segunda-feira, 5 de maio de 2014

Mercado diz ao BC que inflação alcançará teto da meta e crescimento será baixo

Instituições financeiras ouvidas pelo BC estimam crescimento de 1,63% para o PIB em 2014 e que inflação deve alcançar 6,5% em 2014

Inflação deve alcançar 6,5% em 2014 e atingir o teto da meta, aponta BC
Kelly Oliveira - Agência Brasil 05.05.2014 Edição:  Denise Griesinger

As instituições financeiras consultadas semanalmente pelo Banco Central (BC) reforçaram a estimativa de que a inflação, este ano, vai ficar no teto da meta (6,5%). Para 2015, a projeção para a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), também foi mantida, em 6%.

As estimativas estão bem distantes do centro da meta (4,5%). É função do BC fazer com que a inflação fique dentro da meta e, para isso, usa alguns instrumentos. Um dos instrumentos usados para influenciar a atividade econômica e, consequentemente, a inflação, é a taxa básica de juros, a Selic.

Essa taxa é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, mas a medida alivia o controle sobre a inflação.

O BC tem que encontrar equilíbrio ao tomar decisões sobre a taxa básica de juros, de modo a fazer com que a inflação fique dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

O Capital Fictício no Século XXI

Pedro Rossi | Jornal do Brasil

Thomas Piketty e o seu tão comentado livro -
suscita a análise de outros aspectos da
configuração atual do capital
O livro de Thomas Piketty sobre a concentração de renda e riqueza já dispensa apresentações. As inúmeras resenhas, elogios e críticas que circulam na internet esmiúçam as virtudes e defeitos da obra. Este artigo não pretende se somar a essas, mas, sim, apontar uma lacuna importante na discussão. Trata-se do papel das finanças no capitalismo contemporâneo e das formas de gestão da riqueza social, que podem ser discutidas por meio do conceito, também ausente no livro, de capital fictício.

Capital, em Marx, é um relação social (e não apenas um fator de produção ou uma soma de ativos). Em uma análise lógica, Marx desenvolve categorias e formas sociais que se desdobram em formas mais complexas, como o capital a juros e o capital fictício. Esse desdobramento das formas universaliza o modo de produção capitalista e difunde a sede de acumulação de riqueza abstrata. Nesse contexto, o capitalismo não é um sistema cujo objetivo é satisfazer necessidades de consumo, mas um modo de produção cuja a finalidade é a acumulação da riqueza em dinheiro e outras formas financeiras.

O conceito de capital fictício é pouco e, por vezes, mal tratado na literatura, mas pode ser simplificadamente definido como “direitos contratuais sobre um fluxo de renda futuro”. Para ser mais preciso, pode-se definir o capital fictício com base em três propriedades; (1) é um ativo que está associado a uma renda futura, portanto seu valor depende da capitalização de recebimentos futuros trazidos a valor presente por uma taxa de juros; (2) é um ativo transferível, portanto depende da existência de um mercado secundário onde ele pode expressar o seu valor; (3) ele não existe como capital efetivo, ou é duplicado. Esta última propriedade, um tanto fantasmagórica, destaca a natureza financeira do capital, que não existe como capital real. 

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Custo de desoneração da folha de pagamentos dobra em 2014

site Voz do Aposentado | 23/04/2014

Responsável por fazer o governo deixar de arrecadar R$ 13,2 bilhões no ano passado, a desoneração da folha de pagamento está trazendo maiores custos para o Tesouro Nacional em 2014.

Nos dois primeiros meses do ano, a renúncia fiscal correspondeu a mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2013.

Segundo dados mais recentes da Receita Federal, o governo deixou de arrecadar R$ 3,59 bilhões em janeiro e fevereiro por causa da desoneração da folha, contra R$ 1,6 bilhão nos mesmos meses do ano passado.

A principal responsável pela diferença foi a inclusão de 16 setores patronais que não contavam com o benefício fiscal no início de 2013.

A desoneração

A desoneração da folha começou a ser adotada em 2011 favorecendo patrões das indústrias de couro e calçados, nas confecções e nas empresas de call center e de tecnologia da informação. Atualmente, 56 segmentos da indústria, do comércio, dos serviços e dos transportes são beneficiados pela medida, que retira dinheiro do caixa da Previdência Social.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Projeção para a inflação alcança 6,5%, o teto da meta

Projeção para a inflação alcança 6,5%, o teto da meta
Agência Brasil | 28/04/2014

A projeção de instituições financeiras para a inflação, continua no limite superior da meta. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que chegou a 6,51%, na semana passada, agora está em 6,50%. Essa projeção é resultado de pesquisa semanal, feita pelo Banco Central (BC), com instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos. Para 2015, a mediana (desconsidera os extremos nas projeções) das expectativas segue em 6%.

Apesar de a projeção para este ano ter ficado no limite, a estimativa está acima do centro da meta de inflação (4,5%). É função do Banco Central fazer com que a inflação, medida pelo IPCA, fique dentro da meta. Um dos instrumentos usados para influenciar a atividade econômica e, consequentemente, a inflação, é a taxa básica de juros, a Selic.

Quando o Comitê de Política Monetária do Banco Central aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, mas a medida alivia o controle sobre a inflação.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Juros alto e baixo crescimento no Brasil atual

Em tempos de Copa do Mundo do Brasil
e aguardo de milhares de turistas, estes
poderão se surpreender...
O verdadeiro objetivo da política macroeconômica institucionalizada no Brasil não é o crescimento, mas, sim, a estabilidade da economia. Não é novidade que estejamos crescendo pouco. Usamos um único remédio contra qualquer instabilidade. O resultado é a estagnação em um patamar baixo de crescimento.

Contrariando o discurso oficial, uma das principais conseqüências dos juros altos é o aumento do gasto público, que tem como conseqüência a elevação da carga tributária. Dizem que é preciso acabar com a indexação na economia, mas a indexação mais perfeita é a tributária. Ela é plena e o governo está sempre garantido. A única coisa que não é indexada é salário, a variável de ajuste.

Muitos analistas acusam que o Estado teria ampliado seu peso na economia, o que seria um dos principais problemas do país, mas é justamente, o contrário. O Estado se retirou da economia. Era responsável por cerca de 50% da formação bruta de capital fixo do país. Hoje, não responde nem por 20%. O investimento público federal foi ao chão, e o dos estados e municípios está rastejando. A presidente Dilma Rousseff ainda elevou o investimento público federal, mas muito pouco.

terça-feira, 15 de abril de 2014

O século XXI é mais desigual que o século XX

Antes da I Guerra Mundial, o 1% mais rico dos Estados Unidos ou do Reino Unido ficava com cerca de um quinto da renda. Nos anos de 1950, esta fatia caiu pela metade. Mas desde 1980 os multimilionários voltaram a aumentar sua parcela, sendo que nos EUA ela voltou ao que era um século atrás. O estudo da desigualdade compõe o livro Capital in the Twenty-First Century, de Thomas Piketty. Sensação do momento na área de Ciências Sociais, as teorias são “uma revolução na nossa compreensão das tendências de longo prazo das desigualdades”, analisa o economista Maurício Dias David.

O livro de Piketty mereceu resenha altamente elogiosa, que será publicada na edição de 8 de maio da The New York Review of Books, do Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman. “A principal idéia do livro é que nós não apenas voltamos aos níveis de desigualdade do século XIX; nós estamos no caminho de volta ao ‘capitalismo patrimonial’, no qual a economia é comandada não por indivíduos com talento, mas por dinastias familiares”, escreve Krugman.

Veja a resenha do livro

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Juro do cheque especial já atinge 180% ao ano

Taxa 6 vezes superior à inflação oficial, mostra que ciranda financeira continua

Apesar de a inflação permanecer em apenas um dígito, os juros do cheque especial continuam a subir no Brasil. Segundo levantamento da Fundação Procon, a taxa média no cheque especial saltou de 8,81% (175,44% ao ano), em fevereiro, para 8,95% (179,72%) ao mês.

Dos sete bancos pesquisados pelo Procon – Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Safra e Santander – quatro elevaram os juros do cheque.

No empréstimo pessoal, a taxa média dos bancos pesquisados ficou estável entre fevereiro para março, em 5,46% ao mês (89,25% ao ano).

