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sábado, 24 de janeiro de 2026

Desenvolvimento Territorial e Valor: uma leitura marxista das desigualdades regionais e do caso fluminense

Como a transferência espacial de valor e a lógica combinada do território moldam o subdesenvolvimento regional e os limites da agricultura no Rio de Janeiro

por Almir Cezar Filho

Resumo

O artigo propõe uma leitura marxista do desenvolvimento territorial a partir da teoria do valor e da dependência.  Defende que as desigualdades regionais no Brasil — e particularmente no estado do Rio de Janeiro — são expressões espaciais da acumulação capitalista desigual, na qual o excedente flui das regiões produtivas para os centros de comando financeiro e político.  A análise combina os aportes de Marx, Preobrazhensky, Kalecki e Celso Furtado, articulando-os em torno da noção de acumulação coerente territorial, segundo a qual o desenvolvimento exige compatibilidade entre ritmos setoriais, escalas espaciais e estruturas sociais. Com base em dados recentes sobre desindustrialização e desagriculturalização fluminense, o texto demonstra como o território foi esvaziado de valor, ao mesmo tempo em que manteve nichos extrativos e uma agricultura familiar fragmentada.  Defende-se que a reindustrialização verde e cooperativa, ancorada na agricultura familiar, no cooperativismo e na agroecologia, constitui caminho possível e necessário para reconstruir a base produtiva e a soberania regional.  Propõe-se, por fim, um modelo preobrazhenskiano de planejamento territorial, em que o excedente do petróleo e das rendas urbanas financia a industrialização difusa, a agroindustrialização artesanal e o turismo de base comunitária — formando uma nova geografia da acumulação social.


Palavras-chave: Desenvolvimento territorial; desigualdade regional; lei do valor; acumulação coerente; reindustrialização; agricultura familiar; cooperativismo; agroecologia; Preobrazhensky; Kalecki; Celso Furtado; Rio de Janeiro; soberania produtiva.

I. Introdução – O espaço como forma e contradição do desenvolvimento

O desenvolvimento territorial é, antes de tudo, uma questão de valor e poder.  Não se trata apenas de distribuir investimentos ou equilibrar indicadores regionais, mas de compreender como o capitalismo produz, concentra e desloca valor no espaço.  O território, longe de ser cenário neutro, é parte ativa da acumulação: ele organiza os fluxos de capital, define as hierarquias produtivas e expressa, em sua geografia, a estrutura de classes e de dependência.  Assim como o tempo estrutura o ciclo econômico, o espaço estrutura a desigualdade — é o seu corpo visível, o mapa das contradições da acumulação.

A economia regional brasileira é marcada por uma geografia de desigualdades historicamente produzidas.  A centralização industrial e financeira no Sudeste, o esvaziamento das periferias e a primarização das economias interioranas não são efeitos naturais, mas resultado de políticas e estruturas de valorização seletiva do capital.

O território é, portanto, o palco onde a lei do valor se espacializa, redistribuindo o excedente de modo desigual: o que é produzido em um ponto é apropriado em outro.  Como observou Preobrazhensky, a acumulação não é apenas setorial, mas também espacial — uma transferência territorial de excedente, que enriquece alguns espaços enquanto empobrece outros.

Na formação econômica do Brasil, essa lógica assumiu a forma de um centro dinâmico e periferias dependentes, estruturadas pela extração de matérias-primas e pela subordinação tecnológica.
A industrialização, em vez de romper essa hierarquia, a reconfigurou internamente: o Sudeste tornou-se o centro industrial e financeiro, e o restante do território, sua zona de abastecimento. Mesmo dentro dos estados, como no caso fluminense, essa divisão interna do trabalho reproduz a assimetria nacional — metrópoles concentradoras de serviços e capital convivendo com interiores agrários fragilizados, dependentes e desarticulados.

As tentativas de políticas regionais e de desconcentração produtiva, embora bem-intencionadas, não alteraram as relações de valor entre os territórios. Investimentos públicos e incentivos fiscais dispersaram a renda, mas não construíram capacidade produtiva endógena.  Em muitos casos, os programas de desenvolvimento regional criaram enclaves industriais e corredores logísticos voltados à exportação, sem internalizar as cadeias de valor.

Assim, o território se tornou apenas o canal de passagem do excedente, e não seu locus de acumulação.  O resultado é uma economia espacialmente desequilibrada: ilhas de modernização cercadas por mares de estagnação.

