segunda-feira, 25 de julho de 2016

Liberalismo e fundamentalismo religioso na Pós-Modernidade


Ensaios sobre Pós-Modernidade de Direita n° 12

Por Almir Cezar Filho

A Pós-Modernidade, à Esquerda e à Direita, marcado pelo sectarismo e irracionalismo, alicerça simpatia e abre terreno fértil inclusive ao fundamentalismo religioso. Porém, não é uma reação ao Pós-Modernidade, mas uma das três principais manifestações ou expressões mais comuns à Direita, tais como o Olavismo Cultural e o ultralibertarianismo econômico (ambos mais tratado aqui nessa série de ensaios). Como nas duas outras expressões, compatibiliza, um extremo liberismo econômico, com proposições autoritárias em termos morais e comportamentos e políticos. Pode contraditoriamente trazer consigo semelhança ao Liberalismo, mas seu Liberalismo, se pode se chamar assim, não é o Liberalismo Clássico e Neoclássico.

O fundamentalismo religioso, ao contrário que o conservadorismo e o reacionarismo de matrizes religiosas historicamente sempre se alicerçaram no plano econômico sob a forma de uma defesa da solidariedade econômica, em um grau maior ou menor, mesmo que restringido na preservação da propriedade privada dos meios de produção e de privilégios históricos a grupos econômicos, sob inspiração do tradicionalismo. 

quarta-feira, 20 de julho de 2016

MBL após impeachment apóia reacionária Lei da Mordaça a professores

Iniciativa fere princípios liberais básicos, especialmente a 'liberdade de cátedra'

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita n° 10

Por Almir Cezar Filho*

O tal Movimento Brasil Livre (MBL), campeão liberal na campanha pró impeachment de Dilma e combate a corrupção dos políticos do PT, sem nada pra "fazer" diante do "honesto" governo Temer (PMDB/PSDB/Centrão), ataca agora apoiando o reacionário projeto de lei da Mordaça aos professores, eufemisticamente chamado de "Escolas Sem Partido".

Além de violar a liberdade de opinião e de expressão, nada mais antiliberal do que atacar a 'liberdade de cátedra', um dos direito fundamentais assegurado na Revolução Francesa. Para piorar se alinham com o que há de mais conservador e reacionário na política e sociedade civil brasileira, como os fascistas Bolsonaros e os fundamentalistas religiosos Malafaias.

Deprimente, mas não surpreende. Os liberais brasileiros historicamente sempre agiram assim. Não à toa que desde D. João VI liberais tentam quimeras ideológicas fundindo pervertidamente 'A Riqueza das Nações' de Adam Smith com a Bíblia. "Livre comércio como parte do Plano da Providência"; "Mão Invisível que prepara o Restabelecimento, não só da Ordem Civil, mas também da Ordem Cosmológica".

Escola Austríaca é pseudociência

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita n° 11

Por Almir Cezar Filho

A maioria das proposições econômicas que a nova Direita Pós-Moderna se apóia são originalmente oriundas da Escola Austríaca, porém, esta escola da Economia tem uma base em que se pode até mesmo afirmar nem ser científica.

Nos últimos séculos a Filosofia e a própria Ciência entendem que se faz necessário para uma tese pretensamente ser considerada científica se passar pela capacidade de verificação (ou falsificação). Observando simultaneamente na hipótese científica sua capacidade preditiva e a capacidade explicativa dos fenômenos descritos. Como também o potencial de surgir novas evidências que corrigirão ou confirmarão essa hipótese.

Nas Ciências Sociais o procedimento torna-se mais complicado em virtude do próprio objeto em si [1], especialmente, a baixa capacidade de aplicar a mesma metodologia das Ciências Naturais (isolamento em laboratório, realização de testes, etc).

terça-feira, 5 de julho de 2016

Liberalismo e Conservadorismo na Direita Pós-Moderna

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita n° 9

Por Almir Cezar Filho

Há uma conexão entre Liberalismo e Conservadorismo, apesar do senso comum dizer em contrário e da vontade dos liberais. Amálgamas e quimeras ideológicas entre Liberalismo e Conservadorismo não são incomuns historicamente na Direita. Embora, a Pós-Modernidade isso venha se tornando a regra ou facilitada.

