quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Crise das dívidas: colapso dos estados nacionais, crepúsculo dos EUA e ascensão dos agentes financeiros?

por Almir Cezar

O que explicaria as crises das dívidas e rebaixamento dos títulos dos EUA: o colapso dos estados-nacionais? Um crepúsculo dos EUA? A ascensão dos agentes financeiro? Catastrofismo à parte, a crise econômica mundial, cujo epicentro foram os EUA, manifestou alguma coisa, ou dará origem algo, para esse país. Para alguns autores seria a manifestação de uma suposta crise terminal de sua hegemonia no sistema mundial, para outros a crise demonstrou que há outros atores no sistema, com papel tão ou mais importantes, não apenas dos EUA, mas até mesmo que os estados-nacionais [ para uma mostra desse pensamento veja artigo jornalístico ao final ].

O mais certo, é que a crise mundial iniciada em 2008, transubstanciada em crise das dívidas públicas, cujo epicentro foi e o são os EUA, evidência (ou provoca) fortes transformações no sistema mundial capitalista, e em especial o papel do seu centro hegemônico (os EUA) e dos Estados Nacionais. O capital, principalmente o capital financeiro, bancário e fictício, superou os Estados Nacionais, por um lado, tornando-os uma espécie de 'leito de Procusto', um limite, um obstáculo à acumulação, e por outro lado, constituindo novos agentes com papéis tão ou mais fortes, como os fundos de investimento, as agências de rating, os "mercados".

Se há ou não o fim da hegemonia estadunidense, tão proclamada por vários teóricos - analogamente a crise iniciada em 1929 que evidenciou a o crepúsculo da Grã-Bretanha e França na centralidade do sistema - um discurso que se proclama aos EUA desde o segunda metade da década de 1970, um momento em que sua centralidade realmente passava por severos reveses. É verdade, que o padrão de desenvolvimento capitalista constituída entre as décadas de 1980/2000 inaugurou um novo papel aos estados-nacionais, inviabilizando várias de suas instituições e funções, sendo portanto natural que o mesmo tenha acontecido com o mais forte estado-nacional da atualidade, os EUA.

De fato, as crises não são momentos de mudança, de transformação, mas sim, momentos em que as transformações se assentam, se consolidam todas de um vez só, de maneira traumática e intempestiva. Assim, a crise reafirmou os EUA como centro do sistema mundial capitalista, mas marcou talvez como seu último grande movimento, ato, nesse papel. Um novo papel se delineia para ele, não menos central, mas não mais o mesmo daquele ganho desde o pós-Segunda Guerra, e fortelecido após o colapso da URSS. Não só outros tipos de atores, mas novos atores de velho tipo (estados-nacionais), ganharam importância, vide China e os BRICSs em geral, etc.

Dessa maneira, a crise de 2008 não se parece com a crise de 1929 (embora, vale lembrar que apesar de ter sido este ano sua data de inauguração, para a Europa a seu marco inicial foi em 1931, data da falência do banco austríaco Creditanstalt que precipitou dali uma forte crise financeira, que rapidamente contaminou a agricultura e a indústria). Mas com duas outra crises econômicas muito menos lembrada, mas tão importantes, a crise de 1878, e talvez uma outra ainda mais parecida, a crise de 1911/13, às vésperas da Grande Guerra, uma crise muito menos conhecida pelo público, e frequentemente negligenciada até pelos estudiosos. Cuja primeira mostrou o forte papel do capital financeiro (os bancos de investimentos, as sociedade anônimas, os trutes, etc) e ascensão enquanto potência da Alemanha e dos EUA, e a segunda, a que iniciou a trajetória de ruptura da primazia da hegemonia da Grã-Bretanha, e forçou ao sistema à primeira guerra interimperialista. E mesmo o fim dessa primazia ainda passou pelas várias décadas do pós-Segunda Guerra com  dezenas de guerras de descolonização.

Talvez seja esse o pior dos riscos à Humanidade. E na lista de desgraças criadas pelo grande capital (e infelizmente, todas já apareceram na atual crise), a última a eclodir, sinistramente a única ainda não a aparecer. Daí uma conclusão importante, enquanto houver o Capitalismo, de crise em crise, à Humanidade seguirá o mesmo e sinistro caminho. O Capitalismo não morre de morte morrida, mas de morte matada. Caberá ao proletariado em nome da Humanidade ser seu algoz, e pôr fim a esse teatro do absurdo com seus atores bizarros.

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Ao alvorecer do século XXI, EUA mergulham no crepúsculo
Estados caem, crescem os mercados, as agências de rating...



Monitor Mercantil, 19/08/2011 - Laura Britt, Sucursal da União Européia

Zurique - Ninguém pode saber com certeza a avaliação final dos dias que o mundo vive e que será aferida pelos historiadores. Um observador atento das evoluções internacionais poderá, unicamente, registrar que os dias atuais estão extremamente carregados por acontecimentos de importância simbólica que há apenas algum tempo pareciam quase incompreendidos.

Como o ocorrido na primeira sexta-feira deste mês, quando - pela primeira vez em sua história - os EUA perderam seu triplo A, a classificação máxima da capacidade de endividamento, pela agência internacional de rating Standard &Poor"s, que comportou-se em Washington como se estivesse em Atenas.

Esta decisão registra a reversão da correlação de forças mundialmente: Já os Estados, mesmo que não sejam superpotências, desempenham papel secundário no "como se faz com a economia" e, agora, infelizmente, para as sociedades e os povos, predominam novos players, como os mercados, as agências internacionais de rating, os vários fundos de hedge e alguns outros.

E não foi por acaso que, na segunda-feira, dia 8 deste mês, o presidente dos EUA, Barack Obama, tentou com seu discurso aliviar e tranquilizar as impressões gerais, enquanto, simultaneamente, Wall Street mergulhava no abismo.

A desvalorização da economia norte-americana, em sintonia com o anêmico crescimento e o espectro de queda dupla batendo em sua porta, constitui - além da "primazia" - também o fim de uma época inteira para os EUA, assim como para o restante do mundo do período da toda poderosa Washington. Uma nova, desconhecida até então, realidade.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Governo anuncia aumento do superávit e cortes de mais R$ 10 bi

Governo anuncia aumento do superávit e cortes de mais R$ 10 bi. Opção aplicada por Dilma/Mantega é ampliar aperto e travar ainda mais a economia. Gasto com juro é o triplo do aumento do aperto fiscal. Medida visa “preparar” o país para a recessão internacional que se desenha. Apesar das insistentes declarações de que o Brasil estava hoje mais preparado para uma crise econômica internacional, Com ampliação, arrocho já chega a R$ 91 bi - 62% da soma de Saúde e Educação.

