quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Crise econômica afeta capacidade de honrar dívidas das famílias. Taxa de juros em empréstimos dispara.

40% dos brasileiros estão na ‘lista negra’. Inadimplência cresce em setembro e já atinge 57 milhões de brasileiros, diz SPC. Compromissos com água e luz lideram crescimento. Sudeste lidera participação no número de inadimplentes. Famílias lideram renegociação de dívidas. Taxa de juros em empréstimos é a maior desde junho de 2009, diz Anefac

40% dos brasileiros estão na ‘lista negra’
09/10/2015 

Mais 2,4 milhões de consumidores tiveram os nomes incluídos em cadastro de devedores, entre janeiro e setembro, deste ano, de acordo com dados da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) Brasil, divulgados nesta sexta-feira. No final de setembro, havia 57 milhões de consumidores registrados em cadastro de devedores. Esse total equivale a 38,9% da população adulta do país (faixa de 18 a 94 anos).

Em setembro, comparado a igual período de 2014, o número de consumidores com contas atrasadas subiu 5,45%. Na comparação com agosto deste ano, houve recuo de 0,59%.

Os atrasos no pagamento de contas de serviços básicos, como água e luz, foram os que mais cresceram: 12,55%, na comparação entre setembro deste ano e o mesmo mês de 2014. As dívidas bancárias, incluídas pendências com cartão de crédito, empréstimos, financiamentos e seguros, subiram 10,32%.

As dívidas do setor de telecomunicações, atrasos no pagamento de telefone fixo, celular e TV por assinatura, cresceram 4,17%, enquanto as pendências no comércio tiveram alta de 0,85%. 

Já um estudo feito pela Serasa Experian mostra que a lista de devedores pessoas físicas somou, em agosto, 57,2 milhões e o volume financeiro ficou em R$ 246 bilhões. Os atrasos nos pagamentos de empresas totalizaram 4 milhões de casos, que alcançaram R$ 91 bilhões.

Quase a metade (46%) das empresas com dívidas em atraso é da área do comércio (setores de bebidas, vestuário, veículos e peças, eletrônicos, entre outros). Também há expressiva parcela (44%) concentrada no setor de serviços (bares, restaurantes, salões de beleza e turismo, entre outros) e 9% na área industrial.

Inadimplência cresce em setembro e já atinge 57 milhões de brasileiros, diz SPC
09/10/2015 

O número de consumidores brasileiros com contas atrasadas aumentou 5,45% no mês de setembro com relação a igual mês do ano passado, de acordo com o Indicador de Inadimplência apurado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). O resultado representa uma aceleração se comparado com o dado de agosto, quando a variação anual havia sido de 4,86%. Na comparação com agosto deste ano, sem ajuste sazonal, houve um recuo de 0,59% no volume de brasileiros inadimplentes.

Em número absoluto, o SPC Brasil e a CNDL estimam que até o encerramento do mês de setembro, havia um total de 57 milhões de consumidores com o nome registrado em cadastro de devedores - o que equivale a 38,9% da população adulta do país (faixa de 18 a 94 anos). Entre janeiro de 2015 e setembro do mesmo ano, houve um aumento líquido de aproximadamente 2,4 milhões de CPFs negativados em todo o território nacional.

O movimento de alta também foi verificado na quantidade de dívidas não pagas: a elevação em setembro foi de 6,63%, percentual acima dos 4,31% registrados no mesmo mês de 2014, na base anual de comparação. Já na comparação entre setembro deste ano e o mês imediatamente anterior, houve uma queda de 0,91% na quantidade de dívidas não pagas.

Para os especialistas do SPC Brasil, os dados da inadimplência estão sendo influenciados pela perda de dinamismo da economia brasileira e pela deterioração das condições do mercado de trabalho.
- Fatores econômicos como a inflação elevada, o alto custo das taxas de juros e o aumento do desemprego têm afetado a capacidade de pagamento dos consumidores - afirma o presidente da CNDL, Honório Pinheiro.

Os economistas observam que diante da piora do cenário macroeconômico, os indicadores de inadimplência retomaram a trajetória de aceleração a partir do início deste ano. Em janeiro, por exemplo, o volume de dívidas em atraso cresceu apenas 2,40%, patamar inferior ao observado no último mês de setembro.

