quinta-feira, 19 de abril de 2012

Apesar das ameaças da Espanha e da UE nacionalização da petrolífica YPF não prejudica em nada o Brasil e o Mercosul


Apesar das ameaças da Espanha e da UE nacionalização da petrolífica YPF não prejudica em nada o Brasil e o Mercosul. A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, decidiu nacionalizar a petrolífera YPF, controlada pela espanhola Repsol. Em projeto ao Congresso, ela decreta de "interesse público nacional" o setor petrolífero. E determina que, das ações da empresa, 51% serão retomadas pelo Estado argentino e 49% serão distribuídas pelas províncias. O projeto começará a ser debatido pelo Senado. A decisão foi anunciada no último dia 16 por Cristina Kirchner que assinou decreto pedindo urgência na tramitação do projeto de lei no Congresso. Ela disse ainda que por 30 dias a empresa YPF ficará sob intervenção do governo e responsabilidade do ministro do Planejamento da Argentina, Julio de Vido. 
 
O governo argentino alega que a empresa Repsol, que administra a YPF, cometia uma série de irregularidades, como violações ao meio ambiente. As autoridades informaram que não pagarão o valor exigido pelos empresários espanhóis pela expropriação.

A iniciativa da Argentina gerou uma série de contestações na Espanha. As autoridades espanholas condenaram a medida e prometem reagir, inclusive levar o caso à Justiça internacional. Para as autoridades, a decisão ameaça a relação de cordialidade entre os dois países.O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, tentará o apoio político na América Latina para reverter a decisão. 

Informações das últimas semanas já sugeriam que o governo argentino está considerando algum tipo de intervenção estatal na YPF SA, ex-estatal argentina de petróleo e gás na qual a Repsol tem participação controladora. Informes haviam sugerido que a presidente argentina Cristina Kirchner anunciaria algum tipo de ação em relação à YPF. A Espanha começou a exercer pressão diplomática sobre a Argentina na sexta-feira, em meio à contínua incerteza sobre os planos do país latino-americano para a subsidiária local da Repsol YPF, a principal petrolífera da Espanha.


A incerteza afetou a ação da Repsol, que caiu 2,1% na sexta-feira. A Repsol detém 57,4% da YPF, mas a família argentina Eskenazi, que detém 25,5%, é responsável pela gestão da empresa no dia-a-dia. As demais ações da empresa são negociadas em bolsas em Nova York e Buenos Aires.
A Espanha vem endurecendo o tom das suas comunicações sobre a YPF nos últimos dias. Apesar da Repsol ser uma empresa privada e cuja parte considerável de seu capital ser estrangeiro, a chancelaria espanhola incorreu em declarar publicamente que seu governo está em contato diário com a Argentina sobre a situação, e que, "embora a Espanha deseje o diálogo, também está estudando possíveis medidas a serem adotadas caso haja qualquer intervenção",

 que manifestou formalmente suas preocupações ao governo argentino e disse que está monitorando a situação. Se a Argentina prejudicar deliberadamente os interesses empresariais espanhóis, vai provocar algum tipo de resposta, indicou o ministro da Energia, José Manuel Soria. "Qualquer gesto hostil para com empresas espanholas também será considerado hostilidade em relação à Espanha e ao governo espanhol", disse, acrescentando que tais ações teriam conseqüências. 

procurou as instâncias da União EuropéiaJá a União Européia afirmou que o ato trará conseqüências à confiança dos investidores e ao clima econômico do país.
Nos últimos meses, o governo central e os governos provinciais da Argentina exortaram fortemente a empresa a investir mais em exploração e produção. Kirchner atribui a culpa por anos de declínio na produção de óleo e gás às empresas que, segundo ela, não investiram o suficiente. Mas os críticos dizem que limitações nos preços e intervenção estatal têm tirado o incentivo para investir.

Temendo, dias antes da intervenção argentina, a empresa se comprometeu a aumentar seus investimentos na província argentina de Santa Cruz para US$ 4,4 bilhões nos próximos cinco anos. 

A queda na produção de gás, combinada com uma demanda alta, obrigaram a Argentina a importar volumes crescentes de gás a preços maiores da Bolívia e de Trindade e Tobago. Essas importações já começaram a corroer o superávit comercial, uma das principais fontes de dólares que o governo usa para pagar seus credores. No ano passado a Argentina importou US$ 9,4 bilhões em combustíveis, gás natural e produtos refinados.