Gasto com juro é o triplo do aumento do aperto fiscal
Monitor Mercantil, 29/08/2011


Com ampliação, arrocho já chega a R$ 91 bi - 62% da soma de Saúde e Educação

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta segunda-feira que a meta de superávit primário do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) aumentará de aproximadamente R$ 81,8 bilhões para cerca de R$ 91 bilhões este ano.

Este total equivale a 61,6% da soma do Orçamento da Saúde (R$ 77 bilhões) com o da Educação (R$ 69 bilhões) para todo o ano de 2011. Além disso, este ano, o governo já torrou R$ 138 bilhões com pagamento de juros, contra R$ 109 bilhões em igual período de 2010.

Esses R$ 29 bilhões a mais entre um ano e outro equivale ao triplo do aumento do superávit primário.

"A parte do governo federal é aproximadamente R$ 81 bilhões. Eu estou anunciando um aumento para R$ 91 bilhões de (superávit) primário a ser realizado em 2011. Ou seja, (quase) R$ 10 bilhões a mais de resultado primário que nós vamos cumprir em 2011", disse Mantega.

O anúncio foi feito em entrevista no Ministério da Fazenda, após a reunião do Conselho Político, no Palácio do Planalto. No encontro, as mudanças foram apresentadas aos líderes de partidos da base aliada do governo no Congresso Nacional.

A única forma de o aumento do aperto não reduzir ainda mais o ritmo da economia brasileira - já em desaceleração pela nova escalada do aumento da taxa básica de juros (Selic) e das medidas de restrição fiscal - é se ele vier pelo não uso do excedente da arrecadação para estimular a economia.

Mantega destacou que o ajuste não se dará à custa de cortes adicionais. O governo já sinalizara a adoção de mudanças na política fiscal. Na última sexta-feira, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, antecipara que um resultado fiscal forte supostamente abriria "um espaço interessante" para a redução das taxas de juros, apesar de a trajetória do país nas últimas duas décadas e meia em nenhum momento tenha confirmado isso.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

(Humor) Prioridades do Governo Dilma

Prioridades do Governo Dilma


Charge do cartunista Latuff ironizando a distribuição percentual desigual dos recursos do Orçamento da União.


A prioridade realmente não é com as necessidades dos trabalhadores.

Ipea registra desenvolvimento instável

Estudo do IPEA registra através do indicador IQD (índice de qualidade de desenvolvimento) que o padrão de desenvolvimento do Brasil é instável. Apenas confirma que o padrão de desenvolvimento dependente produz, que a trajetória de desenvolvimento se dá de maneira oscilante.

Ipea registra desenvolvimento instável
Agência Brasil - 24/08/2011

O desenvolvimento brasileiro apresenta instabilidade, diferentemente do bem-estar da população, de acordo com estudo mensal divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A entidade divulgou nesta quarta-feira o Índice de Qualidade do Desenvolvimento (IQD), que registrou em maio queda para 264,94 pontos, contra 267,75 registrados em abril. A escala do indicador indica ótimo desempenho quando se situa entre 400 e 500 pontos; bom, de 300 a 400; instável, de 200 a 300; ruim, de 100 a 200; e péssimo, de 0 a 100.

O IQD se baseia em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Fundação Getulio Vargas (FGV), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e do Banco Central (BC), entre outros. O indicador é composto pelo Índice de Crescimento Econômico, que atingiu 254,5 pontos em maio, pelo Índice da Qualidade do Bem-Estar, que ficou em 333,33 pontos, e pelo Índice de Inserção Externa, que registrou 222,97 pontos. Este último indicou maior quantidade de recursos remetidos ao exterior do que o ideal, e investimento de moeda externa no setor produtivo abaixo do quantitativo usado como aplicação especulativa no país.

Os dados colhidos pelos pesquisadores do Ipea mostram que as exportações de manufaturados caíram em maio 2,6% em relação a abril e que houve estabilidade na taxa de desemprego. Já a taxa de pobreza subiu 0,3% no período. O número de trabalhadores com renda superior a R$ 1.660 caiu 1,3% e houve redução de 0,4% na proporção de trabalhadores formais comparada ao total da força de trabalho no país.

Leia a íntegra da 5ª edição do Índice de Qualidade do Desenvolvimento

domingo, 28 de agosto de 2011

OlimpiLeaks


OlimpiLeaks é uma ação que pretende tratar dos imPACtos dos mega eventos sobre a população (pobre) do RJ, com um foco específico no caso das remoções populares. Em um primeiro momento, a ideia é partir do acervo o ex Núcleo de Terras da Defensoria Pública, que acompanhou este processo de perto e, por isso, foi "desmontado".


Vamos tentar sistematizar todas fotos, petições e outros documentos que relatam em minúcia todo processo de como se está preparando a cidade para a Copa e as Olimpíadas. 

Parte dos documentos ainda não foram digitalizados, para isto marcamos um mutirão para organizar/digitalizar oque falta, discutir sobre o calendário de publicação dos materiais,produção de conteúdos derivados dos materiais (convidando a mídia independente e coletivos de comunicação alternativa do Estado) e outros assuntos.

Vinte anos para mudar o mundo

Artigo do sociólogo Immanuel Wallerstein, um dos grandes expoentes da Ciências Sociais contemporânea e um dos pais da teoria do Sistema-Mundo. O autor associa a crise econômica mundial atual, cujo centro é a economia dos EUA, ao declínio deste enquanto centro hegemônico do sistema capitalista mundial.

Vinte anos para mudar o mundo
 por Immanuel Wallerstein
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/VINTE+ANOS+PARA+MUDAR+O+MUNDO_1595.shtml

Há uma década, quando eu e alguns outros falamos do declínio dos Estados Unidos no sistema-mundo, fomos recebidos no máximo com sorrisos de pena por nossa ingenuidade. Os EUA não eram o superpoder, envolvidos em cada canto remoto do planeta, capazes de obter o que queriam em quase todas as ocasiões? Essa era uma visão difundida em todo o cenário político.

Hoje, a visão de que os EUA declinaram, e declinaram seriamente, é uma banalidade. Todos dizem isso, com exceção de alguns políticos norte-americanos que temem ser culpados pela decadência, se a debaterem. O fato é que hoje quase todos acreditam na realidade desse declínio.

O que, entretanto, é muito menos discutido é quais foram, e quais serão as consequências mundiais desse fato. O declínio tem raízes econômicas, é claro. Mas a perda do quase-monopólio de poder geopolítico, que os EUA já exerceram, tem consequências políticas importantes em todo o mundo.

Vamos começar com uma história contada na seção de negócios do The New York Times em 7 de agosto. Um administrador de fortunas em Atlanta “apertou o botão de pânico” em nome de dois clientes ricos que o encarregaram de vender todas as ações e investir o dinheiro em algum fundo mútuo de alguma maneira isolado da crise. O administrador contou que, em 22 anos de trabalho, nunca tinha ouvido um pedido desses. “Isso não tem precedentes”. Os jornais chamaram a decisão de o equivalente de Wall Street ao “botão nuclear”. Foi algo inteiramente contra o conselho tradicional santificado, de “evitar o pânico” diante das turbulências do mercado.

