sábado, 19 de março de 2011

Uma revolução em pleno coração da América: ' A batalha de Wisconsin'

Um importantíssimo processo político e social vem acontecendo nos EUA mas é negligenciado pela grande mídia, em meio primeiro as revoluções árabes e agora com a catástrofe no Japão. Há algumas semanas trabalhadores e trabalhadoras do setor público mantêm ocupado o Capitólio (legislatura) do estado de Wisconsin, no noroeste dos EUA. A medida, no âmbito de uma greve geral dos professores e acompanhado por manifestações multitudinárias em Madison (capital), ganhou apoio de estudantes que apóiam seus professores, de trabalhadores da construção civil, metalúrgicos e da população em geral.

Os trabalhadores se mobilizam contra a lei impulsionada pelo governador republicano Scott Walker que, além de cortar os salários (já congelados por uma medida anunciada por Obama em novembro de 2010), atenta diretamente contra os sindicatos, eliminando seu direito de negociar coletivamente. A desculpa é a mesma usada no Brasil para atacar os servidores públicos e aplicar cortes no orçamento: o déficit público.

A medida reacionária do governador Walker se apóia em uma realidade de desemprego e pobreza, onde os trabalhadores do setor privado vêm sendo duramente golpeados. Com o argumento direitista de que “os trabalhadores públicos recebem bons salários e possuem muitos benefícios” tentam dividir a as fileiras da classe trabalhadora. Buscam com isso uma base social reacionária para aplicar os planos de ataques, que apenas atingem a classe trabalhadora e o povo, com baixos salários, cortes orçamentários na saúde e educação e pobreza. Na verdade, a burguesia dos EUA pretende transferir suas perdas com a crise econômica iniciada em 2008 para os trabalhadores. Os estados e o governo federal estão em situação financeira ainda mais difícial após socorro aos bancos e empresas, e agora atacam ainda mais os trabalhadores e os usuários do serviço público.

Esta batalha política, que começou em Wisconsin e ameaça se estender à outros estados, como já sucede em Ohio e Indiana, tem colocado em movimento muitos atores no cenário político. A mobilização em Wisconsin mostra potencialmente a entrada dos trabalhadores em defesa dos seus direitos.

Chamada à ação

por Flavia Pardini # em De lá pra cá
Foto de John Michlig via Flickr
Foto de John Michlig via Flickr
Cenas quase inimagináveis ocorreram nas semanas que passaram em Madison, capital do estado americano de Wisconsin.

Milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra um projeto do governador e apoiar os sindicatos. Isso em um país em que a sindicalização e o poder dos sindicatos diminuem há olhos vistos há décadas. Dessa vez, porém, o ataque parece ter sido grande demais e muita gente se dispôs a agir, juntando-se a manifestações em frente ao Parlamento estadual.

O governador Scott Walker, republicano eleito em novembro, apresentou projeto para equilibrar o orçamento que prevê o corte de benefícios aos funcionários públicos e um ponto ainda mais polêmico, limites à negociação coletiva para o funcionalismo público. Na prática, trata-se de tirar dos sindicatos sua principal arma na batalha por melhores condições de trabalho. Desde meados de fevereiro, manifestantes protestam contra o projeto – que foi aprovado na Câmara dos Deputados – e os senadores democratas, minoria no Senado, deixaram o estado para impedir quorum para votar a matéria. Na última quarta-feira, os republicanos adotaram uma manobra que possibilitou a votação e a aprovação do projeto, sem debate e com 14 senadores ausentes.

Os sindicatos haviam concordado em aumentar a percentagem que os funcionários públicos contribuem para suas pensões e assistência médica e apontam que o projeto, mais do que equilibrar o orçamento, tem como objetivo neutralizar os sindicatos em Wisconsin, um estado com fortes raízes trabalhistas. Em vários estados americanos, os funcionários públicos não contam com a possibilidade de negociar coletivamente e, diante dos crescentes déficits orçamentários estaduais, vários outros estudam seguir o caminho de Wisconsin.
O elemento mais surpreendente em Wisconsin, entretanto, foi a disposição de muita gente de deixar o conforto do lar e enfrentar o frio para protestar sobre uma questão política. Analistas acreditam que os protestos de Madison podem ser o embrião da reação Democrata depois da vitória dos republicanos – com ajuda do chamado Tea Party, um movimento conservador que defende o corte de gastos públicos e menor taxação – nas últimas eleições.
Alguns esperam que Madison seja um “tipping point” para a mobilização política nos EUA, assim como os acontecimentos na Tunísia detonaram eventos em vários outros países do Oriente Médio. “Esses protestos talvez sejam o primeiro sinal de que o aprofundamento da crise econômica de 2008 pode empurrar muitos americanos para um tipo de política do protesto ausente deste país desde os anos 1930”, escreveu o socialista Billy Wharton.

Tal esperança talvez seja um tanto demasiada. Mas parte do movimento ambientalista acredita que é preciso aproveitar o momento. Os chefes de três importantes organizações – 350.org, Greenpeace e Rainforest Alliance – reforçaram nos últimos dias sua chamada à ação em defesa da justiça climática. “Do emocionante advento do movimento pela liberdade no Norte da África e no Oriente Médio à surpreendente defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores em Wisconsin, estamos vendo a força e a efetividade que as pessoas comuns podem ter quando se juntam”, escreveram.

Bill McKibben, da 350.org, diz que é preciso comunicar a urgência da situação diante das mudanças climáticas. “Uma das maneiras com que fazemos isso nesse país é com ação das massas e desobediência civil. É difícil e pode causar problemas, mas é algo que precisa ser parte do que fazemos”. A utilidade da ação em massa e de atos de desobediência civil, segundo ele, é relembrar as pessoas sobre quem são os radicais nessa história. “Os radicais não são as pessoas tentando fechar usinas a carvão nos EUA, os radicais são as pessoas dispostas a duplicar a quantidade de carbono na atmosfera e ver o que acontece”.

PM reprime com violência protesto contra Obama no Rio

Uma manifestação contra a vinda do presidente norte-americano Barack Obama ao Brasil foi duramente reprimida pela Polícia Militar no Rio de Janeiro, no final da tarde e início da noite desta sexta-feira. Organizada por sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos, como o PSTU e a CSP-Conlutas, o protesto enfrentou, desde o início, a truculência da polícia. Mesmo assim, mais de 300 ativistas saíram em caminhada rumo ao Consulado dos EUA. Quando chegavam ao destino, por volta das 19h, a PM reprimiu a manifestação com cassetete e balas de borracha.

Segundo informou o PSTU em seu site oficial, 15 ativistas foram presos, entre eles cinco militantes do partido, e várias pessoas ficaram feridas, inclusive um jornalista da CBN, atingido por uma bala de borracha.

De última hora, o presidente dos Estados Unidos decidiu discursar apenas para convidados no Theatro Municipal, em vez de fazer um pronunciamento aberto ao público na Cinelândia, neste domingo, como chegou a ser anunciado por sua assessoria.

Polícia reprime ato contra Obama no Rio e prende dezenas de manifestantes
DA REDAÇÃO, Opinião Socialista, 17/03/2011

• A manifestação contra a vinda do presidente norte-americano foi duramente reprimida pela Polícia Militar no Rio de Janeiro, no final da tarde e início da noite desse 18 de março.

Organizada por sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos, como o PSTU e a CSP-Conlutas, o protesto enfrentou, desde o início, o autoritarismo da polícia. Antes mesmo de se iniciar, na concentração na Candelária, a PM impediu a aproximação do carro de som. Momentos depois, os policiais tentaram impedir a saída dos manifestantes em passeata pela Avenida Rio Branco, em uma cena inédita.

Mesmo assim, mais de 300 ativistas saíram em caminhada rumo ao Consulado dos EUA. Quando chegavam ao Consulado, por volta das 19h, a PM reprimiu a manifestação com cassetete e balas de borracha. As últimas informações dão conta de que 15 ativistas foram presos, entre eles cinco militantes do PSTU. Há ainda vários feridos, inclusive um jornalista da CBN, atingido por uma bala de borracha.

Thiago Hastenheiter, militante do PSTU, contou que “Eles vieram com cassetetes e bombas e nos atacaram. Depois perseguiram os grupos nas ruelas próximas, atirando com balas de borracha”. Segundo Thiago, os manifestantes foram seguidos e revistados, nas ruas próximas.

A PM acusou os manifestantes de terem jogado um coquetel molotov, e usa isto como para tentar justificar a selvageria. "Não reconhecemos isso. Ninguém do PSTU atirou nada contra a embaixada", conta Ricardo Tavares, do PSTU-RJ. "Essa é uma desculpa da polícia. Parece que voltamos para a ditadura", protesta.

Muitos ainda não foram localizados e podem estar presos. Os presos foram levados para a 5º Delegacia de Polícia, a Rua Gomes Freire, onde, segundo informações, também está a delegada Marta Rocha, chefe da Polícia Civil. Há informações de que, entre os presos, está um menor de idade, ativista do movimento estudantil. A OAB-RJ foi procurada e está auxiliando na libertação dos manifestantes.

O PSTU repudia a violência e da absurda violação dos direitos humanos e exige respostas do governador Sergio Cabral. Para o PSTU, a agressão mostra que vale tudo para ocultar os protestos e garantir a festa ao presidente dos Estados Unidos, desde afastar moradores de comunidades de suas próprias casas até repetir métodos da ditadura, como a repressão de hoje.

O partido afirma que continuará nas ruas contra o governo Obama e a entrega do pré-sal pelo governo Dilma e convoca todos para o ato deste domingo, às 10h, no Largo do Machado.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Para CNI, indústria não pressiona inflação, e ela em parte está com a razão

Para CNI (Confederação Nacional da Indústria), negando o Banco Central, o uso da capacidade produtiva do segmento está longe de ser "exaurida". Por sua vez, a pressão inflacionária é externa (vinda dos preços da commodities) e/ou advém do setor de serviços. A indústria quando muito transfere suas perdas aos seus preços, resultantes da elevação dos custos com suas matérias primas e serviços contratados e diminuição do mark up. Isso somente prova como a indústria brasileira é dependente.

Indústria não pressiona inflação
Monitor Mercantil, 14/03/2011

Segundo o economista chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, o crescimento da atividade industrial em janeiro não é preocupante e não gera pressões inflacionárias. Para ele, o problema só ocorreria caso a indústria demonstrasse incapacidade para aumentar a produção.

"Longe de dizer que (a indústria) está com o uso da capacidade exaurida. Os preços industriais têm tido comportamento favorável. A origem das pressões inflacionárias recentes está nos preços internacionais ou no setor de serviços e não no setor industrial", esclareceu Castelo Branco na primeira manifestação formal do setor em 2011, segundo a Agência Brasil.

De acordo com dados divulgados pela CNI, a atividade industrial começou 2011 crescendo. Mas o faturamento teve resultado negativo. Além disso, o nível de crescimento ainda não fez o setor voltar aos índices pré-crise, em 2008. "Esse ritmo de crescimento é bastante menor ao observado nos últimos meses de 2010", destacou o economista.

Para ele, a queda de 1,3% do faturamento em janeiro frente ao mês anterior foi considerada normal para o período: "Os resultados negativos em janeiro são usuais para o mês quando comparados a dezembro do ano anterior. A indústria sai de um mês de aquecimento de fim de ano e entra nos primeiros meses (do ano seguinte) que são mais moderados", explicou.

Para 2011, a CNI estima crescimento menor para a indústria sobre 2010. "O ambiente de crescimento apresentado em 2010 não deve dominar este ano. Os números a partir do segundo semestre devem ser menores", previu Castelo Branco.

Ainda segundo a CNI, o nível de uso da capacidade instalada (UCI) dessazonalizada, em janeiro, ficou em 82,6% contra 82,4% em dezembro do ano passado. Sobre janeiro de 2010, cresceu 1,4 ponto percentual.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Privatizados puxam custo de vida e inflação

Com preços dos alimentos desacelerando, pressão inflacionária vem das tarifas indexadas em geral oriunda dos serviços públicos privatizados.

Privatização puxa custo de vida em 2010
Monitor Mercantil, 14/03/2011

Com preços dos alimentos desacelerando, pressão vem das tarifas indexadas. O Índice do Custo de Vida (ICV), calculado pelo Dieese, ficou em 0,41% em fevereiro, uma expressiva desaceleração de 0,87 ponto percentual, contra o 1,28% registrado em janeiro. Além disso, diferentemente do ocorrido em 2010, quando os alimentos e os serviços foram os grandes vilões, a maior influência nos índices este ano virá dos preços de serviços públicos privatizados, como energia elétrica, água e esgoto e telefonia, além de combustíveis, remédios e impostos. Em ambos os casos, porém, elevar juros, como o governo insiste em fazer, tem pouco ou nenhum efeito.

Segundo o Dieese, os preços dos alimentos não devem subir mais, pois já se encontram em patamar elevado. "Em relação aos alimentos, entre março de 2010 e fevereiro de 2011, os preços desses itens variaram 10,9%, acima da inflação média, de 6,26% no período. Considerando os dois primeiros meses deste ano, a inflação desse grupo teve alta de 1,57%, bem próxima ao índice geral, de 1,7% no período."

Já em relação aos preços de serviços privatizados, o cenário se inverte. No conjunto, esses preços deverão subir 4% em 2011. E a projeção para as tarifas de telefonia fixa e energia elétrica para este ano é de alta, de 2,9% e 2,8%, respectivamente. Por sua vez, os preços da gasolina e do gás de botijão devem se manter estáveis, segundo o Dieese.

Em fevereiro, os grupos que mais colaboraram com a inflação foram transporte (0,76%), alimentação (0,39%), despesas pessoais (2,5%) e habitação (0,18%), que, juntos, contribuíram com 0,36 para a alta do ICV.

O aumento no transporte (0,76%) se deu no individual (0,69%) e no coletivo (0,90%). No primeiro, a alta ocorreu nos combustíveis (1,28%), notadamente no álcool (4,4%). No coletivo, a pressão veio de metrô (2,76%), ônibus intermunicipais (2,96%), trens de subúrbios (4,72%) e táxis (8,29%).

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Comentário enviado pelo prof. Theotonio dos Santos

Em ambos os casos, porém, elevar juros, como o governo insiste em fazer, tem pouco ou nenhum efeito.  Tem efeito sim pois aumenta o custo de produção pois os juros fazem parte do mesmo e portanto provocam inflação ao contrário do que dizem os “experts” ou “expertos” dos bancos.

Theotonio

quarta-feira, 16 de março de 2011

FAO alerta para risco de nova crise mundial alimentar

FAO alerta para risco de nova crise mundial alimentar
Reuters, 14/03/2011


ABU DHABI (Reuters) - O aumento nos preços globais de gêneros alimentícios básicos eleva o risco de que a crise alimentar de 2007-2008 em países em desenvolvimento se repita, disse nesta segunda-feira o comandante da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO na sigla em inglês).

Um salto nos preços do petróleo e o rápido consumo dos estoques globais de cereais poderiam ser um prenúncio da crise de abastecimento, disse o diretor geral da FAO, Jacques Diouf, à Reuters, em entrevista durante uma visita aos Emirados Árabes Unidos.

"A alta dos preços aumentam as preocupações e estamos reduzindo rapidamente os estoques", disse. "Durante anos temos alertado que é preciso maior produtividade e investimento em agricultura."

O índice de preços alimentares da ONU de fevereiro aumentou pelo oitavo mês consecutivo, para o maior nível desde, pelo menos, 1990. Todos os grupos de commodities, exceto o açúcar, aumentaram no último mês.

Diouf dizia, até alguns meses atrás, que os estoques globais de cereais estavam em níveis mais saudáveis que os restritos estoques que desencadearam a crise em 2007 e 2008.

Em julho passado, os níveis de estoque estavam em um total de 100 milhões de toneladas acima que os de 2007, mas o rápido crescimento econômico em países em desenvolvimento e um retorno ao crescimento em países altamente industrializados, levaram a novas reduções.

Alguns países no norte da África e no Oriente Médio fizeram grandes compras de grãos para evitar aquele tipo de conflito, em parte estimulada pelos preços dos alimentos, que derrubou os líderes da Tunísia e do Egito.

A Coreia do Sul está buscando construir uma estratégia de reserva de grãos e planeja comprar cargas de milho e outras mercadorias, em esforço similar ao de outra nações asiáticas, preocupadas com os altos preços dos alimentos e com os conflitos sociais.

Em dezembro, o México comprou milhares de toneladas de milho no mercado futuro, para se proteger de altas dos preços de tortillas, que provocou confrontos nas ruas em 2007.

"É algo racional de se fazer, para se proteger", disse Diouf.

O recente aumento dos preços do petróleo, que subiu para cerca de US$ 120 o barril no mês passado, está exacerbando os aumentos nos preços dos alimentos, que podem afetar a habilidade dos países em desenvolvimento de cobrir suas necessidades de importação, disse Diouf. Os preços do petróleo têm impacto nos custos de transporte e insumos agrícolas, incluindo fertilizantes.

Biocombustíveis
A FAO pediu aos países desenvolvidos que reexaminem suas estratégias de biocombustíveis --que incluem amplos subsídios-- uma vez que estes têm desviado 120 milhões de toneladas de cereais de consumo humano para produção de combustível.

"Estamos aconselhando os países membros a revisitarem suas políticas", disse Diouf. "Contar com mais energia renovável não significa que você precisa produzir mais biocombustível."

Países desenvolvidos dão US$ 13 bilhões anualmente em subsídios e proteção, para encorajar a produção de biocombustíveis, disse Diouf. Nos Estados Unidos, os estoques de milho chegaram a mínimas de 15 anos, enquanto maiores parcelas da safra são utilizadas na produção de etanol.

Evitar outra crise alimentar depende dos rendimentos da safra na próxima temporada de colheita, bem como do impacto do crescimento econômico sobre a demanda, segunda Diouf. Porém, ele também afirmou que o aumento do preços dos alimentos e do petróleo podem ter efeito prejudicial no crescimento.

Ainda é cedo para determinar se o recente terremoto e tsunami no Japão, maior importador de grãos do mundo, terá qualquer efeito na oferta global ou na demanda por produtos agrícolas, acrescentou Diouf.

terça-feira, 15 de março de 2011

Economia não está superaquecida. Inflação e emprego caiem.

A economia brasileira não está superaquecida como afirma o Banco Central, que na véspera do Carnaval aumentou a taxa Selic, muito pelo contrário, há múltiplos sinais de desaceleração, especialmente queda na inflação e no emprego na indústria. A lógica do BC é financista é não corresponde a realidade, e bem possível que deve no fundo atender aos interesses do capital financeiro detentor de dívida pública.

Às vésperas do Carnaval fomos brindados com mais uma rodada de aperto da política monetária brasileira. No intuito de seguir o regime de metas de inflação, o pensamento ortodoxo vigente no Banco Central tem optado por elevar sistematicamente a taxa nominal de juros, de modo a tentar conter a pressão de demanda sobre o crescimento dos preços futuros na economia brasileira. Entretanto, estas sucessivas elevações implicam um maior pagamento do serviço da dívida e, portanto, um acréscimo das despesas financeiras do Governo Federal.

A política monetária agressiva do Banco Central resulta em uma transferência de renda para o setor financeiro e mais 50 mil famílias de alta renda de nosso país de algo em torno de 5,4% do PIB brasileiro. Trata-se de percentual próximo a todo gasto da sociedade brasileira com a Educação, por exemplo. Cada meio ponto percentual de alta na Selic custa aos cofres públicos algo próximo a R$ 4 bi ao ano. As duas altas recentes vão custar aos cofres públicos algo em torno de R$ 8-9 bi, valor equivalente ao gasto de construção de 150 mil casas populares de R$ 60 mil cada uma.

Por sua vez, a alta da inflação não é provocada pela demanda aquecida, como se justifica o BC e é repetido pela mídia econômica burguesa. A alta recente do petróleo e de outras commodities como açúcar, carne e soja no mundo cria ainda a formação de expectativas negativas quanto ao futuro da inflação, em função do risco de um brusco reajuste dos combustíveis e seu efeito multiplicador sobre a matriz produtiva brasileira. Portanto, a intervenção do BC sobre a Selic em nada resulta efetivamente sobre a inflação.

E, em verdade, a dois dos principais sinais de demanda aquecida, emprego e inflação na indústria mostram justamente o contrário, um desaquecimento. Como pode ser visto a seguir.

Emprego na indústria tem leve queda de dezembro para janeiro
Monitor Mercantil, 11/03/2011


O emprego na indústria teve uma ligeira queda de 0,1% em janeiro deste ano, em relação ao mês anterior. O resultado é igual ao registrado em dezembro de 2010. O dado, que faz parte da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes), foi divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o documento do instituto, o quadro de “estabilidade” reflete o “menor dinamismo da produção industrial observado a partir do segundo trimestre do ano passado”. O número de horas pagas pela indústria também caiu 0,1% em relação ao mês anterior, depois de crescimentos de 0,3% em novembro e dezembro de 2010.

Já o valor da folha de pagamento real cresceu 5,1% em janeiro, em relação a dezembro, depois de uma queda acumulada de 4,4% nos últimos dois meses de 2010.

Comparando janeiro deste ano com o mesmo período do ano passado, o emprego na indústria cresceu 2,7%, pela 12ª vez consecutiva. O resultado, no entanto, foi o menos intenso desde março de 2010, quando havia sido registrado um crescimento de 2,4%.

Nessa mesma comparação, o emprego avançou nas 14 regiões pesquisadas pelo IBGE, com destaque para São Paulo, com crescimento de 2,0%, Minas Gerais (4,2%), e as regiões Norte e Centro-oeste (4,4%) e Nordeste (2,1%).

Entre as 18 atividades industriais pesquisadas, 12 registraram aumento no contingente de trabalhadores. Os segmentos de maior destaque foram meios de transporte (8,2%), produtos de metal (8,9%), máquinas e equipamentos (7,4%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (7,6%) e metalurgia básica (9,0%).

Na comparação do acumulado dos últimos 12 meses com igual período anterior, o crescimento do emprego na indústria foi recorde. A taxa de 3,7% é a mais alta desde o início da série histórica.

IGP-M diminui na primeira prévia de março e fica em 0,48%
Monitor Mercantil, 11/03/2011


O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), usado como referência para o reajuste em contratos de aluguel, ficou em 0,48% na primeira prévia de março. O índice, divulgado hoje (11) pela Fundação Getulio Vargas (FGV), diminuiu em relação ao apurado no mesmo período do mês anterior, que foi de 0,66%.

