das potências capitalistas dominantes. Nesse sentido, a dependência econômica não é apenas um produto da história, mas uma característica intrínseca do sistema capitalista global, que se baseia na exploração e na extração de recursos dos países em desenvolvimento para sustentar o crescimento e a acumulação de capital nos centros dominantes.

Além disso, as contribuições de teóricos como Preobrazhenski e os defensores da teoria da dependência destacam a necessidade de rupturas fundamentais para superar o subdesenvolvimento e avançar em direção a uma sociedade mais justa e igualitária. Essas rupturas não podem ser meramente superficiais, como a simples industrialização ou modernização política e econômica, mas devem envolver uma transformação radical das estruturas de poder e das relações econômicas que perpetuam a dominação dos países periféricos pelos centros capitalistas.

Portanto, a conclusão inevitável é que a luta por uma verdadeira emancipação e desenvolvimento autônomo em países como Venezuela e Brasil requer uma abordagem profundamente enraizada no pensamento marxista, que reconhece a necessidade de uma transformação revolucionária das condições existentes. Isso implica não apenas resistência contra as formas contemporâneas de exploração e opressão, mas também a construção de movimentos sociais e políticos que buscam uma nova ordem social baseada na justiça social, na igualdade e na autodeterminação dos povos. Somente através de uma luta coletiva e organizada é possível romper com as correntes da dependência econômica e avançar em direção a um futuro verdadeiramente emancipatório e socialista.

Bibliografia
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(*) Atualizado em 28/10/2014 e Revisado em 17/03/2024

Sem a Reforma Agrária, apesar de arrocho, a inflação abaixa pouco e PIB desse ano deve ser o menor desde 2009

por Almir Cezar, da Editoria de Economia da ANotA 
www.agencianota.com | 01/10/2014

O Banco Central no relatório de inflação divulgado nesta segunda-feira (29/09) baixou um pouco sua estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país - recuou de 6,4%, em junho, para 6,3%, percentual ainda próximo da meta desse ano (6,5%). Apesar de meses de adoção de fortes e duras medidas anti-inflacionárias, que vêm causado colateralmente a queda na atividade econômica. A nova expectativa do IBGE é que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 0,7% - deve ser menor desde 2009, auge da crise econômica mundial.

Enquanto o mundo passa por um deflação, o Brasil continua convivendo com uma pressão inflacionária estrutural, real motivo da persistente inflação interna, impassível de ser remedia por mero uso dos juros. Todas as medidas macroeconômicas ortodoxas, desde ajuste fiscal (corte dos gastos públicos) ou arrocho monetário (elevação da taxa de juros básicas), ao invés de combater a inflação, empurra o país baixa na taxa de crescimento do PIB. Isso continuará acontecendo enquanto o país não fizer de fato a Reforma Agrária.

Inflação alta e crescimento baixo

Se por um lado, a inflação oficial divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) em setembro chegou a 6,51% em 12 meses, encerrados em agosto, portanto acima do teto da meta (6,5%). Apesar da safra agrícola recorde novamente esse ano, segundo os dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a maior pressão sobre a inflação foi justamente do grupo alimentação, com destaque para as frutas (crescimento em uma mês de 2,3%), mostra inclusive pesquisa da FGV.

Nos últimos 6 anos, a inflação no Brasil é maior do que média mundial e maior do que a mediana mundial em nove anos. Pelo mundo, acontece de fato uma deflação (queda perigosa nos preços).

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Os super-ricos do Brasil e a lenda da queda da desigualdade

Desigualdade, desaba uma lenda

Clóvis Rossi | Folha de São Paulo | 25/09/2014

Aleluia, enfim pesquisadores dedicaram-se a estudar, seriamente, a desigualdade de renda no Brasil, com base em dados do Imposto de Renda, e chegaram a uma conclusão que, para mim, é óbvia faz um punhado de anos: a queda da desigualdade no Brasil, tão trombeteada por alguns acadêmicos e pelo governismo, não passa de mito.

Marcelo Medeiros, Pedro Ferreira de Souza e Fábio Avila de Castro, todos da UnB (Universidade de Brasília) e, os dois primeiros, também do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), desconfiaram, como todos os pesquisadores sérios deveriam fazer, dos dados coletados pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar), o único instrumento em que se apoiava a lenda da queda da desigualdade.

Não é instrumento idôneo: os pesquisadores perguntam a renda da família. Quem vive só de trabalho ou de outro rendimento fixo diz o que ganha. Quem, além do salário ou de rendimento fixo, recebe proventos advindos de aplicações financeiras omite essa parte da renda. Ou por mero esquecimento, portanto de boa-fé, ou por medo (do fisco, de sequestro, do que seja).

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

90 anos da Lei da Acumulação Socialista Primitiva

por Almir Cezar

Edição anglófona do livro A Nova Econômica
Completou-se em agosto os 90 anos de um texto clássico da Economia Política Marxista: o artigo A Lei da Acumulação Socialista Primitiva, do economista russo e líder bolchevique Eugeni Preobrazhenski. Publicado pela primeira vez em agosto de 1924, no periódico "O Mensageiro", editado pela Academia Socialista da URSS, o artigo viraria o Capítulo 2º do livro A Nova Econômica, uma das mais audaciosas e mais profundas obras de análise teórica da economia soviética dos anos de 1920, época pautada pelos primeiros passos da transição da economia russa ao socialismo (para ler o livro clique AQUI).

O livro Nova econômica: uma tentativa de uma análise teórica da economia soviética  (em russo: Novaia ekonomika: Opy t teoreticheskogo analiza sovetskogo khoziaistva) ou "A Nova Econômica", como mais é conhecido, foi publicado em 1926. Ganhou esse título porque o autor associa a ideia de que era preciso para a jovem URSS uma nova teoria econômica, própria aos dilemas particulares que essa economia de transição ao socialismo vivia, cuja a Economia tradicional não ofereceria respostas, e que, por sua vez, o Marxismo também não. Também para Preobrazhenski, até a Revolução Russa, o Marxismo só havia se debruçado principalmente sobre a gênese, o funcionamento e o caráter crítico do Capitalismo e a deflagração das revoluções proletárias socialistas, ignorado as leis da economia imediatamente posterior à própria revolução.

Portanto, aos marxistas precisariam desenvolver novas formulações teóricas (a dita "nova econômica"), embora recorrendo as bases metodológicas da Economia Política marxista. Assim, empregando a metodologia do livro O Capital, Preobrazhenski busca apreender na economia soviética as leis que regeriam o desenvolvimento de uma economia socialista em transição, ou melhor pós-capitalista, mas na situação em que a agricultura e o pequeno comércio continuavam a guiar-se pelas leis do mercado, mas com a presença de grandes empresas industriais nacionalizadas e certo planejamento estatal.