A Standard & Poor`s reduziu o rating de crédito de dos EUA de AAA para AA+, outro fato “inédito”. Mas isso é uma ação relativamente leve. A agência equivalente na China, Dagong, já reduziu a credibilidade dos EUA para A+ em novembro, e agora para A-. O economista peruano Oscar Ugarteche declarou que os EUA tornaram-se uma “república de bananas”. Ele diz que o país “escolheu a política da avestruz, como modo de não perder as esperanças [de melhora]”. Em Lima, nessa última semana, o encontro dos ministros de Finanças dos países sul-americanos discutiu medidas urgentes para isolar a região dos efeitos do declínio econômico dos EUA.

O problema que todos enfrentam é que é muito difícil isolar-se dos efeitos do declínio dos EUA. Apesar da severidade de seu declínio político e econômico, os EUA continuam um gigante no cenário mundial, e qualquer coisa que acontecer lá ainda provoca grandes ondas no resto do mundo.

É claro que o maior impacto do declínio é, e vai continuar sendo sentido, nos próprios EUA. Políticos e jornalistas estão falando abertamente da “disfuncionalidade” da situação política no país. Mas o que mais essa situação pode ser, além de disfuncional? O fato mais elementar é que os cidadãos dos EEUA estão chocados pelo simples fato do declínio. Não é apenas que os estejam sofrendo materialmente com esse declínio, temam sofrer ainda mais, com o tempo. Eles acreditaram que os EUA eram a “nação escolhida”, designada por Deus ou pela história para ser um modelo para o mundo. E ainda ouvem o presidente Obama assegurar que seu país será sempre um “triplo A”.

O problema para Obama e para todos os políticos é que muito poucas pessoas ainda acreditam nisso. O choque para o orgulho e a auto-imagem nacional é formidável e além de tudo repentino. O país está lidando muito mal com ele. A população busca bodes espiatórios e esbraveja, de modo selvagem e pouco inteligente, contra os suspeitos de sempre. A última esperança parece ser a de descobrir que alguém é culpado e ver, como remédio, mudanças no comando.

Em geral, as autoridades federais são vistas como as mais fáceis de culpar – o presidente, o Congresso, os dois grandes partidos. Há uma tendência forte em direção a cortes no envolvimento militar fora dos EUA. Culpar o “povo de Washington” por tudo produz volatilidade política e disputas locais ainda mais violentas. Os EUA tornaram-se, eu diria, uma das entidades menos estáveis no sistema-mundo.

Isso torna EUA um país não apenas de disputas políticas são disfuncionais, mas, além disso, pouco hábil para exercer poder real na cena internacional. Há uma grande queda na confiança nos EUA e seu presidente, entre grandes aliados no exterior e entre a própria base política interna do presidente. Os jornais estão cheios de análises sobre os erros políticos de Barack Obama. Quem pode argumentar contra isso? Eu poderia listar facilmente dezenas de decisões de Obama que, segundo meu ponto de vista, foram erradas, covardes e algumas vezes inteiramente imorais. Mas eu me pergunto se teria feito muita diferença, caso ele tivesse ele agido como sua base desejaria. O declínio dos EUA não é uma consequência de decisões medíocres de seu presidente, mas de realidades estruturais no sistema-mundo. Obama pode ser o indivíduo mais poderoso no mundo, mas nenhum preesidente dos EUA é ou poderia ser hoje tão poderoso como os de antes.

Estamos entrando numa era de turbulências agudas, constantes e rápidas – nas taxas de câmbio, nas taxas de emprego, nas alianças geopolíticas, nas definições ideológicas da situação. A extensão e rapidez destas flutuações torna impossível fazer previsões de curto prazo. E sem alguma estabilidade razoável nas previsões de curto prazo (três anos, digamos), a economia-mundo estanca. Todos os países terão de ser mais protecionistas e voltados para dentro. Os padrões de vida vão cair. Não é um quadro agradável. E embora haja aspectos positivos para muitos, no declínio norte-americano, nada garante que, com os sacolejos do barco mundial, outros países possam tirar da nova situação o proveito que esperam.

É hora para análises muito mais sóbrias e de longo prazo, julgamentos morais muito mais claros sobre o que estas análises revelam, e ação política muito mais efetiva no esforço de criar, nos próximos 20 ou 30 anos, um sistema-mundo melhor do que aquele em que estamos hoje enrascados.

sábado, 27 de agosto de 2011

Brasil: dois sinais do fim do ciclo positivo

Dois indicadores que o ciclo econômico positivo da economia brasileira pode estar por um fim: a queda da produtividade da indústria e uma forte alta do custo de vida.

Produtividade da indústria ficou zerada até junho
Monitor Mercantil, 19/08/2011


O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) alertou que a produtividade do trabalho na indústria no primeiro semestre de 2011 ficou estagnada no primeiro, em relação ao mesmo período do ano passado.

O avanço de apenas 0,1% deveu-se ao incremento de 1,7% na produção física e de 1,6% nas horas pagas: "Esses percentuais apontam para a desaceleração do ritmo de atividade do setor, contrastando com o desempenho observado ao longo de 2010, de franca recuperação da produção (10,5%) e da produtividade (6,1%) em relação ao ano de 2009. O comportamento do emprego ainda foi positivo no primeiro semestre de 2011, com expansão de 1,9%, porém as variações mês a mês, com apenas duas taxas positivas, apontam também para um desaquecimento no ritmo do mercado de trabalho da indústria", analisa o Iedi em nota.

E acrescenta que o aumento do custo da mão-de-obra, fator obtido pela comparação das taxas de crescimento da folha de pagamento média real (3,5%) com a produtividade (0,1%) cresce 3,5% no semestre.

No ano anterior, o indicador fechara no vermelho (2,6%), assim como no primeiro semestre (-8,9%). Na comparação mensal, o custo da mão- de-obra avançou 1,9%: "Assim, o primeiro semestre da indústria configura um cenário de desaceleração da produção e da produtividade e de aumento dos custos da mão de obra no setor", avalia o Iedi.

A outra face do populismo cambial
Monitor Mercantil, 17/08/2011


Com real valorizado, custo de vida de Rio e São Paulo já se aproxima de NY

Brasília e São Paulo - A mesma valorização do real que permite aos brasileiros aumentarem o número de viagens ao exterior, configurando o fenômeno do Bolsa Juros, vem corroendo o poder de compra dos habitantes de Rio e São Paulo

Segundo relatório Preços e Salários do banco suíço UBS sobre o custo de vida em 73 cidades do mundo divulgado pela BBC Brasil, o poder aquisitivo nas duas cidades tem caído nos últimos cinco anos, apesar do avanço dos salários..

