sábado, 25 de fevereiro de 2012

Juro alto e cortes mudam patamar de crescimento para 2012


Juro alto e cortes mudam patamar de crescimento do país
Para economista, média da elevação do PIB já está abaixo dos últimos anos
Monitor Mercantil -17/02/2012

"Embora não tenha voltado aos "vôos de galinha", o Brasil já está crescendo em patamar inferior à média dos últimos anos." A opinião é do economista José Luiz Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB), que há muito alerta para o processo de desindustrialização em curso no país.

Essa percepção é reafirmada, na opinião do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi), que chama atenção para o pífio desempenho da indústria no ano passado (0,3%) em relação às vendas do comércio varejista (6,7%, segundo o IBGE).

Para o Iedi, "a concorrência com o produto importado se torna cada vez mais desigual devido a condições internas francamente adversas, como por exemplo, nas áreas cambial e tributária". Isso faz com que até a produção de bens de consumo não duráveis, "que deveriam se beneficiar largamente da evolução do poder de compra da população brasileira", declinasse 0,7%.

Mesmo a expansão do comércio, destaca o Iedi, apresentou desaceleração, após crescer 10,8% em 2010. "Aumento de juros, corte de gastos e, especialmente, as medidas macroprudenciais na área do crédito foram as ações que levaram ao resultado", diz o Iedi. O instituto ressalva que, ainda assim, o comércio teve evolução significativa em 2011.

"É possível que a desaceleração do varejo em 2011 tenha seqüência em 2012, quando se espera que o quadro negativo da economia mundial restrinja o crescimento econômico brasileiro", alerta o Iedi, pouco depois de o governo anunciar corte de R$ 55 bilhões no Orçamento.

Oreiro, porém, observa que, "embora o Orçamento brasileiro seja uma peça de ficção", o país vive uma mudança estrutural que manterá a arrecadação em alta. "O crescimento da receita cobrirá o corte orçamentário. A formalização está inflando as receitas, que, sistematicamente, vêm crescendo acima do PIB", salienta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário