quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A luta de classes na Direita Pós-Moderna: conceito e realidade

[Atenção: texto em construção!]

O ódio ao Marxismo e às Ciências Sociais


Ensaios sobre a Pós-Modernidade de Direita nº 15

por Almir Cezar Filho

O PT inventou o ódio de classe? O classismo atua na esfera política de forma a causar instabilidade? São perguntas que são afirmadas positivamente pela direita brasileiras, especialmente a de matriz pós-moderna. Ao longo desta série de ensaios identificamos que um dos aspectos mais comuns da Direita Pós-Moderna é um ódio ao Marxismo e às Ciências Sociais de maneira geral independente da escola teórica e uma das categorias epistemológica mais odiada é o conceito de luta de classes, a despeito de ser real ou não.

Os intelectuais e as classes políticas ao longo do tempo tiraram de "moda" toda uma série de conceitos para explicar a realidade.  Um dos mais afetados foi a luta de classes, ao ponto que até a Esquerda não usa mais. Contudo, não é porque tirou de moda a descrição da realidade que a realidade tirou de não existir mais. Em um passo seguinte, a própria necessidade de explicar a realidade.

O conceito de luta de classes apesar de disseminada na produção intelectual, política e científica marxista não lhe é original. Sua origem reside no Liberalismo Clássico e no paulatina cientificação dos conhecimentos da Política e da Economia, no entendimento que a jovem sociedade de forma burguesa, e mesmo as anteriores, se decompunham em termos objetivos em grupos classificados em termos da vinculação com o processo produtivo e/ou a propriedade e a renda.


O Liberalismo econômico e político se desenvolveram historicamente em duas grandes tradições hegemônicas, a Clássica, consolidada no final do século XVIII, fundadora do Liberalismo, e hegemônica no pensamento político; e a Neoclássica, consolidada no terceiro quarto do século XIX, hegemônica no pensamento econômico.

Apesar disso, algumas escolas do pensamento mais à Direita, que ser reivindicavam apesar disso liberais, sempre teve posições liberais não ou mesmo anticonvencionais, no limite de não ser classificado assim (mas com um forte liberismo), outros com conservadorismo com solidariedade econômica. Combinado a dois outros importantes aspectos relacionados às ciências sociais: primeiramente, uma forte crítica aos fundamentos e formalizações da Teoria Econômica, tanto de matriz Clássica como Neoclássica, e, em segundo lugar, um repúdio epistemológico às demais Ciências Sociais (Sociologia, Antropologia, Psicologia, Ciência Política, Geografia e História),

As demais ciências sociais é menor o peso paradigmático do Liberalismo, e maior do Socialismo ou do Reformismo social, ou de um Humanismo baseado na universalização de direitos sociais e da solidariedade econômica. Curiosamente, nessas ciências sociais o peso da Pós-modernidade se manifesta à Esquerda. E vem na Academia e na intelectualidade cultural e artística em geral ganhando amplo espaço ou até mesmo predominância. A Direita Pós-Moderna acusa essa hegemonia socialista e reformista nas ciências sociais de “Marxismo Cultural”, independentemente se a perspectiva metodológica marxista não ser hegemônica ou estar apenas parcialmente presentes. Portanto, o pensamento Pós-Moderno tem como um dos seus pilares ideológico o subjetivismo metodológico - um traço fundamentalmente comum no Pós-modernismo, mesmo o de esquerda.

O subjetivismo metodológico ajuda a dar outro contorno comum entre o Pós-modernismo: a recusa em aceitar teoricamente às divisões classificatórias entre os indivíduos em base a características objetivas,  como, por exemplo, classes sociais, como também a repulsa aos mecanismos de governança objetiva (p.ex., Estado, etc). Preferindo as divisões classificatórias subjetivas em base identitárias dos próprios sujeitos. Os meios e fins dos planos individuais têm sua origem na mente dos agentes, são imaginados e definidos pelas pessoas. É o "subjetivismo epistêmico": as expectativas, o conhecimento das preferências e as conjecturas são conhecimento falível e conjectural, imaginados pelos agentes; não sendo "dados" de antemão ao economista (e cientistas sociais em geral).

Coincidentemente, os intelectuais e as classes políticas tiraram de "moda" toda uma série de conceitos para explicar a realidade. Um dos mais afetados foi a luta de classes, ao ponto que até a esquerda não usa mais. A direita já havia abandonado a mais de um século. Em um passo seguinte, desapareceu a própria necessidade de explicar a realidade. Quando muito em "desconstrução". Contudo, por um lado, não é porque tirou de moda a descrição da realidade que a realidade tirou de não existir mais. Por outro, a palavra "construção" no latim significa "erguer pelo acúmulo". Há um esforço para edificarmos uma nova realidade. Por enquanto, pouca construção e muito acúmulo de vaias.

O Marxismo

Para o Marxismo o Capitalismo, além de antinatural e limitador do potencial humano, não morre por morte morrida, mas matada. Não há "colapso", muito menos pela superação passiva, ou pelo progresso natural ou pela reforma social.

Por sua vez, uma sociedade que supera positivamente o Capitalismo é socialista, embora as experiências de economias pós-capitalistas do século XX (URSS, etc) não tenham se completando, e ao contrário se degeneraram no tempo, rumando à beira do colapso. E mais do que o encerramento da economia estatizada e planificada, no fundo uma reversão ao capitalismo. Não a provando que o inviabilidade do Socialismo, apenas de que não deveria ter seguido ou deixado de seguir certos aspectos.

Por outro lado, considero o Marxismo uma ferramenta da luta anticapitalista, socialista. Uma teoria social, um método analítico e um programa político. Não considero o Marxismo em si dogmático, embora haja vários marxistas e organizações políticas que o sejam. É possível um Marxismo aberto a crítica e a contribuições de outras teorias, sem necessariamente cair em um desvio eclético.

Atualizado em 14 nov. 2016.

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