Há cinco anos, o custo de vida nas duas mega cidades brasileiras equivalia a pouco mais da metade do de Nova York. Agora, saltou para 74% (São Paulo) e 69% (Rio). Excluindo-se os valores de aluguel, o custo de vida em São Paulo já é quase equivalente (97%) ao nova-iorquino.

Entre 2006 e 2011, o nível de salários de São Paulo passou de 24% para 39% do nível nova-iorquino. Já o do Rio aumentou de 19% para 34% na mesma comparação.

Mas esse avanço foi insuficiente para evitar que as duas metrópoles brasileiras caíssem no ranking do banco do poder de compra doméstico.

Em 2006, São Paulo e Rio ocupavam, respectivamente, as posições número 42 e 52 do ranking de poder de compra nos países analisados pelo UBS. Em 2011, as duas cidades caíram para os lugares número 54 e 58.

O relatório considera uma cesta de 122 produtos e serviços variados, como moradia, alimentação, transporte (público e privado, incluindo manutenção de veículos), roupas, artigos domésticos e até corte de cabelo.

Os cálculos para 2011 foram baseados nos preços de 2009, ajustados por inflação, crescimento do PIB e câmbio.

As cidades mais caras para se viver, por ordem no ranking, são Oslo, Zurique, Genebra, Copenhague, Estocolmo, Tóquio, Sydney e Helsinque. São Paulo e Rio ficaram, respectivamente, nas posições 19 e 26.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Santuário dos Pajés de Brasília sofre ataque de construtoras

No 16/08/2011 o Santuário dos Pajés de Brasília acordou com os tratores destruindo sua área. As construtoras Emplavi e Brasal derrubam indicriminadamente o cerrado do Santuário e recebem escolta de dois ônibus da PM e de fiscais da Terracap.

Como esmiuçadamente noticia no Centro de Mídia Independente, a luta pela demarcação do Santuário dos Pajés segue, e hoje mais um episódio de abuso de autoridade foi vivenciado na área. Em 2009 uma Ação Civil Pública exigiu a abertura do Grupo de Trabalho para os levantamentos técnicos sobre a tradicionalidade da ocupação indígena na área do Santuário, e impediu que a Terracap e as empreiteiras do Noroeste entrassem na área indígena até a constatação oficial, por meio de relatório antropológico, sobre a tradicionalidade da ocupação.

Entretanto, há pouco mais de semana antes, e depois de quase dois anos de o juiz Hamilton de Sá Dantas ter emitido despacho favorável à Ação Civil Pública, determinando à "(...)TERRACAP que se abstenha de realizar ou permitir que se realizem quaisquer obras tendentes a alterar, reduzir, impactar, transferir ou restringir o modo de ocupação e a área reivindicada pela Comunidade Indígena Bananal ou de promover quaisquer atos que possam intimidar ou ameaçar os membros da mencionada comunidade indígena(...)", a liminar foi derrubada na justiça, o que em tese permite que a Terracap atue na área reinvindicada pela comunidade indígena. Porém, a atuação da Terracap na delimitação das projeções do Setor Noroeste dentro da área indígena não precinde do uso de tratores e polícia, e os tratores que estavam destruindo a área hoje não eram tratores da Terracap e sim das empreiteiras Emplavi e Brasal, que sem ordem judicial invadiram área ocupada há décadas pelos indígenas do Santuário dos Pajés e destruiram vários hectáres de mata de cerrado nativo indiscriminadamente sem ao menos respeitar a vegetação protegida por lei, como os pés de Pequi que existem em abundância na área.

Além disso, o relatório antropológico que dará o parecer técnico oficial sobre a questão indígena na área está pra ser entregue essa semana, ou seja, de algum modo a "justiça" se antecipou preciptadamente caçando a liminar que garantia a inviolabilidade da área até a saida do relatório. Alguma coisa de pervesa ronda os bastidores do Poder Judiciário, na tentativa de favorecer os especuladores imobiliários e às empreiteiras.

Diante dos acontecimentos da manhã de hoje, a comunidade indígena do Santuário dos Pajés lança um chamado a toda a população de Brasília e demais apoiadores da causa indígena em todo brasil e no exterior a integrarem uma campanha de conscientização da opinião pública sobre a legitimidade e a importância do Santuário dos Pajés, como marca da pluralidade cultural do povo brasileiro, materializada na Capital Federal.

Afinal, há espaço pra todas as crenças e todos os tipos de igrejas, mesquitas, templos, de religiões e espiritualidades de origem nos mais distantes rincões do mundo, e porque não pode existir o espaço de vivencia e troca cultural e espiritual baseado nas crenças dos povos nativos da América? E resta ainda uma pergunta: mais uma vez o Estado Brasileiro vai exterminar os povos nativos? Os governos de Dilma e Agnelo vão continuar dando sequência a missão de Cortez?

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Marcha em Brasília reúne 20 mil manifestantes e pede investimentos em saúde, educação e reforma agrária

www.cspconlutas.org.br

A Marcha em Brasília, atividade convocada pela Jornada Nacional de Lutas, reuniu cerca de 20 mil pessoas, segundo os organizadores, com início por volta das 10h e encerramento às 13h30. Trabalhadores de diversas categorias do país participaram da iniciativa, entre eles, metalúrgicos, petroleiros, professores universitários, trabalhadores dos Correios, servidores públicos federais, mineradores, bancários, rodoviários, estudantes, além de integrantes de movimentos populares. Os manifestantes saíram do estádio Mané Garrincha e percorreram as ruas do centro de Brasília finalizando o protesto em frente ao Congresso Nacional.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Esta dívida não é nossa: não vamos pagar por ela!


Esta dívida não é nossa: não vamos pagar por ela!

Rodrigo Dantas

No país que tem a taxa de juros mais alta do mundo desde os anos 1990, o governo Dilma destinou 49,15% do Orçamento Federal ao pagamento da dívida pública em 2011. Nada menos do que R$ 954 bilhões destinados aos bancos e fundos de investimento, de um Orçamento cujo montante total é de R$ 1,940 trilhão. Para a educação, restaram pífios 2,92%. Para a saúde, míseros 3,53%. Na outra ponta, cerca de 25% da renda dos brasileiros é consumida hoje com o pagamento de dívidas cujos juros são os mais altos do mundo.