- Se lançarmos um olhar sobre a inadimplência ao longo dos últimos 12 meses, podemos notar que a partir de meados de 2014, o crescimento de devedores e de dívidas em atraso desacelerou em razão da menor oferta de crédito na economia e dos juros elevados. No inicio deste ano, porém, a deterioração do cenário macroeconômico se sobrepôs ao freio do crédito e a inadimplência voltou a acelerar - observa a economista do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Compromissos com água e luz lideram crescimento

Levando em consideração os setores em que os inadimplentes mais atrasaram seus compromissos, o indicador revela que as pendências com as contas de serviços básicos, como água e luz, apresentaram as altas mais expressivas (12,55%) na comparação entre setembro deste ano com o mesmo mês do ano passado. Em seguida aparecem as dívidas bancárias, que englobam pendências no cartão de crédito, empréstimos, financiamentos e seguros, com variação positiva de 10,32%.

As dívidas do setor de telecomunicações, que leva em consideração atrasos no pagamento de telefone fixo, celular e TV por assinatura, cresceram 4,17%, enquanto os atrasos no comércio foram mais modestos, com uma leve alta de 0,85%. Quanto à participação no total de dívidas, as pendências bancárias ainda concentram quase a metade do total das dívidas existentes no Brasil: 48,17%. 

O indicador mostra ainda que as dívidas em nome de consumidores mais velhos foram as que registraram os aumentos mais intensos. No caso dos idosos com idade entre 65 e 84 anos a alta foi de 10,92% na base anual de comparação. Em sentido oposto, as dívidas em atraso registradas em nome de consumidores mais jovens, com idade entre 18 e 24 anos, apresentaram queda de 8,95%. Em termos de participação, quase a metade (49,43%) das dívidas atrasadas no Brasil estão registradas em nome de consumidores com idade entre 30 e 49 anos.

- Os dados apontam para uma tendência observada há vários meses, que reflete de um lado, a entrada tardia dos jovens no mercado de trabalho e, consequentemente se endividando menos e, de outro lado, o aumento da expectativa de vida dos mais idosos, inclusive com a expansão da oferta de bens, serviços e de produtos de crédito direcionados para esse público específico - explica Marcela.

Dados do indicador do SPC Brasil revela também que a dificuldade no pagamento de contas afeta tanto as dívidas contraídas mais recentemente como as mais antigas. As dívidas mais velhas, ou seja, registradas num período entre três e cinco anos, registraram a maior variação na comparação anual: 15,62%. Em seguida aparecem as dívidas mais recentes, registradas num intervalo de até 90 dias, com variação de 12,10% na comparação com setembro do ano passado. Analisando a participação de cada faixa de atraso, o indicador revela que 71% de todas as dívidas pendentes registradas em cadastro de devedores estão atrasadas há mais de um ano.

Sudeste lidera participação no número de inadimplentes

De acordo com o indicador apurado pelo SPC Brasil e pela CNDL, as regiões que lideraram o crescimento do número de inadimplentes, na comparação com setembro do ano passado, foram o Nordeste (7,85%), o Sul (6,84%) e o Centro-oeste (6,28%). No Norte (4,03%) e Sudeste (3,18%) as variações também foram positivas, mas menores do que a média nacional (5,45%).

Segundo estimativas do SPC Brasil, o Sudeste é a região que concentra o maior número de devedores do país: 23,76 milhões de pessoas com o 'nome sujo'. Isso se deve, principalmente, pelo fato de os estados que compõem a região contarem, também, com o maior número de habitantes na comparação com as demais regiões. No entanto, proporcionalmente, é a região Norte quem possui o maior número de consumidores inadimplentes frente a sua população total: são 5,22 milhões de residentes na região Norte com dívidas em atraso, o que representa 46,3% do total de adultos na região.

No ranking de inadimplentes, o Nordeste aparece em segundo lugar com 15,15 milhões de devedores, seguido pelo Sul, com 8,18 milhões de pessoas com contras atrasadas. Em último lugar está o Centro-oeste, que possui 4,70 milhões de pessoas em situação de inadimplência.