“O consumidor deve evitar novos empréstimos, especialmente na modalidade cheque especial, que é a que vem apresentando as maiores taxas. O momento é ideal para priorizar o acerto de débitos e evitar o acúmulo de dívidas”, adverte, em nota, o Procon.

Os juros no cheque especial não têm comparação com qualquer taxa praticada nos principais países do mundo. A sua persistência durante todo o Plano Real no patamar de três dígitos reforça a crítica de analistas que apontam que, diferentemente da economia real, a inflação financeira em nenhum momento decresceu, mantendo-se, inclusive, em nível pelo menos duas vezes maior a do último mês do governo José Sarney e o primeiro da administração Fernando Collor, de 84% em março.

Monitor Mercantil | 11/04/2014

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Relatório da Auditoria Cidadã ajuda impedir aumento do preço das tarifas de ônibus em BH

A Auditoria Cidadã da Dívida analisou os produtos parciais apresentados pela Ernst & Young, referentes ao Transporte Coletivo realizado por ônibus em Belo Horizonte, e emitiu o Relatório Específico de Auditoria Cidadã da Dívida nº 1/2014 em 16/03/2014, elaborado conjuntamente pela Coordenadora Nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fattorelli,  pelas coordenadoras dos Núcleos de MG e SP – Maria Eulália Alvarenga e Carmen Bressane – e pelo Economista da Auditoria Cidadã da Dívida, Rodrigo Ávila.

No dia 4 de abril último, o Ministério Público obteve, junto à Justiça, liminar determinando a suspensão do aumento da tarifa por 30 dias. Toda a argumentação utilizada pelo MP para suspender o aumento advém dos relatórios apresentados a eles pelo Tarifa Zero BH e Auditoria Cidadã da Dívida (http://goo.gl/57O1Fu).

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A camisa de força do Estado. Neoliberalismo e endividamento

Entrevista com Wilson Cano
  
“Lula festejou a antecipação do pagamento da dívida junto ao FMI em 2005, de 15 bilhões de dólares. A dívida externa atualmente gira em torno de 440 bilhões de dólares. Então que pagamento nós fizemos?”, pergunta o economista.

O endividamento do Estado brasileiro é um problema que vem acompanhando o país desde o período colonial. No entanto, nos últimos anos, este endividamento ganhou novas proporções, e vem cada vez mais ocupando parte significativa dos gastos do governo — que deixa, assim, de investir em outras áreas para privilegiar o pagamento de juros.

Para o economista Wilson Cano, no entanto, o acúmulo de dívidas não é o problema, mas sim a alta incidência de juros dos títulos públicos. “O Japão, por exemplo, tem 120% de dívida em relação ao seu PIB. Contudo, o montante de juros sobre a dívida presente no orçamento público é inferior a 1%”, relata ele, ressaltando que o resgate é sempre no longo prazo. Já no Brasil, os juros giram em cerca de 10%, e o longo prazo nunca é respeitado, o que torna a dívida uma bola de neve.

Em entrevista concedida por telefone à IHU On-Line, Cano ressalta como muito do endividamento atual brasileiro tem sua origem nas reformas neoliberais promovidas na década de 1990 — e que tiveram continuidade nos governos Lula e Dilma. Com a internacionalização do capital, os diversos acordos internacionais e o encolhimento do Estado nacional, o Brasil se encontra “em uma camisa de força”, incapaz de tomar de maneira autônoma medidas que deem novo fôlego à economia. “Nós estamos sem rumo, para dizer o mínimo. É um país que não tem o direito de pensar a longo prazo”, finaliza.

Wilson Cano é graduado em Economia pela PUC/SP, doutor em Ciências Econômicas pela Unicamp, Professor Titular concursado, e hoje professor aposentado. Atualmente é membro vitalício do conselho curador da Fundação Economia de Campinas e consultor da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Cano é autor, entre outras obras, de Desconcentração Produtiva Regional do Brasil: 1970-2005 (São Paulo: Unesp, 2008), Introdução à Economia (São Paulo: Unesp, 2005) e Soberania e Política Econômica na América Latina (São Paulo: Unesp, 1999).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Qual a origem da dívida pública no Brasil?


Wilson Cano - A dívida, realmente, é remotíssima. Ela vem, na verdade, do período colonial. Quando nós declaramos a Independência, a Inglaterra, para reconhecer o Brasil como nação, nos obrigou a reconhecer dívidas que ela havia creditado a Portugal [1]. A dívida é uma velha conhecida nossa.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Como tornar o mercado financeiro sócio da inflação

Luis Nassif | 04/04/2014

O chamado modelo neoliberal conseguiu impingir diversos mitos ao país. Por exemplo, a ideia de que bastaria um ajuste fiscal rigoroso e plena liberdade para os capitais para se obter o crescimento eterno. Ou a ideia dos déficits gêmeos - a de que o equilíbrio fiscal asseguraria automaticamente o equilíbrio externo.

Foi essa bobagem, aliás, que fez a Standard & Poor's cobrir de elogios a Argentina poucos dias antes da sua quebra, com Domingo Cavallo.

***

Mas não existe tema onde se casou melhor sofisma econômico e esperteza do que o modelo de metas inflacionárias, trazido para o país por Armínio Fraga, no governo FHC, e preservado com fé cega pelos governos Lula e Dilma.

Trata-se de um modelo simples, como um produto da TelexFree.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O Capitalismo Dependente Latino-americano, uma resenha

Foram precisos quarenta anos após seu lançamento para ser publicado pela primeira vez em português e no Brasil o clássico das ciências sociais O Capitalismo Dependente Latino-americano, da socióloga Vânia Bambirra, cofundadora com Theotonio dos Santos e Ruy Mauro Marini da teoria marxista da Dependência. 

Para celebrar tal feito, o professor Raphael Lana Seabra escreveu uma excelente resenha do livro para a última edição da revista REBELA. 

Para ler o artigo em formato digital (.PDF) basta clicar aqui.


segunda-feira, 7 de abril de 2014

A mão empresarial no Golpe Militar

 por Luiz Carlos Prates | www.cspconlutas.org.br

Ditador João Figueiredo andando de
braços dados com o megaempresário
Roberto Marinho do conglomerado de 
comunicação Globo.
Há 50 anos, em 31 de março, se instalava no Brasil um regime militar que prendeu e assassinou milhares de trabalhadores e jovens. Com o apoio do governo americano, os militares assumiram o poder, acabaram com a liberdade de imprensa, com os partidos e promoveram um grande arrocho salarial.

Os empresários apoiaram o golpe militar para dar continuidade à exploração sobre os trabalhadores. Pesquisas comprovam que empresas financiaram a Operação Bandeirantes, que consistia na perseguição implacável aos críticos do regime.

Os trabalhadores foram os mais atingidos pelo Golpe de 1964. Além de serem perseguidos, viram suas conquistas serem suprimidas em benefício das multinacionais. Até 1966, os funcionários com mais tempo no trabalho não podiam ser demitidos, mas o regime militar acabou com a estabilidade e instituiu o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), que liberava as demissões e criava um fundo forçado para as obras do governo.

O Vale do Paraíba sofreu brutalmente com a ditadura. Com muitas fábricas e instalações militares, como Engesa, Embraer, Imbel, CTA e Avibras, a perseguição aos que discordavam do regime era permanente. São José dos Campos foi transformada em área de segurança nacional e o prefeito era indicado diretamente pelos militares.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Juros básicos sobem de novo e impedem tributos de darem retorno em serviços

Selic sobe a 11% e desestimula poupança. Juros impedem tributos de darem retorno em serviços. País é o último na relação imposto/IDH. Juros engoliram 68% da alta tributária.

Selic sobe a 11% e desestimula poupança
Monitor Mercantil, 02/04/2014

Pela nona vez seguida, o Banco Central (BC) reajustou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 11% ao ano. É o maior nível desde janeiro de 2011, época em que a presidente Dilma Rousseff tomou posse, quando a taxa estava em 10,75% ao ano.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Endividamento só beneficia mercado financeiro, defende movimento 'Auditoria Cidadã da Dívida'

Essa conclusão foi apontada por integrantes em evento na Câmara Legislativa do DF

O crescimento da dívida pública interna e externa, os aumentos de juros, as metas de inflação e a destinação orçamentária federal estão intimamente relacionados com os interesses do mercado financeiro. Essa conclusão foi apontada por integrantes do movimento "Auditoria Cidadã da Dívida" – organização sem fins lucrativos que promove estudos sobre o endividamento público no Brasil – na Câmara Legislativa nesta quinta-feira (27), durante comissão geral com o objetivo de discutir a dívida pública, em particular a do DF.