Estamos diante de números históricos, que por razões óbvias são descaradamente sonegados da população brasileira pelo Estado e pela mídia burguesa. Durante todo o governo Lula, foram pagos cerca de R$ 2 trilhões da dívida pública interna aos banqueiros e especuladores, valor muito superior aos R$ 1,23 trilhão pagos pelo governo FHC, que representa aproximadamente o montante total da dívida interna hoje. Em 8 anos de governo, Lula pagou, portanto, em juros, amortizações e “rolagem” das dívidas interna e externa, um valor maior do que a própria dívida, e ainda assim ela aumentou muito e segue crescendo! Mas Dilma não se deu por satisfeita, e numa conjuntura econômica cada vez mais hostil, superou Lula: só em seu primeiro ano de governo, Dilma reservou ao pagamento da “dívida” quase a metade do montante pago por Lula em 8 anos!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Industrialização, subdesenvolvimento e dependência

por Almir Cezar

Este artigo é continuação do artigo Desenvolvimento e Subdesenvolvimento

"Operários", pintura de Tarsila do Amaral. Retrato do
da industrialização acelerada do Brasil, um país dependente
A dependência, ou melhor, como romper com ela, colocou-se progressivamente na pós-Segunda Guerra até o início dos anos 1980 como centro do debate sobre desenvolvimento econômico nacional. A intelectualidade crítica, heterodoxo e de esquerda lutava para que a sociedade nacional se desenvolva, pois o desenvolvimento era entendido como uma ruptura com a dependência, e esta com a transição (ou a abertura da transição) da construção de um novo tipo de padrão societário para a economia nacional.

Desenvolvimento e industrialização

O conceito de desenvolvimento era entendido de duas maneiras. Na primeira, como movimento societário global ou transição entre sucessivas etapas históricas em uma formação social e econômica. As sociedades menos desenvolvidas seriam aquelas que por estarem em etapas mais atrasadas ou inferiores teriam como consequência ao seu dispor condições sociais menos plenas aos seus indivíduos e menor poder e autonomia ao seu Estado e mercado nacional, sendo o inverso manifestava-se nas sociedades mais desenvolvidas.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Lançamento do filme "O Veneno está na mesa"

O VENENO ESTÁ NA MESA
Um filme de Sílvio Tendler


"Cada brasileiro consome em média 5,2 Kg de agrotóxicos por ano.
Até quando vamos engolir isso?"


No dia 22 de agosto, às 19 horas, no Museu da República (ao lado da Catedral), lançamento no Distrito Federal do renomado documentário “O veneno está na mesa”.


Após o filme, debate com o cineasta Sílvio Tendler.


Informações: contraagrotoxicosdf@gmail.com




Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

domingo, 21 de agosto de 2011

Preobrazhenski, Trotski e a Oposição de Esquerda: o debate sobre desenvolvimento e transição ao socialismo na URSS na década de 1920




por Almir Cezar

Seguindo na lembrança dos 85 anos de publicação de "A Nova Econômica" e de 80 anos de "O Declínio do Capitalismo" do economista soviético Eugueni Preobrazhenski, co-liderança da Oposição de Esquerda ao stalinismo, apresentaremos em um breve artigo o que foi o debate sobre desenvolvimento econômico e transição ao socialismo na década de 1920 na URSS.

Presidium do 9o Congresso  do PC Russo, 1920. Sentados (da esquerda):
 A.Yenukidze, M. Kalinin, N. Bukharin, M.Tomsky, M. Lashevich,
L. Kamenev, E. Preobrazhensky, L. Serebryakov, V. Lenin e A. Rykov.
A Oposição de Esquerda soviética da década de 1920 e o debate sobre os rumos da transição ao socialismo: além da discussão sobre o regime interno do Partido(com a oposição advogando mais amplo espaço para o debate e a democracia internos), maioria se opunham sobre a continuidade ou não da Nova Política Econômica (NEP, na sigla em russo), que - adotada em 1921, ainda sob direção de Lênin, em substituição ao chamado "comunismo de guerra", posto em prática logo após a revolução e durante a guerra civil.

A NEP re-estabelecia relações mercantis no campo e em algumas atividades urbanas, garantindo aos camponeses que a coletivização agrícola só ocorreria por adesão voluntária. Assim, em muitos casos, os camponeses (sobretudo os médios e os grandes) chegaram a desfrutar de um padrão de vida superior ao dos operários urbanos. A manutenção da NEP - defendida então por Stalin e, sobretudo, por Bukharin, que se tornara seu principal teórico - era apoiada também pela maioria do Comitê Central do PCUS. A Oposição de Esquerda, liderado por Trotski, Preobrazhensky e Radek, entre outros, defendia, ao contrário, o abandono da NEP e a adoção de uma política de industrialização acelerada, com base num rigoroso planejamento central e numa "acumulação primitiva socialista", a ser feita mediante a transferência de renda do campo para a cidade, ou seja, mediante a expropriação dos camponeses.

sábado, 20 de agosto de 2011

Cargos de confiança: o núcleo da corrupção no Brasil

O núcleo da corrupção no Brasil

Gabriel Bonis

http://www.cartacapital.com.br/politica/a-distribuicao-de-cargos-e-o-nucleo-da-corrupcao
15 de agosto de 2011 às 11:48h
As denúncias de irregularidades envolvendo funcionários dos Ministérios dos Transportes, Turismo e Agricultura são apenas os mais recentes, entre os muitos e já quase corriqueiros, casos de corrupção em órgãos públicos no Brasil.


Em comum, as pastas acima têm o comando de partidos da base aliada do governo. Uma distribuição de cargos comum no sistema político nacional, que visa “premiar” os aliados. Porém, em meio à multiplicação de esquemas de corrupção no Brasil, surge o questionamento: o problema está na índole dos políticos ou na estrutura da adminitração pública do País?

Para tentar esclarecer a pergunta, CartaCapital conversou com o doutor em sociologia, professor Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e especialista em cultura política, Valeriano Costa. Segundo ele, o loteamento de postos no governo para aliados é o núcleo da corrupção. “É preciso haver politização nas estruturas governamentais, mas no Brasil não se sabe mais o que é vínculo entre a política e a administração. É preciso haver uma separação mínima entre essas partes e saber até onde pode haver políticos na estrutura”.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Lançamento do livro "PT: da oposição à sustenção da ordem"

Hoje é o lançamento do livro PT: da oposição à sustenção da ordem, do historiador Cyro Garcia.

Um retrospecto da formação e transformação do Partido dos Trabalhadores ao longo do regime democrático iniciado na década de 1980.

O lançamento será às 19h no Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Largo de São Francisco, Centro da Cidade do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O que está por trás do debate sobre desindustrialização do país?



Renato Lobato
de Taubaté (SP) - Opinião Socialista 2/8/2011




• Nas últimas semanas, ganhou fôlego na grande imprensa, jornal do sindicato dos metalúrgicos do ABC e nas declarações de líderes sindicais e empresariais, um debate sobre o perigo das importações da China que supostamente poderá provocar a desindustrialização do Brasil. Seminários foram realizados e as propostas serão levadas ao governo Dilma.

Nos últimos três anos o Brasil aumentou a importação de produtos industrializados, principalmente carros. Ao mesmo tempo, passou a exportar mais produtos primários (minério de ferro, soja, açúcar, carne etc.) do que produtos industrializados. Isso em razão do fato da indústria ter se concentrado no mercado interno, com o incrível aumento do crédito.

