segunda-feira, 30 de abril de 2012

Fatores externos afetam política fiscal.Juros jogam dívida pública para R$ 1,836 tri em março


Juros jogam dívida pública para R$ 1,836 tri em março
Monitor Mercantil, 23/04/2012

A incorporação de juros e a alta do dólar fizeram a Dívida Pública Federal (DPF) aumentar quase R$ 20 bilhões em abril, mais 1,08% em relação ao R$ 1,836 trilhão de março. Segundo o Tesouro Nacional, a DPF encerrou mês passado em R$ 1,855 trilhão.
Dércio Munhoz, professor da UnB
Chamando a atenção para o crescimento da dívida acima da inflação, o economista Dércio Munhoz, da Universidade de Brasília (UnB), reclama da influência de fatores alheios à execução fiscal sobre a dívida. Munhoz, que já presidiu o Conselho Federal de Economia (Cofecon), defende que se trabalhe com a dívida bruta e não a líquida, como faz o governo.
"Se o salto do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) no BNDES aumenta, a dívida líquida cai. É um critério subjetivo. O saldo deveria ser de R$ 2,5 trilhões, que é o montante bruto, deduzido dos títulos em poder do Banco Central (BC), de cerca de R$ 500 bilhões", calcula.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

País precisa mudar modelo macroeconômico para melhorar inserção internacional

País precisa mudar modelo para poder adotar controle de capitais
Rogério Lessa 20/04/2012
entrevista Miguel Bruno/Ipea

Em discurso que fará neste sábado no comitê dirigente do FMI, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, dirá que o Brasil vai continuar intervindo nos mercados de câmbio e pode até recorrer a controles de capitais para conter o excesso de entrada de dólares no país. Ele pedirá reciprocidade ao FMI, que, segundo o ministro, endossou as políticas expansionistas dos países desenvolvidos e agora teria de fazer o mesmo em relação às medidas defensivas recentemente tomadas pelas economias emergentes.
"O governo vai continuar fazendo o que julgar necessário para conter os ingressos de capital excessivos e voláteis por meio de uma combinação de intervenção nos mercados de câmbio à vista e futuro, medidas macroprudenciais e controles de capital", diz Mantega no discurso encaminhado antecipadamente para a imprensa, sem especificar, no entanto, que tipos de controles de capital o governo pode adotar.
O ministro da Fazenda defende também que as medidas recessivas tomadas pelas economias avançadas, sobretudo a Alemanha, estão reduzindo o crescimento nas economias emergentes. Em outras palavras, pede que o governo alemão gaste mais.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

1o Congresso da CSP-Conlutas




CSP-Conlutas já é parte da tradição do movimento sindical e popular do país
 

O I Congresso da CSP-Conlutas vai ser a síntese de quase oito anos de uma nova experiência de organização da classe trabalhadora

Jornal Opinião Socialista - Da redação







Detalhe do Conat, em 2006

• Onze de dezembro de 2003. No primeiro ano do mandato do primeiro operário eleito presidente no país, a reforma da Previdência contra os servidores públicos é finalmente aprovado em segundo turno no Senado, apesar dos contundentes protestos da categoria. Uma vez no governo, Lula fazia o que sempre criticava, como ajuste fiscal e acordo com o FMI. E pior, com a ajuda da Central Única dos Trabalhadores, a CUT.

A CUT, construída no calor do ascenso operário do final da década de 1970 e início dos 1980, deixava de ser um instrumento de luta e organização da classe trabalhadora para se tornar mera correia de transmissão do governo no movimento de massas. A nomeação do ex-presidente da entidade Luiz Marinho para o Ministério do Trabalho, em 2005, deixou ainda mais clara essa relação. A posse do governo do PT marcava assim o início de um processo de uma nova reorganização no movimento sindical do país.


Sindicatos e ativistas combativos começavam a olhar com ceticismo a CUT e iniciava-se um movimento de dispersão. Frente a esse processo objetivo, tornava-se necessário impedir a desagregação dessas forças e preparar os trabalhadores para novas batalhas. As reformas Sindical e Trabalhista estavam na pauta do governo e eram exigidas pelo conjunto da burguesia.

terça-feira, 24 de abril de 2012

O modelo chinês ameaçado pela crise e pelo ascenso operário


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greve recente na fábrica da Panasonic
Liga Internacional dos Trabalhadores - Há pouco mais de três décadas, a burocracia do então Estado operário da China iniciou a implantação do "capitalismo com características chinesas".
Deng Shiao Ping, após feroz luta interna contra a ala da burocracia conhecida pejorativamente como a gangue dos quatro – que se dizia herdeira dos ideais maoistas e da continuidade da revolução cultural – institui as "quatro modernizações".

