segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Banqueiros capturaram o Estado brasileiro

Maria Lucia Fatorelli: Banqueiros capturaram o Estado brasileiro

publicado em 11 de agosto de 2013 às 17:13

por Luiz Carlos Azenha
O documento acima é oficialíssimo. Está nas páginas do Senado brasileiro. Leia a linha de número dois, sob Pago:
R$ 134 bilhões, 53 milhões, 618 mil e 451 reais.
É quanto você pagou em juros da dívida brasileira em 2012, segundo o governo (mas há controvérsias, sobre as quais você vai saber abaixo).
Agora leia a linha de número seis, sob Pago:
R$ 618 bilhões, 888 milhões, 549 mil e 837 reais.
É quanto você pagou em amortização/refinanciamento da dívida em 2012.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Dois mitos repetidos pelo jornalismo econômico

Mitos do jornalismo econômico
Fatos & Comentários, Monitor Mercantil - 21/08/2013

Com alguma frequência, leitores interessados, mas não iniciados nas peripécias da economia, pedem explicações sobre algumas das fixações do jornalismo econômico. Uma das mais recorrentes prega, a qualquer suspeita de alta da inflação, a elevação dos juros, de preferência, para a faixa de dois dígitos. A defesa renitente do aumento da gasolina, sob o pretexto de que os preços praticados aqui estariam defasados em relação ao mercado internacional, é outra obsessão desse tipo de jornalismo.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Estudo mostra agravamento da discriminação com mulheres e negros

Estudo mostra agravamento da discriminação com mulheres e negros

Pode parecer paradoxal, mas quanto mais baixo o índice de desemprego – pelos cálculos do IBGE no Brasil estamos no patamar de cerca de 6% desde 2011 – mais difícil fica arranjar trabalho para os setores que sofrem com maior discriminação e rebaixamento de salários.

Encomendado pelo Globo, o Dieese realizou estudo que evidencia que mulheres e negros, além de serem a maioria entre os desempregados brasileiros, também são os que estão procurando serviço há mais tempo.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Theotonio dos Santos fala ao programa Milenio da Globo News sobre desenvolvimento e civilização

O programa MILENIO da Globo News apresentou nesta segunda-feira (19/08) entrevista com o professor Theotonio dos Santos sobre desenvolvimento e civilização.

Cientista político, Theotonio dos Santos, um dos pais da Teoria Marxista da Dependência, é professor visitante da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), professor Emérito da Universidade Federal Fluminense (UFF) e Presidente da Cátedra UNESCO/Universidade das Nações Unidas (UNU) sobre Economia Global e Desenvolvimento Sustentável (REGGEN).

Vejam a entrevista no link abaixo: 

A Globo News voltará a exibir amanhã (22/08) às 6h30.

Contato direto com Theotonio dos Santos na internet: 
E-mail: theotoni@terra.com.br

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Mais de 70% da classe média está endividada

Mais de 70% da classe média está endividada
Monitor Mercantil, 19/08/2013

A maior parte da classe C brasileira está endividada. É o que aponta o levantamento feito pelo GuiaBolso.com. 

Ainda de acordo com o levantamento, excluindo os com alto endividamento, 31% dos usuários da classe C gastam tudo aquilo que recebem, sem criar uma reserva que possa recorrer em casos inesperados, como doenças na família ou desemprego.

Nas classes A e B os números não são muito diferentes, com 49% dos usuários com dívidas que comprometem um valor superior a um terço da receita mensal, enquanto outros 28% gastam tudo o que recebem. Por outro lado, as classes A e B têm um percentual maior de poupadores e investidores, respectivamente 16% e 7%.

A parcela dos usuários que realmente chama a atenção é formada pelas classes D, E e F. Mesmo com a renda menor, apenas 36% deles têm dívidas superiores a um terço da receita mensal, enquanto 41% gastam tudo o que recebem mensalmente. Além disso, 21% já consegue uma economia mensal para montar uma pequena poupança.

Considerando toda a base, 55% dos usuários estão “em apuros”, ou seja, passam constantemente por falta de dinheiro e precisam quitar dívidas maiores que um terço da renda, enquanto 33% estão “no limite”, gastando tudo o que recebem.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Quanto mais petróleo é descoberto no Brasil, mais o país fica dependente

A tática do governo do PT é sucatear as bacias petrolíferas do Brasil

Quanto mais petróleo é descoberto no Brasil, mais o país fica dependente

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Quando o cinema documentou o colapso econômico das cidades estadunidenses

Dica cultural: Quando o cinema documentou o colapso econômico das cidades estadunidenses

O documentário “Roger and Me” e as falências das cidades de Flint e Detroit
André Setaro, do Terra Magazine

O Professor Jorge Vital de Brito Moreira, de Wisconsin, apesar de lecionar por muitos anos nos Estados Unidos, é baiano da Ilha de Maré. Enviou-me o texto que vai abaixo, e que resolvi publicá-lo aqui mesmo no meu blog do Terra Magazine, pela atualidade de seu relato e, também e principalmente, por se referir ao filme Roger and Me, do polêmico documentarista Michael Moore. Moreira se graduou em Ciências Sociais na Universidade Federal da Bahia e depois em Literatura nos EUA onde recebeu o título de Doutor (Ph.d) com uma tese elogiada sobre o grande escritor Antonio Callado.

Roger and Me (1989), o primeiro filme documentário de longa metragem do diretor Michael Moore,  mostra o próprio diretor Moore lutando para entrevistar a Roger Smith, o presidente da General Motors: o homem responsável pelo fechamento de onze fabricas de carros na cidade de Flint, Michigan, que deixou 30.000 pessoas sem trabalho e grandes partes da cidade em ruínas.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A Falência de Detroit na mira das Aposentadorias e Pensões

Escrito por Jane Slaughter *    
10 de Agosto de 2013

Detroit alcançou a Trifeta (três vezes consecutivas) ontem, a terceira de uma série de golpes que os políticos descarregam sobre os trabalhadores da cidade. O legislativo de Michigan aprovou o Estado como sendo um Estado “right-to-work”1   em dezembro de 2012 e deu ao governador o direito de impor "gerentes de emergência" nas cidades, dois dias depois. Quando o gerente de emergências de Detroit, Kevyn Orr, anunciou na quinta-feira a Falência descrita no Capítulo 9, ele estava seguindo uma trajetória já prevista que levará a um maior empobrecimento e às privatizações.

A falência permitirá que o juiz designado para tanto imponha mais cortes nos gastos da cidade e anule os contratos sindicais. O principal alvo no corte de despesas são as pensões devidas aos 21 mil aposentados da cidade e 9.000 trabalhadores ativos. A cidade estima que seu fundo de pensão esteja com um deficit de US $ 3,5 bilhões, e pretende reduzir os pagamentos de ambos, tanto para os trabalhadores como para os detentores de títulos que emprestaram dinheiro à cidade ao longo dos anos: a igualdade de sacrifício.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

IELA publica mais um clássico do pensamento social latino-americano


Já está pronto o terceiro volume da Coleção Pátria Grande - Biblioteca do Pensamento Crítico Latino-Americano, organizada pelo Instituto de Estudos Latino-Americano (IELA), da Universidade Federal de Santa Catarina. É o "A mais-valia ideológica" , do intelectual venezuelano Ludovico Silva, um dos mais importantes pensadores do marxismo latino-americano. 

Nesse trabalho específico Ludovico analisa como as pessoas permanecem conectadas ao processo industrial, mesmo quando estão em suas casas, aparentemente descansando. É através da televisão, dos meios de comunicação de massa, que o capitalismo mantém a extração de mais-valia de forma permanente, nesse caso a mais-valia ideológica. 