Para o autor do pedido de realização do debate, deputado Chico Leite (PT), a discussão sobre a auditoria cidadã da dívida pública vem sendo atacada ao longo dos anos com três estratégias: evitar, desqualificar ou desvirtuar o tema. Leite afirma que essas contestações são as mesmas usadas para evitar o debate sobre a transparência e a ética na política. O distrital considera que a "elite dominante" é quem comanda o boicote à discussão do tema.

Como saber quando caí a Páscoa?

A Páscoa cristã é uma das festas que perdeu o caráter religioso nas sociedades burguesas ocidentais, porém ainda vinculada a suas raízes, sua data móvel ao longo do calendário civil está suscetível a esquemas religiosos, fixados pela Igreja Católica. É comum termos Páscoa em março em um ano ou abril no outro. Por que isso? Como saber quando caí a Páscoa?

Contudo, apesar de seu caráter móvel e fixada aparentemente arbitrário pela Igreja, a data da Páscoa segue uma regra simples e fácil de prever, associado a ciclos do sol e da lua, que não precisa ser um astrônomo para saber.

E afinal, quando caí a Páscoa?

A Páscoa cristã igualmente ao Natal tenha se tornado uma das festas que perdeu em grande parte seu caráter religioso nas sociedades burguesas ocidentais, vários símbolos foram se ressignificando de tal forma a ganhar um conteúdo laico ou mais amplo. Porém, ao contrário do Natal fixado em 25 de dezembro, é comum termos Páscoa em março em um ano ou abril no outro. Sua data móvel ao longo do calendário civil é fixados de acordo a um esquema religioso da Igreja Católica.

A celebração do Natal está ligada intimamente ao Sol, astro que orienta nosso calendário, ao Solstício de inverno no hemisfério sul (de verão do hemisfério norte), momento ápice do astro no céu. Diferentemente, a Páscoa está vinculada uma festa cuja data era ligada ao calendário lunar.

quarta-feira, 26 de março de 2014

“Anos de ouro” para o Grande Capital: uma crítica a algumas leituras apologéticas

 por Demian Melo. Doutor em História pela UFF

Propaganda da Phillips faz referência
 direta à tortura em 1969
O documentário Cidadão Boilesen, de Chaim Litewisk, (Brasil, 2009), que conta a história de um empresário dinamarquês radicado no Brasil, iluminou uma questão extremamente importante para a compreensão do significado histórico da última ditadura: o seu caráter de classe. Henning Albert Boilesen, personagem central do filme, era executivo do grupo Ultragaz e ficou conhecido como ativo colaborador da Operação Bandeirantes (OBAN), projeto piloto para a formação posterior, em todo o território nacional, dos famigerados DOI-CODI.

Fundada ainda em 1969, a OBAN contou com fartos recursos financeiros do grande capital (nacional, estrangeiro e associado). Os mesmos que estiveram à testa da conspiração no início dos anos 1960 contra o governo Goulart, através do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), conspiravam agora, junto a um regime que tinham como seu, em cerimônias realizadas nos salões da FIESP, onde após palestras do Ministro da Fazenda, Delfim Netto, Boilesen “passava o chapéu”, para os associados depositarem cheques. Além de “homem da caixinha”, o empresário dinamarquês se notabilizou por também frequentar as sessões de tortura aos presos políticos na delegacia da rua Tutoia, onde funcionou a sede da OBAN. Em 1971, um grupo operacional da Ação Libertadora Nacional (ALN) e do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT) executou Boilesen em uma rua central de São Paulo, em resposta ao seu apoio à estrutura da tortura.

terça-feira, 18 de março de 2014

Lançamento de núcleo da Auditoria Cidadã da Dívida

da Sucursal Brasília da Agência de Notícias Alternativas (ANOTA)

Será lançado na próxima semana (dia 27/03, quinta-feira) o Núcleo do Distrito Federal do movimento 'Auditoria Cidadã da Dívida Pública'. O evento ocorrerá na Câmara Legislativa do Distrito Federal, às 15 horas

A exigência por serviços públicos de qualidade – educação, saúde, segurança, transporte etc. – tem aumentado na medida em que a sociedade brasileira toma conhecimento da elevada carga tributária que ainda se paga em nosso país e, com razão, cobra o devido retorno em investimentos sociais.

Hoje, mais do que em qualquer outro momento, cumpre buscar o aprofundamento do debate sobre a destinação dos recursos orçamentários em nosso País. Em 2013, mais de 40% do orçamento federal foram consumidos pela dívida pública, que nunca foi devidamente auditada, como estabelece a Constituição Federal no Artigo 26 do Ato das Disposições Transitórias. O orçamento do Distrito Federal também destinou milhões ao pagamento de dívidas nunca auditadas.

Um dado que chama a atenção diz respeito ao volume de recursos destinado à dívida no orçamento federal de 2013, que correspondeu ao quádruplo do valor de todas as transferências da União para todos os 26 estados, ao DF e aos mais de 5 mil municípios brasileiros. A sociedade civil de Brasília está se organizando e lançando o NÚCLEO-DF da Auditoria Cidadã da Dívida.

Para maiores informações acesse o site http://www.auditoriacidada.org.br/

quarta-feira, 12 de março de 2014

Juros sobem pela 9ª vez e chegam a 97%

No rastro da alta da Selic, bancos cobram taxas de até 217% no cartão
Monitor Mercantil | 11/03/2014

Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), em fevereiro os juros cobrados pelos bancos para operações de crédito com pessoas físicas subiram, em média, 3,01% ao mês em relação a janeiro e 4,04% em relação ao mesmo mês de 2013. Isso significa um incremento de 5,82% ao mês e de 97,16% ao ano. São as maiores taxas desde agosto de 2012, quando o teto ao mês alcançara 6,02% e ao ano, 101,68%.

Foi o nono aumento seguido dos juros bancários, enquanto, em 2014, a taxa básica de juros (Selic) subiu 0,25 ponto uma vez.

Segundo a Anefac, houve elevação em todas as seis linhas de financiamento pesquisadas. A maior alta ocorreu no cartão de crédito: 7,58%, o maior desde setembro de 2012. Na modalidade, a rolagem da dívida em um ano chegou a inacreditáveis 216,59%, ante 192,94% ao ano, em janeiro último. No mês, a taxa passou de 9,37% para 10,08%.

Do total de operações, o Crédito Direto ao Consumidor (CDC) teve o segundo maior percentual de aumento – 3,55% – na compra de automóveis. Foi a maior elevação desde julho de 2012. Mas ainda assim é o tipo de financiamento com as menores taxas de juros do mercado. A taxa média passou de 1,69% para 1,75% ao mês, e de 22,28% para 23,14% ao ano.

No comércio, o consumidor nunca pagou tão caro pelas compras a prazo desde agosto de 2012, com os valores acrescidos na média em 2,53% sobre janeiro último. Com isso, a taxa ao mês atingiu 4,46% e, ao ano, 68,81%.

Embora tenha subido “só” 0,62% em fevereiro, o juro no cheque especial manteve a segunda taxa mais onerosa de crédito: 8,08% ao mês e 154,06% ao ano.

A opção menos salgada para quem precisou de dinheiro, no período, continuou sendo o empréstimo pessoal nos bancos (CDC), mesmo com a correção de 1,23%. Para as pessoas jurídicas, as três modalidades de crédito subiram, em média, 0,91%. As empresas pagaram 3,32% ao mês, ou 47,98% ao ano.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Banco Central: pesquisa prevê inflação de 6,01% este ano

Agência Brasil, 10/03/2014

A inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve fechar este ano em 6,01%, de acordo com projeções de instituições financeiras consultadas todas as semanas pelo Banco Central. Na semana passada, a estimativa estava em 6%. Para 2015, a projeção segue em 5,70%, há seis semanas.