 O ministro das Relações Exteriores, José Manuel Garcia Margallo, e da Indústria, José Manuel Soria, condenaram a medida e a consideraram arbitrária. Para eles, o clima de cordialidade existente entre os dois países está ameaçado. De acordo com Margallo, o governo argentino quebrou um "acordo verbal" feito por autoridades em relação à exploração de petróleo por espanhóis no país. Segundo ele, inúmeros acionistas da Repsol, que é responsável pela YPF, serão prejudicados devido à decisão de expropriação definida pelo governo argentino.

Poucas horas após o anúncio de Cristina, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, criticou a decisão e informou que tomará medidas para defender os interesses espanhóis. "O governo condena absolutamente o poder arbitrário de decisão argentina", disse ele. A intervenção provocou reações até dos EUA. a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, Em visita a Brasília, disse que ainda não dispunha de detalhes sobre a proposta argentina, mas que a considerava arriscada. Para ela, o ideal é o modelo atual de concorrência e do mercado de commodities.

No entanto, entre os ecologistas espanhóis, a reação foi de apoio à Argentina. O grupo Ecologistas em Ação informou que não há "nenhum controle público" sobre as atividades da empresa YPF em território argentino. O assunto foi o tema principal dos principais jornais espanhóis, como El País, El Mundo, La Vanguardia, Cinco Dias e ABC.
Pela proposta em discussão na Argentina, 51% das ações da empresa petrolífera serão expropriadas - o governo federal ficará com 26,06% e as regiões produtoras com 24,99%-, enquanto os restantes 49% serão de responsabilidade das províncias (estados), nos quais a empresa atua..

Repsol reduziu a produção em 35%
Documento das províncias produtoras divulgado este ano mostra que a produção das empresas de gás e petróleo desabou 11% e 18%, respectivamente. Na Repsol-YPF, o tombo ficou entre 30% e 35% da produção de petróleo nos últimos anos e de 40% da de gás. No documento do projeto lei, a presidenta Cristina, afirma que com a balança comercial petrolífera deficitária, a situação do país seria "insustentável", se a Repsol continuasse a reduzir a produção.

Como exemplo, a presidenta mencionou alguns dos países que têm o controle da maioria dos recursos de hidrocarbonetos, como a Arábia Saudita, o Irã, a China, Venezuela, o México, Chile, Uruguai, a Nigéria, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, Kuwait e a Noruega. De acordo com ela, o governo do Brasil mantém 51% do controle das explorações no território brasileiro. 

O vice-presidente da Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira, porém, ressalta que a Repsol foi beneficiada na privatização da YFP. "A empresa foi comprada por um preço absurdamente baixo pois, na época da privatização, no governo de Carlos Menen, a Repsol usou uma auditoria norte-americana e conseguiu reduzir as reservas da empresa em 30%, para 1,6 bilhão de barris. Um mês depois, voltaram para 2,3 bilhões. Uma manipulação grosseira", lembrou, acrescentando que a atitude da Argentina "deve ser um exemplo para o Brasil, que precisa interromper os leilões de petróleo".
O vice presidente da Aepet lembra que, além de reduzir a produção, a Repsol-YPF não investiu na exploração de novas áreas para produção. E as reservas ficaram praticamente inalteradas desde a privatização: "No Brasil, a Repsol comprou Manguinhos, sucateou e depois devolveu", compara


Primeiras retaliações: Empresa espanhola suspende investimentos depois de expropriação
O processo de desgaste entre Espanha e Argentina foi acentuado hoje com a decisão da empresa de tecnologia em energia espanhola N2S de suspender os investimentos em território argentino. A medida foi tomada em reação à decisão do governo da presidente Cristina Kirchner de expropriar a petrolífera YPF, administrada pela companhia espanhola Repsol. O assunto é tema hoje de sessão no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França.

O diretor-geral e sócio fundador da N2S, Francisco de la Peña, disse que a empresa tinha o propósito de montar até o final deste ano uma filial na Argentina com 20 pessoas. O objetivo, segundo ele, era comercializar os produtos e ampliar as parcerias. A ideia era transformar essa filial em um centro de contatos para o restante da América Latina.
A N2S é a primeira empresa espanhola a suspender os investimentos na Argentina, depois da decisão do governo de Cristina Kirchner de expropriar a YPF. A N2S é uma companhia de tecnologia em energia, criada em 2006, com participação de vários países, como Brasil e Portugal

Premiê da Espanha busca na AL apoio contra expropriação argentina
Rajoy pretende se reunir com os três principais candidatos para debater o assunto. O impasse envolvendo os governos da Argentina e Espanha ganha novos elementos hoje. O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, está no México para pedir o apoio dos líderes latino-americanos na ação que os espanhóis pretendem mover contra a decisão argentina de expropriar a petrolífera YPF, administrada pela Repsol. Rajoy participa do Fórum Econômico Mundial sobre América Latina, em Puerto Vallarta, na região de Jalisco.