No livro, Ludovico trabalha o conceito de ideologia, de alienação e formula sua teoria da mais-valia ideológica, um conceito original para análise do controle da opinião pública. 

O livro, publicado pela Editora Insular, de Florianópolis,  já está à venda no IELA. A foto da capa é da Jornalista Juliana dal Piva e o conceito artístico, do jornalista Tadeu Meyer.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

13 de Agosto, dia do Economista

13 de Agosto - Dia do Economista

Nossa homenagem aos profissionais do planejamento e desenvolvimento.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Política econômica mostra cada vez mais sinais de esgotamento

Indústria patina, emprego desacelera e contas externas têm déficit recorde. Mas os bancos continuam lucrando

Diego Cruz, Portal do PSTU
Uma combinação envolvendo desaceleração da economia, inflação, deterioração das contas externas e a queda no ritmo da criação de empregos se une à crise que se arrasta na indústria para traçar um panorama sombrio para a economia brasileira. Mostram ainda os efeitos de uma política econômica que, além de apresentar claros sinais de esgotamento e deixar o país cada vez mais dependente, continua privilegiando o sistema financeiro.

Indústria e emprego
Apesar da série de isenções e benefícios concedidos pelo governo Dilma, a crise em que a indústria brasileira patina desde o ano passado parece longe de terminar. Em 2012, a produção do setor fechou em queda de 2,6%. Neste ano, apesar da relativa e errática recuperação, os resultados não são muito alentadores. Em junho último, por exemplo, houve crescimento de 1,9%, sendo que maio havia registrado -1,8%, num movimento que o próprio Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) classificou de “gangorra”.

terça-feira, 30 de julho de 2013

IDH dos municípíos: renda das famílias avançou. Educação, também, mas precisa melhorar muito

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento divulgou nesta segunda-feira (29) um retrato do Brasil nas últimas duas décadas. Na média, o Índice de Desenvolvimento Humano dos municípios brasileiros melhorou bastante. Houve aumento da renda e da expectativa de vida. Brasil dobra índice de qualidade de vida, longevidade e educação em 20 anos. A educação também avançou, mas ficou bem longe do ideal e foi o indicador que menos contribuiu para o resultado positivo.

Em 20 anos, o Brasil quase dobrou o seu Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), passando de 0,493, em 1991, considerado muito baixo, para 0,727, em 2010, o que representa alto desenvolvimento humano, aponta o Atlas do Desenvolvimento Humano Brasil 2013. No período, país registrou crescimento de 47,8% no IDHM. Um indicador importante, a renda das famílias, avançou. Outro, a educação, também, mas ainda precisa melhorar muito, segundo os pesquisadores. Eles dizem que é muito grande a desigualdade de renda e de acesso aos serviços básicos entre os municípios, entre as regiões e entre as pessoas.

sábado, 27 de julho de 2013

País volta a depender de especulador para equilibrar contas externas

País volta a depender de especulador para equilibrar contas externas

Sílvio Guedes Crespo
O Brasil voltou a depender dos especuladores internacionais para compensar o dinheiro que sai do país com importação de bens e serviços.
No primeiro semestre, saíram das nossas fronteiras US$ 3 bilhões por meio do comércio (exportações menos importações), US$ 22 bilhões por meio de serviços prestados no exterior (como viagens) e US$ 20 bilhões na forma de rendas, de acordo com dados do Banco Central. Por outro lado, entraram US$ 2 bilhões por meio de remessas feitas por brasileiros que moram no exterior.
Esses quatro números formam o grupo de dados que o Banco Central chama de transações correntes. Em conjunto, essas operações ficaram negativas em US$ 43 bilhões no primeiro semestre, ou seja, essa foi a quantia que deixou o país por meio do comércio de bens e serviços, por meio de renda e das remessas feitas por pessoas físicas.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Enquanto as ruas pedem mais investimentos, governo anuncia "cortes" e ataca previdência pública!,

 por Atnágoras Lopes

Com cortes anunciados, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não repassará R$ 4,5 bilhões ao INSS e ainda suspenderá a convocação de servidores concursados, conforme defende a presidente Dilma.

O anuncio do corte de R$ 10 bilhões nas “despesas”, andou longe de atender as expectativas do “mercado”. Esse é o centro da crítica que faz a grande mídia e os economistas liberais de plantão. No fundo eles defendem a mesma coisa que o Governo: manter intacto os compromissos com o pagamento (sangria) da dívida pública.

No que isso dialoga com o clamor das ruas? Em absolutamente nada. Na verdade, se observado a fundo, esse “corte”, mesmo nos itens como passagens, diárias e locação de veículos, entre outros, quando efetivados (e já vimos isso antes), de fato só afetará as condições de trabalho de vários servidores, especialmente os que têm como principal atividade a fiscalização e combate aos diversos crimes praticados contra o país e contra as pessoas. Assim, mais uma vez, serão sacrificados setores e demandas dos trabalhadores, como a situação indígena e ambiental, a sonegação fiscal e mesmo a precária fiscalização contra os altos índices de acidentes de trabalho.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Governo aumenta em R$ 10 bi cortes no Orçamento. Valor é o que a União gastará em juros com o aumento da Selic

Por Almir Cezar, de Brasília

O Governo anunciou na segunda-feira (22/07) o aumento de R$ 28 bilhões para R$ 38 bi cortes de recursos com contingenciamento de verba, medida para cumprir a meta fiscal do Governo e evitar o não endividamento do País.  O bloqueio previsto para que o governo atinja a meta de superávit primário de 2,3% do PIB (Produto Interno Bruto). O superávit primário é a economia que o governo faz para pagar os juros da dívida pública. Porém, esse corte corresponde ao valor que a União gastará em juros com o aumento da Selic anunciada na semana passada.

Segunda-feira foi o último dia para o envio ao Congresso Nacional do relatório bimestral de receitas e despesas. O ministro da Fazenda, Guido Mantega e a ministra do Planejamento Miriam Belchior anunciaram cortes adicionais de recursos do Orçamento Geral da União. A arrecadação em queda com a desaceleração da atividade econômica e as desonerações às empresas justificaram em parte a decisão da redução nas despesar para manter a meta de superávit primário.

Nos EUA, homens trabalham mais horas do que mulheres

Nos EUA, homens trabalham mais horas do que mulheres
25/07/2013 - FOLHA DE SÃO PAULO

Homens e mulheres norte-americanos que estão empregados em tempo integral têm uma diferença menor de remuneração do que a que se verifica em geral.

Uma pesquisa do departamento de trabalho dos EUA mostra que os homens que têm emprego integral (lá, isso significa 35 horas por semana) trabalham um pouco a mais do que as mulheres. São 8,46 horas diárias contra 7,87.

Os dados são de 2012.

Eles também mostram que as pessoas que não fizeram curso superior trabalham mais horas (7,97 por dia) do que as que fizeram faculdade (7,57).

De acordo com a área da economia pode haver diferenças significativas. Por exemplo, quem está empregado nas áreas de agricultura e pesca gasta em média 6,92 horas no trabalho; no setor de instalação, manutenção e reparos, fica-se, em média, 8,35 horas por dia.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Dívida Pública Federal cresce R$ 50 bilhões em junho

Influenciada pela emissão de títulos públicos a bancos oficiais, a Dívida Pública Federal (DPF) cresceu 2,6% em junho. De acordo com dados divulgados, há pouco, pela Secretaria do Tesouro Nacional, a DPF fechou o mês passado em R$ 1,985 trilhão, com alta de R$ 50 bilhões em relação ao estoque registrado em maio.