O caso do estado do Rio de Janeiro ilustra esse paradoxo com nitidez.  Antigo polo industrial e energético, o estado viu sua base produtiva se esvaziar ao longo das últimas décadas, convertendo-se em economia de serviços e royalties. O interior, especialmente as regiões Norte e Noroeste fluminense, vive a contradição de possuir riqueza agrícola e energética sem reter valor — exporta produção e importa desenvolvimento.  Nessa perspectiva, o problema territorial não é apenas distributivo, mas estrutural: o Rio de Janeiro tornou-se um território de passagem do valor, não de sua reprodução.

Partindo dessa leitura marxista do espaço, este artigo busca repensar o desenvolvimento territorial como processo de acumulação coerente em escala regional, no qual a produção, o investimento e a reprodução social se enraízam no território e se retroalimentam.

Defende-se que o combate às desigualdades regionais não pode se limitar a políticas compensatórias, mas deve se orientar por um planejamento territorial integrado, baseado na valorização produtiva local, na agroecologia e na rearticulação entre campo e cidade.  Trata-se, em última instância, de repor a categoria de valor territorial no centro da análise econômica — compreender o território como forma da luta de classes e da redistribuição do excedente, e o desenvolvimento como construção coletiva de autonomia espacial e social.

sábado, 17 de janeiro de 2026

O Produtor Rural não é Empresário! Os Limites da Abordagem Empresarial na Agropecuária

E o Papel do Cooperativismo e da Economia Solidária no Desenvolvimento Rural Sustentável


Almir Cezar de Carvalho Baptista Filho


ABSTRACT

This article critiques the push to frame rural producers as entrepreneurs and farms as businesses, arguing that this approach is unsuitable for the realities of small and medium-sized farmers. Using insights from General Administration Theory, Microeconomics, and Political Economy, the article reveals the limitations of applying entrepreneurial principles to agriculture. It also critiques the misinterpretation of the concept of agribusiness in Brazil. As an alternative, the article promotes cooperativism, the solidarity economy, and environmental sustainability as more appropriate models for rural development, prioritizing social justice, collective action, and ecological balance.

Palavras-chave: Empreendedorismo rural, agronegócio, agrobusiness, cooperativismo, economia solidária, sustentabilidade ambiental, crítica econômica, desenvolvimento rural, Teoria Geral da Administração, Microeconomia.


Nas últimas décadas, tem-se observado um esforço crescente para promover o campo brasileiro sob a ótica do empreendedorismo e da gestão empresarial. Esse movimento busca enquadrar o produtor rural como um empresário e o estabelecimento agropecuário como uma empresa, adotando estratégias típicas do setor corporativo. Essa abordagem é muitas vezes vendida como uma forma de modernizar a agricultura, aumentar a competitividade e integrar o Brasil às cadeias globais de valor. No entanto, essa visão ignora a complexidade da realidade rural e impõe uma lógica que não se adequa às condições socioeconômicas e ambientais da maioria dos produtores.

Este artigo propõe uma crítica a essa tese, defendendo que o produtor rural não deve ser equiparado a um empresário ou a um empreendedor. Argumentamos que essa transposição do modelo empresarial para a produção agrícola é falha e prejudicial, especialmente para pequenos e médios agricultores, totalmente incompatível com a estrutura de uma empresa. Para isso, utilizaremos conceitos da Teoria Geral da Administração, da Microeconomia — com ênfase nas teorias do Equilíbrio Geral e do Equilíbrio Parcial — e da Economia Política, a fim de demonstrar os limites dessa estratégia.

Ao longo do texto, também procura-se refutar a adoção indiscriminada do conceito de "agronegócio", que, em grande parte, é uma tradução inadequada do termo norte-americano agrobusiness, o que distorce a compreensão da realidade agrícola brasileira.

Por fim, apresentaremos como alternativa ao modelo empresarial o cooperativismo, a economia popular solidária e as práticas de sustentabilidade ambiental, que se mostram mais adequadas para o desenvolvimento rural no Brasil, respeitando suas particularidades e promovendo justiça social e equilíbrio ecológico.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Colapso Ambiental, Declínio do Capitalismo e a Necessidade de um Programa de Transição

por Almir Cezar de Carvalho Baptista Filho


Resumo

A crise ambiental contemporânea, marcada pelo iminente apocalipse planetário decorrente do aquecimento global irreversível, não é um mero fenômeno passageiro, mas sim um sintoma do declínio inescapável do capitalismo mundial. Este artigo, fundamentado em uma perspectiva marxista, explora as intrincadas conexões entre a crise ambiental, a luta de classes e a necessidade urgente de transições substantivas nas forças produtivas. A análise abrange desde a inadequação do capitalismo em lidar com emergências até a proposta de um programa de transição, culminando na crucial implantação global da agroecologia e produção orgânica como pilares de um socialismo verdadeiramente sustentável.


