quinta-feira, 29 de outubro de 2015

BC reconhece que problema da alta inflação não é combatível com juros altos

Mas insiste em desculpa da incerteza da meta fiscal, que a alta dos juros ajuda a complicar.
Governo muda novamente meta fiscal apesar do arrocho. Recessão só aumenta.

por Almir Cezar

Em reunião fechada com deputados federais hoje (29/10), presidente do Banco Central (BC) Alexandre Tombini reconhece que, mesmo com a alta da taxa básica de juros, a Selic, a inflação sobe devido ao forte impacto do aumento de preços administrados, como energia elétrica, e à alta do dólar. Para tentar levar a inflação ao centro da meta em 2016, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros, a Selic, por sete vezes. Porém, na ata do seu Copom também divulgada hoje, pôs a culpa na não convergência da taxa de inflação ao centro da meta de inflação (4,5% ao ano) nas indefinições e alterações significativas na meta fiscal, que estariam impactando as "expectativas para a inflação e criam uma percepção negativa sobre o ambiente econômico".

O curioso é que a meta fiscal não é cumprida justamente por grande contribuição da alta da taxa básica de juros Selic, que deprime a atividade econômica, reduzindo a arrecadação de impostos, enquanto simultaneamente, eleva as despesas, com a elevação no pagamento de juros da dívida pública, reajustada pela taxa Selic.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Coalizão da Rússia na Síria, um prólogo de algo pior por vir

por Almir Cezar

Três semanas de ataques aéreos e por mísseis na Síria deram aos governos e aos militares do Ocidente uma apreciação mais profunda da transformação da estratégia  de política externa e militar da Rússia do presidente Vladimir Putin. A ação militar da coalizão liderada pela Rússia com Irã, Iraque e Hezbollah, e até China, sobre a Síria contra o Estado Islâmico (ISIS).  Interesses entre-imperialistas em jogo. Tendo de tudo para ser uma espécie de prólogo da Terceira Guerra Mundial.

Os ministros das Relações Exteriores dos Estados Unidos, Arábia Saudita, Turquia e Rússia participarão nesta sexta-feira (23/10) em Viena de conversações inéditas sobre a guerra na Síria, com posições antagônicas sobre o futuro do regime de Damasco. Estados Unidos, Arábia Saudita, Turquia e Rússia estão em lado oposto ao de Moscou, no conflito sírio.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Dilma insiste na volta da CPMF. Além de ruim ao contribuinte, não resolve o problema

 por Almir Cezar

Dilma, em vista à Suécia, falou em defesa da volta da CPMF
(Foto: Agência Brasil)
A presidente Dilma Rousseff, no domingo passado (dia 18), durante evento na Suécia, fez a defesa da volta da CPMF, extinta há oito anos. A medida integrou o anúncio no mês passado de R$ 64,9 bilhões de aumento de arrecadação para equilibrar as contas públicas em 2016 para retomar a "confiança" do mercado financeiro, visando que o país volte a crescer. Mas nem todo mundo se lembra como a CPMF funciona. "Antipática", não era um imposto cobrado sobre os preços de produtos e serviços, nem na renda ou patrimônio - ela aparece no extrato bancário do contribuinte. De fato era ruim, e não resolve o problema do país, muito pelo contrário.

A Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) foi um imposto que existiu até 2007 para cobrir gastos do governo federal com projetos de saúde. Agora, o governo propõe cobrar uma alíquota de 0,2% sobre todas as transações bancárias de pessoas físicas e empresas para ajudar a cobrir o rombo da Previdência Social. A proposta ainda precisa ser enviada ao Congresso Nacional para votação.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Política contracíclica do governo falhou não por excesso, mas por falta. Agora é excesso, em cima do trabalhador

por Almir Cezar

A política contracíclica do governo praticada no 1º governo Dilma falhou não por excesso, ao contrário do que falam os neoliberais e a grande imprensa, mas por falta. Por basear-se somente na ampliação do crédito e consumo, sem atacar com a devida energia a falta de investimentos. E o ajuste fiscal e monetário do 2º governo Dilma asfixia a economia pelo excesso, que derruba a atividade produtiva e a arrecadação [1], e penaliza os trabalhadores.

O aumento da dívida pública nos últimos anos (que a nova equipe econômica deseja combater) não foi provocado por aumento de "custeio da máquina pública" ou por gastos sociais. Foi provocado pelo aumento do crédito para as grandes empresas pelo BNDES, indústria imobiliária e construção civil pela Caixa Econômica Federal e agronegócio pelo Banco do Brasil, cujo subsídio (diferença entre a taxa de juros de mercado e praticada) foi bancado pelo Tesouro Nacional, por meio da emissão de títulos da dívida pública. Tudo porque a taxa de juros básica Selic fixada pelo Banco Central é enorme, sob justificativa de combater a inflação. 

sábado, 17 de outubro de 2015

Maioria das “pedaladas” foi para grandes empresas e agronegócio

O Globo | 16/10/2015 - Dyelle Menezes, Contas Abertas

As “pedaladas fiscais”, como mencionou o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, serviram para subsidiar os pagamentos de benefícios sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. No entanto, a maior parcela dos recursos oriundos das manobras foi destinada ao subsídio para as grandes empresas, por meio do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) do BNDES, e empréstimos para empresas do agronegócio, por meio do Banco do Brasil.

De acordo com o relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) a “omissão dos passivos da União decorrentes de atrasos nos repasses de recursos federais impactaram as contas da dívida pública em cerca de R$ 40 bilhões no exercício de 2014”. O TCU apontou que o Bacen não computou, no cálculo da Dívida Líquida do Setor Público, passivos da União junto ao Banco do Brasil, ao BNDES e ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O fundo do poço não tem fim... Atividade econômica brasileira cai 0,76% em agosto

Atividade econômica brasileira cai 0,76% em agosto, aponta Banco Central
Por Agência Brasil | 16/10/2015 

Dados revisados em julho mostram que comparado ao mês anterior, a atividade econômica ficou praticamente estável

Os dados do IBC-Br foram divulgados hoje (16) pelo Banco Central

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apresentou queda de 0,76% em agosto, na comparação com julho. Esse dado é dessazonalizado (ajustado para o período). O IBC-Br foi divulgado nesta sexta-feira (16) pelo Banco Central (BC).

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Crise econômica afeta capacidade de honrar dívidas das famílias. Taxa de juros em empréstimos dispara.

40% dos brasileiros estão na ‘lista negra’. Inadimplência cresce em setembro e já atinge 57 milhões de brasileiros, diz SPC. Compromissos com água e luz lideram crescimento. Sudeste lidera participação no número de inadimplentes. Famílias lideram renegociação de dívidas. Taxa de juros em empréstimos é a maior desde junho de 2009, diz Anefac

40% dos brasileiros estão na ‘lista negra’
09/10/2015 

Mais 2,4 milhões de consumidores tiveram os nomes incluídos em cadastro de devedores, entre janeiro e setembro, deste ano, de acordo com dados da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) Brasil, divulgados nesta sexta-feira. No final de setembro, havia 57 milhões de consumidores registrados em cadastro de devedores. Esse total equivale a 38,9% da população adulta do país (faixa de 18 a 94 anos).