A dívida pública mobiliária - em títulos públicos - interna subiu 2,94%, passando de R$ 1,841 trilhão em maio para R$ 1,895 trilhão em junho. Isso ocorreu porque, no mês passado, o Tesouro emitiu R$ 39,01 bilhões em títulos a mais do que resgatou. Além disso, o Tesouro reconheceu R$ 15,05 bilhões em juros. O reconhecimento ocorre porque a correção que o Tesouro se compromete a pagar aos investidores é incorporada gradualmente ao valor devido.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Inflação: mais eficaz é baixar tarifa e reforma agrária

Monitor Mercantil, 19/07/2013

Analistas criticam elevação de juro para 8,5% alta de preços recente

Especialistas da Auditoria Cidadã da Dívida Pública consideram a redução das tarifas de serviços concedidos e controlados pelo governo, avançar com a reforma agrária e fortalecer a agricultura familiar como a melhor forma de combater a inflação anual de 6,7% medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e não a elevação da Taxa Selic para 8,5%.

Em análise divulgada no portal eletrônico da Auditoria Cidadã da Dívida Pública, os seus técnicos ressaltam que a observando-se dos dados do IPCA e “ponderando-se cada item ao seu respectivo peso na cesta de consumo, verifica-se que 57% da inflação ocorrida nos últimos 12 meses decorre do aumento dos preços de alimentos e dos preços administrados pelos próprios governos”. O peso estaria na soma dos itens como alimentos, taxa de água e esgoto, combustíveis, energia elétrica, transporte público, plano de saúde, cursos regulares e telefonia.”

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O Corte: governo aumenta em R$ 10 bi cortes no Orçamento

Valor corresponde exatamente o que a União gastará com juros a mais com o aumento da taxa Selic

Medida para cumprir a meta fiscal do Governo e evitar o não endividamento do País, o Governo anunciou o aumento de R$ 28 bilhões para R$ 38 bi cortes de recursos com contingenciamento de verbas. O ministro da Fazenda, Guido Mantega e a ministra do Planejamento Miriam Belchior anunciaram, na segunda-feira (22/07), os cortes adicionais de recursos do Orçamento Geral da União. O Governo pretende ampliar em os cortes para cumprir a meta de esforço fiscal.

O bloqueio está previsto para que o governo atinja a meta de superávit primário de 2,3% do PIB (Produto Interno Bruto). O superávit primário é a economia que o governo faz para pagar os juros da dívida pública. Segunda-feira foi o último dia para o envio ao Congresso Nacional do relatório bimestral de receitas e despesas. O esforço do governo é para evitar cortes nas áreas sociais. No começo do mês, Mantega disse que os cortes ficariam em aproximadamente R$ 15 bilhões, envolvendo principalmente despesas de custeio. Ele informou que o governo se empenha para não aumentar os impostos. - O importante é cumprir a meta de 2,3% e ela será obtida a qualquer custo - disse ele, na ocasião.

Pela terceira vez seguidae com a inflação desacelerando, no dia 10/07 o Banco Central (BC) reajustou a taxa básica de juros (Selic). Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, para 8,5% ao ano.  Segundo cálculos da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), o aumento de 0,5 ponto porcentual na taxa leva o governo a gastar R$ 10 bilhões a mais, com o pagamento de juros da dívida pública. O valor supera o triplo da quantia destinada a ajuda aos municípios (R$ 3 bilhões) ou para a construção de creches (R$ 3,2 bilhões), determinada após as manifestações que tomaram as ruas do país.

A queda na arrecadação com a desaceleração da atividade econômica e as desonerações
De acordo com o Ministério do Planejamento, R$ 4,4 bilhões da verba contingenciada vêm de despesas discricionárias (não obrigatórias), que foram cortadas. Os R$ 5,6 bilhões restantes vêm da reestimativa de despesas obrigatórias, cujos valores foram revisados para baixo pela equipe econômica. Segundo o governo, investimentos e programas sociais foram poupados do corte.

Dilma se reúne com ministros no Planalto para tratar de cortes no Orçamento

Nova tesourada: Ministros anunciam nesta tarde cortes adicionais no Orçamento

A presidente Dilma Rousseff se reuniu, na manhã desta segunda-feira (22), no Palácio da Alvorada, com os ministros do Planejamento, Miriram Belchior; da Casa Civil, Gleisi Hoffmann; de Relações Institucionais, Ideli Salvatti e da Fazenda, Guido Mantega, para tratar dos cortes no Orçamento. O governo deve definir ainda hoje o corte adicional de recursos do Orçamento Geral da União.O bloqueio está previsto para que o governo atinja a meta de superávit primário de 2,3% do PIB (Produto Interno Bruto). O superávit primário é a economia que o governo faz para pagar os juros da dívida pública.

Terminou por volta das 13h a reunião em que a presidente Dilma Rousseff. Mantega e Miriam Belchior anunciam, hoje à tarde, cortes adicionais de recursos do Orçamento Geral da União. Os ministérios do Planejamento, Orçamento e Gestão e da Fazenda apresentarão hoje, o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias referente ao terceiro bimestre de 2013. O anúncio aconteceu às 15h30 , no auditório principal do bloco K, na Esplanada dos Ministérios.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Debate 'O Brasil nas ruas: uma nova etapa histórica?'


Debate
O Brasil nas ruas: uma nova etapa histórica?
Com 
José Jorge de Carvalho (professor de Antropologia) e
Rodrigo Dantas (professor de Filosofia)

Quando: Dia 15 de julho (segunda-feira) 19 horas 

Onde: Memorial Darcy Ribeiro - Universidade de Brasília. Brasília-DF

sábado, 13 de julho de 2013

Alta nos juros custa o triplo da ajuda aos municípios.

Copom eleva taxa Selic em 0,5 ponto, para 8,5%, e vai gastar mais R$ 10 bi em juros, custa o triplo da ajuda aos municípios. Contudo, a tendência não é de alta nos preços. Inflação para terceira idade cai e fecha trimestre em 1,26%

Alta na Selic custa o triplo da ajuda aos municípios
Monitor Mercantil, 10/07/2013 

Copom eleva taxa em 0,5 ponto, para 8,5%, e vai gastar mais R$ 10 bi em juros

Pela terceira vez seguida, e com a inflação desacelerando, o Banco Central (BC) reajustou a taxa básica de juros (Selic). Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, para 8,5% ao ano. 

Segundo cálculos da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), o aumento de 0,5 ponto porcentual na taxa leva o governo a gastar R$ 10 bilhões a mais, com o pagamento de juros da dívida pública. O valor supera o triplo da quantia destinada a ajuda aos municípios (R$ 3 bilhões) ou para a construção de creches (R$ 3,2 bilhões), determinada após as manifestações que tomaram as ruas do país.

“O comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”, justificou o Copom em comunicado. 

Em abril, o Copom iniciou um novo ciclo de alta nos juros básicos, depois de quase dois anos sem aumento, e elevou a Selic para 7,5% ao ano. Desde agosto de 2011, a taxa vinha sendo reduzida sucessivamente até atingir 7,25% ao ano em outubro de 2012, o menor nível da história. A Selic foi mantida nesse nível até março deste ano.

Analistas ouvidos pelo MM, como os economistas Reinaldo Gonçalves, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Plínio de Arruda Sampaio Júnior, da Universidade de Campinas (Unicamp), avaliam que o verdadeiro objetivo da alta de juros é evitar a fuga de capitais, após especulações em torno de mudanças na política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).