Palavras-chaves

Crise ambiental - Aquecimento global - Declínio do capitalismo - Luta de classes - Transição produtiva - Agroecologia - Produção orgânica - Programa de transição - Socialismo - Sustentabilidade


I. Introdução


A contemporaneidade testemunha uma convergência alarmante de eventos, indicando não apenas uma crise ambiental, mas um "apocalipse planetário" em gestação. Esta realidade não é isolada, mas entrelaçada com a queda histórica da taxa de lucros do capitalismo e suas práticas predatórias. Neste contexto, a luta de classes emerge como a centralidade estratégica, conectando questões ecológicas, direitos civis, trabalhistas e além. Este artigo, ancorado no pensamento marxista, navega por camadas complexas, desde a inadequação intrínseca do capitalismo até propostas tangíveis de transição, destacando a indispensabilidade da agroecologia e produção orgânica na construção de uma sociedade pós-capitalista sustentável.


Este artigo adota uma abordagem marxista para analisar a interconexão entre o colapso ambiental, o declínio do capitalismo mundial e a importância da luta de classes como motor de transformação social. Examina-se como a crise ambiental, especialmente o aquecimento global irreversível, está intrinsecamente ligada à busca incessante por lucros máximos no sistema capitalista. O texto destaca a necessidade de superexploração dos recursos naturais e a exploração dos trabalhadores como parte integrante desse modelo econômico.


A centralidade da luta de classes é reafirmada, destacando que as diferentes manifestações dessa luta, incluindo a luta ecológica, são interligadas e representam facetas de um conflito mais amplo. O foco se desloca da visão multitudinária para uma compreensão mais profunda da luta de classes como a força motriz por trás das questões ecológicas, dos direitos civis e trabalhistas.


O artigo argumenta que a questão ambiental não é apenas uma questão de escolha individual no consumo, mas está intrinsecamente relacionada às estruturas de produção, poder e distribuição. Examina as diferentes abordagens da transição produtiva em países desenvolvidos versus em desenvolvimento, especialmente no contexto brasileiro, onde a questão do uso e ocupação dos recursos naturais é central.


Destaca-se a necessidade de repensar a relação dos produtores pobres e dos trabalhadores com as políticas públicas, não dependendo delas como benesses temporárias, mas compreendendo-as como instrumentos transitórios para a construção de um novo modo de produção global. A discussão aborda a importância de um programa de transição que inclua medidas como reforma agrária, controle operário da produção, governança por meio de conselhos populares e a implementação da escala móvel de salários e trabalho.


Por fim, o artigo defende a ruptura com a lógica de preservação do capitalismo ou do “capitalismo verde” e destaca a necessidade de medidas mais profundas, como a aplicação geral e definitiva da agroecologia e produção orgânica, como fundamentais para a transição para uma sociedade socialista pós-capitalista.

quinta-feira, 29 de junho de 2023

#podcast ECONOMIA É FÁCIL | MARCO LEGAL. A batalha pelo Futuro: Terras Indígenas vs. Agronegócio


Este episódio foi publicado e pode ser ouvido em todos os lugares em que seu podcast estiver disponível.
Nesta segunda-feira 26/06, 18h, o programa Economia É Fácil em mais uma edição semanal - o seu espaço de economia, na sua linguagem e o que realmente importa na vida dos trabalhadores. Produção da Web Rádio Censura Livre.
🎙️ Apresentação do economista Almir Cezar Filho.
🎤 Convidado: RAQUEL TREMEMBÉ liderança indígena e membro da CSP-Conlutas.