Não é exceção ou raridade na Direita figuras que defendem propostas conservadoras e tradicionalistas no campo moral e comportamental e no político, ao mesmo tempo medidas neoliberais e laissez faire para a economia. Essa conexão é mais explícita nos ideólogos das sociedades de desenvolvimento capitalista mais atrasadas ou semicoloniais, como é o caso do Brasil. 

Como os deputados da "bancada evangélica" como Marcos Feliciano, ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o ex-candidato a presidente Pastor Everaldo, ou mesmo figura mais diretamente ligadas ao púlpito, como o pastor Silas Malafaia, etc, que combinam liberismo econômico e político com fundamentalismo religioso cristão. Ou figuras da "bancada da bala" que compatibilizam livre mercado com Estado militarizado e judicial, ao ponto de vasto saudosismo com a Ditadura Militar.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

O Liberalismo da Direita Pós-Moderna não é Liberalismo. O Liberalismo e a questão social

Ensaio sobre a Pós-Modernidade de Direita nº 8

por Almir Cezar Filho

O Liberalismo é o conjunto de ideologias dominantes e hegemônicas nas sociedades burguesas. Isso não significa, que em momentos de emergência à burguesia não recorra à outras ideologias, ou mesmo a amálgamas e quimeras ideológicas. É possível dizer que o Liberalismo convencional Clássico ou Neoclássico nada tem de comum com o pensamento Pós-Moderno de Direita que se diz liberal. O Liberalismo convencional se apoia na ideia da liberdade como intrinsecamente valiosa. Liberdade baseada na autonomia. Os utilitaristas e economistas do livre-mercado afirmam que a liberdade só detém valor instrumental.

Assim, a Escola Austríaca, os NeoCon, os AnCap (AnarcoCapitalismo), o Neoliberalismo em geral e as demais versões do ultralibertarianos econômicos de direita contemporâneos, cada qual, liberista e utilitarista filosófico-metodológico, são anti-Estado à medida que advogam a impossibilidade de organizar toda a informação necessária ao Governo bem-sucedido de uma sociedade de qualquer maneira senão por meio da mão invisível do mercado e da livre interação das pessoas em geral, como reafirmou F. A. Hayek em "The Constitution of Liberty".

As falhas de mercado, a imperfeição parcial e/ou geral, não garantindo pleno emprego dos fatores, especialmente o trabalho, a segurança alimentar e nutricional, a assimetria de acesso aos bens públicos e meritórios, etc - falhas não são providenciadas pela intervenção ou interferência do Estado ou do subdesenvolvimento do próprio mercado comprovam que o Mercado não pode agir por si só ou no mínimo sem supervisão.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

A Meritocracia e a Pós-Modernidade de Direita ou a “Mediocracia” raivosa

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita nº 7

Por Almir Cezar Filho

Um dos discursos mais proferidos pelos adeptos da Pós-Modernidade à Direita é o da Meritocracia. A crítica da Pós-Modernidade de Direita à Pós-Modernidade de Esquerda no que tange na concessão de direitos seccionados por grupos ou indivíduos em circunstâncias especiais passa pelo resgate da Meritocracia. Porém, dando uma ressignificação parcial.

A ascensão da Modernidade impôs a eliminação paulatina dos privilégios e a disseminação de direitos iguais universais comuns. A Modernidade é uma época histórica de igualdade de direitos e disseminação d e direitos universais, e não de privilégios, como foram às épocas que a antecederam. A Pós-Modernidade, ao contrário, é uma época que vem sendo marcada pela fragmentação dos direitos universais, compensada na busca por direitos em separados para cada segmento social.

O igualitarismo da Modernidade possui um problema em si. Um direito universal é ao mesmo tempo comum, mas individualmente, contudo, customizado e a serviço para um segmento específico. Portanto, todos os demais indivíduos têm dificuldades de enquadrar-se nele para desfrutá-lo ou instrumentá-lo.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Olavismo Cultural e o discurso raivoso de direita na classe média

Ensaio sobre a Pós-Modernidade de Direita nº 6

Por Almir Cezar Filho

Um dos aspectos mais curiosos da ascensão, ou melhor dizendo, da consolidação da Pós-Modernidade na Direita sob a forma radical de Olavismo Cultural é a manifestação crescente de um discurso raivoso [de direita], muito popular na classe média tradicional, a velha classe "A" e parcelas da classe "B". Nem todos à Direita são adeptos do Olavismo Cultural, mas é um sinal comum dessa vertente a pouca diplomacia e gentileza nos debates da parte deles - embora tenham uma hipersensibilidade a críticas a suas próprias opiniões.