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Seminário da Auditoria Cidadã da Dívida

Nos dias 30 e 31 de outubro o movimento Auditoria Cidadã da Dívida realizará um seminário em São Paulo para debater o sistema da dívida, a corrupção e a crise, resultado destas duas combinações.

Para debater o tema, representantes de movimentos sociais, da comunicação e especialistas trarão à mesa questões como moradia, empoderamento popular, orçamento público e uma discussão que explique a implementação da auditoria da dívida.

Para participar é necessária a inscrição prévia, que pode ser feita AQUI. Confira a programação no cartaz.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Apesar da alta do desemprego, inflação não recua. Política econômica só faz piorar a economia

por Almir Cezar

A taxa de desemprego no trimestre encerrado em julho de 2015 foi estimada em 8,6%, ficando acima da taxa medida no mesmo período do ano anterior (6,9%) e superando também a taxa do trimestre encerrado em abril de 2015 (8%). Esta é a maior taxa da série histórica do indicador, iniciada em 2012. Apenas neste ano, o número de pessoas desocupadas subiu 1,8 milhão.

Os burocratas da equipe econômica do Governo estão contentes com o desemprego com isso, pois ade acordo com a cartilha que eles seguem se atingiria a meta de inflação mais rapidamente, à medida que forte queda no percentual de emprego pressiona para baixo os preços devido a queda nos salários (logo, dos custos), da demanda agregada e do poder de compra. Assim, os preços tenderiam a baixar, convergindo para a meta - meta esta que eles mesmos definiram no Conselho Monetário Nacional (CMN).

As projeções para a inflação estão acima do centro da meta, 4,5%. E no caso de 2015, a estimativa supera também o teto da meta, 6,5%. Para tentar levar a inflação ao centro da meta em 2016, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros, a Selic, por sete vezes consecutivas. Na reunião de setembro, o Copom optou por manter a Selic em 14,25% ao ano. Porém, não é isso que esta acontecendo.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Projeção da economia é de queda ainda maior. Indústria no maior tombo desde 2003, mas bancos surfam

Projeção de queda da economia tem 12ª piora seguida
Agência Brasil 05/10/2015

A economia brasileira deve encolher 2,85%, este ano, de acordo com a projeção de instituições financeiras consultadas pelo Banco Central. Essa foi a 12ª piora consecutiva na estimativa para a queda do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país. Na semana passada, a estimativa estava em 2,8%. No próximo ano, a retração deve ser menor: 1%, a mesma projeção anterior.

Na avaliação do mercado financeiro, a produção industrial deve ter uma queda de 6,50%, este ano. A estimativa anterior era 6,65% de queda. Para 2016, a projeção de retração passou de 0,60% para 0,29%.

A projeção para o dólar ao final do ano chegou a R$ 4, contra R$ 3,95 previstos na semana passada. Para o fim de 2016, a estimativa para a cotação do dólar também é R$ 4.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

É a crise econômica que está gerando a crise fiscal e não o contrário

Real fraco, juros e inflação elevam encargos e Dívida Pública

por Almir Cezar

Governo Dilma assustado com a disparada do dólar. Mas a alta
do câmbio força aumento na dívida pública. Porém, segundo 
o mercado financeiro não é alta da dívida que pressiona o dólar?
Ao contrário do que a maioria pensa e o noticiário econômico da grande imprensa faz pensar, não é o crescimento explosivo do déficit e da dívida pública que faz corroer o cenário econômico, mas na verdade, a crise econômica (disparada do dólar, da taxa de juros e da inflação ao mesmo tempo) que aumentou os custos para o governo se financiar no mercado financeiro ao maior nível em 6 anos e elevou a Dívida Pública Federal (DPF) ao seu maior patamar histórico.

Além da dificuldade na venda de título da dívida pública com o cenário, que faz com que o mercado exija juros maiores para comprar os títulos, a taxa de câmbio e a inflação corrigem diretamente os encargos (percentual de juros) de parte dos títulos, também influenciando no aumento do custo.  O principal fator para o aumento do custo em agosto foi a alta de 7,45% do dólar em relação ao real.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Reforma Agrária e estagflação: 'Teorema de Preobrazhenski' no Brasil hoje

ATUALIZADO
por Almir Cezar*

Presidenta do Brasil Dilma Roussef dirigindo uma moderna
colheitadeira. Inflação dos alimentos no "celeiro do mundo"
Um dos problemas brasileiros atuais que vem dando "dor de cabeça" é A recorrência da inflação alta, e a pressão desta nos ciclos de crescimento econômico.  O Brasil estaria na endêmica situação de recorrentes problemas no câmbio e no balanço de pagamentos e/ou inflação alta, que se intensificam quando mais cresce a economia, gerando um fortíssimo dilema. Porém, nesse momento, o país se depara com os dois atuando simultaneamente.

Esse fenômeno de estagflação (inflação e estagnação) não é tipicamente exclusivo do Brasil. É muito curioso que no momento que a economia mundial passa por deflação, o inverso ocorra não apenas no Brasil, mas nos demais BRICSs e nos países emergentes em geral, em um maior ou menor, apesar dos mesmos estarem com forte pressão de desemprego e desaceleração econômica. Por sua vez, ainda mais curioso que o Brasil, seja um celeiro do mundo e passe por um forte inflação dos alimentos.

Ao longo da História econômica são inúmeros casos registrados, particularmente sobre países considerados subdesenvolvidos, especialmente em momentos de surto de desenvolvimento. Vários estudiosos do ramo da Economia que analisa o fenômeno do desenvolvimento econômico chamam essa situação de "Teorema de Preobrazhenski". Uma homenagem ao economista marxista russo Eugene Preobrazhenski,(1886-1937), autor que primeiro descreveu esse dilema. A solução é a esse mal endêmico seria três: reforma agrária, industrialização acelerada e planejamento econômico.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Pesquisa revela que tributação sobre consumo no Brasil é excessivamente alta

A insistência do governo Dilma em repassar ao contribuinte a responsabilidade por reequilibrar as contas públicas com aumento de impostos demonstra a falta de controle, visão e experiência econômica, ancorada infelizmente na ideologia neoliberal dos cabeças da equipe econômica. Mas, para além disso, esbarra na carga tributária extremamente elevada no Brasil. Contudo, o peso dessa carga é sobre tributação de consumo e não sobre renda - contrariando padrão aplicado nos países desenvolvidos. É o que confirma pesquisa do professor de contabilidade tributária Paulo Henrique Barbosa Pêgas.