sábado, 24 de junho de 2023

MARCO LEGAL. A batalha pelo Futuro: Terras Indígenas vs. Agronegócio

Nesta segunda-feira 26/06, 18h, o programa Economia É Fácil em mais uma edição semanal - o seu espaço de economia, na sua linguagem e o que realmente importa na vida dos trabalhadores.
📻 Produção da Web Rádio Censura Livre. 
🎙️ Apresentação do economista Almir Cezar Filho.
🎤 Convidado: RAQUEL TREMEMBÉ liderança indígena e membro da CSP-Conlutas.
🗣️ Debatendo:  com uma importante e jovem liderança indígena de esquerda, Raquel Tremembé, membro ativo da central sindical e popular CSP-Conlutas. Vamos mergulhar na batalha pela demarcação de terras indígenas no Brasil e os desafios enfrentados pelo agronegócio em meio a essa luta. Raquel Tremembé revela os perigos da tese do marco temporal, que coloca em risco os direitos territoriais dos povos indígenas em prol dos interesses do agronegócio. Discutiremos também a importância de um Ministério dos Povos Indígenas e o papel dos parlamentares na defesa das causas indígenas. Além disso, faremos um balanço dos governos Lula e Dilma na questão indígena e a influência do socialismo na luta pelos direitos indígenas. Prepare-se para uma entrevista contundente, repleta de insights e perspectivas progressistas para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária!

sexta-feira, 10 de março de 2023

VINHO AZEDO Casos de trabalho escravo 'mancham' o Agronegócio?

📻 O programa Economia É Fácil com mais uma edição ao vivo - o seu espaço de economia, na sua linguagem e o que realmente importa na vida dos trabalhadores. Uma produção da Web Rádio Censura Livre.
🎙️ Convidado: Jeferson Choma, pesquisador de questão agrária e ambiental
🎙️ Apresentação do economista Almir Cezar Filho.  
🗣️O tema da semana: O caso de trabalho análogo à escravidão em vinícolas no RS. Operação encontrou mais de 200 homens contratados para trabalhar na colheita de uva em Bento Gonçalves, no RS, em condições degradantes. As vinícolas Salton, Aurora e Garibaldi firmaram, na noite desta quinta-feira (9), um acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) para pagar R$ 7 milhões de indenização por danos morais individuais e coletivos após cerca de 200 trabalhadores serem resgatados de situação análoga à escravidão. Inclusive, pela legislação brasileira, terras que foram praticadas crimes graves contra lei trabalhista e ambiental deveriam destinado para a reforma agrária. Casos de trabalho escravo 'mancham' o Agronegócio?

📺 Assista a 'live' no YouTube (https://www.youtube.com/live/8FCQ8YE2_PE), Facebook e Twitter. 
🔔 Inscreva-se no canal e clique no sininho para aviso de novos vídeos. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

#podcast ECONOMIA É FÁCIL | Episódio: As principais iniciativas em curso do Agronegócio e do governo Bolsonaro colocam na ordem do dia a questão se é estão em guerra contra os indígenas?

Nesta segunda-feira 1ª/08 ao vivo às 18h  | 📻 Mais uma edição do programa Economia É Fácil pelas plataformas web da Rádio Censura Livre. A economia na sua linguagem. As principais notícias econômicas dos últimos dias analisadas na ótica dos trabalhadores. Com o economista Almir Cezar Filho e seus convidados.

🎙️Convidada: Kunã Yporã (Raquel Tremembé) da Secretaria Executiva da CSP-Conlutas.

Tema da semana: Comemora-se em 25/07 o Dia do Agricultor Familiar e e 28/07 o Dia do Agricultor. As principais iniciativas em curso do Agronegócio e do governo Bolsonaro colocam na ordem do dia a questão se é estão em guerra contra os indígenas?

📻 Ouça em: https://open.spotify.com/episode/76YC9f7DTpga3mvl6iwkZT?si=SpYX7nFKR4u2EvERuFDZqg&utm_source=copy-link

quinta-feira, 28 de julho de 2022

ECONOMIA É FÁCIL | Agronegócio e Bolsonaro em guerra contra os indígenas?