Era a senha para a abertura ao capital estrangeiro, a privatização das estatais e a introdução dos mecanismos de mercado na economia. Em outras palavras, a restauração capitalista de um Estado operário que tinha possibilitado avanços incríveis a uma população eminentemente agrária em estado permanente de miséria e à sua classe operária, apesar das desastrosas políticas impostas por Mao.

O que não mudou foi a manutenção férrea da ditadura, agora burguesa, baseada no Exército do Povo e no sistema de partido único – o Partido Comunista da China (PCCh). Foi assim em 1989, quando um processo revolucionário que exigia democracia, o fim da corrupção e sindicatos livres terminou em banho de sangue na Praça Tiananmen.


Para vergonha de todos os revolucionários, esta ditadura a serviço do capital ainda se denomina "comunista" dirigindo um "socialismo de mercado", manchando nossa bandeira socialista.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Crise abriu UE a ataque ao Estado social. Ataque agrava crise.

Ataque a Estado social agrava crise da UE
Monitor Mercantil, 13/04/2012

"Esta crise parece encomendada para dissolver o Estado de bem-estar social. Os europeus só cederiam diante de um quadro de desemprego dramático como o atual." O comentário é da economista Denise Gentil, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sobre a a nova ofensiva do Fundo Monetário Internacional (FMI) contra a Previdência, na qual assegura até que "viver mais é bom, porém, leva a um risco financeiro importante". 

No texto base a ser debatida na cúpula semestral, o FMI apresenta o conceito de "risco longevidade". Segundo o FMI, se o tempo de vida médio crescer três anos além do previsto para 2050, o "custo do envelhecimento" aumentaria 50% nas economias avançadas, tendo como referência o PIB de 2010. Para os emergentes, avançaria 25%.

domingo, 22 de abril de 2012

Preparação do 1° Congresso da CSP Conlutas

Valor-trabalho e desenvolvimento econômico, um comentário pessoal sobre minhas pesquisas

por Almir Cezar

É um prazer saber que o blog Limiar & Transformação, e em especial meus artigos, têm leitores regulares, e ainda mais saber serem de alto nível. Nos artigos sigo tentando sintetizar temas que venho trabalhando nos últimos anos, uma investigação sobre desenvolvimento sócio-econômico, crise e dinâmica capitalista de longo prazo, que por sua vez, se desdobram ou envolvem a crise e acumulação capitalista, a reação, luta e revolução proletária, o capitalismo monopolismo e o  Estado, a acumulação primitiva e o valor-trabalho. Um desses temas incluí justamente a relação entre o valor-trabalho e o desenvolvimento capitalista nacional, os seus determinantes e tendências.

O blog Limiar & Transformação é um espaço de edição coletivo, não é um espaço de pretensão intelectual. Os artigos, matérias e entrevistas selecionados no blog apenas tentam sugerir rumos e temas aos leitor em que frequentemente a esquerda intelectual e militante tem uma resposta lenta ou deficiente. Por sua vez, os artigos de minha própria autoria são apenas reflexões ainda embrionárias sobre rumos e temas, nada muito acabado, apenas rascunhos a eventuais futuros artigos - por isso mesmo, muitas vezes sua redação aparece confusa (o qual me desculpo aos leitores), ou estão sempre sendo reescritos ou reeditados.

Em minhas pesquisas me debruço no estudo bibliográfico dos grandes teóricos envolvidos no debate soviético sobre dinâmica capitalista e desenvolvimento sócio-econômico, em especial Leon Tróstki e Eugeni Preobrazhenski. E de maneira subsidiária autores marxistas da Teoria Marxista da Dependência (destacam-se Theotonio dos Santos, Ruy Mauro Marini e Vania Bambirra) e a Teoria dos Sistema-mundo (destacam-se Immanuel Wallerstein, Giovanni Arrighi, Samir Amin) e na Escola da Regulação Francesa (destacam-se Michel Aglietta e Robert Boyer).

sábado, 21 de abril de 2012

Festa do aniversário de Brasília - Programação

Neste fim de semana é aniversário de Brasília. Com o teu, meu e nosso imposto, o GDF organizou uma imensa e cara festa - o mesmo governo que diz que não tem grana pra pagar o aumento dos professores, metroviários, policiais, etc. Porém, como diz popularmente: "já tá pago...", então é pra gente aproveitar. Também como diriam "é tudo nosso". Para animar a galera do DF a ir aos eventos vai aí em baixo a programação. São vários palcos na Esplanada, para todos os gostos.