O pesquisador, professor de contabilidade tributária do Ibmec/RJ e Contador do Bndes, Paulo Henrique Barbosa Pêgas, fez um estudo onde revela que não existe uma única explicação para a carga tributária extremamente elevada no Brasil, representando mais de um terço do Produto Interno Bruto (PIB). A tributação sobre o consumo representa mais da metade da carga tributária do país, enquanto a renda responde por menos de 20%, contrariando padrão aplicado nos países desenvolvidos. A média dos países que integram a OCDE é bem diferente, sendo a renda responsável por 35% da carga tributária, com o consumo representando 32%.

A pesquisa, realizada em julho, analisou as demonstrações financeiras de 100 grandes grupos empresariais brasileiros, de diversos setores de atividade econômica, com o objetivo de compreender alguns dados sobre a tributação brasileira, notadamente sobre a renda e o consumo.  Os dados analisados foram encontrados na página eletrônica da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e algumas outras em demonstrativos disponibilizados ao público pela própria empresa ou em jornais.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Equipe econômica anuncia mais arrocho para diminuir deterioração fiscal provocada pelas políticas deles mesmos

por Almir Cezar

O desastrado pacote de cortes de investimentos e aumento de impostos anunciado pela equipe econômica na segunda-feira conseguiu deixar o governo à direita de partidos conservadores.  o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. As principais críticas são aos aumentos de impostos e corte em investimentos como Minha Casa Minha Vida. Até Saúde e Educação não foram poupadas pela tesoura de Levy. 

As medidas anunciadas pela equipe econômica desagradaram a quase todos os setores. A FIESP e a FIRJAN cobraram políticas para estimular a produção e o setor empresarial. Apenas a Federação dos Bancos (FEBRABAN) e a agência de classificação de risco Moody's deram apoio incondicional.

Tudo para tentar resolver o problema e trocar o deficit por uma meta de superavit de 0,7% do PIB (Produto Interno Bruto). "Remédios amargos", como classificou Dilma em suas últimas declarações públicas. O plano previa um deficit - a diferença entre gastos e receitas - de R$ 30,5 bilhões. Sem ter "troco", o governo não terá o que poupar para pagar juros e diminuir a dívida pública – o avanço do gasto com juros é apontado por alguns especialistas como o principal motivo para o rebaixamento do país.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Tempo de viagens casa-trabalho-casa causa prejuízo bilionário ao país

Segundo estudo o prejuízo anual para o RJ é estimado em mais de R$ 19 bi

Via-crúcis diária do trabalhador com o transporte
gera prejuízo bilionário ao país.
O tempo do deslocamento no trajeto casa-trabalho-casa vem crescendo ano após ano nas principais áreas metropolitanas do Brasil, segundo estudo do Sistema Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), divulgado na última quarta-feira. No Rio de Janeiro, considerando os deslocamentos acima de 30 minutos, mais de 2,5 milhões de trabalhadores demoram, em média, 141 minutos nessas viagens. O tempo perdido nos deslocamentos tem um impacto para a economia, a chamada produção sacrificada, superior a R$ 19 bilhões.

Na Baixada Fluminense, Japeri foi o município onde os trabalhadores registraram maior tempo de deslocamento (187 minutos) e Itaguaí, o que registrou a menor média (122 minutos). Em Duque de Caxias o tempo da viagem (149 minutos) representa, em relação ao custo, um prejuízo de R$ 1,5 milhão (6,1% do PIB metropolitano). Já em Nova Iguaçu, o impacto do tempo perdido no deslocamento (164 minutos) é de mais de R$ 700 mil e representa 7,3% do PIB metropolitano.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Brasil ruma para "tragédia grega". Mas não é do jeito que a mídia diz

O Brasil está trilhando o caminho da Grécia. A comparação não chega a ser exagerada, nem é igual a certas falas de economistas de bancos e do mercado financeiro ou de comentaristas da imprensa. Mas resultada de uma lógica diferente da deles. Ao fazer cortes em cima de cortes para equilibrar o orçamento, o que se obteve na Grécia foi o agravamento da crise, jogando a economia no fundo do poço, gerando maiores déficits fiscais e levando a relação Dívida/PIB para um patamar em que ela ficou impagável.

A grande diferença é que os gregos fizeram isso por imposição de seus “parceiros”. Sem controle da política monetária, as alternativas do país seriam de alto risco – e o Syriza, partido eleito para fazer as mudanças, renegou o mandato popular, mesmo após reafirmado em plebiscito.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Preobrazhenski, um economista trotskista. Seus aportes e contribuições ao trotskismo para o Brasil de hoje

por Almir Cezar Filho [1]

Introdução

Este texto não consiste em discorrerei uma biografia do economista e revolucionário Eugeni Preobrazhenski. Nem sua participação na Revolução Russa, ou outros importantes aspectos, como sua contribuição teórica ao marxismo, ou seu papel na gestão da economia soviética durante a década de 1920 (a primeira experiência socialista da História), ou sua participação no partido bolchevique. Nem mesmo sua participação ao lado de Trótski em evitar a burocratização pelo stalinismo do partido, do sovietes, do Estado e das empresas.

Cabe exclusivamente em um breve artigo reabilita aos olhos dos trotskistas contemporâneos, especialmente aos morenistas (até porque revolucionário trotskista Nahuel Moreno o utilizou para atualizar o trotskismo nos anos 1980 [i]), esse brilhante intelectual marxista, dirigente partidário e administrador socialista, e, por sua vez, apontar os necessários aportes que seu pensamento permite para encararmos a luta socialista no século XXI.

Um dos problemas brasileiros atuais que vem dando "dor de cabeça" é recorrência da inflação alta e pressão desta nos ciclos de crescimento econômico: o Teorema de Preobrazhenski. O Teorema de Prebrazhenski não é uma criação de Preobrazhenski, mas uma interpretação dada por Joseph Stiglitz (prêmio Nobel de Economia e ex-economista-chefe do Banco Mundial) ao estudar os problemas macroeconômicos das economias em desenvolvimento (em transição de agroexportadores para industrializados), em que é endêmico recorrentes crises no câmbio e no balanço de pagamentos e uma crônica inflação alta, que se intensificam quanto mais cresce a economia, gerando um fortíssimo dilema.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Brasil tem quase 100 mil imóveis encalhados

Com lançamento e venda de imóveis em queda, estoque chega a 99 mil unidades
Setor levaria 13 meses para comercializar toda essa oferta imobiliária, indica pesquisa inédita

Portal R7 | 19/8/2015 

O mercado imobiliário brasileiro acompanha o desaquecimento econômico do País e apresenta uma redução nos lançamentos e nas vendas de imóveis.

O Brasil tem um estoque de 99 mil imóveis, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (19) pela Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

O levantamento mostra que, neste ano, foram lançados em todo o País 26,5 mil unidades, uma queda de 20% na comparação com o mesmo período de 2014.

