sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Dia 10 de agosto é marcado por protestos e atividades

Dia Nacional de Luta, 10 de agosto, é marcado por protestos e atividades em diversas cidades

www.conlutas.org.br

A CSP-CONLUTAS deu a largada para a jornada de lutas do 2º semestre. Panfletagens, debates, assembléias, protestos foram organizados em diversas cidades. Acompanhe as atividades que ja foram informadas para a Central. Hoje, durante todo o dia, atualizaremos as notícias das atividades e protestos ocorridos em todo o país

Rio de Janeiro - Servidores estaduais da Justiça, trabalhadores comerciários de Nova Iguaçu, metroviários e trabalhadores da oposição à direção do Sindicato dos Bancários RJ realizaram panfletagens pela cidade reivindicando suas pautas especificas.

Os judiciários estaduais panfletaram em frente ao Palácio da Justiça cobrando do Governo Cabral (PMDB) a reposição das perdas no valor de 24% de reajuste. Os comerciários de Nova Iguaçu também fizeram panfletagem, como parte das atividades da campanha salarial e denunciaram a criminalização da pobreza.
Os bancários do Rio protestaram contra o assédio moral dentro dos bancos e fizeram o lançamento da campanha salarial. Os metroviários realizaram panfletagem em Copacabana exigindo a manutenção do vale-refeição, pois a empresa não efetuou o pagamento, além de exigirem a reestatização dos transportes públicos. Estes trabalhadores querem também fechar o Acordo Coletivo este que está congelado há três anos.

Petroleiros do Sindpetro-RJ realizaram mobilizações em várias unidades preparando a luta da campanha salarial. Trabalhadores do Correios realizaram neste dia assembléia, às 18h, para lutar por aumento do valor da Participação de Lucros e Resultados (PLR).

Professores da Associação Docentes Universidade Federal Fluminense (Aduff) e da Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federação do Rio de Janeiro (Adufrj) realizaram aulas inaugurais com as bandeiras de luta votadas no CONCLAT e 1ª reunião da Coordenação Nacional da CSP-CONLUTAS.

São Paulo - Em São José dos Campos, uma grande assembleia foi realizada por cerca de quatro mil metalúrgicos da General Motors, onde aprovaram a pauta da Campanha Salarial. O movimento popular fez uma passeata nas ruas da Zona Sul da cidade.

Os metalúrgicos da GM atrasaram a produção por 1h20, durante a assembleia, e reivindicam 17,45% de reajuste salarial, redução de jornada para 36 horas sem redução de salário, equiparação salarial, piso de acordo com Dieese, creche, licença-maternidade de 180 dias e direito à organização no local de trabalho. A categoria tem data-base em agosto e setembro.

Os moradores da Ocupação Pinheirinho realizaram uma passeata com cerca de 600 pessoas, com bandeiras em defesa do direito à moradia.

A Marcha organizada Movimento Urbano Sem Teto (MUST) e CSP-CONLUTAS, abordou o eixos da campanha contra a criminalização dos movimentos sociais e contra os despejos. Durante o trajeto foi distribuído um informe à população sobre a conquista da regulamentação do Pinheirinho.

Houve também a participação do Sindicato dos servidores de Jacareí, Sindicatos dos Correios de SjC, SindmetalSJC e Associação Democrática dos Aposentados e Pensionistas (Admap).

São Paulo (capital) - Os paulistas que passavam apressados pela Praça da Sé (SP), nesta terça-feira (10) desaceleraram o passo para receber o panfleto que foi distribuido desde às 15h em frente ao metrô da Sé, com as bandeiras de luta que serão levantadas neste 2° semestre.

O tempo nublado e o frio da terra da garoa, foi pano de fundo para o ato que contou também com falações de integrantes da CSP-CONLUTAS, do Sindicato dos trabalhadores da USP (Sintusp), Municipais de Guarulhos, Oposição dos Correios entre outras entidades que alertavam aos passantes sobre os eixos da campanha.

Às 19h foi realizado um debate sobre a criminalização dos movimentos sociais, na sede da Apeosp.

Goiânia (GO) - Em Goiás, o 10 de agosto foi marcado com uma paralisação de 24 horas dos trabalhadores da Companhia de Energia de Goiás (CELG). Cerca de 400 trabalhadores cruzaram os braços e foram às ruas e levantaram as bandeiras por aumento real de salários e contra a privatização da empresa.

Uma passeata, que se dirigiu ao Palácio do Governo contou a participação de cerca de 800 pessoas. Uma comissão foi formada para negociar com as autoridades as reivindicações da categoria.

Belém (PA) - Paralisações de duas horas nas principais obras da construção civil da cidade. Essa foi a principal atividade na capital paraense, que contou com o apoio de vários ativistas do movimento sindical e também estudantes. Ao mesmo tempo, membros da oposição urbanitária realizaram uma panfletagem em frente à companhia de saneamento (ameaçada de privatização).

Às 9h aconteceu um ato na Praça do Operário (centro) que contou com a presença de integrantes do Movimento Terra e liberdade, ANEL e vários outros ativistas. Entre as principais bandeiras estiveram a defesa dos serviços públicos e direitos sociais denunciando o Projeto de Lei das Organizações Sociais Privadas (OSPs) enviado pelo prefeito de Belém que visa passar para a iniciativa privada vários serviços da prefeitura.

Natal (RN) - Trabalhadores do movimento sindical e popular de Natal não ficaram de fora deste dia Nacional de Luta. Estes setores realizaram um ato público, em frente à Câmara Municipal da cidade.

O Ato teve início às 9h com o grupo Preá com Melancia, que animou a manifestação com um forró apimentado de críticas às políticas do governo Lula e da prefeita de Natal, Micarla de Souza (PV). Durante toda a manhã, representantes do movimento sindical, popular e estudantil protestaram diante da Câmara de Vereadores.

A CSP-CONLUTAS RN particpa do plebiscito popular pelo limite da propriedade da terra.

Na parte da tarde foram realizados atos específicos pelos sindicatos, oposições, estudantes e diversos movimentos populares. Os servidores federais participaram de uma assembleia geral, no SINTSEF/RN, para debater sobre as consequências da atual situação nacional e internacional, além de encaminhamentos políticos e financeiros específicos de diversos setores da categoria.

Os bancários realizaram atos públicos, às 15h, em frente ao Banco do Brasil/Centro, e às 16h, em frente ao Bradesco/Alecrim. Às 18h a categoria participou de uma assembleia geral na sede do sindicato para discutir campanha salarial.

Campina Grande (PB) - Na Paraíba, tendo Campina Grande como o grande centro dos protestos, os servidores municipais, que estão em greve desde o dia 14 de junho, realizaram manifestações. Logo pela manhã centenas de trabalhadores e trabalhadoras da saúde, educação e limpeza pública participaram de uma assembléia e em seguida saíram em passeata pelas principais ruas da cidade. Após o ato ocuparam o prédio da Secretaria Municipal de Finanças e, diante da intransigência do prefeito, decidiram só se retirar do prédio depois de uma negociação.

Durante a passeata os trabalhadores ainda se solidarizaram com os oficiais de justiça estaduais em greve a mais de 40 dias que estavam realizando um ato na Praça da Bandeira, local central da cidade. Militantes do MST também da atividade.

Houve assembleia dos professores da Universidade Federal de Campina Grande. Os trabalhadores dos Correios, na parte da noite, também realizaram assembleia e foi aprovado por ampla maioria o estado de greve na categoria e seu indicativo para o próximo mês.