sexta-feira, 20 de abril de 2012

Servidores Federais farão paralisação nacional em todo o serviço público no dia 25 de abril


O movimento paredista é uma resposta, e advertência, ao governo pelo descaso em relação à pauta de reivindicações da categoria e o protesto contra as privatizações no setor público federal



Paulo Barela, da Executiva Nacional da CSP-Conlutas

 

Jornal Opinião Socialista
  Ag Brasil
 
    Protesto dos servidores em Brasília, dia 28 de março

• O governo Lula aprovou no ano passado a privatização dos Hospitais Universitários, criando a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) e, neste ano, o governo de Dilma Rousseff também conseguiu aprovar a privatização da previdência do servidor público, acabando com a integralidade e criando o FUNPRESP, que nada mais é do que um fundo complementar de previdência privado, ao qual o servidor vai ter que recorrer para complementar seu salário após a aposentadoria.

Não bastassem esses ataques, desde 2008 não há recomposição nos salários, e mesmos os acordos firmados com algumas categorias no ano passado, ainda não foram aprovados no Congresso Nacional. Ou seja, com os governos petistas é assim: chumbo grosso para cima dos servidores federais; congelamento dos salários, privatização na saúde e previdência e retirada de direitos!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Apesar das ameaças da Espanha e da UE nacionalização da petrolífica YPF não prejudica em nada o Brasil e o Mercosul


Apesar das ameaças da Espanha e da UE nacionalização da petrolífica YPF não prejudica em nada o Brasil e o Mercosul. A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, decidiu nacionalizar a petrolífera YPF, controlada pela espanhola Repsol. Em projeto ao Congresso, ela decreta de "interesse público nacional" o setor petrolífero. E determina que, das ações da empresa, 51% serão retomadas pelo Estado argentino e 49% serão distribuídas pelas províncias. O projeto começará a ser debatido pelo Senado. A decisão foi anunciada no último dia 16 por Cristina Kirchner que assinou decreto pedindo urgência na tramitação do projeto de lei no Congresso. Ela disse ainda que por 30 dias a empresa YPF ficará sob intervenção do governo e responsabilidade do ministro do Planejamento da Argentina, Julio de Vido. 
 
O governo argentino alega que a empresa Repsol, que administra a YPF, cometia uma série de irregularidades, como violações ao meio ambiente. As autoridades informaram que não pagarão o valor exigido pelos empresários espanhóis pela expropriação.

A iniciativa da Argentina gerou uma série de contestações na Espanha. As autoridades espanholas condenaram a medida e prometem reagir, inclusive levar o caso à Justiça internacional. Para as autoridades, a decisão ameaça a relação de cordialidade entre os dois países.O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, tentará o apoio político na América Latina para reverter a decisão. 

Informações das últimas semanas já sugeriam que o governo argentino está considerando algum tipo de intervenção estatal na YPF SA, ex-estatal argentina de petróleo e gás na qual a Repsol tem participação controladora. Informes haviam sugerido que a presidente argentina Cristina Kirchner anunciaria algum tipo de ação em relação à YPF. A Espanha começou a exercer pressão diplomática sobre a Argentina na sexta-feira, em meio à contínua incerteza sobre os planos do país latino-americano para a subsidiária local da Repsol YPF, a principal petrolífera da Espanha.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Abril Vermelho: Recursos do MDA foram os menores dos últimos 7 anos

por Almir Cezar

O orçamento executado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) em 2011 foi o menor dos últimos sete anos, segundo levantamento do site Contas Abertas. O número reforça o argumento do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), que realiza neste mês uma série de protestos pela Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, também conhecida por “Abril Vermelho”, em que realizou ocupações e atos em mais de 20 estados, cujo ápice foi a ocupação por um dia da sede do MDA na Esplanada dos Ministérios.

No ano passado, o MDA gastou R$ 3,8 bilhões, ou 63,5% dos R$ 6,1 bilhões previstos. Comparativamente, nos anos de 2010, 2009, 2008 e 2005 os valores chegaram ao máximo de R$ 4,7 bilhões. Em 2006, o ministério desembolsou R$ 6,2 bilhões e, em 2007, R$ 5,4 bilhões.De acordo com o levantamento, o montante de recursos aplicados influencia no número de famílias assentadas. Em 2006, ano de recorde na aplicação das verbas, foi registrado o melhor índice de famílias assentadas: 136.358. No ano passado, de verbas menores, somente 22.021 famílias foram assentadas pelo governo federal – o menor índice registrado nos últimos 16 anos (veja tabela).