Já as vendas, neste mesmo período, alcançaram 51,7 mil unidades, o que representa uma queda de 14% em relação ao ano passado.


Segundo o economista da Fipe Eduardo Zylberstajn, responsável pelo estudo, esses dados já mostram que as incorporadoras estão lançando menos do que estão vendendo, o que demonstra que o setor está fazendo um ajuste não somente no preço dos imóveis.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Sobre a inflação na teoria marxista

por Almir Cezar

Posto aqui novamente uma pequena lista com artigos acadêmicos brasileiros em Economia com um tratamento da fenômeno da inflação em uma abordagem marxista, 'encontráveis' na internet. 

Os artigos traçam vários rumos para entender a questão, mas ao meu ver, o melhor seria analisar em termos do chamada “revolução do valor e gravitação dos preços”, e enquadrá-la na crítica marxista à Microeconomia e superação do problema de transformação pela aplicação do princípio da regulação pela lei do valor e do entendimento da dialética entre preços e valores. Em breve posto um artigo próprio em que desenvolverei o tratamento da questão por este meio.

Segue os títulos com os links:

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Crise? Crise sim, mas para quem? Grandes empresas apertam custos e elevam lucro em ano de crise

Apesar de queda nas receitas, grandes empresas apertam custos e elevam lucro em ano de crise. Inflação bate receita, mas lucro operacional sobe em 8 firmas.

Empresas repassam para os preços finais a elevação nos preços dos insumos, enquanto consumidores pagam mais caro pelos produtos e empregados amargam queda nos salários e desemprego.

Empresas apertam custos e elevam lucro em ano de crise

TATIANA FREITAS e TONI SCIARRETTA - DE SÃO PAULO | Folha Online | 14/08/2015

As grandes empresas brasileiras se prepararam para a crise econômica, ganharam eficiência e conseguiram elevar os ganhos nos seus negócios no primeiro semestre de 2015, na comparação com o mesmo período de 2014.

A melhora ocorreu mesmo com a queda nas receitas com as vendas. Isso mostra que as companhias conseguiram repassar aumentos nos preços, além de cortar custos e despesas administrativas.

Levantamento do Insper, feito a pedido da Folha com base em dados da consultoria Economatica, mostra que as companhias que fazem parte do Ibovespa tiveram um crescimento de 9,3% no chamado lucro operacional (o Ebit, ou lucro antes de juros e impostos) nos primeiros seis meses deste ano na comparação com o primeiro semestre de 2014.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Grandes empresas seguem lucrando muito, mesmo com queda na economia

Economia brasileira caminha para a recessão, mas os lucros das grandes empresas e bancos seguem exorbitantes

Por André Freire, de Salvador (BA)

Em algumas semanas, será anunciado o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2015. E é muito provável que economia brasileira entre oficialmente em recessão - nome que os economistas escolheram para analisar a economia, de um determinado país, que tem um desempenho negativo em seu crescimento, durante dois trimestres seguidos.

Depois da estagnação econômica durante o ano de 2014 (apenas 0,1% de crescimento), já houve uma pequena queda de 0,2%no PIB do primeiro trimestre desse ano. Agora, novamente todas as estimativas para o segundo trimestre apontam outra queda, inclusive podendo ser mais profunda. As avaliações do FMI e do próprio Banco Central brasileiro já indicam que o PIB brasileiro pode recuar em até 1,5%durante o ano de 2015.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Tragédia Grega esconde segredo de bancos privados.

 por Maria Lucia Fattorelli | 01/07/2015

A Grécia está enfrentando um tremendo problema de dívida pública e uma crise humanitária. A situação atual é muitas vezes pior do que a de 2010, quando a Troika – FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu – impôs seu “plano de resgate” ao país, justificado pela necessidade de apoiar a Grécia. Na realidade, tal plano tem sido um completo desastre para a Grécia, pois o país não tem obtido absolutamente nenhum benefício com os peculiares acordos de dívida implementados desde então.

O que quase ninguém comenta é que um outro exitoso plano de resgate foi efetivamente implementado naquela mesma época em 2010, não para a Grécia, mas para os bancos privados. Por trás da crise grega há um enorme e ilegal plano de resgate de bancos privados. E a forma pela qual tal plano está se dando representa um imenso risco para toda a Europa.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Mercado financeiro prevê retração na economia de 1,7% este ano, diz BC

Presidente do Banco Central continua usando alta dos juros
para combater a inflação, apesar do pouco efeito. Mercado
financeiro ouvido pelo próprio BC prevê retração da economia
em consequência da política monetária.
A economia deve ter retração de 1,7%, este ano, de acordo com projeção de instituições financeiras consultadas semanalmente pelo Banco Central. Na semana passada, a projeção para a queda do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, estava em 1,5%. Essa projeção é do Boletim Focus, publicação semanal, feita pelo Banco Central, com base em pesquisa a instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos.

No próximo ano, a expectativa é crescimento da economia, mas apenas 0,33%. Na semana passada, a estimativa de crescimento era 0,50%. Na avaliação do mercado financeiro, a produção industrial deve ter queda de 5%, este ano. Em 2016, o setor deve se recuperar, com crescimento de 1,50%, contra 1,40% previsto anteriormente.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Estoura a bolha financeira da China

Mais da metade das empresas listadas em Bolsa na China suspendem ações. A Bolsa de Shenzhen caiu 2,5% nesta quarta-feira, após queda de 5,3% na véspera. Estourou a bolha: o "crash" da bolsa chinesa está apenas começando.

Mais da metade das empresas listadas no mercado de capitais da China suspenderam suas ações em meio à contínua desvalorização das bolsas chinesas e ameaças de uma bolha acionária, segundo dados divulgados pela mídia local nesta quarta-feira (8). Um total de 1.430 empresas anunciaram a suspensão de suas de ações até agora. O número de companhias com capital aberto no país é de 2.808.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Barbeiragem da política econômica empurra o país para recessão e não abaixa inflação

Banco Central admite previsão de retração de 1,1% no PIB e inflação de 9% em 2015

Fortes e sucessivos aumentos da taxa básica de juros pela autoridade monetária, acompanhada de ajuste fiscal, com cortes orçamentários e aumento de impostos e tarifas públicas pelo Ministério da Fazenda e Planejamento, visando o combate a inflação, empurra colateralmente a economia para uma recessão, cuja retratação do Produto Interno Bruto (PIB) pode chegar a -1,1%, porém os resultados não são sentidos sobre os preços ao consumidor. A inflação esperada para esse ano pode ficar em mais que o dobro da meta oficial de 4,5%. Enquanto isso, o índice de desemprego em certas capitais já chega a 10% da PEA (população economicamente ativa), batendo a taxa do auge da crise em 2009.