Essas estimativas estão acima do centro da meta (4,5%) e abaixo do limite superior (6,5%). É função do BC fazer com que a inflação fique dentro da meta. Um dos instrumentos usados para influenciar a atividade econômica e, consequentemente, a inflação, é a taxa básica de juros, a Selic.

Essa taxa é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, mas a medida alivia o controle sobre a inflação.

O BC tem de encontrar equilíbrio ao tomar decisões sobre a taxa básica de juros, de modo a fazer com que a inflação fique dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.

A mediana das expectativas (desconsidera os extremos nas projeções) das instituições financeiras para a Selic, ao final deste ano, caiu de 11,13% ao ano para 11% ao ano. Para o final de 2015, a projeção segue em 12% ao ano. Atualmente, a Selic está em 10,75% ao ano, após passar por oito altas seguidas.

A pesquisa semanal do BC também traz a mediana das expectativas para a inflação medida Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), que foi alterada de 6,03% para 6,05%, em 2014. Para o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), a estimativa passou de 6,% para 6,03%, este ano. Em 2015, a projeção para os dois índices segue em 5,50%.

A estimativa da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) passou de 5,80% para 5,78%, este ano, e permanece em 5%, em 2015.



quinta-feira, 6 de março de 2014

Presença das mulheres no mercado de trabalho cai em 2013

Na véspera do Dia das Mulheres más notícias com relação ao mercado de trabalho.

A presença das mulheres no mercado de trabalho diminuiu de 56,1% em 2012 para 55,1% em 2013, de acordo com a pesquisa A presença feminina no mercado de trabalho em 2013 na região metropolitana de São Paulo, feita pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Ao mesmo tempo, a participação masculina caiu de 71,5% para 70,6%.

Segundo os dados, em 2012 a taxa de desemprego total entre as mulheres estava em 12,5% e caiu para 11,7% em 2013, sendo a menor taxa de desemprego total registrada na década de 2000. Entre os homens, essa taxa passou de 9,4% em 2012 para 9,2% em 2013. "Para as mulheres, a retração da taxa de desemprego é decorrente da relativa estabilidade do nível de ocupação, concomitante à diminuição da sua presença no mercado de trabalho", mostra a pesquisa.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Projeção de crescimento do PIB cai

Projeção de crescimento do PIB cai para 1,67%
Agência Brasil | 24/02/2014

A projeção de instituições financeiras para o crescimento da economia, este ano, caiu pela terceira semana seguida. Desta vez, a estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, passou de 1,79% para 1,67%. Para 2015, a projeção para o crescimento do PIB também caiu, pela segunda semana consecutiva, ao ser ajustada de 2,1% para 2%.

Essas projeções fazem parte da pesquisa semanal do BC em instituições financeiras sobre os principais indicadores da economia. A estimativa para a expansão da produção industrial passou de 1,93% para 1,87%, este ano, e de  2,89% para 3%, em 2015.

A projeção das instituições financeiras para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB foi ajustada de 34,8% para 34,7%, em 2014, e segue em 35%, em 2015. A previsão para o superávit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) permanece em US$ 7,9 bilhões, este ano. Para 2015, a previsão passou de US$ 11,5 bilhões para US$ 10,5 bilhões.

A estimativa para o saldo negativo em transações correntes (registro das transações de compra e venda de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior) foi ajustada de US$ 74,6 bilhões para US$ 75 bilhões, este ano, e de US$ 68 bilhões para US$ 67,8 bilhões, em 2015.

A projeção para a cotação do dólar subiu de R$ 2,48 para R$ 2,50, ao final de 2014, e segue em  R$ 2,55, no próximo ano. A expectativa das instituições financeiras para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) subiu de US$ 58 bilhões para US$ 58,8 bilhões, em 2014. Para o próximo ano, segue em US$ 57,3 bilhões. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Corte de R$ 44 bi: Enxugando gelo

Cedendo ao mercado financeiro Dilma corta de R$ 44 bilhões do Orçamento para ampliar o superávit primário. Presidenta amplia aperto fiscal para gastança com juros. Medida será inócua para a dívida pública, porém terá forte impacto na demanda agregada numa economia já parada.

Dilma cede à banca e tira R$ 44 bi da economia
Monitor Mercantil | 20/02/2014 

Com economia parada, presidente amplia aperto fiscal para gastança com juros

Obedecendo à pressão do mercado financeiro, o governo anunciou que o corte no Orçamento da União de 2014 alcançará R$ 44 bilhões. Apesar do crescimento medíocre da economia, a medida visa a viabilizar um desvio de 1,9% do setor público consolidado para pagar juros (superávit primário), somente na esfera da União. Dos R$ 44 bilhões, R$ 13,5 bilhões são despesas obrigatórias e R$ 30,5 bilhões correspondem a despesas discricionárias.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Governo anuncia corte de R$44 bi no orçamento e põe servidores mais uma vez frente a cenário de arrocho

Sindsef-SP

Se quiserem ver sua pauta de reivindicações mais urgente atendida, os servidores federais vão precisar reforçar a mobilização e pressão em torno de suas demandas. Nesta quinta-feira o governo anunciou um corte de R$44 bilhões no orçamento. A maior parte em despesas obrigatórias. A categoria sabe que esta é a imposição de um cenário de arrocho que atinge investimentos e melhorias no setor público e que afeta diretamente o atendimento à população. Os obstáculos não são novos. As dificuldades no processo de negociação com o governo já são, por si só, indicadores fortes de que a busca por avanços no atendimento de demandas urgentes só devem ocorrer acompanhadas de forte pressão. Na próxima semana termina o prazo que o Ministério do Planejamento apontou para dar uma resposta formal à pauta da Campanha Salarial Unificada 2014.

Enquanto o governo segue dando prioridade a setores privilegiados, a administração pública sofre do mal do sucateamento. Esse cenário não só enfraquece o setor público como abre espaço para uma desastrosa política que entrega cada vez mais ao setor privado serviços essenciais à população que já paga uma das maiores cargas tributárias do mundo. Recordes sucessivos de arrecadação não são suficientes para que o governo priorize investimentos nos segmentos que mais interessam à população que segue refém de um atendimento precário onde falta mão de obra e sobram problemas funcionais. Servidores sobrecarregados, muitas vezes desviados de funções, além de mal remunerados são parte integrante dessa realidade.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Verão, inflação e 'isoporzinho'. Agora o brasileiro vai a rua protestar contra a cerveja cara

por Almir Cezar, da sucursal Brasília 
da Agência de Notícias Alternativas - ANotA

Banner convocando o 1º evento 'Isoporzinho' em Niterói.

Contra alta dos preços surge mais um protesto alternativo.
Falaremos aqui sobre o verão. Não do calor e da diversão das férias no campo ou na praia com a família e amigos, mas os preços. O quão alto se tornam nesse período produtos banais, como bebidas e alimentos, a chamada “inflação das férias”, ou de verão - que é acima da média, até para quem não viaja. E nesse ano esta foi ainda pior, idas aos bares e boates vêm ficando proibitivos. Porém, ao contrário do passado, que o consumidor só reclamava ou apenas deixava de comprar, o que por si só possivelmente não resolveria o problema, agora por várias cidades as pessoas vêm se juntando para realizar um tipo novo de protesto, o 'isoporzinho',  em que cada um leva o que vai tomar "fugindo" ou se manifestando contra o abusivo dos preços.

Com o começo do ano, além do pagamento dos impostos anuais, como IPTU, IPVA, e itens tradicionais dessa época, como matrículas e material escolar, etc, todos reajustados, os trabalhadores precisam se deparar com os custos das férias, que estão acima da inflação. Essa alta não é impressão dos consumidores no verão. Itens tradicionais do verão, como guloseimas, lazer e viagens, subiram mais que a inflação oficial, o IPCA, entre 2012 e 2013. Um outro índice de inflação, o INPC, que mede preços para famílias com renda até cinco salários mínimo, essa semana foi divulgado de que ficou em 0,63% em janeiro deste ano. A inflação dos produtos alimentícios ficou em 0,86%, enquanto os não alimentícios tiveram alta de preços de 0,53%. E com a proximidade do carnaval a situação provavelmente ficará ainda complicada para os veranistas e foliões. 

