Mostrando postagens com marcador Vânia Bambirra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vânia Bambirra. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Esquerda intelectual perde a grande Vânia Bambirra

por Almir Cezar

Recebi ontem (09/12) com profundo pesar do falecimento de nossa mestre Vânia Bambirra, co-fundadora da Teoria Marxista da Dependência. Autora dos consagrados El capitalismo dependiente latinoamericano (1972)Teoria de la dependencia: una anticritica (1977). Momento de pesar e também de reivindicação do seu legado, de homenagem, antes, agora e sempre. Sua luta, obra, exemplo e influência intelectual, comprometida com o saber científico e o engajamento social, continuam conosco.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O Capitalismo Dependente Latino-americano, uma resenha

Foram precisos quarenta anos após seu lançamento para ser publicado pela primeira vez em português e no Brasil o clássico das ciências sociais O Capitalismo Dependente Latino-americano, da socióloga Vânia Bambirra, cofundadora com Theotonio dos Santos e Ruy Mauro Marini da teoria marxista da Dependência. 

Para celebrar tal feito, o professor Raphael Lana Seabra escreveu uma excelente resenha do livro para a última edição da revista REBELA. 

Para ler o artigo em formato digital (.PDF) basta clicar aqui.


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

IELA organiza curso com o prof. Jaime Osório

Instituto de Estudos Latino-Americano da Universidade Federal de Santa Catarina (IELA/UFSC) organiza curso em Florianópolis com o professor chileno Jaime Osório Urbina de 7 a 11 de outubro sobre "Estado, Poder e Classes Sociais na América Latina”.


Professor Jaime Osório Urbina (Foto: divulgação) 

O IELA realiza nesse semestre mais uma edição dos Cursos Livres. Em outubro, o instituto recebe o professor chileno Jaime Osorio Urbina para um curso sobre “Estado, Poder e Classes Sociais na América Latina”. A tematização e a reflexão sobre o estado desapareceu da reflexão em ciências sociais no Brasil, limitando-se, quando muito, a debates sobre o “papel do Estado”. A carência de um debate sobre a natureza e as transformações do estado capitalista na América Latina é o que motiva o IELA a oferecer este curso à comunidade da UFSC.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Coleção de clássicos latino-americanos do pensamento social inéditas no Brasil


Instituto de universidade publica coleção de obras clássicas de autores do pensamento social latino-americanos inéditas no Brasil. 
As duas primeiras obras, embora de brasileiros, jamais haviam sido publicados no país.

Fonte: IELA
O Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), vem publicando a coleção Pátria Grande, Biblioteca do Pensamento Crítico Latino-Americano, que deverá reunir 40 volumes, todos editados pela Editora Insular, de Florianópolis. 

A intenção é divulgar autores e obras clássicas das ciências sociais na América Latina que deram vida ao que entrou para a história como “pensamento crítico latino-americano”. As obras escolhidas para compor esta Biblioteca são inéditas ou foram divulgadas apenas marginalmente no Brasil. 

Com esse trabalho, o Iela inaugura mais um a frente de ação. Não apenas no debate sistemático das temáticas latino-americanas, mas o estudo permanente de pensadores praticamente desconhecidos nas universidades brasileiras. 

Fonte: IELA
A coleção, ao ser concretizada em livro, eterniza, em português, obras de fundamental importância para se compreender a América Latina. O segundo volume da coleção lançado agora em 2013 é o livro “O capitalismo dependente latino-americano”, de Vânia Bambirra. Cuja primeira edição é de 1974, desde então inédita em português e no Brasil (clique aqui para ler em espanhol).

Ano passado foi publicado o primeiro volume da coleção, o livro “Subdesenvolvimento e revolução”, do mineiro Ruy Mauro Marini (1932-1997), publicada originalmente no México em 1969 e que ganhou sucessivas edições em muitos países sem, contudo, jamais ter sido publicada em nosso país. 

Não por acaso, dois clássicos centrais da Teoria Marxista da Dependência.

Para ter acesso ao livro entre em contato com Iela por iela@iela.ufsc.br ou http://www.iela.ufsc.br/

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Os 40 anos da Teoria da Dependência é tema de seminário na UFVJM


A Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri entre 16 e 18 de novembro realizará sua 2a semana do pensamento econômico, cujo o tema são os 40 anos da Teoria da Dependência.

O destaque são os dois palestrantes convidados, justamente  dois dos pais da teoria marxista da Dependência, a homenageada Vânia Bambirra, e Theotonio dos Santos, que ministrará duas palestras, na sexta-feira às14h30, sobre "Socialismo ou fascismo: os dilemas da dependência latino-americana" e às 19h30, sobre "A polêmica sobre a dependência continua: considerações sobre a atual conjuntura latino-americana".

Maiores informações em http://speufvj.blogspot.com e pelo e-mail spe.ufvjm@gmail.com.


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

'Carta Aberta a Fernando Henrique Cardoso', por Theotonio dos Santos

Theotonio dos Santos, um dos maiores intelectuais brasileiros vivo, um dos maiores expoentes brasileiros nas Ciências Sociais e co-criador da Teoria Marxista da Dependência, durante anos foi amigo e um dos principais interlocutores intelectuais do ex-presidente da República e "ex-sociólogo" Fernando Henrique Cardoso.

Nem mesmo, as diferenças intelectuais e teóricas foram aos poucos os afastando, ou mesmo as políticas desde o fim da Ditadura Militar, a volta do exílio e a redemocratização foram determinantes ao fim da amizade. Porém, parece que isso mudou com os rumos políticos dos anos 90, a partir da adesão total ao neoliberalismo por FHC, e principalmente quanto este se tornou o principal implementador dessas políticas, os levaram a polos bem opostos. 

Na carta a seguir, Theotonio procura polemizar, rebatendo as posições que FHC exprimiu, em um carta aberta a Lula, em que crítica seu governo, enquanto procura "resgatar" o legado histórico de seu próprio mandato presidencial. Embora, o texto possa soar pró Lula e um tanto lulista, em sua resposta aos anos FHC, apresentando elementos de análise crítica ao legado neoliberal em sua gestão a frente do estado.

CARTA ABERTA A FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Theotonio Dos Santos*
 
Meu caro Fernando,
 
Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960 . A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete comtudo este debate teórico . Esta carta assiada por você como  ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão . Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação . Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo . Já no seu governo vários estudiosos discutimos, já no começo do seu governo, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população . Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população . (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependencia: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000) .
 
Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta .
 
O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartir com você . . . Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação . Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10% . A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10% . Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que  se apresentaram como os autores desta queda . Mas isto é falso: tratava-se de  um movimento planetário . 
 
No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo,  próxima dos 10% mais altos . TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO . E aqui chegamos no outro mito incrível . Segundo você e seus seguidores  (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito)  sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte . Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros  deveriam sair do país antes de sua desvalorização,  O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar . E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula” .   ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese?
 
 Conclusões: O plano real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro . A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo . O real foi uma moeda drasticamente debilitada . Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos,  nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada . De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999 .
 
Segundo mito;  Segundo você,  o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal . Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns  60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese . Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade .
 
E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo . UM GOVERNO QUE CHEGOU A PAGAR 50% AO ANO DE JUROS POR SEUS TÍTULOS,  PARA EM SEGUIDA DEPOSITAR OS INVESTIMENTOS VINDOS DO EXTERIOR EM MOEDA FORTE A JUROS NORMAIS DE 3 A 4%, NÃO PODE FUGIR DO FATO DE QUE CRIOU UMA DÍVIDA COLOSSAL SÓ PARA ATRAIR CAPITAIS DO EXTERIOR PARA COBRIR OS DÉFICITS COMERCIAIS COLOSSAIS  GERADOS POR UMA MOEDA SOBREVALORIZADA QUE IMPEDIA A EXPORTAÇÃO, AGRAVADA AINDA MAIS PELOS JUROS ABSURDOS QUE PAGAVA PARA COBRIR O DÉFICIT QUE GERAVA .   Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre . Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou dráticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo . VERGONHA FERNANDO . MUITA VERGONHA . Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identifica com o seu governo . . . te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana .
 
Terceiro mito -  Segundo você,  o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula . Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas . Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS . Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição ns 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID . Tudo isto sem nenhuma garantia .
 
Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida . O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida . Não tem nada a ver com a ameaça de Lula . A ameaça de Lula existiu exatamente em conseqüência deste fracasso  colossal de sua política macro-econômica . Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado . A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações . A loucura do endividamento interno colossal . A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras . Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa . Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas . Uma dívida sem dinheiro para pagar . . . Fernando, o Lula não era ameaça de caos . Você era o caos . E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este pais . 
 
Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso faze-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa . Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil” . E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em  seu prestígio profissional . Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente .
 
Lamento muito o destino do Serra . Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política . Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo . E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer . E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo . Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o vedadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar . Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista . E dessa política vocês estão fora . 
 
Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade . Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês  ( e tenho a melhor recordação de Ruth)  mas quero vocês longe do poder no Brasil .   Como a grande maioria do  povo brasileiro . Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que  vocês algum dia voltarão a freqüentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder . 
 
Com a melhor disposição possível mas com amor à verdade, me despeço.


theotoniodossantos.blogspot.com
 
(*) Theotonio Dos Santos é Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense, Presidente da Cátedra da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas  sobre economia global e desenvolvimentos sustentável . Professor visitante nacional sênior da Universidade Federal do Rio de Janeiro .