Outro traço contraditório é o álibi recorrentemente empregado por eles do direito à liberdade de expressão e opinião para garantir, mesmo que forçosamente, o espaço à sua fala em ambiente e temas que não lhe atém. Porém, sem primeiramente a mesma garantia da parte deles de reconhecer o direito do outrem à crítica à sua opinião ou ao conteúdo da sua expressão. Em suma, querem direito à opinião, mas não estão abertos a opinião dos outros, muito menos que esse outro alvo de crítica possa criticar essa crítica. 

Ainda também há a antiliberal imposição que sua opinião seja tolerada mesmo que excite ao ódio ao outro ou à opinião desse outro. Isto é, exigem tolerância ao discurso seu intolerante sob o subterfúgio da tolerância. E acusam de intolerantes todos aqueles que lhe são contrários ao seu discurso.

domingo, 22 de maio de 2016

O Brasil precisa de um Ministério para Política Agrária

Respondendo aos críticos: Não temos dois ministérios de "Agricultura"

por Almir Cezar Filho

Nas últimas semanas, com os rumores da extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) pelo corte do número de ministérios pelo presidente "interino" Temer, confirmado no dia 12/05, acabei no meio de um debate no seio dos meus colegas servidores efetivos do MDA que muito me surpreendeu: alguns deles comemoravam o seu fim. Isso mesmo, celebravam a extinção do órgão que trabalhavam nos últimos 6 a 3 anos. 

Alegavam que um órgão com mais de 15 anos de existência interrupta (sem esquecer que no passado existiu outros) mas tão mal estruturado e frequentemente usado para cooptação dos movimentos sociais rurais não merecia continuar. E que não deveria haver "dois" ministérios para a Agricultura, referindo-se ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Choramingam ainda que a absorção das atribuições e estruturas não deveriam ser ao novo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário.

Dificuldades de entender a diferença de papel entre o MAPA e o MDA? Não é isso. Nem é apenas confusão técnica entre o que é agrícola e agrário. Há uma concepção ideológica (ou oportunista) a respeito do discurso de que a "agricultura é única", que os impedem de ver o básico, o fundamental. Não fazem distinção entre os aspectos socioprodutivos do agronegócio e da agricultura familiar. Não fazem distinção entre a Política Agrícola e a Política Agrária.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Os servidores do Ministério do Desenvolvimento Agrário lutam contra a sua extinção

por Almir Cezar Filho

Como alguns sabem, em final de 2009 abandonei (temporariamente) a docência e segui o caminho da Administração Pública virando servidor concursado do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Fiquei grande parte desses anos na equipe de planejamento e orçamento de uma das suas principais secretarias. E acabei também virando dirigente sindical e associativo da categoria, inclusive em postos de direção da entidade que temos junto com os servidores do INCRA, a CNASI-AN.

Contudo, após anos de indefinições políticas e cortes orçamentários no governo Dilma, assim que seu "substituto" Temer assumiu pôs em funcionamento sua extinção, e absorção (subordinação) pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e retirando competências institucionais para o Ministério da Agricultura.