A causa da inflação dos itens de férias e do verão pode ser medida no preço do coco, um item típico do período, que "inflaciona" nessa época. Há poucos meses nos pontos mais baratos estava a R$3,00 agora não menos de R$3,50 ou mesmo a R$4,00. O problema não é no campo - para especialistas, o coco fica quase 15 vezes mais caro até chegar à praia. Os produtores, curiosamente não vêem boa parte desse lucro da cadeia e estão sofrendo com o preço baixo. Quem acaba ficando com a maior parte do lucro são as outras partes dessa cadeia, tanto o intermediário quanto o comerciante. Os intermediários, que levam o coco da fazenda até os centros de distribuição, ganham de três a quatro vezes em cima do produtor.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Indústria encolhe 40% no PIB com real forte

Indústria encolhe 40% no PIB com real forte
Monitor Mercantil | 14/02/2014

CÂMBIO VALORIZADO DESESTRUTUROU PRODUÇÃO NACIONAL

O regime de câmbio apreciado mudou, para pior, o perfil da estrutura produtiva brasileira. A afirmação é da economista Eliane Araujo, professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), em entrevista exclusiva ao MM.

“No Brasil a apreciação cambial esteve associada a uma perda de 40% de participação da indústria na economia, entre 1980 e 2012. A apreciação do câmbio implica também o aumento do componente importado da produção industrial, tornando mais vantajoso para o país importar insumos em vez de produzi-los domesticamente.”

Defendendo mudanças estruturais para reindustrializar o país, a economista destaca que qualquer projeto tem de passar pela política cambial, “variável-chave”, segundo ela. Mas a fragilidade externa da economia brasileira enfraquece o Estado como planejador e indutor do desenvolvimento industrial, que pressupõe tecnologia e inovação.

“Para se ter noção da fragilidade financeira e vulnerabilidade externa do país, basta observar a evolução do passivo externo bruto, que saltou de US$ 371 bilhões, em 2001, para US$ 1,604 trilhão, no fim de 2013. No encerramento de 2012 esse débito estava em US$ 1,556 trilhão”, contabiliza a economista, acrescentando que o câmbio valorizado foi prejudicial aos setores e ramos tecnologicamente mais sofisticados, favorecendo os ramos mais tradicionais e os ligados às atividades primárias.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

'Altas temperaturas' na inflação do verão

Altas temperaturas esquentam a inflação
Monitor Mercantil | 14/02/2014

Nos últimos 12 meses, os produtos de alto consumo no verão subiram mais do que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que está em 5,59%. A chamada “inflação de verão”, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), ficou em 8,61%.

O economista responsável pelo levantamento, André Braz, destaca que o maior aumento foi no preço das bebidas, e diz que isso não é efeito apenas do forte calor que tem feito desde o início do ano. Ou seja, não é um aumento sazonal.

“Esses aumentos não aconteceram exclusivamente no verão de 2014, são aumentos que aconteceram do verão passado ao atual. Então, em relação a 2013, bebidas de vários tipos, como chope, cerveja, refrigerante, água, subiram mais do que a inflação média, até mais de 10% em alguns casos”.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Chegamos a mais de 200 mil visualizações!

Chegamos a mais de 200 mil visualizações! Agradecemos aos amigos leitores e os colaboradores por termos chegados a esse patamar nesse pequeno espaço. 

Seguimos tentando ser um observatório marxiano dos limites e mutações do capitalismo contemporâneo - contribuindo a um contrajornalismo econômico.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Economia encolhe 1,35% em dezembro, e cresce 2,57% em 2013, aponta BC

A economia brasileira  em dezembro encolheu 1,35% em relação a novembro e fecha 2013 com avanço de 2,57%, apontou o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto) oficial. Os dados do BC foram divulgados nesta sexta-feira (14).

Em relação a dezembro de 2012, houve crescimento de 0,17%, segundo o índice. No quarto trimestre de 2013 na comparação com o terceiro, o IBC-Br mostrou queda de 0,17%.

IBC-Br

O índice é elaborado mensalmente pelo BC e é considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto) --que é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a cada trimestre e leva a um resultado anual. 

O indicador do BC é visto pelo mercado como uma antecipação do resultado do PIB, e serve de base para investidores e empresas adotarem medidas de curto prazo. Porém, não necessariamente reflete o resultado anual do PIB e, em algumas vezes, distancia-se bastante.

O indicador do BC leva em conta a trajetória das variáveis consideradas como bons indicadores para o desempenho dos setores da economia (agropecuária, indústria e serviços).

A estimativa do IBC-Br incorpora a produção estimada para os três setores acrescida dos impostos sobre produtos. O PIB calculado pelo IBGE, por sua vez, é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país durante certo período.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Alta nos juros ao invés de combater inflação, ameaça o equilíbrio dos preços

por Almir Cezar

A alta da Selic, a ser "usada" para baixar inflação, esta causada principalmente pelos preços dos alimentos, tem como efeito o desestímulo à produção e ameaça justamente o equilíbrio de preços. E ainda, o país já torrou desde abril para cá, quando a Selic estava em 7,25% ao ano, mais R$ 32 bilhões com juros da dívida pública. Esta ação do Banco Central é criticada por economistas não-ligados ao setor financeiro - grande beneficiário com a medida - porém pouco ouvidos pela grande imprensa. Segundo eles não haveria necessidade dessa iniciativa. Embora juros altos reduzem o consumo, também inibe os investimentos, necessários para a recomposição do parque industrial e geração de mais empregos, e que aumentam a produção, logo a oferta de bens e serviços, o que combateria justamente a alta de preços.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Governo amplia gastos com a dívida pública e diminui investimento com funcionalismo

CSP-Conlutas | 04/02/2014

A Auditoria Cidadã da Dívida divulgou, nesta segunda-feira (3), em suas notícias comentadas, a mensagem enviada pela presidente Dilma Rousseff ao Congresso Nacional de que o governo não medirá esforços para “manter seu compromisso com a responsabilidade fiscal”.

Outro trecho da mensagem presidencial abordado pela Auditoria Cidadã: “É importante destacar que a necessidade de financiamento da Previdência Social caiu de 1,3% do PIB em 2009 para 1% em 2013; as despesas com pessoal, de 4,7% para 4,2% do PIB, no mesmo período. Esse esforço não seria concretizado sem a parceria do Congresso Nacional.”

De acordo com a entidade, essas declarações mostram, cada vez mais, que o governo deixa de investir no funcionalismo público, ou seja, nas pessoas  responsáveis pelo atendimento à população, para pagar os juros da dívida, cujo dinheiro vai para os grandes investidores e  banqueiros.

Outro fato levantado pela Auditoria Cidadã é de que existe pressão do Poder Executivo para que o Legislativo não aprove nenhum projeto que implique no aumento de gastos sociais, tais como o piso salarial dos agentes de saúde, dos policiais estaduais, o fim do Fator Previdenciário, entre outros.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Crise chega aos emergentes. Vêm aí aumentos no juro, dólar e inflação e mais arrocho fiscal

por Almir Cezar, 

A principal notícia da semana passada foi a crise que se espalha pelos países emergentes, com desvalorização de suas moedas e fuga de suas bolsas de valores em meio à crescente desconfiança dos investidores internacionais, combinado ao anúncio do governo americano de reduzir seu programa de compra de títulos do tesouro nacional. As economias emergentes estão às voltas com o aumento do juro, do preço do dólar e da inflação e promessas de arrocho fiscal dos governos.

Os países emergentes, principalmente os BRICS (bloco de países formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), durante a primeira fase da crise econômica mundial sofreram pouco com o “furacão” e serviram de “porto seguro” para os capitais, enquanto EUA e Europa afundavam. Agora, os grandes bancos e investidores internacionais, em meio à crise fiscal, inflação e crescimento econômico baixo, têm dúvidas com relação a esses países, especialmente com a impressão que os EUA e a Europa já teriam passado pela sua pior fase e haveria outros países mais "interessantes".