O Banco Central (BC) espera uma retração de 1,1% da economia brasileira em 2015. Há três meses, a instituição projetava queda do PIB (Produto Interno Bruto) de 0,5%. A estimativa de retração divulgada no Orçamento do ano é de 1,2%. A projeção do mercado pela pesquisa Focus é de queda de 1,45%.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Com Levy, desemprego na indústria pode superar até a taxa do auge da crise em 2009

COM JURO ALTO E AJUSTE FISCAL SETOR JÁ FECHOU 15O MIL VAGAS

Vítima da política econômica recessiva do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, a indústria de São Paulo deve fechar 2015 com cerca de 150 mil empregos a menos, queda de 6% sobre o ano anterior. Com isso, este será o pior ano da série histórica da pesquisa da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), iniciada em 2005, com possibilidade de atingir novo recorde na eliminação de vagas na indústria. 

A avaliação é do diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp/Ciesp), Paulo Francini: “É a maior perda de empregos absolutos, superando até a queda no ano da crise”, destaca Francini, se referindo ao saldo negativo de empregos de 110 mil, em 2009.

A pesquisa do Depecon apurou o fechamento de 17 mil postos de trabalho em maio, queda de 0,86% na comparação com o mês anterior, na leitura com ajuste sazonal. No acumulado do ano, a indústria paulista já demitiu 35 mil trabalhadores.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Com Levy inflação já sobe 5,34% em apenas cinco meses de 2015

Equipe econômica do governo Dilma também insiste equivocadamente na subida dos juros (ao consumidor já atingem mais de 300% ).
Endividamento, inadimplência, desemprego e recessão já são o resultado.


As medidas do Ministro da Fazenda Joaquim Levy, à frente 
da equipe econômica da presidenta Dilma, ao contrário do 
prometido, vem acelerando a inflação.
A política macroeconômica da equipe da presidenta Dilma Roussef, sob o ministro da Fazenda Joaquim Levy à frente, ao contrário do prometido, vem acelerando a inflação. O IPCA de maio ficou em 0,74%, após subir 0,71%, em abril, subindo para 5,34%, nos cinco primeiros meses do ano, acima da meta  de 4,5% e se aproximando do teto da meta, de 6,5%. E ainda, como efeito colateral, endivida o consumidor e o empurra a inadimplência (crescimento de 7,27% em 5 meses), aumenta o desemprego (atingiu 8%, maior patamar desde 2006) e empurra a economia para recessão (a expectativa é que haja recuo do PIB de 1,2% em 2015).

O tarifaço de energia, determinado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, com a drástica redução de subsídios, e a alta dos alimentos foram os principais responsáveis pela alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 0,74%, em maio, após subir 0,71%, em abril. Com o índice de maio, o IPCA já sobe a de 5,34%, nos cinco primeiros meses do ano. Nos 12 meses até maio, o IPCA sobe 8,47%, a maior taxa desde dezembro de 2003 (9,3%).

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Governo federal corta mais de 50% dos recursos da Reforma Agrária

Dilma Mãos de Tesoura
Os cortes anunciados pela equipe econômica do governo federal no último dia 22/05, um contingenciamento de quase R$ 70 bilhões no orçamento da união para 2015, tendem a estagnar ainda mais o processo da Reforma Agrária no país.

Cerca de 53.3% dos recursos discricionários, ou seja, aqueles que são priorizados pela própria pasta, foram contingenciados. Esse montante resultou na redução de 49.4% nas dotações do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para este ano.

Do montante autorizado em Lei, de pouco mais de R$ 3,5 bilhões, restaram apenas R$ 1,8 bilhão.

Esse valor será responsável pela manutenção dos programas já existentes, além do pagamento de dívidas adquiridas pelo próprio ministério. Isso significa que pouca ou nenhuma verba será destinada a novos projetos de interesse da Reforma Agrária.

Entre todas as pastas afetadas pelo contingenciamento, o MDA foi o 6º colocado em termos de corte proporcional.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Apesar da crise, lucros dos bancos crescem no Brasil

Lucro das empresas da Bolsa cai R$ 18,2 bi, mas bancos crescem 42% 
Alta da Selic, spread e concentração do mercado explicam rentabilidade na crise

De acordo com levantamento de uma consultoria, as 317 empresas com ações negociadas na BM&F Bovespa lucraram um total de R$ 25,7 bilhões no primeiro trimestre de 2015. O montante representa uma queda de R$ 18,2 bilhões, ou 41,4%, em relação ao mesmo período do ano passado.

Os resultados do setor bancário se apresentaram na direção contrária - os ganhos das 25 empresas do setor somaram R$ 17,7 bilhões de janeiro a março, um crescimento de 42,8% frente ao ganho de R$ 12,4 bilhões nos mesmos meses do ano passado o maior lucro entre os 24 setores presentes na Bolsa.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Do Ensaio Desenvolvimentista à austeridade: uma leitura Kaleckiana

por Almir Cezar

Segue um artigo analítico da virada da política econômica do governo Dilma sob uma abordagem kaleckiana. Não sou kaleckiano, mas sempre tive uma simpatia pelas contribuições do economista polonês Michael Kalecki enquanto marxista para compreensão macroeconômica do capitalismo.

Do Ensaio Desenvolvimentista à austeridade: uma leitura Kaleckiana

A austeridade bloqueia o avanço das demandas por redução das desigualdades e restabelece o mecanismo de controle dos capitalistas sobre o governo

 por Fernando Rugitskyda Carta Maior

Michael Kalecki
A virada da política econômica sob o mote da austeridade, iniciada nos últimos meses no Brasil, tem sido impressionante. A polêmica em torno da política de desonerações da folha de pagamentos é ilustrativa. Iniciada em 2012 e expandida nos dois anos seguintes, tal política foi classificada pelo atual ministro da Fazenda como “grosseira”, uma “brincadeira que nos custa R$ 25 bilhões por ano”. Um estrangeiro que não acompanha os embates políticos e econômicos do Brasil poderia ficar incrédulo se fosse informado que, na eleição ocorrida no ano passado, a presidenta foi reeleita e que o atual governo é de continuidade.


No entanto, apesar de aparentemente abrupta, tal virada é apenas o desfecho de um conflito subjacente que ganhou força no início do primeiro mandato de Dilma Rousseff, quando se iniciou o que André Singer chama de “ensaio desenvolvimentista”. Dessa maneira, compreender a opção atual pela austeridade requer examinar, ainda que brevemente, a política econômica do primeiro mandato, suas tensões e seus limites. E entender como seus resultados abriram espaço para que certos grupos adotassem uma estratégia surpreendentemente bem sucedida de pautar o debate público com a necessidade de um ajuste fiscal e de rejeição das opções de política realizadas entre 2011 e 2014.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

13 de Maio: vamos falar sobre Manuel Querino, um intelectual negro brasileiro

Rememorando o dia de hoje, 13 de maio, que se celebra mais um aniversário da Abolição da Escravatura no Brasil, republicamos o artigo sobre Manuel Raimundo Querino, importante intelectual negro. Contudo, como tantos outros, pouco conhecido na AcademiaA data não é comemorada pelo movimento negro, não é por menos, após a Lei Áurea faltou ao Estado e às elites criarem as condições para que a população negra pudesse ter um tipo de inserção mais digna na sociedade.