No ano, o índice acumula alta de 2,29% e, nos últimos 12 meses, de 10,79%.

Os três índices que compõem o IGP-M apresentaram redução nas taxas de um levantamento para o outro. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que corresponde a 60% da taxa global, passou de 0,76% na primeira prévia de fevereiro para 0,56% na primeira leitura de março.

Dentro do IPA, as matérias-primas apresentaram a maior redução (de 2,40% para 0,52%), influenciadas pelo minério de ferro (de 5,65% para 0,52%), pela soja (de -0,70% para -5,46%) e pelo milho (de 7,69% para 1,33%). Os bens intermediários também tiveram decréscimo, de 0,73% para 0,52%; e os bens finais subiram de -0,64% para 0,66%.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do IGP-M, diminuiu de 0,45% para 0,35%. Três das sete classes de despesa apresentaram diminuição na taxa: educação, leitura e recreação (de 1,63% para 0,07%), com destaque para cursos formais (que no levantamento anterior havia apresentado alta de 2,00% e nesta apuração não apresentou variação); transportes (de 1,53% para 0,80%), com a contribuição de tarifa de ônibus urbano (de 3,29% para 0,26%) e despesas diversas (de 0,88% para 0,27%), principalmente jogo lotérico (de 7,13% para 1,59%).

Ficaram mais caros os preços em vestuário (de -0,63% para 0,54%), habitação (de 0,33% para 0,58%), saúde e cuidados pessoais (de 0,36% para 0,43%) e alimentação (de -0,10% para -0,04%).

Último componente do IPG-M, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que representa 10% da taxa global, passou de 0,52% para 0,23% no período. Os preços de materiais, equipamentos e serviços subiram com menor força, passando de 0,79% para 0,44%; e o custo da mão-de-obra, que não apresentou variação depois de ter alta de 0,24% no levantamento anterior.

Para calcular a primeira prévia de março do IGP-M, a FGV coletou preços entre os dias 21 e 28 de fevereiro.

segunda-feira, 14 de março de 2011

China supera EUA como maior potência industrial

Mais uma transformação no sistema econômico mundial capitalita, enfim a China superou os EUA como maior potência industrial. Consolidando uma tendência aqui já expressa.

China supera EUA como maior potência industrial
AFP, 14/03/2011


WASHINGTON, 14 março 2011 (AFP) - A China destronou os Estados Unidos em 2010 e se tornou a maior potência manufatureira do mundo, segundo um estudo do centro de pesquisas econômicas IHS Global Insight.

A produção industrial da China representou 19,8% da produção manufatureira mundial em 2010, enquanto a parcela dos Estados Unidos representou 19,4%, segundo o IHS.

De acordo com o estudo, o valor agregado da produção industrial chinesa alcançou US$ 1,995 trilhão (correntes) em 2010, contra US$ 1,952 trilhã opara os Estados Unidos.

"A produção manufatureira americana registrou uma forte recuperação em 2010, com um crescimento de 12,6% em valor agregado", destaca o IHS, mas o crescimento maior na China e a valorização do yuan em comparação ao dólar permitiram à República Popular da China superar os Estados Unidos.

O estudo destaca, no entanto, que a produtividade continua sendo bem superior nos Estados Unidos: "com 11,5 milhões de trabalhadores, o setor industrial americano produz quase o mesmo valor registrado pelo setor industrial chinês com 100 milhões de trabalhadores".

Estudo desmistifica o “pibão” de Lula

Estudo desmistifica o “pibão” de Lula

Para economista, média de crescimento do governo Lula foi medíocre, tanto do ponto de vista histórico como em comparação com o restante dos países

Diego Cruz, do Opinião Socialista

• A divulgação do resultado do PIB de 2010 pelo IBGE desencadeou uma série de avaliações ufanistas sobre o governo Lula. O PIB (Produto Interno Bruto) é a soma do valor de todas as riquezas produzidas pelo país no período. O crescimento de 7,5%, embora já fosse previsto, foi comemorado por grande parte da imprensa, que cunhou o termo “pibão”, em referência ao “pibinho” de anos anteriores. ”Já atingimos um PIB de R$ 3,6 trilhões, o que nos coloca em sétimo lugar, superando a França e o Reino Unido”, comemorou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Já o atual governo Dilma não perdeu tempo e utilizou o índice como pretexto para pisar no freio dos gastos e reforçar o anúncio do maior corte orçamentário da história. Os representantes do sistema financeiro, por sua vez, relembraram seu “alerta” contra a inflação. O Banco Central, muito sensível aos temores dos banqueiros, elevaram os juros para estancar a inflação.

Mas será mesmo que o Brasil finalmente encontrou o caminho do crescimento, como afirmam o governo e a grande imprensa? Não é o que mostra estudo do economista da UFRJ, Reinaldo Gonçalves, sobre a evolução da renda no governo Lula. Primeiro, o economista colocou o crescimento econômico nos oito anos de governo Lula em perspectiva histórica. Depois, comparou com o restante do mundo. Os resultados desmistificam toda a propaganda alardeada nos últimos anos.

Crescimento pequeno
A conclusão que o economista chega não deixa de ser perturbadora. Segundo os dados tabulados pelo pesquisador, o Brasil cresceu muito pouco nos últimos anos em relação a praticamente todo o século XX, e muito menos que a média do planeta. Além disso, o país reduziu sua participação no PIB mundial, assim como em relação ao PIB per capita em relação aos outros países.

Nos oito anos de governo Lula, o país cresceu em média 4% ao ano. Índice menor que a média verificada em todo o período republicano. De 1890 a 2010 o país cresceu a uma média de 4,5%. O economista destaca o fato de, entre todos os 29 presidentes que o país já teve, Lula ocupar apenas a 19ª melhor posição em relação ao desempenho econômico, estando atrás de Itamar Franco, que contou com 5% de crescimento médio anual em seu governo.

Fato é que, se o Brasil cresceu entre 2003 e 2010, o resto do mundo cresceu mais, uma taxa anual média de 4,4%, 0,4% a mais que nós. Em relação ao crescimento do PIB nesses anos, o país ocupa apenas o 96ª lugar de 181 países. A renda per capita (toda a renda produzida dividida pelo nº de habitantes) também cresceu, de US$ 7.457 para US$ 10.894, mas também não tanto como em outro países. Tanto que o Brasil passou de 66º lugar em relação a esse índice para 71º lugar nos últimos oito anos. Ou seja, perdemos cinco colocações em relação à renda per capita durante os anos de governo Lula.

O peso da economia do país em relação à mundial, por sua vez, permaneceu estagnado em 2,92% no decorrer dos oito anos de Lula. Ao longo do tempo, porém, fomos perdendo posições. Para se ter uma ideia, em 1980 nossa economia contribuía com 3,91% do PIB mundial.

Economia vulnerável
Um outro aspecto no estudo do economista é a crise que atingiu o país em cheio ao final de 2008, contendo o período de crescimento e fazendo com que o Brasil diminuísse 0,6% em 2009. Tal fato teria ocorrido, segundo Gonçalves, devido à vulnerabilidade da economia. “O Brasil é um país marcado por forte vulnerabilidade externa estrutural”, vaticina, citando o grande peso adquirido pelas commodities nos últimos anos. ”No período 2003-10 houve reprimarização da economia brasileira, inclusive com significativo aumento do peso relativo das commodities nas exportações brasileiras”. O autor vê ainda indícios de um processo de desindustrialização do país.

O considerável aumento da exportação de produtos primários pelo Brasil, como minérios e produtos agropecuários, incentivado pelo governo Lula, foi parte responsável pelo crescimento do PIB, mas também contribuiu para aprofundar a nossa dependência.

O que explicaria então o “salto” dado pelo país em 2010? Para Reinaldo Gonçalves, além do fato de 2009 ter ajudado, já que a base de comparação era muito baixa, o “pibão” teria sido efeito de uma política econômica oportunista, encomendada para vencer as eleições. “Oportunismo político e ajuste macroeconômico convergem perfeitamente na ótica do grupo dirigente”, diz. Isso teria se dado com uma expansão violenta do crédito, aumento do consumo, tudo impulsionado pelo aumento dos gastos do governo. O câmbio valorizado, por sua vez, favoreceria as importações, cujo aumento ajudaria a controlar a inflação.

O economista reitera, porém, que tal política expansionista não é sustentável segundo os próprios critérios do governo. Isso porque ela desembocaria numa crise fiscal e na piora das contas externas. E foi justamente por isso que o governo Dilma pisou no freio e anunciou o corte nos gastos, assim como o aumento nos juros. Para os próximos dois anos o FMI projeta crescimento de apenas 4% ao ano, também inferior à média das últimas décadas. Ou seja, após afrouxar um pouco os gastos para vencer as eleições, o governo volta ao normal.

Longe de representar uma mudança estrutural no Brasil, a política econômica do governo Lula seguiu a dos governos anteriores. Agora, vê-se que, sem maquiagens, seus resultados foram tão medíocres quanto.


Clique aqui e leia o artigo de Reinaldo Gonçalves

sábado, 12 de março de 2011

Terremoto no Japão: se fosse no Haiti seria muito mais devastador

Re-publicamos a entrevista com o ativista brasileiro José Luis Petrola, militante do MST, que vem atuando no Haiti. Na entrevista fica evidente que o impacto de um terremoto só é proporcional a situação peculiar que vive a sociedade atingida. Um tremor, como o visto no Japão desta semana, seria muito mais devastador no Haiti, que sofrera com um sismo em janeiro de 2010. Basta comparar o número de vítimas até o momento, com o grau do sismo. Portanto, não é a geografia, entendida aqui especialmente como localização geográfica, que faz a tragédia de um povo, e sim seu padrão de desenvolvimento econômico e social. Que condiciona a prevenção e preparação para as tragédias naturais, o socorro e resgate das vítimas e a própria reconstrução da infra-estrutura e das condições mínimas de vida decente a sua população.

Um tremor dessa magnitude no Japão não seria tão devastadorMaria Mello
 Desde janeiro de 2009, a Brigada Internacionalista Dessalines – composta por quatro militantes brasileiros da Via Campesina - atua no Haiti com as organizações camponesas do país para contribuir com o desenvolvimento de agricultura no país, buscando saídas coletivas para o povo, por meio da solidariedade internacional. Lá, os militantes brasileiros atuam em quatro frentes de cooperação: produção de sementes, reflorestamento e produção de mudas, captação de água da chuva e escolas técnicas de nível médio.

José Luis Patrola, militante do MST e integrante da Brigada, está no Brasil desde dezembro e se preparava para voltar ao Haiti na próxima semana. Ele acredita que “o descaso social, acompanhado das precárias condições econômicas vividas pela população e de um Estado que verdadeiramente abandonou seu povo oferecem condições favoráveis para desastres como o ocorrido”.

Segundo ele, os problemas estruturais do país caribenho - que já eram graves - se agravaram enormemente com o terremoto, e avalia a possibilidade de retorno rápido da Brigada para oferecer solidariedade e articular medidas para a reconstrução das áreas atingidas. “No curto e no médio prazo, o problema alimentar afetará gravemente a população, e deveremos buscar formas de ajudar nesse aspecto. Acreditamos ainda que deveremos reforçar a presença de recursos humanos no Haiti, prestando a solidariedade e ajudando a reconstruir um país que há muito necessita da solidariedade internacional que deverá ser construída junto àquele povo”, afirma.

Leia a entrevista.