Rajoy participa de mesa-redonda sobre medidas adotadas pelos governos para reagir à recessão econômica global. Há ainda uma reunião com o presidente do México, Felipe Calderón. O primeiro-ministro pretende ir também à Colômbia para conversar com o presidente Juan Manuel Santos.

presidente da Repsol vai recorrer da decisão de Cristina Kirchner

O presidente da empresa espanhola Repsol, Antonio Brufau, que administra a petrolífera YPF, disse vai recorrer à arbitragem internacional e exigirá uma compensação pelas ações expropriadas - pelos cálculos de Brufau, algo em torno de US$ 46,55 por ação, representando um total de US$ 18,3 bilhões, que o governo argentino já adiantou que não concorda em pagar.

Antonio Brufau, disse, que o governo da Argentina fez campanha para pressionar a redução dos preços das ações da companhia.

Brufau disse que a Repsol vai recorrer à arbitragem internacional e exigirá uma compensação pelas ações expropriadas. A indenização exigida, segundo ele, corresponderá aos valores investidos pelos acionistas. Pelos seus cálculos, algo em torno de US$ 46,55 por ação, representando um total de US$ 18,3 bilhões.- A presidente argentina fez ontem um ato ilegítimo e injustificável, depois de uma campanha de acusações que pretendia derrubar as ações da YPF e permitir uma expropriação a preço baixo. Esses atos não ficarão impunes - disse Brufau. De acordo com ele, a expropriação viola os princípios da igualdade de tratamento.
Brufau disse ainda que tentou se reunir com a presidente da Argentina e ela evitou recebê-lo. De acordo com ele, durante sua gestão, a Repsol investiu mais de US$ 20 bilhões, dos quais US$ 15 bilhões na compra da YPF. Em defesa da expropriação, o governo da Argentina alegou que o espanhol já recuperou o que foi investido.  

Para governo brasileiro a expropriação não afeta ações da Petrobras na Argentina

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse hoje que não preocupa as autoridades do Brasil a decisão do governo argentino de expropriar a petrolífera espanhola YPF, administrada pela Repsol. Segundo ele, a decisão da presidente Cristina Kirchner não vai afetar as ações da Petrobras na Argentina. Para o ministro, cada país é "soberano" para decidir como "bem entendem".
- Não creio que haja qualquer problema fundamental em relação à Argentina. A Petrobras tem 79 postos lá e vai continuar operando dentro da normalidade. Não tenho temor algum - disse o ministro, durante audiência pública, na Comissão do Meio Ambiente e Defesa do Consumidor do Senado. Ainda segundo ele, "reconheço que os países tenham sua soberania e possam agir como bem entendem."

Nacionalização da YPF não prejudica Mercosul

A ameaça do Parlamento Europeu, que está elaborando uma resolução que coloca em risco o acordo comercial em discussão entre os dois blocos por causa da nacionalização de 51% da companhia petrolífera YPF, do grupo espanhol Repsol, pelo governo argentino. A minuta da resolução diz que a decisão da Argentina não favorece o "clima de entendimento necessário para alcançar um acordo".

Ao comentar as ameaças  economista Adriano Benayon, da Universidade de Brasília (UnB), afirma: "O Mercosul não perde nada se deixar de fazer acordo com a União Européia. Tais acordos são para restabelecer o status que vigorava antes de 1930, quando os países ricos importavam matérias primas e vendiam industrializados". Benayon sublinha que "nenhum país que abriu sua economia ao capital estrangeiro alcançou o desenvolvimento". Ele critica também a falta de solidariedade até dos governos ditos socialistas na Europa. 
"Na crise das dívidas externas, ainda na década de 80 do século passado, a Argentina tentou articular um cartel dos devedores mas, além de não contar sequer com o apoio de Brasil ou México, tampouco obteve algum auxílio dos governos ditos socialistas da Europa", disse, acrescentando que tais governos deixaram a renegociação "por conta do FMI".
 
 Com informações da Agência Brasil, Jornal Monitor Mercantil e de Portugal, Lusa

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