sábado, 2 de dezembro de 2017

Flutuações, ciclos e tendências no sistema socioeconômico

 A Economia e a Revolução, Capítulo 8

por Almir Cezar Filho

No presente capítulo prosseguiremos com a investigação dos fatores de gênese e funcionamento do sistema socioeconômico capitalista procurando destrinchar do ponto de vista econômico-político a relação entre o processo revolucionário e as transformações da sociedade e as circunstâncias sociais para o aparecimento da revolução social. Agora é a vez das flutuações, ciclos e tendências.

Nos capítulos anteriores procurou-se pôr fim a dicotomia entre as dimensões da vida social política e econômica, tecendo a lógica que há não apenas um binômio, mas mesmo um trinômio, uma tridimensionalidade, agregando a esfera dos assuntos mundiais, da geopolítica, do sistema mundial dos Estados Nacionais, e mesmo uma quadrimensionalidade, ao se assinalar a dimensão da ética, valores morais e imaginário de um tempo e lugar. Na dimensão política, a luta de classes sociais no interior do Estado Nacional, inseridas no controle do Estado, inclusive sob forma do embate dos partidos políticos e na dinâmica entre diferentes instituições estatais em luta pela primazia. Na dimensão econômica, o circuito econômico e os ciclos de negócio. Em dialética. Onde as políticas econômicas, os marcos jurídicos-legais, limitam a ação dos atores econômicos, estimulando-os ou retraindo-os. Como também, a luta de classe limita a política econômica a ser adotada.

Continuando com as questões metodológicas. Agora deve-se falar de outro fenômeno “místico” do Capitalismo, a sua capacidade de gerar predestinação, de prognóstico, tendo em vista, seu poder de repetir ao longo do tempo os ciclos econômicos, isto é, sua capacidade de que seus indicadores, ao menos aqueles stricto sensu econômicos, têm de seus números apresentar viés de altas e baixas, em sucessão contínua. O volume produzido, o valor gerado, o consumo, etc., operam em ciclos, início, meio e fim, para novamente reinício, meio e fim, etc. Esses indicadores não se mantêm continuamente em mesmo patamar ao longo do tempo, oscilando, flutuando, muita vezes sob um “eixo”. Mesmo que esse eixo, essa linha tendencial, mostre ou ascensão ou queda. Isto é, num prazo mais longo apontem para uma direção, uma tendência.

sábado, 25 de novembro de 2017

Crise do RJ: a solução passa pela agricultura familiar

Por Almir Cezar Filho

A meio século que a agricultura fluminense mais que minguou tornou-se invisibilizada. Mas reside nela justamente um forte chance de alcançar a recuperação da intensa crise econômica por que passa o Estado do Rio de Janeiro.

A agricultura patronal de alta performance aqui no RJ paulatinamente se colapsou e a partir disso o poder público e as entidades empresarias renunciaram a ações em pró do setor. A agricultura familiar ficou abandonada e sobrevive por coragem de seus praticantes. A exceção de "ilhas" locais de produtividade (Região Serrana), resquícios do antigo padrão de plantation (Norte Fluminense) ou voltadas a segmentos e nichos de consumo (orgânicos, etc.).

Mas todos aquém do seu potencial, para não falar do tipo de urbana, periurbana e particularmente intraurbana, muito comum em uma região como o RJ que a mancha urbana e metropolização avançou intensamente e que as zonas agrícolas viraram subúrbios ou alvos da especulação imobiliária. A falta de apoio e a pressão sobre agricultores acelera tanto o abandono da terra ou empobrecimento dos agricultores, como também o colapso da agroindústria local.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Mais uma vez Terra Plana: conspiracionismo e direita pós-moderna

Ensaios sobre a Direita Pós-Moderna

Por Almir Cezar Filho

Causou comoção ou surpresa a notícia que uma pessoa na Califórnia (EUA) se lançará em um foguete, construído em casa, até o espaço sideral para tentar provar que a Terra não é uma esfera, nem mesmo um planeta, o assim chamada Terra-Plana. Além do mais, essa pessoa é candidata a governador daquele estado.