Qual é a proposta e as atividades de cooperação desenvolvidas pela brigada internacionalista Dessalines no Haiti até agora? Há quanto tempo?

A Brigada se instalou no Haiti em janeiro de 2009. Neste primeiro ano de trabalho, os quatro membros se dedicaram a andar o país em articulação com as organizações camponesas na perspectiva de instalar as bases para o programa de cooperação. Nesse período de diagnóstico da realidade haitiana identificamos quatro áreas de ação. Estas seriam trabalhadas neste ano de 2010. Entre elas se encontram a produção de sementes, reflorestamento, construção de cisternas e construção de uma escola técnica.

Existe uma expectativa muito grande de que o programa de cooperação possa ajudar as frágeis organizações camponesas do Haiti. Nossa brigada se relaciona com todas as organizações camponesas.

Quais as características do meio rural haitiano? Em que aspectos ele pode ser comparado ao Brasil?

O meio rural haitiano é muito pobre. A população pobre daquele país é mais pobre do que todos os países do continente. 65% da população habita o meio rural fazendo com que parcela importante da economia do país dependa da agricultura. No entanto, os camponeses, dentro de seu nível de pobreza, conformam o grupo social mais abandonado da população se localizando em zonas montanhosas e de difícil acesso. Alem de tudo, recursos disponibilizados abundantemente em quase todo o Brasil como água e energia elétrica são raridades no interior do país.

Os camponeses haitianos comercializam seus produtos em grandes feiras instaladas na zona rural e urbana. Ao mesmo tempo, sofrem as dificuldades da abertura comercial que inundou o país de gêneros alimentícios importados. Caso prossiga essa política os problemas dos camponeses que já são terríveis tendem a se agravarem ainda mais.

As consequências do terremoto podem ser consideradas um reflexo do descaso social e político com o povo haitiano? Se os riscos de terremoto sempre foram conhecidos, por que nenhuma providência foi tomada para evitar tantas mortes?

Terremotos ocorrem sem muita previsibilidade. A região onde o Haiti se encontra é suscetível a esses fenômenos. Seguramente, o descaso social, acompanhado das precárias condições econômicas vividas pela população e de um estado que verdadeiramente abandonou seu povo oferecem condições favoráveis para desastres como o ocorrido.

Assim que chegamos ao Haiti, constatamos a ausência de infra-estrutura e recursos básicos na maior cidade do país. Porto Príncipe, onde ocorreu o terremoto, possui em torno de dois milhões de habitantes e a absoluta maioria vive amontoada em bairros pobres. Um tremor dessa magnitude em Tóquio, no Japão, não seria tão devastador devido a preparação e as condições oferecidas pelo Estado à sua população.

Talvez agora, após a catástrofe anunciada, a comunidade internacional faça valer o quarto objetivo das Nações Unidas para aquele país: “formar o desenvolvimento institucional e econômico do Haiti”.

Como a Brigada pretende se mobilizar para ajudar na reconstrução do país e na solidariedade ao povo haitiano a partir de agora?

Após o terremoto, que surpreendeu a todos, teremos que reavaliar nossa estratégia para o médio e longo prazo já que o problema urbano se agravou. Existe, desde agora, um fluxo migratório da capital, afetada pelo tremor de terra, ao interior. Muitos problemas estruturais do Haiti já eram graves antes do terremoto. Agora a situação se agravou enormemente. No curto e no médio prazo, o problema alimentar afetará gravemente a população e deveremos buscar formas de ajudar nesse aspecto. Além disso, a falta de água potável é um grave problema no qual deveremos trabalhar. Ao mesmo tempo a população morre de enfermidades consideradas superadas em países desenvolvidos. Com os desastres naturais elas se agravarão e deveremos pensar com cuidado o aspecto da saúde do povo haitiano. Acreditamos ainda que deveremos reforçar a presença de recursos humanos no Haiti prestando a solidariedade e ajudando a reconstruir um país que há muito necessita da solidariedade internacional que deverá ser construída junto àquele povo.

Fonte: http://alainet.org/active/35573


Da Página do MST - 15 de janeiro de 2010 - http://www.mst.org.br/node/8942

sexta-feira, 4 de março de 2011

Manifestantes na Líbia rejeitam intervenção militar estrangeira

"Esta é uma revolução totalmente popular", diz blogueiro de Tripoli, rechaçando uma invasão militar do imperialismo.

Manifestantes na Líbia rejeitam intervenção militar estrangeira



Da redação, Jornal Opinião Socialista, 1/3/2011
 


 
 
    Faixa em praça de Bengasi

• Apesar da brutalidade da repressão do ditador líbio Muammar Kadafi, os manifestantes rejeitam a intervenção dos EUA no país, possibilidade que vem sendo aventada após a resolução do Conselho de Segurança da ONU do último final de semana.

Em Bengasi, centro da oposição ao ditador e a segunda maior cidade do país, uma faixa estampava a frase na principal praça: “Não à intervenção estrangeira, o povo líbio pode gerir isso sozinho”, junto a uma manifestante com a bandeira líbia da era anterior a Kadafi. O correspondente do Estadão na região, Lourival Santana relata que “os rebeldes não querem e acham que não precisam de tropas estrangeiras; dizem que no terreno são superiores às forças leais ao regime” .

Segundo um blogueiro líbio que escreve da capital Trípoli ao jornal britânico Guardian, com o pseudônimo de Mohammed: “Uma coisa parece ter unido todos os líbios: qualquer intervenção militar por terra, por qualquer força estrangeira, desencadearia lutas muito mais duras que os mercenários”. Em seguida o blogueiro também rechaça um ataque aéreo. “Esta é uma revolução totalmente popular, nosso combustível tem o sido o sangue do povo líbio” .

Após atacar a hipocrisia dos países imperialistas, que ignoraram a ditadura e a opressão do povo líbio por décadas, Mohammed pede aos países Ocidentais: “não tornem uma revolução popular pura em uma maldição que cairá sobre todos” .

Sanções
Após o Conselho de Segurança da ONU determinar no dia 27 de fevereiro uma série de sanções à Líbia e o início de um processo de investigação sobre os crimes de guerra cometidos no país, os EUA anunciaram a aproximação de forças militares no país, através de sua Marinha. Dois navios de guerra com centenas de marinheiros estão estacionados no mar Mediterrâneo e preparados para uma eventual intervenção.

Ao mesmo tempo, o país aventa a possibilidade de decretar um “espaço de exclusão aéreo”, que na prática significaria a invasão do país por ar e o bombardeio de posições de forças pró-Kadafi.

O povo líbio e os setores dissidentes do Exército, porém, mostram a força da revolução contra Kadafi. Do Leste, a oposição foi avançando sobre a capital e hoje o ditador se vê encurralado em Trípoli. Segundo a imprensa internacional o povo e, principalmente os jovens, estão tendo treinamento militar em Bengasi para o enfrentamento final contra o ditador.


Civis têm treinamento militar em Bengasi

Nenhuma confiança no Imperialismo
Desde o final dos anos 90, com a aproximação do ditador ao Ocidente e abertura do país às multinacionais, os EUA, assim como o imperialismo europeu, vinham estreitando suas relações com o regime de Kadafi.

Obama só foi condenar abertamente o ditador líbio quando já estava claro que a sua ditadura estava com os dias contados. A partir daí, os EUA vem tentando utilizar a mesma tática que implementam no Egito, ou seja, articular e tentar dirigir a transição no país, mantendo os seus interesses. Na Líbia isso é especialmente importante devido ao petróleo e o gás exportados a todo o planeta.

O povo líbio, porém, demonstra não depositar qualquer confiança no imperialismo e trata de enfrentar Kadafi com as próprias mãos.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Indústria do Brasil: investimentos concentrados em commodities e petróleo

Em relatório do próprio BNDES, os investimentos das empresas brasileira mostra cada vez mais um padrão industrial voltado à 'commoditização' da economia, um velho traço da dependência econômica. Isso prova que a economia nacional não passa por uma desindustrialização, mas, cada vez mais, apesar do progresso e desenvolvimento econômico, sua inserção no capitalismo mundial se dá de maneira subordinada e voltada a completementar a produção exterior e atender aos interesses do grande capital internacional. O Brasil portanto, é visto centralmente pelo capital internacional como estratégico fornecedor de commodities semiprocessadas, matérias primas industriais e energia barata, enquanto que para os bens de ponta e novas tecnologias apenas seria um gigante  mercado consumidor. Assim, enquanto o Brasil não romper com o capitalismo esse padrão se repetirá, apenas com pequenos ajustes.

BNDES: concentração em commodities e petróleo
Monitor Mercantil, 28/02/2011

Segundo o BNDES, o investimento projetado para o mandato da presidente Dilma Rousseff (2011-2014), será de R$ 3,3 trilhões, mais 62%, em termos nominais, do entre 2006 e 2009. O maior salto deve se dar no setor petróleo e gás, cuja projeção saltou de R$ 295 bilhões, de 2010 a 2013, para R$ 378 bilhões.

Ao lado da energia, o segmento liderou a pesquisa do BNDES, junto a 15 setores industriais e de infra-estrutura, que representam metade do investimento total na economia.

O investimento da indústria extrativa mineral se manteve estagnado em relação a 2006-2009 (R$ 62 bilhões), mas o banco esclarece que o setor tem sido beneficiado pela disparada do preço das commodities, que elevou a base de comparação. No entanto, a siderurgia deve elevar seus investimento em 17%, somando R$ 33 bilhões.

Além de petróleo, energia e commodities, o BNDES espera que o mercado interno puxe outros segmentos. O o economista Marcos Coimbra, conselheiro do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (Cebres), porém, alerta para as conseqüências dos cortes orçamentários e das restrições ao crédito na economia.

"O setor industrial é o motor do desenvolvimento, mas, excetuando alguns ramos do petróleo, os investimentos não são puxados pelo setor de ponta. Cada vez mais, o país é montador de veículos e outros produtos, até de celulares. E o investimento em pesquisa continua patinando perto de 1% do PIB", criticou.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Revolução Árabe: povos nas ruas contra os planos imperialistas exigem mudanças radicais

A tônica da Revolução Árabe: povos nas ruas contra os planos imperialistas exigem mudanças radicais

Explosões em cadeia da ira popular no Mundo Árabe
Monitor Mercantil, 28/02/2011

Beirute - Os países árabes, um após outro, parecem centelhas que incendeiam as manifestações populares contra os regimes e, embora cada país possua suas próprias características, existem consideráveis características comuns: explosivo desemprego (principalmente entre jovens), exploração capitalista da mão-de-obra, endêmica corrupção e total inexistência de liberdades democráticas, políticas e sindicais.

Os regimes destacam-se pelo ativo apoio e participação aos planos imperialistas na região, considerando que situam-se em posições geoestrategicamente importantes e pela política das reestruturações capitalistas que se seguiram, liquidando em massa a riqueza de seus povos, os quais, em ritmo lento ou rápido, mergulharam na pobreza.

A hipocrisia imperialista é superlativa em todas regiões do Grande Oriente Médio, quando os ex "bons aliados", como Ben Ali ou Hosny Mubarak, tornam-se indesejáveis, quando o povo já desceu às ruas e não reivindica mais, porque agora exige, mostrando que tem força para derrubar e que não existem "poderes seculares".