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Mentiras propagadas pelo pensamento econômico dominante

por Vicenç Navarro

Permita-me, senhor leitor, que eu converse com você como se estivéssemos tomando um café, explicando-lhe algumas das maiores mentiras apresentadas diariamente no noticiário econômico. Você deveria ter consciência de que grande parte dos argumentos mostrados pelos maiores meios de informação e persuasão econômicos do país para justificar as políticas públicas ora implementadas são posturas claramente ideológicas, que não se sustentam com base na evidência científica existente. Vou citar algumas das mais importantes, mostrando que os dados contradizem aquilo que se diz. E também tentarei explicar por que continuam repetindo essas mentiras, apesar de a evidência científica questioná-los, e com que finalidade elas são apresentadas diariamente a você e ao público.

Comecemos por uma das mentiras mais importantes, que é a afirmação de que os cortes de gastos nos serviços públicos do Estado de bem-estar social – tais como saúde, educação, serviços domésticos, habitação social e outros (que estão prejudicando enormemente o bem-estar social e a qualidade de vida das classes populares) – são necessários para que o déficit público não aumente. E você se perguntará: “E por que é tão ruim que o déficit público cresça?”. E os reprodutores do senso comum lhe responderão que o motivo de se reduzir o déficit público é que o crescimento desse déficit determina o crescimento da dívida pública, que é o que o Estado tem que pagar (predominantemente aos bancos, que têm uma quantia em torno de mais da metade da dívida pública na Espanha) por ter pedido emprestado dinheiro dos bancos para cobrir o rombo criado pelo déficit público.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Senado vota projeto sobre as dívidas dos estados e municípios

Senado vota projeto sobre as dívidas dos estados e municípios
portal da CSP-Conlutas | 04/02/2014

A Agência Senado mostra que deve ser votado amanhã (quarta) o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 99/2013, que altera as taxas de juros das dívidas dos estados e municípios com a União. O PLC é totalmente insuficiente para resolver o problema dessas enormes e questionáveis dívidas, pois não propõe uma ampla auditoria sobre os diversos e graves indícios de ilegalidades já constatados em recentes CPIs e investigações da Auditoria Cidadã da Dívida (ver a Carta entregue aos Senadores em dezembro de 2013).

O projeto apenas propõe a alteração da taxa de juros a partir de agora, que incidirá sobre um estoque altamente majorado. O atual índice (IGP-DI + 6 a 9% ao ano) seria alterado para o IPCA + 4% ao ano. Porém, nos grandes estados (SP, RJ, MG e RS, por exemplo) e no município de São Paulo, tal alteração não reduziria o atual comprometimento dos orçamentos com essa dívida, dado que os montantes de juros ainda continuariam próximos ou superiores à capacidade de pagamento desses entes federados.

O PLC também propõe um recálculo das dívidas desde seu início, aplicando-se a Taxa Selic, que no período de 1998 a 2013 acumulou variação de 938%, valor até maior que o já absurdo índice IGP-DI + 6% ao ano (832%), aplicado a diversos estados, como Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. No caso de estados submetidos à taxa de 7,5% ao ano (mais o índice IGP-DI), como Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Pará, a redução será muito pequena.

A Auditoria Cidadã da Dívida propôs emendas aos Senadores, sendo que duas delas foram apresentadas pelo Senador Randolfe Rodrigues (PSOL/AP). A Emenda de Plenário nº 6  e a Emenda de Plenário nº 7 propõem a auditoria dessas dívidas, e o recálculo com base no IPCA, sem a cobrança de juros.

Caso o PLC seja aprovado sem alterações, já deve ser encaminhado diretamente à sanção da Presidenta Dilma.

Representantes da Auditoria Cidadã da Dívida estiveram presentes no Senado na tarde de hoje e amanhã prosseguirão a distribuição de Nota aos Senadores (clique aqui para acessar).

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

EUA exportam crise à periferia. Desindustrialização deixou emergentes mais vulneráveis à retirada da ajuda do Fed

 31/01/2014 | Monitor Mercantil

Desindustrialização deixou emergentes mais vulneráveis à retirada da ajuda do Fed

Para o economista Carlos Lessa, ex-reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-presidente do BNDES, a depreciação cambial em países emergentes provocada pela fuga de capitais não deve surpreender aos que acompanham a história. “No sentido mais amplo, é um comportamento imperialista, pois a potência dominante sempre tenta jogar a conta de suas crises para a periferia. Mas a questão é saber se a periferia vai suportar e o que poderá fazer para se defender”, analisa.

Lessa ressalva que aumentou o grau de vulnerabilidade nos países que abriram mão de suas indústrias, sobretudo no período em que os produtos primários viveram um período de valorização, no início do século. E ressalva que a China hoje não é mais um país periférico e que, em determinadas situações, forma com os Estados Unidos uma espécie de G2.

O economista lembra que, durante a II Guerra, a Inglaterra acumulou dívidas, que, posteriormente, exportou para a periferia, usando a desvalorização de sua moeda, a libra.

“Sempre achei que, em algum momento, os Estados Unidos iriam transferir sua dívida da crise para a periferia. Impressionante como alguns países emergentes aceitaram desmantelar suas indústrias apostando no curto período de valorização dos produtos básicos, no início deste século. E o Brasil foi um dos que mais se incorporaram a esse processo”, criticou.

Quanto à Argentina, Lessa lembra que, desde a década de 30 do século passado, o país passou a ter renda per capita inferior à do Brasil devido ao acelerado processo de industrialização iniciado no governo de Getúlio Vargas:

“Quem depende de produtos primários fica à mercê dos preços formados fora do país”, adverte o economista, indicando como marco dessa nova fase do capitalismo hegemônico a queda do padrão ouro, que desvinculou, em 1971, o dólar das reservas daquele metal dos EUA.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Desemprego em 2013 é o menor dos últimos 11 anos. Desalento levou a esse patamar.

Segundo o IBGE o desemprego em 2013 é o menor dos últimos 11 anos. Número de desempregados é o menor desde 2002. O que levou a esse resultado foi mais a saída de concorrentes do mercado de trabalho (desalento) do que a criação de novas vagas, segundo mostra a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) feita em conjunto pela Fundação Seade e o Dieese.

Desemprego em 2013 é o menor dos últimos 11 anos
30/01/2014 | Rio de Janeiro | Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger

Número de desempregados é o menor desde 2002

A taxa de desocupação oficial fechou 2013 em 4,3%. A taxa é a menor já registrada desde o início da série histórica, iniciada em março de 2002, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Banco Central dos EUA reduz ajuda, periferia sobe juro

Fed reduz ajuda, periferia sobe juro
29/01/2014 | Monitor Mercantil

Retirada de US$ 10 bi no mensalão do BC dos EUA eleva pressão sobre câmbio

Em meio a ataques especulativos nos países emergentes, às voltas com fugas de capitais, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) anunciou novo corte de US$ 10 bilhões, para US$ 65 bilhões, no programa de compras mensais de títulos podres das carteiras dos principais bancos de investimento do país, também conhecido como mensalão do Fed.

Depois do anúncio do Fed, a África do Sul, que não aumentava seus juros há seis anos, elevou sua taxa de 5% ao ano para 5,5% ao ano, acompanhando a Turquia e outras economias emergentes.

Sob pressão do mercado financeiro, o Brasil desde abril de 2013 já elevou sete vezes a taxa básica de juros (Selic).

A alta de 0,5 ponto do juro na África do Sul, no entanto, foi insuficiente para saciar o mercado financeiro, que impôs uma desvalorização de 2% ao rands, moeda sul-africana.

Para o economista Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central do Brasil (BC), a recente desvalorização do real, que subiu mais 0,3% nesta quarta-feira, para R$ 2,4338, já teria incorporado o “efeito Fed”. Para ele, de nada adiantará o BC continuar a elevar juros. “Há pouca margem também para mais aperto fiscal”, afirma.

No entanto, o economista Reinaldo Gonçalves, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), não vê limite para a queda do real ou a alta dos juros no Brasil: “Em 2002, na primeira eleição de Lula, o dólar estava em R$ 3,53. O Brasil tem déficit de contas externas muito grande, metade dele causado por remessas de lucros, que irão aumentar após as concessões que o governo está fazendo”, alerta.