Apesar de mais de 2.500 anos de conhecimento no Ocidente sobre a esfericidade da Terra e o cara se esforça pra provar o contrário. Tem um monte de coisa a se comprovar, refutar ou a ser descoberta ou inventada e o cara gasta tempo e energia nisso. Doenças a ser curadas, etc. Acabamos surpreendidos com gente se esforçando pra provar algo tão absurdo. Não diferente agem tão qual a hipótese conspiracionista sobre outros temas, que vão desde a Escola Sem Partido, Ideologia de Gênero, Fórum de São Paulo, George Soros, Marxismo Cultural, passando até conspirações mais "ousadas" ou delirantes como Iluminati, Franco-Maçonaria, o assassinato de Kennedy,  Nova Ordem Mundial, Reptilianos, etc.

Tais idéias estapafúrdias se baseiam ou no conhecimento pré-filosófico e mesmo não apenas idealista, mas antematerialista, geralmente de matriz religiosa, particularmente àquelas de livros sagrados e anteriores a Idade de Ferro, e portanto com uma cosmovisão diametralmente diferente da desenvolvida pela Ciência ou mesmo da Modernidade.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

28 Documentários para debater o racismo

1) Menino 23
https://www.youtube.com/watch?v=4wmraawmw38

2) Chacinas nas periferias
https://www.youtube.com/watch?v=53rQggrAouI

3) The Colour of Money - A História do Racismo e do Escravismo
https://www.youtube.com/watch?v=0NQz2mbaAnc

4) Raça Humana
https://www.youtube.com/watch?v=y_dbLLBPXLo

5) O negro no Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=zJAj-wGtoko

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

'Não há onda conservadora'. População rejeita em consulta armamento da sua guarda

Amplo NÃO à proposta repressiva mostra que há na verdade polarização política e uma contraofensiva da ultradireita que pode ser derrotada

por Almir Cezar Filho

A maioria da população de Niterói, cidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, rejeitou em votação organizada pela própria Prefeitura o armamento da sua guarda municipal (ver AQUI a notícia). O NÃO da maioria dos votantes expressa a discordância com teses repressivas, mesmo na criminalidade urbana, como apregoam a ultradireita e conservadores. Demonstra que não há a tal onda conservadora em curso, como propagandeiam a grande parcela da assustada esquerda brasileira. Há sim uma contraofensiva dessa direita avivada. A Esquerda precisa disputar a hegemonia das consciências da população.

A votação

Moradores de Niterói votaram “não” para o uso de armas de fogo pela Guarda Municipal, no domingo 29/10, durante uma consulta pública. De acordo com a prefeitura, 13.478 pessoas foram contra a medida (70,9%) e 5.478 a favor (29,1%). Enquanto isso, 25 eleitores votaram nulo e oito optaram pelo branco.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

"Revolução Russa, é a economia, estúpido!' Vamos ao programa econômico

(100 Anos da Revolução Russa)

por Almir Cezar Filho

Nesses dias que se completam o Centenário da Revolução Russa de "Outubro" ou Vermelha  chamo atenção a uma questão fundamental: o programa econômico. A tomado do poder pelos Sovietes e a criação do governo dos Comissários do Povo tinha em si e para si o receituário para grande crise econômica e política que passava a Rússia pós-czarista.

O programa econômico revolucionário compõe com duas outras - a alternativa de poder/organismo alternativo de governo e um grupo dirigente estratégico -  determinação necessária e suficiente para gerar uma situação revolucionária vitoriosa. 

Por sua vez, o Programa organiza três desafios: ela detalha as consignas, os pleitos: "Todo poder aos sovietes" e "Paz, pão e terra", eram os lemas durante a Revolução Russa e sintetizavam as reivindicações das massas e as tarefas. 

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

O fim da URSS não é o fim da marcha ao Socialismo. Nem eventualmente na própria Rússia

(100 Anos da Revolução Russa)

Por Almir Cezar Filho


 A História não é linear e não se encerra tão simplesmente. Segue em ziguezague. Como outras revoluções no passado, como a Francesa ou a Inglesa nos mostraram. A Revolução Vermelha Russa não se encerrou em 1989/1991. E com certeza veremos outros desdobramentos no futuro, também na própria Rússia.