Inflação para terceira idade cai e fecha trimestre em 1,26%
Agência Brasil, 11/07/2013

O Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), que mede a inflação para pessoas com mais de 60 anos, registrou taxa de 1,26% no segundo trimestre deste ano. O resultado é inferior ao observado no primeiro trimestre, que havia sido de 1,82%, de acordo com a Fundação Getulio Vargas.

A principal contribuição para a queda da inflação do IPC-3i veio do grupo de despesas com alimentação, cuja taxa passou de 6,52% no primeiro trimestre para 0,55% no segundo trimestre. O destaque foram as hortaliças e os legumes, que registraram deflação (queda de preços) de 4,04% no segundo trimestre. No primeiro trimestre, esses produtos tiveram inflação de 46,67%.

Também tiveram queda na taxa os grupos de despesa com transportes (que passou de 1,47% no primeiro trimestre para 0,09% no segundo), despesas diversas (de 4,90% para 0,40%), educação, leitura e recreação (de 2,45% para 0,73%) e comunicação (de 0,79% para -0,55%).

Por outro lado, três grupos de despesas tiveram aumento da taxa: habitação (de -0,74% para 1,70%), saúde e cuidados pessoais (de 1,50% para 2,66%) e vestuário (de 0,67% para 2,78%).

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Atividade econômica tem queda de 1,4% em maio

Atividade econômica tem queda de 1,4% em maio
Agência Brasil

A atividade econômica apresentou queda de 1,4% em maio, em relação ao mês anterior, de acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) dessazonalizado (ajustado para o período), divulgado hoje. Foi a maior queda registrada na série história, iniciada em 2003, para o período, nesse tipo de comparação.

A retração veio depois de dois meses seguidos de alta no indicador, de acordo com os dados revisados. Em abril, comparado a março, a expansão do índice revisado ficou em 0,96%.

Em relação ao mesmo mês do ano passado, houve crescimento de 2,28% (sem ajustes). No ano, o IBC-Br apresentou expansão de 3,01%, e em 12 meses encerrados em maio, de 1,74%.

O IBC-Br é uma forma de avaliar e antecipar a evolução da atividade econômica brasileira. O índice incorpora informações sobre o nível da atividade dos três setores da economia: indústria, comércio e serviços e agropecuária.

O acompanhamento do indicador é considerado importante pelo BC para que haja maior compreensão da atividade econômica.


quarta-feira, 10 de julho de 2013

O crepúsculo de Eike

Ao final de junho de 2013, começaram a surgir rumores de que as empresas de Eike não teriam condições de honrar seus compromissos com os credores e teria que renegociar dívidas de curto prazo. Isso gerou temor entre os investidores. As empresas negaram. 

A petroleira OGX começou a derreter na Bolsa de Valores após ter anunciado a suspensão de projetos. Bancos reduziram sua expectativa de preço para a ação, chegando a falar em R$ 0,10 por papel. Agências de risco cortaram a nota de crédito da empresa para níveis pré-calote, e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu investigar se se houve falhas na divulgação de informações sobre as reservas de petróleo da companhia.

 Os protestos populares que invadiram as ruas de todo o país podem dificultar um possível socorro do governo às empresas de Eike, segundo artigo do jornal britânico "Financial Times". A tese do jornal é de que, com o povo nas ruas clamando por ética na política, vai ser mais difícil o governo usar o dinheiro dos impostos para socorrer Eike se suas perdas persistirem.

Em meio à crise de confiança das empresas de Eike e ao derretimento das ações na Bolsa, a situação do bilionário virou motivo de piada nas redes sociais. Internautas criaram a hashtag #EikeGenteComoAGente e deram "dicas" para o empresário lidar com uma eventual pobreza.

Em meio à crise de confiança junto ao mercado, Eike deixa o cargo de presidente e membro do conselho de administração da empresa de energia MPX. O objetivo é tentar aliviar a pressão sobre a empresa, considerada uma das mais saudáveis do grupo EBX, ao lado da mineradora MMX. Com a saída do empresário, a MPX deve perder a letra "X" do nome

 Em meio à crise, o grupo EBX busca reestruturar-se. Isso inclui a venda de ativos ou até do controle da MPX (energia) e da MMX (mineração), as empresas mais saudáveis. Com esses recursos, o grupo deve pagar aos maiores credores. Se tudo der certo, o império do homem que chegou a ser o sétimo mais rico do mundo ficará praticamente reduzido a uma petroleira de médio porte e um porto ainda em construção.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Senado reduz recursos do petróleo para a educação, atendendo à vontade do governo

No fim da semana passada, o Senado alterou o projeto votado na semana passada na Câmara, que destina parte da renda do petróleo para educação, atendendo à vontade do governo.

Pelas projeções feitas pela Consultoria Técnica da Câmara do Deputados, calcula-se que em 2022 o projeto do Senado destinará para esta área social cerca de 0,35% do PIB, valor totalmente insuficiente para aumentar dos atuais 5% do PIB para 10% do PIB anuais investidos na educação.   Agora, o projeto volta à Câmara, que decidirá qual versão será aprovada. Ainda que se opte pela proposta da Câmara, seriam destinados, em 2022, apenas cerca de 1% do PIB para a educação.   

O Ministro da Educação Aloizio Mercadante confirmou que “o montante dos royalties não será suficiente para garantir o investimento de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) na educação, previstos no PNE 2011-2020 (Plano Nacional da Educação).” 

Produção industrial recua

Em maio, produção industrial recua em nove dos 14 locais pesquisados
Jornal do Brasil - 05/07 

A redução no ritmo da produção industrial nacional na passagem de abril para maio, série com ajuste sazonal, também foi observada em termos regionais, já que nove dos quatorze locais pesquisados tiveram quedas, segundo o IBGE. 

Os recuos mais intensos foram em São Paulo (-3,7%), parque industrial mais diversificado do país, e Santa Catarina (-2,5%), que tiveram altas no mês anterior: 1,1% e 0,1% respectivamente. Ceará (-1,9%), Rio de Janeiro (-0,8%), Região Nordeste (-0,6%), Pará (-0,4%), Espírito Santo (-0,3%), Amazonas (-0,2%) e Bahia (-0,1%) também mostraram taxas negativas, embora menos intensas que a média nacional (-2,0%). 

Por outro lado, Goiás (3,2%), mostrou o avanço mais acentuado, recuperando parte da perda (-4,7%) acumulada em março e abril. Os demais resultados positivos foram em Minas Gerais (1,1%), Paraná (0,9%), Rio Grande do Sul (0,7%) e Pernambuco (0,6%).

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Perdas milionárias dos trabalhadores com empresas de Eike

Investidores têm perdas milionárias com empresas de Eike
Prejuízo com ações das empresas X atingem fundo Postalis
Jornal do Brasil - 05/07

O midiático empresário Eike Batista, dono do grupo EBX, que controla diversas empresas cujas ações vêm derretendo no mercado de capitais, está impondo prejuízos milionários a vários investidores que embarcaram em seu sonho. O mais recente perdedor da praça é o fundo de pensão dos funcionários dos Correios, Postalis, que sente o gosto amargo de um déficit de R$ 985 milhões nos últimos dois anos. Uma parcela considerável desse valor é referente à liquefação dos investimentos nas empresas de Eike.

