por Almir Cezar de Carvalho Baptista Filho
Resumo
A crise ambiental contemporânea, marcada pelo iminente apocalipse planetário decorrente do aquecimento global irreversível, não é um mero fenômeno passageiro, mas sim um sintoma do declínio inescapável do capitalismo mundial. Este artigo, fundamentado em uma perspectiva marxista, explora as intrincadas conexões entre a crise ambiental, a luta de classes e a necessidade urgente de transições substantivas nas forças produtivas. A análise abrange desde a inadequação do capitalismo em lidar com emergências até a proposta de um programa de transição, culminando na crucial implantação global da agroecologia e produção orgânica como pilares de um socialismo verdadeiramente sustentável.
Palavras-chaves
Crise ambiental - Aquecimento global - Declínio do capitalismo - Luta de classes - Transição produtiva - Agroecologia - Produção orgânica - Programa de transição - Socialismo - Sustentabilidade
I. Introdução
A contemporaneidade testemunha uma convergência alarmante de eventos, indicando não apenas uma crise ambiental, mas um "apocalipse planetário" em gestação. Esta realidade não é isolada, mas entrelaçada com a queda histórica da taxa de lucros do capitalismo e suas práticas predatórias. Neste contexto, a luta de classes emerge como a centralidade estratégica, conectando questões ecológicas, direitos civis, trabalhistas e além. Este artigo, ancorado no pensamento marxista, navega por camadas complexas, desde a inadequação intrínseca do capitalismo até propostas tangíveis de transição, destacando a indispensabilidade da agroecologia e produção orgânica na construção de uma sociedade pós-capitalista sustentável.
Este artigo adota uma abordagem marxista para analisar a interconexão entre o colapso ambiental, o declínio do capitalismo mundial e a importância da luta de classes como motor de transformação social. Examina-se como a crise ambiental, especialmente o aquecimento global irreversível, está intrinsecamente ligada à busca incessante por lucros máximos no sistema capitalista. O texto destaca a necessidade de superexploração dos recursos naturais e a exploração dos trabalhadores como parte integrante desse modelo econômico.
A centralidade da luta de classes é reafirmada, destacando que as diferentes manifestações dessa luta, incluindo a luta ecológica, são interligadas e representam facetas de um conflito mais amplo. O foco se desloca da visão multitudinária para uma compreensão mais profunda da luta de classes como a força motriz por trás das questões ecológicas, dos direitos civis e trabalhistas.
O artigo argumenta que a questão ambiental não é apenas uma questão de escolha individual no consumo, mas está intrinsecamente relacionada às estruturas de produção, poder e distribuição. Examina as diferentes abordagens da transição produtiva em países desenvolvidos versus em desenvolvimento, especialmente no contexto brasileiro, onde a questão do uso e ocupação dos recursos naturais é central.
Destaca-se a necessidade de repensar a relação dos produtores pobres e dos trabalhadores com as políticas públicas, não dependendo delas como benesses temporárias, mas compreendendo-as como instrumentos transitórios para a construção de um novo modo de produção global. A discussão aborda a importância de um programa de transição que inclua medidas como reforma agrária, controle operário da produção, governança por meio de conselhos populares e a implementação da escala móvel de salários e trabalho.
Por fim, o artigo defende a ruptura com a lógica de preservação do capitalismo ou do “capitalismo verde” e destaca a necessidade de medidas mais profundas, como a aplicação geral e definitiva da agroecologia e produção orgânica, como fundamentais para a transição para uma sociedade socialista pós-capitalista.