Serasa fala em "recorde histórico"
Os números de empresas e consumidores inadimplentes bateram recorde histórico em agosto, segundo estudo feito pela área de big data da Serasa Experian. O Brasil tem hoje com 57,2 milhões de brasileiros inadimplentes. Número é o maior já registrado desde que foi criado o levantamento, em 2014. Dívidas, somadas, totalizam R$ 246 bilhões. O estudo apontou, também, que o número de empresas inadimplentes chegou a 4,0 milhões, o maior já registrado. Essas companhias possuem R$ 91 bilhões em dívidas. 
O estudo revelou, ainda, que do total de companhias inadimplentes, 46% são comerciais (comércio de bebidas, vestuário, veículos e peças, eletrônicos, entre outros), 44% são do segmento de serviços (bar, restaurante, salões de beleza, turismo, entre outros) e 9% são indústrias.

Famílias lideram renegociação de dívidas
13/10/2015

De acordo com estudo Perfil do consumidor - Renegociação de dívida realizado pela Central de Recuperação da MultiCrédito, as famílias com no mínimo um dependente correspondem a 60% do total de interessados em renegociar suas dívidas no meio de pagamento cheque no País, indicador 20,6 pontos porcentuais superior ao interesse de renegociação em indivíduos sem nenhum dependente (39,4%).

Ainda de acordo com o perfil traçado pela pesquisa, os segmentos que lideram as tentativas de renegociação são os diretamente relacionados ao dia a dia familiar, tais como os de alimentação (17,4%), acessórios automotivos e manutenção (16%), roupas (10,8%) e farmácias e drogarias (10,6%), fator que explica o interesse das famílias em se organizar financeiramente e buscarem eliminar suas dívidas nesse segmento.

A pesquisa revela também que o principal motivo que leva as pessoas a adquirirem dívidas é descontrole financeiro, responsável por 54% da inadimplência total, seguido pelo atraso salarial e empréstimo do nome com 7,4% cada, e queda na renda, com 6,7%.

O valor médio das dívidas acumuladas entre os meses de junho e agosto variou de R$ 200 a R$ 499, apresentado por 36% dos consumidores consultados.  Já os rendimentos médios dos clientes que buscaram o serviço de renegociação variam entre dois e três salários mínimos (13,6% dos entrevistados), e entre três e quatro salários mínimos (12% dos entrevistados). 

Taxa de juros em empréstimos é a maior desde junho de 2009, diz Anefac
Agência Brasil | 13/10/2015

Em setembro, a taxa média de juros cobrada em empréstimos chegou a 131,1% ao ano, alta de 1,26% na comparação com agosto, segundo dados da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac).  É a maior taxa desde junho de 2009. 

A Anefac verificou elevação nas taxas em seis modalidades de crédito para pessoa física (juros do comércio, cartão de crédito rotativo, cheque especial, CDC-bancos-financiamento de veículos, empréstimo pessoal-bancos e empréstimo pessoal-financeiras). Em relação ao rotativo do cartão de crédito, a taxa chegou a 13,59% (361,40% ao ano) em setembro,  alta de 1,65% em relação agosto. O maior juro cobrado desde março de 1996.

A maior correção foi verificada no financiamento de automóveis que ficou 2,70% mais caro no mês.
A pesquisa aponta ainda alta nos três tipos de financiamento às empresas. A taxa de juros média subiu 0,73% em setembro em relação a agosto, passando de 4,09% ao mês para 4,12% (62,33% ao ano), sendo a maior taxa de juros desde maio de 2009.

De acordo com a Anefac, a taxa básica de juros (Selic) teve alta de sete pontos percentuais no período de março de 2013 a setembro de 2015, de 7,25% ao ano (janeiro de 2013) para 14,25% ao ano (setembro de 2015). Para a Anefac, as taxas de juros sobre as operações de crédito vão continuar elevadas pelos próximos meses "tendo em vista o cenário econômico atual que aumenta o risco de elevação dos índices de inadimplência". 

Nenhum comentário:

Postar um comentário