Nesta segunda-feira 1ª/08 ao vivo às 18h  | 📻 Mais uma edição do programa Economia É Fácil pelas plataformas web da Rádio Censura Livre. A economia na sua linguagem. As principais notícias econômicas dos últimos dias analisadas na ótica dos trabalhadores. Com o economista Almir Cezar Filho e seus convidados.
🎙️Convidada: Kunã Yporã (Raquel Tremembé) da Secretaria Executiva da CSP-Conlutas.
Tema da semana: Comemora-se em 25/07 o Dia do Agricultor Familiar e e 28/07 o Dia do Agricultor. As principais iniciativas em curso do Agronegócio e do governo Bolsonaro colocam na ordem do dia a questão se é estão em guerra contra os indígenas?



segunda-feira, 30 de maio de 2022

#podcast ECONOMIA É FÁCIL | Mais poder ao Agronegócio, mais violência no campo: sua relação com inflação, secas e cortes na reforma agrária


📻 Mais uma edição do programa Economia É Fácil nesta segunda-feira 30/05 às 20h ao vivo nas plataformas da web Rádio Censura Livre. Apresentação do economista Almir Cezar Filho.
🎤Convidado: WALDEMIR SOARES, assessor jurídico da CSP-Conlutas e membro da setorial do campo.
🗣️Tema da semana: Explode o número de conflitos agrários desde o início do governo Bolsonaro: o que isso tem haver com a inflação, as secas e os cortes na reforma agrária?

quinta-feira, 26 de maio de 2022

ECONOMIA É FÁCIL | Inflação, secas e conflitos no campo. Com Bolsonaro: Mais poder ao Agronegócio, mais miséria

📻 Mais uma edição do programa Economia É Fácil nesta segunda-feira 30/05 às 20h ao vivo nas plataformas da web Rádio Censura Livre. Apresentação do economista Almir Cezar Filho.

🎤Convidado: WALDEMIR SOARES, assessor jurídico da CSP-Conlutas e membro da setorial do campo.

🗣️Tema da semana: Explode o número de conflitos agrários desde o início do governo Bolsonaro: o que isso tem haver com a inflação, as secas e os cortes na reforma agrária?


quarta-feira, 21 de julho de 2021

Recursos Naturais na América Latina: indo além das altas e baixas | RESENHA NÃO É RESUMO 15/07

O porquê países devem - e como podem - gerenciar os recorrentes ciclos de altas e baixas das commodities e até tirar o máximo de proveito das oportunidades proporcionadas por seus recursos naturais é o tema do livro "Recursos Naturais na América Latina: indo além das altas e baixas", escrito por Emily Sinnott, John Nash e Augusto de la Torre, a partir dos estudos do Banco Mundial,  dica de leitura do quadro RESENHA NÃO É RESUMO . 

Foi ao ar no 3º bloco do programa Economia É Fácil (episódio do 15/07/2021), na Web Rádio Censura Livre, apresentado pelo economista Almir Cezar Filho, e com participação especial do economista Flauzino Antunes Neto.




terça-feira, 15 de dezembro de 2020

"Está na agricultura e na economia solidária a chave à recuperação econômica do Rio de Janeiro", afirma economista

Na segunda-feira 14/12 começou 1ª Semana Estadual de Economia Solidária do Rio de Janeiro, promovido pela Coordenação de Economia Solidária (CEES) da Secretaria de Estado de Trabalho e Renda do Rio de Janeiro (SETRAB/RJ. Na sua primeira mesa-redonda "A importância da economia solidária para o desenvolvimento econômico e social do Estado do Rio de Janeiro", o economista Almir Cezar Filho, mestre em Economia e servidor do Ministério da Agricultura, explicou a conexão da agricultura familiar com a economia solidária e como ambas são fundamentais para um novo padrão de desenvolvimento econômico e social, menos desigual e instável, apontando inclusive o potencial caso haja mais auto-organização e investimentos públicos. Também participaram da mesa-redonda a coordenadora da SETRAB/RJ Angélica Hullen e o pesquisador do IPEA Sandro Silva, com a mediação da ativista do Fórum de Economia Solidária (FES) Sonia Latge. 

Para assistir esse vídeo: https://youtu.be/Z_vI1BKfbO4


quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Podcast ECONOMIA É FÁCIL | A alta do arroz e sua causa no agronegócio brasileiro, entrevista com a agrônoma Eliane Leite

O economista e comunicador Almir Cezar Filho, titular do ECONOMIA É FÁCIL para a audiência da Web Rádio Censura Livre, entrevista a engenheira agrônoma Eliana Leite, técnica licenciada do CREA-RJ e ex-FGV, pesquisadora sobre mercado de produção de arroz. A pesquisadora destacou que a alta do preço do arroz tem sua razão, entre outros motivos, no desleixo da política de autossuficiência brasileira desse gênero agrícola básico e no controle excessiva por poucos e grandes produtores.

terça-feira, 29 de setembro de 2020

As "queimadas de Bolsonaro" e as alternativas à economia brasileira - entrevista com a economista Caren Freitas

O economista e comunicador Almir Cezar Filho, titular do programa Economia é Fácil, da Web Rádio Censura Livre, entrevista a economista CAREN FREITAS, especialista em Planejamento Urbano e Regional, Mestre em Desenvolvimento Territorial e Políticas Públicas. Caren Freitas também milita no Coletivo Popular de Mulheres da Zona Oeste, na Teia de Solidariedade da Zona Oeste, na União por Moradia Popular e na Rede Carioca de Agricultura Urbana. Atualmente é técnica superior na Aedas (Associação estadual de defesa ambiental e social).