As bandeiras de luta da CSP-CONLUTAS:

- Aumento real de salários,
- Redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais sem redução de salários,
- Pela derrubada do veto de Lula ao fim do fator previdenciário,
- Em defesa dos serviços públicos e direitos sociais da população,
- Não à criminalização e à violência policial contra os movimentos sociais,
- Pelo pleno direito de greve,
- Por terra, trabalho e moradia.

Com informações das regionais da CSP-CONLUTAS

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Até ONU alerta que crescimento do PIB não reduz desigualdades sociais

A dependência econômica e a desigualdade social se mantêm apesar do crescimento do PIB

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SÓ CRESCIMENTO NÃO GARANTE MELHORIAS À POPULAÇÃO

Monitor Mercantil online, 09/08/2010

Muito além do PIB

ONU alerta para necessidade de também haver redução das desigualdades sociais


O crescimento do produto interno bruto (PIB) não é garantia de melhoria das condições de vida das populações dos países. A advertência é de Flávio Comin, economista-sênior do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (Pnud/ONU), para quem o PIB não é o indicador ideal para medir o desenvolvimento humano.

Eles fez as afirmações ao comenta a previsão do banco Goldman Sachs, de que, nos próximos dez anos, o Bric (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China), puxado pelo que o banco classifica de "nova classe média" terá um PIB total de US$ 37 trilhões. E, até 2050, todos países que compõem o grupo estariam entre as cinco maiores economias do mundo, ao lado dos Estados Unidos.

"O desafio é transferir esse ganho no poder de consumo para itens como Educação e Saúde. Essa é uma questão pendente no atual modelo de desenvolvimento no Bric", disse Comin, lembrando que a desigualdade tem aumentado em países como Índia e China.

Já o Goldman Sachs projeta que, nos próximos 20 anos, a China assumirá o posto de maior economia global, porém com o 49º maior PIB per capita do mundo. O Brasil, por sua vez, seria a quinta maior economia do mundo em 2030, mas com o modesto 47º PIB per capita

Comin, que é coordenador do Relatório de Desenvolvimento Humano do Brasil (RDH), disse ao MM que a próxima edição do relatório, cujo texto final ficará pronto em novembro, contemplará um novo indicador: o Índice de Valores Humanos (IVH), extraído de consultas junto a 500 mil cidadãos e de debates em diversas universidades.

Nas entrevistas, a população manifestou preocupação com a qualidade da Educação e das políticas públicas de inclusão: "Não se constrói indicadores de desenvolvimento humano de cima para baixo", frisou.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Entrevista de Theotonio dos Santos ao CORECON-RJ

Abaixo disponibilizamos o vídeo da entrevista do Prof. Theotonio dos Santos ao Conselho de Economistas do Rio de Janeiro (CORECON-RJ) concedida em 2009, abordando a questão da crise mundial atual iniciada em 2008 e sobre a Teoria Marxista da Dependência.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A volta da dependência, nas contas externas

Até intelectuais da burguesia nacional dos segmentos da indústria e comércio já começam a se preocupar com a volta da manifestação de um dos sintomas do fenômeno estrutural da dependência econômica, a dependência nas contas externas, à medida que, seus lucros tornam-se comprimidos devido à dupla macroeconômica que extraí excedente interno para os capitais internacionais, taxa de juros básicas cronicamente alta e câmbio permanentemente sobrevalorizado.  

A volta da dependência :: Carlos Thadeu de Freitas Gomes

O Globo,quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Déficits nas transações correntes demonstram níveis de investimento superiores ao da poupança doméstica.

Também pode ser visto como a ocorrência de uma demanda agregada maior que o produto do país.

O ano de 2003 marcou a mudança no resultado das transações correntes brasileiras, tendo um superávit de US$ 4,2 bilhões. Estes se sucederam até 2008, quando ocorreu um déficit de US$ 28,2 bilhões.

Até o ano de 2008 o Brasil era um exportador de poupanças. O acumulado em 12 meses até junho de 2010 constatou um déficit de US$ 40,9 bilhões, 2,1% do PIB.

O desenvolvimento da economia brasileira pode ser sustentável, mesmo com o déficit, pois o país tem condições de continuar atraindo capital estrangeiro, visto que o Brasil conseguiu ultrapassar a crise relativamente intacto, enquanto outros países, já maduros, não foram tão bem-sucedidos. A incerteza nas economias desenvolvidas, a demanda por reformas fiscais nesses países e a expectativa de aumento nas taxas de juros internacionais podem afetar negativamente o fluxo de capital estrangeiro.

Portanto, apesar da alta atratividade brasileira, não há garantias de que os investimentos poderão compensar os déficits caso estes se tornem constantes.

O ritmo de crescimento das importações é superior ao das exportações e deve permanecer assim.

Comparando o primeiro semestre de 2010 com o mesmo período de 2009, verifica-se que as importações aumentaram 44,7%, enquanto as exportações cresceram 26,5%. O aquecimento da economia dá maior poder de compra à população, gerando mais consumidores e maior necessidade de importação.

Uma das formas de se impedir que o déficit aumente é incentivando a poupança doméstica, para que esta possa ser uma fonte de financiamento interno.

Como o déficit é a relação entre o produto e a demanda agregada, ao se reduzir esta última pode-se controlar as transações correntes. Para tanto, é necessário reduzir os gastos do governo.

O real tornou-se uma das commodities monetárias mais desejadas, dada a sua trajetória esperada de valorização. Entusiasmado pelo interesse dos investidores pelo real, o Tesouro alongou a dívida interna, mesmo sem a existência de mercados secundários líquidos.

Logo, quando da ocorrência dos primeiros sintomas da desvalorização dos ativos denominados em real, sem portas de saída imediatas, a ansiedade dos investidores é potencializada pelos sucessivos aumentos da cotação do dólar e das taxas de juros futuras.

Os investimentos dos não residentes em títulos públicos já alcançam 8,95% do total da dívida pública mobiliária. Apesar de os títulos serem nominalmente de longo prazo, sua liquidez os transforma em ativos de curto prazo. Qualquer sinal de aumento das taxas de juros que recaem sobre os títulos da dívida pública americana pode estimular a saída de capitais investidos nesses ativos. Como consequência, as taxas de juros que recaem sobre os títulos emitidos pelo Tesouro do Brasil voltariam a subir, e a saída de recursos acarretaria volatilidade cambial.

Em 2005, dadas as expectativas de aumento da taxa de juros americana, os investidores não residentes nos títulos brasileiros, os quais representavam um pequeno percentual, liquidaram suas posições, obrigando o Tesouro a recomprá-las via leilões.

Os investidores que aplicam em ações sofrem perdas de capital ao tentarem sair de suas posições, já que os preços desses ativos refletem essas mudanças. Os investidores não residentes em renda fixa, contudo, não sofrem perdas de capitais em reais ao saírem de suas posições, já que, dada a pouca liquidez do mercado de títulos públicos, o Tesouro garante, via leilões, a recompra desses papéis, ainda que com prejuízo. Logo, todo cuidado é pouco na volta dos capitais voláteis para financiamento dos déficits nas transações correntes do balanço de pagamentos.

CARLOS THADEU DE FREITAS GOMES é economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e foi diretor do Banco Central.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Juros altos garantem saldo positivo de dólares, mas desacelera a economia





O interesse do BC e dos analistas de mercado que influenciam à respeito da variação da taxa básica de juros não é só controlar os preços. Em verdade, o interesse dos agentes financeiros é porque os juros são rendimentos do credor da dívida pública. E os dados da CNI apontam que houve recuo, de 0,3%, no total de horas trabalhadas e de 0,2 ponto percentual do uso da capacidade instalada. Esse patamar (82,5%) é 0,7 ponto abaixo do nível pré-crise, portanto não há risco de superaquecimento da economia (nunca houve esse risco na verdade!).