Gonçalves salienta ainda que o Brasil tem passivo externo de US$ 1,6 trilhão, evidenciando que, num ambiente de liberalização financeira, as reservas cambiais são insuficientes para proteger o país dos especuladores.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Crises cambiais se espalham pelos países emergentes

por Almir Cezar

No momento vários países emergentes se veem às voltas com desvalorização de suas moedas em meio à crescente desconfiança dos investidores, com elas alta na inflação e ameaça de crise nas contas externas. As autoridades econômicas dos mercados emergentes foram obrigados nessa terça-feira (28/1) a emitir 'sinais concretos de determinação' a corrigir os problemas que estão fazendo as suas moedas 'derreterem'.

Ao antecipar um endurecimento da política monetária americana, os investidores repatriaram seus fundos, de forma abrupta, para os Estados Unidos, o que afetou as contas públicas e privadas de alguns países, como Brasil e Turquia. Investidores estão arredios em relação aos mercados emergentes, diante da redução dos estímulos à economia dos EUA - Bolsa de Nova York subiu 0,57%.

Com derretimento da lira, Banco Central turco 'radicalizou' e eleva os juros para 12% ao ano, e informou que manterá a política monetária apertada, até que a inflação, que ronda os 8%, ceda para níveis mais confortáveis. Por sua vez, a autoridade monetária indiana também aumentou o custo do dinheiro.

Na Argentina, depois da crise cambial instalada na semana passada, que levou a equipe de Cristina Kirchner a reduzir as restrições de compra de dólares para pessoa física para evitar uma nova mordida nas parcas reservas internacionais, foi obrigada a voltar atrás. Somente em janeiro, a moeda argentina perdeu 22,7% de seu valor, a maior desvalorização registrada em um mês, desde março de 2002, quando o país saía da pior crise de sua recente história.

Segundo o FMI e instituições financeiras, os Bancos Centrais dos emergentes devem combater urgentemente a inflação, que desanima os investidores ao enfraquecer o valor de seus ativos. Para esses, o combate se faz com elevação da taxa básica de juros e superávits/austeridades fiscais.

Já o governo brasileiro indica corte maior no Orçamento desse ano, para economizar até 2% do PIB, porém, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a Casa Civil não confirmaram ainda. O corte (de R$ 30 ou mesmo R$ 50 bilhões no Orçamento de 2014) havido sido divulgado ou sugerido por analistas do mercado financeiro. Segundo o Mantega, o corte será definido após estudos, simulações e discussões entre os técnicos.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Índia eleva taxas de juros para controlar preços

Os últimos eventos na Argentina e, agora, Índia, demonstram que o mundo caminha para uma alta da inflação, provocada por problemas cambiais.

Índia eleva taxas de juros para controlar preços

Jornal GGN - ter, 28/01/2014 - O Banco Central da Índia elevou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual nesta terça-feira (28) para frear a inflação. A medida prevê não apertar mais a política econômica do país no curto prazo. De acordo com informações locais, o país está mais preparado para lidar com o risco das saídas de capital.

Assim como os fatos recentes na Argentina, a Índia também sofreu com os problemas cambiais. A rupia, moeda local, despencou 11% em 2013 logo após o anúncio do governo americano de reduzir seu programa de compra de títulos do tesouro nacional. E as expectativas de redução gradativa, com a chegada da nova presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, renovaram as pressões sobre as economias emergentes.

Há a expectativa de uma inflação alta, porém moderada, pelos consumidores. Para isso, o banco central deve basear suas decisões sobre os juros em uma meta para não afetar os preços. E o desafio da entidade monetária é ainda maior: a Índia cresceu no ritmo mais lento da década, simultaneamente ao aumento desenfreado dos alimentos - e sua escassez de oferta.

O BC indiano elevou sua taxa de juros para 8%, em meio a preocupações do mercado com a desaceleração do crescimento na China e a perspectiva de mais redução do estímulo norte-americano.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Dilma vai a Davos e 'vende' o país

Texto de reportagem especial para o programa Censura Livre, da Rádio Aliança 98,7 FM, São Gonçalo/RJ. Ele foi ao ar neste sábado, 25/01, entre 18 e 20h (reapresentação terça-feira, das 17 às 19h). 

Você  pode participar através dos sites www.radioaliancafm.com.br ou www.radioaliancafm.org, pelo e-mail programacensuralivre1@gmail.com ou ainda pelos telefones 2724-2263 e 2604-1553. Também pode ouvir a Rádio Aliança no seu celular, baixando o aplicativo Tune In.

Reportagem especial: "Dilma vai a Davos e 'vende' o país

Olá ouvintes,

A presidenta Dilma Roussef visitou esta semana o Fórum Econômico Mundial, em Davos na Suíça, em sua primeira ida a esse mais importante encontro anual de empresários, políticos e especialistas econômicos capitalistas do planeta, procurou rebater críticas à economia brasileira e a dos demais BRICS e ‘vender’ o país.

O Fórum, criado como espaço para reflexão dos maiores capitalistas do mundo por eles próprios, era antes alvo de severas críticas pelo PT e odiado pelos movimentos sociais, sofrendo no fim dos anos 90 e início dos 2000 com inúmeros e grandes protestos, ao ponto de inspirar a criação de sua nêmesis, o Fórum Social Mundial, reunindo centenas de milhares de ativistas do mundo inteiro. Durante alguns anos foi apoiado pelas administrações petistas e cujos eventos principais se davam na cidade de Porto Alegre. Este encontro ainda acontece, porém, com muito menos evidência.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Dilma sanciona Orçamento de 2014. Reforma Agrária ficará com 0,21% enquanto juros com quase metade

por Almir Cezar

O Diário Oficial da União publicou na terça-feira (21) a Lei 12.952/2014, com Orçamento da União para 2014. A receita total da União ficou em R$ 2,488 trilhões ante despesas de mesmo valor. Para os orçamentos Fiscal e da Seguridade Social a receita total é de R$ 2,383 trilhões, incluindo emissão de títulos para o refinanciamento da Dívida Pública Federal (DPF), interna e externa. Itens como previdência, saúde, educação e desenvolvimento agrário ficaram com muito menos que com juros da dívida. E ainda, o reajuste dos servidores e a criação de vagas para concursos serão menores que a inflação e a necessidade.

O Lei do Orçamento foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff sem vetos e publicada no Diário Oficial da União (DOU). O texto foi aprovado em dezembro pelo Congresso Nacional. Do total, R$ 1,084 trilhão são destinados ao Orçamento Fiscal, R$ 643,979 bilhões ao Orçamento da Seguridade Social e R$ 654,746 bilhões ao refinanciamento da DPF. Para as despesas de 2014, a lei fixou que o Orçamento Fiscal ficará com R$ 1,015 trilhão do recurso e a Seguridade Social com R$ 712,911 bilhões. Sendo que R$ 69,149 bilhões virá do Orçamento Fiscal.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

1% da humanidade controla 50% do PIB mundial

1% da humanidade controla 50% do PIB mundial

jamil-chade

GENEBRA – Metade da riqueza do mundo está nas mãos de apenas 1% da população mundial. Dados divulgados hoje pela ong Oxfam revelam o tamanho da disparidade social no planeta e num processo que ganhou força desde 2008, quando a crise mundial afetou em especial as classes médias.

A desigualdade social é considerada como tão profunda hoje que começa a assustar até os organizadores do Fórum Econômico Mundial de Davos, considerados como os arautos do capitalismo. Um informe preparado pela entidade que nesta quarta-feira começa seu encontro na estação de esqui na Suíça revela que as disparidades sociais são riscos reais para a estabilidade internacional. Entre os riscos para o mundo, Davos aponta que a disparidade é o maior deles.

Mas é o estudo da Oxfam que traz os dados mais reveladores. 85 fortunas mundiais acumulam a mesma riqueza que 3,5 bilhões de pessoas. Ou seja, metade da humanidade. Na prática, 1% das pessoas controlam 50% do PIB do planeta. O documentos será apresentado aos magnatas do mundo em Davos, muitos dos quais são até hoje apontados como os responsáveis por ter incentivado um cenário de irresponsabilidade financeira.

Desta vez, serão confrontados com números claros. Nos EUA, 95% do crescimento gerado após a crise de 2008 ficou nas mãos de 1% da população.