Mas nesse debate vemos alguns conceitos estranhos sendo esgrimidos pelos líderes sindicais, como por exemplo, a defesa de uma suposta indústria nacional no setor automobilístico. A Volkswagen do Brasil, a Ford do Brasil, a General Motors do Brasil, a FIAT do Brasil seriam, supostamente, parte dessa “indústria nacional”. 


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Jornada Nacional de Lutas - 17 a 26 de agosto

Várias entidades estão convocando a Jornada Nacional de Lutas, de 17 a 26 de agosto e Manifestação Nacional em Brasília, em 24 de agosto.


Essa luta é nossa - Se o Brasil vem crescendo, o trabalhador não entrou na divisão desse bolo. A política econômica do governo não atende aos
interesses dos trabalhadores. Portanto, vamos cobrar mudanças! Vamos nos inspirar nos povos do norte da África e nos trabalhadores e trabalhadoras da Europa, que estão em luta.

De 17 a 26 de agosto, vamos fazer paralisações, protestos,manifestações, greves,ocupações, debates; vamos
unificar as campanhas salariais. Vamos cobrar do governo e dos patrões que nos dêem o que é nosso. No dia 24 de agosto, vamos encher as ruas de Brasília com caravanas de cada canto desse país.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Gasto com juros drena renda dos trabalhadores e deprime o consumo

Gasto com juro deprime consumo. Famílias brasileiras já desperdiçaram R$ 85 bi com esse tipo de pagamento. O sistema financeiro retirou das famílias, mensalmente, mais do que o governo repassara a elas via os programas Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada e Erradicação do Trabalho Infantil em 2009.

Gasto com juro deprime consumo
Famílias brasileiras já desperdiçaram R$ 85 bi com esse tipo de pagamento


Monitor Mercantil, 11/08/2011

As famílias brasileiras perderam R$ 85,2 bilhões em poder de consumo no primeiro semestre de 2011. Segundo pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio), esse foi o valor gasto pelas famílias com pagamento de juros no primeiro semestre. O valor já é 65,91% dos R$ 129,3 bilhões gastos com juros em todo o ano passado.

A diferença do valor mensal pago de juros pelas famílias em 2010 e 2011 é de R$ 1,3 bilhão. Esse valor, conforme mostra a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), supera a soma das transferências sociais em 2009.

Ou seja, o sistema financeiro retirou das famílias, mensalmente, mais do que o governo repassara a elas via os programas Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada e Erradicação do Trabalho Infantil em 2009.

Segundo a Fecomercio, o resultado se deve, em parte, ao aumento do volume de empréstimos, mas, principalmente, à nova escalada da taxa básica de juros (Selic) e as medidas de restrição ao crédito adotadas pelo governo.

A taxa média de juros para pessoas físicas, no primeiro semestre, saltou de 40,6% ao ano para 45,4% ao ano, o que, por si só, implicou aumento de R$ 7,8 bilhões de gastos com juros no período.

Mas os juros não consumiram somente o orçamento das famílias, reduzindo o montante que poderia ser destinado à compra de bens e serviços, bem como os recursos disponíveis para as empresas investirem em modernização inovação e capacitação.

O gasto das empresas com juros no primeiro semestre somou R$ 65,1 bilhões, ou 62% dos R$ 105 bilhões que as pessoas jurídicas gastaram com esse fim ao longo de 2010.

A soma dos juros pagos por famílias e empresas atingiu R$ 150,3 bilhões no primeiro semestre.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

(Antecedentes da dívida externa) Como D. João VI ampliou a dependência ao invés de abrir caminho à independência

ANTECEDENTES DA DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA

Como D. João VI ampliou a dependência ao invés de abrir caminho à independência

ou como a dívida externa está ligada a dependência econômica*

por Almir Cezar

Em vários lugares vemos atividades em torno das comemorações dos 200 anos da vinda da Família real Portuguesa ao Brasil. Com festejos desse tipo a elite costuma fazer uma grande exaltação desses momentos históricos, na tentativa de reafirmar seus mitos e ideologias, evocando fatos passados para legitimar seu poder hoje. Contudo, dessa vez, o ufanismo é um pouco menor, se compararmos com o “Brasil 500 anos”, por exemplo.

Mas, apesar disso, a D. João VI é atribuído o início do processo de independência do Brasil, o que com uma simples análise verificamos ser totalmente equivocado. Na verdade, sua obra é mais uma daquelas que reforçou a trajetória de desenvolvimento dependente que o Brasil trilhou nos dois séculos seguintes, e a principal mostra é seu papel na constituição da dívida externa brasileira.

domingo, 14 de agosto de 2011

Keynes e a Crise

Por Jaldes Menezes

A semana começou com uma segunda-feira de pânico nos mercados internacionais das bolsas de valores, que deve perdurar nos próximos dias, enquanto na Inglaterra massas enfurecidas ateavam fogo em automóveis e prédio com uma fúria e ódio haitianos. A revolução está distante de bater à porta, mas perigosas revoltas espasmódicas se avolumam, mimetizando os levantes luditas (operários que destruíam as máquinas no período da revolução indústria) do século XIX, ou mesmo os saques pré-capitalistas da seca no sertão nordestino. Configura-se uma nova paisagem urbana nos países da Europa: no passado recente já tivemos explosões em Los Angeles e Paris, mas agora parece se criar uma onda.

Onde estão as instituições do Estado de Bem-Estar, na Europa e mesmo nos Estados Unidos, que já não fornecem o colchão indispensável ao controle da questão social? Quando mencionamos crise econômica e welfare state, logo a memória puxa o nome mágico e o emblema de Lord John Maynard Keynes, o genial economista britânico que sistematizou as políticas anticíclicas de contenção da crise, com base em políticas de gasto público, bem como ajudou na formulação de políticas sociais inclusivas da antiga classe operária fabril, soldando o que depois foi chamado nas ciências sociais de “acordo fordista”. Idílicos os tempos do projeto do capitalismo democrático (Keynes morrera em 1946, mas deixara o emblema): cessados os conflitos da segunda guerra mundial, a economia voltou a crescer em ritmo voador, auxiliado, no plano ideológico, pela formidável expansão da doutrina keynesiana em todos os recantos (inclusive no Brasil). De repente, expressões como multiplicador, demanda pública e aproveitamento da capacidade ociosa das empresas passaram a compor o discurso dos estadistas.

sábado, 13 de agosto de 2011

E se parássemos de pagar a dívida?

por Almir Cezar

A quase moratória da Grécia e países da Eurozona traz de volta à baila o tema da suspensão do pagamento da dívida externa. Tendo em vista que o pagamento da dívida externa (que atua conjuntamente ao mecanismo da dívida interna) constitui o maior instrumento atual da dominação imperialista sobre os países periféricos, podemos em breves palavras falar em termos macroeconômicos das conseqüências de um calote.