Novos lançamentos de livros e revistas marxistas

Resenhas dos últimos lançamentos de livros e revistas marxistas.
http://literaturamarxista.wordpress.com/

BOLETIM MENSAL - Nº23 - JULHO DE 2013

1. LIVROS


A ARTE NO MUNDO DOS HOMENS, de Celso Frederico

Marx e Engels não produziram um pensamento estético sistemático, mas estabeleceram as bases – e ofereceram material para – para a elaboração de uma estética a partir do materialismo histórico. Esta foi uma das principais tarefas que Lukács se colocou ao longo de toda sua vida. Celso Frederico, no livro A arte no mundo dos homens, analisa as tensões, contradições e possibilidades da empreitada lukácsiana no sentido de se pensar uma teoria estética.

Para mais informações, clique em:
http://literaturamarxista.wordpress.com/2013/06/09/a-arte-no-mundo-dos-homens/

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Mais pobres pagam a conta da ineficiência do transporte


O valor das passagens de ônibus subiu em nível 65% superior ao da inflação entre 2000 e 2012, acima do custo de automóveis particulares e da gasolina. Com isso, a demanda por transporte público registrou queda de 25%, em comparação com os anos 90, gerando um círculo vicioso que favorece, novamente, o aumento das tarifas. Para a parcela de famílias que corresponde aos 10% mais pobres do país, o impacto médio do gasto com transporte público na renda domiciliar é de 13,5%, enquanto a média total, que inclui famílias de todos os níveis de renda, é de 3,4%. No primeiro semestre, o Brasil registrou recorde de vendas e de produção de automóveis novos.

Para a parcela de famílias que corresponde aos 10% mais pobres do país, o impacto médio do gasto com transporte público na renda domiciliar é de 13,5%, enquanto a média total, que inclui famílias de todos os níveis de renda, é de 3,4%. A informação consta da nota técnica Tarifação e financiamento do transporte público urbano, divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta quinta-feira.

Andar de carro fica mais barato que de ônibus nos últimos 12 anos

Portal R7, 04/07/2013

Transporte público sobe acima da inflação, mas o mesmo não ocorre com veículo próprio

Usuários do transporte privado (carro ou moto) têm tido menos gastos do que quem precisa do transporte público nos últimos 12 anos, conclui o estudo “Tarifação e financiamento do transporte público urbano”, realizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e divulgado nesta quinta-feira (4). 

Os aumentos das tarifas de ônibus, metrô e trem têm ocorrido acima da inflação, enquanto o cenário oposto é observado nos custos com veículo próprio. 

Enquanto a inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), teve alta de 125% no período de janeiro 2000 a dezembro 2012, o índice de aumento das tarifas dos ônibus teve alta de 192%. Esse encarecimento foi, portanto, 67 pontos percentuais acima da inflação. 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Bndes diz ter emprestado R$ 10,4 bilhões a Eike Batista

Em meio ao derretimento do preço de mercado nas bolsas de valores das empresas do Grupo EBX controlada pelo bilionário Eike Batista o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) divulgou que tem mais de R$ 10,4 bilhões empacado no grupo. O banco de fomento informou que tem a emprestado soma R$ 10,4 bilhões às empresas do Grupo EBX.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Prefeituras anunciam mais subsídios para passagem. Custo é um mistério

por Almir Cezar

No mês de junho centenas de municípios subiram o valor das passagens do transporte público, mas,  em série, as tarifas voltaram atrás, após as manifestações populares contrárias ao aumento. As prefeituras ainda não sabem de onde tirarão os milhões de reais por mês para custear a volta do valor. Somente a isenção de impostos para o setor não é suficiente para a medida. Uma saída que está sendo analisada é dar subsídio direto às empresas. Contudo, a medida esbarra nos problemas de caixa que os municípios brasileiros vêm passando.  No entanto, não informam o quanto é pago às empresas, e o cálculo do custo das passagens.

Custo misterioso

Algumas cidades no passado recente criaram fundos municipais de Transportes, do qual é previsto retirar mensalmente o pagamento, feito às operadoras de ônibus, das gratuidades. Hoje, em muitos casos, até 70% da gratuidade é subsidiada. Porém, os municípios não informam o quanto total é pago às empresas. Contudo, sem caixa para mais subsídios e isenções, uma solução anunciadas por algumas prefeituras seria retirar recursos da Dívida Ativa municipal, mandando para leilão imóveis com impostos atrasados. Projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional fixam a isenção total de vários impostos federais. Há também propostas de lei de abatimento na dívida do município com o Tesouro Nacional dos recursos com subsídio à gratuidade e redução nas tarifas.

Por sua vez, o cálculo do custo da tarifa de ônibus é um mistério. Em algumas cidades sabe-se que os valores são negociados com os sindicatos ou diretamente entre prefeitura e empresários. Algumas câmaras de vereadores instalaram Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPI), contudo, dominadas pelas respectivas bancadas governistas. Desde a semana passada vários veículos da grande impressa sem retorno pedem acesso a planilhas de custo usadas pelos municípios para determinar o valor das passagens. 

terça-feira, 2 de julho de 2013

Governo terá que escolher entre as ruas ou mercados. Medo de inflação e meta fiscal limitam concessões às ruas


Enquanto milhares de pessoas ocupam as ruas para pedir melhores serviços de saúde e educação e exigir uma redução das tarifas de transporte público. O mercado financeiro, do outro lado, cobra do governo o cumprimento de metas fiscais e mais rigidez no controle da inflação. A situação cria um intrincado dilema econômico que será um dos grandes desafios do governo Dilma Rousseff no caminho até as eleições de 2014. Embora o ministro Guido Mantega prometa que não haverá cortes de investimento públicos e respeito a meta fiscal e de inflação, os protesto em Brasília exigem mais gastos para saúde, educação e transporte, os quais os mercados competem em recursos.

Segundo economistas-chefes de grandes bancos ouvidos pela grande mídia, temos pressões que a princípio são contraditórias sobre a questão fiscal, embora haja uma convergência na demanda pelo controle da inflação.  A pressão para um enxugamento dos gastos do governo e temores de uma aceleração dos preços de fato limitam as concessões que o governo pode fazer no curto prazo.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

10 anos de governos do PT em treze ensaios

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O marxismo21, blog que divulga a produção marxista no Brasil, publica em sua página inicial o Dossiê  “10 anos de governos do PT”. Treze ensaios – que têm três autores desta lista - discutem a natureza de classes e a relação dos governos petistas com a política neoliberal. Outras matérias (artigos, livros, tese e vídeos) sobre o assunto são divulgadas. Com este Dossiê, marxismo21 inova ao dedicar a página inicial do blog ao debate de uma problemática de ordem conjuntural.

sábado, 29 de junho de 2013

Jornalismo econômico e mídia

No mês junho o Jornal dos Economistas, periódico de responsabilidade do Conselho Regional dos Economistas do Rio de Janeiro lançou edição com um bloco temático especial sobre "jornalismo econômico e mídia", com artigos de Paulo Henrique Amorim, Andre Modenesi, Gisa Rodrigues, Nilton Viana e Pedro Silva Barros e entrevista com Vito Giannotti, que versam sobre a qualidade do jornalismo econômico e a estrutura do setor de mídia.

Na abertura do bloco temático, um ácido artigo de Paulo Henrique  Amorim desnuda a baixa qualidade do jornalismo de economia praticado no Brasil pela grande imprensa, numa visão de quem já foi comentarista de economia da TV Globo e outros veículos. 

Vito Giannotti, um especialista em comunicação alternativa com mais de 25 livros publicados, é o entrevistado da edição. Ele afirma que o jornalismo econômico cumpre um papel na criação do pensamento único neoliberal e que a mídia no Brasil é extremamente concentrada nas mãos de  poucas famílias pertencentes à classe dominante.