Subordina-se com isso as Políticas Agrária, de Apoio à Agricultura Familiar e de Desenvolvimento Rural à Política Agrícola (hegemonizada pelo agronegócio) e à Política de Assistência Social (voltada apenas a mitigar a pobreza e ser compensatória), negligenciando a questão-chave do reordenamento agrário para o desenvolvimento nacional brasileiro. Nesse contexto, o Brasil segue sendo o único país industrializado que não fez nem mesmo parcialmente Reforma Agrária.Apesar disso, os servidores efetivos se levantaram contra esse ataque do governo interino. A categoria resolveu iniciar uma campanha pela "Não Extinção do MDA".

sexta-feira, 6 de maio de 2016

A Pós-Modernidade de direita, o novo ultralibertarianismo econômico e a Escola Austríaca

Ensaio sobre a Pós-Modernidade de Direita nº 5

Por Almir Cezar Filho


No presente artigo tratarei o porquê e como o novo ultralibertarianismo econômico e a Pós-modernidade de Direita na Economia aderiram à Escola Austríaca ou a posições que lhe são próximas. Mas, apesar da Escola Austríaca ter posições liberais, mesmo que não-convencionais às tradições do Liberalismo Clássico e do Neoclássico, de fato o que pregam ou seguem esses pós-modernistas de Direita ou ultralibertarianos em nada tem em comum com o Liberalismo.

Recapitulando, em alguns artigos passados (a série iniciada com o artigo “O perigo do novo libertarianismo econômico”, e antecedido pelo artigo “A utopia reacionária do livre mercado”) venho estudando a popularidade que vem ganhando junto ao público, especialmente de classe média “A” e “B”, o tratamento de temas econômicos sob a forma de um ultralibertariano de um tipo novo, que nada tem de similar com aqueles derivados do Liberalismo convencional, débil em conhecimento econômico científico e interdisciplinaridade com demais ciências sociais.

No último artigo (“O Olavismo Cultural e a Pós-modernidade de direita na Economia”) tratei especificamente que o advento da Pós-Modernidade, como atual zeitgeist[1] nosso tempo, impactou as ideologias e as ciências, não apenas à esquerda, mas a direita também - em todas as ciências sociais, inclusive na Economia.

domingo, 1 de maio de 2016

O atraso na Economia

A Economia, enquanto ciência, está muito atrasada se comparada em termos epistemológico com as Ciências Naturais. Seguimos uma metodologia ainda similar à da Física do século XVIII, centrado na noção de "equilíbrio". Ao contrário dos detratores, o Marxismo deve ser o ponto de partida. Porém, o Marxismo não pode ser uma série de notas de rodapé às obras de Marx e Engels. É preciso incorporar conceitos e metodologias à Economia que fazem reportar à que mais avançado nas outras ciências, especialmente, a Física, Química e Biologia, que durante séculos foram e são ainda referência, como por exemplo, a teoria ergódica, a Homeostase e a Entropia.

A teoria ergódica é uma área da matemática que estuda sistemas dinâmicos munidos de medidas invariantes [1].  A palavra ergódico é o resultado da concatenação de duas palavras gregas, ergos = trabalho e odos = caminho, e foi introduzida pelo físico L. Boltzmann. As ideias e resultados da Teoria Ergódica se aplicam em outras áreas da Matemática que a priori nada têm de probabilístico, por exemplo a Combinatória e a Teoria dos Números. Ainda outra motivação fundamental para que nos interessemos por medidas invariantes é que o seu estudo pode conduzir a informação importante sobre o comportamento dinâmico do sistema, que dificilmente poderia ser obtida de outro modo.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

O Olavismo Cultural e a Pós-modernidade de direita na Economia

Ensaio sobre a Pós-Modernidade de Direita nº 4

por Almir Cezar Filho


Justamente por ser economista de formação e profissão tenho observado que, enquanto muitos usam seus perfis do Facebook para denunciar os males da conspiração do "Marxismo Cultural": eu denuncio que o maior perigo para a vida social contemporânea é o "Olavismo Cultural". Versão de direita do Pós-modernismo - ainda mais perigoso do que o de esquerda. Se na Esquerda o Pós-modernismo faz seu estrago, não seria diferente na Direita brasileira. E a Economia não ficaria imune.

Caracterizo o Olavismo Cultural pela rejeição ao Liberalismo Clássico e Neoclássico e ao Socialismo (falsamente ditos simétricos); cretinice anti-acadêmica, intelectual e cultural; paixão por um liberismo econômico radical (laissez-faire) e conservadorismo moral e político exacerbados; antirracionalismo metodológico; o discurso raivoso contra as minorias e segmentos que se opõe ao senso comum ou enfrentam o status quo; e rejeição ou ceticismo à Ciência convencional, especialmente às Ciências Sociais, supostamente dominada pelo tal "Marxismo Cultural", uma pseudoconspiração comunista, denunciada à maneira macartista(1) pelos olavistas culturais.