Depois do fim da escravidão, de acordo com o sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995), em sua obra A integração do negro na sociedade de classes, de 1964, "as classes dominantes não contribuíram para a inserção dos ex-escravos no novo formato de trabalho". Pelo contrário, no período subsequente o pensamento hegemônico, mesmo na Academia, tentou "esconder", ou mesmo demonizar, de todas as formas, e por todos os argumentos, os negros e sua contribuição ao Brasil - aproveitando-se de um ambiente em que se manteve o racismo cultural e o latifúndio agroexportador e se difundiu a imigração de europeus e esteve ausente qualquer reparação aos ex-escravos e seus descentes.

Manuel Querino foi uma daquelas figuras espalhadas pelo país no final do século XIX e começo do século XX, anos que se seguiram ao fim da escravidão, na luta contra o racismo a partir da desenvolvimento de uma análise sociológica e antropológica da contribuição dos negros e africanos à cultura e sociedade brasileira em geral, elaborada a partir dos próprios negros.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Promessa de Levy que ajuste traria volta do crescimento se revela ilusão

Dados de inflação, emprego, confiança da indústria e déficit público mostram deterioração do cenário econômico provocada pelo pacote de medidas de ajuste, que prometia evitá-la

por Almir Cezar

Revelou-se ilusão a previsão do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de que a união de uma política de ajuste fiscal com a nova escalada da taxa básica de juros (Selic), agora para 13,25% ao ano, ajudaria na retomada dos investimentos, por restabelecer a confiança do empresariado, não se sustenta. Os dados de inflação (medida e a esperada pelo mercado), nível de emprego, déficit público dos estados e, especialmente, confiança da indústria mostram deterioração do cenário econômico provocada pelo pacote de medidas de ajuste, que prometia evitá-la.

O cenário contracionista, no conjunto das políticas macroeconômicas fiscal, cambial, monetária e creditícia faz com que a confiança do empresário se reduza, diante da expectativa de nova queda no Produto Interno Bruto (PIB) e na demanda, ao contrário do prometido. Mercado estima inflação em 8,26% e Selic em 13,5% no final do ano. Já os Estados têm déficit recorde para março. O resultado é que a confiança da indústria volta a cair e atinge o menor nível dos últimos nove anos e ainda mais grave para o trabalhador, à medida que o arrocho fiscal coloca 1,5 milhão na rua no primeiro trimestre, aumento do desemprego em 23%, passando para 7,9% da população economicamente ativa.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Economia cresce 0,1% em 2014, pior resultado em 5 anos


Em final de março foi divulgado o dado oficial do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2014 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O PIB em 2014 somou R$ 5,521 trilhões, fechando o ano em leve alta de 0,1%. Os dados consideram a metodologia atualizada do cálculo.

Foi o pior resultado para a economia desde a queda de 0,2% em 2009, auge da crise crise econômica mundial. Entre os setores produtivos do PIB, a indústria teve o pior desempenho, caindo 1,2% no ano. O setor agropecuário teve avanço de 0,4%, e os serviços subiram 0,7%.


O PIB é a soma de tudo o que é produzido no país, e foi divulgado em 27 de março pelo IBGE. Essa soma foi de R$ 5,521 trilhões no ano passado. O PIB per capita ficou em R$ 27.229, uma queda de 0,7% (em volume) em relação a 2013.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Professores brasileiros recebem piores salários

Ranking internacional mostra descaso com que a educação é tratada no país

Tropa de choque da PM do Paraná, governada por Beto
Richa (PSDB), ataca professores e servidores públicos 
em frente a Assembleia Legislativa. Mais de 170 feridos.
Alvos de agressão da polícia do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), e da intransigência em São Paulo do governador Geraldo Alckmin, também tucano – estado em que estão em greve desde 13 março – os professores brasileiros estão na lanterna de um ranking internacional sobre salários de educadores.

O país amarga um dos últimos lugares em um ranking que compara a eficiência dos sistemas educacionais de vários países, considerando itens como salários dos professores, condições de trabalho na escola e desempenho dos alunos.

Segundo estudo da consultoria Gems Education Solutinos, os professores brasileiros recebem o equivalente a US$ 14,8 mil por ano (cerca de R$ 44,4 mil). O valor é calculado por uma média de 15 anos e usa o critério de paridade de poder de compra.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Governo Dilma já admite política econômica de Levy levará país à recessão este ano

Governo se curva a previsões dos bancos e estima queda de 0,9% no PIB deste ano
Faturamento caí e desemprego aumenta


por Almir Cezar

Ao longo dos últimos meses o ministro da Fazenda Joaquim Levy vinha dizendo que as medidas de corte de gastos e de aumento de tributos adotadas seriam apenas o primeiro passo para reequilibrar a economia. Sempre minimizava o impacto das medidas de ajuste fiscal anunciadas na produção e no consumo em 2015. Contudo, a equipe econômica, agora, estima que a atividade econômica deve encolher 0,9% este ano. É o que consta no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), enviado esta semana ao Congresso Nacional, que revê para baixo a previsão do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. 

Com um ministro da Fazenda oriundo do sistema financeiro, o governo Dilma alinhou sua previsão com as estimativas dos bancos. Embora os números sejam divulgados pelo Ministério do Planejamento, as estimativas são de autoria da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Para 2016, a proposta da LDO prevê crescimento de 1,3%. Na véspera, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmara que as projeções da equipe econômica haviam incorporado as estimativas do mercado financeiro. Na última edição do Boletim Focus, pesquisa semanal com economistas de mercado divulgada pelo Banco Central, as instituições previam queda de 1,01% do PIB em 2015 e crescimento de 1% em 2016. A última edição do Focus prevê inflação de 8,13% para este ano e de 5,6% para 2016.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Morre Eduardo Galeano, importante pensador da esquerda da América Latina

A seguir a excelente nota a CSP-Conlutas Central Sindical e Popular homenageando o escritor Eduardo Galeano, falecido anteontem. O pensador era uma das principais referências da esquerda latino-americanas nas últimas décadas.

Morre Eduardo Galeano, importante pensador da esquerda da América Latina

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”

Quem da esquerda em algum momento ou em muitos não se emocionou com estas frases de Fernando Birri tão citadas por Galeano? Eduardo Galeano, um dos grandes maestros da esquerda latino-americana, tombou nesta manhã de segunda-feira, aos 74 anos, em Montevidéu, Uruguai, devido a complicações de um câncer no pulmão. Havia sido internado na última sexta-feira.