Diante da eventualidade de maior radicalização, imperialistas e classes sociais urbanas evoluem oferecendo concessões a fim de dirimirem o descontentamento popular. Buscam, ainda, "novas pessoas" para o poder como, por exemplo, El Baradei para o Egito, barganhando até com o poder islamita, enquanto, simultaneamente, o utilizam como fator medo.

Embora, os povos árabes possam conseguir algumas melhorias em seu cotidiano, em meio a estas sangrentas lutas, até que ponto a conclusão final desta explosão em cadeia conseguirá o melhor resultado possível para eles é, ainda, difícil de se prever, enquanto na maioria dos casos não existe, ou pelo menos não foi projetada até agora, aquela força política, os partidos com estratégias revolucionárias que poderão desempenhar o papel da vanguarda, desdenhando o poder dos monopólios.

A resumida apresentação analítica de cada país comprova o grau de dificuldades que os povos da região enfrentarão em busca da liberdade derrubando os tiranos domésticos, rejeitando a "exportação de Democracia" oferecida pelo ex ou atual colonizador.

Tunísia "competitiva"

Com sucessivas concessões, o governo de "transição" tenta "responder aos anseios", insistentemente manifestados pelo povo nas ruas com fortes manifestações e greves, destacando que não vê "em níveis de pessoas e sequer em nível de opções políticas e econômicas, a materialização das mudanças".

É óbvio que nada até agora terminou, apesar da econômica (e de um modo geral) ajuda que as potências imperialistas dos EUA, União Européia (UE), Grã-Bretanha e França concederam ao governo de "transição", enquanto elogiaram - sem pudor algum - "a coragem do povo tunisiano" (dos 219 mortos e 510 feridos vítimas das manifestações da ira popular) ao qual permaneceram indiferentes durante décadas, apoiando o regime de Ben Alí.

Na Tunísia, dos 10,383 milhões de habitantes, o desemprego de jovens abaixo dos 25 anos atinge 55%, enquanto o desemprego no total da população chega a 30%, "a economia mais competitiva da África", de acordo com relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e "o exemplo para ser imitado", de acordo com relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), onde os indicadores floresciam (crescimento de 4,8% após uma série de privatizações), em 17 de dezembro, o vendedor ambulante Mohammad Bouazizi, desesperado, auto-imolou-se, fazendo explodir uma onda de violentas manifestações e greves por "liberdade, pão, dignidade". A educação e saúde grátis, assim como as ajudas e subsídios, não foram capazes de equilibrar a impopular tormenta contra o "socialista" Ben Ali.

Líbia contra "guinada" capitalista de Kadafi
Monitor Mercantil, Serbin Argyrovitz, Sucursal do Grande Oriente Médio.

A centelha chegou também à Líbia, com sucessivas manifestações e choques armados entre o povo, a oposição e os mercenários contratados em países da África subsaariana. O povo líbio exige, além de liberdades democráticas e individuais, cumprimento dos compromissos assumidos pelo governo de Muamar Kadafi para execução de programas habitacionais e criação de postos de trabalho para combater o endêmico desemprego que já atingiu 21%.

A nova situação para os 6,42 milhões de líbios que compõem a população do país, embora distante da miserabilidade que predomina em outros países árabes, é devida à "guinada" do regime de Kadafi às reestruturações capitalistas e às boas relações com os países imperialistas.

Uma guinada que, ao que tudo indica, teria sido a troca para a abolição do bloqueio - imposto em 1988 após o atentado terrorista contra um avião de passageiros da Pan-American sobre a Escócia, com saldo de 270 mortos, cuja autoria foi atribuída aos serviços secretos líbios.

Já havia sido antecedido o bombardeio da cidade de Benghaze pela Força Aérea dos EUA, em 1986, com saldo de 45 soldados mortos e 15 civis, em represália contra o atentado a bomba na discoteca La Belle, em Berlim, com dois soldados norte-americanos mortos e a disputa pelas águas territoriais líbias, no golfo de Sidra.

O ato de renúncia das armas de destruição em massa e a entrega dos autores do atentado contra o avião da Pan-American resultaram em restabelecimento de relações diplomáticas com os EUA (2006), uma série de investimentos do capitalismo norte-americano, italiano, espanhol, francês, britânico, russo e japonês ao país (aplicados, basicamente, na exploração de petróleo e gás natural e no rearmamento) completados, como era de se esperar, por privatização de cerca de 100 empresas estatais.

Também a União Européia (UE) concedeu importantes ajudas financeiras, ano passado, em troca dos esforços da Líbia para conter a imigração ilegal de africanos à Europa.

O Kadafi assumiu o poder em 1969, com golpe de Estado que derrubou o rei Idris. O arcabouço do regime é composto por um Conselho Revolucionário de 12 membros vitalícios e 1.500 comissões populares, cujos membros compõe-se o Parlamento.

terça-feira, 1 de março de 2011

Contingenciamento do Orçamento 2011: Para gastar com juros, Dilma retira verbas até de despesas obrigatórias

Enfim, para tristeza geral saiu o decreto da Programa Orçamentária (PO) do Orçamento 2011, com o já conhecido contingenciamento. Para gastar com juros, Dilma retira verbas até de despesas obrigatórias e em Saúde, Educação e Reforma Agrária. Ao todo o Governo Federal vai congelar/cortar R$36 bilhões do aprovado no Orçamento 2011 em despesas obrigatórias. Para verificar o impacto só, por exemplo, no MDA+INCRA o corte vai ser 28,4% .

Veja o tamanho do contingenciamento direito no Portal do Ministério do Planejamento
http://www.planejamento.gov.br/secretarias/upload/Arquivos/imprensa/pronunciamentos/apresentacoes/Nota_imprensa_Reprogramacao_Orcamentaria_2011.pdf

O que é Contingenciamento?

É o bloqueio de despesas previstas no Orçamento Geral da União. Procedimento empregado pela administração federal para assegurar o equilíbrio entre a execução das despesas e a disponibilidade efetiva de recursos. As despesas são bloqueadas a critério do governo, que as libera ou não dependendo da sua conveniência.

Cortes não poupam nem a Educação
Monitor Mercantil, 28/02/2011

Ao detalhar os setores a serem atingidos pelo corte de R$ 50 bilhões imposto ao Orçamento, o governo informou que até os gastos obrigatórios pela Constituição, como Previdência Social e Educação serão atingidos. Os maiores prejudicados serão os Ministérios das Cidades (R$ 8,58 bilhões), da Defesa (R$ 4,38 bilhões) e da Educação (R$ 3,1 bilhões).

Em seguida vêm Turismo (R$ 3,08 bilhões), Transportes (R$ 2,39 bilhões), Integração Nacional (R$ 1,82 bilhão), Justiça (R$ 1,53 bilhão), Esportes (R$ 1,52 bilhão), e Agricultura (R$ 1,47 bilhão). Já os gastos com juros, que consumiram R$ 195 bilhões no ano passado, não sofreram qualquer restrição.

No Ministério das Cidades, nem o programa "Minha Casa, Minha Vida" foi poupado: perderá R$ R$ 5,1 bilhões. Já na Educação, segundo Eliana Graça, assessora de Política Fiscal e Orçamentária do Instituto Nacional de Estudos Socioeconômicos (Inesc), um dos mais atingidos será o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).

"Tirar R$ 3 bilhões da Educação é frustrante. E as despesas obrigatórias perderão R$ 15 bilhões. Como cortar o que é obrigatório?", questiona Eliana, lembrando que o seguro desemprego também sofrerá perdas de "R$ 3,5 bilhões em detrimento de novas contratações, algo importante que vinha acontecendo nos últimos anos, pois diminuiu a terceirização".

Ela admite serem medidas de início de governo, "para dar satisfação ao mercado", mas observa que foi o maior corte da história. "Ano passado foram R$ 30 bilhões. Sinto que estão cortando em áreas essenciais, mas a sociedade e a imprensa não têm acesso como esses cortes serão feitos", disse, lembrando que eles caberão a cada ministério. "Infelizmente, nada foi cortado do pagamento da dívida. Pelo contrário: já se fala em novo aumento da taxa básica de juros (Selic)."

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Juros, juros, juros: dinheiro público escorre para juros. Desajuste à economia

Juros, juros, juros, gastança dos recursos públicos com juros vai em 12 meses a R$200 bilhões. Só em janeiro o Poder Público reteve R$17,7 bilhões. Um verdadeiro "saco sem fundo". Isso deve piorar, já que sobre pretexto de combate à inflação, a taxa de juros deve seguir subindo. Contudo, elevar juros ao invés de equilibrar economia, pode provocar o inverso ao promover desajuste fiscal no país.

Gastos com juros em 12 meses vão a R$ 200 bi
Monitor Mercantil,25/02/2011


No mês passado, os gastos com juros ficaram em R$ 19,281 bilhões, contra R$ 14,129 bilhões registrados em janeiro de 2010. Já no período de 12 meses, os gastos com juros ficaram em R$ 200,521 bilhões, o equivalente a 5,44% do Produto Interno Bruto (PIB).

Os números constam do relatório divulgado nesta sexta-feira pelo Banco Central (BC), que informa que o setor público consolidado, formado pelos governos federal, estaduais e municipais, registrou superávit primário - economia feita para o pagamento de juros da dívida - de R$ 17,748 bilhões em janeiro deste ano. No mesmo mês de 2010, o superávit primário ficou em R$ 16,084 bilhões.

O resultado primário é a diferença entre as receitas e as despesas, excluídos os juros da dívida pública. Ao serem incluídos os gastos com juros, tem-se o resultado nominal.

O déficit nominal ficou em R$ 1,532 bilhão, contra superávit de R$ 1,955 bilhão de igual mês do ano passado. Em 12 meses encerrados em janeiro de 2011, o superávit primário ficou em R$ 103,360 bilhões, o que corresponde a 2,81% do PIB.

Brasil economiza R$ 17,7 bilhões em janeiro para honrar compromissos
Agência Brasil 25/02/2011


O setor público consolidado, formado pelos governos federal, estaduais e municipais, registrou superávit primário - economia feita para o pagamento de juros da dívida - de R$ 17,748 bilhões em janeiro deste ano, segundo relatório divulgado hoje (25) pelo Banco Central. No mesmo mês de 2010, o superávit primário ficou em R$ 16,084 bilhões.

O Governo Central (Tesouro, Banco Central e Previdência) contribuiu com R$ 13,807 bilhões. Os governos estaduais registram superávit primário de R$ 3,813 bilhões e os municipais, de R$ 690 milhões. As empresas estatais, excluídas as dos grupos Petrobras e Eletrobras, registraram déficit primário de R$ 562 milhões.

O resultado primário é a diferença entre as receitas e as despesas, excluídos os juros da dívida pública. Ao serem incluídos os gastos com juros, tem-se o resultado nominal. No mês passado, os gastos com juros ficaram em R$ 19,281 bilhões, contra R$ 14,129 bilhões registrados em janeiro de 2010. O déficit nominal ficou em R$ 1,532 bilhão, contra superávit de R$ 1,955 bilhão de igual mês do ano passado.

Em 12 meses encerrados em janeiro de 2011, o superávit primário ficou em R$ 103,360 bilhões, o que corresponde a 2,81% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país. A meta de superávit é de R$ 117, 9 bilhões para o setor público consolidado neste ano.

No período de 12 meses, os gastos com juros ficaram em R$ 200,521 bilhões (5,44% do PIB) e o déficit nominal chegou a R$ 97,161 bilhões (2,64% do PIB).