📺 Acompanhe os vídeos pelos canais do Economia É Fácil no Youtube (https://www.youtube.com/c/economiaefacil) e da Web Rádio Censura Livre no Youtube (https://www.youtube.com/c/censuralivre) e  no Facebook (https://www.facebook.com/programacensuralivre).

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

A alta do arroz e sua causa no agronegócio brasileiro, entrevista com a agrônoma Eliane Leite

O economista e comunicador Almir Cezar Filho, titular do ECONOMIA É FÁCIL, entrevista a engenheira agrônoma Eliana Leite, pesquisadora sobre produção de arroz, para a audiência da Web Rádio Censura Livre. A pesquisador destacou que a alta do preço do arroz tem, entre outros motivos, razão no desleixo da política de autossuficiência brasileira nesse gênero agrícola e no controle excessiva da sua produção em território nacional por poucos e grandes produtores.


📺 Acompanhe os vídeos pelos canais do Economia É Fácil no Youtube (https://www.youtube.com/c/economiaefacil) e da Web Rádio Censura Livre no Youtube (https://www.youtube.com/c/censuralivre) e  no Facebook (https://www.facebook.com/programacensuralivre).

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Agricultura Familiar e Economia Solidária

Assista no Youtube em: https://youtu.be/17-uO19lt9k
No programa ECONOMIA É FÁCIL desta quinta-feira (30/07), às 20 horas,  o economista Almir Cezar Filho e seus convidados comentam com os ouvintes da WebRadio Censura Livre o tema econômico da semana. 

No dia 25 de julho comemora-se o Dia Internacional da Agricultura Familiar e o dia 28/07 é dia do Agricultor. Qual o papel da Agricultura Familiar na recuperação econômica pós pandemia? Como organizar economicamente os agricultores familiares? Como se proteger a Agricultura Familiar no contexto de predomínio do Agronegócio brasileiro? É possível desenvolver relações econômicas diferentes?

Participação especial: Angélica Hullen, coordenadora estadual de economia solidária do RJ; e Bael Peixoto, presidente da CONFETRAF.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Agricultura familiar urbana: limites da política pública e das representações sociais

Por Almir Cezar Filho

Meu artigo com a professora Annelise Fernandez da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) acaba de ser publicado na revista científica internacional "Cidades, Comunidades e Territórios", com o título Agricultura familiar urbana: limites da política pública e das representações sociais.

O artigo descreve os entraves para a aplicação da política pública da agricultura familiar em meio urbano no Brasil. Mostramos que uma série de representações associadas ao rural-agrícola tem moldado os critérios de classificação dos técnicos de assistência técnica rural (ATER), do mesmo modo que define na prática os limites de aplicação desta política em meio urbano. 

A mobilização de movimentos sociais ligados à agricultura urbana, especificamente no município do Rio de Janeiro, resultou na construção de uma arena pública que denunciou a falta de acesso de agricultores familiares cariocas às políticas agrárias. Como resultado deste esforço recíproco entre debate e ação, os critérios de classificação da agrariedade em meio urbano foram explicitados e o reconhecimento da agricultura familiar urbana foi dado como um problema público e, junto à possibilidade de interseção entre as políticas de agricultura familiar e agricultura urbana, o tema ganhou projeção nacional.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

RJ: elevar o PIB e o emprego por meio da Agricultura Familiar

Por Almir Cezar Filho*, titular do programa Economia é Fácil**.
Uma paisagem rural no interior do RJ. Área no quilombo Alto
da Serra, em Rio Claro. (Foto: Almir Cezar Filho)

O Rio de Janeiro passa por uma grande crise econômica, um quadro de muitas décadas, mas que intercaladamente ora melhora, ora piora. E nesse momento se agravou. Uma possível alternativa a superar esse quadro é elevar o PIB agropecuário e gerar emprego por meio da Agricultura Familiar, investindo nela nos próximos 10 anos.