Ícone da literatura com inúmeras publicações, perseguido pelos regimes ditatoriais que varreram a América Latina, também era jornalista e ensaísta. Eduardo Galeano pode ser citado não como especialista em alguma das áreas pelas quais passou, mas como um humanista que construiu uma identidade de nossos povos pela ousadia em se opor às imposições da Europa e dos Estados Unidos. Tanto na política quanto no jornalismo e na literatura.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Inflação, PIB e emprego: Dados e previsão da economia pioram em março

Em meio e apesar de ajuste econômico, dados  e previsão para a economia brasileira para 2015 pioram em março. Analistas do mercado financeiro espera inflação de 8,2% e retração no PIB de 1,01% em 2015. Taxa de desemprego cresceu para 6,2% em março, o pior dado desde 2006.

Mercado espera inflação de 8,2% e retração no PIB de 1,01% em 2015

Investidores e analistas dos mercado financeiro já estimam para 2015 inflação de 8,2%, pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O IPCA é calculado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com o objetivo de oferecer a variação dos preços no comércio para o público final.

terça-feira, 31 de março de 2015

20º Encontro Nacional de Economia Política

Entre 26 a 29 de maio acontecerá em Foz do Iguaçu (PR) mais um Encontro Nacional de Economia Política. As atividades do maior evento de Economia Política do país são promovidas pela Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP) e acontecerão no campus da UNILA.

Haverá debates e apresentação de trabalhos nas seguintes áreas:
  • METODOLOGIA E HISTÓRIA DO PENSAMENTO ECONÔMICO
  • HISTÓRIA ECONÔMICA E ECONOMIA BRASILEIRA
  • ECONOMIA POLÍTICA, CAPITALISMO E SOCIALISMO
  • ESTADOS E NAÇÕES DIANTE DO CAPITALISMO ATUAL
  • DINHEIRO, FINANÇAS INTERNACIONAIS E CRESCIMENTO
  • CAPITALISMO E ESPAÇO
  • TRABALHO, INDÚSTRIA E TECNOLOGIA
  • INTEGRAÇÃO LATINO-AMERICANA
  • ECONOMIA AGRÁRIA E DO MEIO AMBIENTE
Segue a programação:

quinta-feira, 26 de março de 2015

Banco Central estima que Brasil passará dois anos em recessão

por Almir Cezar

E inflação deste ano deverá estourar o teto da meta, de acordo com estimativa da autoridade monetária que acaba de ser divulgada. O endividamento das famílias sobe levemente em janeiro, revela Banco Central

O Brasil vai ter dois anos de recessão, de acordo com a estimativa que acaba de ser apresentada pelo Banco Central (BC) em seu Relatório de Inflação, publicado trimestralmente. Neste ano, a autoridade monetária espera queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,5%. Em 2014, a redução será de 0,1% de acordo com essa nova previsão - a anterior era de leve alta, de 0,2%. O PIB do ano passado medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) será conhecido amanhã.

A inflação será de 7,9% em 2015, estourando o teto da meta, de 6,5%, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A previsão anterior era de 6,1%. Para 2016, houve ligeira queda na estimativa, de 5% na versão anterior para 4,9% na atual. Isso significa que o BC espera que o choque de preços se concentre neste ano.

terça-feira, 17 de março de 2015

IBGE revisa PIB de 2011

Em 2011, PIB da nova série cresceu 3,9% e chegou a R$ 4,375 trilhões
 Nova série apresenta uma classificação mais detalhada e incorpora dados 

Série do PIB antes da revisão metodológica pelo IBGE
Nova série do Sistema de Contas Nacionais do IBGE adota 2010 como ano de referência e incorpora recomendações da mais recente revisão do manual de Contas Nacionais organizado por ONU, FMI, OCDE e Banco Mundial. Além de atualizações metodológicas, a nova série apresenta uma classificação mais detalhada de produtos e atividades, integrada à CNAE 2.0, e incorpora dados do Censo Agropecuário de 2006 e da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008/09.

O Sistema de Contas Nacionais (SCN 2010) permanece fundamentado nas Tabelas de Recursos e Usos (TRU) e nas Contas Econômicas Integradas (CEI). Também foi feita uma retropolação dos dados até 2000, estimando-se nova série de TRU. A nova série das Contas Nacionais Trimestrais (até 2014) será divulgada em 27/03 e os resultados anuais definitivos de 2012 e 2013 serão conhecidos em novembro. 

quarta-feira, 11 de março de 2015

População rural brasileira pode ser superior ao apontado oficialmente

Pesquisa usa abordagem sociológica para definir políticas públicas para o campo

Pesquisa apoiada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) calcula que 36% da população brasileira é rural. O percentual é 20 pontos superior aos cerca de 16% apontados pelo último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A diferença deve-se à aplicação de um tipo de conceito de rural defendido pelos pesquisadores do MDA. Segundo o levantamento, como só existe o conceito de urbano na legislação, a ruralidade acaba definida por exclusão.

O novo conceito foi apresentada na primeira edição do evento ‘Diálogos sobre o Brasil Rural’, nesta segunda-feira (9), em Brasília.  O evento, promovido pelo Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (Nead/MDA), apresentou a pesquisadores, estudantes, servidores do MDA e de outros ministérios o estudo ‘Repensando o conceito de ruralidade no Brasil: implicações para as políticas públicas’.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Atos programados contra aumento do juros pelo BC


Movimentos sociais realizaram por várias cidades do Brasil atos contra o aumento dos juros que ocorrerá amanhã,  03 de março, pelo Banco Central.


Dias 3 e 4 de março, o COPOM (Comitê de Política Monetária) irá se reunir mais uma vez para - ao que tudo indica - subir os juros (SELIC) de novo. Cada aumento de 0,5 ponto percentual significa um enorme prejuízo ao Orçamento Federal e aos investimentos sociais.

Atualmente, 45,1% do Orçamento Geral da União é destinado ao pagamento de juros, amortizações e refinanciamento da Dívida Pública Federal. Apesar disso, a dívida cresce ano a ano.