terça-feira, 17 de abril de 2012

Dilma quer desviar R$ 156 bi para pagar juro. Aperto para 2013 é R$ 50 bi maior que a soma do orçamento de Saúde e Educação

Dilma quer desviar R$ 156 bi para pagar juro
Monitor Mercantil, 13/04/2012

Aperto para 2013 é R$ 50 bi maior que a soma do orçamento de Saúde e Educação 
Miriam: possibilidade de ‘salvar’ R$ 45 bi do aperto

Apesar de a economia continuar a patinar, a presidente Dilma Rousseff ainda resiste a reduzir o desvio de recursos da economia para gastar com juros (superávit primário) para 2013, definido em R$ 155,9 bilhões. O montante, que equivale a 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado para o ano que vem, é R$ 50,4 bilhões maior que a soma do orçamento da Saúde (R$ 72,110 bilhões) e da Educação (R$ 33,361 de bilhões) para 2012, após o corte de R$ 55 bilhões imposto ao Orçamento. 

Para este ano, a previsão é desviar R$ 140 bilhões - quase duas vezes o orçamento da Educação - para a gastança com juros. Os dados fazem parte do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o 2013, encaminhado ao Congresso Nacional.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Câmbio valorizado gera inflação, entrevista com Nakano

Como o câmbio impacta a inflação, por Nakano

Nakano: “Câmbio valorizado gera inflação”

Por Bruno de Pierro, no Brasilianas.org - Da Agência Dinheiro Vivo 
Não apenas a indústria brasileira tem sofrido com a valorização do real. O processo de apreciação do câmbio também está contribuindo para o aumento da inflação, ao favorecer setores no tradables, principalmente o de serviços, que não sofrem concorrência direta e nem exportam. Diferente da indústria, que competem com os importados, e por isso são forçadas a reduzir os preços, é no setor de serviços que se verifica o motor da inflação. A avaliação é do economista e diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Yoshiaki Nakano, para quem os modelos de apreciação do câmbio e da taxa básica de juros, a Selic, já chegaram à exaustão. O motivo principal está no fato de não serem mais bons instrumentos para o controle da inflação. 

Em entrevista ao Brasilianas.org, o ex-secretário da Fazenda do Estado de São Paulo explica que, da mesma forma que a apreciação da moeda, no Brasil, está apenas transferindo o problema da inflação para o setor de serviços - e por isso não deve mais ser utilizada -, a taxa Selic deve ser abolida, uma vez que não se sustenta mais como sistema.

“É sobra de caixa, e não investimento o que o Banco Central tem que captar. Investimento tem que ser captado pelo Tesouro, no mercado de títulos de longo prazo, que não existe, pois o banco central não deixa criar. Então, é esse sistema que precisa ser mudado. Enquanto não mudar isso, a taxa de juros Selic vai cair, bater no máximo 8%. Abaixo disso, você vai criar uma confusão no mercado financeiro”.

Além disso, Nakano aponta que a Selic não tem mais efeito para o consumidor final. Para ele, o efeito está no câmbio, que atrai recursos especulativos. “Não importa se entra com o nome de investimento direto; entra no curto-prazo”, afirma. Confira abaixo a entrevista na íntegra, na qual o economista ainda fala sobre as mudanças na caderneta de poupança e as reduções das taxas da Caixa Econômica Federal e do banco do Brasil.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Indústria tem pior março desde 2006 e reduz projeção de crescimento do ano

O setor industrial brasileiro tem pior março em 6 anos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduz projeção de crescimento do setor industrial para 2%. Indústria de São Paulo corta 4,5 mil vagas e tem pior resultado para março desde 2006. Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) emprego na indústria cai em 8 dos 14 locais pesquisados em fevereiro. Em março, 4,5 mil pessoas foram demitidas nos setores investigados; segundo Fiesp, tendência é que índice encerre ano com resultado negativo. Com juro alto e real forte setor não decola, não adiantando incentivos fiscais do governo.

Indústria tem pior março em 6 anos
Monitor Mercantil, 12/04/2012 

ECONOMISTA LEMBRA QUE ATÉ EUA REVITALIZAM MANUFATURA E DIZ QUE COM JURO ALTO E REAL FORTE SETOR NÃO DECOLA
Em março foram fechadas 4,5 mil vagas na indústria paulista, queda de 2,1% sobre o mesmo mês de 2011. Foi o pior resultado desde 2006. Em relação a fevereiro, o desemprego cresceu 0,18%.
E, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a tendência é 2011 fechar com resultado negativo.