Por sua vez, é preciso manter o fluxo das contas externas sempre positivo, para ter reservas para financiar a remessa de dólares tanto da remessa de lucro das transnacionais como pagamento de dívida das captações externas. Como o Brasil chegou ao alerta vermelho nas contas externas com o maior déficit desde 1947, o BC opta pela a maior taxa de juros real do mundo. 

Óbvio que é uma taxa que agrada aos banqueiros e detentores da dívida pública, privada e externa. Porém, enquanto os pobres se endividam, o Estado gasta mais com dívida e os ricos pegam emprestado com juros subsidiado no BNDES.


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Juros altos garantem saldo positivo de dólares

Monitor Mercantil online, 04/08/2010 



Brasília - O fluxo cambial fechou julho positivo em US$ 712 milhões, de acordo com dados do Banco Central. No período, porém, o fluxo comercial foi negativo em US$ 777 milhões, resultado de exportações de US$ 13,984 bilhões e importações de US$ 14,762 bilhões. 
O fluxo financeiro, graças aos maiores juros reais do mundo, compensou a saída de dólares no comércio exterior, com saldo positivo de US$ 1,490 bilhão. 
As entradas pelo financeiro somaram US$ 28,655 bilhões e as saídas, US$ 27,166 bilhões. O resultado da semana passada foi decisivo para o saldo do mês, já que até dia 23 o fluxo cambial era negativo em US$ 2,304 bilhões. 
Semana passada, o fluxo de dólares no país foi positivo em US$ 3,016 bilhões, sendo que o fluxo comercial teve saldo positivo de US$ 775 milhões, resultado de exportações de US$ 3,996 bilhões e importações de US$ 3,221 bilhões. O fluxo financeiro teve ingresso líquido de US$ 2,241 bilhões, com entradas de US$ 7,656 bilhões e saídas de US$ 5,415 bilhões. 

domingo, 8 de agosto de 2010

Juros altos forçam captação externa mas ampliarão remessas ao exterior

A taxa de juros básica, fixada cronicamente alta pelo Banco Central, força as grandes empresas brasileira recorrerem a captações externas para se financiarem. A consequência é a ampliação das remessas ao exterior devido a desnacionalização, e logo o envio de lucros, ou aumento da dívida externa privada, e logo o pagamento de juros dos empréstimos internacionais.

Curiosamente, um dos principais fatores que condiciona o BC a sempre fixar a Selic muito alta, não é o combate a inflação, mas é a busca por arbitragem, isto é, que a taxa de juros interna seja maior que a internacional, que pela diferença, atraí especuladores e logo capitais, para que o fluxo nas contas externas seja sempre positivo (mais dólar entrando do que saindo). Porém, é justamente essa política que gera dificuldades nas contas externas, à medida por um lado que o câmbio valorizado prejudica as exportações e favorece as importações, pressionando a balança comercial, e por outro, estimula a remessa externa de lucros das multinacionais, pois o lucro doméstico em moeda nacional fica maior em dólar, pressionando a balança de serviços.

Em suma, apesar do desenvolvimento econômico do último período, o Brasil ainda está em um círculo macroeconômico vicioso, típico das economias dependentes. Para piorar, força a desnacionalização do capital das grandes empresas brasileiras (76% do PIB está sob controle de capitais estrangeiros), condicionando a perda da autonomia dinâmica da economia, reforçando ainda mais a dependência do Brasil dentro do sistema mundial capitalista ao capital externo.


Contratando a alta do rombo externo
Monitor Mercantil, 02/08/2010

Com juro "à la BC", aumento da captação de empresas ampliará remessas ao exterior

Diante de um país que pratica os maiores juros reais do mundo, num momento de taxas negativas, a demanda internacional por bônus das companhias brasileiras supera todas expectativas. A Gol, por exemplo, teve procura quatro vezes superior aos US$ 300 milhões oferecidos aos investidores.

Já os títulos do BMG, com valor de face de US$ 250 milhões, captaram US$ 1,5 bilhão para a companhia. O banco Panamericano registrou demanda 6,5 vezes superior à sua emissão.

O economista Marcos Coimbra, conselheiro do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (Cebres), alerta para os riscos do aumento dessa procura. E lembra que, segundo o economista Adriano Benayon, 76% do produto interno bruto (PIB) brasileiro já estão sob controle de não-residentes.

"É motivo de preocupação. Hoje há cerca de US$ 3 trilhões circulando na economia e moeda é algo que perde valor. Os investidores estão trocando esse papel podre por ativos", destacou Coimbra.

De acordo com o conselheiro do Cebres, na América do Sul os investidores buscam segurança, liquidez e rentabilidade em economias fortes, em nível regional, como Chile e o próprio Brasil.

"A contrapartida é a transferência do centro de decisão do Brasil para o resto do mundo. Significa que estamos perdendo poder sobre a nossa economia", disse o economista, acrescentando que os investimentos vão gerar remessas de lucro e dividendos, agravando o déficit em conta corrente, que este ano promete superar a barreira dos US$ 50 bilhões e, segundo projeções, poderá atingir US$ 80 bilhões em 2011.

Entre as companhias que lançaram títulos no exterior e obtiveram demanda acima do previsto estão incluídas Braskem, BMF&FBovespa, Banco Mercantil do Brasil e Banco BMG.

sábado, 7 de agosto de 2010

Nota da CSP Conlutas sobre aprovação do casamento gay na Argentina

Aprovado o casamento gay na Argentina. Uma vitória das lutas e um desafio para o Brasil.


Há alguns dias a Argentina aprovou o casamento de pessoas do mesmo sexo, representando a maior conquista da luta GLBT da América Latina. A nova lei, ao trocar as palavras “homem” e “mulher” por “cônjuges” e “contraentes”, estende aos homossexuais todos os direitos garantidos aos casais heterossexuais, inclusive a adoção de filhos.

O exemplo de luta e vitória do país vizinho precisa servir de estímulo ao movimento homossexual no Brasil, cujas direções até agora tem se limitado a apoiar a política demagógica de Lula. Até o momento, nenhuma legislação nacional efetiva em favor da população GLBT saiu do papel em nosso país. Mais do que isso, a maior parte das organizações do movimento já estão em declarada campanha eleitoral para Dilma, a candidata de Lula.

            Embora seja uma imensa vitória para nossa luta, um passo deste tamanho também tende a gerar um efeito contrário, a reação conservadora. Ainda na véspera da votação, setores religiosos já se manifestavam nas ruas em contrariedade à aprovação da lei. Agora, religiosos católicos, evangélicos, judeus e muçulmanos se unem numa “santa aliança” contra o casamento de pessoas do mesmo sexo. Aqui no Brasil a reação também começa a ganhar força. Parlamentares conservadores já saíram para o ataque afirmando que aqui tal lei não passará. Da mesma forma, juízes, líderes religiosos e outros tantos reacionários de plantão vêm se pronunciando na defesa do que chamam de “normalidade”, ou seja, a marginalização de gays e lésbicas.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dez estratégias de manipulação midiática, segundo Noam Chomsky

Anda circulando pela Web em blogues e emails um texto atribuído ao linguísta e ativista de esquerda estadunidense Noam Chomsky em que crítica severamente o comportamento da grande mídia.


CHOMSKY E AS 10 ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO MIDIÁTICA

O linguista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')”.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez. 

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento. 

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê?“Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”. 

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos… 

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”. 

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto… 

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução! 

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos. 

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Campanha para candidato a presidente participe dos debates

Militantes e simpatizantes iniciam campanha para candidato a presidente pelo PSTU Zé Maria participe dos debates

A Band faz o primeiro debate entre os presidenciáveis na próxima quinta-feira e convocou apenas quatro candidatos. Você concorda com isso?