Várias movimentos e entidades sindicais e populares, entre elas a Auditoria Cidadã da Dívida,  convidadam todos a participarem desse ATO para mostrar aos nossos governantes e aos tecnocratas do Banco Central que nós estamos de olho e não aceitamos mais ser pilhados pelo Sistema Financeiro Nacional e Internacional.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Dívida Pública e os Direitos das Mulheres no Brasil

Maria Lucia Fattorelli
Coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida
www.auditoriacidada.org.br

A dívida pública tem consumido a parcela mais relevante dos gastos do orçamento federal, impedindo o respeito aos direitos humanos no Brasil. Os direitos da mulheres são igualmente afetados pela equivocada política econômica praticada no País, que privilegia os gastos financeiros em detrimento dos direitos sociais. Nem mesmo as determinações da Lei Maria da Penha têm sido efetivadas: dos pífios recursos destinados ao seu cumprimento, apenas uma ínfima parcela tem sido executada de fato. Por outro lado, a cada ano, o lucro dos bancos se avoluma, atingindo dezenas de bilhões a cada ano, denunciando a evidente transferência de recursos públicos em benefício do setor financeiro privado. O “Sistema da Dívida” é um dos principais responsáveis por essa distorção, razão pela qual é fundamental a realização de auditoria da dívida, com ampla participação cidadã. O Equador realizou auditoria oficial de sua dívida em 2007/2008, obtendo anulação de 70% da dívida externa em títulos, o que tem possibilitado avanço nos investimentos sociais, priorizando-se inclusive as questões de gênero. A auditoria da dívida está prevista na Constituição Federal, mas nunca foirealizada. A CPI da Dívida Pública realizada na Câmara dos Deputados em 2009/2010 foi um grande passo nesse caminho. Especialmente diante da conjuntura internacional de crise financeira e sua iminente transferência para o Brasil e demais países em desenvolvimento, é fundamental o envolvimento dos movimentos feministas nessa questão. É urgente realizarmos completa auditoria da dívida pública para alcançarmos a necessária transparência acerca da realidade financeira do País e, de posse dos resultados, exigirmos a aplicação dos recursos prioritariamente ao atendimento aos direitos humanos.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Tiro pela culatra: Apesar do arrocho da dupla Dilma-Levy a inflação dispara. Novo salário mínimo não dá conta

por Almir Cezar

Inflação oficial inicia o ano em alta de 1,24%. Isso apesar do arrocho da dupla Dilma-Levy, com a edição das MPs 664 e 665, com cortes no seguro-desemprego, auxílio-doença, PIS e pensões e a decisão de engrossar a carga de impostos que afeta a população. Já a cesta básica ficou mais cara em quase todo o país, subindo quase 10 vezes mais que a inflação e já consome metade do valor do salário mínimo de 2015.

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país e que serve de parâmetro para as metas inflacionária fixada pelo Banco Central, iniciou o ano em alta, fechando janeiro com variação de 1,24%, resultado 0,46 ponto percentual superior ao 0,78% registrado pelo indicador em dezembro do ano passado.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

É a queda das commodities! Ações da Petrobras caem mas não é pelos escândalos

por Almir Cezar

Diferente do que afirma a grande mídia o valor da Petrobras na bolsa de valores caí não apenas por causa do escândalo de corrupção descoberto pela Operação Lava Jato, mas por conta da deflação mundial das commodities, como o petróleo. É o mesmo caso da Vale,  de minérios e siderúrgicos, mas empresa privada. Sem o mesmo rebuliço da mídia, pois esta não se presta a atacar o governo Dilma.

Apesar da alta inflação interna, com o prosseguimento da crise econômica internacional, o cenário que se desenha lá fora para 2015 é claramente deflacionário e desinflacionário. A deflação de preços ao produtor na China segue há 3 anos - ainda com enorme capacidade ociosa. Japão e Europa também estão em território deflacionário. A previsão de boas safras nos EUA também coloca pressão baixista nos preços de grãos. Os preços de ferro e cobre seguem em queda com a perspectiva de mais desaceleração na China.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Dívida pública sobe 8,15% em 2014, para R$ 2,29 trilhões

Principal fator que elevou dívida em 2014 foram os juros: R$ 243 bilhões. Ao mesmo tempo, governo também emitiu mais R$ 60 bilhões para BNDES.

A dívida pública federal, que inclui tudo o que o governo deve a credores dentro e fora do país, subiu 8,15% em 2014, para R$ 2,29 trilhões, novo recorde. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (28) pela Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério da Fazenda.

O crescimento da dívida pública no ano passado foi de R$ 173 bilhões. Em 2013, a dívida pública havia registrado crescimento menor, de 5,7%, ou R$ 115 bilhões, para R$ 2,12 trilhões.

A dívida pública é a contraída pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do governo federal. Quando os pagamentos e recebimentos são realizados em real, a dívida é chamada de interna. Quando tais operações ocorrem em moeda estrangeira (dólar, normalmente), é classificada como externa.

Fatores para o crescimento

O crescimento da dívida pública no ano passado está relacionado, principalmente, com as despesas com juros, no valor de R$ 243 bilhões. Dados de alguns pesquisadores constatam que a cada elevação em meio ponto percentual (0,5) na taxa Selic (taxa básica juros) pelo Banco Central, com a justificativa de combater a inflação, eleva o gasto com a dívida em R$ 10 bilhões, que vão diretamente para as receitas de bancos e rentistas.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

'Nem que a vaca tussa': contra 'mexidas' de Dilma-Levy nos direitos sociais centrais sindicais protestam

Cartaz conjunto das centrais sindicais que anuncia
 a campanha e ironiza a frase de Dilma durante
a eleição de que não mexeria em direitos sociais.
Hoje, 28 de janeiro, quarta-feira, vão ocorrer manifestações em diversas partes do país exigindo a revogação das Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665, baixadas pela presidente Dilma Rousseff no final do ano passado. O “Dia Nacional de Lutas por emprego e direitos” foi uma iniciativa proposta pelas centrais sindicais brasileiras CUT, FS, CTB, NCST, UGT, CSB e CSP-Conlutas e está tendo a adesão de entidades sindicais e movimentos populares participando das manifestações e somam ao esforço de unidade para barrar essas medidas adotadas pelo governo e que prejudicam os trabalhadores.

As MPs são, na verdade, uma minirreforma trabalhista e da previdência. Atacam e reduzem direitos, com a desculpa de aumentar o controle e a fiscalização do governo, tais como o seguro-desemprego, o auxílio-doença, a pensão por morte e o abono salarial do PIS-Pasep. 

Ao mesmo tempo, o governo Dilma vem impondo um forte arrocho fiscal e monetário, cortando o orçamento de áreas sociais, aumentando ou reeditando impostos como a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) da gasolina e o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros (IOF) dos empréstimos bancários, ao mesmo tempo em que aumenta a defasagem da tabela do imposto de renda, trazendo mais perdas para os assalariados.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

População sufocada: Dupla Dilma-Levy agora ataca com aumento de impostos

Depois de editar  as Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665, com cortes no seguro-desemprego, auxílio-doença, PIS e pensões, anunciadas em dezembro, o governo Dilma Rousseff (PT) decidiu engrossar a carga de impostos que afeta a população. É mais uma péssima notícia para os trabalhadores e aposentados brasileiros.

Na segunda-feira passada (19), o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciou a elevação do PIS e da Cofins sobre os combustíveis e o retorno da Cide da gasolina (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). O aumento conjunto dos tributos corresponderá a R$ 0,22 por litro da gasolina e R$ 0,15 por litro do diesel, valores que a Petrobras já anunciou que repassará integralmente aos consumidores.

O ministro de Dilma anunciou também os aumentos do IPI sobre os atacadistas de cosméticos, do PIS e da Cofins sobre os produtos importados e do IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros) no crédito para pessoas físicas.