"Está cada vez mais evidente que é uma enorme bobagem dizer que a perda de participação da indústria é algo natural. Competitividade, produtividade, carga tributária tudo não passa de retórica. O problema está no câmbio valorizado e nos juros altos", analisa o economista Claudio Salm, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acrescentando que os entraves macroeconômicos estão "ameaçando o futuro do país".

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Tróica impõe rendição à Grécia ao capital internacional

O pacote de ajuste econômico imposto à Grécia pela "tróica" - FMI, UE e Banco Central Europeu, contém garantias aos empréstimos, que além de violar a soberania nacional, ferem a soberania democrática, e suas cláusulas "exóticas", estão explicitamente a serviço do grande capital financeiro internacional.

Rendição
FATOS & COMENTÁRIOS - Marcos Oliveira e Sergio Souto - 03/04/2012
Entre os itens do pacote imposto pela tróica - FMI, União Européia e Banco Central Europeu (BCE) - à Grécia, está a garantia de que "o governo não proporá nem implementará medidas que possam infringir as regras da livre movimentação de capitais. Nem o Estado, nem outras entidades públicas, concluirão acordos de acionistas com a intenção ou o efeito de obstaculizar a livre movimentação de capitais ou influenciar a administração ou controle das empresas. O governo não iniciará nem introduzirá quaisquer limites de participação votante ou aquisição, e não estabelecerá quaisquer direitos de veto desproporcionais ou não justificáveis, ou qualquer outra forma de direitos especiais nas companhias privatizadas".

Rendição - 2
Mas os termos do "Memorando de Entendimento" chegam a detalhes inimagináveis, como a exigência de redução de gastos com remédios e "a suspensão das limitações para os varejistas venderem produtos de categorias restritas, como alimentos infantis".

Rendição - 3
Os termos impostos à Grécia são tão draconianos que até o colunista financeiro do londrino Daily Telegraph Ambrose Evans-Pritchard alertou em sua coluna: "A política não pode controlar o consenso democrático ao longo do tempo. O Partido Pasok, outrora dominante, desabou para 8% nas pesquisas. O apoio (popular) está se dividindo entre a extrema-esquerda e a extrema-direita, exatamente como a Alemanha de Waimar sob a deflação."
E continuou: "O próximo Parlamento grego será recheado com incendiários antimemorando e qualquer tentativa das elites gregas de evitar que as eleições ocorram deve empurrar os protestos de rua no rumo da revolução."

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Austeridade seletiva na Espanha

A forte crise econômica que atinge a União Européia, em destaque os países do conjunto chamado de PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha), que vem assumindo a forma de crise fiscal, e remediada incorretamente por meio de ajuste fiscal, chamada de política "austeridade". Curiosamente esse ajuste fiscal tem "dois pesos, e duas medidas", uma para os trabalhadores e outra para a burguesia.

Austeridade seletiva
Marcos Oliveira e Sergio Souto - FATOS &COMENTÁRIOS - 30/03/2012

Ao mesmo tempo em que busca facilitar as demissões num país em que o desemprego já atinge 23% da população economicamente ativa, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, anuncia uma anistia fiscal que beneficiará 25 bilhões de euros sonegados o Tesouro espanhol. Com o perdão de impostos e multas, o mesmo governo que defende austeridade para seus assalariados se limitará a arrecadar 2,5 bilhões de euros, ou 10% do devido pelos fraudadores.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

BC reduz juros básicos, mas bancos ampliam seus ganhos nas operações

Extrema oligopolização do setor bancário, altíssimas margens de lucros e ênfase da atuação nas operações com os rentáveis títulos da dívida pública explicam porque não é surpreendente a não redução da taxa de juros ao consumidor apesar da redução da Selic pelo Banco Central. O que os bancos fizeram foi ampliar seu spread (diferença entre a taxa básica e ao consumidor), engordando seus lucros.

BC reduz juros básicos, mas bancos ampliam seus ganhos nas operações
 

SÃO PAULO. Mesmo com a queda dos juros básicos da economia (Selic) e a forte expansão do crédito nos últimos anos, os bancos brasileiros resistem em reduzir os spreads (diferença entre a remuneração que pagam aos investidores e o que cobram nos financiamentos aos clientes) e, pior, eles vêm aumentando as margens de ganho sobre empréstimos. É o que mostra estudo exclusivo da consultoria Austin Rating.

Com base em informações do Banco Central, a Austin identificou que, enquanto a Selic caiu de 18% ao ano, em dezembro de 2005, para 10,25% em fevereiro deste ano, os spreads médios nos bancos variaram de 28,6 para 28,4 pontos. No entanto, a fatia que vai para o caixa dos bancos (margem líquida) subiu de 29,64% para 32,73%.

quarta-feira, 4 de abril de 2012