 Todos conhecem o caráter antidemocrático das eleições e da campanha eleitoral. Enquanto os grandes partidos, que representam a manutenção do status quo, contam com a maior parte do tempo da propaganda eleitoral do rádio e TV, os pequenos partidos, sobretudo de esquerda, dividem míseros segundos de exposição. 

Isso ocorre porque todo o sistema eleitoral no país é estruturado para garantir a dominação dos mesmos partidos e da mesma política, com o mínimo de mudança possível. Um sistema que garante ao PT e PSDB não só milhões de bancos e empresas, mas também a quase totalidade do tempo de TV. 


Twitter, Orkut, blogs, e-mail: se você é a favor da democracia na campanha eleitoral e acha que todos têm o direito de conhecer todos os candidatos, participe.

No twitter, escreva #zemarianodebate.

Comente nas notícias sobre a campanha eleitoral, envie mensagens à emissora cobrando o convite ao Zé Maria! Vamos utilizar a rede para furar o bloqueio da mídia!
http://www.pstu.org.br/campanha_zemarianodebate.asp

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Puxado pelo endividamento privado, dívida externa ultrapassa US$ 300 bi

Dívida externa do país ultrapassa US$ 300 bilhões

Monitor Mercantil online, 29/07/2010

Endividamento privado, omitido pelo BC, indica que Brasil não é mais credor

Se forem incluídos os empréstimos intercompanhias, a dívida externa brasileira já chega a US$ 305 bilhões, o que, segundo o economista Rodrigo Ávila, ligado à Auditoria Cidadã da Dívida, significa que o Brasil não é mais credor líquido externo, como diz o governo.

A quantia, segundo Ávila, também marca a superação inédita do patamar dos US$ 300 bilhões.

"Os números do BC omitem os chamados "empréstimos intercompanhias", a dívida externa contraída por filiais de multinacionais junto a suas matrizes no exterior. Essa dívida atingiu nada menos que US$ 80 bilhões, fazendo com que a dívida externa brasileira superasse, pela primeira vez na história, a marca dos US$ 300 bilhões", critica Ávila, lembrando que este valor ultrapassa o nível das reservas internacionais, atualmente em US$ 253 bilhões.

No primeiro semestre de 2010, o endividamento brasileiro com o exterior, que vinha tendo relativa estabilidade nos últimos três anos, já subiu 13,6%. Segundo o Banco Central (BC), a dívida externa subiu para US$ 225,17 bilhões em junho, devido ao crescimento da dívida externa privada. É o maior valor desde o ano 2000, quando a dívida do país com os credores internacionais foi de US$ 236,16 bilhões.

A alta na dívida externa privada reflete a elevada taxa de rolagem dos empréstimos de médio e longo prazos, que no primeiro semestre ficou em 222%. Somente neste ano, os créditos mais longos cresceram US$ 15,8 bilhões e os empréstimos de curto prazo, US$ 11,2 bilhões. No total, o estoque de dívida de médio e longo prazos em junho ficou em US$ 183 bilhões e da de curto prazo, em US$ 42,17 bilhões.

"As altas taxas de juros brasileiras e a conseqüente tendência à valorização do real estimulam que as empresas tomem empréstimos no exterior", resume Ávila.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Primeira reunião da CSP Conlutas aprova plano de mobilizações

Reunião da coordenação nacional de entidade fundada no Conclat aprova nome da nova central e plano de lutas

CSP Conlutas aprova plano de mobilizações e aponta o dia 10 de agosto como dia nacional de mobilizações


Delegados aprovam secretaria executiva da nova central

• A Coordenação Nacional da nova entidade eleita no Congresso da Classe Trabalhadora realizou sua primeira reunião nesses dias 23, 24 e 25 de julho no Rio de Janeiro. Dirigentes sindicais e de movimentos populares de todo o país se reuniram para definir os rumos da nova entidade fundada em Santos (SP) no início de junho.

A representatividade da reunião indicava sua importância. Foram 194 delegados, 107 observadores, representando 71 sindicatos, 24 oposições e minorias de sindicatos, além de 9 entidades do movimento popular, 6 entidades estudantis e dois movimentos de luta contra as opressões.

Carlos Sebastião, o Cacau, da Secretaria Executiva Nacional eleita no Conclat, sintetizou os principais desafios colocados aos ativistas naquele momento. ”São três elementos fundamentais que temos que tomar nessa reunião: consolidar nossa ferramenta, uma necessidade para a classe para que possamos, assim, dar conta das tarefas colocadas, avançando num plano de lutas e, finalmente, seguir com todos os esforços no sentido de recompor a unidade”.

Tarefas essas que se traduziam principalmente na definição do nome da nova central, a eleição de sua secretaria executiva e a aprovação de um plano de mobilizações para o próximo período, seguindo o diálogo com os setores que romperam no Conclat.

Legitimidade do Conclat
Embora não tenha sido o ponto principal da reunião, a avaliação do Conclat, assim como a ruptura dos setores minoritários como a Unidos para Lutar e a Intersindical, foi amplamente discutida na reunião. Apesar de pontos divergentes e polêmicas, todos os setores reconheciam a legitimidade do Conclat, que reuniu mais de 4 mil pessoas, e suas deliberações. ”Foi a culminação de um processo amplo que durou meses e realizou mais de 900 assembleias em todo o país, cotando com a inscrição de 20 teses, que tiveram o mesmo tempo de defesa”, lembrou Cacau.

O dirigente lembrou ainda que a ruptura não se deu por conta do nome, mas envolveu entendimentos distintos sobre o funcionamento da entidade, assim como seus métodos de deliberação e os setores que deveriam compor esse novo instrumento. Os setores que romperam eram contra a participação de estudantes e dos movimentos populares, e defendiam que a entidade adotasse o “consenso progressivo”, ou seja, que apenas aprovasse deliberações com o mínimo de 2/3 dos votos. Método que privilegia os acordos entre correntes em detrimento dos votos da base.

Gizélia Rocha, a Gigi, do Sintsef de Natal, apesar de não fazer parte do setor majoritário, expressou seu desacordo com a ruptura. ”Todos sabem que não somos mais do PSTU, e sempre soubemos que seríamos minoria e que tínhamos que respeitar a democracia operária”, disse a dirigente, que compõe hoje um coletivo chamado GAS. “A decisão de se retirar do congresso foi absurda e infantil”, concluiu a dirigente.

Janira Rocha, dirigente do MTL, afirmou ser importante entender as diferenças políticas que existem no bloco que rompeu. ”Assim como existem diferenças entre nós, é importante entender que do lado deles também existem”, disse, explicando que alguns dirigentes da Intersindical defendiam a permanência na nova central. Janira relatou ainda todo o processo de negociação e discussões que culminaram no Conclat, afirmando que tanto a proposta de congresso deliberativo como a formulação do nome “Conlutas-Intersindical Central Popular e Sindical”, havia partido dos próprios setores da Intersindical.

O respeito à democracia operária foi um aspecto ressaltado também por Cleber Rabello, dirigente da Construção Civil de Belém (PA). ”Imaginem numa assembleia para decidir a greve, ter uns poucos contrários, a gente pegar e falar: 'pessoal, não tem consenso, então vamos voltar para os canteiros de obra”, disse, mostrando na prática o imobilismo que a proposta de consenso provocaria na nova entidade.