No Estado do Rio de Janeiro existem pelo menos 44.000 estabelecimentos agropecuários de tipo familiar e um PIB estadual agropecuário de algo em torno um pouco mais de R$ 6 bilhões, num PIB estadual total de $700 bi. Meros 1%. Apesar disso, maior do que 10 outros estados eminentemente rurais/agrícolas. E sua população rural, apesar de menor que 5% do total, é igual ou maior que a população inteira de estados como Roraima, Amapá e Acre.

Não se propõe que o RJ, hoje o estado brasileiro proporcionalmente menos agropecuário e de menor população rural, se ruralize e agropecuarize. Mas que aproveite o potencial regional e supere a uma certa pós-industrialização precoce e uma dependência do indústria extrativa de petróleo e gás. Pelo contrário, podíamos aproveitar justamente o tamanho do mercado consumidor, do parque industrial (especialmente o metal-mecânico, químico e de alimentos) e e da aglomeração de centros de pesquisa e ensino para dar um salto na agricultura, particularmente a familiar, seja ela inclusive urbana, agroecológica e orgânica, muito mais vocacionada ao perfil territorial regional (espremida entre os morros e o mar).

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Chuvas | Agricultura urbana diminuiria a impermeabilização do solo e as ilhas de calor, reduzindo inundações e deslizamentos

Por Almir Cezar Filho*, da Redação da Agência ANOTA**

Em cima: Avenida Roberto Silveira, principal artéria viária
 de Niterói  inundada em um dia de chuva.
Embaixo: uma horta em um bairro tipicamente urbano.
Inundações, enchentes, deslizamentos de encostas e morros, bolsões de água nas vias, desmoronamentos de casa. Evidente que as obras de combate as inundações e deslizamentos são importantes. E o Poder Público foi negligente. Mas pouco se vincula essa situação à dinâmica do uso e ocupação do solo urbano na cidade. A agricultura urbana ajudaria a diminuir a impermeabilização do solo e geração das "ilhas de calor", reduzindo inundações e deslizamentos.

A cidade de Niterói (RJ) vem sofrendo nos últimos anos recorrentemente com a tragédia das grandes chuvas. A intensiva verticalização imobiliária dos bairros de Santa Rosa e Jardim Icaraí acabou com a drenagem do solo da cidade, nas áreas circundantes do maciço da Boa Vista. E os desmatamentos na região de Pendotiba, também pela especulação imobiliária em condomínios horizontais, geraram um imenso bolsão de calor sobre a atmosfera da cidade que amplia a potência das chuvas.

Com o desmatamento e a impermeabilização do solo nas áreas planas, acrescido com a expansão da ocupação dos morros e encostas, sem as respectivas obras de contenção, está armada a tragédia dos deslizamentos, além das inundações.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Educação não é suficiente para reduzir a desigualdade. Pesquisa derruba mito.

por Almir Cezar Filho

Apenas acesso à educação não é suficiente para reduzir desigualdade no Brasil, diz estudo. Simulação aponta que se país tivesse garantido educação secundária para a população desde 1994, disparidade da renda do trabalho teria caído apenas 2%. A pesquisa foi realizada pelos sociólogos Marcelo Medeiros, do Instituto de Pesquisas Econômica Aplicadas (Ipea), Rogério Barbosa, da Universidade de São Paulo (USP), e Flávio Carvalhes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

Para tentar diminuir tamanha brecha entre os ricos e os pobres, o investimento em educação quase sempre aparece como um dos remédios mais promissores. A solução frequentemente repetida para tentar resolver a desigualdade, entretanto, já é relativizada por especialistas. Isto é, mesmo se houvesse igualdade de escolaridade, e mesmo sem discriminação salarial, o fator determinante na desigualdade de renda das famílias é a desigualdade de patrimônio. Leia a matéria do jornal El País

Os resultados vão contra tudo que a maioria  das pessoas acreditem que fosse o melhor para transferência de renda de maneira sustentável. A ciência é geralmente contra-intuitiva, e a Economia não seria difere. A redução da desigualdade poderia ser atacada de forma mais rápida caso fossem adotadas medidas contra a discriminação de gênero, raça e cor no mercado de trabalho e através de uma reforma tributária que adotasse um programa que aumentasse a progressividade dos impostos.