Na sequência, artigo de Andre Modenesi, professor do IE/UFRJ, aponta que a relação entre os juros e a inflação, apresentada pelos meios de comunicação como uma lei incontestável da Economia, se dá por intermédio de uma longa cadeia de eventos que a torna muito precária.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

A União tem os R$ 115 bi para atender os manifestantes em saúde, educação e mobilidade

Recursos adicionais até 2020 existem, bastam vir dos juros, superávit e desonerações

Mobilizações exigem  mais saúde, educação e transporte 
por Almir Cezar

A grande mídia, em seu habitual fiscalismo, ataca que para atender às demandas dos manifestantes por todo o país serão usados em projetos nas áreas de saúde, educação e mobilidade urbana, a União gastaria em recursos a enorme quantia de R$ 115 bilhões até 2020. Ao apresentar esses números, o jornal Valor Econômico na verdade, tendenciosamente, questiona da onde a União retiraria esses recursos para cobrir esses valores, e se adotado afetaria o "rigor orçamentário".

Contudo, tomados como verdadeiros esse montante, ao analisarmos o orçamento da União, verifica-se que apenas em 2013 há recursos suficientes para arcar com esses despesas adicionais. Tanto no pagamento dos juros da dívida pública, que neste ano consumirá mais 8 vezes desse valor estimado pelo Valor Econômico. Como no superávit primário, que o governo programa poupar a mais do previsto no orçamento geral da União para juros, de 93% do montante de gastos adicionais na saúde, educação e mobilidade para os próximos 6 anos. Por sua vez, apenas nos últimos cinco meses, as desonerações liberadas pela equipe econômica, mesmo com baixo resultado em aquecer a economia, somam R$ 9,134 bilhões, quase três vezes mais que o orçamento liberado para o ano todo com o desenvolvimento agrário (R$ 3,5 bi).

A grande mídia, em detrimento do povo das ruas, que justamente a denuncia e rechaça, fica ao lado de seus financiadores e anunciantes - banqueiros, megaempresários e multinacionais -, que se beneficiam com os juros e desonerações, que rivalizam com os gastos adicionais em saúde, educação e mobilidade urbana que o povo exige.

O Petróleo garante os 10% do PIB para a educação?

Portanto, mesmo com valores superestimados, verifica-se que somente em 2019 haverá o aporte de recursos em valor maior que 0,4% do PIB para a educação. Ou seja: nos próximos 7 anos, a educação receberá valores irrisórios, o que não condiz com a voz das ruas, que pedem a melhoria imediata desta importante área social.

As verdadeiras discussões que deveriam estar sendo feitas não estão no PL: (a) para onde vai a maior parte da riqueza do petróleo (para as petroleiras transnacionais); e (b) para onde vai a maior parte do orçamento federal: o pagamento da questionável dívida pública, que consome, por ano, 17% do PIB, ou seja, mais que o triplo do necessário para elevar de 5% para 10% do PIB o investimento em educação.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Na contramão: Povo quer mais gastos públicos, Dilma propõe aperto fiscal em pacto

por Almir Cezar

Para as principais reivindicações que brotam das ruas serem implementadas é preciso forte aumento dos gastos públicos.  A presidenta Dilma acena em sua proposta de "pacto nacional" anunciada nos últimos dias com o aumento de recursos públicos para o setor de transportes – ainda que sem citar qualquer fonte de financiamento. Contudo, ao mesmo tempo, Dilma apontou o compromisso com o aperto fiscal como o primeiro ponto do pacto que propôs ao país.

Por sua vez, apenas nos últimos cinco meses, as desonerações liberadas pela equipe econômica somam R$ 9,134 bilhões, quase três vezes mais que o orçamento com reforma agrária (R$ 3,5 bi) para o ano todo. Desse total, 48,5% (R$ 4,43 bilhões) têm origem na redução de encargos sobre a folha de pagamento, que já é quase duas vezes maior do que a renúncia fiscal oriunda da Cide (R$ 2,23 bilhões), imposto criado para financiar transporte público e a manutenção de rodovias.

Apesar disso, segundo o próprio Banco Central, a economia só deve crescer 2,7% esse ano. De acordo com os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que calcula o PIB, a economia brasileira cresceu 0,6% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao último trimestre de 2012. Na comparação com o primeiro trimestre de 2012, o PIB brasileiro teve crescimento de 1,9%. No acumulado dos 12 meses, a economia apresentou um crescimento de 1,2%.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Mesa Redonda "A Voz das Ruas"

O CEMARX convida para a mesa redonda "A voz das ruas". O evento que o Cemarx -  organizou para debater as manifestações que estão ocorrendo no Brasil nas últimas semanas.

Mesa Redonda: "A Voz das Ruas"
Data: 26/06/2013
Local do evento: Auditório II - IFCH/Unicamp
Horário: 19h30

Com:
Ligia Carrasco - (Assembleia Nacional de Estudantes - Livre/ ANEL)

Octávio Del Passo - (Levante Popular da Juventude)

Marcelo Ridenti - (Professor do Departamento de Sociologia da Unicamp)

Armando Boito Jr.  - (Professor do Departamento de Ciência Política da Unicamp)


Organização: Centro de Estudos Marxistas (Cemarx)
Apoio: Secretaria de Eventos do IFCH

terça-feira, 25 de junho de 2013

As manifestações de massa e o aparecimento público do fascismo

por Carlos Serrano Ferreira

Há um só amplo consenso político sobre as manifestações que se espalharam por todo o Brasil: elas pegaram de surpresa todos os campos políticos. Outra análise que, se não é consensual é majoritária, aponta – com valorações distintas, sejam positivas ou negativas – para o divórcio crescente entre a institucionalidade democrática burguesa e as massas brasileiras, que se materializam na rejeição ao sistema partidário. Para além disso, essas manifestações demonstraram a existência, até então desconhecida, de um campo fascista bastante organizado em nível nacional.

Desde o início do primeiro governo Lula foram se definindo com clareza quatro campos políticos. Do lado burguês colocavam-se dois campos e do lado popular outros dois. É claro que os limites entre os campos variaram ao longo do tempo.

Como primeiro campo da classe dominante está a direita clássica, organizada em torno à oposição de direita ao governo (PSDB, DEM e outros) e tendo como órgãos oficiais a Veja, a Rede Globo e a Rede Bandeirantes (entre outros), de cunho abertamente neoliberal e conservador.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Theotonio dos Santos fala sobre integração na América Latina

Em entrevista, Theotonio dos Santos avalia os processos de integração na América Latina, fala sobre a relação com a China e alerta para a ameaça da Aliança do Pacífico

Agencia Latinoamericana de Información - ALAI (17/06/2013)
Osvaldo León,

No ato de abertura do VIII Fórum da Associação Mundial de Economia Política, no final de maio deste ano, o cientista social brasileiro Theotonio dos Santos foi homenageado com o Prêmio Economista Marxista 2013, que esta entidade outorga desde o ano de 2011, como reconhecimento de sua extensa produção intelectual, que tem como um dos eixos a “Teoria da Dependência”, tendo em vista que participou na sustentação inicial dela.

Formado em economia, sociologia e ciência política, este professor emérito, da Universidade Federal Fluminense e coordenador da Cátedra e Rede UNESCO-ONU de Economia Global e Desenvolvimento Sustentável (Reggen), participou da Conferência da União de Nações Sul-Americanas sobre “Recursos Naturais para um Desenvolvimento Integral da Região”, realizada entre 27 e 30 de maio, que ocorreu em Caracas, Venezuela, onde aconteceu a entrevista que se segue.