Pra resistir, pra ocupar, CSP Conlutas pra lutar
Após uma ampla discussão, finalmente a reunião da coordenação nacional aprovou o nome da nova entidade. Foram defendidas três propostas: “CSP (Central Sindical e Popular)”, “CSP Conlutas” e “Conlutas-Intersindical CSP”. Por 128 votos foi aprovado “CSP Conlutas”, contra 26 votos para “CSP” e apenas 5 para a terceira proposta. O nome expressa o caráter sindical e popular da nova entidade, assim como o patrimônio organizativo e de princípios acumulado pela Conlutas nesses seis anos de existência. “Pra resistir, pra ocupar, CSP Conlutas pra lutar”, entoaram em coro os ativistas.

A reunião elegeu ainda os 27 nomes da Secretaria Executiva Nacional da CSP Conlutas, contemplando todos os diferentes setores que estão no processo de construção dessa nova central.

Com o nome da nova entidade definido, os dirigentes aprovaram um plano de lutas para o próximo semestre que abarca as campanhas salariais das categorias em curso, a luta contra o veto ao fim do fator previdenciário, o combate à criminalização dos movimentos sociais, culminando num dia unificado de mobilização em 10 de agosto. Além disso, foi aprovado também a realização de manifestações contra a ocupação militar do Haiti nesse dia 28 de julho.

A dirigente do Cpers, Neida Oliveria, expressou bem o processo que foi o Conclat. “Recuso-me a considerar o Conclat uma derrota; assim que saímos de lá e retornamos ao estado, fomos apoiar uma luta contra o despejo de inúmeras famílias e dissemos: 'nós representamos a nova central fundada no Conclat”, afirmou a dirigente, enfatizando ainda que ”não devemos paralisar. A primeira reunião da Coordenação Nacional da nova CSP Conlutas mostrou que, apesar dos impasses no processo de reorganização, a classe trabalhadora do país vai ter uma alternativa de luta e mobilização.

Diego Cruz, Opinião Socialista online, 27/7/2010

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Homenagem aos 15 anos sem Ernest Mandel

Ernest Mandel e o socialismo com democracia

Em Tempo,07/07/2010

Ernest Mandel foi um dos maiores teóricos marxistas da segunda metade do século XX e o principal dirigente da Quarta Internacional fundada por Leon Trotsky. Empenhou todo seu humanismo revolucionário, sua energia, seu conhecimento e sua vasta cultura a serviço da luta pelo socialismo com democracia e da construção do internacionalismo dos povos.

Nos tempos revolucionários de 1968, teve a honra de ter sua entrada proibida, ao mesmo tempo, nos Estados Unidos e na União Soviética, nos países do Leste Europeu e na França, Alemanha e Espanha, entre outros.

Mandel esteve várias vezes no Brasil nos anos 80 e 90, e contribuiu com sua imensa bagagem marxista revolucionária para os debates promovidos pelo Jornal Em Tempo e a construção da Tendência Democracia Socialista, sempre acompanhando com muito interesse o desenvolvimento da luta de classes no país, o surgimento da CUT e a construção do PT como partido socialista de massas.

Ernest Mandel foi o economista marxista mais importante das últimas décadas do século XX, autor de obras de referência como Tratado de Economia Marxista e Formação do Pensamento Econômico de Karl Marx nos anos 1960, e do clássico Capitalismo Tardio nos anos 1970, no qual previu o início da onda longa recessiva do capitalismo antes que isso fosse reconhecido por todo o mundo. Na década de 1980, publicou suas análises sobre As ondas longas do capitalismo e sobre O significado da Segunda Guerra Mundial. Nos anos 90 escreveu suas duas últimas obras de fôlego: Trotsky como alternativa; O poder e o dinheiro, esta, infelizmente, ainda inédita no Brasil.

Morreu há 15 anos, deixando importante legado para a organização internacional dos socialistas, base fundamental para a construção do socialismo no século XXI.

Economia política e democracia socialista

Na cultura do marxismo da segunda metade do século XX, será difícil encontrar um autor como Ernest Mandel, que tenha, ao mesmo tempo, dado uma contribuição imprescindível à economia política e a uma teoria da transição democrática ao socialismo. Essa singularidade do marxismo crítico de Mandel certamente se relaciona com o caráter classicizante de sua reflexão, isto é, ao fato de ele dialogar diretamente com a obra de Marx, extraindo dela as fontes de sua renovação para a contemporaneidade.

Esse sentido clássico do marxismo de Ernest Mandel revela-se principalmente na busca de uma visão de totalidade dinâmica do capitalismo, nela inserindo as perspectivas da emancipação. Isto é, nesse campo de reflexão há uma permanente recusa em separar a economia da política, fechando os espaços para um determinismo econômico, de um lado, e para um programa de emancipação sem bases sociais de sustentação, de outro.

No ensaio “Ernest Mandel e a crise do capitalismo tardio”, de Francisco Louçã, é esta primeira dimensão que vem à tona. A teoria de Mandel sobre os ciclos longos do capitalismo, segundo Louçã, teria repensado criticamente as contribuições de Rosa Luxemburgo, Hilferding, Grossmann e Boukharin, que ainda se assentavam na análise dos ciclos de reprodução de O Capital. Na perspectiva de Mandel, a teoria sem história é muda e a história sem teoria é cega. Daí a necessidade de repensar as ondas longas de desenvolvimento do capitalismo na “realidade histórica da onda longa (enquanto) totalidade integrada”, com particular atenção ao poder e aos novos modos de coordenação das economias e das sociedades.

Está ainda para ser escrita, em parte porque a própria cultura do socialismo democrático vive ainda um período de formação, a contribuição decisiva de Mandel para uma teoria da transição democrática ao socialismo. O documento “Democracia socialista e ditadura do proletariado”, no qual teve papel-chave, elabora pela primeira vez uma perspectiva revolucionária que pensa a transição ao socialismo com pleno pluralismo partidário e respeito aos direitos humanos. Em uma época na qual quem ainda mantinha a idéia de revolução, em geral, fechava-se aos valores da democracia, e quem se abria aos valores normativos da democracia tendia à social-democratização de suas perspectivas, tal unidade entre o valor da revolução e da democracia foi transcendente.

domingo, 1 de agosto de 2010

Rombo externo forçará ajuste cambial em breve

À espera do ajuste cambial

Luis Nassif, qua, 28/07/2010 - Coluna Econômica

O mercado entrou em contagem regressiva para um ajuste na taxa de câmbio. De fato, o aumento no déficit nas contas externas. Em junho o déficit foi de US$ 5,18 bilhões, o segundo pior da série – medida desde 1947. No primeiro semestre, o déficit tangencia os US$ 24 bilhões. Por outro lado, houve um refluxo do IED (Investimento Externo Direto).

A lógica desses movimentos é conhecido.

O primeiro movimento é provocado pelo Banco Central, ao aumentar a taxa Selic ou mantê-la muitos acima das taxas internacionais.

Taxa de juros, em política monetária, equivale ao antibiótico na medicina. Serve para cuidar de algumas infecções, mas tem efeitos negativos sobre o organismo. Daí o extremo cuidado dos médicos na sua utilização. Ministra-se o mínimo indispensável para curar a infecção, justamente para evitar as seqüelas.

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No caso dos juros, a única infecção que ele combate é a da inflação de demanda. Se a economia está muito aquecida, aumentam-se os juros, encarece-se o financiamento, a manutenção de estoques, desaquecendo a demanda.

As contraindicações são muitas, a principal das quais os efeitos deletérios sobre o câmbio. Com as taxas de juros internas mais elevadas que as internacionais, há um movimento dos grandes investidores de tomar crédito em outras moedas e aplicar em renda fixa no Brasil.

Ganham duas vezes. A primeira, com os juros mais elevadas. A segunda, devido ao fato de que excesso de entrada de dólares provoca uma apreciação do real, que permite ganhos adicionais.

É um cassino que não encontra paralelo em outros países.