Para os intelectuais da burguesia e mesmo para muitos epígonos do marxismo a Queda do Muro de Berlim, a restauração ao Capitalismo e a dissolução da URSS foi a prova definitiva que o Socialismo sob a Ditadura do Proletariado está fadada à lata de lixo da História. Mas a experiência das revoluções burguesas que implementaram o modo de vida Capitalista mostram o contrário.

Muito se compara a Revolução Russa com a Francesa. Mas o crepúsculo stalinista e a restauração em muito se assemelha a outra revolução, a Inglesa. Aquela de 1630 a 1640. Que antes da consolidação do regime burguês, com divisão de poderes, sufrágio periódico, constituição e liberdades econômicas passou por inúmeras reviravoltas.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Ultra-direita: é a economia, estúpido!

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita

por Almir Cezar Filho

Na década de 1990 surgiu uma expressão agressiva entre a centro-esquerda estadunidense pra reorientar sua militância em como lidar tanto com o eleitor como combater as proposições da direita, especialmente neoliberal, cuja chave estaria na situação (e agenda) econômica. Agora, novamente é preciso voltar ao combate pela mesma perspectiva, com os devidos contextos e proporções.

1) ao contrário dos bolsominions da internet, os grupos organizados ultradireitistas não são espontâneos. Não há entre eles militantes e ativistas abnegados e altruístas. São profissionais ou arregimentados.

2) Por sua vez, é preciso rastrear seus financiadores e organizadores no empresariado - vincular os interesses e conveniências concretos deles com a pauta e ação desses grupos. Escrachá-los publicamente.

domingo, 15 de outubro de 2017

Violência, repressão e direitos humanos na Direita Pós-Moderna

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita nº  26

por Almir Cezar Filho

Um dos temas que balizam a Direita Pós-Moderna é atração pelo tema da violência e repressão, juntamente com vigiar e julgar. A caminhada para o extrema do espectro político por parte da Direita e da Centro-Direita convencional moderna fortalece a erupção da Direita Pós-Moderna, que se constituí à medida que todo conservadorismo que hoje assistimos vir à baila é apenas um suspiro, um murmúrio, um urro, por sobrevivência de privilégios, em pleno um mundo em permanente mudança.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Neofundamentalismo religioso e o neofascismo são pós-moderno

Duas notícias recentes trouxeram choque em setores mais esclarecidos da opinião pública. O ato do MBL contra a exposição de arte Queermuseu que levou aos patrocinadores a cancelá-lo. E atos de terror de traficantes a moradores praticantes de religiões afro-brasileiras nas comunidades que suas quadrilhas controlam.
Como pode lideranças de uma minoria religiosa (pastores evangélicos) se aliar com a escória da sociedade (os narcotraficantes) pra perseguir uma outra minoria religiosa (os umbandistas e os candoblecistas)? Como pode uma escória se achar "ungida" e taxar de satânica fiéis e sacerdotes de outras religiões minoritárias e persegui-los impunemente com extrema violência?
Cadê os líderes evangélicos repudiando essas ações? É isso mesmo?
Vamos lá: no Brasil a intolerância religiosa ativa me parece ser a prática corrente de boa parte  das lideranças protestantes evangélicas (pentecostais e neopentecostais) e seus seguidores fanatizados.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Vivemos o começo da 4a. Revolução Industrial

A internet das coisas, Big data, inteligência artificial, computação quântica, autômatos, etc. Sua implantação e difusão a passos acelerados é a nova realidade. Tal qual foi a 3a Revolução Industrial, seu advento é contínua e ininterrupta e a grande depressão por que passa o capitalismo mundial é sua manjedoura.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A Nova Direita e os desafios à Esquerda

Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita nº 27

por Almir Cezar Filho

Uma boa parte da vanguarda de esquerda e das organizações desse espectro político estão "espantados" com a erupção de uma nova direita avivada e não convencional, e ainda mais extrema. Negligenciaram simplesmente que a Pós-Modernidade não ataca apenas nas suas próprias fileiras. Como também os anos de direitização, neoliberalização e capitulação a lógica da sociedade burguesa em seu próprio lado da trincheira política não produziria um fenômeno no lado oposto.