A entrevista é de Osvaldo León, publicada pela Agencia Latinoamericana de Información e traduzida pelo Cepat.

(Osvaldo León) Nos últimos dias do mês de março, você esteve na China, atendendo aos convites da Academia Chinesa de Ciências Sociais, e na de Xangai. O que você pode nos dizer sobre as expectativas desse país em relação à América Latina?

(Theotonio dos Santos) A China tem um interesse muito grande pela América Latina porque é uma fonte de matérias-primas, o que para ela é fundamental. Nos anos 1990, também buscaram estabelecer acordos de cooperação tecnológica, especialmente com o Brasil. Entre 1994 e 1995, finalmente se concretizou um na questão espacial, mas o Brasil não cumpriu grande parte do acordo. A China neste campo conseguiu um desenvolvimento colossal, enquanto que o Brasil não conseguiu enviar nenhum foguete ao espaço. Então, esta cooperação não avançou muito. Agora, eles pensam muito na América Latina para chegarem a acordos regionais e já propuseram uma reunião regional...

sexta-feira, 21 de junho de 2013

"Nós. Quem somos 'nós'. Quem são 'os outros' ?

por Rodrigo Souza

Este é um título de um ensaio de Immanuel Wallerstein. E é um bom mote para convidar os amigos e amigas a refletir sobre o momento histórico expresso nas manifestações pelo Brasil.

Perpassando nossa leitura das manifestações, passamos por caminhos do cômico, do estimulante e do preocupante. Às vezes misturado.

Vem em primeiro a indagação quanto ao que se pode conseguir no curto prazo. Mas a atenção verdadeira deve ser com os efeitos no médio e longo.

No curto, teremos: - alguns recuos nos aumentos de passagem. Mais importante, pressões contra as mancomunações das empresas com os políticos, em prol de mecanismos mais transparentes de regulação e operação do transporte coletivo. Quiça se isto estimular melhor qualidade para aumentar o uso coletivo.
- Maiores dificuldades para o congresso aprovar a PEC 37 e a “Cura Gay”, ou mesmo derrubá-las. Não se sabe o efeito sobre o Estatuto do Salazarismo ( com o truque de chamá-lo “do Nascituro”).
- Pressão efetiva para que fique mais difícil postergar ou driblar maiores investimentos percentuais na saúde e educação.
- Não há nada claro sobre algum efeito quanto a corrupção. Coisas como “não gosto dos corruptos” não quer dizer nada. Não vemos pressões efetivas para tratar dos mecanismos de financiamento de campanha, presença de lobbistas ou o sistema de emendas parlamentares orçamentárias. No máximo, maior constrangimento de alguns dos maestros da corrupção, afora algo que tantos esquecem: os corruptores.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Tarifa zero é possível

 A chave para um transporte público, gratuito e de boa qualidade 
são as planilhas de custos e o orçamento público
por Almir Cezar 

Assustado com os protestos, prefeito de São Paulo Fernando Haddad, anunciou suspender reajuste no preço das passagens, porém, ainda mantém o discurso fiscalista, e insiste em que o aumento do subsídio às tarifas de transporte urbano deveria compensado. Contudo, essa Prefeitura destina R$ 3 bi/ano a gasto financeiro, esse gasto com juro é 60% do passe livre. 

Porém, o problema do preço da passagem não está no baixo subsídio, mas em reajustes acima da inflação, mantendo ou ampliando a margem de lucro dos empresários rodoviários. No Rio passagem corrigida pelos custos, custaria R$ 2, e não R$ 2,75 tanto pela inflação, como pela qualidade do serviço. 

Por sua vez, gastos de R$ 7 bilhões com estádios seriam suficiente para executar projetos de 1,4 mil km de ferrovias, e apenas a diferença entre o orçamento inicial das arenas e a despesa final, daria para ampliar enormemente a rede de metrô nessas cidades.

Portanto, um transporte público, gratuito e de boa qualidade é possível

Haddad e Alckimin voltam atrás
A pressão sobre o prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin aumentou depois que governos de várias cidades do país reduziram os preços das passagens. Várias cidades já haviam anunciado a redução de norte a sul do país: Blumenau (SC), João Pessoa (PB), Foz do Iguaçu e Curitiba (PR), Recife (PE), Cuiabá (MT), Porto Alegre e Pelotas (RS).

Apesar de revogar o aumento no valor na passagem, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad,com o discurso fiscalista, ainda alega que os usuários paulistanos arcam com 70% dos custos do sistema, sendo o restante dividido entre poder público (20%) e empresários (10%), e portanto seria compensado ou com aumento nos impostos ou redução dos gastos em outros serviços públicos.

O apartidarismo é um discurso vazio e faz coro com o discurso da direita. Trabalhadores, uni-vos!

texto enviado por Liliane Cirino, de Uberlândia

O apartidarismo é um discurso vazio e faz coro com o discurso da direita na política, já que a direita não precisa colocar sua bandeira no movimento, pois eles já estão no poder e no governo. O próprio Fernando Henrique Cardoso (PSDB) defendeu o apartidarismo numa entrevista na imprensa quando falava dos atuais movimentos contra o aumento do passe de ônibus coletivo. 

Temos que reavivar nossa história e lembrar que durante a Ditadura Militar no Brasil os partidos políticos de esquerda foram proibidos de se manifestar nas ruas. Proibidos de manifestar suas opiniões em público, de levar suas bandeiras, foram torturados, perseguidos, demitidos, desaparecidos, exilados e o unipartidarismo foi colocado em prática com os militares e seu partido, já que, aqueles que proibiam a manifestação dos partidos de esquerda tinham partido (ARENA). 

Naquele período de Ditadura Militar, todos que lutavam contra esse mal maior (Ditadura) faziam coro de pluripartidarismo e pelas “Diretas Já”, pois isso representava a democracia naquele momento. O apartidarismo esconde um discurso fascista. O mesmo discurso que vigora com o Feliciano ao aprovar a “cura gay”.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

“ 'Novo' sindicalismo no Brasil – histórico de uma desconstrução”, uma análise necessária nesse novo momento do Brasil

Em meio a onda de mobilizações que varre o Brasil, em que os manifestantes até mesmo criticam os velhos aparatos organizativos da classe trabalhadora, é preciso analisar cientificamente como ocorreu a degeneração desses importantes instrumentos das últimas 3 décadas, como a CUT, UNE, MST, a partir de como era sua dinâmica interna. Assim, é pertinente o lançamento  do livro “Novo sindicalismo no Brasil – histórico de uma desconstrução”, de Teones Pimenta de França (editora Cortez), que busca através da análise, essencialmente, sobre as visões de algumas correntes internas à CUT nos anos 1988-2000 (Articulação, Cut Pela Base/ASS, Corrente Sindical Classista e Convergência/MTS) desconstruir a propalada crise do sindicalismo que surgiu em fins da década de setenta do século passado se autointitulando como “novo”. 

Assim, procura-se observar como esse sindicalismo transmuta-se de uma postura crítica ao capital e ao Estado em seu nascedouro para uma postura conformada diante de ambos a partir da chegada ao Brasil das recentes transformações na produção, após Collor, e da sua gradativa institucionalização à ordem vigente. Nesse retorno ao nosso passado recente conseguimos verificar a formação de certas propostas políticas que serão colocadas em prática pelo Executivo brasileiro nos últimos dez anos de governo petista.

Seguem abaixo a orelha e apresentação do livro escritas, respectivamente, pelos professores Marcelo Badaró e Ricardo Antunes.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Anarquismo x Comunismo, pelo economista bolchevique E. Preobrazhenski

Lênin x Bakunin: intelectuais centrais do Comunismo
e do Anarquismo.  Lênin, líder dos bolcheviques, um movi-
mento marxista russo. Bakunin, intelectual contemporâneo
de Marx e Engels, referência dos anarquistas russos.
Estamos em um momento histórico no Brasil e no mundo que é preciso tomar posição ideológica - o neoliberalismo se desmorona, as massas populares rompem com a socialdemocracia, o Socialismo se torna vislumbrável. Porém, nos vemos numa "encruzilhada" de correntes alternativas aos programas políticos da burguesia e da social-democracia, os Comunistas e os Anarquistas.

O discurso “apartidário” minoritário, mas frequente pelas recentes marchas pelas cidades brasileiras, tem ajudado os setores ligados ao anarquismo a se fortalecer em algumas mobilizações. Infelizmente esse novo anarquismo não tem relação com a honrada tradição anarquista do  fim do século XIX e início do XX. O novo anarquismo é burocrático e autoritário no trato com as entidades e organizações partidárias da classe trabalhadora. Nas passeatas e atos, em vez do enfrentamento com a polícia, alguns setores anarquistas preferem o enfrentamento com os ativistas que carregam bandeiras de partidos. Não raros são os casos de aliança desses setores com a direita “apartidária, não apenas nas marchas, mas também no cotidiano político nas entidades estudantis e sindicais.

Sugerimos aos companheiros leitores do blog um livro (infelizmente em espanhol), gratuito na internet, escrita pelo economista bolchevique Evgene Preobrazhenski, Anarquismo e Comunismo,  escrito em 1921 bem no calor dos enfrentamentos entre os comunistas e anarquistas pelo comando e rumos da Revolução Russa.  Em meio as polêmicas surgidas em torno à Revolta de Kronstadt, o livro polemiza com o movimento anarquista sobre transição ao socialismo.

domingo, 16 de junho de 2013

Falência do transporte: tarifas 2,2 vezes maior que a inflação e pior avaliação desde 1987

Infográfico: Folha de São Paulo (16/03/2013)
No país, ao menos dez grandes cidades já tiveram protestos de rua ou embates por causa do aumento das tarifas neste ano. Tarifa de ônibus subiu 2,2 vezes acima do IPCA, se fosse corrigida pela inflação do real, passagem de ônibus em São Paulo custaria R$2,16. Alto preço e péssima qualidade, a avaliação do transporte público de SP é a pior desde 87, diz Datafolha,  e os ônibus são o meio de transporte com pior avaliação - recebe 54% de ruim ou péssimo, apesar de ser o meio utilizado com maior frequência na cidade.

As manifestações, partidas de lideranças estudantis, mas que ganharam força espontaneamente pelas redes sociais, porém, duramente reprimido pela PM, não são apenas para impedir o reajuste das passagens de ônibus. Denunciam também a promiscuidade entre o poder público e as empresas, que são financiadoras de campanhas políticas, e também mostrar que o passe livre não é uma utopia, pois o transporte é obrigação do Estado e não um direito de poucos.

Nos países desenvolvidos, o transporte público é subsidiado e, no Brasil, a Lei da Mobilidade Urbana já prevê subsídios para o setor.  Por sua vez, em Goiânia e em Porto Alegre, em meio aos protestos e questionamentos, a Justiça acabou determinando que as tarifas voltassem ao valor pré-reajuste.

Desde o Plano Real, em julho de 1994, os preços dos transportes têm sido reajustados acima da média da inflação. Entre 1994 e 2013, a inflação calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) totaliza 332%. Já o reajuste das passagens no mesmo período atinge 742%. Quando o Real foi implantada a passagem de ônibus em São Paulo custava R$ 0,50 e hoje estaria em R$ 2,16, se fosse reajustada pelo IPCA, e não R$ 3,20, valor em vigor este mês.

De acordo com a São Paulo Transporte (SPTrans) – empresa municipal responsável pelo setor – os paulistanos gastaram em 2012 R$ 4,51 bilhões com as tarifas de ônibus municipais, valor superior ao PIB de cidades médias do Interior do estado, como Araçatuba ou Marília. Já o subsídio oferecido às empresas chegou a R$ 1,250 bilhão ano passado. Em 2012, foram desembolsados R$ 953 milhões pela Prefeitura da capital paulista.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Alckmin e Haddad aumentam ataques e trabalhadores respondem com greves e manifestações

Nota da CSP-Conlutas/SP: Alckmin e Haddad aumentam ataques e trabalhadores respondem com greves e manifestações

Nota da CSP-Conlutas/SP: 

Alckmin e Haddad aumentam ataques e trabalhadores respondem com greves e manifestações

Nesta quinta-feira (13) a cidade de São Paulo deverá ser agitada novamente pelas manifestações populares e greves de trabalhadores de um lado e a polícia de outro. A política do governo Alckmin é de reprimir com violência as manifestações e a imprensa divulga imagens com manipulação das informações, afirmando que a cidade está sendo destruída [...]

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Aumento na passagem de ônibus: lucros dos empresários acima da inflação e repressão às manifestações

por Almir Cezar *

Gráfico 1: Evolução das tarifas de metrô e ônibus em SP
desde 1994 em comparação a inflação (índice IPCA).
Uma onda de protestos contra o aumento das passagens de ônibus colocou em xeque as tarifas no Brasil: aumentos e a repressão acontecem porque o central é a necessidade de preservar os altos lucros das empresas de ônibus, e é isso possível porque os empresários são poderosos junto aos políticos e governos.

Há algumas semanas a Justiça diante de manifestações concedeu uma liminar que revogou o reajuste na cidade em Porto Alegre. Agora, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia anunciaram aumentos em suas passagens de transporte público.  No Rio de Janeiro, a tarifa subiu de R$ 2,75 para R$ 2,95. Mas o epicentro do momento é a cidade de São Paulo. O preço das tarifas de ônibus e metrô de São Paulo chegaram ao patamar de R$ 3,20 neste mês de junho, mas segundo as autoridades "abaixo da inflação".

Em meio às manifestações populares e o temor do impacto na inflação, o governo federal isentou as empresas de transporte público de dois tributos, o PIS e o Cofins, com objetivo de facilitar a queda dos preços das passagens. Os impostos zerados levaram Manaus, Campinas e Londrina a baixar a tarifa, mas algumas prefeituras ainda aumentaram o valor das passagens, como Rio e São Paulo. O Ministério Público apresentou proposta de suspender por 45 dias o reajuste, prontamente descartada pelo governador paulista Geraldo Alckmin, que prefere defender a ação da Polícia Militar de SP e criticar os manifestantes.

Por sua vez, segundo a prefeitura, caso fosse feito o reajuste com base na inflação acumulada no período, o valor chegaria a R$ 3,40. "O reajuste abaixo da inflação é um esforço da prefeitura para não onerar em excesso os passageiros", disse. Porém, ao longo dos anos, os reajustes nem sempre seguiram a inflação acumulada, o que gerou um “falso” valor da tarifa do transporte.

Apesar do argumento da prefeitura há uma grande discrepância entre os aumentos das tarifas em São Paulo, de acordo com a variação do índice IPCA da inflação (veja o gráfico 1).  Com uma inflação acumulada em 332%, a tarifa de ônibus deveria custar R$ 2,16 e do metrô, R$ 2,59, enquanto que os salários da maior parte da população não acompanharam a inflação.