Elevar juro promove desajuste fiscal no país
Monitor Mercantil, 25/02/2011


Freitas alerta que atitude é "temerária". Para "mercado", inflação sofre pressão externa

A economia do governo para pagar os juros da dívida (superavit primário) cresceu 9,94% em janeiro deste ano em relação ao mesmo mês de 2010. Segundo o Banco Central (BC) em janeiro de 2011, a drenagem de recursos da economia para gastar com juros atingiu R$ 17,7 bilhões contra os R$ 16,1 bilhões do mesmo mês do ano anterior.

O aumento do superavit primário ocorre em um momento em que o governo ameaça cortar os gastos públicos a pretexto de conter a inflação.

No entanto, para o economista Carlos Thadeu de Freitas, consultor econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor do Banco Central, seria uma temeridade insistir em manter a trajetória de alta na taxa básica de juros (Selic).

Isso porque o comércio e, principalmente, a indústria já detectam claros sinais de que as medidas adotadas pelo governo, a maioria de contenção ao crédito, acompanhada de alta da Selic, já surtem efeito. Além disso, o cenário externo é cada vez mais preocupante.

"O governo não pode errar na dose porque a arrecadação vai cair e atrapalhar a meta, que é o equilíbrio fiscal. Se insistir em aumentar a Selic pode estragar tudo", alertou Freitas, lembrando que o dólar continua a cair e se mantém como fator atenuante da inflação.

Quanto ao cenário externo, ele pondera que o Brasil poderá ganhar com a crise no mundo árabe, pois o país se tornou exportador de petróleo.

O economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, também adverte que uma elevação do ritmo de alta da Selic na próxima semana, pelo BC, não teria efeito nas expectativas de inflação, já que parte significativa deterioração delas é conseqüência do cenário internacional.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Os 10 blocos imperdíveis do carnaval de rua do Rio

Os dez blocos imperdíveis do carnaval de rua do Rio
Tem o mais tradicional, o irreverente, o da pegação, para os descolados e moderninhos... Escolha o seu e se divirta


Fábio Grellet, especial para o iG | 24/02/2011

Você ainda pensa que bloco é coisa do carnaval baiano e que a folia carioca se resume à Sapucaí? Pois saiba que, no ano passado, 2,5 milhões de foliões foram às ruas do Rio para sambar atrás de bandas e baterias. Esses números tornaram a cidade palco do maior carnaval de rua do Brasil, superando Salvador, na Bahia.

Ao contrário da capital baiana, aonde ir atrás do trio elétrico com algum conforto exige a compra de abadás que chegam a custar mais de R$ 800, no Rio a folia é totalmente grátis. O clima de paquera é outro atrativo. Com descontração e sem exigir grande investimento, os desfiles de blocos atraem cada vez mais gente. Em 2011, 424 blocos vão sair às ruas. Com tantas opções, como escolher os melhores?

O iG oferece um roteiro com dez blocos que você não deve deixar de conhecer. Vista sua fantasia e caia na folia.

1. Cordão da Bola Preta
Criado em 1918, é o mais antigo e o mais famoso em atividade. Quem nunca cantou “Quem não chora não mama / segura meu bem a chupeta / lugar quente é na cama / ou então no Bola Preta”? O “Quartel General do Carnaval”, como o cordão chama sua sede, está a todo vapor, na Lapa. Durante o desfile, a banda interpreta marchinhas e sambas.
QUANDO
Fará seu esquenta nesta sexta-feira, 25 de fevereiro, a partir das 20h, na esquina das avenidas Rio Branco e Presidente Vargas, no centro. No sábado, 5 de março, será realizado o desfile oficial, a partir das 8h.
DICA
O bloco reúne mais de um milhão de pessoas. Em meio a tanta gente, é fácil se perder. Então, procure não se afastar de seu grupo de amigos. Também não é recomendável levar muito dinheiro ou jóias, porque, em meio ao tumulto, há risco de furtos.

2. Banda de Ipanema
A banda foi criada em 1964 pelo produtor cultural Albino Pinheiro, acompanhado por Ferdy Carneiro e pela turma do tablóide “O Pasquim”, entre eles Ziraldo, Jaguar e Sérgio Cabral, pai do atual governador. Teve a atriz Leila Diniz como musa e foi alvo de fiscalização pela ditadura militar (1964-1985). Hoje reúne principalmente gays e simpatizantes. Toca marchinhas e sambas.
QUANDO
Desfila no sábado, 5 de março e na terça-feira, 8, sempre a partir das 18h. A concentração ocorre na praça General Osório, em Ipanema.
DICA
Chegue cedo, porque costuma encher muito rápido.

3. Simpatia é Quase Amor
Criado em 1985 por um grupo ligado ao movimento pelas Diretas Já e à torcida do Flamengo, teve Bussunda como rei momo. Hoje, reúne milhares de foliões e tem samba-enredo próprio. Reza a lenda que as cores do bloco, amarelo e lilás, são uma homenagem ao Engov, remédio usado para combater a ressaca.
QUANDO
Desfila no sábado, 26 de fevereiro e no domingo da semana seguinte, 6 de março, sempre a partir das 15h. A concentração é na praça General Osório, em Ipanema.
DICA
Reúne muita gente bonita e o clima de azaração é contínuo. Mas cuidado para não se perder dos amigos, em meio à multidão.

4. Carmelitas
Criado em 1991, o bloco se concentra na frente do convento das Carmelitas, em Santa Teresa, centro do Rio. Ali as freiras permanecem enclausuradas. Mas reza a lenda que uma carmelita não resistiu à folia e, numa sexta-feira de carnaval, pulou o muro para brincar. De véu, ela não teria sido identificada e, na terça-feira, voltou ao convento sem que sua ausência fosse notada. Prepare-se para um desfile cansativo, pois parte do trajeto é numa ladeira.
QUANDO
Desfila na sexta, 4 de março, às 13h, e na terça, 8, a partir das 8h. A concentração é na ladeira Santa Teresa.
DICA
O bloco reúne uma multidão e desfila pelas ruas estreitas de Santa Teresa. Prefira ficar no início ou no final do bloco, para evitar dificuldades na hora de ir ao banheiro ou comprar bebidas.

5. Suvaco do Cristo
Bloco criado em 1985 por um grupo de amigos, entre eles o músico Jards Macalé. O nome foi inspirado em Tom Jobim, que morava no Jardim Botânico e certo dia disse que sua casa ficava no “suvaco” do Cristo. Houve resistência da Igreja Católica e um bispo chegou a sugerir ao bloco o nome Divinas Axilas, que acabou adotado pela ONG ligada ao bloco. Hoje, o Suvaco é famoso principalmente pela quantidade de mulheres bonitas.
QUANDO
No domingo, 27 de fevereiro, às 9h.
DICA
No início dos anos 2000, o bloco era frequentado por pitboys, que não raro causavam confusão. Os organizadores deixaram de informar o horário do desfile. Agora essa informação é obrigatória, mas o público é familiar e são raras as confusões.

6. Cordão do Boitatá
O Cordão do Boitatá é um grupo musical formado em 1996 no Rio. Os músicos lançaram o bloco carnavalesco, que desde então desfila pela Praça 15, no centro do Rio.
QUANDO
No domingo de carnaval, 6 de março, às 8h, seguindo da rua Primeiro de Março até a praça 15.
DICA
Vá fantasiado, como a maioria dos foliões.

7. Céu na Terra
Criado em 2001, desfila por Santa Teresa seguindo o trajeto do bondinho. É famoso pelos bonecos gigantes e pelas pernas de pau. O núcleo musical do bloco deu origem à Orquestra Popular Céu na Terra.
QUANDO
No sábado, 26 de fevereiro, a partir das 9h, e no sábado, 5 de março, às 7h, em Santa Teresa
DICA
Bloco ideal para a curtição e paquera. Se estiver solteiro, vai aproveitar mais.

8. Monobloco
Idealizada em 2000 pela banda Pedro Luís e a Parede, o grupo de percussão Monobloco deu origem a um bloco carnavalesco. Atualmente, o desfile do encerra o carnaval do Rio, no domingo posterior à terça-feira “gorda”. Por ser o último suspiro da folia, arrasta mais de um milhão de foliões pela avenida Rio Branco, no centro do Rio.
QUANDO
13 de março, a partir das 7h, pela avenida Rio Branco, da esquina com a avenida Presidente Vargas até a Cinelândia
DICA
Assim como o Bola Preta, arrasta mais de um milhão de foliões. Cuidado para não se perder nem ser alvo de pequenos furtos.

9. Quizomba
Quer ver gente bonita em clima de azaração? Hoje, o bloco carioca mais famoso nesse quesito é o Quizomba. Fundado em 2002 a partir de uma oficina de percussão que funcionava na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, hoje o Quizomba é um grupo de música sediado no Circo Voador, na Lapa, onde promove shows que têm atraído cada vez mais foliões no período pré-carnavalesco. No desfile oficial, a diversão fica ainda maior.
QUANDO
Terça-feira, 8 de março, às 9h, a partir da praça Cardeal Câmara, na Lapa
DICA
Se for ao desfile com o intuito de paquerar, use uma fantasia que facilite a aproximação.

10. Bloco da Preta
Lançado no ano passado pela cantora Preta Gil, o bloco está recheado de famosos e deve atrair muita gente em seu desfile no domingo anterior ao carnaval. O time de celebridades conta com Carolina Dieckmann, a ex-BBB Lia Khey, a BBB Ariadna e David Brasil, respectivamente, nos postos de madrinha do bloco, rainha de bateria, musa e muso.
QUANDO
Domingo, 27 de fevereiro, às 10h, no posto 10, em Ipanema
DICA
Deve reunir uma multidão. Se você estiver fantasiado fará mais sucesso!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Desemprego sobe e renda dos ocupados cai

Desemprego sobe e renda dos ocupados cai
Monitor Mercantil,23/02/2011

A taxa de desemprego subiu para 10,4% em janeiro em sete das maiores regiões metropolitanas do país. O índice foi divulgado nesta quarta-feira pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e é 0,03 ponto percentual maior do que registrado em dezembro do ano passado (10,1%).

A Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do Dieese é feita mensalmente nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e no Distrito Federal. Segundo o estudo, em janeiro, foram eliminados 165 mil postos de trabalho nesses locais. Mais 108 mil pessoas deixaram a População Economicamente Ativa (PEA). Isso resultou em um aumento de 57 mil pessoas no número de desempregados.

Entre os setores, o nível de ocupação caiu nos serviços (1,1%), na indústria (1%), na construção civil (2,1%) e no agregado de outros setores (1,2%). Só o comércio registrou aumento do nível de ocupação, com crescimento de 1,1% e 35 mil postos gerados.

O rendimento médio real dos ocupados nas sete regiões pesquisadas também caiu 0,4% para os assalariados em dezembro ante novembro, passando a ser projetados em R$ 1.389,00, segundo a PED.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Revolta árabe se expande e ameaça interesses dos EUA na região

Revolta árabe se expande e ameaça interesses dos EUA na região

Revolução no Egito inspira onda de levantes nos países árabes; repressão não consegue conter as revoltas



Da redação, Opinião Socialista,
18/2/2011


• O furacão revolucionário que começou na Tunísia e virou o Egito de ponta cabeça, continua varrendo o Norte da África contra ditaduras que há décadas estão no poder. Inspirados pela revolução no Egito, as massas da Líbia, Bahrein, Iêmen, Marrocos e também do Irã estão indo às ruas, enfrentando ditaduras e monarquias.