A interrupção permanente ou temporária do pagamento da Dívida em si não afeta nada do ponto de vista macroeconômico, mas tem um significado político e um impacto microeconômico (afeta lucros de alguns capitalistas) que consequentemente geraria reações macroeconômicas.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

CSP-Conlutas avalia crise internacional e decide reforçar jornada de lutas

Coordenação Nacional da CSP-Conlutas avalia crise econômica internacional e decide reforçar jornada de lutas; confira a resolução

07/08/2011

No domingo ( 7) foram votadas as resoluções e moções da reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas, realizada de 5 a 7 de agosto, em Minas Gerais.

Veja a resolução sobre conjuntura. Abaixo, a íntegra do texto.

Em breve divulgaremos todas as moções e resoluções referendadas nesta reunião.


Resolução da coordenação nacional da CSP-Conlutas sobre Conjuntura


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O capital constante

por Almir Cezar

Marx e Engels falam que o capital global era dividido em dois tipos: (a) o capital variável e (b)o capital constante. O capital é um trabalho morto; acumulado. Um trabalho que se materializou na forma de uma mercadoria. Uma mercadoria esta pode e deve produzir outra mercadoria, para inclusive continuar tendo valor. Capital parado não é capital, tem que produzir mercadorias (gerar valor).

O capital variável é aquele que cujo valor na composição da mercadoria pode ao final "variar". É a força de trabalho, do ponto-de-vista de ser uma mercadoria, um capital. O valor "varia" a partir da forma que o capitalista emprega ele na produção: no tamanho da jornada de trabalho ou no ritmo de trabalho. Permitindo obter mais ou menos mais-valia, já que é a força de trabalho ao ser a realizadora do trabalho, a geradora de mais-valia.

O capital constante é o capital constituido pelos instrumentos de trabalho e os objetos empregados para realização das mercadorias. Seu valor não varia, embora possa se depreciar ou depleciar (perda de valor pelo uso, desgaste) ou ainda sofre perda de valor por mudanças tecnologicas (obsolecência).

O capital constante é constituido por sua vez, de capital circulante e capital fixo. O capital circulante, é aquele que "circula" no processo de trabalho. É aquele que passa de um setor produtivo para outro, isto é, trabalhado para virar uma mercadoria final, mas será empregado em outro setor, como objeto intermediário para confecção de outra mercadoria final. São as matérias-primas, a energia, o capital de giro das empresas, etc.

O capital fixo é aquele "fixo", aquele que não "circula". É o capital empregado num processo, num setor produtivo. São aqueles capitais utilizados como instrumentos de trabalho. Cada mercadoria produzida só recebe parte, uma fração do valor inicial do capital fixo. São eles as máquinas-ferramentas, as instalações, etc.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

3 mil famílias acampadas são despejadas pela PM em Uberlândia



NOTA SOBRE DESPEJO EM UBERLÂNDIA
“... revela-se, lá do céu, a ira de Deus contra toda impiedade e injustiça humana, daqueles que por sua injustiça reprimem a verdade” (Rom. 1,18).
Três mil famílias acampadas em Uberlândia estão sendo despejadas pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), em cumprimento a uma liminar judicial, determinada pelo Juízo da 4ª Vara de Uberlândia. Tensão e dor são vividas pelas famílias. A população desconhece a verdade sobre a terra, da área ocupada por essas famílias.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Despesa da União com servidor despencou em 15 anos

Estudo diz que despesa relativa da União com servidor despencou em 15 anos 

Estudo da Auditoria Cidadã apresentado pelos servidores ao governo mostra que, comparado às receitas e ao PIB, despesas com pessoal caíram até 40% desde 1995

 Ao contrário do que costumam afirmar a mídia comercial e o governo, e do que sugere o senso comum sob a influência de ambos, as despesas relativas da União com o funcionalismo público tiveram queda expressiva nos últimos 15 anos. Com base em dados colhidos em órgãos oficiais, a constatação foi exposta ao Ministério do Planejamento pelo funcionalismo por meio de um estudo da Auditoria Cidadã da Dívida de difícil contestação.

A apresentação do estudo ocorreu na última reunião geral de negociação entre representantes de 32 entidades nacionais dos servidores e o Ministério do Planejamento, no dia 21 de julho. Os trabalhadores voltaram a defender o respeito à data-base e a revisão geral e linear dos salários, mas não ‘sensibilizaram’ os burocratas que representam o Planalto na mesa de negociação: foi nesta reunião que o secretário de Recursos Humanos do Planejamento, Duvanier Paiva Ferreira, disse aos servidores que a presidenta Dilma Rousseff não vê possibilidades de reajustes lineares para a categoria e, de certa forma, impôs que quaisquer negociações salariais se deem nas mesas setoriais que dividem o setor por área de atuação.

O estudo foi exposto por integrantes da própria Auditoria Cidadã da Dívida, organização que vem analisando a dívida pública brasileira e defende a suspensão do seu pagamento. Ele comprova, por dois ângulos, que as despesas relativas com a folha tiveram uma queda expressiva entre 1995 e 2010. Como em 2011 não houve novos reajustes e a arrecadação tributária cresceu, a tendência é que isso tenha se acentuado nestes primeiros sete meses do ano.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Preparação em Brasília da Jornada Nacional de Lutas e ato de 24/8

Olá companheir@s.

A CSP-CONLUTAS-DF, participando do Espaço de Unidade de Ação, está empenhada em construir uma massiva atividade na Jornada Nacional de Lutas que ocorrerá em todo o Brasil de 17 a 26 de agosto de 2011 e bem como também o ato nacional que ocorrerá aqui em Brasília no dia 24/8/2011.

Para que possamos coordenar os esforços das várias entidades e movimentos que participam deste importante evento da luta de classes nacional, queremos convidar um(a) representante de sua entidade para uma reunião nesta 5a feira agora, dia 11/8/2010, às 19:00h no escritório da CSP-CONLUTAS no DF, situado no Setor Comercial Sul, Quadra 4, Edifício Embaixador, 1o. andar, Sala 114. Este edifício fica ao lado das Lojas Americanas do SCS e de frente para o Banco Itaú do SCS. 

Nosso objetivo é organizar junto com @s companheir@s estes importantes eventos para a lutas dos trabalhadores e trabalhadoras  do Brasil.

Veja abaixo uma atualização nossa sobre o tema.

Prof. Robson da Silva ,  pela Secretaria Executiva Estadual da CSP-CONLUTAS-DF.

cspconlutas@gmail.com

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Construir as manifestações nos estados e em Brasília na jornada de lutas de agosto. 


Por Paulo Barela da Secretaria Nacional da CSP-CONLUTAS


Todos ao grande ato em Brasília dia 24 de agosto!