Suponha que o investidor tome US$ 100 milhões a uma taxa de 1% ao ano. Chega ao Brasil e converte pelo dólar a R$ 1,90. Fica com R$ 190 milhões. Aí, aplica a 12% ao ano. Ao final de um ano terá R$ 212,8 milhões. Se o dólar caiu para R$ 1,70, ele conseguirá converter os reais em US$ 125,2 milhões. A 1% ao ano, sua dívida estará em US$ 101 milhões. Paga a dívida e fica com US$ 24 milhões, sem ter usado um dólar furado de recursos próprios.

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Acontece que, nesse período, o real apreciado vai provocando um rombo gradativamente maior no comércio exterior, na conta de serviços, no turismo. Enquanto sente que o real tem espaço para se valorizar, mais dólares entram pela conta financeira. E esse movimento de apreciação é acelerado por apostas feitas nos mercados futuros de câmbio.

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E como fica o investimento direto nisso? É um capital que não tem rapidez para entrar e sair da economia.

Imagine que uma empresa pense em trazer US$ 1 bilhão para investir aqui, com o dólar a R$ 1,70. Se amanhã houver uma desvalorização e o dólar saltar para, digamos, R$ 2,00, imediatamente no seu balanço ela registra uma perda de 15%.

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Por isso mesmo, quando sente que a apreciação do dólar está chegando ao limite prudencial, caem os IEDs. E fica muito mais difícil financiar o rombo nas contas externas.

As reservas em dólares do Banco Central evitam um choque mais abrupto. Mas não haverá como evitar a desvalorização cambial quando ocorrer o estouro da manada.

sábado, 31 de julho de 2010

Brasil medalha de bronze em desigualdade

Brasil tem o 3º pior índice de desigualdade do mundo

O Globo, sexta-feira, 23 de julho de 2010

ONU põe país empatado com Equador em concentração de renda

O Brasil tem o terceiro pior nível de desigualdade de renda do mundo, empatado com o Equador. A constatação é do primeiro relatório sobre desenvolvimento humano para América Latina e Caribe sobre distribuição de renda, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). No Brasil, o Índice de Gini - que mede a desigualdade é 0,56. Quanto mais perto de 1, mais desigual é o país. O levantamento aponta dois outros grupos de países com situação mais grave: Bolívia, Camarões e Madagascar - empatados com 0,60 - e África do Sul, Haiti e Tailândia, todos com 0,59. Dos 15 paises do mundo com maior concentração de renda, dez são da América Latina. Segundo a ONU, o baixo nível educacional é um dos fatores que mais dificultam a melhoria social na região.

ONU: Brasil tem 3º pior desigualdade do mundo

Dez dos 15 países com maior concentração de renda estão na América Latina. Situação brasileira melhorou recentemente

Carolina Brígido

BRASÍLIA. Em seu primeiro relatório sobre desenvolvimento humano para a América Latina e Caribe em que aborda especificamente a distribuição de renda, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) constatou que a região continua sendo a mais desigual do planeta. Dos 15 países do mundo nos quais a distância entre ricos e pobres é maior, 10 estão na América Latina e Caribe. O Brasil tem o terceiro pior Índice de Gini que mede o nível de desigualdade e, quanto mais perto de 1, mais desigual do mundo, com 0,56, empatando nessa posição com o Equador.

Concentração de renda pior só é encontrada em Bolívia, Camarões e Madagascar, com 0,60; seguidos de África do Sul, Haiti e Tailândia, com 0,59. O relatório considera a renda domiciliar per capita e o último dado disponível em que era possível a comparação internacional.

No caso do Brasil, porém, a desigualdade de renda caiu fortemente nos últimos anos e, em 2008, o Índice de Gini estava em 0,515.

Na região, os países onde há menos desigualdade são Costa Rica, Argentina, Venezuela e Uruguai, com Gini inferior a 0,49. Na média, segundo o Pnud, o Índice de Gini da América Latina e do Caribe é 36% maior que o dos países do leste asiático e 18% maior que os da África Subsaariana.

O relatório, denominado Atuar sobre o futuro: romper a transmissão intergeneracional da desigualdade, mostra que a concentração de renda na região é influenciada pela falta de acesso aos serviços básicos e de infraestrutura, baixa renda, além da estrutura fiscal injusta e da falta de mobilidade educacional entre as gerações.

No Brasil, educação dos pais tem forte influência No Brasil, por exemplo, a escolaridade dos pais influencia em 55% o nível educacional que os filhos atingirão.

O estudo também mostra que ser mulher indígena ou negra na região é, em geral, sinônimo de maior privação. As mulheres recebem menor salário que os homens pelo mesmo tipo de trabalho, têm maior presença na economia informal e trabalham mais horas que os homens. Em média, o número de pessoas vivendo com menos de um dólar por dia é duas vezes maior entre a população indígena e negra, em comparação com a população branca.

Ainda segundo o relatório, a desigualdade na região é historicamente alta, persistente e se reproduz num contexto de baixa mobilidade social. No entanto, para a entidade, é possível romper esse círculo vicioso não com meras intervenções para reduzir a pobreza, mas com a implementação de políticas públicas de redução da desigualdade. Um exemplo são mecanismos de transferência de renda.

De 2001 a 2007, gasto social cresceu 30% na região A desigualdade deve ser combatida per se, como objetivo de política explícito, diz o documento.

Mas essa diretriz parece não ter funcionado na região. Os altos níveis de desigualdade têm sido relativamente imunes às diferentes estratégias de desenvolvimento implementadas na região, conclui o estudo.

Entre as conquistas da América Latina e Caribe, o estudo mostra que as mudanças na política social da região na década de 1990 se refletiram na distribuição de renda. O gasto público social apresentou tendência crescente e gira em torno de 5% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) dos 18 países da região, apesar das limitações fiscais enfrentadas pela maioria dessas economias.

Além disso, registrou-se na região um aumento do gasto social por habitante, em média, de quase 50% entre 1990 e 2001. Entre 2001 e 2007, o aumento foi de 30%. A maior parte do dinheiro concentrouse nas áreas de seguridade e de assistência social esta última, representada principalmente pelo aumento no número de aposentados.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

China hoje: superpotência econômica e inferno da classe operária

por Almir Cezar

A China em dois tempos - as duas faces da China contemporânea: superpotência econômica e inferno da classe operária. Um país que se desenvolveu ao ponto de superar o Japão, e assumir o posto de 2o lugar no ranking global, mas que possui uma classe operária a beira da revolta devido a superexploração do trabalho. Sinais evidentes de mudanças em curso tanto no sistema mundial como internas, de maneira explosiva.

Revelando assim duas coisas:  Primeiro, está em curso fortes transformações no sistema mundial, com implicações nos papéis políticos e econômicos do sistema. E desenvolvimento não é sinônimo de bem-estar social, e sim de transição entre uma etapa a outra na formação social, de transição de uma sociedade pré para uma industrializada, a custa evidentemente da exploração da classe trabalhadora nacional, que pode ou não se beneficiar do avanço das forças produtivas internas, com a consequente implantação das relações de produção capitalistas correspondentes, baseadas na oposição entre burguesia e proletariado, entre exploradores e explorados. E segundo, mostra que um país dependente pode, sem superar totalmente a dependência, se industrializar e desenvolver, assumindo um papel importante, e mesmo central, no sistema mundial capitalista, o que provavelmente está ocorrendo também com Rússia, Índia, Brasil e África do Sul, entre outros.