O Olavismo Cultural possui várias matizes no Brasil que não se resumem ao astrólogo e filósofo autodidata Olavo de Carvalho, talvez apenas o mais icônico. Outros nomes de figuras proeminentes talvez sejam mais conhecidos pelo grande público, como o ex-roqueiro Lobão, o ex-crítico de arte Diogo Mainardi, os colunistas Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, que fazem a "cabeça" de vários facebookianos. Todos esses com uma inserção na internet e nas mídias tradicionais empresarial. E com estilo retórico e lógico muito similares. Radical de forma, conservador de conteúdo. Raivoso, recheado de autorreferências e proclamador da legitimidade do senso comum como verdade.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Liberdade e Capitalismo

Ensaio sobre a Pós-Modernidade de Direita nº 3

por Almir Cezar Filho

É facilmente afirmável que o Capitalismo tem fracassado, ou ao mínimo tem dificuldades, em generalizar as liberdades enaltecidas por seus porta-vozes, os economistas e demais filósofos sociais burgueses.

A Grã-Bretanha, por exemplo, jamais levou ao seu império a liberdade econômica e as liberdades civis de que gozam os habitantes das Ilhas Britânicas. Nos EUA há milhões cuja cidadania é apenas de segunda classe — negros, hispano-americanos e membros de grupos minoritários, o que inclui não só outros grupos raciais ou mesmo religiosos, mas também, outros tipos de grupos, como os homossexuais e as mulheres — cujos pretensos direitos constitucionais são constantemente pisoteados de formas por vezes claras e óbvias e por vezes ocultas e obscuras.

Em suma, até a mais livre sociedade capitalista pratica formas de discriminação que envolvem a redução das liberdades de alguns dos seus membros ou dependentes. Haverá razão para se acreditar que essa discriminação resulte da própria essência do sistema capitalista.

A discriminação e as opressões estão associados aos elementos mais básicos do sistema capitalista, o principio da extração de mais-valia e acumulação de capital. Do ponto de vista econômico, a discriminação é lucrativa; e, por assim ser, sobrevive e reaparece a despeito de todos os esforços porventura desenvolvidos para a sua abolição.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Tiradentes e os rebeldes

A atualidade da homenagem em um época que ainda não se purgou os crimes do autoritarismo

por Almir Cezar Filho

Hoje é dia de Tiradentes. Um feriado para homenagear um rebelde que lutou contra um estado tirânico. Torturado na prisão, morreu após um julgamento forjado, e teve nem seu corpo o direito a um velório e sepultura digna por sua família. Isso lembra alguma coisa?. Nada mais atual do que essa homenagem em um época que ainda não se purgou os crimes do autoritarismo.

Pois bem, muitos dos homens "de bem" de hoje que o homenageiam não fazem a conexão. Na década de 1960/70, com os direitos civis cerceados homens e mulheres se enfrentaram com uma ditadura sanguinária que matou, torturou, prendeu, cassou e exilou não apenas os comunistas, mas qualquer um que estivesse em sua mira. Hoje os rebeldes contra a Ditadura são caluniados.

domingo, 13 de março de 2016

A flexibilização das leis trabalhistas, uma crítica

por Almir Cezar Filho

Flexibilização do direito do trabalho.
(Imagem: SidmetalJSC)
Retomando a proposta iniciada no artigo O perigo do novo ultralibertarianismo econômico, de tentar polemizar com toda uma série de temas econômicos encarados pelos ultralibertarianos e refutando um a um, usando perspectivas teorias econômicas até mesmo de tradição convencional da Economia, de porte Clássica e Neoclássica. Vamos ao primeiro tema, o explosivo tema da defesa da flexibilização das leis trabalhistas. 

De fato, algumas vertentes Neoclássicas defendem a flexibilização, mas nos últimos tempos foram os ultralibertarianos que mais propagandeiam essa proposta no momento. Existe toda uma vasta literatura econômica, inclusive de tradição Neoclássica, que repudia esse tipo de proposta para combater o desemprego crônico ou em períodos de crise.