O primeiro semestre de 2011 foi marcado por grandes enfrentamentos da classe trabalhadora com a patronal e os governos burgueses. Profissionais da Educação estaduais e federal, municipários, operários da construção  civil e metalúrgicos mostraram para Dilma e seus amigos empresários e banqueiros que a classe trabalhadora está em movimento e resistindo ao arrocho salarial e a retirada de direitos. Mais que isso, os trabalhadores avançam em suas conquistas e arrancam reajustes acima da inflação e benefícios trabalhistas importantes.

domingo, 7 de agosto de 2011

Dez maneiras de criar dívida pública

por Almir Cezar

Olhando minuciosamente o orçamento público pode-se verificar in loco algumas discrepâncias e priorização que não são os trabalhadores. Estudando-o podemos também entender a relação perversa entre o orçamento público e a dívida pública. A crise fiscal nos EUA e em vários países da União Européia demonstram como é importante saber essa relação, que acontece corriqueiramente, sem que o cidadão comum se preocupe como seus impostos acabam engordando o patrimônio dos banqueiros e comprometendo o salário dos servidores públicos e as condições de um bom atendimento nos serviços públicos. Saber que a dívida pública é criada não meramente pelos déficits públicos, e que sim esse é gerado pela dívida pública. E que essa dívida não é criada apenas por dinheiro pego emprestado e gasto pelo Estado, e que agora seria preciso (e moralmente) pagá-lo.

O orçamento público é algo importante, visto que os recursos públicos são limitados, enquanto que as necessidades não, sendo portanto preciso estabelecer um escala de prioridade pelos governos ao Estado, refletida no percentual de valores que vai para cada item, e também revela a relação do governo com a dívida pública. Enquanto no Orçamento Geral da União do Brasil (OGU) há quase metade de recursos transferidos aos banqueiros em pagamento de dívida pública. Disposto em mais de 33% reservado a "Refinanciamento da Dívida Pública Mobiliária" (pagamento de juros), isto é, um terço do Orçamento, e ainda mais 16,36% para "encargos financeiros", totalizando assim quase 50% do Orçamento com repasse aos banqueiros. Nesse mesmo Orçamento, pasmem, menos de 1% estão reservados para a reforma agrária e agricultura familiar. Na verdade, menos da metade disso, menos de um quarto de 1% (0,23% do OGU), isso apesar de ser dito publicamente que as políticas de desenvolvimento agrário serem tão importante para o combate as desigualdades sociais e conflito agrário.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Zona do Euro: políticas e políticos empoados e falidos

Zona do Euro: políticas e políticos empoados e falidos
Petros Panayotídis, Sucursal dos Bálcãs - Monitor Mercantil, 01/08/2011

Nada se faz para responder à profunda crise da Europa

Atenas - Com as habituais "receitas" do euroneoliberalismo e generosa dose de longo prolongamento do super-endividamento da Grécia, tentam os poderosos da Zona do Euro responder à profunda crise da Europa.

Em embalagem especial de super-endividamento da Grécia e com fortes garantias (leia-se atendimento incessante) dos banqueiros delinquentes, recorreram os empoados eurolíderes ao guarda-chuva protetor do estranho casal "Frau" Merkel e "Monsieur" Sarkozy após o término da última reunião de emergência dos chefes de Estado e de governo da União Européia (UE).

Diante do temor dos mercados e do poder alemão, concordaram e prometeram um pacote para enfrentar - de qualquer maneira - a assustadoramente gigantesca dívida da Grécia, a fim de se evitar que o ameaçador dominó atinja os demais países integrantes da Zona do Euro. Aliás, determinados europarceiros da Grécia exigiram como garantia o Partenon!

É possível que o primeiro-ministro grego, Geórgios Papandreu, e os papagaios governamentais que o cercam tentem servir, por uma vez mais, o prato do quadro de "sucesso", mas estão em um beco sem saída com seus sucessivos desmentidos por causa dos resultados negativos e os dilemas de suas políticas sem solução.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Acordo nos EUA evita calote, mas deve aprofundar a crise

Acordo nos EUA evita calote, mas deve aprofundar a crise

Mundo vai continuar pagando o déficit público norte-americano e financiando lucros dos bancos e das grandes empresas



Obama deve enfrentar desgaste político até eleições de 2012
Diego Cruz, da redação - Opinião Socialista online

• O acordo anunciado pelo governo Obama entre republicanos e democratas para dar fim ao impasse e elevar o teto da dívida dos EUA, hoje em 14,3 trilhões de dólares, está longe de pôr fim à crise econômica e política que toma conta do país. Após semanas de duras negociações sob um ambiente de acirrada polarização, que incluiu negociações ininterruptas por todo o final de semana, o presidente Barack Obama finalmente anunciou um acordo no final da noite de domingo.

O acordo, aprovado pela Câmara dos Representantes, de maioria republicana, na noite dessa segunda-feira, 1º de agosto, garante a elevação do endividamento em 2,1 trilhão de dólares. Em contrapartida, impõe uma redução de 1 trilhão nas despesas do governo para os próximos 10 anos. Uma comissão composta por 12 parlamentares deve ficar responsável ainda por definir, até novembro, um corte adicional de 1,5 trilhão.


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Superávit em junho chega a R$ 13,3 bi e é o maior para o período desde 2001

Superávit em junho chega a R$ 13,3 bi e é o maior para o período desde 2001
Agência Brasil, 29/07/2011

A economia feita pelos governos federal, estaduais e municipais para pagar os juros da dívida pública, o superávit primário, ficou em R$ 13,370 bilhões, em junho, segundo dados do Banco Central, divulgados hoje. Esse resultado é o maior para o período da série do BC, iniciada em 2001. Em igual período do ano passado, o superávit foi R$ 2,179 bilhões.

No primeiro semestre, o superávit primário alcançou R$ 78,190 bilhões, contra R$ 42,056 bilhões registrados em igual período de 2010. Em 12 meses encerrados em junho, o superávit primário ficou em R$ 137,830 bilhões, o que corresponde a 3,54% de tudo o que o país produz - Produto Interno Bruto (PIB). A meta de superávit primário deste ano é R$ 117,9 bilhões.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Só a Grécia paga mais juro da dívida que Brasil

Economia para remunerar rentistas no 1º semestre salta de R$ 42 bi para R$ 78 bi

Só a Grécia paga mais juro da dívida que Brasil
Monitor Mercantil, 29/07/2011

Segundo informação da BBC Brasil, o serviço da dívida pública brasileira consumiu 5,1% do PIB do país no ano passado, proporção inferior apenas aos 5,47% do PIB gastos pela Grécia. A partir de dados da Economist Intelligence Unit (EIU) coletados em 25 países mais a União Européia, verifica-se que outros países europeus afetados pela crise das dívidas têm uma proporção bem menor de gastos com juros. Portugal (3,04%), Espanha (1,6%), Irlanda (3,2%) e a Itália (4,53%) são exemplos de países que, apesar de enfrentarem crises de suas dívidas, pagam menos juros que o Brasil.