Para piorar, evidência outra coisa frequentemente negligenciadas na teoria econômica mesmo heterodoxa: o desenvolvimento econômico capitalista é totalmente compatível com a superexploração do trabalho, que no caso chinês, além de beneficiar sua elite local está compensando as perdas do grande capital da Tríade (EUA, UE e Japão, também chamado G3) com a crise econômica de 2008. Isso bem explica porque onde os conflitos e greves operárias na China mas ocorram, são justamente na fábricas de capital japonês, capital que muito sofreu com a crise, ao ponto de perder o segundo lugar no ranking das economias.

Outra questão interessante, a imprensa chinesa, fortemente censurada pela ditadura pró-burguesa do Partido Comunista e do Exército Popular, foi obrigada a noticiar as greves, sinal evidente que esses episódios foram de uma proporção enorme ou até maior do que noticiado, e que pode estar ocorrendo uma série muito maior de episódios semelhantes ou piores. Possivelmente estamos vendo o começo de mudanças internas importantes (a ditadura forçada a agir ou a ceder) ou o início de transformações sociais profundas, como o começo de um ascenso social do movimento operário, apesar do controle sobre os sindicatos.

A restauração capitalista da China iniciada no fim da década de 1970 e início da 1980 trouxe não apenas as multinacionais e a industrialização acelerada, mas a reconstrução das relações capitalistas, e com elas as contradições sociais, e uma exploração desmedida da classe operária, que além dos superlucros para elite local e para o capital internacional do G3 gerou uma superpotência econômica fundado no capitalismo de Estado monopólico e transnacional (logicamente sob a base material anterior da socialização herdado do período comunista), mas também na superexploração do trabalho. Mas trouxe também uma classe operária nova sem as amarras típicas dos países centrais, como a aristocratização operária, sem direção socialdemocrata, e a cada crise mundial, por ter sua exploração ampliada, caminha à rebelião.

E a mesma industrialização capitalista, trouxe também, uma forte burguesia nacional de Estado, que embora dependente do grande capital internacional, é sedenta por espaço econômico no mercado mundial e por um papel político relevante no sistema mundial dos Estados, que tem um projeto nacional e uma direção política clara, tanto herdada da base anterior do período comunista como construída pela fase atual da ditadura.

Em suma, a China hoje, superpotência econômica e inferno dos seus operários, é um coquetel atômico instável, que como diria Rosa Luxemburgo (é claro, que ela se referia ao países capitalista como um todo, mas citando especificando a Alemanha do começo do século XX ), ou caminha para barbárie ou para a revolução. A História diria Marx, se repete como farsa ou como tragédia. É preciso os marxistas estarem atentos para interferir na História a favor do proletariado e do projeto socialista.


Leia as matérias a seguir:

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China supera Japão e é a segunda maior economia do mundo

País caminha para superar também os Estados Unidos e liderar o ranking global por volta de 2025

Reuters | 30/07/2010 07:42
A China tirou do Japão o posto de segunda maior economia do mundo, em resultado de três décadas de forte crescimento. Dependendo de quão rápido o câmbio suba, a China caminha para superar também os Estados Unidos e liderar o ranking global por volta de 2025, de acordo com projeções do Banco Mundial,
A China chegou perto de superar o Japão em 2009. "A China já é agora, de fato, a segunda maior economia do mundo", informou Yi Gang, chefe do órgão regulador de câmbio, nesta sexta-feira.

A China cresceu 11,1% no primeiro semestre de 2010 sobre igual período do ano passado. A expansão do país vem registrando uma média anual de mais de 9,5% desde que adotou reformas de mercado em 1978.

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China enfrenta a 'revolta' da mão de obra

Nos últimos três meses, a Honda enfrentou quatro ondas de greves na China, que terminaram em aumentos de salários para milhares de operários de suas fábricas e de seus fornecedores

AE | 25/07/2010 10:58


Nos últimos três meses, a Honda enfrentou quatro ondas de greves na China, que terminaram em aumentos de salários para milhares de operários de suas fábricas e de seus fornecedores.

A Foxconn, maior fabricante de produtos eletrônicos do mundo, anunciou em junho que elevaria em pelo menos um terço o pagamento de seu exército de 600 mil empregados chineses, depois que dez deles se suicidaram neste ano. E, no início deste mês, algumas regiões reajustaram em cerca de 20% o valor do salário mínimo, que não é unificado nacionalmente.
A sucessão de manchetes sobre conflitos laborais, o aumento da remuneração e a escassez de operários desencadearam um acirrado debate, no qual economistas se dividem entre os que acreditam no fim da era da mão de obra barata e abundante e os que sustentam que ainda há um longo caminho a ser percorrido até que a China perca a vantagem comparativa dada por milhões de empregados mal pagos.

Greves e protestos de operários não são um fenômeno raro no país, diz a economista brasileira Paula Nabuco, da Universidade Federal Fluminense, que elabora tese de doutorado sobre economia e relações de trabalho na China. A novidade agora é que as paralisações ganharam destaque na imprensa oficial, totalmente sujeita à censura do governo, e atingiram as grandes companhias multinacionais instaladas na China, especialmente japonesas.

A montadora Honda foi alvo da mais longa greve registrada em empresas estrangeiras no país, que interrompeu por três semanas sua linha de montagem em Foshan, na província sulista de Guangdong, a maior base exportadora chinesa. A paralisação terminou no início de junho, depois que os operários conquistaram reajuste salarial de 24%.

A mais recente onda de greves enfrentada pela companhia japonesa chegou ao fim na quinta-feira na Atsumitec, que produz peças para os freios do Honda Accord. Os operários conquistaram aumento de 45%, o que elevou sua remuneração a 1.420 yuans mensais. Mesmo com o reajuste, os 1.420 yuans equivalem a R$ 370,00, pouco mais de dois terços do valor do salário mínimo brasileiro, de R$ 510,00.

Stephen Roach, presidente do banco Morgan Stanley na Ásia, afirmou em artigo publicado no portal da revista The Economist que é "totalmente prematuro" sustentar que chegou ao fim a vantagem comparativa dos custos trabalhistas na China.

O executivo observou que os operários chineses ganhavam US$ 0,81 por hora em 2006, o que correspondia a 2,7% do que trabalhadores norte-americanos recebiam. Mesmo se tivessem obtido reajustes anuais de 25% no período de 2007-2010 - hipótese descartada por ele -, a remuneração no país asiático seria hoje de US$ 1,98 a hora, ou 4% do que é pago nos Estados Unidos e metade do valor registrado no México. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Depois das Fronteiras, experiências sonoras e visuais no Planalto

Depois das Fronteiras 

Nesse fim de semana mais dois dias de #ArteSonora.  Continuando o que rolou no fim de semana passado no CCBBB Brasília, prossegue o evento DF-DEPOIS DAS FRONTEIRAS.

Noite dançante de graça, com galera descontraída, bebidas e comidas bem servidas.  Vídeo-arte e som.


Hoje, 30/07, sexta-feira, das 22h à 0h | V-DOC [CPS/SP], apresenta Monóxidomaresia | Hol [BH/MG] – Aufhebung | E Sang Fezí + Vj Submagem [CPS/SP].

 Sábado, 31/7, ainda tem mais quatro grupos | 

Aqui a programação completa

Dialética Radical: o Brasil hoje

Dialética radical

Os últimos números reafirmam nossa profunda dependência do exterior. Está meio demodé tocar no assunto, nestes tempos dialéticos, quando a moda é ser ao mesmo tempo você e o seu contrário

Está passando quase despercebido o crescimento do deficit em transações correntes do balanço de pagamentos. Em resumo, o saldo da balança comercial não vem sendo suficiente para compensar as maciças remessas de lucros e dividendos. A relativa tranquilidade nasce de dois vetores: as reservas cambiais e a captação de investimentos vindos do exterior.