Nos últimos dias, as massas da Líbia e do Bahrein iniciaram verdadeiros levantes contra os regimes opressores. A brutal repressão, longe de arrefecer os protestos, incendeia ainda mais os manifestantes que lutam por liberdades democráticas.

Khadafi lidera repressão na Líbia
Na Líbia, os protestos se chocam contra a ditadura de Muammar Khadafi. Nos últimos dias, milhares de pessoas protestam pela queda de seu primeiro-ministro, Baghdadi Mahmoudi e do próprio ditador que governa o país há 42 anos. Os protestos se concentram na capital Trípoli e na cidade portuária de Bhengazi, a segunda maior cidade do país, espalhando-se também para cidades como Al-Beyda e Zenta.

Nesse dia 17 milhares de pessoas foram às ruas no que chamara de “Dia da ira”. A repressão do regime foi brutal e haviam matado ao menos 24 pessoas até esse dia 18, segundo a ONG Human Rights Watch. Os protestos, no entanto, não cessam.

A revolta no país explodiu após a prisão do advogado e ativista Fethi Tarbel, que defendia presos políticos da prisão de Abu Salim, conhecida por abrigar presos políticos e palco de um massacre que assassinou mil pessoas em 1996. Os protestos contra a prisão do advogado evoluíram para grandes manifestações que enfrentam agora a ditadura.

Na tarde desse dia 18, forças de oposição, segundo a imprensa, declararam que a cidade de Al Beyida estava “nas mãos do povo”. Já a ditadura ameaçou que a repressão será “arrasadora” a quem se levantar contra o governo. O Exército ocupou a cidade de Benghazi e o governo proibiu reuniões.

Fica cada vez mais clara a posição de Khadafi ao prestar total apoio ao então ditador da Tunísia, Ben Ali, diante dos protestos que mais tarde derrubariam seu governo. O ditador líbio tinha claro que a sua vez estava próxima.


Manifestantes em Bahrein

EUA preocupado com o Bahrein
Outro país que enfrenta intensos protestos é o pequeno Bahrein, cujas manifestações pedem o fim da dinastia do rei Hamad Bin Issa al-Khalifa. Apesar de pequeno e pouco populoso (menos de um milhão de habitantes), o Bahrein é visto como um país estratégico por sua localização no Golfo pérsico, bem ao lado da Arábia Saudita, e por abrigar a 5ª Frota da Marinha norte-americana.

Até a noite desse dia 17, seis pessoas já haviam sido mortas a tiros pela polícia, na desocupação da Praça Pérola na capital Manama, que os manifestantes desejavam transformar em outra “Praça Tahrir”. Na manhã seguinte, o funeral das vítimas se tornou um grande ato contra a monarquia de Hamad. Na tarde do dia 18, segundo a imprensa internacional, o Exército abriu fogo contra a multidão que se dirigia à Praça Pérola e planejava retomar a praça.

A repressão, embora brutal, só intensifica os protestos e aprofunda as reivindicações. ”Estávamos só pedindo a demissão do governo, mas agora queremos o mesmo para a família real”, disse Ahmed Makki Abu Taki à imprensa. O irmão do manifestante foi uma das vítimas da repressão no país.

O país, uma monarquia constitucional, conta com um parlamento que na prática cumpre uma função decorativa. Os protestos começaram entre os xiitas que constituem a maioria da população e reclamam de discriminação por parte do governo sunita. A radicalização da repressão, porém, fez com que os sunitas também apoiassem as manifestações.

Os EUA acompanham com apreensão o rumo do levante. O Pentágono chegou a emitir uma nota pedindo o fim da “violência”. “O Bahrein é um parceiro importante e o departamento está acompanhando de perto os acontecimentos”, disse o porta-voz do Pentágono.

Período de instabilidade
Após a queda de Mubarak no Egito as manifestações, que já vinham se generalizando na região, ganharam novo impulso. A revolução egípcia mostrou às massas árabes que elas podem tomar o destino em suas mãos e derrubar ditaduras que há décadas estão no poder. Até no Iraque houve protestos contra as duras condições de vida enfrentadas pela população.

O governo Obama vem tentando, habilmente, canalizar a insatisfação árabe e conter as revoltas, chegando até a declarar apoio às reivindicações das manifestações. Resta saber até que ponto a polarização em regiões chaves ao Imperialismo, como o pequeno Bahrein, e o aumento da revolta da população no Iraque da convulsão social no mundo árabe não vão desmascarar os EUA.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Mínimo de R$545: escolhas e pouca ciência no Governo

Salário mínimo em apenas R$545: uma discussão que mostra as opções escolhidas e a falta de cientificidade dos argumentos do Governo.

Opções
Marcos Oliveira e Sergio Souto - Monitor Mercantil, 18/02/2011
A ser crível o cálculo do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o aumento do salário de mínimo para R$ 560 provocaria um custo extra de R$ 4,5 bilhões aos cofres públicos, o número equivale a praticamente ao mesmo tamanho do rombo provocado por fraudes no Banco Panamericano, que, diante da incapacidade do Banco Central para detectar o problema, receberá aportes de pelo menos R$ 8 bilhões da Caixa Econômica Federal, para continuar operando.

Haveres e deveres

A dúvida sobre a precisão do número apresentado por Mantega - ele estima que cada R$ 1 a mais no bolso de aposentados e pensionistas resulta num acréscimo de R$ 300 milhões na folha da Previdência Social - vem do fato de o cálculo sobre gastos nunca ser acompanhado pelo dos ganhos via aumento de consumo e, et por cause, da arrecadação com impostos. Ou, na linguagem dos guarda-livros, só "deveres sem haveres".

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Emprego ainda é difícil, especialmente aos jovens

Ainda é difícil a procura por emprego, sendo que com carteira assinada ainda mais, especialmente para jovens.

45% buscam emprego há mais de 6 meses
Monitor Mercantil, 16/02/2011
COM 54% DOS JOVENS DESEMPREGADOS, PAÍS ESTÁ LONGE DO PLENO EMPREGO

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou estudo mostrando que cerca de 45% dos desempregados procuram trabalho há mais de seis meses. Outros 25% estão há mais de um ano procurando trabalho. E cerca de 54% da massa de desempregados são jovens entre 18 e 29 anos.

Para o técnico de Planejamento e Pesquisa Brunu Amorim, essa situação, além de demonstrar que o Brasil está longe do pleno emprego, é preocupante porque representa risco de uma perda de habilidades e vínculos profissionais.

Quanto ao acesso à renda, o estudo revela que a maioria dos trabalhadores informais não recebe um terço de salário nas férias nem 13º terceiro salário, enquanto entre os trabalhadores formalizados cerca de 97% recebem seus direitos trabalhistas em dia.

Cerca de 18% dos trabalhadores formais entrevistados afirmaram que o valor de seu salário não é registrado corretamente na carteira de trabalho, número considerado elevado pelos pesquisadores.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Após 15 dias no Egito, brasileiro volta ao Brasil e faz palestra no Rio

Após 15 dias no Egito, brasileiro volta ao Brasil e faz palestra no Rio de Janeiro

Por Juzerley Santos

Correspondente registrou os diversos momentos da revolução, dos ataques a jornalistas até a queda de Mubarak

Nesta quinta-feira, dia 17, Luiz Gustavo Porfírio retorna ao Brasil depois de passar 15 dias acompanhando os atos no Cairo. Ele esteve diariamente na Praça Tahrir, com os manifestantes que acabaram retirando o ditador Hosni Mubarak do comando do país. Neste período, Luiz enviou notícias e entrevistas ao jornal Opinião Socialista e manteve um blog e uma conta no twitter, onde publicava notícias direto dos atos na Praça.

De volta ao Brasil, Luiz fará palestras nos estados. Na sexta-feira, 18, às 18h, ele conta a sua experiência em uma palestra no Centro do Rio (Tv. do Paço, 23, 14º andar). “Foi incrível poder ver de perto uma revolução acontecendo. E testemunhar a força do povo egípcio, que não desistiu, mesmo depois de quase 300 mortes”, conta. Luiz chegou ao Cairo no dia 2 de fevereiro, horas depois de bandos avançarem contra os manifestantes na Praça, com cavalos e camelos. As imagens impressionaram o mundo todo e, junto com as ameaças aos jornalistas, mostraram também o risco que envolvia a cobertura.

“Passei por muitas barreiras, com homens armados, com barras de ferro. A primeira vez que me senti seguro foi na Praça, após o ato de sexta-feira”, revela. Luiz conta que o povo egípcio e os jovens acampados na Praça Tahrir eram muito solidários. “Foi uma experiência única que aconteceu ali naqueles dias. Uma fraternidade, onde todos participavam, com um só objetivo. Era muito bonito de se ver”, conta.

Um dos momentos mais marcantes para ele ocorreu na Praça Tahrir, no dia 10, quando Mubarak fez um discurso na TV. “Todos acharam que ele iria renunciar naquele dia, e correram para a Praça. Descobri que é possível juntar um milhão de pessoas em total silêncio”, lembra. A renúncia só veio no dia seguinte, e Luiz estava lá, acompanhando a festa dos egípcios. “Fui abraçado, beijado. Nunca vi tanta alegria reunida”.

Luiz é historiador e pesquisa a história e a luta do povo palestino. Mesmo deixando o Egito, ele seguirá acompanhando o destino desse país. “Eles conseguiram derrubar um ditador, mas o governo ainda está na mão dos militares". Segundo ele, várias lideranças querem um governo civil no país e todas as liberdades. "Eles não querem uma revolução pela metade”, afirma.

Ele estará em um debate nesta quinta, 17, em São Paulo. Na sexta, 18, vai ao Rio de Janeiro. A cobertura completa da viagem está no blog http://umbrasileironoegito.wordpress.com, que ele seguirá atualizando nas próximas semanas.

SERVIÇO

Palestra

Sexta-feira, 18/2, 18h - Auditório Sind-Justiça (Travessa do Paço, 23, 14º andar – Centro, Rio)

CONTATO, FOTOS E ENTREVISTAS

Rodrigo Noel - (21) 9511.0045 rpocadesouza-rj@yahoo.com.br


Dirley Santos - (21) 8676.6239 dirleysantos@yahoo.com.br

Rafael Miranda - (21) 8438.7607

Assessoria SP (11) 6792.3022

INTERNET
http://umbrasileironoegito.wordpress.com
http://www.twitter.com/diretodoEgito

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Os dilemas macroeconômicos do Governo Dilma. Se escolherá uma alternativa a favor dos trabalhadores?

Há quatro grandes dilemas macroeconômicos do Governo Dilma logo em seu início. São eles, o câmbio apreciado, a alta taxa de juros, a inflação em leve alta e a preocupação com o aumento do gasto público puxado pela realização da Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. A pergunta que fica: a saída escolhida pela presidenta será em benefício dos trabalhadores, ou dos políticos, empresários e banqueiros?

Juros, câmbio e inflação desafiam gestão de Dilma
S. Barreto Motta, Monitor Mercantil, 15/02/2011

Neste início de ano, alguns empecilhos impedem Dilma Rousseff de relaxar, viajando pelo Brasil e comparecer a inaugurações - tanto de obras como lançamento de pedras fundamentais, como fazia seu antecessor. É que problemas surgem de todo lado e com intensidade.