Na Europa, as dez pessoas mais ricas do Velho Continente mantém fortunas equivalentes a todos os pacotes de resgate dados aos países da região entre 2008 e 2010, cerca de 200 bilhões de euros.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

2014 terá inflação de 6,01%. Prévias de janeiro já começaram em alta

Projeção da inflação anual medida pelo IPCA fica em 6,01%
Agência Brasil | 20/01/2014

A projeção de instituições financeiras para a inflação em 2014, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), passou de 6% para 6,01%. Para 2015, a estimativa subiu de 5,50% para 5,60%, de acordo com a pesquisa semanal do Banco Central, divulgada às segundas-feiras.

As projeções estão distantes do centro da meta de inflação, de 4,5%, e abaixo do limite superior de 6,5%. Cabe ao BC fazer com que a inflação convirja para o centro da meta.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Na contramão: Alta nos juros ameaça o equilíbrio dos preços

por Almir Cezar, de Brasília

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC), ao elevar a taxa básica de juros (Selic) para 10,5% ao ano, na quarta-feira (15/01), acrescentou mais 0,5 ponto percentual à trajetória iniciada em abril de 2012, quando a Selic estava em 7,25% ao ano. Contudo, a alta da Selic, usada para baixar inflação, causada principalmente pelos preços dos alimentos, desestimula a produção e ameaça justamente o equilíbrio de preços.

Com alta dos juros o crescimento não se sustenta

Não por acaso, na sexta-feira (17/01), o Banco Central divulgou o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central – Brasil), indicador que antecipa o PIB (Produto Interno Bruto), apurado oficialmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A economia brasileira não sustentou a tendência de aceleração registrada em outubro do ano passado após o fraco desempenho do terceiro trimestre.

A atividade caiu 0,31% em novembro na comparação com o mês anterior. O número é pior do que a expectativa dos analistas. Demonstrando a instabilidade no crescimento da economia no ano passado. O resultado de novembro representou o oitavo mês seguido de em que o índice alternou altas e baixas. Em outubro, havia subido 0,7%.

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sábado, 18 de janeiro de 2014

Caixa Econômica tenta tungar poupanças e Juros sobem de novo prejudicando o crédito ao consumidor

Coluna do dia 17/01 do quadro Economia é Fácil do programa Censura Livre, rádio Aliança FM 98.4, São Gonçalo (RJ)

Olá ouvinte do programa Censura Livre aqui quem fala é Almir Cezar, direto da sucursal Brasília da Agência de Notícias Alternativas - ANOTA, com a coluna "Economia é Fácil", sempre tentando explicar as principais notícias econômicas da semana. Hoje falaremos sobre duas: 

A primeira é que a Caixa Econômica Federal desde segunda-feira corre atrás do prejuízo para se explicar depois que reportagens saídas no fim de semana informavam que o banco tinha encerrado ilegalmente as contas inativas e confiscado os recursos, usando o dinheiro para inflar os lucros em 2012. 

A Caixa pressionada pela repercussão alegou que não mexeu nas inativas, apenas encerrou contas cujos titulares estivessem com CPF ou CNPJ irregulares. Segundo banco, este promovera uma varredura para identificar contas de titulares com irregularidades, mas que os correntistas que não se manifestaram tiveram suas contas encerradas em 2012.

Os recursos das quase meio milhão das contas encerradas foram contabilizados como receitas operacionais, o que elevou o lucro líquido da Caixa em R$ 420 milhões no balanço de 2012 depois do pagamento de tributos. 

Esse montante foi distribuído aos acionistas do banco, especialmente o governo federal, que usou esse mais os impostos para equilibrar as contas públicas - abalada pela queda na arrecadação de impostos provocada pela desaceleração econômica, alta nos juros da dívida e desonerações fiscais.

A Caixa, desautorizada pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pelo Banco Central, informou que no próximo balanço a ser divulgado, no começo de fevereiro, haverá a anulação dessa apropriação do dinheiro das contas encerradas.

Programa de rádio Censura Livre completa 3 anos com muita informação

No dia 15 de janeiro, comemorou-se o aniversário de três anos do programa Censura Livre, da Rádio Aliança 98,7 FM, em São Gonçalo, RJ.  O programa tem muita informação, debates com convidados, entrevistas e os quadros "Notícias da semana", "Conexão Brasília", "Economia é Fácil" e "Por dentro da música".

O programa vai ao ar ao vivo todos os sábados, das 18h às 20h (reprisado às terças-feiras, das 17h às 19h). 

Os ouvintes ou internautas também pode participar através dos sites www.radioaliancafm.com.br ou www.radioaliancafm.org, pelo e-mail programacensuralivre1@gmail.com ou ainda pelos telefones (21) 2724-2263 e 2604-1553. 

Você também pode ouvir a Rádio Aliança FM no seu celular baixando o aplicativo Tune In e programas anteriores pelo canal no Youtube ou pelo blog do Programa Censura Livre em http://pcensuralivre.blogspot.com.br/.

O Censura Livre é apresentado por Antônio Figueiredo e Dirley Santos e produzido por Antônio Figueiredo, Ademar Lourenço, Almir Cezar Filho, Dayse Alvarenga, Dirley Santos, Eduardo Araújo, Rodrigo Noel e Rodrigo Barrenechea.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Colapso da UGF e UniverCidade e o neoliberalismo na Educação Superior brasileira

por Almir Cezar

Protesto em frente a uma unidade da UGF
Dei aulas na Universidade Gama Filho (UGF)  em 2008/2009 e senti na pele o impacto da lógica neoliberal e mercantilista, que só poderia em resultar na gravíssima crise por que esta e a UniverCidade passam no momento, ambas universidades do Grupo Galileo. O MEC diz que fará a transferência assistida dos estudantes para outras universidades privadas.

Infelizmente, faço minhas as palavras do artigo abaixo, com um adendo: a única alternativa correta diante do fato consumado, não é o mero descredenciamento de ambas universidades particulares, como fez o Ministério da Educação (que meramente "lavou às mãos"), mas sua imediata estatização, ou pelo Estado do Rio de Janeiro ou pela União, pelo bem dos milhares de estudantes, professores e técnico-administrativos afetados.

A crise da Educação
Fatos & Comentários | Jornal Monitor Mercantil | 16/01/2014

O descredenciamento da Universidade Gama Filho e da UniverCidade são, para além do drama dos alunos subitamente privados do ensino, um exemplo pedagógico das consequências do achatamento do nível universitário no Brasil. Numa escalada que remonta à interminável era FH, o Brasil assiste a uma farra de abertura de cursos superiores, cujo acesso, na sua esmagadora maioria, tem como único filtro a capacidade do interessado em arcar com as mensalidades.

Não por acaso, o país inventou a triste figura do analfabeto universitário, que, com diploma em punho, é incapaz de interpretar um texto relativamente simples. Tudo isso sob as vistas amenas do Ministério da Educação (MEC), que, apenas, recentemente, passou a proibir algumas dessas faculdades de aceitarem novos alunos.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Copom exagera na dose: Selic sobe 0,5 ponto e emperra economia


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou nesta quarta-feira a taxa básica de juros (Selic) de 10% para 10,50% ao ano. Foi o sétimo aumento seguido de abril do ano passado até hoje.

Segundo comunicado do Copom, a decisão de elevar a Selic em 0,50 ponto percentual, sem viés, foi tomada por unanimidade.

A taxa básica de juros do Brasil – que já era a mais alta do mundo – aumentou mais um pouco, com impacto imediato na dívida pública. De acordo com o Dieese, cada ponto percentual de subida na Selic equivale a acréscimo aproximado de R$ 6 bilhões/ano na dívida. A taxa Selic cresceu 3,25 pontos percentuais de abril de 2013 até agora.

“Embora todos saibam que juros altos reduzem o consumo, também inibe os investimentos privados, necessários para a recomposição do parque industrial e geração de mais empregos”, declarou a Confederação Nacional da Indústria (CNI), em nota.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou, na mesma linha, o aumento da taxa. “A inflação precisa ser contida, mas é necessário buscar alternativas para combatê-la que não penalizem tanto a atividade econômica e a vida das empresas e das pessoas”, ressaltou, em nota, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.