Ou seja, a economia brasileira resiste também porque continua escancarada aos fluxos globais do capital, e assim o país vai se financiando. Não deixa de ser irônico que aconteça sob um governo do PT, mas essa observação já anda meio batida, reconheço (comparar o que o PT dizia antes de chegar ao governo e o que fez depois).

Sempre é útil, entretanto, registrar que enquanto Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e entourage batem dia sim outro também na tecla do “fim da dependência”, nunca antes na história deste país estivemos tão dependentes do dinheiro vindo de fora. Mas como ele existe e está disponível para um governo tão “market friendly” quanto o nosso, a coisa passa disfarçada. O governo fala grosso. E a oposição se faz de surda. Que não é besta.

Lula adora repetir, e cada vez mais, o quanto não dependemos agora do Fundo Monetário Internacional, e isso tem um efeito simbólico conhecido. Deve ter também algum efeito eleitoral. Mas o presidente não conta a história toda. Deixa de dizer que passamos a depender de um dinheiro muito mais caro, o dinheiro que vem para cá atrás das nossas obesas taxas de juros e, num grau menor, das gordurosas margens.

Haverá negócio mais bacana no planeta do que ser dono de um banco ou de uma companhia telefônica no Brasil?

O faz de conta está mesmo com tudo. Pena é que alguns menos treinados na mistificação escorreguem de vez em quando. O chanceler Celso Amorim protagonizou uma página espantosa na trajetória da diplomacia pátria, ao dizer, no início deste mês, na Câmara dos Deputados, que o Brasil pôde votar no Conselho de Segurança da ONU contra as sanções ao Irã porque não deve ao FMI.

Ou seja, segundo Amorim, quem votou a favor das sanções fê-lo por ser devedor.

Restou porém fora da lógica do ministro um detalhe: o maior credor do mundo, a China, votou favoravelmente.

É o caso de especular. Será que Barack Obama ameaçou Pequim com um calote dos títulos do Tesouro americano caso os chineses não acompanhassem o voto americano contra o Irã? A julgar pelo raciocínio de Amorim, quem sabe?

Ironias à parte, os últimos números reafirmam mesmo nossa profunda dependência do exterior. Está meio démodé tocar no assunto, nestes tempos de dialética radical, quando a moda é ser ao mesmo tempo você e o seu contrário. Mas é fato.

E por que permanecemos atrelados ao nosso roteiro tradicional? Porque continuamos incapazes de gerar a poupança necessária para sustentar nosso consumo e, ao mesmo tempo, nossas necessidades de investimento.

Somos um Estados Unidos em escala reduzida. No que eles têm de pior. No vício de viver do dinheiro e do trabalho alheios. Na cultura do esbanjamento. A diferença é que eles ainda podem, por enquanto, imprimir a moeda mundial. Nós não.

Lula e Dilma fizeram o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Do ângulo simbólico foi ótimo. Havia tempo que a agenda do crescimento não era colocada em primeiro lugar.

Infelizmente, porém, na rubrica dos recursos orçamentários para investimento ou na taxa de poupança não se registrou neste governo evolução significativa em relação ao anterior. O que deixou de ser drenado em juros virou custeio. Bom de um lado, pelos repasses aos mais pobres, mas péssimo para quem acredita na essencialidade da poupança nacional e do investimento público para crescer de maneira sustentada.

Nos últimos dias os analistas respiram aliviados, pois parece que o Banco Central tem sido eficaz ao impedir a aceleração do crescimento. Lula festeja, pois parece que nosso “PIB potencial” (o que não arrebenta a inflação) anda um pouquinho maior em relação ao do governo anterior.

Como se sabe, vivemos uma era de profundas transformações.

Coluna ("Nas entrelinhas") publicada nesta quarta (28) no Correio Braziliense.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Contas externas brasileiras perto do limite

Um dos traços típicos da dependência volta a se manifestar na economia brasileira: a instabilidade das contas externas. À medida que a crise econômica mundial iniciada 2008 forçou as empresas transnacionais a aumentar e acelerar a remessa de lucros para compensar os prejuízos nas matrizes e importantes filiais européias e cortar investimentos diretos (IED) devido a queda nas exportações. O nível de IED havia mantido as contas equilibradas, mas parece ter situação agravada agora nos últimos dois meses, agravado pelo câmbio elevado, que reforça a piora nas contas externas, pelo aumento das importações.

Contas externas perto do limite

  do Estadão.com
 
Déficit nas contas externas é de US$ 24 bi

Rombo no primeiro semestre já é praticamente igual ao do ano todo de 2009; Banco Central espera compensá-lo com entrada de investimentos

Fernando Nakagawa, Fabio Graner 
BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

A crescente remessa de lucros feita por multinacionais e a compra de produtos e serviços internacionais aceleraram a saída de dólares do Brasil em junho por meio da conta corrente do País, que registra todas as operações de comércio exterior, serviços e rendas do Brasil com o exterior.

O saldo negativo do primeiro semestre, de US$ 23,76 bilhões, é comparável ao déficit de todo o ano de 2009, que somou US$ 24,302 bilhões, e equivale a 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB). No mês passado, pelos dados divulgados ontem pelo Banco Central, o saldo da entrada e saída de recursos nessa conta ficou negativo em US$ 5,18 bilhões, o pior junho da série iniciada em 1947.

Tentando não mostrar preocupação com a deterioração, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, sustenta que o rombo será financiado com dólares que entram no País para investimento produtivo e no mercado financeiro. No semestre, de fato, a conta fechou. Em junho, porém, a soma do Investimento Estrangeiro Direto (IED) - voltado à produção - e das aplicações financeiras (ações e renda fixa) cobriu apenas 71% do déficit. Por isso, Altamir fez uma inflexão no discurso e admitiu o uso de uma terceira fonte para fechar a conta: o aumento da dívida externa.

A incerteza econômica nos países desenvolvidos foi decisiva na nova piora das contas externas. No mês passado, empresas estrangeiras instaladas no Brasil remeteram US$ 4,15 bilhões às sedes como lucros e dividendos, o maior valor para junho da história. O resultado do mês equivale a um terço das transferências do semestre, que somaram US$ 14,96 bilhões e foram concentrados em três setores: automotivo, químico e eletricidade e gás.

"As filiais mandam dólares para cobrir prejuízos das sedes ou até para se precaver de uma situação que ainda pode piorar", disse a professora de economia da Unicamp Daniela Prates.

Em outra frente, os dólares têm saído em ritmo cada vez mais rápido para pagar serviços relacionados ao nível de atividade econômica acelerado. A despesa total com a contratação de aluguel de equipamentos, informática e transportes cresceu 42% em junho ante igual mês de 2009 e saltou 71% no semestre. Em seis meses, o Brasil usou US$ 13,86 bilhões para pagar essas contas. Em tendência semelhante, a importação de mercadorias cresceu 45,1% no semestre.

Para o professor de economia da PUC-SP Antônio Corrêa de Lacerda, o câmbio valorizado é importante para explicar a piora da conta corrente, mais até do que o nível de atividade elevado. "Hoje, há um processo de substituição da produção nacional por importados."

A fragilidade das contas externas em junho foi acentuada porque a principal fonte de ingresso de dólares, o IED, secou. No mês passado entraram por essa conta US$ 708 milhões, metade do que entrou em junho de 2009.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Sinto muito

Sinto muito
 
Sinto o sangue em minhas veias e apenas consigo balbuciar
"Um fantasma ronda" o mundo
E os meus fantasmas têm motivos para me assombrar
Todos contra um
Um contra todos
Um contra um
Todos contra todos
Cada qual pensando em ser melhor que o outro
Apenas e só!
Ninguém confia em ninguém
Novamente canibais
Num massacre constante
Se unindo apenas para derrotar o ser
 
Liliane Cirino Vieira