[câmbio] O câmbio se apresenta como o principal desafio. O aumento de IOF - uma boa sinalização do ministro Guido Mantega, ainda com Lula - se mostrou ineficaz, pois dinheiro especulativo continua entrando no país. O dano à indústria nacional não pode ser sanado com ajudas específicas do governo e nem mesmo com aumento de alíquotas de importação, pois os chineses conseguem exportar através de países próximos. E comprar dólares dia-a-dia gera um custo adicional ao país, pois o ganho não chega a 3% ao ano e o custo da dívida interna supera 11%.

[juros] Com os juros, há um mistério. O país é emergente, saudado por todo o mundo como futura potência e alguns analistas chegam a mostrar piedade diante da boa situação nacional ante problemas europeus e americanos. Mas os juros básicos nos Estados Unidos e Japão beiram a zero e, no Brasil, estão em 11,25% - e ainda se fala em novos aumentos. Quanto aos juros de mercado, os dados são da Associação Nacional dos Executivos de Finanças e Contabilidade (Anefac). Sua pesquisa indica que a média cobrada no comércio é de 96,49%; o empréstimo pessoa-física em financeira tem taxa média de 203%; e o recorde nos juros está com as empresas de cartão de crédito - cuja propaganda as mostra como politicamente corretas, sempre ao lado da ecologia e da cidadania - que cobram, em média, 238,3% de juros. Níveis inacreditáveis, notadamente o cobrado pelas administradoras de cartões.

[inflação] Quanto à inflação, é pequena, inferior a 6% ao ano, mas está em alta, o que acende sinal amarelo no governo. No caso de aluguéis, a taxa supera 10%, o que já gera algum desconforto, aliado à exagerada alta no mercado imobiliário - tanto para venda como para aluguel. E o que é preocupante é que, se o real perder valor em relação ao dólar - o que a indústria espera fervorosamente - haverá efeito inflacionário, por conta de itens importados necessários - como azeite, trigo, remédios e equipamentos industriais. Isso leva o governo a, de certo modo, aprovar a valorização do real.

[Copa, Olímpiadas e gasto público] Em meio a tantos problemas, a presidente Dilma ainda tem de se deparar com Copa do Mundo e Olimpíadas, pois todos sabem que os estados - no caso da Copa - e o Rio - quanto à Olimpíada - esperam transferir a maior parte dos ônus dessas festas para a União. Com relação ao trem-bala, trata-se de projeto de R$ 35 bilhões, que pode facilmente duplicar de preço. Até agora, Dilma sinaliza que irá licitar a polêmica obra em abril, mas há dúvida no ar.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Lançamento da Campanha Unificada dos Servidores Federais

Hoje é dada largada na Campanha Salarial Unifica dos Servidores Públicos Federais. O ano de 2011 será de dificuldades na luta dos servidores, em particular na questão salarial, devido ao já referido aperto fiscal e o ressurgimento da proposta de congelamento dos gastos com pessoal no governo federal. Dessa forma é urgente a integração do movimento dos servidores do MDA com o das outras categorias do serviço público federal na Campanha Salarial 2011.

Mais do que uma campanha por reajustes salariais, a mobilização dos servidores federais se reveste de resistência em defesa do serviço público e de seus servidores contra as medidas que o Governo Dilma anunciou, especialmente os cortes no Orçamento da União, a suspensão de novos concursos públicos e convocação de já aprovados e o congelamento de reajustes salariais. O Governo prefere preservar recursos para os banqueiros, políticos e empreiteiras do PAC.Os servidores não podem ficar inertes, precisam reagir e se mobilizar. Dar início à luta por melhores salários e condições de trabalho e por mais recursos para os programas dos seus órgãos.

A Condsef (Confederação dos Servidores Federais), com o apoio da CSP-CONLUTAS, CUT, CTB, INTERSINDICAL, convoca todos os servidores públicos federais para participar do ato de lançamento da Campanha Salarial Unificada, na próxima quarta-feira, dia 16 de fevereiro, na Esplanada dos Ministérios com uma marcha pela Esplanada dos Ministérios e um grande Ato Público em frente ao Congresso Nacional. A marcha será precedida de uma assembleia no Espaço do Servidor, às 8h30, para a eleição de delegados à Plenária da Condsef, que acontece na quinta-feira, dia 17.02.

Eixos da Campanha Salarial 2011
- Data-base para 1° de maio
- Contra qualquer reforma que retire direitos dos trabalhadores;
- Regulamentação/Institucionalização da negociação coletiva no setor público e direito de greve irrestrito;
- Retirado dos PLP’s, MP’s, Decretos contrários aos interesses dos servidores públicos (PLP 549/09, PLP 248/98, PLP 92/07, MP 520/09 e demais proposições);
- Cumprimento por parte do governo dos acordos firmados;
- Paridade entre Ativos, Aposentados e Pensionistas;
- Política salarial permanente com reposição inflacionária, valorização do salário base e incorporação das gratificações;
- Salário mínimo de R$ 580,00;
- Correção da tabela do Imposto de Renda.

Calendário

Dia 15.02 (terça-feira)
- Reunião da Comissão Organizadora da Manifestação
- Distribuição de “Carta aos Parlamentares” no Congresso Nacional

Dia 16.02 (quarta-feira)
- Pela manhã bem cedo – Chegada das caravanas com concentração na Catedral de Brasília;
- 9h – Deslocamento em marcha pela Esplanada dos Ministérios e panfletagem da “Carta aberta à população”. Breve parada em frente ao Ministério do Planejamento (SRH) para algumas falas;
- 10h30 – Início do ato na frente do Congresso Nacional.
Dia 17.02 (quinta-feira)
- Plenárias Nacionais Setoriais das categorias.

Dia 18.02 (sexta-feira)
- Reunião Ampliada das Entidades Nacionais.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Déficit externo cresceu 4x no Plano Real

Déficit externo cresceu 4 vezes no Plano Real
Monitor Mercantil, 11/02/2011 


Segundo o professor Ricardo Bergamini, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o déficit anual médio da conta de serviços no balanço de pagamentos do Brasil saltou de US$ 19 bilhões, entre 1995 e 2002, para US$ 50 bilhões, no período 2003-2010. Já o déficit acumulado de 1990 a 1994, saiu de US$ 70,1 bilhões para US$ 341,2 bilhões.
O economista Rodrigo Ávila, da Auditoria Cidadã da Dívida, destaca que, além dos déficits crônicos e estruturais, como no segmento de seguros, setores como transporte marítimo internacional não pararam regredir desde a desativação do Lloyds e a derrubada da reserva de mercado.
"As remessas de lucros, juros e royalties devidos ao capital estrangeiro também dispararam. Essa tendência se tornou estrutural após as privatizações e se mantém crescente na medida que avança a desnacionalização da economia brasileira", alerta Ávila, lembrando que essa tendência já fora observada por Raul Prebisch, economista argentino, ao analisar os resultados do liberalismo imperial britânico na América Latina, ao longo do século XIX até 1930: "Daí formulou sua tese sobre a deterioração dos termos de intercâmbio e o déficit estrutural do balanço de pagamentos, gerador de dívida externa e, consequentemente, dependência econômica."

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Mubarak renúncia. Egípcios terão que lutar por mudanças para valer

. Mubarak renúncia, um dia após não querer largar o osso e ter dinheiro bloqueado na Suíça, foi descartado pelos militares e EUA. Militares assumem o poder e tentam desmontar as mobilizações. Mas os militares e seus interesses econômicos permanecem apegados ao poder e vão querer repactuar o sistema político preservando-se. Juventude e trabalhadores egípcios terão de manter pressão por mudanças pra valer e não há alternativa à legitimidade da força e voz do povo.

Mudança para valer
Marcos Oliveira e Sergio Souto, 11/02/2011

A revolução sustentada pelo povo egípcio, nos quase 20 dias em que ocupou as ruas do país, não pode ser apropriada e diluída por qualquer aventureiro ou potências que, durante cerca de 30 anos, sustentaram política, militar e financeiramente a ditadura de Mubarak. A energia e bravura mostrada pelos diferentes atores sociais que enfrentaram o governo, dificilmente, aceitaram que, mais uma vez, prevaleça o conselho de Tancredi ao príncipe Salina, em O leopardo, de Luchino Visconti: "Algo precisa mudar, para que tudo permaneça igual." Os egípcios, como confirmar o crescimento das multidões nas ruas, após concessões de oposicionistas vacilantes à ditadura decadente, querem a mudança do modelo, não apenas do ditador de plantão.



MILITARES SUBSTITUEM MUBARAK PROMETENDO NÃO IGNORAR A VOZ DAS RUAS
Monitor Mercantil, 11/02/2011

A renúncia do ditador egípcio, Hosni Mubarak, depois de 18 dias de uma revolução que varreu o país, não encerra o processo de mudanças no Egito. O reconhecimento foi feito pelo Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito, para o qual "não há alternativa à legitimidade do povo".

Esse sentimento fez-se sentir também na renúncia do vice-presidente, Omar Suleiman, que o regime desejava que controlasse o processo. Esse papel será ocupado pelo Conselho, indicado pelo próprio Mubarak, no curto documento em que anuncia sua saída.

As renúncias foram anunciadas em comunicado na rede estatal de televisão, um dia depois de Mubarak insistir em permanecer no poder. A resistência do ditador a largar o osso fez aumentar as manifestações nas ruas, fortalecidas por greves deflagradas em várias setores, inclusive no Canal de Suez.

O Conselho prometeu detalhar, em breve, as medidas para democratizar o país, Na primeira declaração após a renúncia de Mubarak, os militares expressaram seu agradecimento "a todos os mártires que sacrificaram a vida" a favor da liberdade do país.

A declaração foi lida pelo porta-voz militar, Ismail Etman, e diz ainda que as Forças Armadas estão conscientes do "momento histórico" que vive o Egito.

Os militares afirmam estarem conscientes da gravidade da renúncia e também dos pedidos da nação por mudanças. Os militares afirmaram que o Conselho Supremo das Forças Armadas avalia a situação para tomar as medidas necessárias. E reiteraram "não haver alternativa à legitimidade do povo". O Conselho, porém, agradeceu, em comunicado, a Mubarak "pelo seu trabalho patriótico durante a guerra e a paz".

Os bancos suíços anunciaram terem bloqueados todos depósitos de Mubarak e familiares naquele país.

Egípcios terão de manter pressão por mudanças
Monitor Mercantil, 11/02/2011

Brasília - Embora seja um "bonito marco" na história do Oriente Médio, a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak, deve ser encarada como o início de um longo processo político que desencadeará novos conflitos sociais. A opinião é do professor de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF) Bernardo Kocher: "Mubarak foi descartado, mas os militares e seus interesses econômicos permanecem apegados ao poder e vão querer repactuar o sistema político preservando-se", afirmou à Agência Brasil.

E destacou que Mubarak - ex-comandante da Força Aérea - e seus dois últimos antecessores governaram com o apoio dos militares.

Com a renúncia de Mubarak e do vice Omar Suleiman, o governo será exercido pelo Conselho Supremo das Forças Armadas até novembro. Só então tomará posse o candidato que vencer as eleições de setembro. A transição será comandada pelo ministro da Defesa, marechal Mohamed Sayed Tantawi, de 79 anos.

"O papel dos militares na política e na economia egípcia é muito profundo e a população não vai poder descansar porque as forças que mantiveram Mubarak e seus antecessores no poder são as mesmas que agora vão controlar o país temporariamente."