Essa nova direita tem os mesmo pilares, e é fermentada pelas mesmas bases, do que muitos intelectuais atuais chamam de Pós-Modernidade. Se comportam correspondente, senão equivalentemente ou mesmo iguais a Esquerda Pós-Moderna - pelo menos naquilo que é criticada a respeito dela. Essa sociedade emerge, ou melhor, esse zeitgeist geral da sociedade atual , isto é, esse conjunto de valores gerais da sociedade, conforma-se no crepúsculo, na senilidade da ordem burguesa. Portanto, do ápice decadente do Capitalismo como sistema social.

Essa Direita é sim Nova, pois não se vinculada a Clássica e Neoclássica, e é Pós-Moderna, pois não se vincula aos valores da Modernidade. Por isso mesmo, essa Nova Direita, por um lado, rejeita a Direita clássica e lhe disputa o espaço político e intelectual, em muitos casos de maneira agressiva. E, por outro, age tão ou mais agressivo com as Esquerdas, identificando nelas um dos principais fatores da decadência da sociedade ocidental contemporânea.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Liberalismo, ciência e revolução: as bases da sociedade moderna

O que há em comum entre a primeira revolução industrial, o iluminismo, a consolidação do parlamentarismo inglês, independência dos EUA, o surgimento da Química e o Eletromagnetismo?

A revolução científica e intelectual e a revolução social andam juntas.

A ascensão do Liberalismo econômico e político se dá nas mesmas bases e retroalimenta às transformações econômicas e científicas.

JOHNSON, Steven. A invenção do ar: uma saga de ciência, fé, revolução e o nascimento dos Estados Unidos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009.

domingo, 20 de agosto de 2017

A Economia e a Revolução: uma dialética explosiva

Posso chamar o conjunto que eu pesquiso de "A Economia e a Revolução". Se chama assim pelo simples fato que analisa a complementariedade entre esses dois aspectos da vida social humana. Ou melhor dizendo, tenta dar início a esse desafio. Falaremos de uma dialética explosiva. Que apesar de "dialética", não é de dois, mas de três: Economia, economia e revolução. Revolução essa tanto econômica e social, como revolução científica.

A Economia, enquanto esfera social, como dimensão social, similar a Política, a Moral, a Cultura, passa constantemente por “revoluções”, súbitas transformações, desenvolvimentos em saltos. Mas também é impactado pela revolução social geral. Pelas revoluções políticas, revoluções nos costumes, na tecnologia. Como ainda pelas revoluções na ciência. Na própria disciplina científica pertinente à economia: a Ciência Econômica, também chamada Economia (o “e” maiúsculo).

Quer dizer, a economia é influenciada pela Economia. Mas, não é apenas isso. Aí vamos ao eixo invertido.

A Economia é influenciada pela economia. A cada transformação na sociedade, nas formas de produzir, trocar, distribuir e consumir, a ciência da economia, a Economia, reage com novas formulações, novas teorias, que amparam (ou não) o desenvolvimento econômico.

sábado, 19 de agosto de 2017

Temer vence. Meirelles sobe rombo fiscal. Servidores e contribuintes pagam o pato

Como eu disse em março: antes de fim de agosto a ekipeconômica de Temer viria com novo aperto no ajuste fiscal.
Uma família quando está em crise financeira a última coisa que corta é o quê? Alimentação, transporte. Na alimentação corta os jantares fora e o almoço de domingo no restaurante predileto. No transporte corta as corridas de táxi. Se cortar alimentos aos membros da família ficaram fracos, doentes e não conseguirão trabalhar ou seguir procurando emprego. O transporte idem.

Em geral, as primeiras despesas a suspender o pagamento são as financeiras. Não é? Cartão de crédito fica devendo. O empréstimo, o financiamento. Em dia apenas a luz, a água e aluguel, e olhe lá. Quando não para evitar o corte ou um despejo. A família procura outras formas de renda extraordinária, crédito e renda adicionais. Faz horas extras, aumenta o preço de algum serviço, faz trabalho por fora ou um bico, usa o cheque especial ou pede emprestado com alguém.

Pois não é? Pois não é assim com o Gooverno, com o Estado. Apesar dos economistas mercadistas tanto gostarem da parábola da família para explicar as finanças públicas não é assim que a banda toca, muito menos o jeito que eles mesmo recomendam.