terça-feira, 30 de novembro de 2010

Trabalhadores irlandeses exigem calote da dívida

A Irlanda, agora um PIIGS, porém vendida ao longo da década de 2000 como modelo de desenvolvimento, vive momentos de agonia econômica. O governo que no último ano endividou o Estado para injetar recursos públicos no socorro aos bancos, em conluio com os banqueiros, que agora cobram os juros dessa dívida, recorreu a um mega-empréstimo junto a União Européia, que deve arrochar e sobre-endividar o país de maneira que nunca se viu. Contudo, os trabalhadores irlandeses não aceitam tal situação, vão às ruas em protesto e exigem o calote da dívida, fato que até a grande mídia é obrigada a noticiar.

Governo irlandês autoriza ministro a finalizar negociações em Bruxelas
EFE, EM DUBLIN - 28/11/2010

O governo irlandês autorizou seu ministro de Finanças, Brian Lenihan, a finalizar neste domingo com os colegas comunitários as negociações sobre o plano de resgate da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao país.

Segundo uma porta-voz oficial, os últimos detalhes do plano de resgate, avaliado em 85 bilhões de euros, serão "finalizados" nas próximas horas em Bruxelas durante um encontro dos 27 ministros de Economia e Finanças.

A fonte explicou que o Executivo tomou esta decisão no sábado à noite, após manter em Dublin uma reunião de seu Conselho de Ministros à qual assistiu o governador do Banco Central da Irlanda, Patrick Honohan.

Aparentemente, as partes tentam fechar os últimos detalhes do plano de resgate, concretamente a questão sobre as taxas de juros que serão aplicadas aos empréstimos, que poderiam oscilar entre 5% e 6%.

Nas últimas horas, voltou-se a falar de um possível aumento do controvertido imposto sobre as empresas, como condição para que Irlanda possa buscar apoio nos fundos da UE e o FMI.

Fixada em 12,5%, o Governo irlandês considera esta chave para atrair ao país investimentos estrangeiros, enquanto os membros comunitários a veem como vantagem "desleal".

Irlanda deve pagar juros mais altos que a Grécia em pacote de ajuda
DA FRANCE PRESSE, EM DUBLIN - 27/11/2010

A Irlanda deve pagar juros de 6,7% pela ajuda financeira de 85 bilhões de euros concedida pela União Europeia (UE) e pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), muito mais que os 5,2% acordados com a Grécia há alguns meses, indicou nesta sexta-feira o canal de televisão público RTE.

Michael Noonan, porta-voz responsável pelo setor de finanças do Fine Gael, o principal partido de oposição, estimou que a taxa é "muito mais elevada e impossível de ser aceita do ponto de vista de uma previsão de crescimento razoável".

"Mesmo que o governo esteja vivendo seus últimos dias, não deve abandonar o interesse nacional e aceitar cláusulas intratáveis nas negociações", afirmou.

O jornal "The Irish Times" indicou, no entanto, que os juros seriam inferiores a 6,7%, citando uma fonte que participa das negociações em curso.

De acordo com esta fonte, a taxa de juros do empréstimo ainda é objeto de discussão e não deve ser tão alta, mesmo se superar os 5,2% aplicados à Grécia.

Irlandeses organizam protesto contra pedido de auxílio
REUTERS, EM DUBLIN - 27/11/2010

A Irlanda está prestes a se tornar o segundo país da zona do euro a receber um pacote de auxílio, mas poucos esperam que o resgate ponha fim à crise que vem atingindo a moeda do bloco europeu desde o ano passado.

Dezenas de milhares de irlandeses são esperados nas ruas de Dublin neste sábado em um protesto organizado por sindicatos contra a decisão do governo de buscar ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar o país a lidar com seus bancos quase falidos e com o crescente deficit orçamentário.

Autoridades europeias esperam que o programa de ajuda de 85 bilhões de euros irá impor um limite à crise da dívida que começou na Grécia e que agora ameaça envolver países como Portugal e Espanha, a quarta maior economia da zona do euro.

Mas pressões de mercado já deram sinais de que não irão diminuir. O euro sofreu sua maior baixa contra o dólar em dois meses na sexta-feira, e investidores querem comprar títulos de dívida irlandeses, portugueses e espanhois em vez de títulos alemães, por conta da alta recorde registrada.

As condições do pacote de auxílio da Irlanda com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional devem ser reveladas no domingo.

Pesquisa aponta maioria a favor de calote da dívida na Irlanda
FRANCE PRESSE, EM DUBLIN

A maioria dos irlandeses quer que o governo pare de pagar suas enormes dívidas, segundo uma pesquisa publicada neste domingo pelo jornal "Sunday Independent", num momento em que União Europeia e o FMI (Fundo Monetário Internacional) negociam os últimos ajustes de um plano de ajuda internacional para o país.

Das 500 pessoas entrevistadas, 57% acreditam que a Irlanda não deveria pagar a dívida, contra 43% que pensam o contrário, aponta a pesquisa do Instituto Quantum Research. A reivindicação de não pagar a dívida foi uma das bandeiras do protesto que reuniu entre 50 mil e 150 mil irlandeses em Dublin no sábado.

Além disso, a pesquisa revela que dois terços da população é contra a adoção das novas medidas de austeridade anunciadas pelo governo, que incluem a redução do salário mínimo

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